sábado, 31 de agosto de 2013

"FUNK" E O FRACASSO DA BLINDAGEM INTELECTUAL


Por Alexandre Figueiredo

Rola nos bastidores um clima de luto da intelectualidade dominante, diante do fracasso da campanha pela defesa do "funk carioca". Agora tentando redirecionar o foco da retórica para o "funk ostentação", o confuso cenário de São Paulo - que mistura "proibidões" e "popozudas" com um discurso pseudo-ativista - , eles já sentem o peso da rejeição da sociedade ao gênero.

O recente discurso do ex-ministro da Cultura, Juca Ferreira - do grupo ligado a Gilberto Gil e padrinho do Coletivo Fora do Eixo - , num evento que "debatia" o "funk" num centro cultural em Vila Cachoeirinha, em São Paulo, foi digno de uma choradeira. Tentando insistir que "funk" é "cultura", Juca tenta vincular a "diversidade cultural" a esse ritmo brega-popularesco.

O mesmo caminho segue Pedro Alexandre Sanches, o "bom aluno" de Otávio Frias Filho e adepto das ideias de Francis Fukuyama e Fernando Henrique Cardoso, que apela para a "superioridade" do "funk", dentro daquele pretensiosismo excessivo de "cultura séria" e dando continuidade aos relatos que o blogueiro do Farofa-fá escreveu sobre o mesmo "debate" acima citado.

O dramalhão discursivo não conseguiu, ao longo de seus dez anos de proselitismo - primeiro, nos cenários da grande mídia, depois nas esquerdas médias - , convencer a sociedade da "superioridade artística" dos funqueiros, tidos como "expressão natural das periferias e da cultura popular atual".

Só que a retórica da "diversidade cultural", apesar do verniz "progressista", tem exatamente o mesmo sentido que a da "democracia" pregada pela mídia mais reacionária. Não se trata de defender, de fato, a democracia ou a diversidade cultural, mas apenas a vinculá-las, de modo mais totalitário, à supremacia de formas sócio-culturais retrógradas.

O discurso de defesa do "funk" é extremamente contraditório. Há muito tempo o ritmo está no establishment do mainstream e seus defensores ainda reclamam de "exclusão". Criam um discurso "militante", com comparações surreais a tudo que for arte e ativismo para tentar comover a opinião pública e esquecer que essa "riqueza toda" simplesmente inexiste no cotidiano funqueiro.

O "funk", até agora, não representou qualquer tipo de progresso cultural da sociedade, do contrário que o jazz e o samba, como a blindagem intelectual costuma comparar. Musicalmente, o "funk" é oco, repetitivo, sem a riqueza sonora e expressiva que a blindagem intelectual normalmente atribui.

Até agora, o "funk" só inseriu o "tamborzão", os sons imitando galopes e sirenes e a balcuciação de MCs de apoio no seu som, sem trazer qualquer benefício ao mesmo. Pelo contrário, a pregação da defesa do "funk" acabou dando no efeito inverso, que é o aumento da rejeição da sociedade ao ritmo e a exposição ao ridículo da intelectualidade associada.

Dizer que o "funk" é a "revolução do mau gosto numa sociedade careta" é um discurso desprovido de real sentido progressista. Defendê-lo a pretexto de defender a "diversidade cultural" soou por demais "urubológico", ficou algo semelhante a do "livre mercado" pelo discurso neoliberal. E a rejeição ao "funk", tida como "elitista", é algo que ocorre até mesmo dentro das periferias.

O que fez a retórica do "funk carioca" fracassar, criando o êxodo simbólico para São Paulo, foi o fato de que o "funk" do Rio de Janeiro acumulou uma série de baixarias e ocorrências criminais, além de não conseguir provar que estava "à margem da grande mídia" tamanha a cumplicidade explícita com os barões da mídia de todo o país.

Tais problemas não puderam ser camuflados pelo discurso, com um quê de sentimentaloide, que falavam que o ritmo era "vítima de preconceito" e rejeitado por "elitistas" e "moralistas". Chegou-se a comparar a rejeição do "funk" à do samba há cem anos atrás, como se nós fôssemos uma sociedade rigorosamente igual a de 1910. Não deu certo.

Depois, forçando ainda mais a barra, a intelectualidade dominante tentou associar a rejeição do "funk" a manifestações de racismo contra o povo negro, algo que resultou num grande equívoco. Afinal, quem rejeita o "funk" admira verdadeiros artistas negros, de Milton Nascimento a Elza Soares, de James Brown a Jovelina Pérola Negra, de Jimi Hendrix a Itamar Assumpção, e personalidades como Martin Luther King e o geógrafo baiano Milton Santos.

No entanto, a intelectualidade associada não conseguiu explicar por que combate a pedofilia e a pornografia, quando ocorre nos seus meios sociais, e apoia as mesmas práticas quando elas estão associadas ao povo "negro e pobre" do "funk". Para esses "pensadores", Gisele Bündchen fazendo papel de mulher-objeto é deplorável, mas se a Mulher-Melão fizer o mesmo, torna-se "admirável".

O apoio que esses intelectuais dão ao "funk", ritmo associado a uma visão estereotipada e glamourizada da miséria humana, simbolizada pelas favelas brasileiras, torna-se uma prova de que eles, por mais "contra" o preconceito e o elitismo digam ter, expressam um preconceito social e um elitismo mil vezes pior do que aqueles que juram "combater".

A repercussão negativa acaba se tornando inevitável, embora a intelectualidade, como se fosse em um disco de vinil riscado, repita a mesma choradeira várias vezes, de que o "funk" é "vítima do mais absurdo preconceito", usando até mesmo questões raciais para desviar o foco da discussão, que envolve um ritmo dançante associado ao grotesco e à estereotipação das classes pobres.

Até mesmo o presidente da APAFUNK (Associação de Profissionais e Amigos do Funk), MC Leonardo, tem que falar de outros assuntos em sua coluna na revista Caros Amigos. Ele havia até mesmo lamentado a "falta de mobilização" das periferias diante da rejeição ampla que o "funk" continua sofrendo no Rio de Janeiro.

A rejeição dada ao ritmo cresceu de tal forma que, nas próprias periferias, as mães, sobretudo negras e pobres, ficam preocupadas quando veem filhos e filhas indo para o "baile funk". Além disso, musicalmente o "funk" escravizou os jovens pobres, que não podem mais aprender a tocar instrumento ou cantar melhor, o "funk" é uma "linha de montagem" com regras muito mais rígidas de execução e expressão. O "funk" só "evolui" se os chefões DJs mandarem, e olhe lá.

Além disso, o apoio de gente ligada ao conservadorismo midiático, como Lobão, Luciano Huck e Nelson Motta foi algo impossível de esconder. Luciano Huck é amigo de Aécio Neves e Eike Batista e serviçal dos irmãos Marinho. Não há como considerar o "funk" à margem da mídia com um apoio da extensão dada pelo principal astro da Rede Globo.

Mas já no "funk ostentação" o abraço da mídia já começa a fazer efeito. A TV Bandeirantes, "casa" de Bóris Casoy e Marcelo Tas (este expressou total apoio ao "funk"), já namora os funqueiros paulistas, que também receberam tratamento vip nas páginas da Veja São Paulo, suplemento feito no "olho do furacão" da revista que tem Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes como seus astros principais.

Os intelectuais associados à defesa do "funk", mesmo assim, não desistem. Por enquanto, eles apostam suas fichas na cena paulista e derramam suas lágrimas em palestras para convencer a sociedade em geral que o "funk" é "cultura de verdade". A blindagem assume seus riscos, no seu discurso oportunista e apelativo, mas já não tem mais a aparente unanimidade de dez anos atrás.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

FAROFA-FÁ SONHA COM A MÚSICA BRASILEIRA DA ERA MÉDICI

NOVOS BAIANOS - Na perspectiva fukuyamiana dos blogueiros do Farofa-fá, o som do grupo só serve para as altas elites universitárias.

Por Alexandre Figueiredo

Embora abrigado num portal da imprensa progressista, o blogue do Farofa-fá, comandado por Eduardo Nunomura e Pedro Alexandre Sanches, é a tradução perfeita das ideias de Francis Fukuyama, mesclados com os conceitos de livre mercado de Fernando Henrique Cardoso e de "cultura de massa" de Caetano Veloso, sobre o "fim da História" da MPB.

Nessa visão, a visão de "diversidade cultural", embora trabalhada num discurso "libertário", nada difere, em sentido ideológico, dos conceitos de "livre mercado" do neoliberalismo econômico e de "liberdade de imprensa" dos barões da grande mídia.

A visão se fundamenta na tese de que a história da Música Popular Brasileira "deu o que tinha que dar". Ou seja, criamos um patrimônio cultural, desde os tempos indígenas até os contatos com influências europeias e africanas, e, mais tarde, norte-americanas, e tivemos um auge com a sofisticação dos anos 60 e 70.

Depois disso, a história da música brasileira atingiu seu "fim" e o canto do cisne teria sido a da geração da casa noturna Lira Paulistana, cujo cenário musical, comandado por Arrigo Barnabé e pelo falecido Itamar Assumpção, se comparou à Semana de Arte Moderna de 1922 em sua terceira geração (a segunda teria sido o Tropicalismo).

Mas, apesar de podermos considerar como "canto do cisne" a turma da Lira Paulistana, a "queda do muro" teria sido dado no Festival da Música Popular Brasileira da TV Record de 1967, com o "grito" de Caetano Veloso contra a vaia durante seu número "É Proibido Proibir".

A partir desse "primeiro grito", que é visto pela intelectualidade dominante como um "divisor de águas" da MPB, derrubaram-se as fronteiras entre o folclore e a "cultura de massa", algo que, à primeira vista, parece democrático, mas no fundo é a aplicação das regras de "livre mercado" da música brasileira.

E, depois dela, veio o "milagre brasileiro" e, com ele, a ascensão dos ídolos cafonas, favorecida pela divulgação desses cantores pelas emissoras de rádio que apoiaram a ditadura militar. E veio a verdadeira discriminação cultural que hoje é considerada "anti-discriminatória" pela tão festejada intelectualidade.

Isso porque, no calor da Era Médici, a música brasileira se dividia entre as cafonices que eram empurradas para um público de menor poder aquisitivo e menor instrução, enquanto a música brasileira de qualidade era reservada para um público mais intelectualizado e com mais dinheiro no bolso.

A MPB autêntica tinha trânsito nas rádios, mas como havia a censura e um certo interesse da grande mídia de dificultar o acesso de seus artistas ao grande público - só permitindo mediante algumas condições, ou quando não podia vetar o acesso, sobretudo quando se tratam de sambistas e sanfoneiros de notável reconhecimento popular.

Foi a partir dessa época que houve, nas universidades, o começo da desmoralização dos CPCs da UNE, do ISEB e daqueles que lutavam pela melhoria da cultura brasileira. E que criou visões completamente distorcidas sobre o processo evolutivo da música brasileira, os mesmos defendidos, às vezes com notável sutileza, pelos blogueiros e colaboradores do Farofa-fá (não seria Farofa-FH?).

É o caso do antigo patrimônio cultural das classes populares, que agora tornou-se privativo de um público economicamente mais abastado. Baião nordestino, por exemplo, virou coisa de universitários hippies e quase ricos do Paraná. O samba que animava os morros cariocas hoje é visto como coisa "tão Zona Sul" quanto a Bossa Nova.

Em contrapartida, a afirmação do povo pobre está no que as emissoras de rádio empurram para ouvir, e pela mediocridade artística que só é lapidada depois de milhões de discos vendidos após cinco anos. E o povo pobre não cria mais sua cultura, "recria" a partir de "matérias-primas" vindas de fora, através do poder midiático.

Era isso que ocorria na Era Médici. O "povão" ouvia Waldick Soriano, Odair José, Wando. Quando podia, tinha condições de ouvir de Cartola a Zé Ramalho, de Nelson Cavaquinho a Djavan, passando por Elis Regina. Já as elites universitárias ouviam o "lado B" de Zé Ramalho, Djavan, Belchior etc, mas podia ouvir Quinteto Violado, Joyce, o Clube da Esquina, o som instrumental brasileiro.

SEPARATISMO "COMBATIDO", MAS AGRAVADO

Hoje a intelectualidade usa a desculpa do combate à segregação cultural para misturar bregas e MPB num mesmo balaio. Mas na verdade ela reforça essa segregação, esse separatismo "combatido" é agravado, porque as elites "podem" ouvir música brega, mas o "povão" não pode ouvir música de qualidade.

O pessoal do Farofa-fá que elogia o "funk" como se fosse a última flor do Lácio ouve dentro de seus quartos os discos dos Novos Baianos, do Quinteto Violado, de Diana Pequeno, de Marcos Valle, de Zimbo Trio, da Banda Black Rio. Já o "povão" não, e hoje são os netos de quem, discriminado socialmente, só podia ouvir Waldick, Odair, Gretchen, Mauro Celso, Amado Batista e companhia.

Os mais jovens ouvem brega-popularesco que rola nas FMs controladas por grupos oligárquicos, por políticos, latifundiários e até jagunços. Mas hoje a coisa é pior, porque até mesmo o público universitário está exposto a esse lodo e, o que é pior, é obrigado a reconhecer como "vanguarda" nomes retrógrados como Luiz Caldas, José Augusto, Leandro Lehart, Gaby Amarantos, Mr. Catra etc.

Ou seja, hoje a coisa está pior. A cultura brasileira tem seu destino nas mãos das esquerdas médias e dos alienígenas da centro-direita que hoje querem que "democracia cultural" seja aceitar o brega e achar que a MPB autêntica encerrou sua era.

Enquanto ainda existe MPB autêntica, mas ela envelhece, com seus antigos jovens artistas tornando-se "coroas" ou idosos, o que se vê são um bando de "performáticos" patéticos, musicalmente confusos e inócuos, misturando MPB e brega querendo soar "provocativos", mas apenas soam tolos. Vide Kitsch Pop Cult, Banda Uó, Vivendo do Ócio, Gang da Eletro e outros bobos-alegres.

Se a vanguarda da Música Popular Brasileira está nas mãos desse pessoal, estamos perdidos. E a patota do Farofa-Fá quer que, em primeiro momento, se inicie uma "gororobização" da música brasileira, misturando MPB de vanguarda com cafonices, até que depois se criem os padrões mercadológicos para o império totalitário do hit-parade na música brasileira.

Revivendo o segregacionismo cultural da Era Médici, os "farofa-feiros" tentam caprichar no discurso libertário de mensagem neoliberal. E querem radicalizar o processo. O hit-parade brasileiro do brega já é hegemônico há algum tempo. Com o proselitismo "farofa-feiro", o hit-parade poderá se tornar totalitário. E aí a música de qualidade será apenas uma doce lembrança do passado.

Essa farofa tem um baita sabor de jabá...

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

OS MÉDICOS ESTRANGEIROS E A QUESTÃO DO NACIONALISMO


Por Alexandre Figueiredo

É muito complicada a realidade brasileira. O povo brasileiro tem sua história, mas vários setores da sociedade clamam que a transformação do Brasil dependa sempre de ideias e procedimentos vindos de fora.

Que eventualmente precisamos de ideias de fora, é verdade. E em muitos aspectos isso traz benefícios muito grandes para nosso país, como o fato da vinda de imigrantes europeus e japoneses para exercer atividades industriais e agrícolas no nosso país no século passado e a vinda de professores estrangeiros na Universidade da Bahia (atual UFBA), em Salvador, que dinamizaram a cultura baiana.

O problema é quando superestimamos essa necessidade e renegamos as identidades brasileiras, como se a verdadeira identidade brasileira se limitasse a ser uma junção de "restos" das culturas de fora. Como se o destino do Brasil é ser um eterno Frankenstein, uma aberração que juntasse de forma caótica as "sobras" do que vem de fora...

A questão do programa Mais Médicos trazer médicos estrangeiros tornou-se controversa por aparentemente refoçar o mito de receptividade ilimitada que o Brasil tem aos estrangeiros e que, infelizmente, é defendida por muitas autoridades, empresários e outros setores da sociedade.

Isso porque a ação emergencial lançada pelo governo Dilma Rousseff, de chamar médicos do exterior para atuar em cidades e Estados com maior carência de profissionais de Medicina, trabalhando nos serviços públicos de atendimento médico, está sendo superestimada pelos ideólogos da repectividade estrangeira, que querem não um Brasil brasileiro, mas um Brasil "mundializado", de preferência vassalo dos países ricos.

Afinal, a medida dos médicos estrangeiros, a exemplo do Bolsa Família e das cotas universitárias, é uma medida emergencial. Medidas como estas não podem ser vistas em caráter definitivo, seu sentido está mais em reparar grandes distorções sociais do que em soluções plenas para a vida toda.

Por outro lado, a grande mídia, ao observar o episódio dos médicos estrangeiros, implicou justamente com os médicos cubanos, até pela conhecida orientação política do país centro-africano. E logo surgiram reacionários de plantão, como a internauta do Facebook Cíntia Oliveira, que escreveu que esperava ver médicos cubanos "mortos por aí", como uma Mayara Petruso da hora.

Para quem não sabe, Mayara Petruso era uma estudante universitária que viveu seus "quinze minutos"de fama escrevendo mensagens ofensivas ao povo nordestino, causando uma repercussão tão negativa na Internet que a estudante ficou assustada.

Houve também o caso da jornalista potiguar Micheline Borges que escreveu o comentário infeliz: “Essas médicas cubanas têm cara de empregadas domésticas. Será que são médicas mesmo? Que terrível”, num duplo ataque a empregadas domésticas e médicas cubanas, carregado de preconceitos de classe e de cor.

Os profissionais cubanos viraram os "bodes expiatórios" de outro extremo, a xenofobia, carregada do direitismo mais reacionário. De Reinaldo Azevedo e Eliane Cantanhede a pessoas aparentemente comuns que lançam olhares de rancor a médicos cubanos chegando ao Brasil, nota-se o elitismo doentio que se disfarça de "reprovação natural" à investida de médicos estrangeiros no Brasil.

Isso porque o alvo se limita somente aos cubanos, por conta de serem de um país de orientação socialista e por isso o foco dos ataques das elites reacionárias. Até mesmo a sinistra blogueira Yoani Sanchez tentou desqualificar a medicina em Cuba, que até mesmo parte da sociedade conservadora no mundo inteiro admite ser uma das melhores do mundo.

Não que devamos reprovar também a chegada de argentinos, italianos, espanhóis etc. Se o governo Dilma já decidiu que chegassem médicos estrangeiros, agora é garantir que eles executem seus trabalhos. Desde que não tomem o lugar dos brasileiros, isso é até saudável. O que falta agora é estabelecer o processo de reciclagem ou cursos de extensão desses médicos no Brasil e investimentos pesados para garantir equipamentos modernos e em funcionamento.

Quanto à questão dos estrangeiros, não devemos pensar em xenofobia nem em abertura irrestrita aos estrangeiros. A própria direita que agora ataca o Mais Médicos por causa da medida é bem receptiva quando são empresas nacionais vendidas para os estrangeiros. Eles tentam embarcar em causas sociais para disfarçar seu elitismo, principalmente o medieval Reinaldo Azevedo, da decadente Veja.

O Brasil construiu sua nacionalidade a partir de sucessivas vindas de estrangeiros, sejam os ancestrais dos indígenas vindos da Indonésia e da Oceania, sejam portugueses, espanhóis, chineses, alemães, japoneses, norte-americanos etc. Bem dosada, a influência estrangeira enriquece e aperfeiçoa a vida dos brasileiros. Levada ao extremo, porém, pode significar a negação de nossa nacionalidade e a subordinação das imposições estrangeiras.

Portanto, o Brasil deve manter sua nacionalidade, num claro equilíbrio entre preservar sua identidade local e se abrir para as lições que chegam de fora. E que os médicos estrangeiros a residir no Brasil tenham um excelente trabalho.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

BARRETOS E AS DUAS FACES DA MOEDA DO BREGA



Por Alexandre Figueiredo

O brega há muito se fragmentou em tendências "populares" diversas, que não consistem na verdadeira diversidade cultural brasileira, mas são, antes de mais nada, diferentes "sabores" de um mesmo produto: a "cultura" brega.

Há, nos últimos anos, uma tentativa de polarização, no âmbito da música brega, entre tendências "tradicionais" e "comportadas" e tendências "arrojadas" e "polêmicas". Entre uma e outra, o "abraço" dos barões da grande mídia é explícito, mas no segundo caso a intelectualidade sempre arruma um jeito para justificar, mesmo de forma mentirosa, que os ritmos estão "à margem da grande mídia".

Antes era todo o brega que era promovido de forma igual por intelectuais e porta-vozes da grande mídia. De Waldick Soriano a Chitãozinho & Xororó, de Chiclete Com Banana a Mr. Catra, eram todos "pobres, excluídos e discriminados", por mais que estivessem ricos, incluídos e badalados pelo "abraço" da grande mídia.

Hoje, com alguns ídolos brega-popularescos revelando posturas nada progressistas  - de Chitãozinho& Xororó a Belo, de Zezé di Camargo & Luciano à Banda Calypso, sem falar dos irrecuperáveis É O Tchan e Latino - , o discurso de defesa da mediocridade cultural hegemônica no Brasil teve que se dividir em duas frentes: a "tradicional" e a "arrojada".

Nesta segunda forma de defesa retórica, o carro-chefe é o "funk", e agora que o cenário do Rio de Janeiro está negativamente visado - seja pelo inegável patrocínio das corporações midiáticas, seja pela repercussão negativa das baixarias e ocorrências criminais - , o foco mudou completamente para o "funk ostentação".

Mas existe o outro lado, o "mais tradicional", aquele que encontra no Domingão do Faustão sua maior arena eletrônica. E cuja ênfase está nos medalhões do neo-brega - tendência dos anos 90 que juntava o brega dos anos 70-80 com clichês da MPB pasteurizada dos anos 80 - , sobretudo ligados à axé-music, ao "pagode romântico" e principalmente ao "sertanejo".

E é aí que entrou a festa anual de Barretos, evento que junta rodeios com apresentações musicais quase sempre de ídolos bregas. Aparentemente, é o contraponto mais "família" para o "agressivo" e supostamente controverso "funk carioca", que representa o pólo "rebelde" do aparente maniqueísmo da música brega.

E aí Barretos se torna o "paraíso astral" tanto de supostos sertanejos "de raiz" quanto o chamado "sertanejo universitário", detentores de um mercado escancaradamente patrocinado por latifundiários, empresários de agronegócio e por políticos ruralistas de tal modo que nomes como Victor & Léo evitam serem fotografados ao lado da senadora ruralista Kátia Abreu.

Mas evitar isso não adianta muito, já que, em eventos como Barretos, cantores "sertanejos" e políticos ruralistas se encontram de uma forma ou de outra. E a conhecida festa do peão boiadeiro, o maior evento realizado no interior paulista, tem o claro apoio de políticos do porte de Geraldo Alckmin, conhecido pelo seu ultraconservadorismo.

Daí que não funcionou para as esquerdas médias - que querem a verdade histórica da ditadura militar, exceto para o direitista Waldick Soriano - fazer blindagem com breganejos. O caso Zezé di Camargo & Luciano e seu filme Os Dois Filhos de Francisco gerou uma chorosa blindagem intelectual, mais lacrimosa do que o dramalhão a que se transformou a biografia dramatizada dos dois cantores goianos.

Daí o constrangimento que as esquerdas médias tiveram quando, depois de obrigarem as esquerdas em geral a aceitarem a "superioridade artística" da dupla, equivocadamente associada ao esquerdismo pela superestimação de seu voto à eleição de Lula, ao verem Zezé, o principal cantor, se mobilizar contra o presidente, não bastasse o fato dele e seu irmão terem votado no "demo" Ronaldo Caiado.

Mas o remorso só se deu quando houve o aspecto patético das esquerdas médias - teleguiadas por intelectuais vindos da centro-direita - em fazer blindagem com o fenômeno "mundial" do também breganejo Michel Teló, ligado a formas "modernas" de breganejo, já ligado a uma subdivisão do "sertanejo universitário", o "sertanejo pegação".

Depois do "mico" de ter promovido como "libertário" um ídolo muito criticado por refrões vazios como "Ai, ai / Assim Você Me Mata" e que estava se expondo demais na grande mídia para ser tido como "discriminado" pela mesma, as esquerdas médias preferiram defender sua visão de "diversidade cultural" deixando de lado o mainstream da música brega.

Daí que a festa de Barretos repercutiu apenas nos cenários da grande mídia. A "militância" que tenta nortear as esquerdas a apoiar o populismo de mercado do brega preferiu dar sua choradeira à batalha perdida de não poder mais defender com convicção o altamente rejeitado "funk" do Rio de Janeiro, apostando todas as suas lágrimas à "novidade" da cena paulista do "funk ostentação".

COLETIVO FORA DO EIXO E O CASO CABO ANSELMO


Por Alexandre Figueiredo

A comparação soa pesada e os contextos são diferentes, mas não há como ignorar as semelhanças entre o fenômeno Coletivo Fora do Eixo / Mídia Ninja e a Revolta dos Marinheiros de 50 anos atrás, episódio cujo desfecho acabou impulsionando o golpe militar de 1964.

Em 1963, o Brasil discutia as reformas de base prometidas pelo então presidente da República, João Goulart. Reforma política, reforma tributária e sobretudo reforma agrária estavam entre as prioridades. Já se falava, timidamente em relação a hoje, em reformulação da mídia, que hoje é um dos pontos centrais dos movimentos sociais.

Naquela época, não havia Internet e a televisão brasileira mal começava a experimentar a novidade do videoteipe, usada então por poucas emissoras. A grande imprensa exercia supremacia e o rádio, longe da queda não-assumida de audiência de hoje, impulsionou um crescimento enorme da audiência de então por conta dos aparelhos portáteis.

Já se falava, nos bastidores da intelectualidade e dos movimentos esquerdistas, de uma escandalosa negociação entre Roberto Marinho e o grupo Time-Life para a implantação de uma emissora de TV com outorga de responsabilidade da Rádio Globo do Rio de Janeiro. Não é preciso dizer que se trata da mesma TV Globo que volta à pauta por conta da sonegação fiscal e queda de audiência.

Se as esquerdas médias hoje se deslumbram com Paulo César Araújo com suas pregações em prol do brega, as de 50 anos atrás se divertiam com um livro do húngaro naturalizado brasileiro Peter Kellemen, Brasil para Principiantes, cujo sucesso se deu até seu autor ser desmascarado depois como um pilantra que fazia golpes com uma falsa loteria.

Era o ano do primeiro LP dos Beatles, da ascensão de Brigitte Bardot, do auge da Bossa Nova, da ressaca das comemorações pelo bicampeonato de futebol do ano anterior, da transição do cenário da música jovem brasileira da geração "Estúpido Cupido" e "Broto Legal" para os primeiros preparativos para a Jovem Guarda batizada na década seguinte, com Sérgio Murilo deixando passar a "coroa" para o capixaba Roberto Carlos.

Nas esquerdas, havia a atuação intelectual do ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros) e do CPC da UNE (Centro Popular de Culturada União Nacional dos Estudantes) que discutiam a cultura brasileira como um processo de trabalhar o crescimento social das classes populares, num tempo em que o controle das elites midiáticas pela "cultura de massa" era incipiente.

Ídolos bregas - não com esse nome, e mal a palavra "cafona" começava a ser difundida a partir dos textos de Carlos Imperial - já haviam, como Orlando "Tenho Ciúme de Tudo" Dias e Waldick Soriano, mas eles não exerciam supremacia. E ninguém os promovia como se fosse "ativismo libertário" nem "arte superior", não haviam tais pretensões no Brasil de 1963.

Não havia MST, mas as Ligas Camponesas. Se hoje temos PT e PSDB, antes o "B" estava em posição inversa, com o PTB e PSD polarizando a política, respectivamente, em centro-esquerda moderada e em centro-direita modernizada. O PTB e o PSD existem atualmente, mas não são a sombra do que foram nos tempos de Jango e Juscelino Kubitschek.

As forças progressistas acirravam os debates e as pressões pelo cumprimento das reformas de base prometidos por Jango assim que recuperou o direito de governar. Ele havia sido empossado, depois de ameaçado de perder o cargo, devido à mobilização pela legalidade constitucional, liderada pelo cunhado Leonel Brizola, mas sob a condição de governo parlamentarista, opção derrubada pelo plebiscito do começo de 1963.

Nesse período, Paulo Freire difundia seu Movimento de Cultura Popular com um método de ensino que, além de ensinar as pessoas a ler e a escrever bem, estimulava a compreensão crítica de sua própria realidade e de bandeja ainda ensinava a fazer jornalismo alternativo. Enquanto isso, os CPCs debatiam os rumos da cultura brasileira através do resgate das manifestações artísticas de raiz.

De repente, entre as desavenças entre direita e esquerda, surge numa revolta de marinheiros por reivindicações inegavelmente justas - como um sargento poder ser eleito para o Poder Legislativo - uma figura estranha de um jovem sargento de 22 anos, José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo. A revolta ocorreu somente em março de 1964, mas foi condicionada pelo contexto do ano anterior.

Com aparência que lembrava mais um típico integrante de banda de rock daquela época, o Cabo Anselmo (cuja aparência hoje lembra um Jerry Garcia mais complexado) se apresentava como porta-voz dos pracinhas e, dizendo-se esquerdista, evocava as reivindicações de seus colegas.

Os generais que já se incomodavam com o presidente João Goulart prometendo reformas sociais que comprometiam os privilégios das classes dominantes também se sentiram perturbados com a manifestação de Anselmo, que havia rompido com a hierarquia militar já que pracinhas não poderiam ter o mesmo poder de decisão dos oficiais.

Cabo Anselmo surgiu para desestabilizar o debate de então, e causou mais reboliço do que poderiam causar figuras como Francisco Julião, das Ligas Camponesas. E aparentemente Cabo Anselmo parecia uma figura libertária, carismática, tanto que João Goulart, depois que decidiu prender os revoltosos, os anistiou, o que enfureceu os oficiais que passaram a se mobilizar pelo golpe que o derrubou.

E hoje, 50 anos depois? Houve uma onda de manifestações populares de diversos tipos, ideologias e estratos sociais, reivindicando as reformas sociais de hoje, não muito diferentes das de 50 anos atrás - sobretudo a reforma agrária - , embora com uma ênfase maior na questão dos transportes públicos e um destaque ascendente à necessidade de regulação da mídia.

E eis que, de repente, surge um grupo de jornalistas "provocativos" que num ato de marketing "combativo", foi detido pela polícia. Esse grupo tornou-se conhecido como Mídia Ninja, que logo se identificou como grupo associado ao Coletivo Fora do Eixo, comandado por Pablo Capilé.

Com o episódio, a exemplo da Revolta dos Marinheiros de 1964, a discussão foi desestabilizada e, de repente, os movimentos sociais se reduziram à grife do Coletivo Fora do Eixo. Como no caso Cabo Anselmo, questões importantes ligadas às reformas sociais foram deixadas em segundo plano, com a preocupação de se discutir a reputação de determinadas figuras controversas.

O caso Cabo Anselmo teve um desfecho ruim. Anselmo se assumiu agente da CIA e denunciou vários colegas e até uma ex-namorada para a repressão militar. Ele disse numa entrevista que havia "cansado de ser comunista" e "não gostava dos excessos das guerrilhas", mas no fundo seu esquerdismo sempre foi uma fraude, desde o começo.

Já o Coletivo Fora do Eixo, embora oficialmente seja apenas um grupo "independente" financiado pelo PT, demonstra ser adepto das ideias da Soros Open Society, empresa do magnata e especulador financeiro George Soros, como comprova a campanha dos integrantes do Instituto Overmundo, principal braço acadêmico do FdE, pela divulgação do "negócio aberto" defendido por Soros.

Embora haja a empolgação um tanto romântica das esquerdas em relação ao Coletivo Fora do Eixo, ainda é cedo para sair comemorando e um tanto arriscado atribuir qualquer revolução ou renovação ao FdE e à pessoa de Pablo Capilé. A História dirá depois.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

DEFESA DO "FUNK" OU APOLOGIA AO RACISMO?

SOB O PRETEXTO DE ASSOCIAR O "FUNK" À NEGRITUDE, INTELECTUAIS ESTARIAM  DEPRECIANDO OS NEGROS POBRES.

Por Alexandre Figueiredo

O discurso de defesa do "funk" agora mudou de foco. Deixou de lado, não por completo, mas pelo menos de forma prioritária, a defesa do "funk" feito no Rio de Janeiro, visado negativamente pela  opinião pública, para apostar suas fichas no "funk ostentação" paulista, que soa novidade e é reforçado pela repercussão nacional do assassinato de um dos seus nomes, MC Daleste.

O "funk", tido agora como "mais paulista do que carioca" pela intelectualidade "soros-positiva", precisa agora mudar o seu discurso. Sem deixar de lado alegações repetitivas e chorosas de "vítima de preconceito" e "expressão das periferias", agora precisa reforçar os argumentos de defesa na medida em que aumenta a rejeição popular ao ritmo.

Agora a intelectualidade precisa vincular o "funk" ao "caldo cultural" brasileiro, jogando o ritmo dentro de "modernismos e antropofagias, saudosas malocas e modernas tropicálias", nas palavras do aluno-modelo de Otávio Frias Filho, Pedro Alexandre Sanches, por ora passeando agora pelas ciberredações de esquerda.

A própria intelectualidade que defendia o brega-popularesco e empurrava goela abaixo para as plateias alternativas e progressistas uma linhagem de bregas que ia de Waldick Soriano a Mr. Catra, pouco importando o "abraço" dos barões da grande mídia a eles, antes discriminava a MPB autêntica, jogando-a para dentro de seus armários particulares para apreciação privada em suas casas.

Hoje mudam de estratégia. Precisam "liberar" os "malditos" da MPB autêntica para uma parcela "menor" das classes médias e baixas consumirem. Algo que a grande mídia fez no final dos anos 90, quando, pressionada por discriminar a MPB em prol dos neo-bregas, "liberou" os medalhões da MPB e tentou um vínculo com os neo-bregas vigentes.

Daí, por exemplo, duetos como entre Zé Ramalho, o "medalhão", e Chitãozinho & Xororó, os neo-bregas. Algo não para exatamente sofisticalizar, aos poucos, o gosto popular que envolve também o das classes médias baixas e as classes baixas, mas de empurrar a breguice hegemônica para o público mais selecionado.

A COISA ESTÁ MAIS ORGANIZADA

Hoje a mesma coisa é feita num contexto mais "arrojado" e num cenário "progressista". Mesmo que a intelectualidade se esforce, não sem constrangimento, tapar o sol do apoio da grande mídia com a peneira.

Junta-se então os excluídos do mainstream da MPB com os supostos "excluídos" do brega e derivados. Podendo ser até Michael Sullivan, que havia tido, na música brasileira dos anos 80, o poderio que Ali Kamel hoje tem no jornalismo da Rede Globo. Mas que o "caldo" (ou o caldeirão; Luciano Huck que o diga) tenha que incluir sobretudo o "funk".

Afinal, o "funk" é uma forma de manter a população pobre sob o controle remanescente dos dissidentes do baronato midiático, que foram seduzir as esquerdas no exato momento em que o barco da grande mídia começa a afundar. Alguns bons alunos dos barões da mídia foram espertos o suficiente para armarem trincheira no lado oposto, antes de serem tragados pelo desgaste que sofrem seus mentores.

O que surpreende, no entanto, é que a situação está bastante persuasiva, a coisa está mais organizada. Não são apenas artigos como o de Milton Moura, lá na Bahia, fazer defesa das baixarias do É O Tchan, nem Mônica Neves Leme, na surdina, entregar as mesmas baixarias na conta do poeta Gregório de Mattos, falecido há mais de 300 anos e cujos restos mortais se perderam.

Hoje são grupos de ativistas, grupos de intelectuais, políticos, todo o Ministério da Cultura engajado - pelo menos a corrente comandada por Gilberto Gil e Juca Ferreira - , alguns esquerdistas médios e o "namoro escondido" com os barões da grande mídia. Todo esse movimento organizado para promover a domesticação das classes pobres com o "funk".

REJEIÇÃO ATRIBUÍDA AO RACISMO

E o "funk", agora com campanhas cada vez mais chorosas, utiliza como "desculpa" o racismo para invalidar a ampla rejeição que recebe do público. E que agora, "queimado" pelas notícias criminais, pelas associações às baixarias e pelo envolvimento com a velha grande mídia, o "funk" recicla seu discurso com outras caras e outros lugares, através do "funk ostentação".

É uma forma de tentar ganhar tempo enquanto o "funk" recicla o mercado carioca se realimentando da reputação paulista. Embora o "funk ostentação" soe confuso, promovendo "cidadania" misturando "proibidões", "popozudas" e letras exaltando a riqueza e o luxo, ele tem o caráter "novidadeiro" por ter sido uma cena surgida mais recentemente.

Portanto, misturando seus equivalentes paulistas de Anitta, MC Federado & Os Lelekes, Naldo Benny, Mr. Catra, MC Smith e MC Cidinho & MC Doca, com uma estética "nova" importada do gangsta rap, reforçam todo o discurso "ativista" que há dez anos tenta promover a supremacia do "funk" na cultura brasileira.

Só que a argumentação, muitas vezes, pega pesado demais nas acusações contra quem rejeita o ritmo carioca agora com "filial paulista". A intelectualidade agora atribui a rejeição a um suposto sentimento de racismo por parte dos detratores do gênero.

"O 'funk' é rejeitado porque é feito por negros", é a desculpa geral agora difundida pela intelectualidade dominante. Sem medir escrúpulos para o exagero da acusação, afinal nem todos os envolvidos no "funk" são negros, a onda agora é forçar a barra das acusações indevidas para colocar os funqueiros como "vítimas" mais uma vez.

FEITIÇO CONTRA O FEITICEIRO

O que pode ocorrer com a pregação intelectual em favor do "funk" é que o feitiço poderá se voltar contra o preconceito, quando ela tenta associar o ritmo à ideia de negritude. Isso porque, se analisarmos a simbologia do "funk" em sua praxe, a associação da negritude pode significar não a defesa da negritude, mas uma possível prática de racismo contra os negros.

O "funk" está associado à ideia de glamourização da pobreza, ou seja, da pregação da ideia, bastante discutível, de que "ser pobre é lindo". Junto a isso há a exaltação dos mais baixos valores morais, relacionados sobretudo a sexo e criminalidade, incluindo a exploração da imagem da mulher (inclusive negra) como objeto sexual e a incitação à pedofilia até dentro de "bailes funk".

A intelectualidade "relativiza" esses valores e, sem detalhá-los, os define como "positivos", a pretexto de serem "valores do outro". "O que para nós é imoralidade para as periferias é sinônimo de felicidade e aumento de auto-estima", é o que costumam argumentar.

Só que associar a negritude ao "funk" tem esse preço, o de associar a negritude aos valores negativos vinculados ao ritmo. E isso pode soar uma postura sutilmente racista por parte da intelectualidade, para a qual a imagem do negro pobre está sempre associada a valores pejorativos, pouco importa se eles são "positivamente" descritos sob o pretexto da "alteridade cultural".

Daí o problema da intelectualidade forçar a barra na apologia ao "funk". Não conseguindo argumentar de forma mais nobre, agora partem para acusações fortes, mesmo difundidas "com categoria". É verdade que não vivemos mais a realidade de 150 anos atrás, mas às vezes a intelectualidade dominante parece estar vivendo nos tempos dos velhos engenhos escravistas da cana de açúcar...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

GEORGE SOROS PATROCINA ATÉ TECNOBREGA E "FUNK OSTENTAÇÃO"


Por Alexandre Figueiredo

Pesquisando sobre as verdadeiras "redes" que estão por trás do "inocente" apoio das esquerdas médias à bregalização cultural do país - há poucos dias Juca Ferreira havia feito sua "choradeira" num centro cultural em Vila Cachoeirinha, em São Paulo, na palestra inaugural de um "fórum" sobre o "funk" - , nota-se a influência, mesmo indireta, do especulador financeiro e empresário George Soros.

George Soros, sabemos, quer ser o "dono do mundo" e manipula a geopolítica internacional a seu bel prazer. E sua influência no Brasil, embora subestimada e carente de qualquer investigação oficial, torna-se muito forte, mesmo em setores estratégicos das esquerdas nacionais.

Oficialmente, a associação de George Soros ao Brasil se limita ao apadrinhamento de Fernando Henrique Cardoso e Armínio Fraga (economista ligado ao Instituto Millenium) e ao apoio à campanha eleitoral de José Serra em 2010. Ele é também associado à sua forte presença no Fórum Econômico Mundial e nas suas "apostas" para derrubar ou levantar empresas em várias partes do mundo.

Soros é dono de empresas como Soros Fund Management e Soros Open Society. Mas também é interventor financeiro de várias ações ativistas do mundo inteiro. Foi preciso um grupo ativista da Índia denunciar o patrocínio de George Soros ao Fórum Social Mundial (entidade paralela e alinhada à esquerda ao Fórum Econômico Mundial) para se alertar sobre esse "apoio" perigoso.

Recentemente, denunciou-se a participação de George Soros como sócio do portal ativista Avaaz.Org, um dos portais que se destinam ao aparente ativismo social, econômico e político de âmbito internacional. É de praxe George Soros subornar as esquerdas e centro-esquerdas do mundo inteiro para tentar domesticar as ações ativistas, do Oriente Médio à América Latina.

DESPEJANDO DINHEIRO NAS ESQUERDAS

Mas o que chama a atenção é que Soros estaria despejando dinheiro direto nas esquerdas brasileiras. E impressiona a citação do especulador financeiro em destaque num texto sobre a palestra do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva no evento de premiação "Em Busca da Paz", em Nova York, no portal do PT. Soros é definido "positivamente" como "megainvestidor e filantropo".

Manipulando o PT e o PSDB como se quisesse criar uma polarização ideológica no Brasil, aos moldes do que ocorre nos EUA entre o Partido Democrata e o Partido Republicano, George Soros é associado a diversos investimentos em instituições esquerdistas diversas, de ONG's a empresas estatais. Ele chegou a ser sócio da Petrobras nas ações do Soros Fund Management (leia aqui).

George Soros está por trás de muitas iniciativas das esquerdas médias, como as "marchas da maconha" e a divulgação do "negócio aberto". Estaria patrocinando o Coletivo Fora do Eixo e no surgimento da Mídia Ninja que vieram para desestabilizar a independência dos protestos populares por todo o país.

Se ele patrocinou as campanhas eleitorais do Partido Democrata, nos EUA, e teria também dado seu "aval" à blogueira Yoani Sanchez, no Brasil sua ação se estende desde as gorjetas ao PT e o patrocínio a pessoas como o advogado Ronaldo Lemos e o "ativista" Pablo Capilé, num tempo em que o Coletivo Fora do Eixo tenta monopolizar sua marca e imagem nos movimentos sociais.

Ronaldo Lemos, apesar de queridinho das esquerdas médias, possui trânsito na mídia tradicional, tendo sido cria da Folha de São Paulo hoje com acesso no Estadão e nas Organizações Globo. É o maior propagandista do "negócio aberto" de Soros, esquema que ainda merece uma análise mais apurada em outra ocasião.

Lemos escreveu um livro sobre o tecnobrega, intitulado Tecnobrega: O Pará Reinventando o Negócio da Música, escrito em parceria com Oona Castro. O tal "negócio" do título seria o "negócio aberto", que estaria por trás do mito do "copyleft", que combina livre mercado, comércio clandestino e flexibilização da propriedade autoral.

O tecnobrega - e, por causa, o "funk carioca" e, por consequência, o "funk ostentação", que se apoiam nos mesmos padrões ideológicos - seria uma forma de execução do "negócio aberto" de George Soros, e Oona fez uma palestra sobre o "negócio aberto", que é uma das bandeiras do Instituto Overmundo, uma das instituições que mais estabelecem vínculo com o Coletivo Fora do Eixo.

O Instituto Overmundo teve a participação do antropólogo Hermano Vianna na equipe fundadora, ele que é um dos maiores divulgadores do "funk" na intelectualidade brasileira. Mas, à primeira vista, Hermano é patrocinado diretamente não por Soros, mas pela Fundação Ford, que atua na mesma "frente" de Soros, só que de uma maneira aparentemente mais "moderada" e "menos ambiciosa".

Enquanto isso, uma casa ligada ao Coletivo Fora do Eixo em Jequié, o Coletivo Borda da Mata, havia realizado um evento de solidariedade à blogueira neocon Yoani Sanchez e o cineasta Dado Galvão, ligado ao Instituto Millenium, que fez um documentário sobre a blogueira cubana e a recebeu em sua turnê pelo Brasil.

Completando a rede "soros-positiva", há o patrocínio de Soros ao projeto Jornalismo nas Américas, o último grito do imperialismo "panamericano" em tempos democráticos pós-Kennedy, promovido pelo Centro Knight da Universidade do Texas, que, curiosamente, escaneou um livro de Pedro Alexandre Sanches, hoje blogueiro do Farofa-fá, para sua conta (acessível sob conta paga) no Google Livros.

Pedro Sanches, sabemos, é cria do Projeto Folha - projeto "higienista" de Otávio Frias Filho que expulsou antigos esquerdistas da Folha de São Paulo - , discípulo de Fernando Henrique Cardoso e Francis Fukuyama e membro militante do Coletivo Fora do Eixo, além de ser um dos "papas" da campanha pela bregalização do Brasil e pela implantação do "fim da História" na MPB.

Enquanto isso, a chorosa campanha pelo "funk" muda o foco geopolítico do Rio de Janeiro - onde o ritmo anda sendo desmascarado pela opinião pública independente - para São Paulo, onde o confuso "funk ostentação" (que mistura "proibidões" e "popozudas" numa retórica "ativista") segue sob as "generosas gorjetas" de George Soros dissolvidas junto a verbas públicas.

É assim que as causas ativistas se diluem e se distorcem no Brasil, enquanto a mediocrização cultural, defendida pela intelectualidade dita "progressista", serve para as populações pobres permanecerem, domesticadas e impotentes, escravas do consumismo do entretenimento brega-popularesco que, sob o pretenso rótulo de "cultura das periferias", enriquece empresários do Brasil e até do exterior.

domingo, 25 de agosto de 2013

A INTELECTUALIDADE E A PEDRA DO SAPATO DO "FUNK"


Por Alexandre Figueiredo

Evidentemente, o "funk" é a última herança da ditadura midiática, defendida de forma desesperada por uma parte influente, mas pouco confiável, da intelectualidade, apesar de muita gente botar a mão no fogo por ela.

E a intelectualidade, em pânico, se inquieta com o alto índice de rejeição que o ritmo sofre que, estrategicamente, deixou de lado a defesa do cenário funqueiro do Rio de Janeiro, bastante visado negativamente pela opinião pública, para fazer a defesa se concentrando no foco do "funk ostentação" que, apesar de confuso e contraditório, soa como se fosse uma "novidade".

 Nos últimos argumentos apresentados pelas esquerdas médias, que tão lacrimosamente defendem o "funk" como se fosse um ritmo "linchado" e "derrotado" pela sociedade - situação bem diferente do que a grande mídia mostra, com os funqueiros triunfantes abraçados aos barões da mídia - , nota-se uma leve mudança estratégica na medida em que as pressões contra o ritmo são muito grandes.

Uma das estratégias foi observada no texto da ativista Jarid Arraes sobre a funqueira Anitta. Antes, havia uma preocupação da intelligentzia em apoiar o "funk" como um todo, até mesmo formas comportadas como o "funk melody". Apenas se estava "autorizado" a falar mal do Latino, até pela imagem sensacionalista a que ele está associado.

Agora, no entanto, se "pode" criticar o "funk melody", até para "fortalecer" o simulacro de debates e polêmicas que atinge o ritmo, e tentar desfazer o vínculo que o "funk" possui na grande mídia, e cuja parceria entre a Globo e o "funk" do Rio de Janeiro "queimou" demais a imagem do estilo, juntamente com a associação a clubes esportivos e outros contextos claramente mais comerciais.

A ligação do "funk" com a grande mídia foi tão forte que seus "militantes" adotaram uma outra estratégia: estar "acima das ideologias". Tentam unir, assim, a contraditória postura da visibilidade midiática com a reputação "progressista", ainda que, nesse discurso, eles esbarrem em pensadores como Francis Fukuyama, que usou esse argumento para justificar o "fim da História".

Isso não impede que manobras de tentar associar o "funk" às esquerdas continuem sendo feitas, como a ênfase da presença do ex-ministro do governo Lula, Juca Ferreira (do grupo hostil ao de Ana de Hollanda e do ECAD, e próximo de Gilberto Gil e do Coletivo Fora do Eixo) numa palestra inaugural sobre "funk" num centro cultural da Vila Cachoeirinha, periferia de São Paulo.

Curiosamente, esse Centro Cultural da Juventude tem o nome da falecida antropóloga Ruth Cardoso, que havia sido esposa, até o fim da vida, do sociólogo e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e foi uma das que apadrinharam a carreira acadêmica de Hermano Vianna, um dos propagandistas do "funk".

ARGUMENTOS RACISTAS "POSITIVOS"

O que se observa, no entanto, é que os defensores do "funk" agora usam argumentos "positivamente" racistas para justificar a "importância" do estilo. Como se não bastasse acusar a rejeição do "funk" a um contexto moralista-elitista que só existiu há uns cem anos atrás, agora usam o fato de que o "funk" é rejeitado porque seus intérpretes e fãs são negros.

Isso é um desvio de foco, mas rende uma argumentação engenhosa que arranca aplausos nas plateias. Tanto Jarid Arraes quanto o ex-ministro Juca - que inaugurou um "ciclo de debates" que teve MC Leonardo e o "pesquisador do funk", o professor da USP Danilo Cymrot e o documentarista Montanha - citaram a alegação "racista" que alimenta a propaganda do "funk".

Essa alegação se baseia no mito de que o "funk" seria uma expressão "moderna" da negritude brasileira. O funk autêntico (Tim Maia, Black Rio, Cassiano), sim, podemos dizer que é expressão da negritude. Mas esse som voltado a exaltar o grotesco, não. Além disso, os empresários-DJs não são necessariamente negros, e nem estão preocupados em zelar pela cultura negra brasileira.

Até o "tamborzão" foi feito mais por objetivos turísticos do que culturais. E, além disso, associar o "funk" à negritude pode sugerir um problema, como em muitos na intelectualidade "sem preconceitos" mas bastante preconceituosa que prega a supremacia do "mau gosto" na cultura brasileira.

Isso porque o "funk" adota uma imagem estereotipada e caricata do povo pobre. Seu princípio maior é a glamourização da pobreza e da miséria. E isso vale desde os MCs do "funk de raiz" até as "mulheres-frutas" com seus sorrisos retardados nas páginas dos jornais "populares". É aquele velho mito da intelectualidade "pequeno-burguesa" de que a "pobreza é linda" e a "ignorância é pura".

A partir dessa perspectiva, o povo negro também é reduzido a uma imagem caricatural trabalhada pelo "funk". Como ocorre, em Salvador, com a imagem de "bobo alegre" e "tarado" no chamado "pagodão" de grupos como Psirico, Parangolé e outros. Isso expressa uma alusão sutil ao racismo, escravizando o negro na imagem produzida por esses ritmos "populares" patrocinados pela grande mídia.

Portanto, soa muito perigoso dizer que a rejeição sofrida pelo "funk" é fruto de racismo. As pessoas que rejeitam o "funk" apreciam artistas negros, de Jimi Hendrix a Roberto Silva, de Bob Marley a Agostinho dos Santos, de Bessie Smith a Jovelina Pérola Negra, de James Brown a Itamar Assumpção. Não há como associar qualquer ação racista nisso.

Por outro lado, a evocação de pretextos raciais para reforçar a propaganda do "funk" pode sugerir um processo de discriminação racial contra o negro, na medida em que ele se torna prisioneiro de sua imagem caricata e grotesca vinculada pela mídia, através do "funk" e outros ritmos similares.

E A REGULAÇÃO DA MÍDIA? - Os riscos da campanha pela democratização dos meios de comunicação ir por água abaixo aumentam na medida em que a causa começa a ser diluída por gente "solidária" que não quer difundir culturas diferentes daquelas já difundidas pela grande mídia.

É aquela turma que apenas quer apenas arrancar os "anéis apertados" da "urubologia" do noticiário político ou do humorismo humilhador. Fora Merval Pereira, fora Marcelo Tas, fora Eliane Cantanhede, mas que continuem as "banheiras do Gugu" apenas alternando com reportagens sobre Educação pública, atividades sindicais e outros projetos de cidadania.

A turma que quer que a regulação da mídia seja uma alternância "menos monótona" de baixaria e cidadania - às vezes com a "provocativa" mistura dos dois - até agora não posicionou-se sobre a relação do "funk" com a regulação midiática, da qual os funqueiros não adotaram um posicionamento oficial.

No discurso eles se dizem a favor, mas não detalham muito a respeito, se limitando a uma postura vaga e genérica. Mas, na prática, eles não podem ser contra os monopólios da mídia que dão visibilidade, espaço e rentabilidade para eles.

A intelectualidade se limita a dizer apenas que os funqueiros dominam as novas tecnologias da informação e são divulgados por rádios "comunitárias", o máximo que podem dizer relacionando "funk" e mídia alternativa. No mais são apenas posturas vagas, porque se existe muita gente defendendo o "funk", as pessoas que o questionam não são poucas.

Daí o "funk" ser a pedra do sapato da intelectualidade que o defende.

sábado, 24 de agosto de 2013

A INTELECTUALIDADE SE ESQUECEU DA CULTURA BRASILEIRA


Por Alexandre Figueiredo

Nas pregações da intelectualidade associada aos movimentos sociais e às pesquisas acadêmicas, nota-se um grande erro, gravíssimo para pessoas que se comprometem a se solidarizar com as classes populares e a analisar sua cultura. É que tais pessoas se esqueceram da verdadeira cultura brasileira, mais preocupadas com a "ditabranda do mau gosto".

É de impressionar que, na visão de certos ativistas e intelectuais, que se gabam de estabelecer um contato "orgânico" com as populações das periferias, as favelas só "curtem" hip hop e "funk". Uma visão simplória, e bastante equivocada, e que tenta "folclorizar" uma realidade construída pelos mecanismos da grande mídia.

A grande mídia atinge as periferias não da forma do noticiário político do qual as pessoas geralmente não entendem. Merval Pereira, por exemplo, é pouco atraente na sua aparência de aristocrata dos anos 1920 e muito rebuscado para os padrões médios do "povão". Reinaldo Azevedo, nem se fala, os salões de barbear e as salas de espera dos hospitais públicos evitam ler suas páginas.

Do outro lado da mesma moeda, Luciano Huck não manipula apenas pelos escândalos pessoais ou pelo apoio que dá ao PSDB. Isso, aliás, não é mecanismo de manipulação, é defeito pessoal mesmo. Huck manipula através das mesmas causas defendidas pela mesma intelectualidade que defende o "funk", o brega, o tecnobrega etc.

Temos um patrimônio cultural brasileiro muito melhor do que as coisas rasteiras que simbolizam o sucesso fácil e a supremacia do "mau gosto popular". Sambas, modinhas, baiões, xaxados, maxixes, cocos, lundus, jongos, catiras e muitos outros ritmos que hoje, praticamente, foram privatizados pela intelectualidade ideologicamente formada na Era FHC.

De repente, a antiga MPB só é lembrada para a intelectualidade buscar algum vínculo nobre à supremacia do "mau gosto", ou para que a intelectualidade que defende a mediocrização cultural nos faça crer que "não discrimina a cultura de qualidade".

PARA INTELECTUAIS, MÍDIA E TECNOLOGIA SÃO "PURAS"

Em espaços como o Farofa-fá, a MPB autêntica aparece só para lembrar de um "tempo lindo que passou". Novos Baianos, Joyce, Sérgio Sampaio, Sérgio Ricardo, Itamar Assumpção, Alceu Valença... Tudo lindo, mas "superado" por gente "de verdade" (sic) como Michel Teló, Gaby Amarantos, Michael Sullivan, Leandro Lehart, Mr. Catra, Zezé di Camargo, Calcinha Preta e por aí vai.

O povo pobre deixou de ser criador de sua própria cultura e passa a ser consumidor. Enquanto isso, é "estimulado" a "criar", de forma "recriativa" (ou "recreativa"?) referenciais ditados de cima para baixo pelo poder radiofônico, televisivo e fonográfico.

O grande problema é que a intelectualidade chega no "meio" da festa do "mau gosto" popularesco. Não sabe sequer metade do processo que ocorre por trás. Acredita numa "pureza" dos meios de comunicação e da indústria fonográfica que lidam com o brega-popularesco e sua música que suas visões "etnográficas" parecem extraídas de um conto de fadas.

É risível. Sabe-se que os barões da mídia e do mercado fonográfico apoiam abertamente os ídolos bregas, funqueiros e similares. Mas, para o discurso intelectual, é tudo "mídia independente" ou "alternativa", em discurso que encaixa bonitinho em monografias e nas imagens de documentários, mas é vazio de veracidade.

Afinal, são rádios, TVs e gravadoras que expressam o poderio das classes dominantes regionais. E um mercado de entretenimento que é aliado desse esquema. Se creditarmos toda essa indústria de "funk", tecnobrega e similares como "pobre", como é que acontece toda essa tecnologia de ponta de parte de "produtores" que, em tese, não têm dinheiro para adquirir um sítio?

E A MÚSICA DE QUALIDADE?

A intelectualidade tenta enrolar e iludir a opinião pública achando que vai melhorar o brega-popularesco com mais dinheiro, sobretudo nas verbas estatais e na regulamentação dos investimentos privados, mas isso só mexe no aspecto econômico da coisa.

Maquiar a breguice jogando ídolos brega-popularescos a gravar sucessos da MPB autêntica e maquiar os arranjos não contribuiu até agora para melhorar a cultura brasileira. Pelo contrário, a música de qualidade nunca esteve na alma dos "artistas" bregas e tudo o que eles fizeram é um mimetismo técnico que apenas engana nas aparências.

A música brasileira de qualidade continua ignorada pelo grande público e discriminada pela grande mídia. Quando muito, ela é apreciada pelo "povão" como se fosse música estrangeira. O patrimônio musical do povo brasileiro ainda não lhe pertence. O povo primeiro tem que mostrar o que tem de ruim para tomar emprestado da intelectualidade o patrimônio musical que outrora lhe pertenceu.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A FINA FLOR DA DITADURA MIDIÁTICA


Por Alexandre Figueiredo

O "funk" possui um poderoso lobby que promove um jogo duplo na mídia e quer se prolongar no mercado estimulando a glamourização da pobreza sob o verniz do "ativismo sócio-cultural", num discurso que tanto agrada os barões da mídia quanto seduz as forças progressistas com nível contestatório ainda frágil.

Os defensores do "funk" agora adotam um discurso de que "não são de direita nem de esquerda", forjando um "universalismo" ideológico que tenta ampliar espaços. Se já era ambicioso o discurso que, a pretexto de querer preservar seus próprios espaços, quer ampliá-los a ponto de empurrar "bailes funk" até em redutos de Bossa Nova, a coisa piorou de vez.

É evidente que o "funk" tenta essa desculpa de "independência ideológica" para levar vantagem nos dois planos ideológicos. É a lei do mercado, estúpido!! Além disso, os defensores do "funk" da parte das esquerdas médias ficaram negativamente visados, sobretudo aqueles que são ligados à máquina político-econômica do Partido dos Trabalhadores.

O novo discurso dos mercadores funqueiros dá continuidade aquela retórica "socializante" em que tenta seduzir todos com referências e argumentos que, na verdade, não existem. Você ouve um antropólogo e uma cineasta dizerem que o "funk" é um caleidoscópio de referências musicais, sonoras, tecnológicas, comunicacionais, comportamentais, ativistas etc e acha tudo isso maravilhoso.

No entanto, você coloca um CD de "funk" e nada disso acontece. Somente baixarias e um amontoado de ruídos. E há gente que procura um Andy Wahrol, um Oswald de Andrade, um Antônio Conselheiro ou até um Che Guevara num "baile funk". Em vão.

Os defensores do "funk" estão tão desesperados quanto os "urubólogos" do noticiário político para fazer prevalecer seus pontos de vista. O "funk" é a fina flor da ditadura midiática. É o canto de cisne dos barões da grande mídia, uma tentativa de jogá-lo para neutralizar os efeitos das campanhas pela regulação da mídia e pela reforma agrária.

Estas duas causas, tão caras aos movimentos esquerdistas, não são defendidas para valer pelos funqueiros. Em tese, eles se pronunciam a favor, quando as duas causas se resumem a enunciados genéricos. Mas é só ir para os "finalmentes" que a coisa muda de vez.

"FUNK" ADOTA MÉTODO "CRIANÇA ESPERANÇA" DE DISCURSO "ATIVISTA"

Afinal, os empresários e DJs de "funk" alimentaram seu sucesso na mesma grande mídia que virou ninho de "urubólogos". As Organizações Globo foram decisivas no crescimento do "funk carioca" e deram ao "funk" o método de discurso "ativista" digno do Criança Esperança.

E se, no plano midiático, os funqueiros fingem que apoiam a regulação midiática enquanto dependem da Globo, Folha, Band, SBT e até de Veja e Caras para fazerem sucesso, no plano da reforma agrária os empresários do "funk", desejando comprar fazendas tal qual fez Bell Marques do Chiclete Com Banana na Bahia, são tão "$olidários" à causa quanto os "coronéis" do PSD dos tempos de Jango.

Mas por que será que o discurso funqueiro atrai tanto pessoas de relativo ativismo progressista, a ponto de até mesmo acadêmicos e integrantes de movimentos sociais "filosofarem" demais sobre o "funk", fazendo Contracultura num copo d'água?

Sabe-se que o "funk" agrada perfeitamente os interesses dos barões da grande mídia - é inútil a intelectualidade dizer o contrário ou afirmar que é "mera coincidência" - porque o ritmo, além de apostar na domesticação das classes populares, garante grandes faturamentos a partir de poucos investimentos.

Para os barões da mídia, também, o "funk" garante um simulacro de ativismo, de rebeldia e polêmica que desvia da sociedade a concentração para discussões importantes e faz com que as classes populares tenham a falsa impressão de que estariam "incomodando" as elites que, tidas como "apavoradas" com o "funk", dormem tranquilas sob o espetáculo da miséria glamourizada.

O que não dá para entender é por que as forças progressistas mais débeis insistem em defender, até com um desespero choroso, o "funk". Arrumam desculpas que viraram lugar comum: a apologia ao "mau gosto popular", a alegação de "preconceito", o suposto direito de "expressão das periferias" (o que, numa sociedade midiatizada, é bastante duvidoso) e por aí vai.

"BOM MOCISMO" TÍPICO DE LUCIANO HUCK

O que dá para inferir é que boa parte da intelectualidade ou mesmo de ativistas e acadêmicos vem de elites de classe média. Relativamente mais jovens, sua perspectiva de "cultura popular" é proveniente de valores difundidos pela ditadura midiática.

Como classe média, essas pessoas que defendem o "funk" na verdade possuem um híbrido de preconceitos elitistas contra as classes populares - ver o povo pobre como "selvagem" - e um sentimento paternalista com leves pinceladas "sociais", trazidas pelo contato com universitários e com sindicalistas.

Embora essas pessoas afirmem que se trata de uma "sincera e verdadeira" inclinação social, o bom mocismo que ronda os defensores do "funk", descontada a boa-fé de muitos deles, não é muito diferente do "bom mocismo de lata velha" do apresentador Luciano Huck.

Luciano Huck é a figura que contribuiu decisivamente para o sucesso dos funqueiros, junto à Globo Filmes. Não fosse ele e a companhia cinematográfica dos Marinho, o "funk" teria ido ao limbo, e seria inútil qualquer MC posar de guevarista para aliciar os ativistas sociais.

O próprio discurso "ecumênico" começou de cima. Antes que os ativistas sociais pensem que foi o "efeito Lula" que fortaleceu o "funk", seu discurso "ativista" foi bolado e articulado pelas Organizações Globo e pela Folha de São Paulo.

Nas OG, todos os veículos e programas possíveis tentaram criar um "consenso" em torno do ritmo, enquanto incautos imaginavam que o ritmo estava "à margem da mídia". Mas dizer que o "funk" estava "à margem da mídia" era uma lorota descrita até mesmo em reportagens da Folha de São Paulo e da Rede Globo de Televisão. A própria mídia difundia sua própria mentira.

Evidentemente, se a intelectualidade dominante não divulga a origem das verbas privadas, acha que sua defesa ao "funk", ao brega, ao tecnobrega etc é financiada pelo Estado petista e por investimentos "privados" dos quais não dão qualquer detalhe, isso torna-se mais estranho ainda.

Afinal, desconstruindo essa retórica de que ritmos como o "funk" são "movimentos libertários", pondo em xeque seu suposto "ecumenismo" ideológico, pergunta-se à intelectualidade o por que essa defesa, sem admitir mais respostas vagas e improcedentes como a apologia ao "mau gosto", a suposta "cultura das periferias" ou a questão do "preconceito".

Claro, o Brasil não é o país de Umberto Eco, Noam Chomsky e outros intelectuais que questionam desde a overdose de informações até a indústria do espetáculo. Infelizmente, isso faz com que nossos intelectuais estejam complacentes com esses problemas, até definindo-os como "solução". E criam um discurso pseudo-ativista para o "funk" que mais parece um melodrama travestido de intelectual.

Enquanto isso, os barões da grande mídia respiram aliviados, vendo que uma "torcida" pela regulação da mídia não quer uma regulação da mídia verdadeira. Os monopólios midiáticos poderão ruir, mas sua última herança, o "funk", defendido por um poderoso lobby que envolve do mercado às Universidades, garante os interesses de controle social do patronato midiático sobre as classes pobres.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O HIGIENISMO PELO AVESSO DAS FUNQUEIRAS DE "DISCURSO DIRETO"


Por Alexandre Figueiredo

Na sociedade midiatizada em que vivemos, a intelectualidade "viaja" e não vê diferença entre factoides e fatos, confundindo mito e realidade, em um discurso em que se "filosofa" demais sobre meros fenômenos de entretenimento, numa clara intenção protecionista da cultura de massa.

Lendo o texto da educadora sexual Jarid Arraes, publicado no blogue Blogueiras Negras, nota-se que a autora não observa as diferenças entre "cultura de massa" e cultura no sentido comunitário do termo. Confunde os dois sentidos.

Isso é observado quando, no texto em que questiona a funqueira Anitta, a autora defende as outras "artistas funkeiras", como se elas não fizessem parte do contexto comercial em que se insere a intérprete do sucesso "Show das Poderosas".

Achando que o grotesco é parte inerente das classes populares, a autora tenta vincular a negritude feminina contemporânea ou mesmo às raízes históricas. "Esse repúdio contra as artistas femininas do funk é intimamente relacionado à repulsa às mulheres negras. A maioria das funkeiras são negras, e o funk tem raízes históricas ligadas à cultura negra brasileira", escreve.

É um grande equívoco. A autora desconhece que o "funk", acima de tudo, é mercado, é mídia, e muito antes de ser oficialmente tido como "expressão natural das periferias", teve seu discurso pseudo-ativista desenvolvido pela grande mídia (Organizações Globo e Grupo Folha) sob encomenda de empresários-DJs ambiciosos em ampliar e prolongar seu mercado.

Querendo "sociologizar" demais sobre o caso, a autora tenta desvincular as funqueiras do contexto midiático em que se inserem, e adota uma postura conivente com a vulgaridade sexual das "letras explícitas", como se fosse apenas uma "sexualidade de forma objetiva e direta".

A autora se baseia nos estereótipos atribuídos oficialmente às classes populares, em que estas são vinculadas à supremacia do "mau gosto" e do grotesco, que são defendidos por uma intelectualidade que, mesmo se dizendo "progressista", adota valores elitistas, tidos como "não-elitistas".

HIGIENISMO PELO AVESSO

Jarid Arraes tenta criar um maniqueísmo entre Anitta e outras funqueiras. Ela acerta quando define Anitta como "higienista" e "pronta para o consumo". Mas erra quando tenta desvincular as demais funqueiras de "discurso sexual direto" também ao higienismo e ao consumismo.

O "funk" é higienista. Seu higienismo ocorre pelo avesso, porque transforma as classes pobres em reféns de seu mercado. No "funk" o jovem pobre não pode sequer tocar violão, que um dia foi considerado "instrumento de pobre" e até de "vagabundo". No "funk" não pode haver melodia nem poesia e também as moças pobres são obrigadas a adotar um comportamento mais grotesco.

O "discurso sexual direto", em que até Gregório de Mattos, falecido há mais de 300 anos, é usado de forma oportunista pelo discurso intelectual - pelo menos o poeta da "Boca do Lixo" não aparece no texto de Jarid - , é a desculpa usada para um outro higienismo "para baixo", que é o de prender as moças pobres na obrigação de expressar o grotesco.

Aí entra o "bom" preconceito de Jarid Arraes. Ela define como "preconceituosa" a limitação de "sensualidade" imposta às funqueiras. Mas, no decorrer do texto, ela é obrigada a admitir que as funqueiras acabam se tornando, inevitavelmente, objetos sexuais.

No "funk", as mulheres são induzidas mesmo a fazer seu papel de servas do machismo. O que existe de "ameaçador" aos valores machistas é tão somente um jogo de cão-e-gato entre funqueiras e os machistas de seus meios, e o "discurso sexual direto" nada tem de libertador.

Essas letras expressam tão somente o jogo do "amor-ódio" bem típico da "cultura" brega, vide a música "Entre Tapas e Beijos", sucesso de Leandro & Leonardo. No fundo, um jogo de sedução em que sentimentos de repulsa e atração se alternam e que, no "funk", mostram que suas "musas", ainda que digam "odiar" os machões de seu meio, no fundo os amam e dependem deles de certa forma.

Além disso, as letras que elas "cantam" não são o uso livre do palavrão ou da agressividade textual como se via na expressão de Gregório de Mattos e uma linha de poetas ou letristas do gênero ao longo dos tempos, mas a baixaria como um fim em si mesmo, em que o uso de palavrões e termos chulos deixa de ser um direito para ser obrigação.

Portanto, dentro do contexto mercadológico do "funk", Anitta apenas é uma adaptação adocicada de fenômenos que não são menos comerciais ou higienistas. Todas lançam mão de corpos siliconados feitos para o consumo do imaginário sexual dos machistas.

E o "ativismo" de Valesca Popozuda, também não seria feito para o "consumo" das vaidades etnocêntricas de professores universitários? Ela, originalmente mestiça, ela é siliconada e também fez cirurgias plásticas que a transformaram de sósia de Carla Perez a uma sósia cafona de Lady Gaga. Também foi "embalada e pronta para o consumo".

São apenas dois lados da mesma moeda. Anitta com seu discurso comportado, feito para o consumo de famílias de classe média, como se nota no "funk melody". As demais funkeiras, com seu "discurso sexual direto", são embaladas e prontas para o consumo voraz de um público com menor poder aquisitivo. Mas são sempre comercialismo, que alimentam o poder midiático de qualquer maneira.

Quanto à negritude, o "funk" apenas transforma as mulheres negras em estereótipos. Já temos exemplos bem melhores e mais dignos de expressão da negritude feminina. Se boa parte das funqueiras é negra, isso torna-se lamentável, até porque elas se tornam escravas de um mercado "sensual" e "cultural" do qual elas saem naturalmente rejeitadas.

As funqueiras é que acabam contribuindo para serem rejeitadas. Não será o vínculo ao grotesco ou ao "mau gosto" que libertará as classes populares nem as populações negras nem as mulheres pobres e negras. Pelo contrário, isso as aprisiona.

E isso é fato, vide as mães dessas mulheres negras, que também são negras, mulheres e pobres, que ficam preocupadas com o envolvimento de suas filhas com esse universo de vulgaridade e machismo (do qual as funqueiras, no fundo, não têm a menor necessidade de romper), fora outros aspectos negativos. O "funk" nunca favoreceu realmente a negritude popular, só se promoveu às custas dela.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

RAFUCKO E O PRECONCEITO "SEM PRECONCEITOS" DO "FUNK"


Por Alexandre Figueiredo

O vlogger, humorista e dublê de ativista social Rafucko havia feito um vídeo em defesa do "funk carioca", a pretexto de criticar a jornalista Raquel Shererazade e uma tese que questionava o suposto feminismo das funqueiras.

Ele julgou as duas críticas ao "funk" de superficiais e preconceituosas e repetiu a mesma choradeira politicamente correta em prol do estilo: "não somos obrigados a gostar, mas somos obrigados a aceitar, porque o povo gosta (sic)".

Sempre a mesma apologia ao "mau gosto", que mostra a completa desinformação do humorista, em perfeita sintonia ao contexto do lobby funqueiro num país em que Luciano Huck é considerado "bom moço" e a Academia Brasileira de Letras tem Merval Pereira numa de suas cadeiras.

Na verdade, o que se vê é o puro PRECONCEITO, em letras garrafais, vindos não dos que questionam o "funk", mas daqueles que aceitam e que juram de pés juntos que são "despidos de qualquer preconceito".

Quando muita gente se preocupa demais em dizer ser alguma coisa, é porque na verdade não possui tal qualidade. Se vemos pessoas paranoicas e desesperadas em se afirmarem "sem preconceitos", é porque elas escondem os piores preconceitos, de um elitismo ainda mais cruel.

Daí que essas pessoas, sejam intelectuais, artistas, celebridades ou ativistas, apoiam o "funk carioca" a título de estarem "despidas de preconceitos", na verdade possuem preconceitos cada vez piores na medida em que procuram defender uma imagem estereotipada do povo pobre trabalhada pelo "funk".

Além disso, numa sociedade midiatizada em que vivemos, discutir a questão do "gosto" torna-se inútil, na medida em que o gosto é resultante de mecanismos de persuasão da grande mídia e do mercado publicitário, que impõem falsas necessidades, falsos desejos, falsas apreciações.

Daí não haver qualquer sentido nos argumentos de defesa do "funk carioca". Parece conversa de pais retrógrados empurrando remédio amargo para os filhos. E o discurso de que "não é preciso gostar" é apenas a primeira etapa de uma persuasão que força as pessoas esclarecidas a "aceitar" o "funk", num proselitismo de fazer Silas Malafaia ficar de queixo caído.

Pois nessa manobra discursiva, o "funk" não fica restrito aos seus espaços suburbanos. A "aceitação" acaba consentindo o avanço do "funk" nos condomínios de classe média, nos prédios de luxo, nos pátios universitários, e assim vai avançando a obsessão totalitária do "funk".

Daqui a pouco vamos ter que aceitar um MC ou uma "mulher-fruta" morando em nossas casas, se quisermos ser vistos pelos "bacanas" como pessoas "desprovidas de qualquer tipo de preconceito". O discurso funqueiro, a pretexto de querer preservar seus espaços, na verdade busca ampliá-los de forma totalitária.

Mas infelizmente somos tomados de mediocridade que atinge até mesmo intelectuais e ativistas. É o Brasil dos juristas-pop como Roberto Gurgel, Gilmar Mendes e outros, que aos poucos vão fazendo suas aposentadorias sob o apoio da mesma Globo que favorece Joaquim Barbosa e tem Luciano Huck, o maior divulgador do "funk" do país, como contratado.

E a defesa do "funk" ainda é vista como "causa progressista", apesar do evidente e explícito apoio de Huck, de Lobão, de Marcelo Tas, Gilberto Dimenstein, William Waack, Nelson Motta e Ana Maria Braga. E ainda insistem em dizer que o "funk", com tantas vezes apoiado pelas Organizações Globo e pela Folha de São Paulo, continua "à margem" da grande mídia.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O "TRENSALÃO" QUE ATROPELA O PSDB


Por Alexandre Figueiredo

Há cerca de um mês um grande escândalo atinge a principal base política do PSDB, em São Paulo. A partir de reportagens publicadas na Isto É - antes simpática ao tucanato - , foi revelado um esquema de acordos políticos envolvendo um cartel de empresas montado para operar o metrô de São Paulo, que vinha desde os tempos de Mário Covas, tido como "intocável" figura política do partido.

As relações envolvem até mesmo manobras para favorecer o apoio das empresas envolvidas, como a Alstom, famosa por se envolver em esquemas de corrupção no seu país de origem, a França, e a alemã Siemens, bastante conhecida dos cidadãos comuns, na reeleição de Fernando Henrique Cardoso em 1998.

Além das duas empresas ganharem sempre vantagens nos processos de licitação do metrô paulistano, o propinoduto - já apelidado pelos cronistas políticos como "trensalão" - se deu também através de orçamentos superfaturados cujo excedente financeiro era desviado dos cofres públicos para beneficiar o esquema, sobretudo na sustentação política do PSDB.

Das investigações feitas pelos procuradores do Ministério Público Federal e de membros da Polícia Federal, soube-se, entre outras coisas, que um valor de cerca de R$ 4,1 milhões teriam sido movimentados por testas-de-ferro e por consultores que haviam sido contratados pela Alstom para abrir caminho para o superfaturamento nas obras do Metrô, da CPTM (trens comuns) e da Eletropaulo.

Acrescenta-se a esse dado o indício de que, dessa verga, R$ 3 milhões teriam sido repassados para os cofres do PSDB através do atual vereador Andrea Matarazzo, que havia sido ministro de Fernando Henrique Cardoso e secretário de José Serra e Mário Covas.

Matarazzo também havia, na época dos primeiros contratos superfaturados, o ano de 1998, acumulado os cargos de secretário de Energia do governo de Mário Covas e presidente da CESP (Companhia Energética de São Paulo). As duas instituições são clientes do grupo Alstom no Estado.

A situação se agrava quando se observa que trens fabricados pela Alstom e comprados em 2010 para circular na Grande São Paulo até agora não foram liberados para circulação, tornando inúteis as verbas públicas que os contribuintes estaduais depositam todo mês nos cofres paulistas e paulistanos.

A grande mídia tenta livrar o PSDB da culpa, mas com o avanço das investigações é obrigada a admitir "alguma participação", mas sempre minimizando os efeitos para evitar o desgaste do PSDB e seus principais políticos com o escândalo do "trensalão".

Até o fechamento desse texto, parlamentares do PT em São Paulo, a partir de iniciativa de seu líder da bancada, deputado Paulo Teixeira, se mobilizam para colher assinaturas para pedir a criação de uma CPI mista de inquérito (deputados e vereadores), a CPI da Siemens. Pedir uma CPI exclusiva para a Câmara está inviabilizado, já que existem duas CPIs em andamento e outras já solicitadas na Câmara estadual.

Outra empresa estrangeira, a estatal espanhola Renfe, havia doado 48 trens para o governo paulista, mas pelo alto padrão dos trens, não adotado pelo sistema paulista (contavam com ar condicionado e música ambiente) e cada trem teve que ser reformado, com um valor equivalente ao da compra de um trem novo.

Isso ocorreu em 1997 e originou a simbiose entre os políticos tucanos de São Paulo e as empresas estrangeiras que cada vez mais negociavam vantagens junto ao PSDB paulista, sobretudo através de orçamentos superfaturados.

O escândalo poderia muito bem render um livro. É provável que renderá. São 15 anos de escândalos, com episódios "picantes" à altura dos que Amaury Ribeiro Jr. descreveu em A Privataria Tucana. Além disso, os personagens são os mesmos e, de uma forma ou de outra, os episódios do propinoduto dos trens e metrôs com a "privataria" se cruzam.

A grande mídia está apreensiva diante do escândalo que atropela o PSDB e compromete a reputação de seus "heróis".

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

O MACHISMO SUPOSTAMENTE "FEMINISTA" DAS MULHERES-OBJETOS

ALGUMAS DAS "BOAZUDAS" POSSUEM UM HOMEM POR TRÁS - O empresário e assessor Cacau Oliver.

Por Alexandre Figueiredo

Nicole Bahls, Andressa Urach e Geisy Arruda não dependem de homem para serem famosas, certo? Errado. Contrariando mitos consagrados pela "unânime" intelectualidade dominante, essas musas, pelo menos, possuem um único homem por trás delas: o jornalista Cacau Oliver, que atua também como empresário e assessor dessas "musas".

Ele havia se tornado famoso depois do incidente em que Andressa Urach foi expulsa de uma escola de samba por não cumprir os compromissos dos ensaios. E, a exemplo de outros - DJ Marlboro e Cal Adan também investem em "boazudas" - , manobra suas "clientes" para se tornarem notícias às custas de "sensualizações" banais e de factoides tolos.

É o "mundo" das subcelebridades no Brasil, que chegou a ser alimentado por centenas e centenas de "musas" que apenas mostravam o corpo. Nada tinham a dizer, ou, quando diziam, falavam bobagens constrangedoras.

Chegou-se a uma época em que centenas e centenas de sub-musas apareciam. E vinham de diversas "fontes": Big Brother Brasil, "funk carioca", clubes de futebol, revistas "sensuais", Pânico na TV, programas de auditório, grupos de "pagodão" e por aí vai.

Pior: as mais veteranas não se aposentavam e novas e novas sub-musas apareciam, e o "mercado" ficou inflacionado por musas siliconadas que apenas "sensualizavam". Era uma "mostrando demais" numa festa, outra deixando o vestido cair e mostrar o decote, outra de biquíni na praia, outra de vestido apertado etc.

Havia até "musas" que usavam roupas curtas em dia de frio, sem medir escrúpulos para se expor demais e sem qualquer cuidado em se prevenir contra doenças como a pneumonia, que poderiam levar algum desprevenido à morte.

O "mercado" da vulgaridade feminina anda em crise, mas gerou também defensores fanáticos que iam de troleiros na Internet, que xingavam de "bichas" os que contestavam essas "popozudas", "mulheres-frutas" e congêneres, até mulheres cineastas que, pasmem, atribuíam a essas sub-musas uma suposta forma de feminismo.

A crise, no entanto, ocorre e se deve aos novos tempos. Hoje uma mulher não se afirma por ser objeto sexual, isso é apenas um atrativo complementar que torna-se interessante em mulheres que sabem se afirmar por outras qualidades relativas ao talento e à inteligência, mas que se torna repulsivo com mulheres que nada tem a mostrar ou a dizer.

A vulgaridade feminina é um dos resíduos de valores culturais retrógrados difundidos pela grande mídia em declínio, mas que são defendidos por uma desesperada intelectualidade dominante infiltrada em cenários progressistas.

Tenta a intelectualidade dominante definir a vulgaridade feminina como uma forma "divertida" de expressão feminista, a pretexto delas não aparecerem nos circuitos da fama na companhia de homens nem aparentemente dependerem deles para se sustentarem na vida. É um discurso oco, duvidoso, mas que arrancou muitos aplausos em plateias diversas.

ATÉ O ESTADO CIVIL É MANIPULADO

Mas isso não resolveu a crise nem afastou a sombra dos velhos valores machistas aos quais se associam essas sub-musas. A influência de seus empresários-assessores e empresários-produtores é tanta que até mesmo o estado civil das sub-musas é manipulado para não prejudicar a imagem de "desejadas" pelos fãs.

Há o caso da ex-dançarina do É O Tchan, Scheila Carvalho - recentemente envolvida num suposto episódio de traição do marido Tony Salles, que, ao que tudo indica, não passa de factoide para realimentar a fama do casal - , que em 2011 admitiu que estava há dez anos casada com o cantor baiano, ex-colega dela no grupo.

No entanto, é só verificar a imprensa popularesca entre 2001 e 2006 - época dos cinco primeiros anos de casada da dançarina - que se verá que, por imposição de Cal Adan, Scheila teria escondido a relação com Salles à imprensa, enquanto tinha que passar por "solteiríssima" em diversas reportagens nas revistas e jornais, além da Internet.

Hoje o que se vê são algumas funqueiras vendendo a falsa imagem de "solteiríssimas" - incluindo declarações tolas como "só transo com vibrador" e "só sou paquerada pelo meu afilhado" - , enquanto vivem, nos bastidores, vida de mulheres bem casadas.

Espertos, os empresários dessas funqueiras dão uma boa indenização para aliviar o ciúme dos maridos diante dos rebolados das esposas, jogando esses homens para viverem bem longe de suas mulheres, em residências de muito conforto enquanto elas fazem toda uma encenação sendo "agarradas" por roadies ou figurantes arranjados pela produção que se disfarçam de fãs.

A vulgaridade feminina afetava sobretudo a vida das moças pobres no país. Mesmo que várias delas veja nas "boazudas" figuras pitorescas, elas eram induzidas pela persuasão midiática para reconhecê-las como "ideal de sucesso" e "alternativa viável de afirmação feminina".

Em que pese o suposto feminismo a elas atribuído, pasmem, até por mulheres de classe média alta envolvidas em ativismo e produção cultural, o machismo torna-se evidente, até pelo público-alvo predominante dessas sub-musas, homens sem qualquer instrução e dotados ainda de um comportamento rude e grosseiro.

As tentativas de dissociar as sub-musas a esse público machista foram em vão. Os homens diferenciados e, não necessariamente, ligados ao status quo masculino, não apreciam sub-musas. Até porque tais homens, geralmente melhor instruídos, não cairiam na pegadinha de valorizar mulheres-objetos que não significam mais do que depósitos de bolsas de silicones.

Os valores se transformam e esse machismo recreativo perde espaço. Dos portais da Internet, apenas o portal Ego, das Organizações Globo (logo quem!), mantém as sub-musas em alta. Mas tudo isso se torna cansativo, repetitivo e constrangedor. É a "cultura popular" servida pelo poderio midiático que decai completamente.

E não serão documentários e monografias ambiciosamente produzidos para salvar a vulgaridade feminina sob "outros olhares" que irão salvá-la. Pelo contrário, mais uma vez a intelligentzia e seu espetáculo dos "coitadinhos" cai mais no ridículo ao defender a supremacia do "mau gosto" no gosto popular.

NÃO HÁ COMO PENSAR EM NOVA MÍDIA SEM NOVA CULTURA

NOMES COMO NALDO BENNY SIMBOLIZAM VALORES DIFUNDIDOS PELO PODER MIDIÁTICO.

Por Alexandre Figueiredo

Discute-se a decadência das Organizações Globo, do Grupo Abril ou até mesmo da mídia "satélite" de jornais popularescos (o Meia Hora, por exemplo, deixou de ter edição paulista) e de emissoras como a Rede TV e as rádios do Grupo Bandeirantes.

No entanto, não se discute que a cultura brasileira está em crise. Intelectuais dominantes empurram o problema com a barriga, jogam a sujeira debaixo do tapete e acham que o futuro da cultura popular está na prevalência do "mau gosto". Acham que o jabaculê ditará o folclore do futuro, e apostam numa etnografia que, tida como "provocativa", é muito mais conformista com o status quo midiático.

Há muito se descreve, neste blogue, que a cultura brasileira foi afetada por valores e princípios ditados pelo poder midiático. Não há como dizer que o "funk" está à margem da mídia, porque ele foi condicionado por elementos ideológicos transmitidos pela grande mídia e, o que é pior, durante a ditadura militar.

Não há como confundir conformismo com reação. No brega, as pessoas não lutam por um país melhor, vão para o bar e enchem a cara. Ou, em modalidades mais "modernas" (como o "forró eletrônico", axé-music e "funk"), o pessoal vai para o galpão montado como "casa de espetáculos" - parece um estábulo, e o "povão" se comporta como gado - e vão consumir o "sucesso do momento".

A intelectualidade dominante, aquela que ainda arranca aplausos e prêmios empurrando pontos de vista risíveis, cai em contradições o tempo inteiro. Paciência, é o Brasil de Ali Kamel, que coloca Merval Pereira na Academia Brasileira de Letras e do qual Paulo César Araújo não é um contraponto, mas um complemento para esse contexto conservador.

Daí que, quando se fala das relações do brega-popularesco com a grande mídia, esses "pensadores", de antropólogos a cineastas documentaristas, com toda a "segurança" de seus argumentos, não sabem dizer se houve uma invasão do "povão" na grande mídia ou se foram os barões da mídia que pegaram carona nos "sucessos populares".

Tentam negar o óbvio, que é a cumplicidade entre brega-poplularesco e grande mídia. E caem no ridículo quando alguém alerta que vários dos ídolos exaltados pela intelectualidade, como Zezé di Camargo, Joelma, Odair José, Waldick Soriano e Leandro Lehart são, na verdade, figuras bastante conservadoras.

Ninguém ousou dizer, nos EUA no auge da Contracultura, que um Pat Boone da vida era mais revolucionário que Bob Dylan e os ingleses Beatles. Até Syd Barrett, mesmo chapado, fez pouco do conservador cantor de "Bernardine" num programa deste, e Boone mal tinha noção de que teria um equivalente brasileiro, Odair José, apelidado equivocadamente de "Bob Dylan da Central".

A intelectualidade brasileira que se diz "progressista" não se preparou para muitos momentos constrangedores. Acabaram batendo boca com seus pares, por defenderem uma "cultura" que tem muito mais a ver com o poderio midiático, com rádios e TVs controladas por grandes oligarquias empresariais ou por poderosos grupos latifundiários.

Há uma turma que imagina que pode-se romper com o poder midiático e manter a herança cultural desse mesmo poder. Isso não é possível. A crise é uma só, atingindo de forma igual desde "urubólogos" a cantores neo-bregas agora comprometidos como uma "MPB de mentirinha" feita para boi dormir.

Outro aspecto constrangedor é ver a turma do Farofa-fá defender pontos de vista que se vê integralmente, sem tirar nem pôr, nas páginas da Ilustrada da Folha de São Paulo ou do Segundo Caderno de O Globo. Ou ver Paulo César Araújo, queridinho das esquerdas médias, virar praticamente um "consultor" informal de cultura das Organizações Globo. Coincidência?

Romper com o poder midiático significa romper com os padrões oficiais de cultura que temos. É natural que, derrubando "urubólogos", "juízes-estrelas" do Poder Judiciário e humoristas antissociais, derrube-se também "mulheres-frutas", ex-BBBs e "pagodeiros" e "sertanejos" com pouca intimidade com os próprios ritmos que dizem seguir.

Se não fosse o poder midiático, os ídolos musicais naturalmente seriam outros. O Clube da Esquina teria mais influência na música caipira do que brega e Bee Gees, e até os supostos "sofisticados" Victor & Léo e Chitãozinho & Xororó estariam no limbo. A música nordestina não "desceria ao povo" com Calcinha Preta, "subiria ao povo" com Alceu Valença comandando centenas de discípulos.

Em vez de Ivete Sangalo e Alexandre Pires, teríamos Roberta Sá e Wilson Simoninha como ídolos mais populares. Flávio Venturini seria mais prestigiado do que Odair José. Joel Silveira teria mais influência no jornalismo popular do que Jacinto Figueira Jr., e as musas mais populares estariam mais próximas de Márcia Peltier do que de Gretchen.

Maria Rita Mariano, a filha de Elis Regina, até ameaçou o império sangalense, o "Império Romano do axé", mas foi tragada pela mídia. E Diogo Nogueira, filho do bamba João Nogueira, foi ainda gravar música de Alexandre Pires!! Sem falar de Zeca Baleiro preferindo exaltar o brega do que revitalizar a MPB autêntica. Não dá para renovar sem ter um verdadeiro espírito de ruptura ao "estabelecido".

A própria MPB pós-tropicalista foi compactuar com o brega-popularesco. E o prestígio de Fernando Henrique Cardoso fazia a intelectualidade crer que defender a "cultura de massa" era mais importante do que zelar pelo patrimônio cultural de nosso país. E Globo e Folha forjando um discurso de exaltação ao brega que as esquerdas mais frouxas se recusaram a perceber.

Portanto, será inútil falar mal de Ali Kamel, Marcelo Madureira, Marcelo Tas, Eliane Cantanhede e Luciano Huck se compartilha dos valores "culturais" que a mesma grande mídia do qual eles fazem parte. Deixemos de ser ingênuos, antes que vejamos, daqui a dez anos, os arautos da "cultura" brega festejando vitória nos salões do Instituto Millenium.

Pensar o "popular" como apologia ao "mau gosto" e como glamourização da miséria, da ignorância e de tudo que é ruim mas que é "positivado" pelo badalado discurso intelectualoide, não é romper com o poder midiático, mas reafirmá-lo como sua derradeira herança, em que o "rei" morto prolonga sua "realeza" através de seu legado ideológico preservado.

Para os defensores do brega, na verdade defensores potenciais dos barões da mídia, deveria valer a seguinte frase: "A grande mídia morreu!! Viva a grande mídia!!".
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