quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

TV CULTURA, UOL 89 FM E O BRASIL PROVINCIANO


Por Alexandre Figueiredo

Vivemos ainda no Brasil provinciano, o país do "jeitinho brasileiro" e do "complexo de vira-lata". "Doenças" até agora não curadas, mas cujo diagnóstico oficial mente dizendo que elas não existem mais e que o nosso país tem um entretenimento de ponta no contexto mundial.

Mas, observando bem, infelizmente não é bem assim. O país que tem Merval Pereira na Academia Brasileira de Letras, trata Yoani Sanchez como figura de outro mundo, é o país que tem como "ícones de modernidade" figuras como Nicole Bahls, Luciano Huck, Michel Teló, Valesca Popozuda e Thiaguinho.

É um país brega, que tenta fazer sua "cultura pop" numa visão ao mesmo tempo míope e retardada. Sim, "retardada" não aparece aqui como xingação, mas como uma constatação. Mesmo o mais moderno jovem médio é sempre o último a saber dos modismos, é subserviente aos mitos do hit-parade norte-americano e copia as tendências de vários meses atrás como se fosse algo futurista.

Num país que abraça a "cultura dos DJs" no momento em que ela decai na Europa e que pensa que uma Valesca Popozuda pode virar cidadão do mundo, a UOL 89 FM não sai desse contexto em que novas tendências são "adaptadas" no Brasil com a introdução de aspectos de tendências ultrapassadas.

A própria UOL 89 FM (que antes era apenas 89 FM), emissora paulista que se autoproclama "A Rádio Rock", tem um sotaque carregado da rádio pop mais imbeciloide. Ou seja, uma rádio que poderia ter rompido com os paradigmas do hit-parade acaba se sujeitando a esses paradigmas de forma mais intensa, contradizendo suas promessas.

Já descrevemos aqui como isso acontece. E que faz a UOL 89 FM estar para as rádios de rock assim como o Restart está para o Rock Brasil. Com surpreendente exatidão, embora a UOL 89 tente agora renegar o Restart como uma mãe que, tendo um filho pelo acidente de uma transa sexual, jogue o bebê numa lata de lixo.

Ontem eu vi o telejornal Metrópolis, da TV Cultura, e uma reportagem mostrava a comparação da UOL 89 FM com uma rádio digital, a Cadillac FM. A comparação não tinha como propósito confrontar uma rádio FM comercial e uma emissora transmitida só na Internet, mas mostrar a aparente "diversidade" do rock nas ondas radiofônicas e digitais.

A reportagem mostrou um depoimento de um dos donos da UOL 89 FM, Júnior Camargo, e um passeio pelos estúdios da emissora. E, como houve em 1990, quando o antigo programa Matéria Prima - também da TV Cultura, apresentado por Serginho Groisman - mostrou o estúdio da 89 com um locutor "mauriçola" com dicção de pop, a dose se repetiu quando se mostrou o tal programa Esquenta!.

Parecia Jovem Pan 2! Um locutor abobalhado com umas "patricinhas" falando besteirol. E o programa é homônimo ao programa da Rede Globo que glamouriza a pobreza. E tanto a UOL 89 quanto a Rede Globo se encontram dentro da ciranda da grande mídia conservadora e reacionária.

E a TV Cultura, na sua linha editorial, também não deixaria de mostrar seus equívocos. Ao citar a rádio Cadillac FM, a repórter do Metrópolis errou ao dizer que a emissora tocava o "lado B" do rock, citando nomes clássicos e históricos do rock, como Elvis Presley. Quer dizer, um dos pioneiros da história do rock agora é jogado no porão dos "excluídos". "Pioneiro do rock" agora é Axl Rose ou Jon Bon Jovi?

É evidente que hoje a mídia é que é bastante atrasada. Ela ficou presa em algum momento dos anos 90, ela se estagnou e hoje até personalidades que eram outrora sinônimo de modernidade, como Marcelo Madureira, Marcelo Tas, Arnaldo Jabor, Danuza Leão e Ferreira Gullar hoje se tornaram retrógradas em seus pontos de vista. Não será a UOL 89 FM que será mais moderna do que eles.

A TV Cultura, evidentemente, não vai desagradar a Folha de São Paulo, sócia da UOL 89 FM. A emissora educativa reservou uma hora para os funcionários de Otávio Frias Filho pregarem seus pontos de vista num espaço de visibilidade relativamente maior, já que a TV Cultura é transmitida na TV aberta e na TV paga em vários lugares do Brasil.

A própria Folha era sinônimo de mídia moderna, e hoje é considerado um dos jornais mais retrógrados do país. Portanto, a UOL 89 FM que "come poeira" diante do que fazem as rádios autenticamente rock no Brasil (quase todas restritas à Internet) e do mundo, hoje parece até cafona.

E a rádio já começa a reconstruir a mesma fase que derrubou a emissora em 2005, com game shows, humor besteirol, locutores engraçadinhos. Será que o Temos Vagas lançará um novo Restart apenas "mais masculinizado"? O que se sabe é que os tempos são outros e a grande mídia não goza mais do mesmo poder absoluto de 20 anos atrás. E há muito mais vida na cultura rock fora das ondas da UOL 89 FM.

"CASA GRANDE" LIMITA SUA AÇÃO DE COMBATE À MÍDIA MACHISTA


Por Alexandre Figueiredo

Os combates à mídia machista, no Brasil, tornaram-se muito restritos, limitados.

De um lado, temos radicais feministas que, nuas da parte de cima, manifestam repúdio à exploração sexual das mulheres nos diversos meios observados na sociedade machista brasileira.

De outro, temos intelectuais de classe média preocupados tão comente com o zelo da imagem feminina nos comerciais e programas de televisão, além do espaço publicitário e no meio jornalístico e humorístico em geral, combatendo a depreciação da imagem da mulher dentro desses limites.

No primeiro caso, o ativismo é louvável, embora um tanto polêmico e bastante radical neste sentido. E, além disso, as atitudes das manifestantes dão uma impressão aos machistas, sempre preparados para reações de esnobismo e orgulho deles mesmos, de que são "feiosas frustradas em não serem desejadas pelos homens". Uma impressão falsa, mas que os machistas tentam trabalhar para que prevaleçam na opinião pública.

Mas o segundo caso é que é grave, porque vem de uma intelectualidade que, de forma não assumida, vislumbra a "casa grande" do poder midiático e mercadológico e, não obstante, participa de seus "banquetes", embora essa intelectualidade faça de tudo para obter reconhecimento e cumplicidade nos movimentos sociais e outros ambientes progressistas.

Evidentemente, preocupar com a exploração da imagem feminina em comerciais de televisão é útil. Reclamar que um comercial de automóvel trata a mulher como uma retardada que mal começou a aprender a dirigir é justo, assim como reclamar de mães tolas perguntando bobagens para seus filhinhos em comerciais de sucos ou de esposas submissas aos maridos engravatados nos comerciais de margarina.

É o mesmo caráter de validade e de justiça que vemos quando as esquerdas médias descrevem a questão do Oriente Médio. O problema não está na citação desses problemas ou no empenho de repudiar os abusos cometidos pelo poder dominante, mas a de adotar uma ênfase que os coloca acima de problemas ainda mais graves que acontecem no nosso país.

Afinal, existem muitas "palestinas" no Brasil, e não é só o homônimo bairro suburbano de Salvador, mas até mesmo as "palestinas" culturais controladas por "israéis" manobrados pelo capitalismo ianque, como o brega-popularesco que nossos intelectuais associados ao poder midiático pensam ser a "cultura das periferias".

Da mesma forma, a questão da imagem distorcida da mulher brasileira tem sua gravidade fora dos comerciais de automóveis, margarinas, produtos de limpeza, serviços de TV por assinatura, os quais até trabalham uma imagem menos cruel da mulher, se observarmos bem.

PSEUDO-FEMINISMO

O pior é quando a mídia machista associada ao pretexto do "popular" investe numa depreciação ainda maior da imagem da mulher. Mas pior ainda é quando a sociedade que reclama da leve depreciação feminina nos comerciais e programas de TV adota uma postura condescendente para esse outro lado, mesmo quando a redução da mulher a um estereótipo sexual grosseiro a coloca como escrava de valores machistas.

Durante um bom tempo essa sociedade, a partir dos intelectuais mais badalados, definiu a exploração mais grotesca da vulgaridade feminina como se fosse "feminismo". Valia qualquer pretexto, por abusrdo que pareça: "liberdade" de iniciação sexual das mulheres da periferia, "direito ao sexo livre", "liberdade de escolha", "liberdade do corpo", "ruptura (?!) com a dominação machista" etc.

Sim, essas pregações eram feitas por sociólogos, antropólogos e jornalistas, não é coisa de internauta troleiro jogando absurdos para provocar as pessoas. A atitude "provocativa" vinha de meios considerados sérios e de caráter científico, como monografias, documentários, reportagens, dentro de uma perspectiva "objetiva" para reforçar a manipulação ideológica de seus pontos de vista.

Através dessa tese, as "popozudas" são "feministas" porque ganham dinheiro com seu "trabalho" e aparentemente vivem sem depender da sombra de algum homem. O grotesco ainda é usado para reforçar a tese de que, por serem "feias e indelicadas", as "popozudas" têm "mais atitude" na sua afirmação como "mulheres bem sucedidas".

A lorota "cientificamente" bem construída deu certo e fez com que a intelectualidade dita "progressista" mas associada à "casa grande" do poder midiático e mercadológico defendesse as baixarias quando expressas nas "senzalas" modernas do espetáculo popularesco.

Só que isso acaba gerando contradições e sérios equívocos. Num artigo sobre o "funk carioca", Bia Abramo, que, apesar de ser filha do eminente jornalista de esquerda Perseu Abramo e sobrinha de Cláudio Abramo, "contaminou-se" com as ideias dos grupos Folha e Abril onde trabalhou, ela preferiu defender a vulgaridade feminina em detrimento dos movimentos sociais.

Isso foi quando, no artigo, Bia condenou a reação das trabalhadoras de Enfermagem, as conhecidas enfermeiras, que moveram um processo judicial contra a "Proibida do Funk", uma "popozuda" que havia feito fotos posando de "enfermeira sexy". Bia chamou as enfermeiras de "moralistas". Repercutiu mal. O artigo, publicado na Fundação Perseu Abramo, teve que ser retirado do ar.

Além disso, quem observar os bastidores das tais "feministas" de corpos siliconados e anabolizados, verá que elas trabalham para um mercado claramente machista, como revistas "sensuais" de segunda categoria, escolas de samba e times de futebol, cujos dirigentes, sejam bicheiros ou "cartolas", são assumidamente associados ao mais ferrenho machismo.

E, não sendo somente isso, as musas "popozudas" também depreciam, à sua maneira, a imagem da mulher brasileira. Elas impõem a obsessão da forma física de forma bem mais cruel que as revistas femininas das editoras mais conservadoras. E, o que é pior, não permitem estimular à mulher das classes populares o mínimo de inteligência possível, do contrário da depreciação light da mídia da "casa grande".

Pelo menos, a mulher expressa nos comerciais de produtos de limpeza e margarinas possui alguma inteligência. A das revistas femininas, essa inteligência é valorizada, embora dentro dos limites do conservadorismo social, de preferência com as mulheres emancipadas socialmente mantendo seus casamentos com homens vinculados a algum cargo de liderança ou comando.

No âmbito popularesco, isso não ocorre, e o que se vê são musas vulgares cometendo gafes imensas, "sensualizando" demais até em aeroportos, dizendo absurdos como "odeio ler livros porque sou formada pela faculdade das ruas" ou "faria amor com um mosquito", com a tranquilidade que as faz pensar que se pode ser polêmico a qualquer custo sem causar problemas na vida.

Por isso, não tem fundamento o apoio de intelectuais a essa vulgaridade, que deprecia a imagem feminina nas classes populares. Afinal, a postura intelectual favorável às "popozudas" torna-se uma expressão cruel da discriminação social contra as classes populares, na medida em que imaginam que o sentido da baixaria só existe nas elites, enquanto no povo essa baixaria é vista como uma coisa "saudável" e "divertida".

Só essa postura faz com que esses intelectuais prestem um sério desserviço à sociedade, a partir dessa postura pseudo-progressista que faz apologia à degradação social como se ela fosse um repertório de "novos valores". Não são. O que ocorre, na verdade, é que essa sociedade manifesta seu claro higienismo social, enquanto reserva todo o lixo cultural para as periferias, mesmo a partir de uma retórica dócil.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

LINDBERGH FARIAS AGORA É AMIGO DE FERNANDO COLLOR


Por Alexandre Figueiredo

Infelizmente, a política dá suas voltas. E eu havia escrito há pouco um texto esclarecendo por que o "funk carioca" é filho legítimo do "jeitinho brasileiro", citando até o caso do "lendário" picareta húngaro Peter Kellemen, do livro Brasil para Principiantes (1959), quando, ao divulgar o texto no Facebook, fui informado desse episódio acima.

Trata-se de um cumprimento cordial entre os senadores Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro, e Fernando Collor, do PTB alagoano, numa evidente troca de simpatias entre os dois. Isso seria uma situação normal se não fosse o detalhe que informaremos a seguir.

Lindbergh foi líder estudantil em 1992, quando haviam as manifestações contra Fernando Collor de Mello, denunciado pelo envolvimento num escandaloso esquema de corrupção política e econômica que se deu já a partir das campanhas eleitorais. Esse escândalo, tão conhecido, resultou no impeachment ao então presidente da República, o primeiro eleito diretamente depois de 1964.

É certo que as passeatas dos "caras pintadas" ficaram muito a dever dos protestos estudantis de 1966-1968, surgidos em reação às medidas arbitrárias do ministro da Educação de Castello Branco, Flávio Suplicy de Lacerda (reitor da UFPR e um dos gurus de Jaime Lerner) e culminaram na Passeata dos Cem Mil em reação à morte do estudante Edson Luís de Lima Souto, em 1968.

Todavia, era de alguma forma um referencial para a capacidade de manifestação estudantil, ainda que um tanto tendenciosa. Afinal, eu mesmo já havia sentido que o movimento estudantil não vivia uma boa fase, indo a passeatas estudantis onde seus líderes se desentendiam por interesses políticos mesquinhos. Eu mesmo era um estudante na época e observava tudo isso um tanto cético.

Eu, nos anos 90, vivi a experiência de conhecer a União Nacional dos Estudantes na sua fase decadente, com estudantes esnobes e arrogantes só querendo saber de carteirinhas e meias-entradas, sem qualquer causa nobre e firme, mais parecendo uma plataforma de propostas tímidas, vagas e inconsistentes. Bem longe da heroica fase de 1960-1968, quando a UNE pensava em transformar o Brasil.

Vemos agora Lindbergh Farias cumprimentando aquele que ele lutou para derrubar. Como se não bastasse as simpatias do ex-presidente Lula ao ex-rival das campanhas de segundo turno em 1989, e das tentativas de esquerdistas médios tentarem separar o Fernando Collor corrupto de 1992 do Fernando Collor oportunista dos tempos de hoje, como se fossem duas pessoas diferentes.

Assim a mídia direitista cai delirando. Ela continua fazendo o seu carnaval, a sua farra, feliz porque Dilma Rousseff não vai mais regular a mídia e mais feliz ainda porque pôde encontrar um arremedo de ativismo social através da figura sinistra da blogueira Yoani Sanchez. As esquerdas, de vez em quando, se deixam oferecer suas cabeças para a guilhotina armadas pela direita.

O "FUNK CARIOCA" E O "JEITINHO BRASILEIRO"


Por Alexandre Figueiredo

O "funk carioca" é filho legítimo do "jeitinho brasileiro". Seu DNA contraria toda pregação feita por seus ideólogos, por apontar relações de cumplicidade com a ditadura midiática e com o mercado fonográfico, enquanto faz sua choradeira em tudo quanto é ambiente possível.

Atualmente o "funk carioca" reaquece seu lobby depois que o jornalista Mino Carta falou sobre a imbecilização cultural que assola o país - da qual (deixemos de ser politicamente corretos) o "funk" é seu exemplo mais típico - , "ressuscitando" o mito do antropólogo Hermano Vianna, principal ideólogo do gênero, vinculado a Fernando Henrique Cardoso e patrocinado pela Fundação Ford.

Não bastasse isso, há a fraudulenta turnê de Valesca Popozuda, uma fraude publicitária feita só para a produção de um documentário. E hoje mesmo eu vi, nos tópicos mais populares do Twitter, um hashtag chamado #FunkCausaInvejaEmTodos.

O lobby do "funk carioca" é tão intenso que seus responsáveis, incluindo empresários, dirigentes e outros ativistas vinculados, não medem escrúpulos de promover discursos contraditórios, dizendo uma coisa e depois outra completamente diferente conforme as circunstâncias, para obter vantagem a qualquer preço.

O "funk carioca" é uma espécie de "Yoani Sanchez" da música brasileira, já que trabalha com uma falsa imagem de "vítima" que seduz a muita gente. E todo o processo ideológico do "funk carioca" lembra muito bem o caso do húngaro naturalizado brasileiro, Peter Kellemen.

Tendo vindo ao Brasil em 1953, Kellemen escreveu um livro humorístico, Brasil para Principiantes, que a editora Civilização Brasileira lançou em 1959. O livro, espécie de "manual" sobre o famigerado "jeitinho brasileiro", fez sucesso estrondoso e teve reedições em 1960 e 1961. Em 1960 o autor havia atualizado algumas informações citadas na edição do ano anterior.

Kellemen virou, na época, um queridinho das esquerdas médias, porque seu livro era um relato jocoso sobre a mania atribuída aos brasileiros de fazer pequenas trapaças para obter vantagens fáceis. É uma visão injusta, mas infelizmente ela é corriqueira até hoje.

Comprei o livro e, convenhamos, seu conteúdo é divertido, em que pese a lamentável realidade que está por trás disso. Por exemplo, você não compra um terreno com dinheiro, mas usando outro terreno como entrada no pagamento, assim como você disfarça sua inadimplência com as contas financeiras através de cheques pré-datados.

Mas Kellemen é pertinente em várias passagens, quando fala, por exemplo, de seu passado como militar na Hungria, quando ele e outros soldados eram, num dia, convocados a jurar fidelidade às tropas aliadas e, no dia seguinte, jurar fidelidade ao Eixo (dos governos fascistas da Alemanha e Itália). Quem assumisse posição contrária era fuzilado e, depois, com a mudança de posição, convertido para "herói da pátria".

Essa mudança de ideologia encontra equivalente exato no "funk carioca". Enquanto o "funk" aparece como "vitorioso" na grande mídia reacionária, se tornando fiel a ela, ele continua se passando por "vítima" no seu proselitismo na mídia de esquerda, geralmente controlada pelas esquerdas médias, vulneráveis a qualquer canto de sereia, seja vindo de Marcos Valério, seja de Paulo César Araújo etc.

Fortalecido desde os anos 90 pelo esquema jabazeiro que enriqueceu seus empresários-DJs, o "funk carioca" tenta a todo custo promover seu discurso pseudo-ativista. Tenta inverter sua mediocridade artística e sua defesa ao grotesco a à baixaria com um discurso "socializante" que tenta comover a opinião pública.

A blindagem intelectual foi necessária para o "funk", ganhando um novo sentido estratégico do jabaculê, não mais feito apenas pelo suborno a programadores de rádio, mas também pelo financiamento de intelectuais, artistas e celebridades dotados de um discurso mais sofisticado.

Dessa forma, o "funk carioca" ganhou um marketing tão sofisticado que parecia que seus defensores estavam falando de outra música, com toda a salada de referências e os mais requintados recursos narrativos investidos. Falou-se de tantas maravilhas que, na prática, inexistem completamente no "funk carioca". Mas a campanha discursiva conseguiu seduzir muitos.

Felizmente, há uma reação contrária ao "funk carioca", uma vez que todo o discurso sofisticado não pôde esconder a baixa qualidade do gênero, já que basta tocar um CD para esquecermos das "ricas referências" que a intelectualidade etnocêntrica tanto atribui ao gênero.

Além disso, também não tiveram fundamento as alegações que, no "funk", haviam valores "feministas" quando na verdade havia machismo, e "novos valores sociais" onde havia grotesco e baixarias. Chegaram até mesmo a dizer que "proibidão" era um nome preconceituoso para uma forma "mais realista" de "funk", mas isso também não convenceu.

Quanto a Peter Kellemen, pouco depois do auge de seu sucesso em 1961, ele criou um sistema de loterias fraudulento, que através de um golpe cometido a partir de uma emissão de carnês, o enriqueceu de forma ilícita. Isso gerou um grande escândalo que fez Kellemen deixar o Brasil, não deixando mais notícias. Qual será o escândalo que pegará de surpresa, definitivamente, os funqueiros?

A FALÊNCIA DA "REVOLUÇÃO CULTURAL" DO PSDB


Por Alexandre Figueiredo

As críticas à mediocrização cultural no país estão crescendo, e os efeitos causados pelas análises de Mino Carta tornam-se devastadores. Há um bom tempo a blindagem intelectual da breguice imposta pelo mercado e pelo poder midiático à cultura brasileira já não consegue mais "vender o peixe" nas rodas esquerdistas, e depois do artigo de Carta Capital, terá até que retirar seus quiosques.

Há muito este que lhes escreve aponta as associações da breguice cultural com a grande mídia e o tucanato, e como suas caraterísticas encontram consonância com as ideias de pensadores neoliberais, seja o economista Roberto Campos, seja o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, através da sua Teoria da Dependência, e sobretudo este, que como presidente viu a breguice tomar conta de todo o Brasil.

Quanto a Roberto Campos, até parece que os primeiros ídolos cafonas eram mais próximos dele do que do Tropicalismo, tese um tanto equivocada mas alardeada por intelectuais badalados. Roberto, como ministro do Planejamento do governo Castelo Branco, propôs o desenvolvimento econômico do país através de tecnologia obsoleta lá fora e da degradação sócio-econômica das classes trabalhadoras.

No âmbito cultural, era justamente isso que se via no ideário brega simbolizado por ídolos como Waldick Soriano. Tínhamos referenciais estrangeiros obsoletos, como boleros, mariachis etc, que "prometiam" desenvolver a cultura popular brasileira através da degradação estética, poética artística etc. Até os "modernos" ídolos que vieram depois também adotavam tardiamente modismos já ultrapassados.

Até mesmo o modelo de "qualidade de vida" exaltado pelos ideólogos da "cultura" brega, a partir de Paulo César Araújo, nada tinha de generoso: homens maduros se "divertindo" enchendo a cara num bar. Mulheres jovens na prostituição. Trabalhadores no comércio informal, no desemprego, para não dizer na mendicância. Casas velhas, caindo aos pedaços. Ruas sem asfaltos. Tristezas e lamentos resignados da multidão.

Enquanto isso, os auto-falantes exerciam o poder midiático nas piores roças. Mas o poder midiático do brega tentava, num mimetismo ideológico, se disfarçar e se confundir com as massas. As rádios AM e, depois (e sobretudo) FM, então, tentavam ocultar a figura de seu dono e exagerar no (limitado) poder formador de gosto dos programadores de rádio, na verdade meros capatazes do coronelismo eletrônico.

Fernando Henrique só diferiu um pouco de Roberto Campos por seu verniz "moderno" e "progressista". O sociólogo prometia um "desenvolvimento social", mas determinava, assim como Campos, a manutenção de uma posição subordinada do país diante das potências desenvolvidas. O Brasil poderia ser relativamente desenvolvido, com alguma prosperidade sócio-econômica, mas culturalmente inferiorizado.

Bingo! A cultura tornou-se um objeto de manobra da intelectualidade neoliberal. Se víamos na música de Waldick Soriano, Benito di Paula e Odair José a aplicação ideológica das ideias de Roberto Campos e do ministro da Economia do mesmo governo de Castelo, Otávio Bulhões, na música brasileira, a modernização do brega em outras tendências se deram pela Teoria da Dependência de Fernando Henrique Cardoso.

A TURMA USPIANA

Já contamos a história de que a intelectualidade que se influenciou pela Teoria da Dependência de FHC, que se propagou nos círculos universitários sobretudo a partir de 1974 e, de forma mais intensa, entre 1983 e 1992, a partir da Universidade de São Paulo.

Eram intelectuais de diversas faculdades que desenvolviam um projeto ideológico na qual as análises sobre cultura popular originárias das gerações dos antigos ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros) e CPC-UNE (Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes) eram desqualificadas e substituídas por abordagens mais adequadas à lógica neoliberal.

Vieram então abordagens que esvaziassem a cultura brasileira, reduzindo sua brasilidade a alguns pontos formais, associados à ideia econômica e administrativa de "competitividade" aplicada às nações. A partir dessas abordagens, intelectualidade, política, mídia e mercado se aliaram para desenvolver uma "cultura popular" asséptica, ideologicamente vazia e esteticamente calculada para um "melhor consumo" pelo povo.

As mudanças causadas pelo mercado turístico brasileiro e pelas mudanças na economia agrícola a partir da "Revolução Verde" do governo do general Emílio Médici "abrasileiraram" o brega brasileiro. A "Revolução Verde" impulsionou o agronegócio, modernizou o coronelismo e, no plano musical, permitiu as diluições comerciais da música caipira, gerando no "sertanejo" dos últimos 30 anos.

Nessa época, apenas São Paulo ainda estava "desobrigada" a "abrasileirar" o brega, porque era uma cidade cosmopolita. Os ídolos bregas de então, como Gretchen, Ângelo Máximo, Nahim e até Wagner Montes (sim, o hoje político e apresentador do Balanço Geral carioca, da TV Record), eram inspirados na disco music ou no pop juvenil norte-americano da época, fazendo em 1979 o que os gringos já faziam em 1973.

INTELECTUALIDADE DEMOTUCANA

Essa intelectualidade, da qual tiveram pelo menos duas gerações principais, a dos "mestres", que veio a fundar o PSDB, e dos "discípulos", que vieram depois dos anos 80. Nos anos 80, a Teoria da Dependência era um paradigma dominante nos meios acadêmicos, não só na USP, mas em outras universidades públicas e particulares de todo o Brasil.

A Fundação Ford e a Fundação Rockefeller eram alguns dos patrocinadores mais conhecidos entre seus pares, embora isso só seja revelado tardiamente. E as abordagens previam que o PSDB fosse conduzir uma "Revolução Cultural" no país, já que os tucanos previam que o partido permaneceria, pelo menos, duas décadas no poder a partir de 1994.

Só que, em 2002, José Serra não conseguiu ser eleito e outro partido chegou ao poder, o PT, que já está há dez anos no comando da nossa República. Embora esteja mais próximo de um partido social-democrata que o PSDB deixou de ser do que de um partido socialista que pretendeu um dia ser, o PT tornou-se um novo paradigma político, corretamente chamado de centro-esquerda, apesar de algumas inclinações à direita.

Em todo caso, a intelectualidade cultural que se preparava para ser a "comitiva intelectual" do Brasil tucano - Paulo César Araújo seria o intelectual-símbolo de uma presumida Era Serra - ficou transtornada com as derrotas eleitorais e alguns intelectuais tentaram migrar à esquerda para fazer proselitismo e impedir que abordagens críticas sobre cultura brasileira voltem à tona.

Por isso as esquerdas médias, muitas desprevenidas, outras corrompidas, aceitaram de braços abertos a adesão de intelectuais alienígenas, que apesar do pretenso esquerdismo adotavam pontos de vista neoliberais, defendo a "cultura de massa" e desmoralizando, até de forma bem rabugenta, artistas da genuína esquerda musical, como Chico Buarque.

Foram dez anos de hegemonia dessa intelectualidade tão falada aqui. E que no entanto se afinava em interesses, com surpreendente fidelidade, com os interesses do poder midiático que se tornou absoluto no Brasil pré-Internet dos anos 90.

Só que esses intelectuais não passavam de meros propagandistas da "cultura de massa" e se viu que não bastou sequer os ataques forçados que a intelectualidade cultural dominante faziam aos totens da mídia e política direitistas, já que os interesses e as afinidades eram literalmente os mesmos. A identificação com os ideais de Fernando Henrique Cardoso e dos barões da mídia se tornaram claras em muitos momentos.

Os intelectuais mais jovens estavam vulneráveis a esse canto de sereia acadêmico, daí que ressurgiu uma voz veterana como Mino Carta para mudar o norte das coisas. Sua visibilidade permitiu que ele criticasse a mediocridade cultural sem que os outros, pelo menos de forma convincente, o acusassem de preconceituoso ou elitista.

Agora, o que se desenha é o fim do ciclo de um poder intelectual neoliberal que tentou se sobressair nos círculos esquerdistas. Hoje eles são obrigados a se contentar a "vender o peixe" na velha grande mídia que fingiram odiar. Até a Veja socorreu essa intelectualidade, dando o maior cartaz aos "sertanejos". E a Globo e a Folha, como sempre, dando o maior aval.

Vivemos em outros tempos e quem quiser defender a mediocridade cultural que o faça nos salões da "casa grande".

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

GRANDE MÍDIA E A IMAGEM DA MULHER SOLTEIRA NO BRASIL


Por Alexandre Figueiredo

Já se falou em outras ocasiões que a grande mídia brasileira trabalha uma imagem bastante depreciativa da mulher solteira. A mídia machista enfatiza a imagem da solteira brasileira como uma vadia que só quer curtição e possui referenciais culturais bastante duvidosos.

A coisa sempre desaba no lado do "popular", mas a intelectualidade dominante, no Brasil, vê o "popular" como pretexto para qualquer baixaria, como um terreno onde perdem validade as lutas pela cidadania e pelas melhorias de vida.

Neste terreno do popularesco agraciado pela intelectualidade mais badalada, as melhorias nas classes populares só devem se limitar aos aspectos gerais, geralmente alguma liberdade institucionalmente e legalmente garantida e o maior estímulo ao consumismo mais impulsivo.

No entanto, quando pensamos não só em queda do analfabetismo, mas em melhoria de valores culturais, éticos, morais das classes populares, essa intelectualidade - que, pasmem, se autocelebra "progressista"! - vem a nos acusar de "higienistas", "elitistas" e "preconceituosos".

Sim, porque para a "admirável" elite intelectual de Hermano Vianna, Paulo César Araújo e seguidores, quando as baixarias e grosserias ocorrem nas classes populares, elas são "admiráveis" e "saudáveis", as quais todo combate e questionamento é visto como "preconceito". Para todo efeito, esses intelectuais tentam nos fazer acreditar que esses são "novos valores trazidos pela felicidade (sic) das periferias".

A SOLTEIRA E A CASADA

No que diz às mulheres, a visão é a mesma. Se nas classes médias a intelectualidade dominante quer promover valores mais realistas à mulher brasileira, soando o alarme se aparece uma mãe debiloide num comercial de suco, uma esposa ao lado de um sempre engravatado homem num café da manhã ou a dona de casa expulsando sua clone "neurótica", nas classes populares a coisa é bem diferente.

Se uma Gisele Bündchen vestida de empregada doméstica causa o pavor dessa intelectualidade - e, pasmem, inclusive mulheres - , se aparece uma Solange Gomes fazendo a mesma coisa, a reação torna-se diferente, mesmo que o teor machista seja o mesmo ou até pior do que o da senhora Tom Brady.

No caso da ex-estrela da Banheira do Gugu, as reações passam a ser "mais positivas", com a intelectualidade usando argumentos prolixos para dizer que se trata de uma "saudável tirada humorística", que significa uma aliança (surreal) entre o senso de humor popular(esco) e uma decisão "feminista" (sic) da celebridade em questão.

Atirbui-se às musas vulgares qualquer tipo de "feminismo". A intelectualidade dominante, no seu discurso verossímil e apelativo, tentam nos fazer crer que elas "se sobressaem sozinhas na mídia", ocultando que se trata da mesma mídia machista que apavora esses mesmos intelectuais quando se trata de criar estereótipos de mulheres de classe média para cima.

E a reboque disso, temos a própria campanha da mídia sobre o que devem ser a mulher solteira e a mulher casada no Brasil, onde estranhamente valores "novos" são usados apenas como pretexto para camuflar valores velhos.

Explica-se tudo isso. A grande mídia, machista e reacionária, impõe às mulheres pobres que "não façam questão" de formarem famílias. As novas estruturas familiares são defendidas não como uma liberdade mas sim como uma obrigação, não se trata de reprimir famílias cujas mães são solteiras ou homossexuais, mas obrigá-las a optar por essas condições mesmo quando não as quer.

Já as mulheres mais abastadas e com melhores instruções e referenciais culturais, são sempre trabalhadas pela mídia para se casarem com empresários, executivos e profissionais liberais, mulheres até reconhecidas por sua independência intelectual e profissional, mas que precisam ter essa independência "patrocinada" e "protegida" pela sombra de um namorado ou marido, geralmente um homem com uma função de comando.

HIGIENIZAÇÃO SOCIAL

Cria-se uma inversão das coisas. A solteira brasileira é um estereótipo midiático ligado à vulgaridade, ao grotesco e à curtição impulsiva e irresponsável. Não é uma mulher com a natural liberdade de viver sozinha e se redescobrir no trabalho, no lazer e nos estudos que a mídia brasileira trabalha, mas o que há de pior atribuído à imagem da mulher no Brasil.

A coisa é tão séria que a grande mídia tenta desestimular as moças pobres a desejar homens por afinidade. No seu meio, basta um homem pobre querer jogar futebol na praia aos domingos para a mídia convencer as moças pobres de que tal homem não presta. Afinidade pessoal é tida como "sinônimo" de frescura, mas isso tem uma intenção bastante cruel por trás dessa "liberdade de ser solteira" das moças pobres.

As musas vulgares são promovidas como "vitrine" dessa visão cruel. Geralmente ex-BBBs, paniquetes, Miss Bumbum, mulheres-frutas etc. Mesmo com suas gafes e esteticamente um tanto "bizarras", várias dessas mulheres, as "popozudas", são tidas pela mídia popularesca como "ideal de beleza" e "modelo de sucesso" para as jovens pobres.

No deserto de valores éticos e morais na "saudável" fauna popularesca da grande mídia, as solteiras são vistas como "desocupadas" que só vão para a praia, boate, ensaios de escolas de samba, e não fazem mais outra coisa. Cuidam demais do corpo, mas descuidam da mente. Não têm personalidade, e são bastante temperamentais.

Para a coisa ficar ainda mais surreal, digna de um filme de Luís Buñuel se caso ele fosse brasileiro e vivesse hoje nas periferias, muitas dessas "popozudas" nem solteiras são. Pesquisas recentes no principal portal da mídia machista, o Ego (Organizações Globo), descobriu-se que as "encalhadas" Solange Gomes e Mayra Cardi arrumaram namorados.

A funqueira Andressa Soares, a Mulher Melancia, teve que cancelar sua participação num quadro de namoro de um programa de TV depois que se descobriu que ela tinha namorado. E até agora a moto importada que Valesca Popozuda ganhou "desapareceu", o que indica que a imagem de "solteira" trabalhada pela funqueira pode ser uma grande farsa, pois ela nunca depois foi vista passeando com a moto pelas ruas.

Num país onde as mulheres bem sucedidas arrumam maridos com facilidade, as "popozudas" tentam forçar a barra ao trabalharem a imagem estereotipada da "solteira" brasileira. Nem mesmo a palavra "solteiríssima" pode ser levada a sério, porque essa palavra, muitas vezes, é vista como eufemismo para a mulher que brigou com o namorado e saiu sozinha no dia seguinte mas que, duas semanas depois, já reatou a relação.

Na Europa e nos EUA, a mulher solteira não é trabalhada de forma distorcida pela grande mídia. Lá se respeita o direito de uma parcela de mulheres de não se casarem nem se envolverem com algum namorado, ou, se arrumar um, só o fizer por afinidades pessoais. Mesmo as comédias sobre solteironas não investem em estereótipos grosseiros ligados a moças vulgares ou cafonas.

Chega a ser uma grosseira inversão de valores. A moça brasileira mais intelectualizada, de gostos culturais melhores, é "aconselhada" pela mídia a arrumar um marido, geralmente um empresário, médico da rede particular ou advogado. Precisa ter sua independência intelectual e financeira "domada" pela figura "protetora" do homem associado à ideia de liderança e "sucesso" profissional.

Já a mulher vulgar ou aquela "coitada" cafona que fica ouvindo CDs de breganejo às lágrimas, ambos os tipos produzidos pela ideologia machista, "precisam" ficar solteiras, e houve casos de mulheres vulgares que recusaram pretendentes, depois de "amassos" de poucas horas, namoros de duas semanas e casamentos de três meses.

Isso é promovido pela mídia como forma de higienismo social. Desestimulando a formação de casais, nas classes pobres, por afinidades pessoais - nas classes abastadas a afinidade também não é estimulada, mas o contexto é outro - , desestimula-se a formação de famílias sólidas nas periferias, evitando que seus filhos cresçam em ambientes familiares saudáveis que lhe garantam fortalecer a autoestima.

Com isso, a grande midia, ao fazer um incentivo hipócrita à solteirice das moças pobres, sendo preferível uma homossexualidade forçada a uma relação heterossexual por afinidade, promove o higienismo social a produzir crianças perturbadas e confusas, fazendo com que as classes populares fiquem socialmente enfraquecidas, dentro de um engodo onde valores retrógrados estão camuflados de retórica moderna.

REVISTA TRIP E 89 FM: SAIA JUSTA?


Por Alexandre Figueiredo

Um aspecto muito delicado está por trás da censura aos irmãos Mário e Liro Bocchini pela Folha de São Paulo e que pode comprometer a antiga parceria entre a revista Trip e a dita "rádio rock" 89 FM. É que, agora, a Folha de São Paulo, dona do provedor Universo On Line (UOL), é sócia da emissora de rádio.

Os irmãos Bocchini vieram da revista Trip, antes de serem conhecidos pela paródia contra o jornal de Otávio Frias Filho. Atualmente os irmãos são condenados a retirar o blogue Falha de São Paulo do ar, aparentemente sob alegação de que eles estariam violando os direitos autorais do jornal paulista.

Digamos aparentemente porque a Folha de São Paulo não quer passar a impressão para a sociedade de que está reprimindo a liberdade de expressão, principalmente numa época em que a visita de Yoani Sanchez é paparicada pela grande mídia com seu discurso supostamente em defesa da liberdade de expressão.

No entanto, tudo indica que a FSP quer mesmo é reprimir a expressão dos Bocchini, e sua associação à revista Trip muito provavelmente irá comprometer qualquer parceria entre a revista e a atual UOL 89 FM, mesmo quando seu contrato com o provedor esteja previsto, inicialmente, para um ano. Só que o sucesso comercial da emissora pode garantir uma parceria mais duradoura entre Folha e 89.

89 TAMBÉM TEVE PARÓDIA

Eu mesmo havia feito uma paródia à 89 FM, que, por ter feito parcerias com o portal Rockwave, tinha seu sítio na Internet batizado de 89 Rockwave. E o que eu havia feito na época? Criei o sítio 89 Popwave que, além de criar paródias da rádio, publicava textos criticando a conduta da rádio, muito duvidosa para o perfil de rádio rock que a emissora supostamente assumiu em seus anos.

O logotipo copiava levemente o lobotipo da emissora para fazer o nome "89 Popwave" numa fonte gráfica próxima, a Haettenschweiler, pois não havia a fonte exatamente usada para o logotipo da emissora (criado pela agência W/Brasil, de Washington Olivetto).

No sítio, eu escrevia textos diversos questionando a linguagem e a mentalidade da emissora, muito mais próxima das rádios pop mais convencionais do que qualquer rádio de rock minimamente decente. Na época, por volta de 2000 a 2006, os adeptos da 89 FM e da Rádio Cidade (retransmissora carioca da 89) se enfureceram comigo, chegando a fazer trolagem e outros desaforos.

Mas a repercussão dos textos foi tal que as duas rádios, 89 e Cidade, recuaram e viraram rádios pop. A Cidade deu lugar à OI FM, ligada a uma empresa de telefonia móvel, com uma programação pop eclética mas focada a nomes mais cult. A OI FM foi um fracasso de audiência, mas o formato era ótimo, mais criativo do que a "rádio rock" que a antecedeu. Talvez o formato não tivesse sido bem compreendido.

Afinal, a OI FM tocava rock mais alternativo com música eletrônica, hip hop e uma MPB mais juvenil, embora ao lado do hit-parade convencional de pop dançante e derivados. Só que, dentro de um rádio FM anacrônico mas pragmático, era como se a OI tivesse um rumo indefinido, que deixava os anunciantes desnorteados.

A 89 FM HOJE

A 89 FM sinaliza que retomou todos os seus erros que fizeram derrubar a rádio em 2006, transformando-a em emissora de pop convencional, até o ano passado. Mantendo a mesma linguagem próxima da Jovem Pan 2, a partir do próprio coordenador, o "pioneiro dos emos" Tatola, a emissora já está recompondo, aos poucos, a mesma grade de programação de 2006.

Nessa época, a tal "Jovem Pan com guitarras" estava para se tornar "SBT com guitarras". A 89 FM estava tão pop em linguagem - apesar de toda pretensão "roqueira" - que já estava ficando brega, com ênfase em game shows, entrevistas com celebridades qualquer nota e debates humorísticos sobre futebol (?!).

O retorno da rádio, apesar de comemorado pelos seus adeptos e até por roqueiros mais condescendentes, mostra ainda mais uma rádio mais ultrapassada e datada em relação ao que hoje é a realidade das rádios de rock do Brasil e do mundo.

É só comparar as festas dos 30 anos da autêntica rádio de rock Fluminense FM, que incluiu exposição, debates e muitas reportagens, e a festa de lançamento da UOL 89 FM, ambas no ano passado. A diferença de qualidade é favorável à da extinta emissora niteroiense, que era muito mais do que um vitrolão roqueiro apoiado por uma vinheta "sarada", foi uma das poucas que tinha personalidade e filosofia próprias.

Já a festa da UOL 89 FM mais parecia uma dessas festinhas noturnas quaisquer. Só teve cobertura como qualquer outra, parecia festa de lançamento do Big Brother Brasil. O vídeo do retorno da emissora mostrava até mesmo Tatola fazendo gracinha, tocando "bateria aérea" como se fosse um pestinha mimado, enquanto o logotipo, que reúne os do UOL e da 89 FM, se destacava várias vezes.

No entanto, o oba-oba midiático camufla a mediocridade. Muitos ainda se seduzem pelas armadilhas da velha grande mídia, capaz de promover sucata como se fosse tecnologia de ponta. E, infelizmente, a UOL 89 FM consegue ser uma dessas armadilhas para uma parcela de brasileiros que adora levar gato por lebre.

Afinal, o Brasil da UOL 89 FM é o Brasil de Big Brother Brasil, de Luciano Huck, de Michel Teló, de Thiaguinho, da Andressa Urach, da Valesca Popozuda, de Renan Calheiros, de Merval Pereira na ABL. Um Brasil postiço, caricato, estereotipado, subserviente e injusto: mas que rende muito dinheiro para políticos, empresários e tecnocratas.

Em tempo: não haverá 89 Popwave. Mas os descaminhos da rádio serão sempre que possível relatados. Como o desprezo que a UOL 89 FM deu ao ex-beatle George Harrison, onde o portal da emissora não deu o menor destaque à lembrança dos 70 anos de nascimento do músico que foi um dos que mais contribuíram para o fortalecimento da cultura rock no mundo inteiro.

O BRASIL E OS HERDEIROS "DEMOCRÁTICOS" DA DITADURA MILITAR


Por Alexandre Figueiredo

O que tem em comum Otávio Frias Filho, Jaime Lerner, Gilmar Mendes, Roberto Gurgel, Roberto Medina, Mário Kertèsz, Hermano Vianna, Ricardo Teixeira, José Serra e Paulo César Araújo? E o que eles têm em comum com figuras já falecidas como Roberto Marinho, Roberto Campos e Antônio Carlos Magalhães?

O cidadão desavisado com menos de 35 anos, salvo aqueles que enxergam as coisas longe de seu perímetro cronológico, deve achar que não, que, descontando alguns nomes meio "incômodos" - Otávio, Gilmar, Gurgel, Teixeira e Serra - , o resto é "sinceramente solidário" com as causas progressistas e com a justiça social na mais nobre concepção.

Errado. Tanto uns quanto outros são herdeiros, de forma direta ou indireta, de projetos neoliberais que envolvem, de uma maneira ou de outra, decisões arbitrárias feitas do enclausuramento dos escritórios e dos cálculos financeiros, ou de interesses que transformam as classes populares em entes submissos, tratados, na melhor das hipóteses, com um paternalismo que exige "sacrifícios".

São pessoas que, de qualquer forma, se relacionaram com um "projeto de Brasil" que havia sido defendido tanto pelo antigo IPES (o "instituto" de "pesquisas e estudos sociais" patrocinado pela CIA e pelas empresas estrangeiras instaladas no Brasil) quanto por economistas como Roberto Campos e sociólogos como Fernando Henrique Cardoso, defendidos por políticos civis que apoiavam o regime militar.

Ao longo deste blogue, destrinchamos esse complexo projeto de mídia, de cultura e mobilidade urbana que encontram consonância com interesses e visões arbitrárias. Nem todos, evidentemente, participaram da elaboração desses projetos durante a ditadura, mas aprenderam, nos anos 90, lições e paradigmas que são claramente herdados de uma visão pragmática que prevalecia, por exemplo, durante o governo Geisel.

Ernesto Geisel foi um dos artífices do que, durante a ditadura militar, convencionou-se chamar de "governo revolucionário", juntamente com o general Golbery do Couto e Silva, membro do IPES e da Escola Superior de Guerra.

Os dois se apossaram da mobilização improvisada do general Olímpio Mourão Filho, que fez o golpe de 1964 a mando do banqueiro e governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, e estabeleceram as diretrizes do longo período anti-democrático que se sucedeu ao controverso governo de João Goulart, que apavorava o Brasil com um projeto que, décadas depois, Lula em parte realizou em dois mandatos completos.

Ernesto e Golbery sempre atuavam nos bastidores do governo militar, juntamente com outras figuras como os generais Emílio Garrastazu Médici, Artur da Costa e Silva e outros. E, depois de uma fase de repressão muito rígida, durante o governo do general Médici, estabeleceram uma "abertura política" limitada ao mais "pragmático" possível, geralmente uma redemocratização restritiva e "gradual".

Não é preciso reconhecer que algumas limitações sempre se encontram nesses "maravilhosos" projetos lançados por políticos, tecnocratas ou intelectuais que se influenciaram direta ou indiretamente pela Era Geisel - entendendo que os governos dos Fernandos, Collor e Henrique Cardoso, são claramente heranças do projeto sócio-político da Era Geisel - , uns reconhecidamente conservadores, outros nem sempre.

Vejamos alguns exemplos:

1) MOBILIDADE URBANA - A medida de Jaime Lerner de, entre outras medidas, dar um mesmo uniforme para diferentes empresas de ônibus e reduzir as frotas de ônibus em circulação, apesar de medidas exaltadas como "modernas", seguem a lógica da "disciplina" própria da ditadura militar, e cria limitações aos passageiros comuns em reconhecer de imediato a empresa de ônibus a serviço de uma linha e, além disso, aumenta o tempo de espera de um ônibus, já que as promessas de trajetos mais rápidos esbarram no lobby da indústria automobilística, que põe cada vez muito mais automóveis nas ruas.

É bom deixar claro que fora desse âmbito, Jaime Lerner demonstra ser um político tão reacionário quanto, por exemplo, Geraldo Alckmin, sendo privatista doentio e dotado de eventuais abusos de poder e burlas à lei, para satisfazer seus interesses políticos. Lerner não poderia ser "moderno" de um aspecto e retrógrado em outro. Seu projeto de mobilidade urbana, salvo poucas virtudes, é na verdade bastante retrógrado.

2) MÍDIA - A grande mídia, na redemocratização do país, tenta promover a "liberdade de expressão" e a defesa da cidadania. Isso criou um poder midiático concentrador, no qual as rádios FM, por exemplo, deixaram de promover cultura com a segmentação musical e passaram a parasitar a programação de rádio AM, criando rádios que "falam demais e pouco dizem".

Além disso criar um mercado predatório, que prejudica muitos profissionais, faz o rádio ficar tedioso e apegado a interesses meramente comerciais, com a concorrência desleal das FMs sobre as AMs que prejudica tanto a Amplitude Modulada quanto a Frequência Modulada.

Na imprensa e na televisão, o poder concentrador também se dá pelo pedantismo supostamente "messiânico" dos comentaristas políticos, pelos valores retrógrados dos programas de entretenimento, da desvalorização da cultura popular (corroborada pelas rádios) e pelo conservadorismo ideológico dos valores morais e sociais difundidos.

3) CULTURA - A intelectualidade que hoje difunde uma visão dominante da cultura popular - seja, por exemplo, Milton Moura na Bahia, seja Paulo César Araújo e Hermano Vianna no Rio de Janeiro - , na medida em que defende a suposta "cultura popular" do brega e seus derivados, de Waldick Soriano a MC Naldo passando por Ivetes, Zezés, Belos, Tchans e Calcinhas, também mostra essa herança de uma visão difundida pelo IPES e, depois, por Roberto Campos e por Fernando Henrique Cardoso.

É uma intelectualidade que se comprometeu a empastelar as lições da Semana de Arte Moderna de 1922, desqualificar os debates do ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros) e do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes em torno da cultura popular, substituindo-os pela visão tecnicista, de cunho neoliberal, difundida sobretudo pela Teoria da Dependência de Fernando Henrique Cardoso.

Neste caso, o povo sente as limitações de não ter para si seu próprio patrimônio cultural, que acaba se tornando "patrimônio" de classes mais abastadas. Elitizou-se o folclore brasileiro e discrimina-se o acesso da MPB autêntica ao povo pobre, não eliminando todo o acesso em si, mas criando dificuldades que acabam fazendo prevalecer no gosto popular formas caricatas e pasteurizadas de cultura popular, caraterísticas da música brega e de seus derivados.

Vendo alguns desses aspectos, dá para perceber que, se alguns desses políticos, intelectuais e tecnocratas se consideram "esquerdistas", é porque a esquerda, como temos hoje no Brasil, falhou em muitos aspectos, aceitando ser cooptada por elites que, de diversas formas, acabam empastelando e comprometendo a verdadeira cidadania, fazendo o povo sofrer mais em troca de supostos benefícios que nunca trazem vantagens reais ou definitivas e só atendem aos interesses dos donos do poder.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

DILMA DESCARTA LEI DE MEIOS, MAS PATROCINA MÍDIA E DÁ "BOLSA NOVELA"

DILMA ROUSSEFF BENEFICIA BARÕES DA GRANDE MÍDIA; CHRISTINA KIRCHNER, NÃO.

Por Alexandre Figueiredo

As chances do Brasil ver surgir uma lei que regulamentasse, de forma democrática e responsável, os meios de comunicação, foram descartadas pela presidenta Dilma Rousseff, que descartou, na semana passada, qualquer intenção neste sentido, conforme declarou o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, César Alvarez.

No entanto, o Governo Federal lançou a "Bolsa Novela", apelido informalmente dado a um investimento para pessoas pobres adquirirem a televisão digital. Não bastasse isso, continuam também os bônus por volume que beneficiam a arrecadação de publicidade do Governo Federal pelos veículos da grande mídia que justamente atacam e desmoralizam a presidenta e tudo o que for relacionado ao PT.

Em outras palavras, Dilma Rousseff está beneficiando os barões da grande mídia que lhe fazem oposição acirrada, bem mais forte e atuante do que até mesmo a oposição política dos combalidos PSDB, DEM e PPS. Dá mesada para os "urubólogos" dizerem que seu governo é um completo fracasso, mesmo quando tenta alguns acertos.

Outro aspecto grave é que Dilma Rousseff mantém a grande mídia na sua libertinagem irresponsável, na deturpação e pasteurização de valores culturais através de seu entretenimento, na medida em que barra a regulamentação mas estimula o consumo de televisão através da "Bolsa Novela".

Agindo dessa forma, a presidenta perdeu uma boa oportunidade de promover o progresso social do pais, permitindo que a mídia comercial mantenha seus abusos, enquanto empurra o povo, sobretudo o mais pobre, para o consumo cada vez mais impulsivo de uma mídia de qualidade duvidosa.

Não bastassem os estragos feitos pela grande mídia, principalmente nos anos 90, causando sérios retrocessos na cultura brasileira, e não bastasse justamente a onda de saudosismo dessa mesma época promovida pela mesma mídia, a falta de leis para frear todas as baixarias e cafonices vistas, lidas e ouvidas só irá perpetuá-las mais e mais, agravando a situação que já está pior.

Os empresários do entretenimento popularesco, os "urubólogos" e a intelectualidade etnocêntrica agradecem a presidenta por essa atitude de omissão que não condiz com as promessas que Dilma fez de um governo progressista e audacioso. É mais um item para a coleção de equívocos que o Partido dos Trabalhadores acumula há muito tempo. E mais um erro que impedirá o Brasil de entrar realmente no Primeiro Mundo.

DO QUE "BEBE" A NOSSA FESTEJADA INTELECTUALIDADE?


Por Alexandre Figueiredo

Bons intelectuais o Brasil tem. Mas eles não conseguem ter a mesma visibilidade que outros que, embora de reconhecida formação acadêmica, não possuem uma visão contestatória dos problemas acerca de nossa cultura. Para eles, só existe "problemática sem problema" e tudo fica na "santa paz".

Sabemos que um Noam Chomsky e um Umberto Eco dificilmente entrariam na porta de entrada dos cursos de pós-graduação. Não por serem incapazes, muito pelo contrário. É que os graduandos das faculdades que possuem uma forte carga de raciocínio crítico, além de serem considerados "subversivos" para a "paz acadêmica", desafiam em inteligência a vaidade de muitos doutores-estrela da pós-graduação.

Estes não querem ter sua reputação diminuída com orientandos dotados de muita capacidade de analisar criticamente as coisas. Além disso, as elites acadêmicas dependem tanto do Estado quanto do mercado, para arrecadar recursos e verbas de pesquisas, que qualquer projeto de pesquisa contestatório é visto como uma ameaça à estabilidade asséptica desses meios.

Por isso não vemos mais intelectuais com muita visibilidade e muito senso crítico. Já se passaram mais de 50 anos que um Jean-Paul Sartre no Brasil não somente agitava a intelectualidade de nosso país, como era visto pelo grande público quase com o mesmo entusiasmo que um Psy no Carnaval de Salvador deste ano.

Alguns de nossos mestres já faleceram, mas mesmo alguns burocratas do ensino já possuem alguma idade. Em Salvador, aliás, os cientistas sociais Milton Moura e Roberto Albergaria já são idosos, mas eles defendem tanto a "cultura de massa" quanto qualquer um mais jovem. Mas se Paulo César Araújo e Hermano Vianna já são cinquentões, então a coisa fica pior ainda.

Isso porque, se os mais experientes já se rendem ao jabaculê mais escancarado, definindo as baixarias da pseudo-cultura popularesca como se fossem "novos valores sociais das periferias", onde até mesmo a pedofilia e a prostituição são vistos como "saudáveis", os mais novos, então, são muito mais confortáveis em seguir a manada.

QUE CULTURA ELES DEFENDEM?

O que "bebe" nossa intelectualidade? O que ela quer mesmo de nossa cultura? Vemos que nossa intelectualidade mais badalada, com muita visibilidade mas pouca confiabilidade por mais que seu prestígio arranque credulidade de muitos, mistura alhos com bugalhos defendendo, aparentemente, tanto a cultura de qualidade quanto aquela de gosto bastante duvidoso.

Eles não estão dispostos ao debate, e acham que o Brasil progredirá sendo uma "deliciosa bagunça", a qual a intelectualidade deve apenas explicar e corroborar, sempre no sentido ideológico de que mesmo os piores fenômenos representam um processo natural de "evolução" de nossa sociedade.

A defesa do "mau gosto" como se fosse uma "causa nobre" se alterna com pretensas atitudes de defesa das tradições culturais. De repente, o antropólogo tal que defendeu o "pagodão" baiano achando que até o New Hit, acusado de estupro, é "vítima de uma campanha moralista da alta sociedade", passa a defender os terreiros de candomblé.

Ou então o crítico musical que falou bem de Michel Teló e até de MC Naldo, no mês seguinte, vai defender o Quinteto Violado e a cantora Zezé Motta. Ou então o historiador que defendeu os ídolos cafonas mas depois vai entrevistar João Gilberto. E os jornalistas que exaltam as "popozudas" falando em Leila Diniz.

Será que eles defendem a "cultura popular" por uma simples hipocrisia elitista? E como isso se dá, se eles, no seu discurso, se apressam em "condenar" o elitismo, o higienismo e o preconceito que atribuem ao senso questionativo dos outros, enquanto eles mesmos são elitistas, higienistas e preconceituosos?

Evidentemente, todo discurso é construído para que se mascarem intenções. Precisamos desconstruir esse discurso, para que vejamos o que realmente ele quer dizer. Se aceitarmos o que um Hermano Vianna ou um Pedro Alexandre Sanches dizem sem descontruir o seu discurso, levaremos gato por lebre.

Mas para que finalidade eles recusam analisar criticamente os problemas de nossa cultura? Temos inferências, apontamos motivos prováveis. Vontade de aparecer na grande mídia? Representar interesses de grupos comerciais nacionais e estrangeiros? Em que ponto eles provavelmente são patrocinados por entidades estrangeiras, como a Fundação Ford, e qual a influência que eles sofrem das mesmas?

Eles querem realmente preservar a cultura popular do passado para seu usufruto privado? Ou será que eles defendem a mediocridade cultural para agradar suas empregadas domésticas e os porteiros de seus prédios? Ou será que eles estão a serviço de executivos de televisão? Jabaculê também financia projetos de pós-graduação?

O que se sabe é que sua recusa em avaliar criticamente os rumos da cultura de hoje desperta suspeitas. Muita gente deveria deixar de se seduzir por cantos da sereia que nomes como Paulo César Araújo e Hermano Vianna fazem na sua choradeira discursiva. Há algo de errado em nossa cultura e eles nem querem saber. Pelo contrário, eles estão a serviço do mercado e da grande mídia, e isso se deve levar em conta.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O JABACULÊ "COM CATEGORIA" NA IMPRENSA CULTURAL


Por Alexandre Figueiredo

O jabaculê tornou-se uma regra na imprensa cultural do nosso país, que dá saudades até no tempo em que, mesmo na imprensa reacionária, havia jornalistas culturais dotados de muita lucidez, como Ruy Castro, só para citar um exemplo bastante conhecido.

Hoje o que vemos é apenas a propaganda travestida de "reportagem" e "resenha cultural", geralmente feita para vender os produtos de gosto duvidoso da chamada indústria cultural. As editorias culturais viraram departamentos de marketing, verdadeiros escritórios comerciais, que fazem mera propaganda de produtos, só que "com categoria".

E isso envolve até mesmo a imprensa regional. Pode ser um jornal A Tarde, em Salvador, como pode ser O Liberal em Belém do Pará, o Diário Catarinense (do grupo RBS), em Santa Catarina e O Fluminense, de Niterói, já longe dos tempos em que o Grupo Fluminense de Comunicação abrigava a Fluminense FM, uma rádio de rock de verdade, diferente do Restart radiofônico que é a UOL 89 FM hoje.

O texto "Funk na veia: ritmo parece incansável na arte da renovação", que Ricardo Rigel escreveu no jornal O Fluminense, é um exemplo do jabaculê que se tornou o jornalismo cultural brasileiro, criticado tanto por figuras nacionais como Mino Carta quanto por figuras regionais como o crítico de cinema André Setaro, meu ex-professor da UFBA.

Cheio de inverdades, a reportagem de Rigel investe nos mesmos clichês pubicitários do "funk carioca", num repertório discursivo que não corresponde à realidade, definindo, de forma tendenciosa e hipócrita, o ritmo como se fosse uma "cultura rica", um truque publicitário cujo similar, na Bahia, já garantiu a "monocultura" da axé-music que sufoca as expressões culturais em Salvador.

Tentando uma falsa analogia entre o "pancadão" que se apropriou do termo funk e o funk original, que hoje temos que chamar de funk autêntico, aquele que, no Brasil, é representado por Tim Maia, Sandra de Sá e Banda Black Rio, entre outros, o texto tenta manter a tese, um tanto duvidosa, de que o ritmo "não para de se renovar", o que não procede na realidade.

O discurso é reforçado até mesmo por visões delirantes da intelectualidade, que tenta criar um discurso prolixo, como o da antropóloga Maria José Soares, que estabelece uma "complicada" relação entre o "funk carioca" e os "estilos de vida", dentro dos clichês da retórica intelectualoide que dão até piada (vide o personagem de Bruno Mazzeo, o antropólogo Aubenzio Peixoto, do seriado Cilada.

Há outros entrevistados que seguem o mesmo caminho, além da funqueira MC Anitta (foto), que por sinal mostra uma visão "ingênua" da chegada do "funk carioca" na "novela das nove". "O funk chegou à novela das nove. Isso é muito legal”, disse ela, sem saber das alianças entre o ritmo e as Organizações Globo.

Evidentemente, o "funk carioca" não chegou às novelas da Globo por uma questão de "muita batalha". As Organizações Globo e o grupo Folha foram os que mais apoiaram o "funk carioca". Além disso, toda a blindagem intelectual foi reforçada pelo embelezamento discursivo das duas corporações, que investiram em clichês narrativos tirados da Teoria das Mentalidades (Mentallité) e do Novo Jornalismo (New Journalism).

A reportagem também cita o novo hype do gênero, MC Naldo, mas ainda não cita o grupo niteroiense MC Federado e Os Lelekes, mas tudo indica que este é o pretexto para a reportagem, que não deixa esconder seu propósito publicitário travestido de objetividade jornalística, numa época em que até os conceitos de imparcialidade jornalística andam sendo bastante discutidos.

A tão alardeada "renovação do funk" também é outro aspecto sem lógica, afinal o som continua sendo o mesmo, com pequenas variações. O que existe é a renovação de fetiches, o lançamento de novos ídolos, que fazem essencialmente a mesma coisa. Até no chamado "funk melody". MC Anitta é um "genérico" da MC Perlla (que virou evangélica) e MC Naldo é um "genérico" dos MCs Buchecha, Sapão e Coringa.

Numa imprensa cada vez mais tendenciosa e conservadora, devemos desconfiar de textos assim sobre o brega-popularesco, principalmente o "funk carioca". Afinal, mil maravilhas se fala desse gênero, mas é só colocar um CD que essas maravilhas todas simplesmente desaparecem, diante de uma aberrante ruindade musical e uma clara imbecilização cultural. Se o "funk" está na veia de alguém, é porque está doente..

A SUB-CRIATIVIDADE NA MÚSICA BRASILEIRA


Por Alexandre Figueiredo

Os ideólogos da "cultura popular" que predominavam no mainstream intelectual brasileiro tinham, entre muitas teses, uma que, embora pareça bastante generosa em relação às classes populares, tem uma postura não só conivente mas estimulante à mediocrização sócio-cultural que atinge o apogeu no nosso país.

Essa tese se baseia na hipótese, um tanto utópica, de que as classes populares hoje se encontram num "outro contexto" de criatividade, atribuído supostamente à "recriação". Ou seja, as classes populares agora passam a ser "recriativas" e seu conceito de "criatividade" reside nisso.

Com todo o sofisticado repertório ideológico que possui para persuadir a opinião pública, a intelectualidade etnocêntrica de nosso país, tenta argumentar da "melhor maneira" para que sua visão elitista sobre o que deve ser a criatividade popular pareça "pertinente".

Geralmente eles usam como "justificativas" as artes de vanguarda mais recentes, que se baseiam em técnicas de colegam e sampleagem ou da reciclagem de expressões criativas conhecidas. Do movimento pop art nas artes plásticas ao hip hop lançado nos EUA, a intelectualidade tenta superestimar essas tendências para reforçar sua tese sobre a "recriatividade popular".

RECRIATIVIDADE OU SUB-CRIATIVIDADE?

Esse ponto de vista, embora pareça bastante generoso e correto, esconde preconceitos nos quais a elite intelectual que domina o país e estabelece sua hegemonia de visibilidade em palestras e até mesmo com a ajuda da grande mídia (da qual os intelectuais associados recusam a assumir seu vínculo) expressa contra o povo pobre.

Que na arte não existe expressão absolutamente inédita, isso é verdade. Mas dá para perceber sempre diferenciais criativos peculiares em determinados artistas, que, se nada fazem de absolutamente inédito, possuem um valor de novidade pela expressão e pelo estado de espírito de sua produção. Ou seja, eles tornam-se "inéditos" pela sua criação cujo frescor e força não possuem similaridade em outros.

Só para citar um exemplo bastante óbvio: Chico Buarque. Sua música remete a elementos criativos que se vê em Tom Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto. Ou em Denis Brean, Dick Farney e Braguinha. Ou em Carlos Drumond de Andrade e Heitor Villa-Lobos. No entanto, Chico trabalhou esses elementos com uma personalidade própria, cuja arte se sobressai pelo frescor e força próprios.

Isso não é o mesmo que se atribui ao brega-popularesco, quando pessoas surgidas nas classes populares, mas a serviço do "deus" mercado, pegam elementos estrangeiros difundidos pelo rádio e TV e "recriam" em produtos (no sentido econômico do termo) considerados "de linguagem própria", pelo simples fato formal de que são cantados em português por pessoas residentes no Brasil.

É até uma forma cínica de um paternalismo elitista tentar usar o hip hop, por exemplo, para "justificar" o "funk carioca". Ou então partir para a necrofilia e tirar, tendenciosamente, o escritor modernista Oswald de Andrade do esquecimento, que a memória curta lhe condenou, só para reforçar a retórica de defesa das tendências bregas dos últimos 45 anos.

Nestes casos, não há "antropofagia". Afinal, a "recriação", quando verdadeiramente re-criativa, significa que elementos "de fora" ou previamente criados são usados para somarem-se à nova expressão criativa. Por exemplo, de repente um rapper do ABC paulista se acha por bem samplear "Peace Frog" dos Doors. Vamos dar um nome hipotético para ele: Sandro Navalho.

Suponhamos que, através do sâmpler de "Peace Frog", com o conhecido acorde de órgão de Ray Manzarek, é "montado" para servir de fundo para o rap de Sandro Navalho, que com sua letra falada e rimada ele batiza com o título de "Sapo da Paz", com o refrão que diz "Sou o sapo da paz / Que fala na periferia / O que o povo entende / E o governo nem sabia".

Pelos malabarismos vocais de Sandro Navalho, sua velocidade de dicção e suas entonações, enquanto o disc-jóquei joga uma base pré-gravada da introdução instrumental de "Peace Frog", repetida para "ambientar" o vocal, com eventuais manobras de scratch - o manejo manual de uma vitrola em movimento - e o resultado, de fato, torna-se criativo não pelo ato em si, mas pela habilidade com que rapper e DJ o fazem.

Não é o mesmo do que um ídolo brega-popularesco pegar uma canção estrangeira do rádio e fazer versão em português. Nem tudo que parece "recriativo" é realmente criativo. Daí a sub-criatividade que ocorre quando não há a criatividade na apropriação, direta ou indireta, de algum elemento artístico já feito.

SOMAS E SUBTRAÇÕES

Na apropriação de elementos artísticos prévios, a criatividade só ocorre quando essa apropriação é feita para somar-se à expressão artística. No caso fictício de Sandro Navalho, a música dos Doors somou-se à criação dele, causando um resultado próprio, que faz um diferencial na expressão artística.

Esse é também o caso da antropofagia de Oswald de Andrade, quando o elemento estrangeiro é assimilado para enriquecer uma expressão local. Ele mesmo propunha cautela para que o elemento estrangeiro não se sobrepusesse às expressões locais, e que estas também precisam ter sua força sócio-cultural mantida.

O brega-popularesco, seja o brega original de Waldick Soriano e Odair José, seja o "funk carioca", seja o tecnobrega, axé-music, "sertanejo" e todas as demais tendências, nem de longe pode ser considerado "antropofágico", até porque, neste caso, não existe soma de expressões culturais, mas uma subtração, já que o que vemos são músicas "não muito estrangeiras, mas também nem tão brasileiras assim".

Afinal, o brega-popularesco se dá pela assimilação submissa de elementos estrangeiros trazidos pelo poder midiático de rádio e TVs locais, controlados por oligarquias. Isso enfraquece as expressões locais, que viram um subproduto da "educação" feita pelo poder midiático regional. E tudo se dá em função desses "ventos" midiáticos, por mais que os "artistas" envolvidos formem carreira por decisão própria.

Os aspectos locais são enfraquecidos pela baixa consciência social, sobretudo consequência da escolaridade precária e pela baixa autoestima regional. Os aspectos estrangeiros são assimilados de forma deslumbrada, mas dentro do contexto de colonização cultural, onde o elemento estrangeiro não é assimilado por vontade da própria pessoa, mas é o que aparece como "mundo ideal" através do rádio e TV.

Mesmo assim, essa assimilação das culturas estrangeiras nem em si é forte. Ela é tão debilitada quanto a consciência de localidade, uma vez que não são as culturas estrangeiras fielmente representadas pela transmissão via rádio e TV regionais, mas uma leitura "provinciana" dessas culturas. Ou seja, elas mesmas são deturpadas e chegam ao público local de forma estereotipada e bastante distorcida.

Ou seja, o brega-popularesco é duplamente fraco: fraco como expressão de alguma indentidade nacional ou regional, fraco como expressão de uma possível universalidade cultural. Não consegue ver o local e o global de forma plenas, mas sempre de maneira submissa e precária, por mais que tendenciosamente sinalize alguns "progressos", como a pseudo-sofisticação da "MPB de mentirinha" de bregas "arrumadinhos".

Portanto, brega-popularesco é sub-criatividade. E, como tal, não representa acréscimo algum na cultura brasileira, só prevalecendo no gosto popular sob o apoio ferrenho do poder midiático. E essa sub-criatividade não pode ser confundida com "re-criação", porque a verdadeira recriação, com toda a apropriação com o previamente já feito, soma sempre alguma coisa a ele.

O brega-popularesco, não. Ele subtrai, na medida em que nele as noções de local e global são muito precárias e tendenciosas, sem representar a espontaneidade necessária para a evolução artística que esperaríamos de uma cultura popular.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

MÚSICA BREGA E A GLAMOURIZAÇÃO PELA MEMÓRIA CURTA


Por Alexandre Figueiredo

A grande mídia tem desses truques. Na música brega, a grande mídia, nos momentos de crise, quando aumentam as críticas feitas contra os chamados "ídolos populares" lançados pela indústria do jabaculê, tenta poupar os mais antigos da superexposição enquanto esperam o momento certo para reciclá-los de forma ainda mais glamourizada.

Se isso ocorre com uma rádio pseudo-roqueira como a UOL 89 FM e sua risível ou constrangedora linguagem com forte sotaque de Jovem Pan 2, ocorre, evidentemente, com a geração de ídolos bregas mais antigos, que retornam à evidência com a falsa imagem de "gênios injustiçados da MPB", através da blindagem intelectual dominante.

A memória curta transforma estrume em ouro e hoje muitos desconhecem que o que hoje é tido como "genial" era sinônimo de baixaria há vinte anos atrás. E, em se tratando de música comercial, era para as coisas serem ainda mais perecíveis, mas o trabalho dos barões da mídia e seus séquitos tenta fazer o contrário, glamourizando hoje quem sempre significou sinônimo de coisa cafona e ultrapassada.

Com a nivelação por baixo que ocorre em vários setores da vida humana, no Brasil, tudo que era empurrado goela abaixo nos anos 90 é visto como "genial". E aí entram os neo-bregas que fizeram sucesso sobretudo entre 1989 e 1998, hoje vistos como supostos mestres da música, esperando alguma onda saudosista que os faça parecer "respeitáveis" diante do grande público.

Por isso é que, com tantos nomes cada vez piores que surgem na nossa música, com "sertanejos" cada vez mais patéticos parecendo um Restart cheirando a feno, os neo-bregas que, no começo dos anos 2000, se comprometeram a fazer uma "MPB de mentirinha" para enganar o público, agora tentam reforçar essa falsa reputação às custas do saudosismo e do tempo de duração.

Um exemplo é o cantor Daniel (foto), um crooner bem aos moldes de cantores bregas lançados no final dos anos 70, como Nahim, Ângelo Máximo e outros, mas inserido num contexto "caipira" que não o faz menos brega que os outros.

Tendo feito sucesso nacional um pouco depois que outros ídolos neo-bregas como Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, Belo e Ivete Sangalo, Daniel, não bastasse ser um nome comum sem sobrenome, nunca se destacou por uma música autoral, mas por versões de sucessos estrangeiros ou de regravações de esquecidos sucessos da música brega ou de covers pedantes de MPB.

Daniel é um daqueles ídolos que nunca sairiam de programas como os de Sílvio Santos, Bolinha e Raul Gil nos anos 70, mas tornou-se protegido da Rede Globo, que ajudou a "embelezar" a geração neo-brega dos anos 90 e os estimulou a fazerem uma pseudo-MPB para conquistar fatias de mercado mais abastadas.

O problema, portanto, não é o sucesso desses ídolos em si, mas a obsessão deles de parecer o que não são. Daniel, Leonardo, Alexandre Pires, Belo e outros nunca foram mais do que cantores bregas fazendo um arremedo de música brasileira, pasteurizado e caricato, soando forçados e canastrões quando tentam se aproximar do que a MPB mais conhecida consegue fazer.

E isso acaba se mostrando uma farsa, na medida em que os ídolos neo-bregas, como já foi escrito aqui, apenas trabalham um simulacro de MPB que não os faz mais artistas nem mais criativos. É um processo cosmético que os faz até piores do que os artistas da MPB autêntica em fases mais pasteurizadas, como Simone, Guilherme Arantes e Zizi Possi nos anos 80.

Isso porque os ídolos neo-bregas se equiparam a crooners de reality shows musicais, quando gravam covers de MPB, num trabalho "correto" mas burocrático. E, no repertório autoral, continuam tão medíocres quanto eram nos primeiros discos abertamente bregas. Só contam com um aparato melhor, que não compensa o conteúdo.

Além disso, eles acabam levando às últimas consequências o que a MPB pasteurizada pelas gravadoras nos anos 80 havia feito, e se a crítica acusava a MPB autêntica de ser extremamente piegas e alienada nessa fase, os neo-bregas levam tudo isso ao extremo. Só para se ter uma ideia, Daniel adotou como logotipo uma assinatura, assim como Simone havia feito na sua fase pasteurizada dos anos 80.

Isso em nada acrescenta à Música Popular Brasileira. Os neo-bregas apenas mantém o jogo das aparências. Não se tornam musicalmente melhores, apenas se tornam fetiches mais requintados, mas limitando-se a desenvolver seu carisma mais como celebridades do que como artistas.

A memória curta de muitos brasileiros até pode ter a falsa impressão de que os neo-bregas dos anos 90 são "injustiçados da MPB". Impressão reforçada pela chorosa campanha vista na grande mídia, através da Rede Globo, das revistas Caras e Contigo e da Folha de São Paulo, que glamourizam a mediocridade cultural, até mesmo a mais antiga, se aproveitando dessa memória curta.

Mas é só tocar seus breguíssimos CDs que se verá que de MPB os neo-bregas nada têm: a boa cosmética não disfarça a mediocridade artístico-cultural.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

A IRRESPONSÁVEL DUBLAGEM DE PRODUÇÕES PORTUGUESAS NO BRASIL


Por Alexandre Figueiredo

Uma coisa digna de piada de brasileiro em Portugal ocorre, mais uma vez. É a dublagem, em português brasileiro, do seriado da TV portuguesa Equador, ficção histórica produzida pelo canal TVI. Ignorando todo o processo de interação entre portugueses e brasileiros, a dublagem reflete a que ponto os brasileiros são vítimas da imbecilização cultural de que tanto descreveu Mino Carta.

As alegações usadas pela TV Brasil (antiga TV Educativa) para a adoção da dublagem - algo semelhante foi feito para uma novela brasileira transmitida pela Rede Bandeirantes - , citadas pela assessora de Ouvidoria da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Carolina Farah, em resposta ao articulista do Observatório de Imprensa, José Guilherme Alves Martini, parecem à primeira vista "corretas". Eis o que ela escreveu:

"No que diz respeito à dublagem da minissérie Equador, a Superintendência de Programação da TV Brasil esclareceu que a série original em português lusitano não é compreensível para a maioria dos brasileiros – testamos a possibilidade com grupos de telespectadores, focus group – ainda mais se tratando de textos dramatúrgicos. O próprio produtor da série nos propôs, então, que para a mesma atingir o maior número possível de brasileiros o melhor seria dublá-la para o português do Brasil. Havia também a possibilidade de legendá-la mantendo o áudio original, mas isso seria excludente, já que muitas pessoas, em geral mais idosas, têm dificuldades em ler legendas e ver as cenas simultaneamente. Além disso, por sermos uma emissora pública, nosso dever é contemplar a língua pátria e tornar a série mais acessível. São escolhas e decisões tomadas pensando em agradar a grande maioria."

Num país onde os intelectuais acham sinônimo de "elitismo" e "higienismo" desejar a melhoria da cultura do povo pobre, e onde muitos acham natural as escolas públicas simplesmente não funcionarem, o argumento parece "correto" porque usa alegações tipicamente tecnocráticas para "justificar" a ignorância do público.

O próprio José Guilherme lamentou a resposta, destacando que a missão da TV pública deveria estimular a cultura, por não estar sujeita às regras do mercado. Há muito a mídia em geral desqualifica e desnivela as expressões culturais para "atingir o grande público".

O pior é que, no elenco do seriado Equador, há uma figura muito conhecida entre os brasileiros, a atriz portuguesa Maria João Bastos, beldade que passou um bom tempo no Brasil, participando de novelas da Rede Globo e que teve até um "namorico" com a atriz Letícia Spiller, atualmente em Salve Jorge.

Se o fato de Maria João quase ter virado brasileira não estimula que o som original do seriado seja mantido, a situação torna-se então muito séria, e vai contra os princípios de cooperação entre os países lusófonos, já que dublar produções lusitanas, no Brasil, é o mesmo que rir da cara do povo português.

E deve-se levar em conta que os países lusófonos se reúnem periodicamente para discutir as evoluções do idioma. A própria reforma ortográfica de 2012 é resultante de debates ocorridos entre especialistas de diversos países que falam a língua portuguesa acerca das transformações sofridas pela língua nos respectivos países, sejam Portugal, Brasil, Angola ou outros.

Dificuldades de ouvir o português lusitano, bem mais veloz e de pronúncias mais complexas, algo comum entre os brasileiros médios, não é desculpa para a dublagem. Afinal, o hábito cria a familiaridade da audição de sons estranhos. Há casos de pessoas, no Brasil, que aprenderam o inglês apenas ouvindo as rádios de ondas curtas, sem qualquer curso, apenas com a eventual ajuda de um dicionário.

A paciência em ouvir gente que fala o nosso idioma, ainda que de forma mais complexa, é algo que, em uma questão de meses, pode reduzir a incompreensão original. É como ocorre em qualquer bebê, que, não sabendo falar, adquire o hábito, em princípio, com a simples audição das pessoas que o cercam, sobretudo seus pais.

Nos EUA, as produções da TV britânica, quando lá transmitidas, mantém o som original com todo o sotaque carregado dos britânicos. E nem por isso existe qualquer dificuldade ou conflito com isso. No caso da língua portuguesa, produções da TV brasileira são veiculadas em Portugal mantendo totalmente o som original.

Portanto, nada justifica a dublagem de produções portuguesas no Brasil. Isso é adaptar-se à ignorância popular sem que algo seja feito para superá-la. E ver que isso acontece numa TV pública é mais constrangedor, pelas responsabilidades que deveria ter uma TV educativa. Mas hoje a televisão educativa se corrompe pela necessidade de recursos pela via comercial ou política.

LEI ROUANET E O MONOPÓLIO DA MÚSICA "POPULAR" DE MERCADO

DUPLA "SERTANEJA" YAGO E JULIANO, BENEFICIADA PELA LEI ROUANET PARA GRAVAÇÃO DE UM SIMPLES DVD AO VIVO.

Por Alexandre Figueiredo

A Lei Rouanet, como é conhecido o Plano de Apoio e Incentivo à Cultura (PRONAC), lançado durante o governo de Fernando Collor em 1991, aparentemente parece equânima quanto às diversas manifestações atribuídas à cultura popular, independente de que qualidade sejam.

A visão da lei entende que não deve haver discriminações quanto aos estilos musicais, e, conforme cita o recente Plano Nacional de Cultura - que complementa a outra lei - , não se deve, em tese, adotar critérios avaliativos sobre o que é "alta cultura" ou "baixa cultura" ou mesmo "cultura de massa".

Até aí tudo bem. Mas o problema é que, hoje, quem sofre discriminação é a cultura de qualidade. A música brasileira de qualidade, hoje, que era apenas um processo natural e normal de fazer música mas hoje é tido como "excepcional", é que é discriminada até mesmo por intelectuais de nome, tratada como "elitista" e "velha".

Até mesmo o sociólogo baiano Milton Moura usa a palavra "sofisticação musical" no sentido pejorativo, como forma de evitar que a cultura de qualidade seja válida no gosto popular, enquanto define a mediocridade e até a imbecilização como "formas naturais" de expressão do povo pobre.

Quanto à Lei Rouanet (Lei 8313, de 23.11.1991), criada pelo hoje diplomata Sérgio Paulo Rouanet, ligado ao grupo intelectual de Fernando Henrique Cardoso, as queixas em relação à essa lei se dão devido à ênfase no aspecto mercadológico em detrimento do cultural, e isso promove uma competição bastante desigual entre expressões comerciais e não-comerciais da cultura brasileira, não só musical.

Mas, no âmbito da música, vemos que, se no ano passado um grupo como o inexpressivo Tchakabum - cuja única coisa que fez de "importante" é lançar Gracyanne Barbosa para o estrelato - conseguiu verbas generosas do Ministério da Cultura, então sob a batuta de Ana de Hollanda, hoje a Lei Rouanet beneficia a cantora de axé-music Cláudia Leitte e a dupla breganeja Yago e Juliano, do sucesso "Que Isso Novinha".

Intérpretes de MPB / Rock Brasil e nomes brega-popularescos, mesmo os mais inexpressivos, competem na solicitação de verbas para realização de eventos, incluindo gravação de DVDs e CDs e simples turnês ao vivo. O problema é quando o brega-popularesco, que possui poderosos empresários e tem os barões da grande mídia como seus divulgadores maiores, ganha vantagem nas verbas do Pronac.

O "sertanejo universitário" já havia solicitado verbas do Pronac para suas atividades. Pela lei, é bastante lícito, mas o problema é que esse estilo é patrocinado por grandes proprietários de terras, pelos mais poderosos donos de rádio e TV, por políticos conservadores, por empresas multinacionais, por grandes corporações de atacado e varejo.

Enfim, das entidades privadas, duplas "sertanejas" já contam com tanto apoio financeiro que até mesmo o Departamento de Estado dos EUA, feliz em ver jovens brasileiros de boa aparência fazerem arremedos estereotipados de folk rock e country music, teria gosto em investir milhões de dólares nessas duplas.

A MPB é que precisa chorar, para conseguir algum investimento. Isso quando não conta com apoio da grande mídia, tem dificuldades de acesso ao grande público, só conseque, no máximo, um papel secundário no gosto popular dos brasileiros, e é tida como "velha" e "ultrapassada" pelos críticos e intelectuais mais festejados, que detém o privilégio da visibilidade nas palestras e nos textos produzidos.

Daí o monopólio da música "popular" de mercado, que é a Música de Cabresto Brasileira, a modalidade musical do brega-popularesco. Ele não está satisfeito com seus espaços, quer ampliar mercados às custas da blindagem intelectual e da choradeira que se faz de ídolos que ficam ricos e fazem muito sucesso, mas que posam de "perseguidos" e "coitadinhos". Yoani Sanchez que o diga.

Eles pedem dinheiro do MinC para fazer seus rotineiros DVDs ao vivo, que não mostram novidade alguma, nada acrescentam à nossa cultura e apenas produzem meros sucessos comerciais, que sempre aparecem nos repertórios desses trabalhos ao vivo, que camuflam a baixa criatividade desses nomes, incapazes de se sustentarem com discos de estúdios com um mínimo de conceito musical.

Eles têm a mídia ao seu lado, têm todo o mercado em seu apoio. Duplas que surgem do nada viram sucesso no YouTube, nas rádios, nas TVs, na revista Caras, e seus ídolos ainda choram para serem respeitados até pela imprensa de esquerda.

Já a MPB autêntica, de valiosas contribuições à nossa cultura, é que precisa competir para que, pelo menos, não seja esquecida pelo grande público, ainda que uma Rita Lee corra o risco de ser dada como "polêmica" e ter suas gravações originais ofuscadas pelas versões oportunistas e pedantes que algum brega-popularesco gravar por aí.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

CASO NEW HIT: ENQUANTO NÃO HOUVER JUSTIÇA, HAVERÁ ESCRACHO FEMINISTA

GRUPO NEW HIT, QUE HAVIA SE ENVOLVIDO NO ESTUPRO DE DUAS GAROTAS NO INTERIOR DA BAHIA.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O grupo New Hit levou até as últimas consequências o preocupante "pagodão" lançado ao sucesso comercial a partir do grupo É O Tchan, nitidamente machista e cujo maior sucesso, "Segura o Tchan", faz apologia ao estupro.

Os grupos costumam, além de defender a pornografia obsessiva e valores fortemente machistas, trabalhar uma imagem depreciativa do negro baiano, reduzido a um misto de "pateta" e "tarado". Os medalhões tentam disfarçar, mas já existe a versão "proibidão" do "pagodão" que, à maneira do "funk carioca", faz apologia à criminalidade e até mesmo à pedofilia.

É o caso do New Hit, envolvido no estupro de duas jovens no interior da Bahia, um caso que mostrou a gravidade do "pagodão" que estimulava a exploração sexual das mulheres baianas e, através da manipulação midiática, empurrava as jovens dos subúrbios a fazer assédio sexual de qualquer homem, sem medir critérios de caráter moral ou afinidade pessoal, o que faz as baianas pobres se tornarem vulneráveis ao tráfico internacional de mulheres e à prostituição em geral.

Caso New Hit: Enquanto não houver justiça, haverá escracho feminista!

Marcha Mundial das Mulheres - Extraído do Blogue Maria da Penha Neles

Salvador, 20 de fevereiro de 2013

O último dia do julgamento da Banda New Hit foi adiado para os dias 03,04 e 05 de setembro. Os advogados de defesa solicitaram à juíza o cancelamento do 3º dia de depoimentos com a justificativa de que as testemunhas de acusação não foram encontradas. Nítida manobra da defesa para adiar a condenação.

Além do sofrimento do crime em si, as vítimas estão distantes da sua cidade, afastadas do convívio social e com as suas liberdades cerceadas, condição que gera a revitimização das garotas, que além de sofrerem violência sexual, sofrem atualmente com a prisão e ameaças de morte, enquanto os homens, autores do crime, encontram-se em liberdade. O Estado de Direito está conivente com a naturalização da violência contra a mulher.  

O crime hediondo cometido em Ruy Barbosa contra duas adolescentes, pelos integrantes da banda New Hit, com a conivência e violência de um policial militar no dia 26 de agosto de 2012, não será esquecido por nós.  Fazer isso é corroborar com o estupro e com a culpabilização das vítimas pela violência sofrida. Não podemos permitir a naturalização de atos como esse, de tamanha barbaridade e crueldade, fundamentados no machismo que subordina, oprime e assassina milhões de mulheres.
     
Convocamos todas as organizações, movimentos, entidades, mulheres e homens que defendem uma sociedade justa e igualitária para juntar-se a nós na mobilização pela condenação dos estupradores. É preciso organizar-se. Por isso, convidamos todas e todos a participarem da reunião que acontecerá  na próxima quarta-feira, 27 de fevereiro, às 17h, na Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, em Salvador (BA).

No dia 16 de outubro de 2012, nós, mulheres, militantes da Marcha Mundial das Mulheres, escrachamos o estuprador Eduardo Martins que descansava em sua casa de veraneio em Guarajuba (BA). Hoje, afirmamos: MAIS ESCRACHOS VIRÃO!

Até que os integrantes da Banda New Hit sejam julgados e condenados não descansaremos! Temos direito a uma vida sem violência e lutaremos por isso. ENQUANTO NÃO HOUVER JUSTIÇA, HAVERÁ ESCRACHO FEMINISTA!

Seguiremos em Marcha até que todas sejamos LIVRES!

Eu to na rua, é pra lutar, por um Projeto Feminista e Popular!

YOANI SANCHEZ E A INTELECTUALIDADE ETNOCÊNTRICA BRASILEIRA


Por Alexandre Figueiredo

Que relação podemos fazer entre Yoani Sanchez, que prega a "liberdade de expressão" e a "cidadania", e os intelectuais brasileiros que pregam a "liberdade da cultura popular", a "liberdade de expressão" da mediocridade e outras "liberdades" ligadas às baixarias da vulgaridade feminina e do jornalismo policialesco?

É difícil. Os intelectuais que defendem a pseudo-cultura brega-popularesca, que tem um tanto de populista e outro tanto de neoliberal, tentam se desvincular do poder midiático e seus interesses, como o diabo foge da cruz segundo a anedota popular. Aliás, eles se protegem sob o rótulo "popular", permitindo a imbecilização crônica, mas fazendo de tudo para serem considerados "progressistas" e "subversivos".

Mas, numa observação bastante cautelosa, não existe a menor diferença, por exemplo, entre uma Yoani Sanchez e, digamos, um tecnocrata como o brasileiro Ronaldo Lemos, o "revolucionário" estudioso do tecnobrega e das "novas mídias", propagandista da mesmice brega-popularesca que aparece fácil na grande mídia.

Ambos são relativamente jovens, com pouco mais de 35 anos, são bastante badalados pela mídia e possuem boa aparência e uma boa articulação discursiva. Ronaldo, no entanto, é cortejado pelas esquerdas médias pela forma que trabalha seu discurso do "negócio aberto", dando a falsa impressão de que as novas mídias, por si só, garantem a rebelião e a revolução sociais.

Só que, assim como se investiga a hipótese de que Yoani Sanchez é patrocinada pela CIA e pelas empresas associadas (grandes corporações sediadas ou em atuação nos EUA), sabe-se que Ronaldo Lemos é patrocinado pela Fundação Ford (que, apesar do nome ligado à famosa indústria automobilística, reúne representantes de outras empresas do porte) e pela Soros Open Society, de George Soros.

Isso dá no mesmo. As próprias patrocinadoras de Ronaldo Lemos são ligadas à CIA, que está interessada em desqualificar a cultura brasileira, enfatizando mais o pseudo-popular que aparece fácil na mídia do que o nosso rico patrimônio cultural condenado a virar peça de museu. Mas essa hipótese da influência da CIA no brega-popularesco é, infelizmente, vista com pilhéria por esses mesmos intelectuais.

Afinal, eles se julgam os donos da visibilidade. Vale a visão que eles pregam sobre a cultura popular, pouco importa se essa visão favorece mais os empresários do entretenimento e os donos de rádio do que as classes populares. E eles tentam criar argumentos confusos para que possam assim terem credibilidade sem que sejam devidamente analisados ou questionados.

E a relação deles com Yoani Sanchez? Ela se expõe, aparentemente, de forma "negativa" para as chamadas "esquerdas médias", descontando a solidariedade dada por um grupo do interior da Bahia ligado ao Coletivo Fora do Eixo.

No entanto, Yoani possui a mesma fachada "ativista" que agradaria aos intelectuais etnocêntricos de nosso país. Ela mesma se faz de "coitadinha", como Paulo César Araújo. Se o escritor da historiografia brega julga que "nunca recebeu verbas para seu projeto de pesquisa", Yoani diz que é "perseguida e eventualmente presa" durante suas manifestações.

Yoani é estrela do mesmo mercado que exalta os brega-popularescos e, da mesma forma que estes são um arremedo de folclore brasileiro, Yoani é um arremedo de ativismo social. Esses arremedos agradam os barões da grande mídia.

A pretensa "cultura popular" dos rádios e TVs consegue enganar um pouco na sua "independência" ideológica, mas não consegue esconder suas ligações com os barões da grande mídia. Da mesma forma que a intelectualidade que quer ver um Brasil mais cafona, porque é um Brasil mais submisso e que acaba aplaudindo não só esses intelectuais, como também a blogueira cubana amiga das autoridades dos EUA.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...