sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

COMO SERIAM OS ROLEZINHOS SE OCORRESSEM NOS ANOS 60?

SHOPPING IGUATEMI, EM SÃO PAULO, NO ANO DE 1966.

Por Alexandre Figueiredo

A memória curta das pessoas, mesmo aquelas com determinado grau de esclarecimento, faz com que certas coisas sejam muito mal percebidas. No caso dos rolezinhos, a polêmica acaba sucumbindo ao preguiçoso maniqueísmo da "revolução social" dos pobres contra o "horror moralista" das elites.

Muitos acham que os pobres sempre tiveram essa forma caricata simbolizada pelas tendências brega-popularescas, uma caricatura maior do que aquela trabalhada nos filmes de chanchada da Atlântida, nos anos 1940 e 1950.

No entanto, se fôssemos voltar ao tempo, entre 1960 e 1966 - épocas que envolveram crises políticas e até primórdios da ditadura militar, mas a sociedade ainda não vivia as violentas tensões que vieram pouco depois, embora houvessem ensaios em 1966 - , e supormos como seriam os rolezinhos naqueles tempos, eles seriam muito diferentes dos que observamos hoje em dia.

A cultura era bem diferente e, para o jovem das periferias da primeira metade dos anos 1960, o que significa entre a euforia da finalização das obras de Brasília e o anúncio das medidas impopulares do ministro da Educação Flávio Suplicy de Lacerda - um dos "gurus" de Jaime Lerner - , havia sobretudo uma influência dupla da cultura popular de raiz e da modernidade pop da Jovem Guarda.

Os jovens pobres do Brasil dos anos 60 apreciavam tanto nomes como Luiz Gonzaga, Jorge Veiga, Noite Ilustrada, Jackson do Pandeiro, Emilinha Borba, Teixeirinha e Zé Kéti, além de apreciar as marchinhas de João Roberto Kelly e os sambas enredos e os frevos carnavalescos, começavam a apreciar os sucessos da Jovem Guarda a partir de Roberto Carlos.

Seu estado de espírito seria um meio-termo entre as gangues roqueiras urbanas e as Ligas Camponesas, isso em termos de atitude. Alguns seriam vândalos e agressivos, mas a maioria entraria nos então nascentes shopping centers brasileiros tranquilamente, embora chocassem com seus grandes contingentes de pessoas.

Certamente, os rolezinhos seriam reprimidos depois de abril de 1964. Isso porque os generais não tolerariam reuniões de grandes grupos de pessoas, que em seu julgamento de caserna acreditariam ser alguma conspiração vinculada a decisões comunistas de Moscou, Havana ou Pequim. Seus integrantes seriam detidos na hora e a sociedade estaria aliviada, mas quem não gostasse deveria ficar calado.

Antes de 1964, porém, elas apenas causariam problemas. Talvez houvesse algumas discussões que existem hoje, descontados os contextos popularescos que existem hoje, pela mediocridade do "funk ostentação" (infinitamente inferior à música apreciada pelos pobres de 50 anos atrás) e pelos estereótipos das classes pobres lançados pela ditadura midiática.

Tais reuniões nem seriam chamadas rolezinhos. Como seriam eles conhecidos? Convescotes urbanos? Talvez. E há quem os compare com as passeatas da Contracultura ou com os sit-ins que os negros faziam, em seus protestos pacíficos serenamente sentados em algum lugar, mesmo no chão.

No entanto, a essência dessas reuniões seria a mesma: jovens pobres entrando nos centros comerciais para se divertirem. E estes centros, emergentes - o Shopping Iguatemi paulista e o Shopping do Méier carioca tinham poucos anos de existência - , as elites apenas se sentiriam incomodadas com uma freguesia "pouco requintada". As questões seriam semelhantes, os contextos seriam outros.

JOVEM INGLESA MORREU DE ATAQUE CARDÍACO APÓS FUMAR MACONHA


Por Alexandre Figueiredo

A jovem inglesa Gemma Moss, de 31 anos, morreu em outubro do ano passado, em sua casa, na Inglaterra. Na época, ela já teria sido encontrada morta por um filho mais velho, um adolescente de 15 anos. A informação foi dada pelo periódico inglês Daily Mail.

O diagnóstico foi revelado agora, por patologistas que examinaram o corpo da moça, que era usuária de maconha e teria largado a droga, mas teria voltado a consumi-la poucos meses antes de morrer. Ela teria fumado metade de um cigarro de maconha para se relaxar diante da insônia. Após a morte, a outra parte do cigarro ainda estava numa das mãos da jovem.

Especialistas afirmam que, aparentemente, é muito raro haver morte de pessoas por causa do uso de maconha, sendo mais associado ao consumo da droga misturada ao álcool. Consta-se, porém, que a maconha pode interferir na concentração da pessoa, tornando o raciocínio menos ágil e mais atrapalhado. Em 2004, um homem de 36 anos também havia falecido por causa do uso de maconha.

GEORGE SOROS, SEMPRE ELE

Em todo caso, as tragédias põem em xeque o caráter libertário atribuído às campanhas de liberação da maconha. No Uruguai, a comercialização foi liberada, mas isso pode ter ocorrido sob influência do magnata George Soros.

Denúncias diversas de ativistas sociais afirmam que George Soros estaria interessado em se tornar o maior empresário na produção e refino de maconha, daí o financiamento de campanhas neste sentido em diversos países, principalmente o Brasil.

A questão é polêmica, porque os defensores da liberação da maconha argumentam que a erva possui efeitos benéficos em certos tratamentos terapêuticos e sua comercialização combateria o comércio criminoso da mercadoria. Mesmo assim, a liberação da maconha pode, com o aumento do consumo, agravar os efeitos colaterais de seu uso.

O APOIO DA GRANDE MÍDIA AO "FUNK". COMO FICA A 'INTELLIGENTZIA'?


Por Alexandre Figueiredo

Com o apoio explícito da revista Veja ao "funk" - descontada a cara feia com que certos articulistas "olavetes" como Reinaldo Azevedo encaram o ritmo - , os funqueiros consagraram a aliança mais do que escancarada que eles têm com os barões da grande mídia.

Isso enterra definitivamente o mito de que o "funk" era "discriminado pela mídia", difundido sem questionamentos até cerca de cinco anos atrás, mesmo quando os funqueiros entravam nas Organizações Globo pela porta da frente e até a Folha de São Paulo fazia reportagens elogiosas ao gênero na primeira página de Ilustrada.

Esse mito de que o "funk" é "movimento sem-mídia" é tão falso que foi construído em conjunto pela Globo e Folha. Foi uma estratégia de marketing, tal qual o contramarketing das grandes empresas que fingem ter medo de patrocinar um evento de "funk" e dizem "retirar o patrocínio", enquanto patrocinam por fora, sem emprestar seus logotipos a tais eventos.

A consagração do "funk" pela revista Veja, aparentemente "derrubando" as "barreiras" da grande mídia, atraindo o apoio entusiasmado de um periódico que condena o movimento dos sem-terra (sobretudo numa época que o MST faz 30 anos), os sindicatos, os movimentos estudantis, os governos trabalhistas, as iniciativas populares, deixa a intelectualidade dominante transtornada.

Afinal, pensemos filosoficamente: se o "funk" é tido como "movimento sócio-cultural", porque Veja, que condena os verdadeiros movimentos sócio-culturais, foi tão carinhosa com o "funk ostentação", como os demais veiculos da imprensa ultraconservadora paulistana (sobretudo a outrora moderna Folha, que se jogou mais à direita como se fosse um PSDB em forma de jornal)?

A intelectualidade cultural dominante faz vista grossa. Aparentemente, porque MINGAU DE AÇO não possui a visibilidade necessária para fazer frente à intelectualidade "bacana", e portanto fala de uma realidade "nada agradável", desmascarando mitos consagrados pela intelligentzia oficial.

Não tendo muita visibilidade, a visão, por mais coerente que seja, não repercute. Prevalecem os mitos, as visões equivocadas, porque elas são trazidas por jornalistas culturais que "entrevistaram muita gente", cientistas sociais com diplomas, cineastas documentaristas que acumulam prêmios e outros intelectuais que "sabem tudo das coisas".

Além da baixa visibilidade que temos - o que nos alinha realmente numa mídia nanica, alternativa, e não um "Farofafá" da vida que presta serviço freelancer aos barões da grande mídia - , há o mito intelectualoide de que o "funk", como outros ritmos igualmente "provocativos", só aparece na grande mídia por conta de uma atitude "conspiratória", "invasão do espaço inimigo" e outras lorotas.

Aparentemente, a indiferença da intelectualidade cultural dominante em relação ao apoio de Veja ao "funk ostentação", mesmo quando sabemos o contraste entre o pseudo-ativista MC Guimé (ou MC Guimê ou MC Guime, para "diversificar" a busca no Google), bem tratado pela revista, e um ativista social que só vira capa no mesmo periódico na condição de "criminoso", é gritante.

Tentam argumentar que isso ou é "coincidência", ou é fruto de uma "ação conspiratória de ocupação do espaço do inimigo". Foi esta tese que alguns intelectuais badalados quiseram fazer quando a Banda Calypso apareceu na Rede Globo, seja nos palcos do Domingão do Faustão e Caldeirão do Huck, seja no Casseta & Planeta com Joelma e Chimbinha abraçados a Marcelo Madureira.

Tanto exploraram algum caráter pseudo-revolucionário da Banda Calypso - inclusive uma fictícia organização "guerrilheira" (?!) espalhou o boato, depois desmentido, de que o grupo foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz - que foi só Joelma sofrer um surto moralista do nível de Marco Feliciano para a reputação do grupo ser derrubada e a intelectualidade dominante, envergonhada, ficar em silêncio.

Agora eles não conseguem explicar por que o "subversivo" MC Guimé virou capa de Veja numa bem elogiada matéria. Talvez tentem argumentar que os elogios são apenas de responsabilidade do jornalista cultural Sérgio Martins, remanescente dos bons tempos da Bizz. Mas por que cargas d'água MC Guimé virou capa de Veja? É decisão dos editores o que será capa de uma edição na revista.

São os mesmos editores que colocam aquelas manchetes lamentáveis, seja criminalizando os movimentos sociais, seja mostrando matérias pedantes sobre saúde e comportamento. Portanto, houve consentimento e apoio ao "funk ostentação", por parte da cúpula da revista, normalmente ranzinza para tudo que corresponde às classes populares.

Isso derruba a farsa do "funk". Mas a intelectualidade nem liga. Só no blogue Farofafá, Pedro Alexandre Sanches e Eduardo Nunomura, que não conseguem mais esconder seu neoliberalismo ideológico, sendo propagandistas da lei de "livre mercado" aplicada à MPB, a ligação do "funk" com a grande mídia é omitida com confortável silêncio.

SE AS COISAS CUSTAM DINHEIRO, TEMOS QUE COMPRAR, NÉ?

No entanto, eles deixam escapar seu neoliberalismo encharcado de Fernando Henrique Cardoso, de Francis Fukuyama, de Rede Globo, de Otávio Frias Filho, quando falam da visão que eles acreditam ser a meta final dos jovens das periferias brasileiras: "consumir".

"A nova geração – em todas as classes sociais – quer consumir, consumir com ostentação, inclusive a música que a representa atualmente com maior precisão", dizem os dois, em artigo conjunto, numa declaração digna de algum diretor "conscientizado" do Fundo Monetário Internacional.

Consumir é apenas um pequeno detalhe. É claro que, se as coisas custam dinheiro, temos que comprar. O grande problema é que essa obsessão pelo luxo defendida pelos funqueiros de ostentação é vista como "ativismo social", quando na verdade é uma submissão às regras do mais escancarado capitalismo neoliberal.

É o mesmo capitalismo neoliberal defendido pelos ideólogos da "livre iniciativa", aparentemente "combatidos" pelos intelectuais culturais "bacaninhas". Fala-se de gente "da pesada" como Eliane Cantanhede, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, William Waack, Arnaldo Jabor, Josias de Souza, Augusto Nunes e Miriam Leitão.

Sobre Miriam Leitão, é bom ressaltar que ela "também entrevistou muita gente" e não obteve a "santidade" que coloca Pedro Alexandre Sanches na divina trindade intelectual ao lado de Paulo César Araújo e Hermano Vianna.

A intelectualidade que defende o "funk ostentação" não consegue esclarecer por que prefere que as periferias consumam em vez de defender a verdadeira cidadania. No fundo fica aliviada com isso, já que os funqueiros se livram do fardo de terem que fingir defender valores sociais e morais que no fundo nem estão aí para exercer.

A desculpa observada no discurso atual da intelligentzia é que a obsessão pelo luxo era também expressa por roqueiros, por rappers e por cantores de pop sofisticado da linha de Frank Sinatra, e que foi seguida "inocentemente" pelos funqueiros brasileiros.

Mas isso não resolve o problema. Da mesma forma que o apoio explícito da mídia ao "funk ostentação". Ao que se observa, nenhum barão da grande mídia se sentiu ameaçado ou coagido a apoiar o ritmo. Nem os da Rede Globo, nem os da Folha, e nem sequer os da Veja. Todos deram apoio porque gostaram do tema. Essa é a verdade. A grande mídia apoia o "funk ostentação" e ponto final.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

PRESIDENTA DILMA INICIA REFORMA MINISTERIAL DE 2014


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Alguns ministros acabam saindo da equipe de Dilma Rousseff por conta de polêmicas e críticas. Mas o que se destaca é que a dança das cadeiras tem como objetivo liberar os antigos titulares para disputar cargos eletivos. E o PMDB está de olho nesta ciranda.

Presidenta Dilma inicia reforma ministerial de 2014

Do Portal Vermelho, com agências

A presidenta Dilma Rousseff formalizou nesta quinta-feira (30) as primeiras mudanças na Esplanada dos Ministérios, acertadas antes de viajar ao exterior. Em nota divulgada pela secretaria de comunicação da presidência, Dilma faz essas primeiras mudanças em ministérios comandados pelo seu partido, o PT.

Dilma anuncia mudanças

Sem surpresas, já que as tratativas vinham sendo manifestadas nos bastidores há algumas semanas, para se candidatar ao governo do Estado de São Paulo, Alexandre Padilha passa o Ministério da Saúde para o atual secretário de Saúde do município de São Bernardo do Campo (SP), Arthur Chioro.

Aloizio Mercadante deixa o Ministério da Educação (MEC) para se tornar ministro-chefe da Casa Civil, substituindo Gleisi Hoffmann, que irá disputar as eleições para o comando de seu estado, o Paraná.

Segundo informações da imprensa, desde a semana passada, Mercadante vinha tendo reuniões frequentes com Gleisi para tratar dos detalhes administrativos da pasta, que deverá com o seu comando, ter um enfoque mais político. 

Quem assume o MEC é o secretário-executivo da pasta, José Henrique Paim e deverá permanecer até o fim deste ano.

Novidade

A presidenta anuncia ainda a substituição de Helena Chagas que comanda a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República que já trabalhava com Dilma desde a campanha de 2010. Quem assume o comando da pasta é o atual porta-voz da presidência, Thomas Traumann que tem uma extensa e importante carreira como assessor de comunicação.

Segundo o Portal Terra, a mudança na Secom pegou os funcionários e a própria ministra de surpresa. A intenção inicial de Helena Chagas era ficar no governo até março, quando então trabalharia da campanha de reeleição de Dilma.

Outros anúncios

De acordo com as agências de notícias, os ministérios comandados por partidos aliados como o PMDB, PP, PTB e o novo Pros ainda estão em fase de conversações e os seus líderes devem se reunir com a presidenta Dilma para discutir os mesmos ou novos espaços políticos.

A posse dos novos ministros está marcada para a próxima segunda-feira (3), às 11 horas no Palácio do Planalto. 

Em nota, a presidência da república divulga as primeiras mudanças em seus ministérios em 2014. Confira na íntegra:

A presidenta Dilma Rousseff anunciou hoje mudanças no seu ministério. A ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deixarão seus cargos.

Para a chefia da Casa Civil, a presidenta indicou o ministro da Educação, Aloizio Mercadante. O novo ministro da Saúde será o médico Arthur Chioro. O novo ministro da Educação será José Henrique Paim Fernandes, atual secretário-executivo do Ministério.

A posse dos novos ministros será na segunda-feira, às 11 horas, no Palácio do Planalto. As transmissões ocorrerão nos seus respectivos ministérios na segunda-feira à tarde.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

Perfil dos novos ministros



Arthur Chioro (Saúde)

Médico e pesquisador especializado em saúde coletiva, Ademar Arthur Chioro dos Reis, 50 anos, vai conduzir um dos programas tidos como carro-chefe do governo Dilma, o Mais Médicos. Ele acaba de retornar de uma viagem com a presidente a Cuba, onde o governo agradeceu pela transferência.

Concursado da Prefeitura de Santos (SP) desde 1989, Chioro já havia trabalhado no Ministério da Saúde anteriormente, como diretor do Departamento de Atenção Especializada entre 2003 e 2005.

Chioro se formou pela Fundação Serra dos Órgãos e especializou-se em medicina preventiva e social pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Anos depois, tornou-se mestre e doutor em saúde coletiva, cadeira que leciona na Faculdade de Fisioterapia Unisanta e na Faculdade de Medicina (Unimes). É também pesquisador na área de planejamento e gestão em saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Em São Bernardo do Campo, o petista integra o primeiro escalão da prefeitura desde o primeiro mandato do atual prefeito Luiz Marinho, que foi eleito em 2008 e reeleito em 2012. Marinho é ex-ministro do Trabalho e da Previdência Social do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem mantém amizade próxima.

Chioro é ainda presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo, que reúne gestores de 645 cidades paulistanas.



José Henrique Paim (Educação)

Economista, com pós-graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, José Henrique Paim Fernandes, 47 anos, ocupa a Secretaria Executiva do MEC desde 2006, na gestão de Fernando Haddad. Ele começou a atuar diretamente na área em 2004, após assumir a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), autarquia federal responsável pela execução de políticas educacionais do MEC. Ele ocupou o cargo até 2005.
Devido sua atuação no cargo como secretário-executivo do MEC, Paim ganhou a confiança do ex-ministro Haddad e virou o preferido para sua sucessão, em 2012. Aloizio Mercadante, que assumiu o comando do Ministério o manteve na secretaria-executiva.


Aloizio Mercadante 

É economista. Foi um dos fundadores do PT em fevereiro de 1980 e o vice-presidente do partido entre 1991 e 1999. Foi senador pelo estado de São Paulo entre 2003 e 2010. De 2011 a 2012 foi Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil, e, em 2012 tornou-se Ministro da Educação, devido à saída de Fernando Haddad para concorrer à Prefeitura de São Paulo.

O "BOM RACISMO" DO "FUNK"


Por Alexandre Figueiredo

Os intelectuais culturais "bacaninhas" bateram o martelo. Quem rejeitar o "funk" está rejeitando, na visão deles, a negritude brasileira, e acaba ganhando o rótulo de "racista". Pode ser um roqueiro fã de Jimi Hendrix, ou um emepebista fã de Johnny Alf, o rótulo "racista" é carimbado no seu rosto sem dó.

Isso é um discurso muito, muito perigoso. De repente o "funk" passou a ser o "símbolo máximo" de negritude, folclore afro-brasileiro moderno e expressão de negros pobres, para uma elite de intelectuais dotada de muita visibilidade, títulos e prestígio.

Só que o discurso, usado para favorecer a reputação do "funk", na verdade vai contra a negritude brasileira. A retórica tão alegremente defendida pelos intelectuais mais influentes pode representar um tiro pela culatra, e o que parece um elogio à cultura negra acaba sendo uma demonstração de racismo puramente elitista.

Isso porque, como já havíamos escrito, o "funk", ao ser definido como "expressão máxima" da negritude contemporânea, vincula o negro brasileiro a uma forma estereotipada e caricata que o obriga a rebolar até o chão e a se comportar como um patético "leleke" que só beneficia mesmo o paternalismo de um Luciano Huck da vida.

Tal atitude é tão ruim quanto a escravidão. Quantos "escravos" o "funk" cria, esse mercado controlado por empresários-DJs muito ricos, e quase todos brancos (independente de serem mestiços ou não, mas socialmente "embranquecidos" pelo status quo), com seus MCs a manipular corações e mentes de um povo pobre que se aprisiona nos valores ideológicos deste ritmo.

O jovem pobre não pode compor melodias nem tocar instrumentos musicais. A jovem não pode ser sonhar em ser professora, cozinheira, costureira ou advogada, porque "ser MC é muito melhor". Valores morais não podem ser ensinados, porque a pornografia é que é o "discurso direto", o "modelo" de afirmação juvenil, mesmo que por via da pedofilia mais escancarada.

Só que dizer isso, mesmo para alguém que não tem a visibilidade fácil dos ideólogos que defendem o "funk", fica sempre em vão. A intelectualidade cria uma visão oficial para o "funk" sob a qual só se deve enxergar valores positivos ao gênero, mesmo quando ocorre sexo grupal sob o efeito de drogas num "baile funk".

É o que acontece. O povo pobre é julgado não por sua realidade, mas pela "sabedoria" etnocêntrica de jornalistas culturais, cientistas sociais e cineastas comprometidos com a bregalização do país. O problema é que eles fazem tudo para que prevaleça seus pontos de vista.

Uma manobra discursiva é dizer que os funqueiros são "negros". Mesmo quando são brancos como MC Guimé. Um funqueiro branco, uma funqueira loura, são "negros", representam a "negritude". Por esse raciocínio, um músico sofisticado como Pixinguinha seria "branco", por causa de sua arte requintada. Assim fica complicado levar a intelectualidade a sério neste país.

Só eles, os intelectuais "bacanas", é que pensam o que é "melhor para as periferias". E chegam mesmo a dizer o que deve ser e o que deve fazer o negro pobre no Brasil. "Fique rico, mas seja pobre", é o mandamento da intelectualidade que quer parecer "a mais bacana do Brasil".

Com isso, o pobre fica refém dos detentores de diplomas, títulos e colecionadores de aplausos desavisados que nem sempre possuem uma visão coerente das periferias. Eles pensam o povo dentro de seus escritórios, colegiados e outros espaços privados, mas seu privilégio da visibilidade garante que muita gente acredite nas suas visões etnocêntricas sobre as classes populares.

Intelectuais se aproveitam de seu prestígio fácil para praticar um racismo sutilmente cruel. Para eles, o povo negro e pobre tem que rebolar até o chão, rir feito um pateta e apenas desejar mais consumo, sem poder superar sua ignorância e seus valores de miséria.

Dessa maneira, o povo negro e pobre, na "generosa" visão etnocêntrica da intelectualidade cultural dominante, fica refém de seus estereótipos racistas, que apresentam até mesmo nos espaços relativamente elitistas. Questionar esse estereótipo não é racista.

Racista é achar que o negro pobre só se afirma "descendo até o chão" ou se comportando como um leleke. E mais racista ainda é a intelectualidade "mais bacana" achar que o "melhor" caminho para a emancipação social dos negros pobres é através desses estereótipos.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

COMO O PT AJUDOU O PSDB A VIRAR À DIREITA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Eu mesmo acreditava que o PT virou centro já por volta de 2000, virando o partido "social-democrata" (como se chama uma ideologia capitalista que inclui medidas sociais reformistas, ou melhor, um "capitalismo mais humano"), e o PT apenas se autoproclamava centro-esquerda por uma questão de formalidade, constituindo-se em esquerda apenas de forma simbólica e teórica, enquanto, na prática, tenha se tornado apenas um partido de centro.

Já o PSDB, que sonhava ser o "partido social-democrata" que o PT acabou sendo, passou a se tornar direitista, em certos aspectos tanto quanto o PFL/DEM, com figuras como Geraldo Alckmin e José Serra que se tornaram abertamente reacionárias.

Como o PT ajudou o PSDB a virar à direita

Por Wanderley Guilherme dos Santos - Carta Capital

O PSDB não chegou à direita pelas próprias pernas. Teve a ajuda do Partido dos Trabalhadores (PT), que se mudou para o centro, distendeu-o, e tornou praticamente inviável a existência de uma coalizão de centro-esquerda. Aécio Neves nunca foi reformista, mas julgá-lo um direitista genético é exercício de ativista dogmático. O centro distendido sob hegemonia do PT empurrou a oposição para a vizinhança da extrema-direita, precipitando a derrota intestina de José Serra, agarrado a um reacionarismo impensável em quem discursou no comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964. 

À oposição restam bandeiras pragmaticamente vazias, tais como a encenada indignação moral e acenos genéricos de eficiência. Sem falar no reacionarismo religioso e na defesa de um livre-mercadismo de fachada. Como é notório, só com brutal intervenção do Estado um governo de centro-direita será capaz de subverter a legislação petrolífera, os programas Mais Médicos e Minha Casa Minha Vida. Mesmo para fazê-los definhar, um governo de centro-direita precisará de boa dose de coação sobre uma burocracia estatal comprometida com o progresso, ademais de extrair enorme boa vontade do Congresso Nacional.

Esse mesmo Congresso, aviltado pela imprensa conservadora e pela esquerda caolha, foi a instituição que aprovou o regime de partilha do pré-sal, ainda no governo Lula, e tem apoiado as principais políticas sociais do governo Dilma Rousseff. Uma política de liberalismo desenfreado só será possível com a transformação do Estado brasileiro em variante do bismarckismo alemão. O avesso do que o eleitorado conservador deseja.

O centro estendido do PT também trouxe dificuldades para o campo progressista. A mais óbvia transparece na acusação de reacionarismo a qualquer opinião divergente, autônoma em relação à cadeia de comando dos líderes do centro-baleia, a começar pelas palavras de ordem do Partido dos Trabalhadores. Embutida na interdição esconde-se menor probabilidade de que deficiências reais de governança sejam proclamadas por aliados. Avanços sociais estão conectados a manifestações de inconformismo, sem automática identificação com a oposição do momento. Durante os governos Vargas e JK sucederam-se greves e passeatas a favor de políticas nacionalistas e de críticas a medidas específicas. As manifestações não atendiam a nenhuma convocação da direita, do tipo “Vem pra rua você também”, que atualmente apavora a esquerda e o governo. O governo opera com déficit de crítica consistente.

Reflexo do ambiente intoxicado, o sindicalismo operário emudeceu. Limitado a manifestos plenos de estereótipos, copia a genérica pauta direitista – ensino público de qualidade (nunca haverá suficiente, o conhecimento progride), saúde pública, transporte, moradia, segurança. Elegibilidade para os analfabetos, que é bom, nada; participação dos trabalhadores na administração das grandes corporações, nem pensar. Não mais do que dois exemplos de uma pauta latente, ausente da cogitação sindical. Os sindicatos não se recuperaram do choque de haver perdido o controle das ruas. Reescrever ideologicamente a história de junho de 2013 não garante a recuperação de iniciativa crível, seja por decreto, seja por currículo de glórias passadas. 

Outra consequência da consolidação do centro expandido foi a instauração de um vazio institucional à esquerda, vicariamente ocupada por aglomerado de grupos heterogêneos. A coalizão parlamentar do governo tornou irrelevante o apoio da centro-esquerda. Sem considerar o PMDB, cuja análise não é simples, a coalizão do PT tem como coligados numéricos o PP/PROS, o PSD, o PR/PTdoB/PRP, seguidos, até recentemente, pelo PSB, em parte pelo PDT e pelo PCdoB. O total de cadeiras desse último grupo (PSB, PDT e PCdoB) não passava de 56. Só o PP, o PR e o PROS detêm um conjunto de 89 cadeiras na Câmara dos Deputados. A cooperação costurada entre os partidos deixou o PT a vários passos de distância de seu parceiro ideológico adjacente, o PSB (24 cadeiras). O rumo do governo é vigiado pelo núcleo duro da centro-direita.

Independente dos motivos do governador Eduardo Campos, cujas alianças provocam resistências entre os socialistas, a saída do PSB do governo só surpreende pelo tempo que demorou a acontecer. Para um partido que busca crescer nas eleições proporcionais pela via ideológica da centro-esquerda, talvez a oportunidade tenha sido perdida. A tentativa de enfiar uma cunha entre o centro expandido do PT e o PSDB sofre das dificuldades diante da coalizão no poder e da incoerência ao aceitar o direitismo do Rede como segundo em comando (e há quem duvide que o Rede seja mesmo o segundo em comando) além das oscilações na conduta do candidato Eduardo Campos.

O vazio à esquerda tem sido ocupado por grupos inconformados com o estado do mundo, em geral. Desde logo, esse burburinho nada tem a ver com os “precariados” de Guy Standing (The Precariat – London, Bloomsbury, 2011), tese recém-importada. Ao contrário de desempregados, trabalhadores temporários, classe média empobrecida e com miséria à vista, os manifestantes de junho de 2013 eram na maioria jovens de classe média ou empregados com salários acima de dois salários mínimos (30,3% deles em 20 de junho de 2013, no Rio de Janeiro, segundo a Plus Marketing consultoria) e segmentos em processo de ascensão social. Outras pesquisas registraram o nível superior de estudos de expressivo número de participantes. Economicamente, o elevado custo do meio utilizado para a mobilização – as redes sociais eletrônicas – exclui os presumidos “precariados” da frequência a participações. Vale registrar que, ao contrário da Europa, à intensidade das manifestações seguiu-se a rapidez de sua dissolução em números de manifestações, de participantes e de cidades contagiadas.

Além do equívoco da classificação de “precariados”, é simplismo considerar que uma convocação fascista obteria tamanho sucesso. Houve a infiltração fascistoide posterior, que terminou por se apropriar da liderança dos acontecimentos. A fragilidade estratégica desses aglomerados, contudo, revelou-se na velocidade com que os grupos de professores, enfermeiras, a maioria de funcionários públicos, foram abandonando as marchas. Reconhecer as diferenças entre os movimentos de 2013 e os movimentos europeus permite supor que as manifestações não aderiram, aqui, ao precipitado diagnóstico de fracasso da social democracia brasileira.
A rejeição atingia todas as formas de participação institucionalizada. O que havia e há é um vácuo desde que a marcha para o centro levou o governo a esconder sob inegáveis vitórias econômicas a pauta de modernização do pluralismo social brasileiro: aborto assistido, relações homoafetivas, regulamentação do uso de drogas recreativas, pesquisas com seres vivos, temas, entre outros, eliminados por imposição da direita do centro. A Presidência tornou-se forte parlamentarmente ao preço de se enfraquecer perante a sociedade em mudança.

Algo de novo existe. Trata-se de inédito tipo de intervenção política. Grosso modo, a análise do capitalismo toma por base as classes, as corporações profissionais e cristalizados grupos de interesse. Entendo que os movimentos recentes são constituídos pelo ajuntamento de atores menos abrangentes do que as classificações preponderantes. Eles proliferam como pequenas coletividades de exígua tolerância e com exigentes critérios de pertencimento. Denomino-os, sem ofensa, de “micróbios” (pequena vida), primeiro em razão de seu tamanho, e pelo fato de que não possuem denominador comum. Nem todos são patogênicos ou letais, que os há benéficos ao exercício da democracia.

Nessa ecologia há lugar para microlegendas, como o PSTU e o PSOL, que encontram em tal cenário a rara oportunidade de serem notados. Comparecem também os grupos nanicos reivindicando direitos (moradores do bairro tal ou qual) ou só comemorando a própria existência, avessos a partidos, sindicatos ou corporações de ofício. São erupções intensas de vida política, mas de curta duração. Eficazes no curto prazo, sem influência em período mais extenso. Eleições são fenômenos de curto prazo, mas o fenômeno dos “micróbios” não é só eleitoralmente relevante. É uma criação da sociedade contemporânea e, portanto, compatível com a convocatória: “Vem pra rua você também”. Os democratas deviam adotá-la e voltar às ruas para conquistá-las.

*Artigo publicado originalmente com o título Vem pra rua você também, na edição 783 de CartaCapital

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

REVISTA VEJA DECLARA SEU AMOR AO "FUNK"


Por Alexandre Figueiredo

Essa a intelectualidade cultural dominante não consegue explicar. Como uma revista que condena os movimentos sociais, criminaliza qualquer tipo de ativismo e abriga porta-vozes do mais extremado conservadorismo direitista, como Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, adere tão facilmente ao "funk", ritmo tido oficialmente como "subversivo".

Há um bom tempo intelectuais dotados do privilégio do mais cômodo prestígio, da mais ampla visibilidade e da garantia (ou ilusão?) de que diplomas e prêmios expressem seus méritos pessoais frente à opinião pública, tentam nos convencer de que o "funk" vive "à margem da grande mídia".

A Veja colocou logo na capa o funqueiro MC Guimé, o queridinho do dirigismo cultural das esquerdas médias, e ele como outros funqueiros foram muito bem tratados na reportagem de capa, tratamento por demais carinhoso para uma revista que "espanca" tribos indígenas, sindicalistas, líderes estudantis e sobretudo agricultores sem-terra.

"Como tantos gêneros musicais que vieram das áreas urbanas mais pobres, o funk já conquistou parte da classe média. Mas é sobretudo entre a garotada da periferia que ele tem a ressonância de uma Marselhesa: um hino de cidadania e identidade para os jovens das classes C, D e E", descreve a reportagem de Sérgio Martins.

Comparável a MC Guimé sendo capa de Veja - sob aprovação de seus reacionários editores - só mesmo o flerte que as Organizações Globo têm com Valesca Popozuda, a pseudo-solteira do "funk" que sintetiza numa só pessoa a antiga Carla Perez do É O Tchan e a funqueira Tati Quebra-Barraco. Ela foi capa da Revista O Globo e apareceu na sessão de música do portal G1.

Isso mostra o quanto o "funk", como outras tendências brega-popularescas, não assusta os barões da grande mídia. O mito de que tais tendências "populares" assustam a grande mídia que a boicota de imediato é mentiroso, tamanho o apoio que o poder midiático dá a esses gêneros, o que não é coincidência nem rendição conspiratória.

Pelo contrário, o brega-popularesco usa as esquerdas como um trampolim para forjar alguma "independência" ideológica, enquanto prepara as condições de fazer a festa final dentro dos cenários do mais conservador poder midiático.

Nos últimos anos, foi assim com Gaby Amarantos, que com seu tecnobrega foi acusada de causar pavor na grande mídia e depois foi acariciada até pela revista Veja e depois virou figurinha fácil da Rede Globo. Mais recentemente, o grupo de sambrega Raça Negra, que sobreviveu a um acidente de ônibus, criou um programa no canal Multishow, também das Organizações Globo.

As esquerdas médias não se intimidaram em seu dirigismo cultural "recomendando" Zezé di Camargo & Luciano goela abaixo para as mentes progressistas, mesmo quando a Globo Filmes patrocinou Os Dois Filhos de Francisco e com a dupla apoiando Ronaldo Caiado.

Foi só Zezé pedir o "fora Lula" nas passeatas do Cansei para as esquerdas médias acordarem. Da mesma maneira, elas acordaram também diante de uma "revolucionária" Joelma da Banda Calypso depois que ela deu seu surto moralista da linha do deputado Marco Feliciano.

#OCUPAIGRANDEMÍDIA NO "FUNK" NÃO EXISTE. É MENTIRA.

O que é de admirar é que, até agora, o "funk" estava mais vinculado a espaços flexíveis da mídia direitista, como a própria Rede Globo e a Folha de São Paulo. Mas agora, com a adesão assumida de Veja, cai por terra o verniz "progressista" dado ao gênero, com a reportagem elogiosa do semanário ultraconservador.

Tanto o "funk carioca" quanto o "funk ostentação", e especialmente este, são bem abordados pela reportagem, que destaca os 10 milhões de fãs até mesmo no título. A capa com MC Guimé (ou MC Guimê, ou MC Guime) mostra o quanto os funqueiros estão em boa conta com os barões da grande mídia.

Por incrível que pareça, isso não é um "rolezinho" que apavora as elites. Até porque a elitista Veja acolheu os funqueiros com gentileza incomum. Uma gentileza que não existe quando a revista parte para cima de sindicalistas, agricultores e líderes estudantis, só coloca as forças progressistas na capa para criminalizá-la. Colocou um funqueiro na capa como um "herói".

Portanto, o "funk" não aparece na Veja como um invasor que ocupou o território inimigo. Não é uma conspiração, até porque os popularescos se sentem muito felizes e bem tratados pelo poder midiático. Os barões da mídia não mostram um só incômodo, os popularescos também não expressam qualquer tipo de raiva. Parece até uma confraternização.

Portanto, o mito intelectualoide de que os funqueiros comandam a operação #OcupaiGrandeMídia simplesmente é MEN-TI-RA. Não é alguém usando o espaço do inimigo para obter visibilidade, mas um cúmplice não assumido que em dado momento prova ser o aliado do poderio midiático que no fundo sempre foi. "Funk" não é mais que subproduto do poder midiático.

Com o apoio da revista que condena a reforma agrária, não há mesmo que apostar numa "reforma agrária na MPB" através do "funk ostentação". E o "funk" não quer regulação da mídia. Ele gosta e precisa mesmo dos barões da mídia.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

CIA QUER DESTRUIR A CULTURA BRASILEIRA: NÃO É PARA RIR, É PARA CHORAR


Por Alexandre Figueiredo

A denúncia de Beth Carvalho, que retoma as atividades depois de um bom tempo doente, de que a CIA (Central Intelligence Agency), órgão de informação política dos EUA, quer destruir a cultura brasileira, tornou-se um dos destaques do portal Vermelho, sendo um dos textos mais lidos neste portal de esquerda.

Corroborada pelo historiador Sérgio Cabral (que não compartilha com o apreço do filho, governador do Rio de Janeiro, dá ao "funk"), a denúncia no entanto é ridicularizada pela intelectualidade "mais bacana", que deixa de lado o verniz de objetividade para ridicularizar de forma esnobe e zombeteira a denúncia.

Para piorar, essas reações zombeteiras, dignas da "urubologia" mais reacionária de Veja - impossível não se lembrar de Reinaldo Azevedo - , são difundidas num suposto contexto de esquerda, indo até mesmo nos veículos da mídia esquerdista, já que as esquerdas médias praticamente foram cooptadas pela mafiosa indústria do "funk".

Mas a denúncia é grave, sendo um assunto que não é para dar risadas, mas para chorar e ficar preocupado. Os propagandistas da tal "cultura transbrasileira", que com seu discurso falsamente progressista, é que tentam dizer que essa ameaça não existe, que até mesmo glúteos siliconados são capazes de zelar pelo patrimônio cultural (trans) brasileiro.

Ou seja, discurso neoliberal servido em bandejas socialistas. Até Gustavo Alonso, que escreveu um livro jogando Wilson Simonal contra Chico Buarque (o cantor que onze em cada dez intelectuais pró-brega querem destruir) e que defende a Era Médici tão elogiada por seu pai, riu da denúncia do Sérgio Cabral (o pai, vale lembrar) sobre a CIA.

A participação da CIA, como escrevemos antes, é confirmada entre os propagandistas do brega-popularesco. Duas frentes principais, a Fundação Ford (e, a reboque, a Fundação Rockefeller, Fundação Kellogg's, Fundação Coca-Cola, Fundação Ronald McDonald etc) e a Soros Open Society, seguem financiando a bregalização cultural em todo o Brasil.

A Fundação Ford (Ford Foundation) e suas parceiras mexem no lado mainstream, e seu financiamento (assumido) envolve figuras que atuam na frente da grande mídia e na intermediação de bolsas para projetos acadêmicos.

Desta frente, a Fundação Ford patrocinou, de forma direta, teses acadêmicas de Ronaldo Lemos e Hermano Vianna, propagandistas do tecnobrega e do "funk", que participam de um programa do canal Globo News, das Organizações Globo.

De forma indireta, a Fundação Ford também patrocinou teses que resultaram em livros, como a de Mônica Neves Leme sobre o grupo baiano É O Tchan (livro Que Tchan é Esse?) e a de Paulo César Araújo sobre os ídolos cafonas (livro Eu Não Sou Cachorro, Não).

Já a Soros Open Society, do magnata húngaro-estadunidense George Soros - conhecido especulador financeiro e figura destacada no Fórum Econômico Mundial - , tem uma linha de financiamento mais arrojada, com ênfase na domesticação dos movimentos progressistas do mundo inteiro.

Neste caso, George Soros financia sobretudo entidades ativistas e instituições como o Coletivo Fora do Eixo e o Instituto Overmundo, além da Abraji que é associada a outro projeto bancado por Soros, o Centro Knight de Jornalismo nas Américas, da Universidade do Texas, sediada num dos Estados mais conservadores dos EUA.

As duas frentes têm o mesmo objetivo de enfraquecer o rico patrimônio cultural brasileiro, privá-los da apreciação pelas classes populares e substitui-lo por valores artísticos, culturais e sociais duvidosos veiculados por rádios, TVs, jornais e revistas vinculados ao coronelismo midiático regional ou aos barões da mídia no âmbito nacional.

O "funk" é um dos carros-chefes dessa manobra toda, e a constatação é séria e comprovável. O maior propagandista do "funk", Hermano Vianna, é patrocinado pela Fundação Ford, que bancou justamente a tese que resultou no livro O Mundo Funk Carioca, já em 1987 (provavelmente antevendo as distorções grotescas que o antigo som funk teria no Brasil a partir dos anos 90).

Mas a influência da CIA seria acentuada até mesmo nos ritmos "regionais". Seja o "pagode romântico" e o "sertanejo", seja o "forró eletrônico", a ênfase cai sempre nas influências estadunidenses impostas pelo poder midiático e pelo mercado, uma influência não feita para se somar à nossa cultura, mas para subtrai-la.

No "forró eletrônico", é sintomático a popularidade, durante anos, de um grupo como Calcinha Preta, que esteticamente adotava um padrão que misturava visual de piratas nórdicos com cabarés texanos, dentro de um repertório que nada tem de regional, misturando country, ritmos caribenhos, disco music e sanfona gaúcha, enfatizando também versões de hits estrangeiros.

Vianna e Lemos também recebem gorjetas de Soros, pelo seu envolvimento com o Instituto Overmundo, e pela divulgação de uma visão tecnocrática sobre novas mídias digitais, renovando num novo contexto o processo de "coisificação" do homem pela máquina.

George Soros também estaria financiando a espetacularização do ativismo social no Brasil, como as "marchas da maconha" e formas estereotipadas de passeatas LGBT e feministas, voltadas mais para o "choque" em si do que à luta por inclusão social.

A APAFUNK (Associação de Profissionais e Amigos do Funk) seria duplamente financiada pela Fundação Ford e Soros Open Society, para evitar repercussões negativas, as verbas são intermediadas em outras instituições parceiras do órgão funqueiro.

Há também a visão oficial de que muitos eventos ligados à bregalização do país são feitos "sem patrocínio". Tentam argumentar que só recebem verbas públicas. Na verdade, eles recebem patrocínio até de multinacionais ou das Organizações Globo (a Globo Filmes patrocinou "não-oficialmente"o documentário Sou Feia Mas Tô Na Moda), mas eles ocultam seus créditos.

Mas os investimentos de Soros e da Fundação Ford também incrementam tais eventos. Sejam festivais de "funk", documentários e livros que defendem a bregalização do país e teses acadêmicas, mesmo em universidades públicas, todos eles recebem estas verbas, como forma da CIA influir na degradação cultural do Brasil.

E isso se reforça com ideólogos que estão entre a intelectualidade "mais bacana", também financiados por Soros / Fundação Ford, que fazem um coro de gargalhadas quando o assunto é que a CIA quer bregalizar o país.

Só que isso não é para rir, é para chorar. O nosso rico patrimônio cultural corre o risco de cair no esquecimento e desaparecer, enquanto o povo pobre toma como "sua" uma "cultura popular" veiculada por oligarquias midiáticas. Como a economia "transnacional", a cultura "transbrasileira" só reforça a opressão neoliberal sobre a vida dos brasileiros.

domingo, 26 de janeiro de 2014

OS 20 ANOS DO COMÍCIO QUE A GLOBO TRANSFORMOU EM FESTA DE ANIVERSÁRIO DE SP


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O jornalismo "verdadeiro" da Rede Globo (vide campanhas publicitárias mais recentes) comete suas trapalhadas noticiosas, manipulando a realidade ao seu bel prazer (e sob a orientação do padrão neoliberal da mídia dos EUA, papagaio-de-pirata da Casa Branca), mas em outros tempos foi bem pior.

Em plena ascensão da campanha pela volta das eleições diretas, nos anos agonizantes da ditadura militar - a campanha começou em 1983 - , impulsionada pelo grande comício na Praça da Sé, em São Paulo, a Globo tentou fazer vista grossa e inventou de tudo: festa de aniversário da fundação da capital paulista, pessoas indo às ruas por causa do calor e por aí vai.

Só depois de tanta pressão por veículos concorrentes - os conservadores Bandeirantes e Folha de São Paulo, ao menos, deram ampla cobertura ao evento - , a Globo resolveu reportar a campanha Diretas Já.

Os 30 anos do comício que a Globo transformou em festa de aniversário de SP

Por Najla Passos - Agência Carta Maior

Brasília - Há exatos 30 anos, cerca de 300 mil pessoas foram à Praça da Sé, em São Paulo, para reivindicar eleições diretas para presidente. No palanque, políticos, artistas, sindicalistas e estudantes. Era o maior ato político ocorrido nos primeiros 20 anos da ditadura brasileira, com todo o seu saldo de mortes, torturas, desaparecimentos forçados, censuras e supressões dos direitos individuais. Mas o foco da reportagem que o telejornal de maior audiência do país, o Jornal Nacional, da TV Globo, levou ao ar naquela noite, era a comemoração pelos 430 anos de São Paulo.

O histórico comício da Praça da Sé ocorreu em um momento em que o Brasil reunificava suas forças para tentar por fim ao regime de exceção, em um movimento crescente. Treze dias antes, um outro ato político realizado em Curitiba (PR), com a mesma finalidade, havia sido completamente ignorado pela emissora. Mesmo a chamada para o ato que os organizadores tentaram veicular na TV como publicidade paga não foi aceita pela direção. O Jornal Nacional nada falou sobre o comício que levou 50 mil pessoas às ruas da capital paranaense. Antes dele, outros, menores, já ocorriam em várias cidades brasileiras desde 1983. Nenhum mereceu cobertura.

Em 1982,  a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº 22 permitiu eleições diretas para governadores. Entretanto, previa que, em 1985, fosse realizada eleição indireta para o novo presidente, a ser escolhido por um colégio de líderes formado por senadores, deputados federais e delegados das assembleias legislativas estaduais. Os brasileiros, porém, queriam enterrar de vez os anos de arbítrio. Oposição e movimentos sociais se uniram para pedir Diretas Já.

Aliada inconteste da ditadura civil militar, a TV Globo demorou a acertar na análise da conjuntura. Acompanhando a leitura rasa dos militares que ocupavam o Palácio do Planalto, acreditou que os atos por eleições diretas não passariam de “arroubos patrióticos”, como depois definiria seu então diretor de Jornalismo, Armando Nogueira. Mas a estratégia de ignorar as diversas manifestações que pipocavam em várias cidades do país já estava arranhando sua credibilidade. Decidiu mudar.

Quando a multidão ocupou a Praça da Sé, a Globo optou por maquiar o ato e alterar suas finalidades. No telejornal mais visto do país, o apresentador Sérgio Chapelin fez a seguinte chamada: “A cidade comemorou seus 430 anos com mais de 500 solenidades. A maior foi um comício na Praça da Sé”. A matéria que entrava a seguir, do repórter Ernesto Paglia, evidenciava os 30 anos da Catedral da Sé e os shows artísticos pelo aniversário da cidade. Só no finalzinho, o repórter dizia que as pessoas pediam a volta das eleições diretas para presidente, como se aquilo tivesse sido um rompante espontâneo no evento convocado para outros fins.

Apesar da postura da maior rede de TV nacional, a campanha Diretas Já ganhava o país. No dia 24 de fevereiro, um novo grande comício foi realizado em Belo Horizonte (MG), e reuniu um contingente ainda maior de pessoas do que o de São Paulo. No mesmo Jornal Nacional, apenas rápidas imagens da multidão que saiu às ruas e dos muitos oradores que pediam o fim da ditadura, acompanhados de um texto que desvirtuam o sentido do ato.

A hostilidade com que os manifestantes tratavam a emissora só fazia aumentar. Foi nesta época que os protestos de rua passaram a bradar o slogan ouvido até hoje: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”. Foi nesta época também que os repórteres da Globo passaram a ser achincalhado nas ruas. Alguns sofreram agressões físicas.

Roberto Marinho, o fundador da emissora, era comprometido com a ditadura até o pescoço. Afinal, foram os militares que encobriram as irregularidades que marcaram a inauguração da TV Globo, investigada por uma CPI Parlamentar por conta de ter recebido injeção ilícita de capital estrangeiro, no escândalo conhecido como Caso Time-Life. E também foram os militares que ajudaram a emissora a se tornar a maior do país, em troca de apoio sistemático ao regime de exceção.

Mas Marinho não era burro. Viu que era impossível conter a nova força política que se tornava hegemônica no país e, de uma hora para outra, virou seu jogo. No dia 10 de abril, duas semanas do Congresso votar a proposta de eleições diretas já, ele autorizou que sua emissora cobrisse à campanha. O comício realizado aquela noite, no Rio de Janeiro, que reuniu mais de 1 milhão de pessoas na Candelária, enfim ganhou espaço devido no Jornal Nacional.

A emenda que previa as Diretas Já, apresentada pelo até então quase desconhecido Dante de Oliveira, não foi aprovada. Mas Marinho já estava aliado comas forças que venceriam a eleição indireta: Tancredo Neves, o presidente eleito que morreu antes de tomar posse, e José Sarney, que por uma contingência do destino, iria assumir o posto. Naquela época, a família Sarney já controlava a mídia no seu estado de origem, o Maranhão. Reza a crônica política que, de olho em uma parceria de sucesso com a Globo, o novo presidente da república submeteu até mesmo o nome de seu ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, à aprovação de Roberto Marinho.

Erro histórico

O erro histórico da Globo de manipular a campanha Diretas Já até hoje assombra a emissora. Em setembro do mesmo ano de 1984, em matéria publicada pela revista Veja sobre os 15 anos do Jornal Nacional, Roberto Marinho já tentava minimizar o fato: “Achamos que os comícios poderiam representar um fator de inquietação nacional, e por isso, realizamos num primeiro momento apenas reportagens regionais. Mas a paixão popular foi tamanha que resolvemos tratar o assunto em rede nacional”, justificou.

Não foi suficiente. A história continuou rendendo acusações, livros e teses acadêmicas, além de correr mundo. No documentário “Muito Além do Cidadão Kane”, da emissora pública britânica Channel 4, de 1993, um trecho da matéria exibida pelo Jornal Nacional sobre o comício da Praça da Sé ajuda a comprovar a tese expressa no título pelo diretor, Simon Hartog. No filme Cidadão Kane, de 1941, considerado a melhor produção cinematográfica de todos os tempos, o genial Orson Wells narra a historia de um magnata das comunicações que, para assegurar lucro e poder, não tem escrúpulos em apoiar governantes diversos, indepentendes de partidos e ideologias.

Um trecho da polêmica “cobertura” da Globo pode ser conferida no documentário Muito além do Cidadão Kane (a partir de 1h17m40s)



Foram necessários muitos anos de democracia e, principalmente, de pressão popular, para que a emissora voltasse a enfrentar o assunto. Depois que as primeiras edições do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (RS), colocaram o debate sobre a manipulação da imprensa na agenda nacional, outros caciques da Globo tentaram apaziguar a história. Em depoimento gravado em 2000, o ex-diretor da emissora, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, admitiu a fraude, ainda que apresentando motivações enviesadas. “Enquanto as outras emissoras cobriam isso, nós ficamos limitados, pelo poder de audiência que a Globo tinha, a cobrir isso como se fosse um show de cantores”.

http://globotv.globo.com/para-assinantes/ta-na-area/v/diretas-ja-19831984/2233321/

Um ano depois, foi a vez do ex-diretor de Jornalismo da Globo, Armando Nogueira, revisitar a polêmica, em outro vídeo: “As passeatas, as manifestações, aquilo acabou se transformando em uma avalanche. E a Rede Globo, com o instinto de sobrevivência que sempre teve seu patrono, Roberto Marinho, não poderia ficar insensível a isso, embora tivesse duramente pressionada pelo Palácio do Planalto a não prestigiar o que se supunha, lá no Palácio do Planalto, apenas uns arroubos patrióticos, quando na realidade era a manifestação irresistível da consciência nacional”.

http://globotv.globo.com/para-assinantes/jornal-da-globo/v/diretas-ja-19831984/2233346/

Em 2003, o diretor executivo de jornalismo da emissora, Ali Kamel, reabriu a polêmica ao colocar no ar uma chamada em comemoração aos 34 anos do Jornal Nacional que evidenciava o pequeno trecho da matéria em que o repórter falava em “eleições diretas para presidente”. E no artigo “A Globo não fez campanha; fez bom jornalismo”, publicado na sequência no jornal O Globo, ainda teve a ousadia de afirmar que a chamada servia “para rechaçar de vez uma das mais graves acusações que o JN já sofreu: a de que não cobriu o comício das diretas, na Praça da Sé, em São Paulo”.

Os muitos autores que, até então, publicaram obras rechaçando a postura da emissora contra-atacaram, evidenciando a desproporção com que o tema foi tratado no telejornal. Ninguém nunca conseguiu saber, ao certo, se a vinheta de Kamel exibia a reportagem que, de fato, fora levada à época ao Jornal Nacional ou se era uma das tais “reportagens regionais” a que Roberto Marinha se referiu na entrevista à Veja de 1984. De certo, ficou apenas que o assunto não teve, no principal veículo de informação da emissora, o tratamento que merecia. E que o Brasil verdadeiramente democrático jamais engoliu a manipulação.

sábado, 25 de janeiro de 2014

A ABERTURA DO FÓRUM SOCIAL TEMÁTICO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Como de praxe, o Fórum Social Temático, como hoje é conhecido o Fórum Social Mundial, ocorre paralelamente ao Fórum Econômico Mundial, como alternativa a este, que se volta para o empresariado e aos governantes, enquanto o FST se volta para os movimentos sociais.

E hoje o evento ocorre sob a reflexão de uma nova mentalidade ativista brasileira, impulsionada pelos protestos de rua de 2013, dando uma nova perspectiva para o ativismo social no Brasil e no resto do mundo. E tudo isso dentro de uma Porto Alegre que mais parece uma sauna, tanto que a capital gaúcha recebeu o apelido de Forno Alegre.

A abertura do Fórum Social Temático

Por Débora Fogliatto - Portal  Sul 21

Sob o calor de quase quarenta graus em Porto Alegre nesta quinta-feira (23), milhares de pessoas marcharam pelo centro da cidade, na abertura do Fórum Social Temático. Em sua maioria seguravam bandeiras e vestiam camisetas de centrais sindicais, caminhando em grupos distintos. Era possível ver também alguns movimentos sociais reivindicando suas pautas na marcha que, marcada para as 15h, começou em torno das 16h30 na avenida Borges de Medeiros e terminou na Usina do Gasômetro.

Para escapar do sol, alguns levaram sombrinhas, outros usaram chapéus e muitos se abanavam com os folhetos recebidos para tentar aliviar o calor. Nas caminhonetes das centrais sindicais, caixas de isopor com copos de água eram distribuídas aos participantes.

Dentre os presentes, em torno de 500 a mil na concentração e cerca de três mil durante a marcha, estava a delegação do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário do Uruguai, composta por oito pessoas. Daniel Fessler, diretor do Centro de Estudos do sindicato, já participou de três fóruns anteriores e achou o de 2014 “mais fraco” que o anterior, em termos de programação e espaço. Eles participaram de atividades relacionadas ao judiciário e às relações entre Brasil e Uruguai.

Antes da marcha, em um carro de som com cartazes do Fórum, o grupo Nação Hip Hop Brasil cantava de forma intercalada com as falas dos organizadores, que citavam as centrais e movimentos presentes. A marcha reuniu diversas centrais sindicais, entre elas a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil), a NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores), a UGT (União Geral dos Trabalhadores), o SINDEC (Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre), a Força Sindical e a Federação das Trabalhadoras Domésticas. Dentre os movimentos sociais, estiveram presentes A Marighella, o Movimento dos Trabalhadores Desempregados, a Juventude do PT, a UJS (União da Juventude Socialista), a ONG Nuances, a Marcha Mundial das Mulheres, militantes do PSB, entre outros.

A líder comunitária Jucy dos Santos, de 70 anos, é militante do MTD há dez e sempre procura participar das marchas de abertura dos Fóruns. Ela e mais cinco ativistas seguravam faixas feitas em papel pardo com palavras contra as drogas e pelo direito à alimentação. Em uma delas, três letras representavam uma reivindicação: PAA, referência ao Programa de Aquisição de Alimentos. “É um programa de alimentação para as comunidades, e fortalece o campo porque vem direto do consumidor”, explica. O PAA promove o acesso a alimentos a populações carentes, através de parcerias com agricultura familiar.

Em meio aos militantes, artistas circenses contratados pela prefeitura de Canoas acompanham os representantes do Fórum Mundial de Educação. Os malabaristas e equilibristas da Companhia Atmosfera participaram pela primeira vez da abertura do Fórum. “A gente sempre tenta estar junto com os movimentos de alguma forma, se cada um fizer um pouco a gente consegue mudar alguma coisa”, acredita o coordenador do grupo, Carlo Cancelli.

Entre as bandeiras amarelas, vermelhas e brancas das centrais sindicais, se destacavam poucas com as cores do arco-íris, registrando a presença de militantes da ONG pelos direitos LGBT Nuances. “Todo espaço de mobilização é importante. Assim como queremos mostrar nossas pautas, também é interessante participarmos de outros movimentos”, explicou o fundador do grupo e militante Célio Golin.

Sem se preocupar em acompanhar o ritmo da marcha, cerca de quinze pessoas da Instituição Filantrópica Aldeia da Paz produziam música em tambores e assoprando conchas. Segurando a faixa de “Dê uma chance à paz”, eles entoavam em uníssono “Dê chance à paz, acabe com as fronteiras, nós somos um”. Eles estão acampados próximo ao Acampamento da Juventude, em outro espaço no Parque da Harmonia, e contam que não receberam recursos como eletricidade e água para sua estadia.

Logo surgiram na multidão dezenas de pessoas com máscaras, produzidas pela UJS, representando Edward Snowden – ex-analista de inteligência norte-americano asilado na Rússia após vazar milhares de documentos secretos. Ao passar pelo viaduto da Borges, uma bandeira com as palavras “Passe Livre” antecipava o protesto marcado para a noite desta quinta-feira, pelo Bloco de Luta pelo Transporte Público. Após cerca de duas horas de caminhada, a marcha da abertura terminou na Usina do Gasômetro, principal ponto do Fórum Social Temático.

"ENFRENTAMOS O DIFÍCIL DESAFIO DE EVITAR O PIOR", DIZ DILMA ROUSSEFF


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, realizou um discurso em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial, procurou tranquilizar os investidores estrangeiros diante de seu pessimismo com o país e prometeu dar maior ênfase na erradicação da pobreza e no investimento em melhorias na Educação.

"Enfrentamos o difícil desafio de evitar o pior", diz Dilma

Por Moara Crivelente - Portal Vermelho

A presidenta Dilma Rousseff pronunciou um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, nesta sexta-feira (24), onde delineou a posição do Brasil no contexto mundial de crise financeira, ao mesmo tempo em que detalhou os investimentos sociais e de infraestrutura avançados pelo governo federal. Além disso, enfatizou a prioridade da erradicação da pobreza e do investimento em educação como “patrimônios históricos” para o povo brasileiro.

“São passados mais de cinco anos desde o início da crise financeira global, a mais profunda e mais complexa desde 1929; (...) enfrentamos o difícil desafio de evitar o pior e, ao mesmo tempo, reconstituir o caminho da prosperidade”, disse a presidenta, ressaltando a importância de um enfoque de médio e longo prazos para o crescimento global de economias tão diversas.

“As economias emergentes continuarão a desempenhar um papel estratégico [na recuperação e no crescimento]. Somos países que demandam infraestrutura diversificada, social e econômica, sociedades em processos de forte mobilização social, com novos e dinâmicos mercados domésticos, integrados por milhões, ou até bilhões de consumidores. É apressada a tese de que as economias emergentes serão menos dinâmicas depois da crise,” pontuou.

Para Dilma, prova disso são os fluxos atuais de investimento e comércio e as elevadas taxas de emprego, que “apontam na direção das oportunidades.” Além disso, o Brasil “vem experimentando uma profunda transformação social nos últimos anos”, quando 36 milhões de homens e mulheres saíram da pobreza, e 42 milhões chegaram à classe média.

No âmbito macroeconômico, a presidenta disse que “as elevadíssimas taxas de inflação dos anos 1980 e 1990 nos ensinaram sobre o poder destrutivo do descontrole de preços sobre as rendas, salários e lucros das empresas e dos cálculos econômicos”.

Dilma deu ênfase a pontos de atenção da política econômica, que guarda heranças ainda efetivas do período neoliberal e de submissão dos governos anteriores às imposições do capital financeiro mundial. Neste sentido, a ênfase na fidelidade ao superávit primário, pontuado por Dilma, guarda questões que, ao mesmo tempo, o Brasil tem conseguido superar, como garantiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Isso significa que o empenho pela redução dos gastos públicos e pela chamada “responsabilidade fiscal”, que, em outros cenários, resultam em uma política de arrocho da qual a maior vítima é o povo – sobretudo com os cortes nos gastos sociais fundamentais – não segue o mesmo padrão no Brasil, embora disso decorra uma significativa preocupação de vários atores da esquerda no país.

O chamado “tripé macroeconômico” patente nas políticas neoliberais, aplicadas pelos governos anteriores, abarca o superávit primário, o câmbio flutuante e os juros altos. Como ressaltou o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, na semana passada, quando o aumento da taxa Selic foi anunciado, estes são os componentes de um “círculo vicioso que nos acomete desde 1994”, e que favorece apenas o capital rentista, “os agentes dominantes do capital financeiro”, os credores internacionais.

Mesmo enfatizando a “responsabilidade fiscal [como] um princípio basilar na nossa visão de desenvolvimento econômico e social”, no entanto, Dilma fez questão de detalhar o investimento do seu governo e do governo Lula no setor social, através da “melhora qualitativa das contas públicas”.

Além disso, ela disse: “Em breve, meu governo definirá a meta de superávit primário para o ano, consistente com a tendência de redução do endividamento público”, ao mesmo tempo em que garantiu a centralidade do investimento nas prioridades que farão o país avançar no desenvolvimento: a educação de qualidade, a infraestrutura e a saúde, por exemplo.

“Aumentaremos a taxa de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o que é fundamental para o crescimento e o desenvolvimento de longo prazo (...), para superar décadas de sub-investimento”, disse ela.

Dilma falou dos últimos leilões, no modelo de concessões, para o avanço do investimento em infraestrutura e no transporte público urbano – com US$ 62 bilhões investidos e 600 quilômetros de trilhos para enfrentar este desafio – , além das rodovias, aeroportos, ferrovias e portos, assim como o leilão para a exploração do megacampo de Libra, em que a Petrobras também saiu à frente.

Ainda na questão urbana, a presidenta ressaltou também outros investimentos destinados à melhora de vida da população, como o saneamento básico, com a construção de sistemas de esgoto e água – US$ 36 bilhões – e na infraestrutura necessária para expandir a oferta de água às regiões afetadas pela seca, que já conta com o investimento de US$ 14 bilhões.

Mas Dilma deu ênfase especial no programa Minha Casa, Minha Vida, do qual disse ter “muito orgulho por ter sido desenvolvido no Brasil”. Foram 22,4 milhões de moradias já contratadas para a construção, desde 2011, “garantindo o acesso à moradia para as parcelas mais pobres da população”, o que envolveu um investimento de US$ 287 bilhões em fundos públicos e de financiamento.

Educação e avanço tecnológico

A presidenta falou de outra prioridade na agenda do desenvolvimento brasileiro: a extensão da rede de banda larga de alta capacidade para todo o território, “que servirá para a política educacional que desenvolvemos, de inclusão e qualidade, (...) que possibilitará moldar uma ação democrática, garantindo a perenidade da erradicação da miséria e da pobreza, para que o Brasil não volte atrás na redução da desigualdade”.

“Nosso objetivo também é criar uma geração de jovens técnicos, pesquisadores e cientistas. Ampliamos a rede pública de universidades, democratizando o acesso. Ampliamos as bolsas e os financiamentos para acessar a universidades privadas”, disse, pontuando a importância do programa Ciência sem Fronteiras, com 101 mil bolsas para que os jovens possam estudar “nas melhores universidades do mundo”. Além disso, ressaltou a implantação de um amplo programa de ensino técnico, que alcançou mais de cinco milhões de matrículas em dois anos.

Neste sentido, enfatizou a “decisão histórica” de destinar 75% dos royalties do petróleo e 50% do fundo social do pré-sal para a educação, o que “vai nos permitir fazer ainda mais. Vamos transformar a riqueza finita do petróleo em um patrimônio perene para a nossa população”.

A presidenta falou também do aumento da produtividade no setor agrícola, o que garante a redução do desmatamento no país “disseminando práticas sustentáveis de cultivo”. Ainda no quesito ambiental, explicou: “Na conferência de Copenhague assumimos a redução voluntária da emissão de gases de efeito estufa em 36%. Mostramos que é possível produzir de forma sustentável e eficiente”.

No mesmo sentido, ressaltou a predominância, no Brasil, da produção energética de matriz renovável, de fontes limpas, com o aumento do investimento externo e nacional em um setor que garantirá a segurança energética necessária para o desenvolvimento econômico e para o empreendedorismo.

No âmbito global, Dilma disse ser necessário “superar posturas defensivas na economia mundial”, pelo que mencionou a problemática Rodada de Doha na Organização Mundial do Comércio, com a esperança de que os países possam finalmente chegar a uma conclusão equilibrada. Além disso, afirmou que o Brasil está empenhado nas negociações do Mercosul com a União Europeia.

Para concluir, a presidenta ressaltou a confiança no sucesso da Copa do Mundo, ou “a Copa das Copas” no Brasil, assim como no das Olimpíadas, em 2016, para as quais garantiu que o país está preparado para “receber de braços abertos todos os visitantes”, já que “vemos o futebol como uma das formas mais importantes de afirmação da paz e da luta contra os preconceitos”
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

INTELECTUAIS "BACANAS" E SEU SILÊNCIO À "LEI DA MÍDIA"


Por Alexandre Figueiredo

A intelectualidade "bacana" se silencia à necessidade real de regulação da mídia. Embora tentem sugerir uma postura favorável pelas relações que estabelecem com intelectuais e ativistas realmente de esquerda, não há uma postura firme nem detalhada a respeito.

É uma atitude ambígua, porque é afirmada na teoria e desmentida na prática. O dirigente funqueiro se diz "plenamente favorável" à regulação midiática, porque para ele "favoreceria a promoção do funk na defesa da cidadania". Mas não iria mesmo sacrificar a visibilidade que o "funk" tem junto aos barões da grande mídia, seja Rede Globo, Folha de São Paulo ou mesmo a revista Veja.

O jornalista cultural "mais bacana", que acha que tudo que é grotesco é "retrato positivo de nossa admirável negritude", também sugere ser "favorável" à regulação da mídia, a pretexto de tirar o poder das "forças moralistas e higienistas" que condenam a sociedade, sem ver diferenças num Chico Buarque solidário com o samba e uma Danuza Leão apavorada com os rolezinhos.

O professor reacionário que escreve feito um Reinaldo Azevedo pós-tropicalista nos fóruns sobre samba e choro na Internet mas bajula as esquerdas, diz-se "solidário" à regulação da mídia porque reduzirá o poder dos grandes proprietários dos meios de Comunicação. Mas ele, que tem conta no portal Globo Esporte.Com, não iria defender a sério essa causa.

Já escrevemos que a intelectualidade que aposta na bregalização do país nem de longe está interessada na verdadeira regulação da mídia, aquela que cria um novo paradigma de meios de Comunicação, que vai muito além do simples processo de domar barões da mídia e seus porta-vozes jornalísticos.

A intelectualidade cultural dominante, nascida nos porões da tecnocracia do PSDB, hoje virou "esquerdista" sob o objetivo de abocanhar dinheiro ou privilégios do Ministério da Cultura petista. São os mesmos que, no auge da Era Collor, achavam Fernando Henrique Cardoso o modelo ideal e mais moderno de estadista brasileiro. Hoje cospem no prato em que comeram.

Enquanto as discussões sobre a regulação da mídia são "privativas" a especialistas e alguns ativistas, e a grande parcela da sociedade está indiferente e desinformada sobre essa causa, a intelligentzia pró-brega adota uma postura "favorável" porque são simples questões de enunciado.

Assim, eles defendem a regulação da mídia quando ela sugere apenas reduzir o patrimônio dos grandes proprietários da mídia ou amenizar o reacionarismo de articulistas do noticiário político e econômico. Mesmo assim, esses intelectuais defendem integralmente os valores ideológicos do poder midiático e o reconhecem como espaço legítimo de visibilidade e prestígio.

Daí o silêncio e a abstenção. Não houve até agora uma declaração explicitamente a favor, embora, se forem perguntados sobre a defesa da regulação da mídia, eles respondam, com falsa desenvoltura, frases curtas como "sim", "apoio" e "mas é claro", ou então "apoio completamente".

Mas não dá para esconder. Num momento ou em outro, esses intelectuais "bacanas" acabam defendendo os mesmos interesses dos barões da mídia em relação à cultura popular, empastelada pela bregalização que anestesia as populações pobres, da mesma forma que temem que a redução do poderio midiático das grandes companhias possa, na ótica deles, "enfraquecer" a mídia.

Vemos uma intelectualidade cultural dominante com seu discurso dúbio. Adotam ideias nada científicas com retórica científica, adotam causas nada progressistas dentro de uma roupagem pretensamente progressista.

E essa gente "tão bacana" ainda se acha feliz porque é contraditória. Com uma gente "pensante" assim, não há como pensarmos o verdadeiro progresso do país. Tudo ficará na mesma.

OS "SUCESSOS DO VERÃO" BREGA-POPULARESCO

"IRRIT-PAREIDE" - LISTÃO PUBLICADO PELO PORTAL G1, DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO.

Por Alexandre Figueiredo

O poderio radiofônico na influência do gosto musical das pessoas é subestimado. Afinal, as rádios que tocam os chamados "sucessos do povão" são controladas por políticos ou empresários associados ao coronelismo regional, embora essa informação receba a arrogante vista grossa da intelectualidade "bacaninha".

Só o recente listão dos sucessos mais tocados nas rádios nesta estação mostra-se um horror. As medalhonas Valesca Popozuda e Ivete Sangalo lideram a parada, que inclui também nomes como o "funknejo" Fred & Gustavo, os funqueiros Pikeno e Menor e Rio Shock, a insossa Anitta, os breganejos Fernando & Sorocaba, Jorge & Mateus e Lucas Lucco - futuro astro do dirigismo cultural de 2016? - e o pagodeiro Psirico.

A tendência repete o ocorrido meses atrás, em que MC Daleste, MC Gui, Anitta, MC Naldo e MC Federado e Os Lelekes eram os sucessos musicais mais procurados na Internet. A mediocrização já chega ao ponto da imbecilização, e o verniz de modernidade não adianta muito para esses nomes em que a cafonice chega a ser escancarada.

A lista dos "sucessos do verão" aponta como será o hit-parade brasileiro, que infelizmente tenta abocanhar novas fatias de público, tomando o gosto de quase toda a juventude, mesmo a dos condomínios de luxo das grandes cidades. E a intelectualidade "bacana" faz a festa, achando que isso dará a pá de cal aos 70 anos de Chico Buarque, o inimigo número 1 da intelligentzia "mais bacana".

Isso indica que, no Brasil, os grandes valores perderam o cartaz. Hoje a moda é ser "provocativo", "polêmico" e "grotesco", e quem provocar escândalo ou repulsa ganha apoio de antropólogos, sociólogos, jornalistas culturais e cineastas da moda. Estes que lotam plateias a aplaudir até mesmo as tosses e espirros desses intelectuais de nome.

O hit-parade brega-popularesco segue com um lobby violento. Com um mercado dominante e claramente apoiado pelos barões da grande mídia, ele ainda segue respaldado por uma articulada e persistente intelectualidade que, mesmo a serviço do baronato midiático, tenta fazer pregação nos meios progressistas.

E toda essa pregação, que inclui muita choradeira contra o que entendem como "preconceito", é feita visando dar fim definitivo à MPB, apenas permitindo que alguns nomes respeitáveis deem seu "canto de cisne", antes de saírem de vez do rádio e irem para museus e para as festas muito ricas das mansões mais isoladas da sociedade.

É lamentável que a cultura brasileira seja avacalhada assim dessa forma. E tem gente que acha o máximo tratar Michael Sullivan como "gênio da MPB". Nem ele é assim grande coisa, sua música não raro soa ridícula, mas como a nivelação ocorre cada vez abaixo, ele parece "sofisticado" aos olhos dos incautos.

Junta-se o jabaculê, o coronelismo radiofônico, o baronato televisivo, a intelectualidade "bacana" e vendida, e todo um empresariado associado e o resultado é ver todo o nosso rico patrimônio virar coisa de museu, enquanto o nível cai bem mais abaixo.

Daqui a pouco, vão fazer até "tributo MPB" do Latino, com cantora eclética cantando "Festa do Apê" em arranjo bossa-flamenco. Na culinária, é como se cobrisse esterco com o mais caprichado chocolate com chantili.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

MUNHOZ E MARIANO TROCAM "CAMARO AMARELO" POR ARMA "DE BRINQUEDO"


Por Alexandre Figueiredo

A música brega-popularesca tem seus incidentes sérios. De vez em quando, uma "brincadeira" ali, uma "provocação" acolá, um "errinho" por aí, um acidente fatal com outras vítimas no caminho, envolvem os supostos "ídolos populares" que acabam criando problemas sérios para si mesmos.

Desta vez foi uma foto recente da dupla Munhoz & Mariano, do sucesso "Camaro Amarelo" - do refrão "Agora eu fiquei doce, doce, doce, doce" - , em que, numa festa, posam ao lado de seu empresário, Joaquim Júnior, exibindo uma garrafa de bebida alcoólica, uma faca e um revólver que dizem ser "de brinquedo".

A foto causou repercussão bastante negativa nas mídias sociais. Tanto que a dupla mandou uma mensagem exaltando a amizade que tem com o empresário e "afirmando" que a arma era "de brinquedo" e a faca era usada para o churrasco.

Com um sucesso que expõe essa dupla, ícone do chamado "sertanejo universitário", a todo o público infanto-juvenil, em especial crianças e gente que mal entrou na adolescência, a dupla, ao expor essa foto dotada de ironia e irreverência, expressou ambiguidade de sentido que pode trazer consequências bastante perigosas.

Desde que Xuxa Meneghel tentou ocultar seu passado sensual para se projetar como apresentadora infantil - musicalmente sob a batuta do hoje "injustiçado" Michael Sullivan - , e quando É O Tchan e o "funk carioca" banalizaram a pornografia até mesmo nas mentes de meninas pobres com menos de 15 anos de idade, o brega-popularesco se aproveita do vazio de valores para "polemizar".

Pelo jeito a intelectualidade cultural dominante, entusiasmada com a bregalização do país ocupando todo tipo de espaço, e se autopromovendo com episódios como o caso Procure Saber e os rolezinhos para anunciar a "Revolução Brega" no Brasil, deve estar adorando.

Dá até mesmo para imaginar o que um intelectual "bacana" escreveria a respeito da dupla Munhoz & Mariano, heroificada por tal escriba "pensante", a respeito da foto publicada na manhã do último dia 22, no Instagram:

"A dupla Munhoz & Mariano apavorou a sociedade estabelecida, já assustada com os rolezinhos, com as elites assustadas com a invasão do popular (sic) em todos os espaços imagináveis ou não. Vindo de Camaro Amarelo com garrafa de bebida em punho, eles desafiam a sociedade moralista-policialesca-elitista que não quer que seus patrícios morram em acidentes de trânsito, mas aceita que o povo das periferias seja metralhado pelas forças policiais. Numa atitude provocativa em tempos pós-modernos, pós-tropicalistas, pós-moralistas e pós-tudo, Munhoz & Mariano conquistam novos espaços com exemplo de bravura e desafio às ordens estabelecidas".

É um tipo de comentário que, publicado na Internet, gera aplausos. O escriba cria sua "polêmica" e fica feliz, porque ele pensa que está transformando a História com polêmicas e provocações gratuitas. Acha que vai derrubar o que ele entende como "sociedade moralista", e fazer "socialismo" com a bregalização do país.

Só que ninguém é feliz porque é "contraditório", "provocativo" ou "polêmico". Esse hábito de pôr as coisas no "meio-termo" entre a raiva de uns e a condescendência de outros, geralmente demonizando a indignação contra tudo que for bregalização, não garante a reputação segura de seus ideólogos nem dos ídolos relacionados nessa retórica de defesa.

Pelo contrário, a atitude de Munhoz & Mariano só revela um país em crise de valores, em que o "mau gosto popular" exerce sua hegemonia absoluta, uma supremacia que até poderia ter os seus espaços na sociedade, mas não dessa forma quase absolutista que hoje sufoca a MPB e outras manifestações de progresso artístico-cultural.

Poucos percebem que breguice é retrocesso, é deixar o pobre no estágio em que está. Sem cultura de verdade, sem arte, sem valores morais, sem valores sócio-culturais. O "vale-tudo" do brega não promove o progresso cultural do povo pobre e só garante a manutenção da ditadura midiática e mercado dominante. E não adianta a intelectualidade "bacana" fazer vista grossa.

O HISTÓRICO SABÃO DE LUÍZA TRAJANO EM DIOGO MAINARDI


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Diogo Mainardi tentou manipular dados do Serasa para tentar afirmar a suposta falência do Magazine Luíza, com comentários irônicos contra a empresária Luíza Trajano, perguntando a ela quando irá vender a empresa para o Amazon (conhecido portal de vendas pela Internet). Luíza rebateu com duras críticas a Mainardi.

Este, na condição de um dos comentaristas do Manhattan Connection, do canal pago Globo News, tentava reverter o quadro de queda da inadimplência anual do consumidor (que foi de 2% em 2013, comparado com 2012), a primeira em 14 anos, dizendo que a situação piorou. Com as críticas, registradas em vídeo, a repercussão foi enorme e desfavorável ao comentarista, que havia sido também figura conhecida da revista Veja.

Vamos mostrar dois vídeos, um, editado por Miguel do Rosário, que só tem a crítica de Luíza contra Mainardi, para quem interessar só por esse comentário, e outro, na íntegra, que mostra a empresária desmentindo dados apresentados pelo comentarista. O vídeo na íntegra aparece acima, com duração maior.

O histórico sabão de Luiza Trajano em Diogo Mainardi

Por Miguel do Rosário - Blogue O Cafezinho

Deixo com voces, abaixo, duas notícias para levantar o astral de qualquer brasileiro. A primeira é o histórico sabão de Luíza Trajano, proprietária da rede de lojas Magazine Luiza, em Diogo Mainardi. O vídeo fez sucesso e então eu o resumi para deixar só a parte do sabão, que se dá, em verdade, primeiro contra Caio Blinder, editor do Manhattan Connection, e depois contra Diogo Mainardi.

O vídeo tem só 4 minutos e vale a apena assistir. Repare que Mainardi tenta rebater Luíza com supostos números do Serasa. A segunda notícia, mais abaixo, mostrará que Luíza estava certa e Mainardi, como sempre, errado.

A segunda notícia foi publicada há pouco pela Serasa Experian, empresa que monitora a inadimplência no Brasil. Segundo a Serasa, a inadimplência caiu e o valor médio das dívidas também caiu.

Eu recortei os trechos e tabelas principais publicados no site da companhia.

*

Inadimplência anual do consumidor registra a primeira queda em 14 anos, revela Serasa Experian

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor encerrou o ano de 2013 com queda de 2,0%, na comparação com o ano anterior. É o primeiro declínio no acumulado anual registrado pelo indicador desde o início da sua série histórica, em 2000 (veja quadro abaixo).

Na variação anual – dezembro de 2013 contra o mesmo mês de 2012 – o indicador também caiu 6,5%, sendo esta a sétima queda mensal consecutiva na comparação interanual.






De acordo com os economistas da Serasa Experian, a manutenção de baixas taxas de desemprego ao longo de 2013, o maior rigor na concessão de crédito por parte das instituições financeiras e a maior preocupação dos consumidores em quitar suas dívidas em vez de assumirem novos financiamentos, impulsionaram o recuo da inadimplência durante o ano passado.

A queda de 2,0% na inadimplência dos consumidores em 2013 foi puxada pelo recuo de 9,4% no volume de cheques devolvidos (2ª devolução por falta de fundos) e pela queda de 4,8% na inadimplência das dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica, água, etc.). Já junto aos bancos, a inadimplência em 2013 subiu 0,6%, ao passo que o ano passado também presenciou uma alta de 5,8% no volume de títulos protestados.

(…)
Valor médio dos títulos protestados encerra 2013 em queda

O valor médio dos títulos protestados fechou 2013 com queda de 4,5%, na comparação com o mesmo período do ano anterior. As dívidas não bancárias também caíram 2,3%. Já os cheques sem fundos encerraram 2013 com alta de 7,9%. As dívidas com os bancos não apresentaram variação. Confira mais informações na tabela abaixo:




quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

PINHEIRINHO LUTA PELA CONSTRUÇÃO DE CASAS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Embora o episódio da violenta expulsão. há dois anos atrás, dos moradores de Pinheirinho, antiga comunidade popular de São José dos Campos, ter significado a derrota eleitoral do PSDB e a aposentadoria desmoralizada do policial que ordenou a ação de despejo, seus antigos moradores continuam lutando na Justiça para que recebam as devidas indenizações pelo humilhante episódio e que tenham novas moradias dignas para suas necessidades vitais.

Pinheirinho luta pela construção das casas

Do Blogue Escrevinhador

Dois mil soldados do Batalhão de Choque, com carros blindados e helicópteros, fizeram dois anos atrás a operação policial para expulsar 1.800 famílias de trabalhadores da comunidade de Pinheirinho, em um domingo em 22 de janeiro de 2012, em São José dos Campos (97 km de SP).

Antônio Donizete Ferreira, advogado das famílias do Pinheirinho e liderança do movimento por moradia, concedeu uma entrevista, publicada na página do PSTU, sobre a conquista de um terreno e a luta pela construção das casas no local.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Andamento dos processos

“Vários processos ainda correm na Justiça, tanto criminal, para punição dos responsáveis, como cíveis. Os criminais pedem a condenação do governador, do comandante da polícia, da guarda municipal e do prefeito da época. Na esfera cível, pede a reparação dos danos tanto morais, quanto materiais. Ou seja, do sofrimento que essas pessoas passaram, do constrangimento, da violência e da perda de tudo. Dos móveis, da casa construída a duras penas, da caixinha de recordação que ainda repousa sobre os escombros… O coronel que comandou a tropa se aposentou um mês depois. O prefeito, do PSDB, perdeu a eleição. Existe também uma representação no CNJ e uma denuncia na OEA, que ainda seguem”.

Vida das famílias

“As famílias ainda sofrem muito, morando muito mal, pois o aluguel social de 500 reais é muito pouco. Os aluguéis são bem mais caros. A esperança ainda continua, mas a vida mudou muito. Ali no Pinheirinho a solidariedade era muito grande, era uma comunidade organizada. Hoje isto não existe mais. Principalmente para as crianças e adolescentes, a vida mudou muito. Tiveram que mudar de escolas, de amigos, muitos ainda não suportam ouvir barulho de helicópteros. Ficou o trauma”.

Mobilizações

“As famílias ainda se reúnem, duas vezes por mês, mas com muita dificuldade, pois moram espalhados pela cidade. As mobilizações são menores e mais espaçadas, mas continuam, como aconteceu no ano passado, quando entramos e saímos do antigo terreno, numa ocupação simbólica.”

Conquista do terreno

“O terreno está praticamente certo, mas efetivamente até agora nenhum tijolo foi assentado. Como no Pinheirinho também, estava tudo muito a favor de legalizar a ocupação, e acabou acontecendo o despejo. Como diz o ditado, “quem já se queimou com leite quente vê uma vaca e chora”. Continuamos mobilizados.”

Lições da resistência

“A luta do Pinheirinho, a resistência, questionando o monopólio da violência por parte do Estado, levou à mudança de postura em vários movimentos. Passou a se ter a visão da resistência como legítima. Pode parecer presunçoso, mas creio até que teve reflexo nas mobilizações de junho e julho. Quando a polícia bateu, houve reação da sociedade. O movimento cresce. Até ali, isso não acontecia. O mesmo se passou com os rolezinhos. Pensamos que o povo tem direito a se defender.”

AS "MADAMES" CONTINUAM NÃO QUERENDO QUE POBRES SAMBEM


Por Alexandre Figueiredo

Há um conhecido samba de Haroldo Barbosa, "Pra Que Discutir Com Madame?", que fala da repugnância com que uma senhora aristocrática encara as rodas de samba das classes populares. A música foi composta em 1956 em parceria com Antônio Almeida e gravada pelo cantor Janet de Almeida (sim, cantor, com este prenome, que se lê "Janéti") e tornou-se famosa na gravação de João Gilberto.

A música era direcionada a uma crítica de música na época, mas tornou-se um tema para as paranoias elitistas da sociedade, não necessariamente de dondocas moralistas ou de patrulhas policialescas contra a roda de samba, mas de todo aquele que se incomoda com as manifestações populares.

Tudo bem. O problema é quando há oportunistas, como a tão badalada intelectualidade cultural que "joaquimbarbosamente" quer a bregalização da cultura brasileira, que no seu tendenciosismo necrófilo tenta sequestrar certos mortos para que eles "confirmem" as visões etnocêntricas dos prestigiados ideólogos do brega-popularesco.

Usurpam Haroldo Barbosa - pai de Maria Carmem Barbosa, roteirista parceira de Miguel Falabella - de forma tão hipócrita quanto usurpam Oswald de Andrade, Gregório de Mattos e até Carlos Lamarca para tentar corroborar suas visões em defesa da bregalização do país.

Neste caso, o "funk", que é a facção mais rebelde da música brega, é hoje a "causa maior" da intelectualidade dominante, já que o ritmo lançado no Rio de Janeiro e agora se projetando em sua forma paulista, o "funk ostentação", leva os ideais de bregalização às últimas consequências.

A intelectualidade cultural dominante, embora jure de pés juntos e de joelhos que é a "que mais entende, com uma visão totalmente aberta e despida de qualquer tipo de preconceito", tornou-se a versão moderna da "madame". Os contextos são muito outros, mas a histeria contra o samba manteve sua intensidade.

SAMBA VIROU "ZONA SUL"

O samba que dominava as favelas da Zona Norte carioca e que fazia com que cantores aristocráticos subissem os morros e comprassem dos compositores de samba canções que tiveram a autoria adulterada,ocultando os autores originais em prol dos próprios cantores que mal conseguiam compor uma marchinha e quanto mais um samba, virou "coisa de Zona Sul".

Sim, isso mesmo. O que nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Kéti faziam no alto de suas comunidades humildes virou a "Bossa Nova de hoje", apreciada por pessoas de classe média alta que vivem nos condomínios do Leblon e da Barra da Tijuca.

Enquanto o povo dos subúrbios mal consegue apreciar um "pagode romântico" - que emula a música negra norte-americana de forma caricata e patética, mas tocada com instrumentos de samba - e mal tem acesso ao pouco do samba autêntico que as rádios liberam para o grande público, as elites se apropriaram de todo o patrimônio cultural relacionado às classes populares.

Paulinho da Viola foi se apresentar em Madureira como um estrangeiro em seu próprio berço. O povo do subúrbio apenas "também gosta" de Paulinho da Viola, mas não o aprecia de maneira prioritária, como um filho de sua terra, gostar não ficou proibido, mas caiu em segundo plano. O mesmo com Martinho da Vila para Vila Isabel, Grajaú e arredores.

Hoje o povo dos subúrbios cariocas, pela força da ditadura midiática das rádios FM e suas oligarquias empresariais, se dividem entre o "pagode romântico" e o "funk". O primeiro parecendo uma soul music malfeita, caricata e piegas, que só em certos momentos soam imitações fajutas de Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, e portanto longe de ser um vigoroso samba autêntico dos morros.

AS "MADAMES" DE HOJE ACHAM SAMBA "SOFISTICADO DEMAIS" PARA OS POBRES

Se pudéssemos fazer uma analogia mais literal das madames aristocráticas de 55, 60 anos atrás que não aguentavam que o povo pobre dance seus sambas, e as "madames" modernas que não querem ver os pobres sambando em outro contexto, podemos inserir neste caso as intelectuais que se dizem "conscientizadas" do país.

São cineastas, jornalistas culturais, acadêmicas, ativistas, produtoras culturais, mulheres que chegam ao ponto de defender valores machistas e criar um discurso pseudo-relativista que transforme a submissão ao machismo como uma usurpação supostamente subversiva de seus valores.

A atitude "anti-sambista" encontra outro contexto, porque a paranoia das "pensadoras" e "ativistas" não guarda, em tese, qualquer sentimento moralista ou aristocrático, porque, na teoria, essas mulheres "zelam" pelas manifestações culturais das classes mais pobres.

O grande problema, então, reside no fato de que as elites intelectuais de hoje confiscaram para si o patrimônio cultural do passado, e portanto são essas elites que agora detém o segredo das expressões culturais do passado. Isso cria outras paranoias, outras neuroses.

As "madames" modernas, que fazem documentários sobre "funk" ou monografias sobre supostos ativismos "feministas" das funqueiras, ou que mantém uma pauta de análise dos "movimentos sociais" dentro daquela prevista pela burocracia acadêmica e estatal (leia-se verbas da Lei Rouanet), acham que o "samba" é "muito sofisticado" para ser apreciado pelo povo pobre.

Elas acham que a "verdadeira cultura popular" não é mais transmitida pelos vínculos sociais comunitários. O que os antepassados fizeram já passou. O que o povo pobre tem que assumir como "verdadeira cultura popular" é um padrão de estereótipos de pobreza, ignorância e imoralidade difundido por emissoras e programas de rádio e televisão e imprensa "populares".

Daí o pânico quando as intelectuais veem os pobres descobrindo Jackson do Pandeiro, Nelson Cavaquinho, Monsueto, Jovelina Pérola Negra, Cartola e Pixinguinha. "Isso é expressão de saudosismo elitista", diriam as intelectuais assustadas.

"Não. O povo pobre tem que curtir o funk, que é o que expressa sua pobreza, a realidade das periferias", acrescenta a paranoica "madame" no seu discurso etnocêntrico servido em pretextos "progressistas".

Hoje os intelectuais se assustam quando se fala que o povo pobre precisa usufruir o legado de seus antepassados, dar uma continuidade à tradição de seus ritmos culturais, passadas de pais para filhos, de avós para netos. Daí a paranoia que nenhum pretexto "progressista" pode disfarçar.

As elites intelectuais não se confundem com o povo e seu paternalismo não significa que eles sejam os juízes máximos da cultura popular. Que desperdicem seus documentários, monografias, reportagens tentando dar seu parecer sobre o que deve ser a cultura do povo pobre. Só estarão transmitindo uma visão elitista, por mais "positiva" que tente parecer.
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