segunda-feira, 26 de maio de 2014

COMENTÁRIO SOBRE "FUNK" ATESTA SOBRE LOBBY SÓCIO-ACADÊMICO QUE CERCA O RITMO


Por Alexandre Figueiredo

Um incidente manifesto no Facebook mostra o quanto a indústria do "funk carioca" conta com um poderoso lobby que envolve ativistas sociais e elites acadêmicas, de tal forma que já se admite um "patrulhamento" dos adeptos do ritmo brega-popularesco.

Sobre a realização de um "baile funk" em um morro em Ipanema, com o som em alto volume, a professora da Faculdade de Comunicação Social da UERJ, Patrícia Rebello, escreveu os seguintes comentários na sua conta do Facebook: "Baile funk nas alturas no morro aqui atrás e eu só lembro daquela frase que diz que funk é cultura. Exame de urina também".

Em seguida, aparece o hashtag #meuouvidonaoépenico. A postagem foi feita no último dia 18. A mensagem foi curtida por vários internautas, que apoiaram o protesto. Alguns só não compartilharam a postagem por temer o "patrulhamento" das "militâncias culturais" em prol do "funk".

É o que disse o professor José Ferrão, respondendo à postagem: "“Só não compartilho porque depois vou ter que aguentar a militância cultural. Adorei, amiga". Erick Felinto, vice-reitor da mesma faculdade de Patrícia, também apoiou a mensagem e curtiu.

"Também não posso compartilhar, pois os colegas acadêmicos que defendem a diversidade e estudam esse fascinante fenômeno cultural iriam me massacrar. Mas é deprimente", disse Felinto, acrescentando um sutil toque de ironia no comentário.

Mas defensores do "funk" logo se prontificaram em rebater o comentário, fora das mídias sociais. O deputado Marcelo Freixo, do PSOL, um dos principais propagandistas do "funk" no Legislativo, apelou para questões de "gosto" para expressar seu ponto de vista: "Não podemos identificar como cultura apenas aquilo que nos agrada, isso é elementar".

Já o diretor do Observatório das Favelas, Eduardo Alves, adotou um discurso "etnográfico": "O funk faz uma leitura da realidade de milhões de pobres, negros e moradores de comunidades, expõe a vida, a estética desse povo, e por isso é considerado cultura. Toda arte precisa ser respeitada".

RECUO

Pressionada pela "patrulha ideológica" dos defensores do "funk", Patrícia Rebello recuou de seu desabafo e, tentando agradar seus pares - virou um "protocolo" para a classe acadêmica defender o "funk" - , enviou e-mail "reconhecendo" o "funk" como um "bem cultural".

"Foi simplesmente um desabafo de alguém que estava com sono e queria dormir. Eu não estudo nem escuto funk o suficiente pra fazer qualquer comentário sobre o assunto. Claro que funk é cultura, claro que fala de uma enorme variedade de aspectos referentes ao mundo, e às condições sociais de quem o vive. Foi uma reação imediata de um organismo cansado", escreveu a professora.

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