domingo, 25 de maio de 2014

PRÍNCIPE DA "CULTURA TRANSBRASILEIRA", MICHEL TELÓ CANCELA APRESENTAÇÃO POR FALTA DE PÚBLICO


Por Alexandre Figueiredo

A notícia foi dada por Fabíola Reipert, a partir de um jornal em Birigui. Nesta cidade, no interior paulista, iria acontecer, no último dia 17, uma apresentação com o cantor breganejo Michel Teló, mas por problemas de estrutura do local do evento, a prefeitura e o Corpo de Bombeiros não concederam alvará.

Então a apresentação do cantor foi adiada para a semana seguinte, no caso ontem, dia 24. Foi escolhido um outro local, a princípio, havendo a opção das pessoas pegarem de volta o dinheiro do ingresso. As pessoas pegaram o dinheiro, mas ninguém comprou novos ingressos.

Com a falta de público, a apresentação de Michel Teló foi cancelada. E isso depois que uma elite de intelectuais influentes inventou que Teló virou "cidadão do mundo" por causa de um mal-esclarecido episódio da divulgação da música "Ai Se Eu Te Pego", que não foi o sucesso estrondoso que muitos alardearam aos quatro ventos no Brasil.

Ele foi uma espécie de príncipe de uma "cultura transbrasileira" tão propagada pela intelectualidade "bacana", e um dos últimos baluartes do dirigismo ideológico que empurrava para o reconhecimento da gente culta certos nomes estratégicos da breguice nacional, incluindo também Odair José, Leandro Lehart e Raça Negra.

Se ele não conseguiu atrair público num de seus maiores redutos, o interior de São Paulo, área em que se supõe ser um dos focos de intenso fanatismo breganejo - área que envolve os interiores paulista e paranaense, mais os Estados do Centro-Oeste e o oeste de Minas Gerais - , então há um sério problema nisso.

Afinal, a intelectualidade "mais legal do país" não cansou de dizer que "Ai Se Eu Te Pego" é "pegajosa", "moderna", "desafiadora", que Michel Telo simbolizava a "rebelião indígena" travestida em "cultura transbrazyleyra" que ele havia conquistado o mundo, que veio para ficar etc. Só faltou Pedro Alexandre Sanches definir Michel Teló como o "Julian Assange (?!?!) brasileiro".

Uma elite de cientistas sociais, cineastas e jornalistas que apostam na bregalização do país tentava nos fazer crer que Michel Teló conduziria o futuro da humanidade planetária, sendo um dos líderes da revolução social que transformaria o mundo. Pasmem vocês, mas é o que essa turma que mexe com palestras, reportagens, monografias e documentários costumam pregar!

E no entanto, como é natural na mediocridade cultural, uma música como "Ai Se Eu Te Pego" envelheceu em poucos meses. Se Michel Teló já pegou um mercado com um Luan Santana precocemente envelhecido e antiquado, se tornou quase obsoleto depois de duplas e cantores que também soam mofados e datados.

É essa a sina do brega. Brega é a música antiquada, que se alimenta do hit-parade que perdeu a validade na véspera. Um tipo de música retardatária que só uns intelectuais metidos a engraçadinhos querem que seja a única música brasileira viável. Só que a supremacia do "mau gosto" tem limites: no fim do caminho, até os mais fanáticos defensores acabam se cansando. Muito barulho por nada.

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