segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

SÃO PAULO, UMA CAPITAL CONSERVADORA?


Por Alexandre Figueiredo

A cidade de São Paulo pode ser a maior da América Latina, mas em que pese seu caráter aparentemente moderno, ela vive o conflito histórico entre modernidade e atraso, cosmpolitismo e provincianismo, progresso e retrocesso. A cidade serve para vitrine tanto de ideias futuristas quanto de interesses coronelistas.

Pois a São Paulo do PSDB, partido pretensamente moderno que demonstrou ser um aglomerado político bastante conservador, ainda tenta dar seu grito. A velha grande mídia, agonizante, junto aos políticos reacionários que não conseguem mais exercer seu prestígio, busca seus últimos recursos de apoio, para manter seu poderio de alguma forma.

Pois em certos momentos, o conservadorismo vê a hora de substituir os anéis, para preservar os dedos. Cria "novidades" que buscam reciclar seu poder sobre a sociedade. E São Paulo foi durante muito tempo o lugar exato para a reciclagem ideológica de ideias e fenômenos retrógrados no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Hoje, o segundo polo dessa reciclagem é o Rio de Janeiro.

Se o Rio de Janeiro agora realimenta tendências retrógradas que a "reciclagem" paulistana não consegue mais fazer prevalecer, São Paulo ainda não perdeu a "majestade" do processo. Sede do Instituto Millenium e quartel-general da velha grande mídia, São Paulo vê agora os barões midiáticos fazerem suas últimas apostas numa simples emissora de rádio.

Foi dessa forma que eles investiram no "retorno triunfal" da 89 FM, rádio que distorceu, deturpou e empastelou a cultura alternativa juvenil para os clichês e estereótipos mais conservadores. Rebatizada de UOL 89 FM, a emissora, apesar do discurso "novidadeiro" e do oba-oba em torno da "rádio rock", possui o suporte conservador do apoio de Otávio Frias Filho.

A parceria está prevista para um ano, contando a partir deste mês. Mas a grande mídia sempre depositou apoio à 89 FM, e o respaldo ideológico continuará. A rádio está tendo um sucesso comercial e de audiência, nem tanto por ser "rádio de rock", mas por ser uma emissora destinada a um tipo de catarse juvenil e uma onda saudosista dos anos 90.

A 89 FM sempre foi expressão de uma São Paulo que tenta ser moderna e conservadora ao mesmo tempo. Seu paralelismo ideológico com a Folha de São Paulo e o PSDB é exato. O protecionismo dos grupos Folha e Abril permitiram que as críticas do público de rock autêntico contra as limitações e erros da emissora permitiram que a 89 ficasse mais tempo no ar, mais pelo seu departamento comercial forte.

RETORNO VISA DOMESTICAR REBELDIA JUVENIL

O retorno da 89 FM, portanto, tem como objetivo principal fazer com que a juventude brasileira seja controlada de forma mais intensa pelos barões da grande mídia. O retorno da "rádio rock", além de favorecer a indústria de eventos internacionais de música, tem por fim criar uma forma "aceitável" de rebeldia que não ofereça ameaça ao poder político, econômico e midiático.

Alvo de muitas críticas e até ridicularizada por blogueiros e humoristas, a Folha de São Paulo optou pela tutela da 89 FM para salvar seu poderio. Uma rádio evangélica chegou a oferecer uma grana tentadora para comprar a 89 FM, ainda durante sua fase pop, iniciada em 2006 e encerrada há poucas semanas. Mas a Folha, através do portal Universo On Line, de sua propriedade, decidiu investir na volta da "rádio rock".

Portanto, são três processos. Um é retomar o nicho de consumo de medalhões da música internacional, fortalecendo uma indústria de promoção de eventos. Até aí nada demais. Mas o segundo e terceiro processos é que tornam-se cruciais para a domesticação da juventude brasileira e o esfriamento de seus ímpetos rebeldes.

O segundo processo, portanto, visa salvar os barões da grande mídia, cujo poder está abalado pelas críticas feitas por blogueiros. Nem mesmo as réplicas dos colunistas da Folha, como Josias de Souza e Eliane Cantanhede, contra a blogosfera, conseguem surtir efeito.

EVITAR OS MOVIMENTOS DE OCUPAÇÃO

Através da UOL 89 FM, a grande mídia tenta domesticar a juventude com um pretenso projeto de "rebeldia", no qual o rock é usado como pretexto. Culturalmente, o rock nem é abordado de forma abrangente pela rádio, cuja programação é restrita aos "grandes sucessos" do rock e aos nomes mais comerciais. Em outras palavras, uma mera rádio de hit-parade, só que "voltada" para o rock.

Com isso, a emissora pretende completar o "serviço" dos anos 90, no qual a rádio tentou se impor como um pretenso paradigma de radialismo rock, tentando enfraquecer as rádios autenticamente rock que existiram até 1990, pressionando-as para se diluírem comercialmente até serem extintas pela queda de audiência.

Retornando ao ar sob o mais exagerado e risível entusiasmo de seus ouvintes, a 89 FM  tenta se impor como um pretenso polo de rebeldia, reduzindo, no entanto, o instinto rebelde dos jovens brasileiros a um patamar de pose, retórica e mero consumismo.

A intenção é claramente evitar que se repitam, no Brasil, os movimentos de ocupação que acontecem na Europa e nos EUA, e que chegaram a ter reflexos na Argentina e no Chile. As pressões dos argentinos contra o capitalismo chegam ao ponto de impulsionar a Lei de Meios naquele país, ameaçando o poderio midiático do Grupo Clarín, que sofre o risco de perder boa parte de seu patrimônio.

Assustados com as pressões no exterior, os barões da grande mídia "ressuscitaram" a 89 FM visando a domesticação juvenil através dos estereótipos trabalhados pela rádio, que já nem de longe adota uma linguagem e uma filosofia realmente roqueiras, com seu padrão de locução, vinhetas e grade de programação claramente inspirados na Jovem Pan 2, mas "adaptados" para clichês roqueiros.

O simulacro de rebeldia da 89 FM tenta, assim, dar a impressão de que "existe rebeldia", mas que ela ocorre em níveis "saudáveis" (no jargão dos barões da mídia), algo complementar ao que o "negócio aberto" de George Soros faz financiando o Coletivo Fora do Eixo.

MODERNO NA FORMA, CONSERVADOR NA ESSÊNCIA

Assim, a 89 FM completa o serviço de uma elite paulistana ao mesmo tempo moderna (na forma) e conservadora (na essência). Com o respaldo da Folha de São Paulo e do resto da grande mídia, sob as bençãos do Instituto Millenium e de toda uma elite de direitistas que vão desde a "arrojada" Sônia Francine ao neo-medieval Carlos Alberto di Franco, a 89 FM nem está aí para mudar o mundo.

Pelo contrário, a UOL 89 FM será apenas uma realimentadora do mercado midiático, a promover sempre um conjunto de consumismo e conformismo, só que adaptado a clichês inócuos de rebeldia roqueira. E, como a São Paulo das elites demotucanas e seus séquitos, será mais um ente conservador a evitar que a mobilização juvenil do exterior seja fielmente reproduzida por aqui.

domingo, 30 de dezembro de 2012

O QUASE SILÊNCIO SOBRE JOE STRUMMER


Por Alexandre Figueiredo

Admito que deixei ocorrer uma semana de atraso para lembrar dos dez anos de falecimento do músico Joe Strummer, um dos fundadores do grupo punk The Clash, uma das mais importantes bandas do gênero. Mas a minha "agenda" estava sobrecarregada, entre compromissos particulares e uma sobrecarga de assuntos nos meus blogues que fizeram o assunto ser adiado.

Portanto, não foi por omissão. Eu havia me lembrado do falecimento e da falta que faz essa grande figura, um músico criativo e um ativista sócio-cultural como poucos, diante da acomodação que o punk rock já sofria em 2002 e que sucumbiria ao roquinho emo dos últimos anos.

Mas desde os anos 90 o punk rock se acomodou. Se nos anos 80 tínhamos os punks de butique, nos anos 90 tivemos os poppy punks. Músicas sobre caras legais e garotas saradas, ou, quando muito, de leves molecagens de colegas ao mesmo tempo gozadores e encrencados da linha do Stifler de American Pie. Se havia uma letra falando de manobras de skate, já seria um alívio.

Pois, anos antes, naqueles idos de 1976-1977, o jovem cantor e guitarrista do grupo de psychobilly 101ers, cidadão britânico nascido na Turquia e filho de diplomata, John Graham Mellor, nome de batismo do músico, sentiu o entusiasmo daquela rebelião juvenil da Londres daqueles tempos, e decidiu encerrar o grupo e formar outra banda, o conhecido grupo The Clash.

A formação sempre contou com Joe Strummer, e na maior parte do tempo seus parceiros foram Mick Jones, também vocalista e guitarrista, e Paul Simonon, vocalista e baixista. Da formação clássica, teve dois bateristas, Terry Chimes e Topper Headon. O grupo durou de 1976 a 1986, sendo que com a formação clássica se encerrou em 1983.

O mérito do grupo esteve acima de qualquer controvérsia. Afinal, o Clash causou estranheza entre os punks radicais por assinar contrato com a Epic Records e, com o tempo, assimilar influências de reggae, funk autêntico e disco music. A princípio, o Clash poderia muito bem parecer um traidor do movimento punk, mas não foi.

Afinal, o Clash se destacou brilhantemente e havia sido essencialmente muito mais punk do que se imaginava. O grupo tornou-se criativo, buscando aventuras sonoras com o mesmo apetite que vimos nos Beatles em 1967, o que fez a banda se destacar não se aprisionando a uma estética punk que, banalizada, acabou se esvaziando na essência.

Foram seis álbuns fundamentais, um deles em vinil duplo e CD simples (London Calling, de 1979) e outro em vinil triplo e CD duplo (Sandinista, de 1980). Os dois álbuns desafiaram a fama dos punks de viverem de discos compactos, mas mostraram também o vigor criativo da banda, que com o tempo se estendeu em dois principais projetos derivados, o Big Audio Dynamite de Mick Jones e Joe Strummer & The Mescaleros.

A acomodação do punk rock nos anos 90 não só abriu caminho para o tal poppy punk - ponte entre os punks de butique mais antigos e os atuais emos - , mas mesmo o punk autêntico raramente saiu imune. As letras acabaram sendo de uma rebeldia vaga, com críticas sem destinatários, causas sem propostas, um discurso raivoso sem conteúdo.

Para quem não entende, é como se eles dissessem: "Vamos agir diante da ameaça que nos cerca", sem dizer de que ameaça se trata. Ou então: "Sai da frente, panaca, que queremos passar e você é um idiota", sem dizer a quem a letra se dirige. Isso é o que restou da contestação punk nos anos 90, na maioria das vezes.

Joe Strummer faleceu quando passeava de manhã perto de sua casa. Tinha apenas 50 anos e dois meses. Ele sentiu-se mal e sofreu parada cardíaca, falecendo quando estava em casa. A morte dele acabou com qualquer esperança de volta do Clash, já que ele e Mick Jones voltaram a se entender dois anos antes.

Isso mexeu muito no meio punk, e até que alguns grupos que faziam letras "críticas" sobre nada, ninguém e coisa nenhuma passaram a fazer letras sobre críticas políticas. Até mesmo o Good Charlotte, um grupo de poppy punk, teve que fazer críticas até ao feminicídio conjugal (quando machistas exterminam suas próprias esposas ou namoradas).

Com o tempo, até o Green Day passou a ser quase um "novo Clash" em termos de atitude punk. Mas isso lá fora, no exterior. Aqui os dez anos de falecimento de Joe Strummer foram praticamente passados em branco, quando muito houve lamentos dos roqueiros brasileiros, músicos e admiradores em geral, que sentem sincera falta do ex-líder do Clash.

Fora isso, só as "lágrimas de crocodilo" da "rádio rock" 89 FM, que prefere se comover com o falecimento dos piadistas Mamonas Assassinas do que com a perda de figuras importantes como Renato Russo, Chico Science, Redson (do Cólera) e, entre os estrangeiros, figuras como Ronnie James Dio, Adam Yauch e Joe Strummer.

O que dizer então do saudoso Sky Saxon, do grupo psicodélico The Seeds, para os "mãos-de-vaca" da UOL 89 FM, que fingem sentir total receptividade ao rock alternativo, mas nunca vão além de tosqueiras tipo Marilyn Manson ou do feijão-com-arroz do Flaming Lips? Mas "Pushin' Too Hard" dos Seeds entrar na trilha no próximo blockbuster com Tom Cruise, quem sabe role na UOL 89 FM? Só nessas condições.

O falecimento de Joe Strummer nos faz pensar num tempo em que a rebelião juvenil poderia ter lá seus defeitos e exageros, mas expressava vida, intensidade, espontaneidade e idealismo. 1976 e 1977 foram dois anos históricos, de um movimento juvenil que quebrou de vez a sisudez do mundo adulto, que tentava de recompor depois da rebelião hippie, psicodélica e beatnik dos anos 60.

sábado, 29 de dezembro de 2012

A MANIA DE SE CONTENTAR COM POUCO... E ATÉ COM O PIOR!!


Por Alexandre Figueiredo

O grande cacoete de muitos brasileiros é se contentar com pouco. A ideia de qualidade de vida é distorcida para questões meramente materiais. Nada de uma verdadeira qualidade de vida, que ultrapasse falsas conquistas, meramente paliativas, mas de benefícios superficiais ou mesmo duvidosos.

Todo mundo quer ter um apartamento de luxo, um carro do ano, um celular de última geração, uma TV de plasma. Mas, para isso, vários brasileiros preferem apoiar medidas nem sempre realmente benéficas, mas que trazem apenas alguns poucos "benefícios" paliativos, mas nem sempre tão benéficos quanto parecem.

Desde 1964, nunca se viu pessoas tão condescendentes com o status quo político, econômico, midiático e tecnocrático. De repente, muitos deixaram de verificar se decisões vindas de "cima", apoiando-as incondicionalmente, mesmo que elas imponham sacrifícios e desvantagens profundas.

E aí, vemos que nossa melhoria de vida nada serve, porque muitos brasileiros entregaram seus destinos futuros não a Deus, mas a uma minoria de "pobres mortais" dotados de algum privilégio de poder que não os faz representantes legítimos dos cidadãos, mas pretensos arautos de uma "vontade popular" que eles dificilmente conseguem entender, presos aos seus privilégios e vantagens pessoais.

Ver que figuras como Luciano Huck, Pedro Alexandre Sanches, Jaime Lerner, Roberto Medina, Hermano Vianna, Ricardo Teixeira, Carlos Arthur Nuzman, Xuxa Meneghel, Michael Sullivan, Paulo César Araújo, William Bonner, Galvão Bueno e Fernando Henrique Cardoso se julgam donos de nossos desejos, de nossos anseios, necessidades e méritos, é assustador.

Privatizamos nossos desejos e necessidades. Deixamos de lutar pelo que realmente é melhor. Aceitamos até brinquedos quebrados de alguém vestido de Papai Noel. "Melhoria" de vida é botar os funqueiros para circular de chinelos no Barra Shopping, é dar um apartamento em Ipanema para um antigo ídolo brega.

Nossa mídia é velha. Nossa mobilidade urbana é autoritária. Nossa cultura dominante é cafona. Nossa cultura alternativa é frouxa. E nossos desejos acabam se limitando a apenas luxo, dinheiro, tecnologia. Só isso. Não mais são questionados, em larga escala, equívocos de posturas e procedimentos, e ainda há gente, na Internet, que ainda se irrita quando surge algum questionamento.

O Brasil tenta se passar por um "paraíso de mentira", camuflando nossos atrasos e nossas debilidades. Tudo é feito para manter as aparências de "potência", e nosso "progresso" terá que ser feito sob o silêncio e a aceitação de quantos absurdos forem necessários para viabilizar algum crescimento financeiro, tecnológico e administrativo.

Aceitamos uma pseudo-MPB de ídolos bregas dos anos 90 convertidos em "artistas arrumadinhos", gravando covers de MPB com roupas de gala e muita luz e pompa porque eles "também são populares" e são capazes de lotar plateias com uma mera passagem de som. Ouvimos música ruim "melhor trabalhada".

Aceitamos padronização visual em ônibus de uma cidade e nosso risco de pegar ônibus errados e não saber mais a corrupção que ocorre numa empresa de ônibus ruim - já que ela exibe as mesmas cores de outra empresa melhor - é ainda premiado por BRTs ou ônibus de pisos baixos. Pegamos ônibus errado com "categoria".

Aceitamos "musas populares" que só mostram o corpo e, quando falam alguma coisa, só dizem bobagens, e que ainda se acham "convencidas" e "engajadas com seu trabalho". E ainda pensamos que elas são "feministas" porque tentam desvincular suas imagens de algum homem. Aceitamos essas verdadeiras escravas do machismo como ícones de um "feminismo de borracharia".

Aceitamos "rádios rock" que são meros vitrolões sem alma, tocando apenas os "grandes sucessos", só porque eles se apoiam numa "mística roqueira". E muitos acham isso genial. Só que acabamos ouvindo rádios pop fantasiadas de pretenso radicalismo pseudo-roqueiro.

Votamos em políticos que embelezam praças, mas que depois são capazes de mandar demolir patrimônios históricos para expandir estádios de futebol ou para colocar "corredores expressos" de BRTs. Aceitamos privatização de estatais com dinheiro sujo que prometem modernizar um serviço que acabou se mostrando altamente deficitário. E ainda achamos que isso faz parte.

Aceitamos demissões em massa em nome da "modernização" de uma empresa. Aceitamos a dupla transmissão de rádios AM e FM numa mesma cidade acreditando na lorota de que isso "melhora a cobertura" de uma emissora. Aceitamos reality shows da TV aberta achando que trará maior interatividade com figuras anônimas convertidas facilmente à fama, mas desprovidas de qualquer inteligência.

Aceitamos nosso sub-intelectualismo recortando frases soltas de grandes escritores, músicos e ativistas sociais, para enfeitar as redes sociais com frases bonitas, sem saber se tais frases vêm de uma obra literária ou canção ou se foram ditas em alguma entrevista da qual não sabemos quando ocorreu ou foi publicada.

Aceitamos a péssima situação de nossa Educação, porque tolamente pensamos que Educação é um processo fácil e automático, basta ensinar a ler e escrever e ter alguns aspectos materiais como sala de aula, lápis e caderno. E há quem diga que a péssima posição do Brasil no ranking educativo mundial é inveja dos "tigres" asiáticos.

Aceitamos até mesmo que feminicidas bonitões, homens bem sucedidos profissionalmente que assassinaram suas noivas no passado, venham conquistar, já coroas, jovens moças bonitas que não sabem o perigo que correm. Eles são péssimos para aceitar um fim de relação, mas ainda são ótimos galanteadores. Mas diz o ditado: "não interessa quem bem começa...".

Para esse tipo de brasileiro, não interessa a reforma agrária, nem a regulação midiática, nem o fim do analfabetismo. Mas é necessário ter mais pieguice e bancar o "coitadinho" em qualquer situação. A qualidade de vida, reduzida a uma questão de dinheiro, luxo e tecnologia, faz as pessoas se acomodarem numa prosperidade que só existe na aparência.

E dessa maneira muita gente ainda acredita que o Brasil irá virar, "com certeza", a potência mundial em todos os sentidos. Grande ilusão. O Brasil se contenta com pouco e até com o pior, e isso faz com que nossa "síndrome de vira-lata" seja ainda pior nos últimos 22 anos do que em décadas atrás.

Isso porque, antigamente, a "síndrome de vira-lata" era apenas um defeito acidental de nosso país. Hoje ela é, para muitos, uma qualidade propositalmente defendida como uma causa nobre.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

UOL 89 FM VEIO PARA "COMER POEIRA"


Por Alexandre Figueiredo

A UOL 89 FM veio para "comer poeira". Sua programação datada até empolga a juventude tomada de toda uma visão provinciana das coisas, que só conhece o mundo pelas lentes míopes e ultrapassadas da velha grande mídia, que até para determinar o que é "moderno" fica bastante antiquada e cafona.

O Brasil é tomado de cafonice, a ponto de superestimar o cinema comercial de Hollywood - vide o embuste chamado TeleCine Cult - e a disco music, que por melhor que possa parecer nunca foi sinônimo de sofisticação musical. Aqui um Michael Jackson da vida vira "coisa do outro mundo", qualquer "popozuda" vira "feminista" e Luciano Huck é visto como "símbolo de perfeição humana".

Quem mal "tirou as fraldas" imagina que até mesmo tolices como Marilyn Manson, Guns N'Roses e Charlie Brown Jr são "geniais". É um pessoal que vê o rock como catarse, e não como música. É mais uma barulheira feita para agitação nas festas juvenis, para acompanhar a bebedeira e outras "merendas". Nada a ser levada a sério.

Mas mesmo no "sertanejo universitário" há jovens que levam as coisas a sério demais. As intragáveis duplas João Bosco & Vinícius e Victor & Léo são exemplos disso. O mesmo com o "funk carioca" e sua "militância" de fachada. Se vemos fanatismo e bobagens nesses nomes, não será diferente com uma rádio de hit-parade "roqueiro" chamada 89 FM.

Além do mais, a rádio não se dispõe a tocar um repertório mais abrangente. Mesmo as promessas da futura entrada de Roberto Miller Maia, responsável pela programação college da Brasil 2000, não irão sinalizar isso, mesmo quando as promessas parecem empolgar os jovens que, de repente, se sentem as Cinderelas nesse festão dos 89,1 mhz paulistanos (e olha que teve uma banda poser chamada Cinderella).

Primeiro, porque as limitações comerciais da 89 FM não permitem riscos maiores. Segundo, porque mesmo as bandas "mais alternativas" - mas nada mais "alternativo" do que o "menos alternativo dos alternativos", o Flaming Lips - só aparecerão com uns poucos sucessos ou canções de trabalho.

Será preciso muito "gancho", tipo a inclusão de uma banda alternativa em um filme qualquer com Tom Cruise no elenco ou um blockbuster de rock, esportes radicais ou temas como jogos eletrônicos e aventura, para que os programadores da 89 se interessem em tocar algo mais "difícil". Fora isso, nem de joelhos!

ENQUANTO ISSO, MUNDO AFORA...

Lá fora, a cultura rock está muito mais abrangente que aqui no Brasil, onde a hegemonia do brega-popularesco é desculpa para uma rádio de "só sucessos" dentro do rock fosse endeusada da maneira mais estapafúrdia.

A Internet permitiu que artistas e bandas raros, extintos, falecidos ou obscuros fossem redescobertos por jovens que nunca os acompanharam nos seus primórdios. O que fez com que vários nomes do rock extintos pudessem voltar à atividade e até a lançar músicas novas.

Isso reabilitou até mesmo nomes como o Guess Who, banda canadense de rock clássico e responsável pela versão original de "American Woman" (conhecida pela gravação de Lenny Kravitz), voltassem à atividade depois de tanto tempo extinta.

E o Wishbone Ash, que havia sido bastante tocado pela Fluminense FM nos anos 80, continua na ativa empolgando até os mais jovens, e até veio ao Brasil, temos atrás. A patética Rádio Cidade "roqueira" até tentou pegar carona patrocinando o grupo, mas tocar suas músicas, que é bom, nada. Mas os fãs do grupo inglês não levaram isso a sério e até Mylena Ciribelli, hoje da Rede Record, foi assistir ao grupo na plateia.

O extinto grupo de rock progressivo Gentle Giant, conhecido das antigas rádios Federal e Eldo Pop, e também da Fluminense FM, também conquista novos fãs com seu som bastante arrojado e seus integrantes excêntricos. Eles eram os nerds do rock progressivo, e o grupo, também cultuado pelo Clube da Esquina, tem seus LPs disponíveis no YouTube.

Mas vá esperar que a 89 FM toque Gentle Giant. Melhor nem pensar nisso. A não ser por algum tendenciosismo ou um "gancho" - vai que Gentle Giant seja incluído na trilha de The Hobbit 2, por exemplo - , a 89 nem sob choradeira irá tocar a banda.

E, no punk rock, a redescoberta do grupo peruano Los Saicos, aparentemente uma banda de garagem dos anos 60 como tantas, mas cujo som acabou lembrando o punk rock feito a partir de 1976, fez com que a banda, mesmo seis anos depois da morte de um ex-guitarrista, fosse relembrada num documentário e voltasse a tocar suas músicas para um público familiarizado com o punk rock.

E há agora o caso de Adam & The Ants, banda punk inglesa, que agora é lembrada na trilha sonora do seriado The Carrie Diaries, protagonizado pela deliciosa Annasophia Robb, inspirado no seriado Sex And The City e ambientado nos anos 80. É o mesmo grupo que inspirou uma hilária promoção da Fluminense FM envolvendo frascos com formigas, há 30 anos atrás.

Mas isso é lá fora. Aqui o pessoal fica feliz e satisfeito com o "mais do mesmo". Ainda estão à procura de uma banda que soe igual ao Alice In Chains ou ao Limp Biskit. No caso do Rock Brasil, já começaram a achar Renato Russo e Cazuza "velhos demais".

A banda alternativa Fellini (dos jornalistas Cadão Volpato, do SescTV, e Thomas Pappon, da BBC Brasil), então, para os deslumbrados da UOL 89, não passam de um grupelho "sem importância". Mas que conquistou até o saudoso inglês John Peel.

Para eles, "poeta" é Chorão, do Charlie Brown Jr.. Quando muito, procuram um novo Raimundos, um novo Mamonas Assassinas. O pessoal do Brasil é meio provinciano. Acha que desconhecer as coisas de fora e forjar sabedoria na sua ignorância e desinformação são atos de originalidade. E é impressionante que os adeptos da 89 evitem, por medo, citar a palavra hit-parade para definir sua programação.

Nada disso. E a 89 FM só veio para "comer poeira" do que rola no radialismo rock de fora, que combina relíquias antigas e novidades indo muito além até mesmo do alternativo mais "básico". E o YouTube mostrando até LPs inteiros, com direito até a fade out na íntegra. O mundo corre lá fora e o Brasil fica feliz em ser uma província narcisista a admirar seu próprio umbigo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

FLUMINENSE FM: O RADIALISMO ROCK ALÉM DO VITROLÃO


Por Alexandre Figueiredo

Foi estarrecedora a repercussão da volta da rádio paulista 89 FM em sua programação "roqueira" porque, sendo mera rádio de hit-parade "roqueiro", sua volta teve os elogios mais exagerados e delirantes possíveis, até mesmo de músicos respeitáveis de Rock Brasil.

Era algo digno de um volume do Febeapá, o livro de besteiras denunciadas por Stanislaw Ponte Preta. De repente qualquer porcaria pseudo-roqueira que havia emplacado na programação da 89 ficou "genial". Se alguém dá um arroto na 89 FM, há quem queira reivindicar o Nobel da Paz por determinada "façanha".

Até mesmo locutores de estilo "poperó" - ou "putz-putz", termos que aludem ao pop dançante mais abobalhado (alguém aí pensou no Gummy Bear?) - , como Zé Luís, já estão sendo reivindicados para voltar à 89 FM (agora UOL 89 FM), e a acomodação e condescendência dos ouvintes e músicos chega até mesmo a assustar.

Não será surpresa se um grupo como Inocentes venha a gravar, feliz da vida, uma cover de "Punk da Periferia" de Gilberto Gil, com Andreas Kisser dando canja na guitarra "mais heavy". Afinal, Clemente acabou contagiado pela mesma acomodação dos veteranos, e o músico que desafiou Gilberto Gil num programa de TV hoje aceita Gaby Amarantos e fica feliz com a rádio bosta da 89 FM.

FLUMINENSE FM FOI MUITO MAIS QUE UMA VITROLA ROQUEIRA

Pena que os músicos de Rock Brasil tenham sido tão condescendentes. Em muitos casos, eles saúdam até mesmo rádios pop. O Biquíni Cavadão que foi lançado pela Fluminense FM, histórica rádio de rock de Niterói nos anos 80, saudou justamente a Jovem Pan 2 que tirou do ar a mesma emissora.

Além disso, o Rock Brasil anda querendo reconquistar o mercado e ultimamente, de Nando Reis a Andreas Kisser, de Paula Toller a João Gordo, quase todo mundo se vendeu para tudo quanto é comercialismo, das breguices do tipo Michael Sullivan, Banda Calypso e Mr. Catra até mesmo a indústria da axé-music. O comercialismo da 89 FM até que é menos ridículo diante de tantas barbaridades.

Mas a 89 FM se insere nesse contexto de mediocridade cultural. Muita gente fez elogios dos mais fabulosos à rádio, chegando a dizer muitas bobagens. Lembra a repercussão brasileira da morte de Michael Jackson, quando muita gente falou besteira, colocando qualidade que o ídolo pop nunca teve. E, além disso, Michael nunca foi roqueiro, mas isso, pasmem, está na imaginação de 95% dos adeptos da UOL 89 FM.

A grande queixa que se pode fazer, seguramente, sobre a 89 FM, é que ela nunca passou de um vitrolão "roqueiro" sem alma, uma rádio sem atitude rock verdadeira e que sempre se apoiou num hipnótico logotipo feito com fontes gráficas de impacto, numa fonte variante à conhecida (no ramo da Informática) Haettenschweiler.

Em contraposição à 89 FM, a antiga Fluminense FM foi uma das poucas a ser dotada de uma personalidade roqueira que as gerações recentes não conhecem. Afinal, na boa, os ouvintes da UOL 89 FM, mesmo os mais adultos, foram educados por Xuxa Meneghel e Gugu Liberato.

A "nação roqueira" da Rádio Cidade (adepta da 89 FM entre 1995 e 2006), então, nem se fala. Na infância, eles nunca ouviram uma sintonia da Fluminense FM, eram educados pela programação popularesca da 98 FM ou pelo popinho tocado na Rádio Cidade (que era pop nos anos 80) e Transamérica.

A Fluminense FM, mais do que uma rádio que tocava rock ou que tentava convencer os anunciantes e ouvintes de que era "rádio de rock mesmo", fazia por onde para manter um autêntico diferencial. A Fluminense foi uma das poucas que via o rock não como um segmento de mercado, mas como um estado de espírito, não era apenas uma rádio qualquer com repertório roqueiro.

Os locutores da Fluminense FM tinham personalidade e fugiam do perfil mauricinho e debiloide dos locutores pop, geralmente com dicção de animador de festa infantil. Infelizmente, é este o estilo que a 89 FM adotou e não deixou de adotar em seu "retorno triunfal".

A Fluminense FM transmitia ideias, via o rock como cultura e não como uma catarse musical. A rádio transmitia informações sobre política, História e artes, até mesmo Economia. A rádio era claramente influenciada pelo espírito da Contracultura dos anos 60, e a partir daí construiu suas virtudes que nenhuma outra rádio, mesmo sob o rótulo de "rock", reproduziu com a mesma intensidade.

Descontadas estão as bobagens ditas a favor da 89, de que ela "fortalecerá a cultura rock" e coisa e tal, afinal, o que a rádio quer não é cultura, é mercado, a 89 voltou apenas como alimentadora comercial de eventos internacionais, dos quais boa parte das atrações principais de ponta são artistas de rock mainstream.

Em sua "promoção" de lançamento, a 89 FM apenas despejou um repertório "menos repetitivo", o que iludiu muitos ouvintes, além de sua péssima formação sócio-cultural. Afinal, para eles, o parâmetro de música sempre foi dos piores, eles nunca ouviram MPB de verdade, jazz de verdade, rock de verdade, tudo isso lhes parece antigo, e por isso, nessa miséria toda, eles acham até Bon Jovi um "baita rockão".

E olha que o Bon Jovi era tão ridicularizado pelos roqueiros autênticos nos anos 80 quanto o Menudo. Isso se dava porque havia referenciais sólidos na cultura rock e o pessoal que apreciava o rock de seu tempo também respeitava o rock mais antigo. Hoje os ouvintes da 89 FM espinafram The Who e Led Zeppelin, só faltando xingar a mãe do Ozzy Osbourne, do qual só admitem curtir a música "Perry Mason", mais "digestível".

Desse modo, a situação do radialismo rock não melhorou com a volta da 89 FM, cujo verdadeiro "público alvo" são figuras como Roberto Medina, espécie de "Ricardo Teixeira" da cultura rock. Afinal, a 89 FM nem sequer está disposta a adaptar-se às exigências do radialismo rock de fora, que exigem mais conhecimento de causa e não só uma vitrolinha "irada".

A Fluminense FM não vai voltar. Tudo bem. Mas a 89 FM voltou para "apanhar" das rádios de rock do exterior, com sua visão bairrista de "cultura rock" que só empolga seus fanáticos ouvintes. Que, não sabendo metade do que acontece de tudo no mundo, acha que um mero hit-parade roqueiro ou algo parecido irá salvar suas vidas. Não vai. E eles ficarão tão bitolados quanto se só ouvissem "funk" e "sertanejo".

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

89 FM ABRE NOVO CAPÍTULO DA DITADURA MIDIÁTICA


Por Alexandre Figueiredo

Parece um transe coletivo. Muitos deslumbramentos de internautas. Famosos também saúdam seu retorno, deslumbrados. Muita histeria, muitos elogios exagerados, irreais, surreais. Muito oba-oba, muita euforia, uma animação maior do que a festa em si.

Isso poderia se referir muito bem a uma seita religiosa surgida há algum tempo, e que juntou uma legião de fiéis fanáticos e um tanto ingênuos e desinformados. Mas se trata do retorno da dita "rádio rock", a 89 FM, uma rádio que nunca foi além do hit-parade do gênero.

Sabemos que, perto do que foi uma Fluminense FM nos anos 80, a 89 FM sempre foi medíocre. No fundo, foi uma rádio "mais ou menos" até o final dos anos 80, para depois mergulhar numa mediocridade respaldada por um logotipo hipnótico que dizia, em fontes fortes, que a 89 era "A Rádio Rock".

Mas além da rádio, à maneira da ex-BBB Mayra Cardi, não ter se arrependido dos erros que fez, que foi reduzir seu perfil a uma "Jovem Pan 2 com guitarras", restrita ao mero hit-parade "roqueiro" com ênfase nos anos 90 e 2000, ela representa algo muito pior do que o otimismo kafkiano de seus deslumbrados adeptos.

A rádio, pela participação acionária do Universo On Line, de propriedade de Otávio Frias Filho, representa mais um capítulo da ditadura midiática que pode afetar seriamente, no futuro, a juventude brasileira, na medida em que desestimulará o espírito de mobilização social que move a juventude do restante do mundo, do Oriente Médio, EUA, Europa e até mesmo Argentina e Chile.

SIMULACRO DE REBELDIA

O deslumbramento fanático e um tanto ingênuo, que faz vista grossa aos graves erros cometidos pela 89 FM e que fizeram derrubar a rádio em 2006 - ocupada por uma programação assumidamente pop - , como um estilo de locução justamente inspirado nas rádios do pop dançante mais rasteiro, mostra o perigo que se encontra sob as sombras dessa "excelente notícia".

Pois a "novidade" esconde todo um processo de controle midiático da juventude, desde que o apresentador Luciano Huck, astro da Rede Globo e poderoso empresário de vários negócios, popularizou a gíria "balada" antes restrita a círculos fechados das boates de dance music das áreas mais ricas de São Paulo.

Pois a juventude, infelizmente, acaba respondendo positivamente a essa manobra midiática, como se ainda estivesse brincando de "Meu Mestre Mandou". E agora a 89 FM, com seu simulacro de rebeldia, usa o rock para promover a catarse coletiva, enquanto os verdadeiros interesses por trás provam não ser culturais, mas estritamente mercadológicos.

Os donos da 89 FM possuem boas relações com as multinacionais e com empresários de entretenimento da envergadura de Roberto Medina. Dono da marca Rock In Rio, o empresário é filho do dono da antiga rede de lojas O Rei da Voz, Abraão Medina, que havia apadrinhado o primeiro "coitadinho" da música cafona brasileira, José Adauto Michiles, que usou o pseudônimo Orlando Dias e gravou músicas como "Tenho Ciúme de Tudo" e "Perdoa-me Pelo Bem Que Te Quero".

ROCK IN RIO, COPA E OLIMPÍADAS

O Rock In Rio havia sido a motivação para que a antiga Pool FM, uma despretensiosa rádio de pop eclético, virasse a tal 89 FM "A Rádio Rock", buscando capitalizar no rock mainstream e alimentar o mercado de eventos internacionais realizados no Brasil. E é esse o motivo da volta da 89, visando o Rock In Rio 2013 e o turismo dos eventos esportivos, como a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

O deslumbramento, portanto, cria um "rebanho" forte que irá gastar ingressos caríssimos, alimentando as grandes corporações às custas de uma rebeldia de fachada e de toda uma cega adoração à 89 FM, adoração essa que elogia até mesmo os piores erros cometidos pela emissora.

É um fanatismo que nenhuma seita pentecostal consegue obter com tanta rapidez. E faz com que a Folha de São Paulo mantenha sua manobra de controle não só intata, mas também renovada. Afinal, de que adiantam as críticas contra Eliane Cantanhede, Otávio Frias Filho, Josias de Souza e outros reaças da FSP se ela, através da parceria acionária com a famiglia Camargo, tem os jovens ajoelhados a seus pés.

SE A 89 FM É "A RÁDIO ROCK", A NATIVA FM É O QUÊ? "A RÁDIO MPB"?

A grande preocupação está na desinformação e na falta de referenciais que os jovens brasileiros em sua maioria possuem, que glamouriza qualquer mediocridade vinda da década de 1990, sobretudo agora, quando o distanciamento temporal é desculpa para qualquer saudosismo delirante.

De repente, aquele formado diluído, deturpado e caricato lançado pela 89 FM nos anos 90 é "rádio rock de verdade". Bobagens do tipo "rádio rock de verdade" e "a melhor rádio do mundo" são escritas nas redes sociais, por internautas que parecem ter saído de algum transe hipnótico.

A desinformação é tal que, daqui a pouco, vão dizer que a Nativa FM, emissora popularesca dos mesmos donos (os Camargo) da 89 FM, vai ser conhecida como "rádio MPB", assim que houver alguma chance de "reabilitação" midiática dos neo-bregas que marcaram a década de 90, como Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, Leonardo, Daniel, Belo e Zezé di Camargo & Luciano.

Enquanto isso não ocorre, já vemos locutores de estilo e formação mais pop da 89 como Zé Luís e Roberto Hais serem vistos como "roqueiros fundamentais". De repente, até mesmo as piores bandas que rolaram na 89 FM nos anos 90 e 2000 são também "geniais". Se na terra de cego que é o Brasil, quem tem um olho é rei, seus súditos acabam adquirindo uma cegueira maior ainda.

E isso é perfeito para os barões da mídia manipularem a juventude com mais facilidade. O deslumbramento da tal "nação roqueira" pela 89 FM é algo perigoso, até porque eles já reivindicam a volta, no Rio de Janeiro, da Rádio Cidade, que entre 1995 e 2006 virou um reduto da juventude de extrema-direita no Grande Rio.

É o mesmo deslumbramento que oficiais e pracinhas tiveram quando, em 1945, foram convidados para conhecer a National War College, em Washington, EUA, premiados por terem ajudado a nação estadunidense a ganhar a Segunda Guerra Mundial.

E deu no que deu: os militares passaram a ter uma prepotência e uma arrogância que criou grandes barreiras sociais. Coronéis assinaram um manifesto, em 1954, protestando contra o aumento salarial do então ministro do Trabalho João Goulart, e pressionaram para sua demissão no cargo.

Mas dez anos depois, já sob o status de generais, esses mesmos coronéis acabaram fazendo pior, derrubando o mesmo João Goulart desta vez na condição deste de presidente da República, e iniciaram em 1964 uma ditadura que causou efeitos devastadores e até hoje não superados no Brasil.

NINHO DE NEOCONS

E quem imagina que ditadura militar e 89 FM não tem a ver está enganado, até pelo reacionarismo que seus defensores (e, de forma ainda pior, os da carioca Rádio Cidade) fizeram há dez anos atrás. Mas o mais grave é que esse reacionarismo se apoiará numa fachada de "rebeldia" e num discurso que, mesmo exibindo um reacionarismo furioso, tentará desmentir esse mesmo reacionarismo.

Mas, no futuro, virão multidões de adultos com perfil parecido com o de Reinaldo Azevedo e Eliane Cantanhede. Se eles acham que a 89 FM é "a verdadeira rádio rock", vão achar que o neoliberalismo é "a verdadeira democracia", com todas as alegações conservadoras que eles se acharão no direito de defender.

A 89 FM é um ninho de neocons (neo-conservadores) que no futuro concretizará os versos ditos por Renato Russo, roqueiro bajulado pela 89 FM mas menosprezado por ela na ocasião de sua morte, em 1996 (a rádio se limitou a "chorar" lágrimas de crocodilo, com menos comoção do que na morte dos Mamonas Assassinas).

Pois na música "A Dança", da banda de Renato, Legião Urbana, os versos contundentes de seu refrão são proféticos: "Você é tão moderno / Se acha tão moderno / Mas é igual a seus pais / É só questão de idade / Passando dessa fase / Tanto fez e tanto faz. / (...) Você é tão esperto / Você está tão certo / Que você nunca vai errar / Mas a vida deixa marcas / Tenha cuidado / Se um dia você dançar".

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

FOLHA DE SÃO PAULO SAI "FORTALECIDA" COM 89 FM


Por Alexandre Figueiredo

Era o que a famiglia Frias queria. Assumindo a participação acionária da 89 FM, os donos da Folha de São Paulo, sobretudo o "intelectual" Otávio Frias Filho, ajudaram no relançamento da programação "roqueira" que marcou a 89 FM nos anos 90.

Nem mesmo o programa TV Folha, na TV Cultura de São Paulo, foi tão longe na tentativa de "reabilitar" o periódico paulista, antes um símbolo, até um tanto tendencioso, de "jornalismo moderno". Ou nem mesmo a falsa reputação de "jornalismo investigativo" da revista Veja, do Grupo Abril, amigo das causas reacionárias da Folha de São Paulo e que chegou a ser sua parceira em vários negócios.

O deslumbramento em torno da UOL 89 FM, que contagiou ouvintes, músicos e jornalistas, acabou representando um ponto favorável ao poderio midiático e a toda aridez de valores e referenciais que prevaleceram nos anos 90.

Afinal, assim como para uns fezes de muito tempo viram caviar, a mediocrização cultural dos anos 90, motivo de críticas severas dos intelectuais mais conceituados, se beneficiou de uma onda saudosista em que tudo que era lixo na época agora é "luxo", como se entre essas palavras houvesse a relação ortográfica das palavras "ouro" e "oiro", "dourado" e "doirado".

Pois se hoje até o É O Tchan virou "genial", o que dizer da 89 FM e seu "irrit-pareide roqueiro"? Qualquer baboseira dos anos 90 vira "preciosidade" só porque "ficou antiga" e "marcou" algum momento pessoal da vida de alguém, o que não é desculpa para transformar coisas frívolas em relíquias do passado.

A atitude condescendente da juventude brasileira de hoje preocupa, porque ela está mais vulnerável ao controle midiático que não a fez prevenida para as muitas armadilhas que são armadas para ludibriar as pessoas.

Dessa forma, a Folha de São Paulo, que passava por um grande desgaste moral por conta de suas posturas ideológicas defendidas até nos tribunais - quando movem um violento processo judicial contra os irmãos Bochini - , saiu fortalecida encampando um projeto comercialmente bem sucedido.

É claro que a "nova fase" da 89 FM soa tão fajuta quanto a troca de um apresentador no Jornal Nacional. Mas o deslumbramento de seus adeptos se apoia em clichês discursivos do rock, em chavões que, pelo menos por enquanto, garantiu o relativo êxito da volta da suposta "rádio rock".

E isso torna-se um grande perigo para a sociedade brasileira, porque a 89 FM se apoia em estereótipos de rebeldia que irão desnortear a juventude brasileira, deixando-a presa num inconformismo de fachada que ideologicamente é oco, impedindo os nossos jovens de mobilizar por um país melhor, amestrados que se encontram pela máquina demagógica da dita "rádio rock".

Assim, os Frias conseguiram, ao menos, manter uma parcela da juventude brasileira sob o seu controle. E, além disso, a 89 FM é bem relacionada com o poderio econômico. Desse modo, o consumismo travestido de "cultura rock" prevalecerá sobre qualquer hipótese de contestar a sociedade vigente, porque haverá uma pseudo-contestação que tomará o lugar, sem que algo importante seja pensado ou feito.

Não bastasse isso, o empresariado arrumou um bom meio de arrancar mais dinheiro da juventude submissa, com a pseudo-rebeldia de mercado alimentada pela 89 FM.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

ROQUEIROS CARNEIRINHOS ACEITAM A VOLTA DA 89 FM


Por Alexandre Figueiredo

É preocupante o deslumbramento que gira em torno da dita "rádio rock" 89 FM. A programação que voltou é a mesma programação medíocre que resultou em violentas críticas e no entanto o que vejo na Internet é um deslumbramento cego, ingênuo e infantil, que beira o fanatismo.

Mas que esse deslumbramento se limite a ouvintes em geral, vá lá. Sobretudo para uma juventude que não está profundamente informada das coisas, está bitolada dentro daqueles valores medíocres que eles sempre acreditaram na sua infância feliz nos anos 90, de Alexandre Pires a Ratinho, de É O Tchan a Mamonas Assassinas, de Fernando Collor a Luciano Huck, de Geisy Arruda a Michael Sullivan.

A rádio que voltou é apenas uma reles emissora de hit-parade roqueiro com seus locutores que adotam a linguagem típica de FMs "putz-putz", que não dá para acreditar que até mesmo músicos de Rock Brasil, antes tão respeitáveis, caiam nessa armadilha toda de endeusar a 89 FM.

Fico estarrecido, por exemplo, com o caso do Clemente, o músico dos Inocentes, que antes desafiava Gilberto Gil com toda a visibilidade deste num programa de TV. Ou que escrevia que sua geração queria pintar de negro a asa branca da MPB. Um cara que peitava os monstros sagrados da MPB adotou, ultimamente, posturas que o fazem equivaler àqueles que ele combatia outrora.

A acomodação de um Clemente que peitava Gilberto Gil mas foi cordial com Gaby Amarantos faz sentido quando ele diz que a 89 FM é "essencial para manter o rock forte". Mas a postura de bom cordeiro do inocente (ou ingênuo) cantor acaba ganhando a solidariedade de outros, independente de suas posturas causarem surpresa ou não.

A de João Gordo, por exemplo, não surpreende. Apesar de ser o vocalista do grupo de hardcore Ratos do Porão, ele havia se tornado um ídolo da massa ao participar de programas da MTV e Rede Record. E, como entrevistador, já recebeu tudo quanto é ídolo brega, que faz sentido ele fazer altos elogios à 89 FM que deu visibilidade e permitiu que ele encontre o "povão" da grande mídia.

Mas até mesmo Andreas Kisser, de um Sepultura que chamava o Clube da Esquina de acomodado, mas que recentemente tocou para Chitãozinho & Xororó (bem mais piegas que os mineiros, por sinal com seu cancioneiro parasitado pela dupla breganeja paranaense), não surpreende pela sua postura pró-89, ganhando até programinha para ele e seu filho apresentarem.

Quanto ao Supla, ele sempre foi mais pop-rock, como um Billy Idol dos trópicos, mas ele também deu altos elogios à 89 FM. Há poucos dias, vi no Canal Brasil um documentário sobre a extinta companhia aérea Panair (de um empresário de esquerda) e confronto a tristeza melancólica do depoimento do senador Eduardo Suplicy com o otimismo exagerado do filho em relação à 89 FM.

A 89 é uma rádio "só sucesso" como qualquer outra. Apenas se volta para o que ela entende como "cultura rock". E dá para perceber que o deslumbramento dos músicos de Rock Brasil - de Chorão a Guilherme Isnard (Zero e ex-Voluntários da Pátria) - com a volta da rádio, tem claros objetivos mercadológicos.

Afinal, esse pessoal todo quer é mercado para se apresentarem ao vivo. Querem vender discos e camisetas. Até fazem boa música, mas precisam também se vender. E a 89 FM é jabazeira de carteirinha, seu jabaculê é algo que salta aos olhos.

Ultimamente, os roqueiros estavam dependendo de nomes como Banda Calypso, Asa de Águia e até Mr. Catra para continuarem em evidência. Mas precisam da 89 FM para isso? Por que ninguém lutou, por exemplo, pela volta da 97 Rock? E o suporte conservador da Folha de São Paulo, dona do UOL, pode criar uma rádio bem reaça.

A única coisa positiva que vai ocorrer para esses músicos é que eles não precisarão de Joelma, Chimbinha, Mr. Catra, Chitãozinho & Xororó, Michael Sullivan, Durval Lélis, Gaby Amarantos nem de outros para se manterem no mercado. Mas de toda forma se venderão a essa "Jovem Pan com guitarras" com locutores "putz-putz" cujo envolvimento com rock é tão falso quanto o visual feminino de uma drag queen.

Eu, se tivesse uma banda de rock, estaria fora. Não queria ter minhas músicas tocadas na 89. E nem vou depender de cantor brega para entrar no mercado. Eu, nesta ocasião, contaria apenas com minha confiança e minha criatividade, mandaria meus vídeos para o YouTube, mandaria CD demo para a BBC, e só. Ainda que eu faça mais sucesso para meus amigos e alguns poucos interessados

Isso pode não trazer para mim o sucesso imediato que uma 89 FM traria. Mas mantendo meus princípios, eu iria no caso fazer diferença com essa postura insubmissa e, ainda por cima, não viraria um astro da noite para o dia, para aparecer no Caldeirão do Huck ou namorar uma ex-BBB. Eu continuaria sendo eu mesmo, sem me vender para o jabaculê.

PROVINCIANISMO PERMITIU A VOLTA DA 89 FM "ROQUEIRA"



Por Alexandre Figueiredo

A volta da dita "rádio rock" 89 FM, agora sob o nome UOL 89 FM, nem de longe representou a volta aos tempos áureos do radialismo rock. Pelo contrário, o retorno da emissora, que apenas retomou o caminho interrompido em 2006, se possibilitou pela situação de mediocridade cultural em que o país vive, e do qual a "rádio roqueira" também faz parte.

A memória curta de boa parte dos jovens de hoje e o fato de que eles são superficialmente informados das coisas permitiu muito que ressurgisse uma rádio como a UOL 89 FM. Com tanta rádio de rock para ressurgir, como a niteroiense Fluminense FM - em cuja frequência hoje irradia uma afiliada da noticiosa Band News - , ressurge logo um reles vitrolão roqueiro sem personalidade, uma mera "Jovem Pan com guitarras".

A histeria dos fanáticos da 89 FM, que ouviram a rádio sobretudo nos anos 90, nem de longe simbolizam a retomada do radialismo rock nem o fortalecimento da cultura rock depois de tanta hegemonia de brega-popularesco. E a volta da rádio se deu dentro de um contexto mercadológico bastante conservador.

Primeiro, por conta dos donos originais, a família Camargo, oligarquia paulistana historicamente vinculada a Paulo Maluf. Segundo, pela parceria acionária com o Universo On Line, de Otávio Frias Filho, figura conhecida da mídia conservadora. E, terceiro, por conta das parcerias comerciais em jogo, sobretudo entre Roberto Medina, o empresário do Rock In Rio, e as grandes empresas anunciantes.

O contexto sócio-cultural não é lá muito generoso. Afinal, a 89 FM é tida como "genial" num país onde o símbolo de "perfeição humana" é o apresentador Luciano Huck, "estadismo" está relacionado a Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor e o símbolo da "emancipação feminina" está ligado a figuras vulgares como Geisy Arruda e a ex-BBB Mayra Cardi.

É um público que, mesmo aquele dos grandes centros urbanos no Brasil, ainda é dotado de uma visão bastante provinciana, herdada sobretudo da péssima educação midiática nos anos 1990 e 2000. É um público que ignora qualquer tendência mundial, a não ser quando ela é mostrada pela TV aberta ou pelos canais mais banais da TV paga (como Multishow).

Portanto, é um público que acha que os DJs da música eletrônica estão "em alta", quando lá fora eles estão em decadência. É um público que menospreza a música de qualidade feita antes de 1975, que tem pouca vontade em ler livros e que, mesmo se achando "diferenciado", é facilmente vulnerável a modismos e hábitos impostos pela grande mídia do entretenimento.

Daí a aceitação fácil e um tanto exagerada de uma rádio pretensamente "roqueira", que no entanto está muito longe de representar um diferencial. A linguagem é igualzinha às rádios "putz-putz" (pop dançante) que os próprios fãs da emissora dizem abominar, como se pôde ouvir no áudio dos primeiros momentos da rádio na sua atual fase.

Tanto que o repertório chega a ser quase "retrô", voltado aos anos 90, com ênfase no grunge e no poser metal. Tendências que fazem parte do cardápio escasso de referências dessa juventude que acha que "anos 80" é só o que aparece no Ploc 80, e que acha que música brasileira é o brega-popularesco.

São jovens entre 18 e 40 anos, que só conheceram o mundo através do comercialismo extremo das rádios FM e do aprendizado superficial da TV aberta. São pessoas que andam muito atrasadas em relação ao que ocorre no mundo. E que não compreendem sequer as novidades como os movimentos de ocupação, o pós-rock, as manifestações alternativas.

A 89 FM parece "novidade" hoje, mas entrando na rotina, já daqui a alguns meses, voltará a ser mais uma rádio comercial a discriminar as tendências alternativas e a impor condições rígidas para lançar novidades, sempre passando pelos filtros provincianos e retrógrados da grande mídia brasileira.

domingo, 23 de dezembro de 2012

O ANIVERSÁRIO DE RUY ESPINHEIRA FILHO


Por Alexandre Figueiredo

Sei que ocorreram vários dias de atraso, mas vale a pena destacar o aniversário de 70 anos do meu ex-professor da Universidade Federal da Bahia, Ruy Espinheira Filho, ocorrido no último dia 12. Poeta, escritor e jornalista, ele havia sido meu professor há vinte anos na matéria sobre Legislação do Jornalismo Brasileiro.

Ele também foi professor de meu irmão Marcelo (dos blogues Pizzaria do Poder e Planeta Laranja), na Escola de Letras da mesma UFBA, tendo a oportunidade de também conhecer as ideias do admirável professor e intelectual baiano.

De uma admirável mente progressista, crítico até mesmo da sisudez da vida adulta - "o adulto emburrece", disse ele uma vez - , e sobretudo da mediocridade cultural que assola o Brasil, Ruy é um dos remanescentes daqueles que cultivam o pensamento genuíno, e não transformam o intelecto num repertório mofado de pregações reacionárias nem numa festiva propaganda "cabeça" do "estabelecido".

Hoje ele é aposentado como professor de Letras, mas segue com sua obra literária e com a sua expressão intelectual, sendo um oásis de coerência e lucidez dentro de um meio onde se expressa o poderio tropiconservador de Milton Moura e Roberto Albergaria ou, no plano midiático, tem a hegemonia do pedantismo tendencioso do barão midiático Mário Kertèsz.

Portanto, fica aqui minha gratidão e meus parabéns, ainda com um certo atraso, ao aniversário do professor Ruy, um intelectual autêntico como poucos, cujas lições deveriam ser apreciadas. Ser aluno de Ruy Espinheira Filho foi, para quem viveu essa experiência, uma garantia de boas lições. E, ainda por cima, a obra poética de Ruy está reunida na coletânea Estação Infinita e Outras Estações, da Bertrand Brasil.

Portanto, vale a pena conhecer a obra e o pensamento de Ruy Espinheira Filho.

ESQUERDAS MÉDIAS TENTARAM CRIAR O COLLOR "DUAS CARAS"


Por Alexandre Figueiredo

As esquerdas médias e corporativistas, em que pesem várias posições progressistas reconhecidamente válidas, escondem debilidades diversas que as fazem condescendentes ou impotentes diante das manobras do direitismo político, econômico, midiático e até cultural.

Entre as diversas posturas infelizes adotadas pelos seus membros, uma se destacou este ano, e vale lembrá-la nesses poucos dias que restam para lembrar o impedimento político de Fernando Collor na presidência da República, há vinte anos.

A manobra foi a de criar "dois" Fernando Collor, na retórica dos analistas de esquerda tomados por interesses corporativistas ou pelas esquerdas médias domesticadas pelo status quo político, econômico e cultural.

Nos seus textos, eles dividem a abordagem do ex-presidente em duas visões bastante contraditórias: uma fala de um abominável ex-presidente, tirado do poder pelo Congresso Nacional. Outra, a de um "corajoso" senador que havia cobrado investigações do envolvimento da mídia com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Na primeira abordagem, Collor era visto como um político tendenciosamente mitificado pela revista Veja, pela Folha de São Paulo e pela Rede Globo, como um pretenso "salvador da pátria" depois denunciado como um dos membros do esquema financeiro de Paulo César Farias, hoje falecido.

Trata-se, neste caso, de um político que havia derrotado o então candidato Luís Inácio Lula da Silva através de um debate na Rede Globo que foi editado de forma fraudulenta para ser divulgado, no Jornal Nacional, em favor do filho dos antigos militantes do IPES Arnon de Mello e Leda Collor.

Já na segunda abordagem, Fernando Collor, já convertido em "aliado" de seu rival de 1989, passou a ser visto como um "admirável senador" que, "corajosamente", cobrava a inclusão de Policarpo Jr. e Roberto Civita nos depoimentos para a hoje recém-encerrada CPI do Cachoeira.

Collor, neste segundo caso, passou a ser promovido como um pretenso porta-voz da regulação midiática, como um arauto da transparência política e do combate à corrupção, não bastasse todo o "carnaval" feito pela revista Isto É para elegê-lo senador em 2006.

MÉTODOS DE REVISTA VEJA

As esquerdas medianas e corporativistas acabam se contradizendo em seus procedimentos, pois, ao darem credibilidade a figuras como Fernando Collor na campanha pela investigação da revista Veja no caso da CPI do Cachoeira, acabam usando os mesmos métodos espúrios da publicação "abrilina".

A Veja é conhecida por ouvir fontes suspeitas, mesmo as da pior espécie, para suas reportagens supostamente investigativas, no intuito de desqualificar desafetos pessoais de seus editores e colunistas. Pouco importa se a fonte tem credibilidade para dar uma informação, mesmo suas mentiras são aceitas como "verdades" se o objetivo é derrubar os "inimigos" da cúpula de Veja.

As esquerdas médias acabam fazendo o mesmo, dando crédito a quem não merece qualquer credibilidade para impulsionar o êxito de uma reivindicação. Com tantas vozes para pedir a investigação de Veja, foi logo a do "fisiológico" Collor, adepto do mais cafajeste neoliberalismo, a escolhida para pedir a presença de Policarpo Jr. e Roberto Civita nos tribunais da CPI do Cachoeira.

A criação de um Collor de "duas caras", uma visão maniqueísta de um mesmo homem, não deu os resultados desejados. Não fez de Collor sequer um pretenso herói nem uma figura pretensamente carismática das esquerdas médias, que tiveram que amargar o fracasso dessa manobra, e acabou rendendo chacotas da direita midiática, até de Veja.

Além disso, talvez as esquerdas médias devessem ter feito uma onda de passeatas por todo o país, pedindo a investigação midiática, numa verdadeira coragem de cobrar a investigação da revista Veja, para assim criar um histórico marco da perda do poder da grande mídia.

Seria algo histórico, de grande repercussão, que levaria o povo às ruas, e faria notícias na imprensa estrangeira, além de equivaler, no Brasil, às pressões que fizeram com que o empresário australiano Rupert Murdoch seja investigado pelos seus negócios midiáticos no Reino Unido.

Em vez disso, o que se teve foram vídeos de Fernando Collor cobrando a presença de Policarpo e Civita na CPI. Não se entende qual o real propósito, com essa estranha ênfase num político sem méritos nem créditos, nessa campanha tão tímida e sem utilidade.

Resultado. Policarpo e Civita ficaram livres de deporem na CPI, que se encerrou sem mostrar serviço, desmantelada pelas pressões para evitar que certos acusados deponham. E o mineiro Odair Cunha, petista, deputado relator da CPI, acabou poupando os jornalistas claramente envolvidos no esquema de Cachoeira, num claro medo de enfrentar a velha grande mídia. Que ainda recebe "gorjetas" da presidenta Dilma.

"FUNK CARIOCA", HIPOCRISIA E FACTOIDES


Por Alexandre Figueiredo

Depois que caiu por terra a campanha "socializante" do "funk carioca" junto aos barões da grande mídia, derrubado sobretudo pela obrigatoriedade dos fones de ouvido, o ritmo tenta sobreviver em torno de factoides, além de tentar manter sua hipocrisia quanto à postura ideológica.

Seu proselitismo na mídia esquerdista nem consegue mais surtir efeito, tamanha a repulsa com que os intelectuais que não compartilham de certas abordagens dominantes, mas desprovidas de coerência, fazem diante dos "ativistas" funqueiros.

O "funk carioca", aliás, já há um tempo não esconde sua associação com a velha grande mídia, desde os anos 90, onde até políticos fluminenses simpatizantes de Fernando Collor patrocinaram "bailes funk" que fizeram a fortuna dos empresários do gênero.

Estes, extremamente ricos e até interessados em criar latifúndios, como todo empresário de brega-popularesco, tentam evitar o vestuário tradicional do empresariado, e se autoproclamam "humildes produtores culturais", até gracejando quando são chamados de empresários e executivos do "funk".

A associação entre a APAFUNK e o Instituto Millenium, intermediada pelo cineasta José Padilha, tornou-se um escândalo que abalou os bastidores do ritmo carioca, mas pouco assustou seus dirigentes, que no fundo tratavam as esquerdas feito gato e sapato, falando mal dos esquerdistas pelas costas.

Ultimamente o ritmo andou se alimentando pelos factoides de suas "musas", que vão para a praia mostrar sua "boa forma" alimentada com muito silicone, ou então falam de seu "interesse" em duetar com grandes ídolos ou mostrar filhinhos ou coisa parecida.

Vale até mesmo esconder marido e espalhar por aí que "está solteira". Vale até MC dizer que "é família", outros dizerem que são "cantores de protesto", outros dizerem que são "ativistas sociais". Para tudo terminar no circo midiático, sobretudo no Caldeirão do Huck - do tucano Luciano Huck, amigo de Aécio Neves - , programa cujo nome inspirou uma gíria funqueira, "é o caldeirão".

Mas há também a versão glamourizada da minissérie Subúrbia, da TV Globo, e os últimos desesperos do proselitismo de MC Leonardo, na mídia esquerdista, para tentar convencer as esquerdas a defender o gênero. Tudo através da pose de coitadinho, enquanto o ritmo mostra sua postura triunfante abraçado a figuras como Nelson Motta, Luciano Huck e Marcelo Madureira, astros da direita midiática.

Apenas o mau humor de Reinaldo Azevedo e Arnaldo Jabor contra os funqueiros não faz com que direita e "funk carioca" deixem de ser aliados. Até porque outras figuras, como Gilberto Dimenstein e William Waack, são mais receptivas ao gênero, além dos acima citados.

A única cobrança que a direita faz do "funk carioca" é "maneirar" nos temas "cantados". Eles pedem que os funqueiros interpretem letras "mais cidadãs", assimiláveis para toda a família. Mas isso até a APAFUNK aceita fazer, embora haja uma contradição entre aceitar ou não os "proibidões".

O "funk carioca" é muito insensível quanto às transformações sociais. E o ritmo se estagnou numa confusa junção de sirenes, balbuciações de MCs de apoio e letras de baixaria. Perdido, o "funk carioca" tenta dissimular posturas, não desmentir acusações, porque tem muito a dever e a temer numa sociedade em transformação.

Afinal, o ritmo construiu sua ascensão explorando a miséria popular, criando estereótipos do povo pobre e prometendo às periferias uma "Disneylândia" funqueira que mais parece uma Sodoma e Gomorra em cenário apocalíptico e submissa às tiranias do "deus mercado".

A sociedade muda, os valores são cada vez mais discutidos, e os funqueiros precisam engolir seco quando sua "cidadania de fachada" é contestada. Nada podem dizer sobre sua falsa defesa da regulação midiática, mas no fundo temem tanto a Lei de Meios quanto os barões do Grupo Clarín na Argentina.

A cada dia há uma necessidade de redescobrir o verdadeiro soul brasileiro - inclui o funk autêntico que tem em Tim Maia seu mestre maior - , o verdadeiro samba, os baiões, maracatus etc. A intelectualidade etnocêntrica anda assustada, porque os discursos de 2002 defendendo os "coitadinhos" do brega e seus derivados a cada dia perdem o sentido convincente.

O "funk carioca" precisa se silenciar em sua hipocrisia. Não pode desmentir posturas reacionárias que desmentem claramente seu falso esquerdismo. No fundo, seus militantes apenas reagem dizendo, vagamente, que seus contestadores "não estão bem informados das coisas".

Ainda continua a poluição sonora dos funqueiros, e já dá para ver quem em seus carros costuma muito ligar o som no ritmo, em altíssimo volume. Homens "durões", bem parecidos com os maridos que certas funqueiras não querem assumir publicamente, mal encarados e dotados de muita frieza.

No fundo, o "funk carioca" anda perdendo muito terreno no mercado. A postura de falsa vítima anda cansando, esse papo de "preconceito" já nem convence mais. Da mesma forma que aquela campanha "socializante", usando referenciais que não correspondem à realidade, mas usados habilidosamente pela intelectualidade associada.

Afinal, não dá para criar uma cosmética discursiva para camuflar a mediocridade cultural, condicionada sobretudo pelas estruturas de poder midiático e pela crise educacional que afetam o povo pobre no Grande Rio. E o "funk carioca", mesmo com todo esse "rico" discurso, nada contribuiu para melhorar a qualidade de vida do povo pobre, a retórica só serviu para enriquecer mais seus empresários e ídolos.

Esses dez anos de retórica só serviu, também, para camuflar os preconceitos cruelmente elitistas dos intelectuais mais badalados, que poderiam assim expressar um paternalismo enrustido usando os funqueiros como "mascotes" de sua campanha retórica bastante sofisticada.

Foi um discurso lindo, diversificado, atraente e sedutor, mas que acabou sendo desmentido violentamente quando alguém passou a tocar um CD de "funk".

sábado, 22 de dezembro de 2012

89 FM E FOLHA DE SÃO PAULO QUEREM DOMESTICAR JUVENTUDE BRASILEIRA


Por Alexandre Figueiredo

O retorno da programação "roqueira" da 89 FM mostrou a que veio. E não é coisa muito boa. De mãos dadas com a Folha de São Paulo, dona do portal Universo On Line (UOL), a dita "rádio rock" nem de longe voltou atualizada com as novas demandas da cultura rock do mundo inteiro.

O que se ouviu, no primeiro dia da "nova" programação é aquela mesma baboseira que rolava nos anos 90 e 2000, e que foi motivo de críticas severas de muitos especialistas da cultura rock no Brasil. Dentro daquela linha "em terra de cego...", a 89 FM apenas tocou o "mais do mesmo" que só é "genial" para quem se acostumou com o pior.

Por sinal, a 89 FM mostra o caráter bitolado de seus adeptos mais ferrenhos. Gente que toma como parâmetro o que ocorre de ruim no rádio e na TV aberta e que acha que a 89 FM é "genial" só por tocar um repertório ralo de uns grandes sucessos do rock e coisas mais comerciais e muitas vezes de valor bastante duvidoso.

Claro, é um "Brasil" onde "grandes artistas" é Thiaguinho e Michel Teló, o "feminismo" se alimenta com "mulheres-frutas", ex-BBBs e paniquetes e Luciano Huck é considerado a "pessoa mais evoluída do planeta". No lodo da mediocridade cultural, a 89 FM se enquadra no meio, e, como tanta mediocridade, é vista como "grande coisa", até seus piores erros são considerados "acertos".

Mas que ninguém se iluda. A 89 FM, pela clara parceria com a Folha de São Paulo, se enquadra na mesmice do retrocesso midiático, e não será a rádio que vai romper com a realidade decadente vivida pela velha grande mídia.

JÁ VIMOS ESSE FILME

A 89 FM vende uma imagem de "moderna', quando sabemos que ela anda extremamente defasada diante de muita rádio de rock que existe no mundo inteiro. A própria rádio havia esnobado as pressões da Internet, com direito à solidariedade de seus adeptos temperamentais, que afirmavam que a emissora não tinha as mesmas responsabilidades das rádios roqueiras da Austrália, EUA e Reino Unido.

Isso significa o veto a bandas alternativas, a raridades musicais, a preciosidades artísticas do rock que estão fora dos padrões do hit-parade radiofônico. Sem falar da ideologia conservadora da rádio. Existe até mesmo o risco da 89 FM vetar, com o tempo, a banda Rage Against The Machine, pondo no lugar "genéricos" brasileiros ideologicamente vagos, como Charlie Brown Jr..

O conservadorismo ideológico da 89 FM, que no plano musical está atrelado a um rigor estético entre o grunge e o poser, entre o emo e os clichês do punk skatista, se mostrará evidente com o tempo, mostrando que a emissora adotará posições claramente reacionárias, que fizeram com que muitas pessoas físicas e jurídicas antes ligadas à modernidade se mostrassem claramente conservadoras.

SE A "MODERNA" FOLHA DE SÃO PAULO FICOU REAÇA...

Isso se tornou fato, a julgar pelo elenco de humoristas, jornalistas e até mesmo veículos midiáticos que antes eram associados à modernidade mais atraente, virando paradigmas do "novo" em vários sentidos, mas que depois deixaram a máscara cair com o reacionarismo de última hora.

A própria Folha de São Paulo vendia a imagem de "paradigma" de "novo jornalismo" no Brasil. Nos anos 90, a Folha tentava ser o símbolo da sociedade moderna, o que aumentou a projeção do periódico da famiglia Frias em todo o país. Mas que depois a máscara caiu e o periódico, de tão reacionário, ganhou até o apelido jocoso de "Falha de São Paulo".

Nos anos 90, Arnaldo Jabor brilhava como jornalista, até com ideias interessantes sobre cultura e cinema. No entanto, ele acabou virando reacionário, até um tanto rabugento, embora sem o radicalismo febril de um Reinaldo Azevedo, mas chegando perto disso.

Danuza Leão, ex-mulher de um jornalista progressista, ex-ícone da modernidade chique dos anos 60, também se mostrou boa escritora na relembrança de suas experiências de vida, mas mostrou-se depois porta-voz de um pensamento conservador da alta sociedade.

Marcelo Madureira era um universitário comunista que, com seu grupo Casseta Popular, lançou com seus amigos (inclusive o falecido Bussunda) um tipo de humor hilário que fazia as pessoas descontrolarem seu riso, ao lado dos humoristas do Planeta Diário, que se fundiram e viraram o Casseta & Planeta bastante renovador nos seus primeiros anos.

No entanto, Marcelo Madureira virou um reacionário febril, a ponto de ficar mal humorado num "festejado" evento do Instituto Millenium, esquecendo-se até de que é humorista, sem dizer uma piada, apenas fazendo comentários mórbidos sobre o cenário sócio-político atual, confundindo crítica com calúnia, chamando Lula de "vagabundo".

Seu xará, Marcelo Tas, era um notável humorista e produtor de programas educativos. Seu personagem Ernesto Varela fez história. Também deu contribuições valiosas para a série Telecurso e, como ator, para o programa Rá-Tim-Bum, alternativa educativa para a mesmice erótico-consumista dos programas infantis da TV aberta comercial.

Mas, ultimamente, Tas tornou-se também um comentarista reacionário da mesma linha do ex-casseta, mostrando seu conservadorismo ideológico e abrindo espaço, no programa CQC da Bandeirantes, para gente humoristicamente duvidosa como Danilo Gentili e Rafinha Bastos.

Sônia Francine, por sua vez, era uma admirável e bem informada VJ da MTV, simpática e atraente em sua beleza doce e seu visual de "Dora, a Aventureira". A princípio, parecia bastante arrojada nas suas ideias sobre política e cidadania, até depois se tornar uma "tucana" histérica e ideologicamente confusa, mas identificada ao pensamento conservador do trio PSDB-DEM-PPS.

Já dá para perceber o que será a "moderna e adorável rádio rock hoje e sempre" daqui a algum tempo. A julgar pelo reacionarismo de seus adeptos e profissionais no passado recente - incluindo a fúria reinaldoazevediana dos seus similares da carioca Rádio Cidade - , a 89 FM nem está aí pela rebeldia de conteúdo, que não precisa necessariamente de pavio curto.

A 89 FM é uma forma da velha grande mídia domesticar a juventude brasileira, criando um modelo de "rebeldia" que ideologicamente esconde um fundo conservador. O "entusiasmo" de seus ouvintes pela volta da tal "rádio rock" nem de longe soa revolucionária, e a histeria não difere muito daquela feita pelos fanáticos do "sertanejo universitário" ou dos pretensos ativistas do "funk carioca", por exemplo.

A "rebeldia" da 89 FM é formal, que no conteúdo é bastante reacionária, mas serão sempre reacionários confundindo rebeldia com irritabilidade, achando que serão "modernos" falando palavrão e fazendo xingações irônicas. Se eles soubessem que, nos bastidores das grandes corporações, há muita gente assim...

RUPERT MURDOCH E O SENSACIONALISMO À BRASILEIRA


Por Alexandre Figueiredo

O grande erro das esquerdas médias, vulneráveis ao "canto da sereia" de intelectuais festivos amestrados pela grande mídia, é adotar, sem critério, qualquer fenômeno social, por mais aberrante que seja, sob o rótulo de "popular".

Isso faz com que a condescendência com a imprensa sensacionalista brasileira, mesmo sendo ela associada aos barões da mídia do mesmo jeito, ocorresse no Brasil, em detrimento à postura enérgica que a sociedade do Reino Unido adota em relação à grande mídia.

Meio Odair Cunha perdoando os Policarpos, as esquerdas médias ainda chegam ao ponto de elogiar a mídia popularesca brasileira, sob o pretexto de que é "muito divertida". Para tudo se tem um jeito, reza a cartilha do "jeitinho brasileiro", e a defesa retórica da mídia popularesca dá matizes diferentes a esta, na tentativa de lhe atribuir algum valor (se é que existe algum).

Assim, a mesma mídia popularesca, de jornalecos "populares" e programas de TV de "variedades" e também os policialescos, pode ser definida pelos seus defensores como "jornalismo investigativo" ou "jornalismo de humor" conforme as circunstâncias, no esforço vão de evitar críticas.

Aqui a mídia popularesca é esperta o suficiente para evitar qualquer ênfase no seu proprietário ou para deixar vazar algum deslize muito grave. Não se tem o culto de personalidade que um Rupert Murdoch exibe nos círculos midiáticos.

Até temos um "News Of The World" brasileiro, o jornal Expresso, que circula nas bancas do Rio de Janeiro. E esse jornal não tem um "Murdoch", mas três, que são os filhos de Roberto Marinho. E o Meia Hora, por outro lado, faz parcerias promocionais com o Grupo Abril. Só que aqui o rótulo "popular" acoberta qualquer barbaridade.

Além disso, Expresso tem como articulista o queridinho das esquerdas médias mais condescendentes, o dirigente funqueiro MC Leonardo. E a linha editorial de Expresso - não muito diferente do Meia Hora dos donos do jornal O Dia - tranquiliza seus membros, pelo conteúdo "popular" veiculado por periódicos desse tipo.

Mas o sensacionalismo desses jornais não é muito diferente ao que o News Of The World havia feito com o caso da menina assassinada Milly Dowler, de 13 anos em 2002, por um matador em série fixado em meninas colegiais. O jornal de Murdoch, segundo revelação do também britânico The Guardian, havia invadido a privacidade ao se apropriar de mensagens de celular deixadas pela vítima.

O que dizer do "nosso" Aqui Agora, que aguarda uma "reabilitação cult" pela patética grande mídia do entretenimento, que mostrou no horário vespertino, aos olhares até de crianças, cenas de suicídio? Mas nem isso tira a reputação desses programas, inabaláveis no indulto semântico que a intelectualidade dá à palavra "popular".

O sensacionalismo à brasileira, num país que historicamente foi marcado pelo "iluminismo de engenho" de simpatizantes tímidos da Revolução Francesa, que resistiam radicalmente à ideia de abolição da escravatura, temos uma esquerda média que ainda não confronta o brega-popularesco, preferindo aceitar todo o espetáculo de mediocrização sócio-cultural, pelo pretexto de que é "popular".

Afinal, o sensacionalismo da imprensa "popular" brasileira se situa num contexto de crise de valores que faz as elites confundirem a ignorância do povo pobre com pureza e inocência. E a imprensa "popular" trabalha seu sensacionalismo de forma "inocente": alegres popozudas, hilários casos pitorescos, idolatria a jogadores de futebol e integrantes de reality shows, e tem até promoções de ingressos para eventos popularescos.

Para os analistas médios, o povo pobre não tem a mesma responsabilidade social dos britânicos, portanto o que é aberrante para eles, é "divertido" para o Brasil. Grande equívoco, porque um país em desenvolvimento com o Brasil acaba apostando no atraso das populações pobres que é "amenizado" pela cosmética discursiva dos intelectuais "de nome".

Além do mais, não dá para esperar que o pior aconteça, para que abramos nossos olhos para os males desse jornalismo que trata o povo feito uma matilha de vira-latas. Quantas Milly Dowler aparecerão dentro de uma multidão de popozudas, se poucos conseguem enxergar os Rupert Murdoch que estão por trás dessa mídia do pitoresco e do grotesco?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

'FAMIGLIA' FRIAS É SÓCIA DA 89 FM


Por Alexandre Figueiredo

A "tão esperada" volta da dita "rádio rock", a 89 FM, já ganhou um sabor amargo que os mais jovens dificilmente conseguem compreender. Não só pelo fato de que a rádio retomará apenas a fase medíocre, mas comercialmente bem sucedida, dos anos 90, mas pelo controle acionário da emissora, que ganhou um reforço no quadro acional.

A emissora continua pertencendo à família Camargo - sobretudo José de Camargo Jr., que é dono da marca "89 FM A Rádio Rock" - , mas agora ela firmou parceria com o portal de Internet UOL (Universo On Line), de propriedade da famiglia Frias, da Folha de São Paulo.


A Folha, junto com o Grupo Abril, que chegou a ser sócio do UOL, sempre adotou uma atitude protecionista em relação à programação "roqueira" da 89 FM nos anos 90, já bastante inferior ao que as rádios de rock autênticas dos anos 80 (como a niteroiense Fluminense FM e a paulista 97 Rock) fizeram.


A notícia foi dada pela própria Folha de São Paulo. A rádio oficialmente se chama UOL 89 FM A Rádio Rock, e seus primeiros minutos deram conta de que a emissora nem está aí para as transformações e demandas do verdadeiro radialismo rock que, hoje em dia, praticamente só existe no exterior. E mostra que, perto de muita rádio roqueira dos EUA e Europa, a 89 FM vai ficar comendo poeira.

FOLHA ADMITE: 89 FM VOLTOU PARA ALIMENTAR A "INDÚSTRIA DE SHOWS"

A Folha de São Paulo admite que a volta da 89 FM está diretamente relacionada ao mercado de shows internacionais no Brasil, nos quais o rock mainstream é um dos filões potenciais e que tem no Rock In Rio sua vitrine maior.

"A volta da emissora ao dial coincide com o bom momento do gênero no Brasil. Com a crise na Europa e Estados Unidos, a América Latina é vista como um grande mercado, até então pouco explorado, para promoção de festivais e turnês internacionais", informou a Folha.

A programação da rádio será a mesma que marcou a rádio entre 1990 e 2006, quando a emissora deixou o filão e se tornou rádio pop convencional. Portanto, será apenas de sucessos comerciais ou de grandes sucessos de bandas autênticas manjadas (tipo Iron Maiden, Van Halen e Foo Fighters), sem ir a fundo para canções mais obscuras, músicas longas, lados B de compactos ou músicas instrumentais.

"PARECE JOVEM PAN 2"

Quando tentei ouvir o arquivo de vídeo com áudio do YouTube mostrando os primeiros minutos da nova fase da 89 FM, tamanha foi minha indignação, porque o estilo de locução do Tatola, que comandou as primeiras horas da rádio, é puramente estilo Jovem Pan 2, com aquela mesma linguagem de rádio de pop dançante (que o próprio Tatola chama de "putz-putz"), só com um vitrolão "roqueiro".

Além disso, a programação musical nem de longe representou surpresas. Ela parece "genial" dentro de um terreno semi-árido de mediocridade galopante. Isso diz muito para um país como o Brasil, onde se pratica o famoso ditado "em terra de cego, quem tem um olho é rei".

Num país onde "grande estadista" é Fernando Collor ou Fernando Henrique Cardoso, as "melhores musas" se chamam Geisy Arruda, Nicole Bahls e Mayra Cardi, "grandes artistas" são Thiaguinho e Michel Teló, "jornalismo investigativo" é a revista Veja e exemplo de "figura humana" é Luciano Huck, é claro que a juventude média vai achar que a 89 FM é "a melhor rádio rock do mundo".

Nem de longe. O repertório torna-se convencional, sem sair muito daquela linha dos "grandes sucessos" do rock mais antigo, com músicas e intérpretes mais manjados. Além disso, a prioridade continua sendo mesmo o "som dos anos 90", com ênfase maior nas bandas grunge e no poser metal e no Rock Brasil mainstream.

NADA DE MÍDIA ALTERNATIVA

A 89 FM nunca foi, no entanto, uma rádio de rock de verdade. A emissora foi apenas um vitrolão roqueiro apoiado por um logotipo de impacto hipnótico. Mas nem de longe a rádio transmitiu um estado de espírito roqueiro, uma personalidade roqueira, uma mentalidade ou filosofia roqueira,.

Pelo contrário, a rádio sempre trabalhou uma imagem estereotipada do público roqueiro, de perfil ideológico mais conservador, apenas dotado de alguma "agressividade" no comportamento, uma espécie de "rebeldia" formal. Ideologicamente, o "roqueiro" da 89 se aproxima ao de uma direita não-assumida.

No entanto, a Rádio Cidade, durante os tempos em que representou o perfil da 89 FM no Rio de Janeiro, entre 1995 e 2006 (sendo que em rede, a partir de 2000), chegou a trabalhar um perfil ainda mais reacionário do estereótipo "roqueiro", alinhando-se na extrema-direita nos mesmos moldes da revista Veja.

Com a associação explícita ao Grupo Folha, dono do portal UOL, a UOL 89 FM confirma seu vínculo com a mídia mais conservadora, o que fará com que a emissora nem de longe se destaque no perfil do radialismo rock do Brasil, quanto mais do mundo.

A emissora continuará indiferente às tendências mais alternativas e a vertentes mais "difíceis" do rock'n'roll. Isso significa que a emissora não tocará lados B de compacto nem músicas instrumentais, nem bandas pouco conhecidas e nem canções longas. E quem acha que vai ouvir de novo o rock da Baratos Afins na 89 FM, é melhor sentar na calçada e chorar.

E haverá locução em cima das músicas, "cortando" canções como "Smoke On The Water", do Deep Purple, no final ou impedindo que os ouvintes ouçam as introduções dos sucessos roqueiros sem a intervenção da voz do locutor, uma prática ainda existente no rádio brasileiro e que não condiz com a realidade da Internet, onde músicas em MP3 circulam soltas inteiramente como se ouve em disco, sem blablablá nem vinhetas em cima.

Além disso, a tendência provincianista da mídia brasileira, que contagia muitos jovens internautas, faz com que a 89 FM também proceda de forma completamente indiferente às pressões do radialismo rock no mundo inteiro.

Em outras palavras, a 89 FM será apenas mais uma rádio de hit-parade, sem representar algo de novo ou renovador para o radialismo rock. Por enquanto, sua volta parece "novidade", mas quando voltar a rotina voltarão as mesmas queixas que derrubaram a rádio em 2006. A locução "putz-putz" de Tatola e companhia já dão uma boa ideia disso.

O JABACULÊ FARÁ O FOLCLORE DO FUTURO?

EM 1964, JACKSON DO PANDEIRO E ALMIRA NÃO IMAGINARAM QUE O JABACULÊ SERIA PIOR DÉCADAS DEPOIS.

Por Alexandre Figueiredo

Com a hegemonia do brega-popularesco tomando todos os espaços possíveis, sufocando a MPB autêntica que perde até mesmo boa parte de seus próprios espaços, o jabaculê parece ditar as normas e querer tomar para si o destino de definir o folclore do futuro.

A blindagem intelectual que definia os "sucessos do povão" do brega-popularesco como "expressões culturais das periferias" e que acusava qualquer reprovação a esses "sucessos" como "preconceito", prefere que os vínculos culturais comunitários sejam rompidos e sejam substituídos pelo rádio, TV e imprensa.

Enxurradas de documentários, filmes ficcionais, peças de teatro, teses acadêmicas, artigos "científicos", reportagens e tudo o mais que vier são feitos para tentar justificar que o brega e seus derivados são o "definitivo folclore brasileiro".

Os sambas, modinhas, frevos, baiões do passado foram usurpados por tecnocratas das ciências sociais seja para a preservação isolada nos museus, seja para a apreciação privativa das mais elitistas das elites. O povo que se contente com as caricaturas de ritmos populares que, desde os anos 90, é despejada em larguíssima escala pelas programações radiofônicas regionais.

A intelectualidade distorce o termo "popular", reduzindo-a a uma caricatura associada sempre às piores qualidades associadas ao povo pobre. É uma visão preconceituosa, que a intelectualidade dominante quer que aceitemos incondicionalmente, o que tais intelectuais definem como "perda de preconceitos". Daí que se diz o quanto essa intelectualidade, apesar de "sem preconceitos", é muito, muito preconceituosa.

Ao povo se reserva o piegas, o mórbido, o cafona, o grotesco, o pitoresco, o ridículo, o patético, o asqueroso. Nós é que temos que "aceitar tudo isso" sob a pena de sermos vistos como "preconceituosos", "elitistas" e "higienistas". Querer uma cultura melhor para o povo, tão digno quanto pedir o fim do analfabetismo, é visto pela intelectualidade badalada como sinônimo de "preconceito" e "higienismo".

A grande preocupação é que muita discurseira é feita para defender essa "cultura do jabaculê" como se fosse "a verdadeira cultura popular". Um aroma e um sabor artificial de "povo", como todo mecanismo industrial, pois nossa indústria cultural, tão controversa, ao menos é conhecida por essa manipulação do inconsciente popular.

São executivos ligados à indústria do entretenimento, controlando rádios, casas noturnas, agências de publicidade, agências de famosos, gravadoras, TVs, portais de Internet, produtoras de eventos, que controlam o gosto popular e trabalham com visões estereotipadas.

Mas a intelectualidade, com jeitinho, faz com que esses mesmos executivos pareçam "gente como a gente". Os empresários regionais do entretenimento evitam aparecer muito com terno e gravata, e quando é um brega mais rasteiro - inclui até mesmo o "funk carioca" - , eles aparecem em eventos de gala usando tênis e jeans além de paletós velhos para parecerem "mais modestos".

Eles têm que se confundir com o "povão", assim como os "urubólogos" do noticiário político queriam se confundir com os leitores de classe média. Cansei de ouvir Miriam Leitão se equiparar, nos seus comentários, a qualquer trabalhador comum, como se ela fosse uma "proleta".

Ao fazer com que esses "barões do entretenimento" brega-popularescos se "equiparem" ao povo pobre, o discurso intelectual tenta resolver os problemas gerados por sua retórica contraditória, que exalta a "cultura de massa" e desaconselha análises críticas, pois o que vale é o "vale tudo" popularesco.

Eles trabalham para que o jabaculê, que permitiu a ascensão dos ídolos brega-popularescos e de toda veiculação dos piores valores sociais associados às classes populares, faça o folclore do futuro. Com um engenhoso esquema de publicidade associado a uma blindagem intelectual que envolve processos acadêmicos patrocinados por George Soros e companhia, eles tentam transformar o brega-popularesco num mercado permanente apoiado por uma retórica "socializante".

Até mesmo as velhas rádios controladas pelo latifúndio são incluídas no duvidoso conceito de "novas mídias", num tempo em que as redes sociais não se mostram a "revolução socialista" tão sonhada pelos tecnocratas "fora do eixo". Anula-se o status de poder do dono da rádio, que, sendo ela regional, é tida como "pequena mídia", dentro da tese de que "grande mídia" só é a que tem escritório em São Paulo.

O programador musical, espécie de jagunço cultural do dono da rádio, também é confundido, no discurso intelectual, com um operário ou um agricultor. Assim, a "cultura de massa" decidida pelos executivos do entretenimento é tida como "expressão natural das periferias": seu empresariado, mesmo muito rico, é ideologicamente tido como "pobretão".

O JABACULÊ NÃO ACABOU

Enquanto a intelectualidade dominante, em sua retórica engenhosa, tenta afirmar "positivamente" que o jabaculê foi extinto e a indústria fonográfica está morrendo, a realidade mostra o extremo contrário. A indústria fonográfica apenas se rearticula, com os velhos impérios mundiais dando lugar a novos impérios internacionais, e o jabaculê no Brasil aumentou em níveis avassaladores.

É como se um gigante fosse tão grande que somos incapazes de notar sua presença, vendo apenas seus pés diante de nós. O jabaculê tradicional, o do suborno das programações de rádio, continua valendo, mas hoje ele se expandiu para outras práticas, até mesmo fora dos cardápios musicais.

No caso da música brega-popularesca (ou Música de Cabresto Brasileira), o jabaculê envolve tanto o habitual "mensalão" radiofônico no seu cardápio musical quanto ao recrutamento de "troleiros" para desmoralizar quem faz críticas aos ídolos popularescos e também quanto ao patrocínio de intelectuais para defendê-los com uma retórica sofisticada e "mais objetiva".

O jabaculê inclui até mesmo pagamento de viagens. O crítico musical faz um elogio, por exemplo, a um grupo de "forró eletrônico", criando um artigo que, de forma delirante, junta citações tendenciosas de Jean-Paul Sartre, Honoré de Balzac, as barricadas de Paris e até Patti Smith, em troca de um passaporte grátis para ir a Belém, onde o tal grupo se apresenta, para fazer turismo de graça.

Foi assim que se fez a propaganda do "funk carioca", com muito, muito dinheiro investido pelos empresários funqueiros, gente riquíssima mas que graceja quando alguém informa essa verdade. O "funk", ritmo sem qualquer valor, construiu sua reputação às custas de delirantes abordagens que, alucinadamente, juntavam revolta de Canudos, Semana de Arte Moderna e movimento punk no mesmo balaio discursivo.

Aos "sertanejos", cabe a abordagem sentimentaloide, bastante piegas, dos "filhos do campo" que decidiram cantar, dos "rouxinóis humanos", com todo aquele dramalhão que poucos assumem como tal. Até que o discurso acabe funcionando e produza centenas de "sertanejos universitários" com seus "hinos à bebedeira e à infidelidade conjugal".

Neste caso, o jabaculê se torna mundial, em contato com redes internacionais de casas de espetáculos que acabam incluindo ídolos popularescos emergentes. Foi assim que Michel Teló fez sucesso, por ter um empresário muito rico a ponto de ter dinheiro para comprar espaços no exterior, tornando o jabaculê brasileiro mais globalizado.

O JABACULÊ NÃO É O NOVO FOLCLORE

No entanto, respondendo ao título acima, o jabaculê não é o novo folclore. Nunca será o folclore do futuro do nosso país. O jabaculê não se desenvolve em bases sociais sólidas, nem atua em benefício à sociedade. Ele surge nos escritórios mais diversos, é decidido pelo dinheiro, ele só é associado às classes populares por algum mecanismo publicitário.

Mas o jabaculê brega-popularesco não é cultura de verdade. Até a lotação fácil de plateias e a execução certeira nas rádios e TVs é fruto de muita campanha publicitária, de muito, muito suborno. E ver todo esse processo ser feito e depois os intelectuais botam a "culpa" no povo pobre as periferias é uma coisa vergonhosa, apesar dela ter gerado aplausos entusiasmados das plateias desavisadas.

Certamente, o novo folclore não se fará através dos ídolos brega-popularescos. Muito será feito para definir esses ídolos bem-sucedidos, praticamente senhores do mercado brasileiro, como "grandes sofredores" e "coitadinhos injustiçados". Como se isso os transformasse em "grandes gênios da MPB". Não transforma. E toda essa discurseira desaparecerá quando a sociedade se esclarecer melhor.

Com mais escolas e mais informação - tanto em quantidade como em qualidade, mas sobretudo pela qualidade, que estimula o discernimento - , a opinião pública deixará de ser influenciada pelas mentiras e meias-verdades de intelectuais badalados, por enquanto com muita visibilidade para arrancar aplausos das plateias.

Espera-se que deixemos de ser vistos como "elitistas" - puro preconceito dos que se afirmam "sem preconceitos" - quando falamos que queremos uma cultura melhor para o povo pobre. Cultura melhor não é maquiar os mesmos medíocres para parecerem "mais geniais". Cultura melhor é eliminar a mediocridade cultural e seus ícones, buscando novos personagens e valores mais sólidos e verdadeiros para a população.

Cidadania não rima com cosmética e consumismo.
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