sexta-feira, 30 de novembro de 2012

VITÓRIA: A ONU RECONHECE O ESTADO PALESTINO!


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O reconhecimento, ontem, pela ONU, de elevar a Palestina ao status de Estado observador, ainda que não integrante, das Nações Unidas, já é o primeiro passo para a emancipação política há muito tempo sonhada pelo povo palestino. Embora seja uma medida aparentemente modesta, ela sinaliza para o reconhecimento da Palestina como um novo país, uma reivindicação longa e dolorosa de seu povo.

Vitória: a ONU reconhece o Estado Palestino!

Do Portal Vermelho

Talvez, no futuro, o dia 29 de novembro venha a ser a data nacional palestina. Ou, ao menos, um grande feriado. A data marca uma grande vitória diplomática e política no caminho pelo reconhecimento do Estado Palestino independente, democrático e soberano. A Assembleia Geral da ONU aprovou, por 138 votos contra nove (EUA, Israel, Canadá e seis outros pequenos países) e 41 abstenções, a admissão da Palestina como Estado observador.

A extensão da vitória é expressa pelo fato de que mais de 2/3 dos 193 países membros da ONU terem votado pela elevação da Palestina ao novo status, conferindo, em nível internacional e diplomático, as prerrogativas, direitos e deveres de um Estado soberano. Um dos efeitos da nova situação será o reconhecimento internacional de que os territórios palestinos não são (como pretende Israel) áreas disputadas, mas “um país ocupado”, disse o negociador palestino na ONU Saeb Erakat.

Outro aspecto, jurídico, dessa vitória surge com a nova situação criada. O reconhecimento da Palestina como um Estado, mesmo que observador, dará a seu governo o direito de participar das agências da ONU e do Tribunal Penal internacional (TPI), com sede em Haia, ao qual poderá recorrer contra os crimes de guerra e contra a humanidade cometidos pelo governo sionista de Tel Aviv nos territórios palestinos ocupados.

Aliás, o temor de que isso ocorra reflete, por sua vez, a extensão da derrota de Israel e seus aliados, sobretudo os EUA, no plenário da ONU.

Numa confissão insofismável dos crimes de guerra e contra a humanidade que cometeram ou com os quais foram coniventes, Israel e EUA tentaram obter, sem êxito, o compromisso palestino de não recorrer ao TPI. A pretensão foi rejeitada pelos dirigentes palestinos.

A hipocrisia dos EUA e a mentirosa diplomacia do sionismo justificam a resistência contra o reconhecimento do Estado Palestino pela ONU alegando que o caminho para isso é a negociação entre a Autoridade Palestina e Israel – negociação que fracassou justamente devido à intransigência, arrogância e agressividade do governo de Tel Aviv, com total apoio dos EUA.

O temor de um eventual recurso palestino ao TPI ilustra as ilegalidades cometidas por Israel, com apoio de seus aliados, sobretudo os EUA, e que foram responsáveis por aquele fracasso diplomático.

As forças de ocupação de Israel repetem, em território palestino, agressões semelhantes às praticadas pelas tropas nazistas durante a 2ª Guerra Mundial nos territórios ocupados (o Gueto de Varsóvia é um exemplo dramático). Hoje, passados mais de sessenta anos, Israel repete na Palestina a agenda nazista no leste da Europa e visa ao genocídio e extermínio da população palestina para roubar suas terras, casas, propriedades.

São crimes de guerra que se repetem, como o uso de armas químicas e bombas de fragmentação, proibidas pela Convenção de Genebra e pela Convenção de Armas Químicas. Entre elas o fósforo branco, que queima os corpos das vítimas sem poder ser apagado. Israel usa e abusa dele, como fez na Operação Chumbo Derretido (2008) e no recente ataque contra Gaza.

A Convenção sobre Armas Convencionais proíbe o uso de armas excessivamente letais, que provoquem danos excessivos ou atingindo indiscriminadamente a população civil que, ao contrário, deve ser protegida e poupada pelas forças atacantes.

As convenções internacionais também proíbem apropriação dos bens dos civis e punições coletivas contra ações da resistência à ocupação.

Israel não cumpre nenhuma das determinações sobre a proteção à população e seus bombardeios destroem moradias com moradores dentro, como no caso da família Al-Dallu que teve onze pessoas mortas pelas bombas de Israel, a maioria mulheres, e quatro crianças (entre elas um bebê de menos de dois anos de idade!). Edifícios públicos, uma universidade, inclusive um estádio de futebol, estão entre as centenas de alvos de Israel. Em apenas uma semana de ataques, foram destruídas 200 casas, 42 edifícios públicos, e danificadas cerca de oito mil residências.

A vitória palestina na ONU é um acontecimento histórico memorável pelo avanço democrático e fortalecimento da ordem jurídica internacional que representa. É também memorável pela notável derrota do imperialismo, da diplomacia dos EUA e da agressividade israelense. É uma vitória que indica o único caminho para a paz duradoura e sustentável: o reconhecimento da autonomia dos povos e independência e soberania dos Estados.

O PT ESTÁ REFÉM DA GRANDE MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

O relator da CPI que investiga o esquema de corrupção do bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira, o deputado do PT mineiro Odair Cunha, desistiu há alguns dias de indiciar cinco jornalistas pelo envolvimento com o bicheiro, sendo o mais conhecido deles o editor da sucursal brasiliense de Veja, Policarpo Júnior.

A desculpa do deputado relator é que os pedidos de investigação eram "questões não centrais" e que por isso não precisavam, a seu ver, ser incluídos no texto final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga o esquema.

O PT, com isso, perdeu uma boa oportunidade de dar uma grande contribuição à sociedade, investigando a corrupção da velha grande mídia. São muito fortes os vínculos de Policarpo Júnior com Carlinhos Cachoeira e existe até mesmo o consentimento de Roberto Civita com isso, daí a aflição dos barões da grande mídia em verem um dos seus depondo sobre a acusação de corrupção.

Carlinhos Cachoeira influiu tanto em Veja que ele atuava como um dublê de editor, enquanto o editor de fato, Policarpo Júnior, era seu garoto de recados. Se Carlinhos queria se vingar de desafetos, chamava Policarpo para criar "reportagens investigativas" para desmoralizá-los. Se era para aliviar a barra de aliados, Policarpo também atendia o bicheiro e produzia reportagens tentando inocentá-los de alguma forma.

Compare a atitude condescendente de Odair Cunha com a colaboração de José Dirceu e José Genoíno, juntamente com Delúbio Soares e outros, com outra corrupção, a de Marcos Valério. E compare esses dois fatos com outro, o da presidenta Dilma Rousseff investir em publicidade na grande mídia, numa porcentagem de 70% e através dos tais bônus de volume (BV) que favorecem ainda mais as empresas mais ricas.

Isso faz com que o Partido dos Trabalhadores perca muito do potencial progressista, diluído em ações pragmáticas, de um lado, e fisiológicas, de outro. Deixa de ousar em dados momentos e, em outros, compactua com a corrupção e, mais ainda, adota medidas meramente pragmáticas, sem promover melhorias reais na medida em que dilui o prometido socialismo brasileiro a medidas neoliberais mais cômodas.

O PT, além disso, é refém da grande mídia. Dilma parece condescendente com o poderio da grande mídia. Vai saudar os barões da Folha de São Paulo na festa comemorativa do periódico. Investe em publicidade do governo na grande mídia. Permite que a nossa economia sofra com a desnacionalização. Permite que o país esteja em piores posições no ranking da Educação.

Enfim, o PT precisa se mexer, se quer eleger um presidente em 2014. Manter bolsas-família e não investir na redução do desemprego, instituir cotas raciais nas universidades sem investir na melhoria da Educação podem até tranquilizar as esquerdas corporativistas, que adoram essas medidas paliativas.

No entanto, paliativos não trazem melhorias definitivas, apenas são usados para diminuir parcialmente males piores. Se o PT não adotar uma política séria de mudanças sociais e não enfrentar de frente os barões da grande mídia, é provável que ele se esgote e amargue uma derrota política inesperada.

Os barões da grande mídia e seus "calunistas" estão torcendo por isso, para recolocar um conservador no Palácio do Planalto, depois de toda a farra fisiológica e esportiva de 2014.

FELIPÃO É ESCALADO PARA REPETIR 2002 EM 2014


Por Alexandre Figueiredo

2014 pretende repetir 2002, que já era uma repetição frouxa de 1970, programado para temperar o ufanismo neoliberal da Era FHC, mas que deu depois em colapso. Desta vez, a CBF escolheu Luiz Felipe Scolari, o técnico de 2001-2002, para treinar a seleção brasileira de futebol para a próxima copa.

Scolari foi o treinador da estranha campanha de 2001-2002, quando a seleção não exibia seu melhor futebol e a equipe nem de longe era coesa. A CPI do Futebol estava em andamento e o governo FHC enfrentava um desgaste político por conta do racionamento do consumo de energia elétrica. Era preciso armar um espetáculo para evitar qualquer inquietação social mais ampla.

A Copa do Mundo da FIFA de 2002 foi o evento escolhido para essa anestesia. A seleção brasileira, insegura, despreparada e dispersa, já devia ter perdido nas eliminatórias de 2001, mas os interesses de Ricardo Teixeira, da Globo e da Nike ordenaram que mesmo adversários fortes tivessem que ceder seus campos de defesa para a patinação nos gramados de qualquer um de uns três goleadores.

Os jogos eram parecidos, parecia tudo ensaiado, e na Copa de 2002 em geral, os times mais fortes perdiam as partidas com uma estranha facilidade. Embora a grande mídia tenha feito uma grande festa, a Copa de 2002 foi mais a Copa da Nike e a seleção brasileira mais parecia a seleção de Ricardo Teixeira.

Com tanta copa para a seleção brasileira ter ganho, 2002 não deveria ter sido o ano. Nem era para a seleção estar lá, 2002 poderia ter sido o primeiro ano de uma copa do mundo sem a seleção brasileira. Teria sido uma solução mais realista, pois o Brasil tinha problemas maiores. Mas o pessoal preferiu a ilusão.

Pois aí vieram os interesses politiqueiros, tecnocráticos e empresariais diversos maquiando as cidades com um urbanismo nem sempre adequado para as necessidades locais dos brasileiros, uma mobilidade urbana que transforma os sistemas de ônibus num "baile de máscaras" da pintura padronizada e "compra" o apoio da população com BRTs que depois se acidentam e se degradam, e uma "cultura popular" decidida por empresários do entretenimento e gerentes de rádio e TV.

E tudo isso porque os interesses dos "cartolas" do futebol em empurrar o Brasil cheio de problemas - e considerado o penúltimo em Educação - não só para a Copa de 2014 mas também, às custas de interesses de outros "cartolas" (entre eles um sisudo Carlos Arthur Nuzman casado com a bela Márcia Peltier num país onde a maioria das solteiras têm o perfil de Geisy Arruda), para as Olimpíadas de 2016.

É muita despesa para o Brasil que ainda mal começou a resolver as desigualdades sociais e ainda apresenta um quadro educacional calamitoso. E o pior é que a grande mídia, de forma esnobe, sempre divulga a Educação como um processo fácil, como se bastasse só ensinar a ler e a escrever e alguns macetes manjados sobre cidadania. Não é.

Apesar de toda a festa e de toda a demagogia política - na última segunda-feira Sérgio Cabral Filho, o amigo de Carlinhos Cachoeira por intermédio do empreiteiro Fernando Cavendish, realizou um "showmício" pedindo o veto da Dilma ao projeto corte de verbas dos roialtes do petróleo - , dá para perceber que o exemplo de 2002 é um sério aviso para 2014.

Primeiro, porque 2002 foi o último ano em que a soberania da grande mídia brasileira reinava absoluta, com os barões da mídia como senhores absolutos da opinião pública. A Internet começava a mostrar seu potencial como alternativa de expressão da sociedade, depois do obscurantismo total dos anos 90. E foi também o último ano de supremacia política do PSDB.

Apesar das manobras trapaceiras da copa - convenhamos, a seleção brasileira jogou muito mal - terem garantido o tal do "penta", a politicagem não conseguiu evitar o colapso do Brasil: crise econômica e educacional, crise política do PSDB que abriu caminho para um (moderado) PT conquistar as urnas, e início da decadência da grande mídia como formadora da opinião pública.

Ou seja, Ricardo Teixeira não conseguiu salvar o PSDB nem a grande mídia, apesar do "penta" ser muito do gosto da Globo. Mas ele, agora como membro honorário da CBF, intervirá num novo cenário de "patriotada" através de seus colaboradores José Maria Marín, atual presidente da entidade, e Marco Polo Del Nero, seu vice.

Segundo o jornalista Juca Kfouri, lembrado por Celso Lungaretti, os dois eram gente tão ligada à ditadura militar do que, por exemplo, o bicheiro e "cartola" carnavalesco Aílton Guimarães Jorge, antigo integrante da repressão militar. Marín era um admirador de outro membro da repressão, o falecido delegado do DOPS Sérgio Paranhos Fleury.

Além disso, Felipão, que não foi um grande jogador no passado e até era um técnico exemplar, havia saído de uma fracassada participação na decadência do Palmeiras que se deixou cair para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro este ano.

Se criará um "patriotada" para quem sabe manter o governo do PT no atoleiro do fisiologismo político ou, se possível, eleger alguém mais conservador e ainda mais comprometido com a politicagem dominante. Cria-se toda uma festa esportiva com pesados investimentos financeiros, e, no final da festa, pouco importa a ressaca, se as autoridades e seus aliados saírem em vantagem, tudo bem.

Esse será o problema. O "hexa", tal como o "penta", será provavelmente comprado mais uma vez por Ricardo Teixeira e pela Globo. É preciso que a festa fique completa, e eles vão fazer de tudo para que o "hexa" esteja garantido.

Enquanto isso, as pálidas conquistas sociais, os paliativos tomados como "definitivos" (como as bolsas-família e as cotas raciais para as universidades) não conseguem resolver por completo os problemas sócio-econômicos do país e o que poderia ser uma relativa melhoria pode resultar numa piora retumbante, com os imprevistos que o otimismo de gabinete não conseguiu sequer prevenir.

Repetiremos 2002, com o "penta" comprado, e 1970, com a "patriotada" mais festiva. Mas como nestas duas festas, a ressaca será muito dolorosa, porque o Brasil não está pronto para tais vitórias esportivas e, o que é pior, apresenta problemas sócio-econômicos sérios e graves.

Não dá para comemorar as poucas vitórias dos governos do PT. Melhor seria trabalharmos para levarmos essas conquistas adiante e efetivar outras, em vez de comemorarmos por benefícios apenas frágeis e relativos. E que as festas de 2014 e 2016 ameaçam acabar, pela farra financeira que está por trás.

LYA LUFT E O SAMBREGA POLITICAMENTE CORRETO


Por Alexandre Figueiredo

As elites sentiram compaixão pelos pesadelos de Danuza Leão no seu recente artigo "Ser Especial". Pois também elas sonharam com o artigo de Lya Luft na revista Veja do último dia 25, na edição no entanto creditada a hoje (como é de praxe).

Intitulado "Chega de ser policiado. Chega de politicamente correto. Vamos ser quem somos", o texto da escritora faz críticas ao politicamente correto nas seguintes palavras:

Tanto tenho lido e escutado sobre diferenças, preconceitos, o politicamente correto (detestável na minha opinião, hipócrita e gerador de mais preconceito), que começo a pensar se não devíamos nos livrar das exigências, receitas, códigos, ordens, enquadramentos rigorosos e por vezes cruéis desta nossa cultura atual.

Cultura que propaga liberdade, mas nos veste camisas de força umas sobre as outras, lá vamos nós carregando esse ônus, e achando que somos livres – mas nem sabemos o que queremos.

Aparentemente, o texto parece bem intencionado, mas traduz um certo conservadorismo positivo de nosso país. Não teria sido escrito o texto em virtude das pressões sofridas pela revista Veja? Embora ela passe o tempo todo escrevendo no texto sobre a liberdade de sermos fora das convenções ou das pressões sociais, o texto seria também uma forma politicamente correta da autora dizer-se preocupada com as discussões sobre os problemas sociais do país.

Afinal, ela faz parte de uma revista de perfil bastante conservador. Ela até destoa do reacionarismo furioso de articulistas como Reinaldo Azevedo, André Petry e Diogo Mainardi, só para citar alguns que se projetaram nos últimos anos. Lya até se aproxima da linha equilibrada e bem feita de escrever do articulista Roberto Pompeu de Toledo.

Mas, como um outro lado da moeda danuzaleonina, o texto fala não das desilusões da banalização da pobreza, mas das pressões feitas para agradar a sociedade. Ou seja, se Danuza se incomoda com as pressões em aceitar os avanços da sociedade hoje, Lya se incomoda com as pressões contra os problemas e dilemas em que vivemos.

A certa altura, ela fala de "uma banda excelente chamada Raça Negra", o que nos faz refletir sobre o que ela entende por "politicamente correto" ou "cultura livre". Vale lembrar que o Raça Negra, um dos pioneiros do chamado "sambrega", se insere perfeitamente na visão neoliberal de "liberdade cultural", e na apropriação politicamente correta do engajamento racial dos negros.

Afinal, o Raça Negra não é mais do que um revival do "sambão-joia" que animou o ufanismo da ditadura militar, num processo de diluição piegas e sem criatividade do sambalanço. A "excelente banda", que havia sido alvo de um tendencioso tributo "alternativo", é um daqueles "coitadinhos" cortejados pela intelectualidade associada à grande mídia.

O próprio grupo acaba, com essa postura pretensamente cult, sofrendo todas as cobranças que os ídolos brega-popularescos sofrem quando expandem seus mercados para demandas mais "seletas". Como todo neo-brega dos anos 90, há as cobranças deles serem "menos bregas", o que não ajuda em coisa alguma e cria até problemas, como o fato de que a MPB hoje está perdendo espaço para a breguice.

O grupo em nada contribuiu para a cultura brasileira e nem para a cultura negra do nosso país. Seu som, medíocre, nem justifica o nome politicamente correto do grupo e seu revival "alternativo" traz as mesmas pressões que hoje sofre um Odair José, um cantor romântico conservador, "genérico" de Roberto Carlos, mas pressionado para bancar o "alternativo", o "psicodélico" e o "pós-tropicalista" que ele nunca foi nem é.

O grande problema, portanto, é a pressão realmente de sermos o que não somos. Nisso Lya Luft tem razão. Mas ela errou ao lembrar do Raça Negra como uma "excelente banda", como se o grupo tivesse feito parte de uma vanguarda cultural. Nada disso. O grupo sempre foi associado ao brega, que é retaguarda cultural, hit-parade à brasileira meramente ligado ao consumismo e sem compromissos culturais.

Ser politicamente correto é apoiar esse brega-popularesco como se fosse "a nata perdida da MPB". Isso traz pressões terríveis, até um MC Leozinho hoje é forçado a produzir novos sucessos, sem direito a ser um one hit wonder (intérprete de um sucesso só) como ele naturalmente seria no exterior.

A sociedade conservadora, seja a de Danuza Leão ou de Lya Luft, está incomodada. Seja com as mudanças sociais que derrubam antigos paradigmas elitistas, seja com os paradigmas elitistas que esperavam mudanças sociais mais brandas.

Para essa sociedade, a empregada doméstica não pode ver uma apresentação de Bossa Nova. Mas o Raça Negra, para essa sociedade, pode ser "alternativo". De um lado, o povo pobre é desaconselhado a melhorar sua cultura. De outro, a mediocridade cultural é celebrada como uma suposta vanguarda. É a mesma visão elitista, para a qual o povo pobre só é "melhor" naquilo que tem de pior.

Alguma vez Lya Luft pensou se as empregadas domésticas também não são pressionadas a ouvir Raça Negra e derivados só para agradarem a sociedade? Será que elas não mereciam ouvir coisas melhores?

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

BRASIL FICA EM PENÚLTIMO LUGAR NO RANKING DA EDUCAÇÃO. CADÊ O "FUNK" E O FUTEBOL?


Por Alexandre Figueiredo

Pesquisa de uma consultoria britânica, encomendada por uma empresa especializada em sistemas de aprendizado, divulgou o ranking dos países que investem em sistema de educação no mundo.

Os dados correspondem a levantamentos feitos entre 2006 e 2010.

Os três primeiros colocados, respectivamente, foram Finlândia, Coreia do Sul e Hong Kong.

Quarenta países foram consultados. E onde se situa o Brasil nesta lista?

Em penúltimo lugar, 39º lugar, perdendo apenas para a Indonésia.

Cadê o "funk carioca"? Cadê o futebol? Cadê o entretenimento da grande mídia?

O "funk carioca", com sua choradeira e sua pose de "coitadinho", prometia que iria promover a cidadania e o desenvolvimento social das periferias.

O discurso já tem dez anos e os DJs de "funk" afirmaram na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro que o ritmo poderia contribuir para a Educação.

Depois desmentiram, quando viram o "funk-proibidão", fonte de renda de muitos "bailes funk", ser banido nas UPPs.

E o futebol? Fala-se tanto que o futebol traria educação para as pessoas? Que iria trazer a cidadania e os bons valores para a sociedade?

Há muito futebol no país, muitos torcedores, mas nem mesmo ensinar futebol se ensina, porque nas escolas futebol é quase profissional, quem não sabe futebol fica de fora e ainda leva bullying.

E a grande mídia, que possui um "método simplório" de "educação", que é mostrar clipes com professor escrevendo qualquer coisa no quadro negro, crianças rabiscando nos cadernos, recreação nos pátios da escola e gente jogando futebol.

Como se Educação fosse sinônimo de lápis, borracha e caderninho.

E os troleiros da Internet? E os internautas convencionais das redes sociais?

Todo mundo se achando "inteligente", jurando que a "sabedoria" deles já nasceu no berço.

Eles tanto se enfurecem quando são chamados de ignorantes, alienados e desinformados que fazem trolagem, dizem desaforos ou então, para "provar que são inteligentes", mandam mensagens com vírus pelo e-mail.

Mas essa raiva também não adiantou.

O Brasil está em baixa na Educação.

As autoridades investem em Turismo, Carnaval, showmícios pelos roialtes do petróleo, gastam tinta na padronização visual nos ônibus de cada cidade.

Mas deixam de investir em Educação. Acham que basta ouvir rádio FM e ler jornal popularesco que todo mundo vira sábio num piscar de olhos.

Só que o povo se emburrece mais com esses meios. Vide a ditadura midiática.

Não dá para esconder. O Brasil vai mal na Educação.

E isso é crucial para tornar distante o sonho do país virar potência mundial.

Deixemos esse desejo de lado, porque nossa Educação está ruim.

A Educação é que é a palavra-chave do desenvolvimento.

Se ela está mal, o país está mal.

Não serão os gols de Neymar que farão o Brasil virar potência. Nem os MCs e as popozudas do "funk".

Nem os clipes mostrando escolinha primária na televisão.

Se até nossos estudiosos da Educação, Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Paulo Freire, são deixados de lado - "educador" é Luciano Huck, é Neymar, é MC Leonardo, é Xuxa Meneghel - , então o país se recusa em discutir a Educação a partir do conhecimento dos ensinamentos desses grandes professores.

E já existe o tal "brega universitário" em vários estilos e tendências.

Dessa forma, não há como o Brasil ir em frente. E isso não é urubologia. É realismo.

Afinal, queremos um país mais sábio, desenvolvimento social tem que ser menos espetáculo e ser mais trabalho, para construir um país melhor, mais inteligente e mais justo.

INSTITUTO MILLENIUM E O "PRIVATIZE JÁ"


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Ontem mesmo vi na Livraria Saraiva os exemplares do livro de Rodrigo Constantino, um dos membros da cúpula do Instituto Millenium, chamado Privatize Já, que prega as "maravilhas" de um Estado anoréxico. Sabiamente, Altamiro Borges sugere que o livro seja usado para os próximos programas políticos do PSDB, até por uma questão de coerência, já que o Instituto Millenium é um dos maiores redutos intelectuais do partido que anda levando surra nas urnas.

No entanto, ninguém precisa comprar o livro de Constantino porque o que o livro fala é a mesma baboseira que a revista Veja, também associada ao "Imil", há muito escreve em suas páginas, que é praticamente o de entregar as empresas públicas brasileiras para o capital estrangeiro.

Instituto Millenium e o “privatize já”

Por Altamiro Borges - Blog do Miro

O Instituto Millenium, que reúne os barões da mídia nativa, deveria ser contratado de vez para assessorar o PSDB. Nos últimos dias, os caciques tucanos têm insistindo na urgência de uma nova plataforma econômica para a legenda, que saiu chamuscada das eleições de outubro. Aécio Neves, o cambaleante presidenciável, só tem tratado de economia nos seus últimos artigos nos jornalões. FHC também se dedica ao tema. Ambos pregam a volta das privatizações. Neste rumo, o mais prático seria adotar logo o programa do Millenium.

Em artigo publicado hoje no jornal O Globo, o economista Rodrigo Constantino, diretor do órgão e um dos seus principais mentores, defende de forma escancarada as privatizações como solução para todos os males do capitalismo. Seu slogan – que também é o título do seu livro – é “Privatize já!”. Para ele, o estado é um péssimo administrador e fonte de roubalheiras. “Não é coincidência a enorme quantidade de escândalos de corrupção que é divulgada na imprensa envolvendo estatais”, afirma o ideólogo do Instituto Millenium.

Para este seguidor fundamentalista do neoliberal Milton Friedman, “basta o Estado intervir muito para estragar qualquer setor da economia. Quando um partido com mentalidade mais estatizante assume o governo, a situação tende a piorar bastante. A arrogância de que o governo pode fazer melhor do que a iniciativa privada acaba levando a um nefasto modelo ‘desenvolvimentista’. É o caso do governo atual. A presidente Dilma acredita que é realmente capaz de administrar os importantes setores de nossa economia”.

Para ele, apenas o “deus-mercado” pode salvar a economia dos “populistas” que hoje comandam o Brasil. “O governo atual sofre do transtorno de personalidade limítrofe. Ele ainda não sabe se quer fazer parte do grupo dos vizinhos mais decentes, como Chile, Colômbia e Peru, ou do ‘eixo do mal’, com a Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador. Pelos sinais emitidos até aqui, ele parece gostar é do fracasso socialista mesmo”. Como se observa, não há diferenças entre as bestas neoliberais do PSDB e do Millenium!

CARLA BRUNI E AS MUSAS "POPULARES"


Por Alexandre Figueiredo

A declaração de Carla Bruni-Sarkozy para a revista Vogue francesa, que irá às bancas no próximo mês, revoltou as mulheres que, no Twitter, resolveram criar a hashtag com o nome irônico de #ChereCarlaBruni ("Querida Carla Bruni", em francês).

A ex-primeira-dama havia dito que não sentia o menor interesse em defender a causa feminina, e que apenas gostaria de ter um marido e ser uma "burguesa". "Na minha geração não há necessidade de ser feminista. Há pioneiras que abriram esse caminho. Eu não sou militante feminista para nada. Por outro lado, sou mais burguesa. Gosto da vida de família, de fazer o mesmo todos os dias e, agora, de ter um marido ao lado", disse.

A entrevista, divulgada no último domingo, revoltou as internautas, que nas suas mensagens procuraram chamar a atenção da ex-modelo e cantora sobre problemas como o aborto, o mercado de trabalho, o estupro e a educação machista nas escolas.

Carla é casada com o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que havia sido também um dos líderes da União Europeia. Nicolas é um político destacado da direita francesa, e na sua tentativa de reeleição, este ano, na qual foi derrotado pelo socialista François Hollande, sinalizou para o apoio da extrema-direita de Jean-Marie Le Pen.

Carla foi um nome considerado moderno, tendo sido uma modelo e, depois, cantora e compositora - ela também toca violão - de notável atitude e personalidade. Havia namorado vários músicos famosos, mas hoje, por influência conservadora de seu marido, resolveu assumir também seu conservadorismo.

Para o contexto brasileiro, podemos entender que a recusa de Carla Bruni em relação ao feminismo não é lá muito diferente da recusa que as chamadas musas "populares" fazem, mesmo quando os intelectuais brasileiros tentam, em vão, defini-las como "feministas" apenas pelos motivos rasos de "liberdade sexual" e do pretexto de que elas se tornaram famosas sem a sombra de algum marido ou namorado.

Isso porque a recusa que uma paniquete, uma "mulher-fruta", uma "musa do futebol", uma "musa do MMA", uma ex-BBB ou, agora, uma "peladona" fazem em relação ao feminismo é até mais grave do que a de Carla Bruni, que pelo menos fala besteira com "categoria", embora isso também nada tenha de aprovável.

Posar ao lado de gays estereotipados numa festa clubber é muito fácil. Falar de sexo a toda hora, sobretudo quando não há necessidade, também. Uma funqueira esconder seu marido numa cidade do interior para depois "confirmar" para a imprensa de que "está solteiríssima", também é moleza.

No entanto, essas musas também recusam qualquer compromisso feminista, porque o verdadeiro feminismo nada tem a ver com falar mal de homens ou querer sexo livre. Ser feminista é ter opiniões sobre diversos assuntos, é liberar e guardar o corpo conforme o pretexto, não colocar a sensualidade acima da elegância e do bom senso, e ter um pouco mais de compostura em relação à mídia.

As musas "populares", no entanto, continuam vivendo à sombra dos homens, sim. Como estrelas da mídia machista, seus "Nicolas Sarkozy" podem não ser necessariamente seus maridos e namorados - até porque os cônjuges não-assumidos delas, além de feios, são também "durões" - , mas seus empresários e os editores de revistas "sensuais", jornais "populares" e portais de celebridades da TV aberta.

São estes empresários editores que as fazem cumprir todas as regras do machismo mais grotesco. Que só é "feminista" para os barões da grande mídia e para cientistas sociais e críticos culturais que usam a palavra "popular" para dissimular seu reacionarismo ideológico.

Neste sentido, não é muito diferente a funqueira que "canta e compõe" com a senhora Sarkozy. Só diferem os detalhes próprios da nossa terrinha. Mas, depois que a funqueira faz todo o sucesso interpretando letras que falam mal dos homens e se passando por "solteiríssima" aos olhos da grande mídia, bajulando até mesmo atores do perfil de Murilo Benício e Reinaldo Gianecchini.

E tudo isso é feito para a funqueira, depois de faturar um bom dinheiro, voltar à sua vida privada para junto de seu marido, com o qual comemorará seus louros longe dos holofotes, até porque o marido está poupado de qualquer fofoca, já que ele "inexiste" para a grande mídia "popular".

Musas assim são apenas versões "menos glamourosas" de Carla Bruni, à maneira da grande mídia "popular".

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

DANUZA LEÃO E O INCONSCIENTE DOS INTELECTUAIS


Por Alexandre Figueiredo

A escritora e socialite Danuza Leão causou reboliço, no pior sentido do termo, quando publicou, ontem, na sua coluna da Folha de São Paulo, o texto intitulado "Ser Especial", em que ela trata com ironia a banalização do aumento do poder aquisitivo, numa sutil implicância com a ascensão da classe C.

Danuza até tem um bom background. Irmã da musa da Bossa Nova, Nara Leão, ex-mulher do jornalista de esquerda Samuel Wainer, participou do filme Terra em Transe (1967) de Glauber Rocha e era um dos ícones modernos do colunismo social dos anos 60. Até os fãs da Fluminense FM lhe dão tributo, pelo fato dela ter sido mãe do precocemente falecido Samuel Wainer Filho, um dos mentores da rádio de rock.

No entanto, como tantos "desiludidos" de sua geração, como Arnaldo Jabor e Ferreira Gullar, Danuza mostra seu saudosismo de elite, incomodada com o fato de que está mais fácil encontrar brasileiros no exterior ou ver que até porteiros de prédios podem ir a Nova York ver musicais da Broadway.

Desapontada com tal situação, Danuza então sugere o isolamento como forma de proteção das elites para os avanços sociais de hoje, nos seguintes termos: "Para os muito exigentes, passa a existir uma única solução: trancar-se em casa com um livro, uma enorme caixa de chocolates --sem medo de engordar--, o ar-condicionado ligado, a televisão desligada, e sozinha"

Sobre a saudade da "distinção social" das pessoas "especiais", Danuza fala que "se todo mundo fosse rico, a vida seria um tédio". Parece ver os progressos sociais de hoje como o fim do mundo, talvez o fim de seu mundo de um colunismo social moderno, mas ainda assim elitista.

INCONSCIENTE INTELECTUAL

No entanto, podemos dizer também que Danuza Leão, que há tempos reflete os pontos de vistas das elites mais elitistas de São Paulo, aqueles que continuaram lendo a Folha de São Paulo depois do auge do jornal nos anos 90, reflete também o inconsciente da intelectualidade que se assenhoreou do tema da cultura popular.

Afinal, os "dissidentes" também mostram suas visões elitistas, pois, mesmo se alinhando aparentemente nas esquerdas médias, eles mantém o DNA do Projeto Folha compartilhando do neoliberalismo pós-tropicalista de Pedro Alexandre Sanches, cria dessa fase da FSP.

O que faz os intelectuais da moda, como cientistas sociais e críticos musicais badalados, defenderem a breguice cultural e a "ditabranda do mau gosto", são pontos de vista não muito diferentes do que Danuza expressou no seu texto. E que dizem muito do quanto essa intelectualidade, apesar de se afirmar "sem preconceitos", é bastante preconceituosa.

A artilharia que esses intelectuais fazem, por exemplo, a Chico Buarque, na verdade é uma forma deles dizerem ao "povão" que ele é um "bicho papão" e o melhor, para essa elite "pensante", é que o povo improvise sua "prosperidade cultural" às custas de Odair José, Michel Teló, Tati Quebra-Barraco, Wando, Zezé di Camargo & Luciano e É O Tchan.

Esses intelectuais se sentem incomodados quando o povo dos subúrbios tenta recuperar para si os sambas, baiões, modinhas etc que os tecnocratas lhes roubaram, em algum momento da ditadura militar. Ficam apavorados quando veem um favelado tocando piano e não rebolando um "funk", e ficam traumatizados quando surgem das favelas cantores e músicos que vão fora e muito longe da indigesta indigência brega.

Situados entre os 40, 50 e 60 anos, esses intelectuais detém a tão evocada exclusividade do artigo de Danuza. Querem ter a apreciação exclusiva de sambistas, violeiros, sanfoneiros e da "MPB maldita" que ninguém conhece. Como o "moleiro" do conto "O amigo dedicado" de Oscar Wilde, os intelectuais brasileiros "de nome" usurpam do povo seu patrimônio e lhe reservam o lixo das rádios e TVs "populares".

Danuza certamente escreveu um artigo de um saudosismo puramente elitista. Mas a intelectualidade que acha que o brega "de raiz" e o "funk carioca" são a "revolução social" e que as "popozudas" são "feministas modernas", até pelo fato de serem influenciados pela Folha dos anos 90, também mostram seu elitismo à sua maneira, embora usando o termo "popular" como escudo contra qualquer crítica.

É porque, para esses intelectuais, o "popular" tem que estar sempre associado ao pitoresco, ao medíocre, ao piegas, ao cafona, ao ridículo, ao patético, ao mau gosto. Até o "progresso cultural" do povo pobre esses intelectuais só admitem depois que as próprias elites aprovam esses papéis degradativos para os pobres.

Dessa feita, pode-se concluir, com segurança, que esses "arautos da cultura das periferias", da mesma forma que Danuza Leão, também se sentem incomodados quando os pobres passam a apreciar uma cultura de melhor qualidade.

A estes intelectuais da breguice cultural, sugerimos que eles se tranquem em seus apartamentos de luxo, leiam livros de auto-ajuda, tomem um chope, só vejam TV paga e, com o ar condicionado ligado, sonhem com uma periferia da pobreza glamourizada e consumista feito a Disneylândia, enquanto o povo lá fora redescobre a qualidade de vida.

VIOLÊNCIA EM SÃO PAULO E FIM DE UM CICLO POLÍTICO


Por Alexandre Figueiredo

A preocupante onda de violência na Região Metropolitana de São Paulo, com suas centenas de mortos, mostra a questão que um dos mais ricos Estados do Brasil e considerado centro financeiro do país sofre com a questão da insegurança.

A cada dia são dezenas de mortos que são registrados pelos boletins policiais, fora outros que nem chegam a ser denunciados. Muitos inocentes encontram-se nas estatísticas, mas os próprios bandidos - ou também os "policiais bandidos", como apontam denúncias de autoridades policiais - também preenchem os obituários sobretudo quando reagem ao mandado de prisão.

O Estado que era um paradigma de modernidade e progresso, tanto que até mesmo as ideias e fórmulas mais retrógradas eram requentadas em São Paulo para serem lançadas no resto do país como "coisa moderna", vive uma crise social sem precedentes, embora surtos de violência não sejam novidade nos subúrbios da Grande São Paulo.

O grande problema é que hoje essa carnificina ocorre de forma organizada, sob o provável mando de uma das maiores organizações criminosas do Estado, o Primeiro Comando da Capital (PCC), sob a provável influência da corrupção policial, mas, acima de tudo, pela falta de políticas sociais para as classes populares.

Junte-se, a esse quadro de homicídios diversos, os estranhos incêndios que "devoram" favelas inteiras, ou pelo menos boa parte delas, deixando desabrigados e desamparados milhares de pessoas humildes, já prejudicadas pela natural exclusão imobiliária. É uma outra tragédia, que, dizem rumores, tem a especulação imobiliária por trás de tais ocorrências.

Mas mesmo que esses incêndios ocorram porque algum morador dormiu com o cigarro aceso, vizinho a uma casa que possui um depósito de gás irregular, eles ocorrem, de qualquer maneira, por conta da omissão do poder público, que poderia orientar as populações faveladas a se prevenirem contra incêndios.

Essa desordem social - temperada pela violenta expulsão dos moradores do bairro Pinheirinho de São José dos Campos, destruído para favorecer o dono do terreno que antes pertencia a uma fábrica de sucos - mostra o quanto a política do PSDB, partido que está no poder estadual e da capital paulista desde o final dos anos 90, se encontra antiquada e impotente para lidar com as questões populares.

O PSDB, partido da moderna tecnocracia brasileira, que se ascendeu nas cátedras da USP e nos gabinetes do MDB (o partido "moderado" da ditadura), parecia estar pronto para enfrentar os grandes desafios da sociedade brasileira. Seu maior astro, Fernando Henrique Cardoso, ligado tanto à USP quanto ao MDB, foi até presidente da República por dois mandatos, depois de ter implantado a moeda Real.

O sucesso econômico da unidade monetária não representou o êxito definitivo de todo um projeto político, econômico e social dos governos tucanos, nas três esferas federal, estadual e municipal. Pelo contrário, o projeto político demonstrou-se caduco, o projeto econômico, a julgar pela corrupção feita pela "onda de privatizações" - depois conhecida como "privataria tucana" - , excludente e desonesto, e o projeto social, ineficiente.

Aliás, não só o projeto social tornou-se ineficiente, como também se tornou de certa forma irracional e equivocado. Afinal, no caso dos moradores de Pinheirinho, o governador Geraldo Alckmin deixou o povo à própria sorte, preferindo socorrer um especulador financeiro, Naji Nahas, que era o dono do terreno, há muito tempo inutilizado depois da falência da empresa Selecta.

Não bastasse isso, a arrogância e grosseria dos principais governantes de São Paulo, o próprio Alckmin e José Serra, e sua própria indiferença com o verdadeiro interesse público - que fazia com que Serra, em suas diversas campanhas para cargos políticos, apresentasse propostas inconsistentes e frouxas - , agrava o desgaste do partido que permitiu a vitória eleitoral de Fernando Haddad para a prefeitura da capital paulista.

A impotência com que a orientação neoliberal do PSDB lidou com as classes populares faz com que a criminalidade cresça e os problemas sociais se agravem. E ainda há a questão da cracolândia na capital paulista, que os governantes demotucanos - mesmo um dissidente como o hoje pessedista Gilberto Kassab, ex-DEM (partido-irmão do PSDB) - não conseguiram resolver, senão através da violência policial.

Só episódios assim mostram o quanto o ciclo político do PSDB está se encerrando. O fim só não está completo porque ainda não estamos em 2014, quando haverá eleições para governos estaduais e para a presidência da República. E, a julgar pela arrogância e pelo autismo político, o PSDB tem poucas chances de dar qualquer volta por cima.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

AS NOVAS GERAÇÕES DEVERIAM CONHECER MAIS JIMI HENDRIX


Por Alexandre Figueiredo

As novas gerações não conhecem a boa música, "velha" demais para elas. Apenas conhecem aquilo que a grande mídia martela. E isso numa era em que a Internet fornece uma gama maior de informações, mas, sobretudo no Brasil, a mídia faz os jovens irem na contramão dessa abrangência toda.

Sobre o rock, então, nem se fala. O cardápio roqueiro da patota é indigente e indigesto, sobretudo pela falta ou escassez de rádios de rock autênticas, sobretudo nos anos 90, onde, enquanto os especialistas de rock tinham que montar oficinas de consertos de aparelhos de som para sobreviver, garotões que não entendiam bulhufas de rock comandavam os microfones e até mesmo as programações inteiras do que eles acreditavam ser "as rádios rock".

Isso faz com que quem tem menos de 40 anos pouco percebesse a importância de um músico que estaria fazendo 70 anos hoje, e que havia falecido precocemente em 18 de setembro de 1970, meses antes de completar 28 anos, por causa de uma demora no socorro médico.

Jimi Hendrix foi um músico ímpar, e se destacava até mesmo quando era apenas um músico acompanhante de artistas da soul music e rhythm and blues. Levado pelo então baixista dos Animals, conhecida banda britânica, Chaz Chandler, para Londres, que então era considerado um dos polos da moda e do comportamento juvenil dos anos 60, Hendrix iniciou carreira lá.

E a história sabemos. O músico norte-americano formou então o trio inglês Jimi Hendrix Experience, com uma "cozinha" impecável. Depois Hendrix formou a Band of Gypsies e, em seguida, fazia inúmeros ensaios e gravações no estúdio Electric Lady. Tocou várias guitarras e até arriscou ser baixista em algumas de suas canções.

Era excelente cantor e um guitarrista que ia da guitarra base para a solo com uma agilidade incrível. Seu modo de tocar guitarra foi de tal forma tão impactuante que os fabricantes tiveram que fazer adaptações técnicas no instrumento. E o som de Hendrix era uma síntese que envolveu rock, soul, folk, jazz, psicodelia, eletrônica e blues, além de ter antecipado o som heavy.

E o que Jimi Hendrix teria feito se ele não tivesse morrido tão cedo? Não se sabe, exatamente. Sua mente era autocrítica e bastante criativa, e seu compromisso com a música era tão grande que ele poderia investir em grandes surpresas. Ele, de fato, deixou uma grande lacuna para a música, que teria sofrido grandes transformações com o seu legado pós-1970.

Podemos inferir que Jimi Hendrix estaria fazendo jazz rock. Era admirado por Frank Zappa, amigo de Robert Fripp e do grupo Emerson Lake & Palmer. Teria, só nos anos 70, gravado pelo menos uns cinco discos conceituais, e além das canções vocais, faria também grandiosas viagens instrumentais. Mas, sem dúvida alguma, gravaria discos diferentes do que ele gravou, por conta de seu poder criativo.

Hendrix seria hoje um discreto músico veterano, mas sem dúvida alguma dedicado ao seu compromisso com a qualidade musical e a criação. Teria feito grandes mudanças na história do rock, que muito da mediocridade que vemos hoje em dia não teria tanto êxito.

Infelizmente, hoje, vemos jovens se contentando em achar que poser metal é rock clássico, quando eles de forma bastante preconceituosa desprezam e esnobam o verdadeiro classic rock. Com toda a certeza, falta o mestre Jimi Hendrix para dar umas boas lições para essa criançada que só quer brincar de rock com rosas e revólveres...

DEZ JORNALISTAS MAIS BURROS E REACIONÁRIOS DO BRASIL


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O escritor Juremir Machado da Silva é um dos dissidentes da Folha de São Paulo e um dos críticos da grande mídia. Ele lançou o livro A Miséria do Jornalismo Brasileiro (Ed. Vozes, 2000), que juntamente com o livro Cães de Guarda, de Beatriz Kushnir (Boitempo, 2001), apavorou os barões da grande mídia num tempo em que a imprensa ainda era vista (equivocadamente) como extensão da consciência humana brasileira. Ainda era o auge da ditadura midiática no nosso país.

Aqui ele cita os dez jornalistas mais marcados pela estupidez de suas opiniões e pelas posturas altamente reacionárias que adotam, não raro indo contra os movimentos sociais.

Dez jornalistas mais burros e reacionários do Brasil

Por Juremir Machado da Silva - Correio do Povo (Porto Alegre)

É hora dos prêmios de 2012.

A divulgação sai mais cedo porque tudo pode acabar dia 12 de dezembro.

A lista dos mais burros e reacionários deu trabalho aos julgadores.

É muito difícil encontrar um jornalista de opinião política na grande mídia brasileira que não seja burro, reacionário ou as duas coisas.

Eu sou burro e reacionário.

Mas sou insignificante. A comissão julgadora não me classificou entre os mil primeiros em reacionarismo. Já em burrice eu poderia ter um lugar melhor.

Eis a lista dos grandes vencedores:

1 – Merval Pereira

2 – Reinaldo Azevedo

3 – Ricardo Noblat

4 – Eliane Cantanhede

5 – Arnaldo Jabor

6 – Lauro Jardim

7 – Boris Casoy

8 – Ferreira Gullar

9 – Ricardo Setti

10 – Olavo de Carvalho

Olavo de Carvalho, ao menos, parece honesto e leu alguns livros.

É incrível como Arnaldo Jabor vem perdendo terreno. Qualquer um consegue, hoje, ser mais burro e reacionário do que ele sobre qualquer assunto.

O Rio Grande do Sul está por baixo. Apesar de quase todos os seus colunistas serem reacionários, o Estado não consegue emplacar um só entre os dez primeiros. Sem dúvida, um despretígio para o nosso jornalismo. Nossos colunistas mais reacionários têm sido ultrapassados em conservadorismo até por figuras inexpressivas como Lauro Jardim, editor de notinhas, volta e meia mentirosas ou milimetricamente sacanas e ardilosas, da revista Veja.

O grande destaque é mesmo Merval Pereira cuja burrice garantiu-lhe um lugar na Academia Brasileira de Letras sem jamais ter um escrito um só livro.

Logicamente a revista Veja emplaca o maior número de destaque na categoria.

Ferreira Gullar é um caso de escola, um exemplo de como um grande poeta de esquerda pode se transformar num cronista idiota de direita.

Custei a perceber a qualidade de alguns nos quesitos em questão. Como não sou poste, mudei de posição sobre eles quando, enfim, entendi que eram figuras relevantes em se tratando de burrice e reacionarismo. Eu não poderia ser injusto com eles. Há outros, conhecidos, que tentam entrar na lista dos dez mais destacados, mas, apesar do esforço, ainda lhes falta profundidade.

Boris Casoy é o mais burro e reacionário da televisão.

Todos os citados aqui receberão, por mérito próprio, sem necessidade de cotas, dois prêmios em 2012: Medalha Lacerdinha e Troféu Jair Bolsonaro. Parabéns a todos pela brilho no obscurantismo e na estupidez.

Se alguma injustiça tiver sido cometida pela omissão de algum nome fundamental, a comissão julgadora está disposta a ampliar a lista de agraciados com os troféus mais cobiçados e bem pagos do Brasil.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

BRASIL AINDA SUBESTIMA A NOVA MULHER SEXY


Por Alexandre Figueiredo

O Brasil dá pouco valor ao novo tipo de mulher sexy. A mídia machista não deixa ir adiante. Até temos mulheres que combinam inteligência e sensualidade, e que não exibem sua sensualidade a qualquer preço nem sob qualquer contexto, podendo se comportar discretamente se a situação exigir. No entanto, elas, apesar do destaque dado pela mídia, ainda não conseguem prevalecer por completo na sociedade.

Enquanto isso, as musas "populares" forçam a barra tentando viver das exibições corporais, sem fazer qualquer coisa diferente disso. E ainda se sentem ofendidas quando são chamadas de "garotas de programa", a ponto de ameaçar seus interlocutores com violentos processos judiciais.

Também, o que elas fazem senão mostrar o corpo para a mídia, a título de vender revistas ou atrair audiência para programas de TV e sítios da Internet? No nosso ver, até que o adjetivo "garotas de programa" não tem muito a ver, não optamos por essa acusação, apesar de várias dessas "musas" estranhamente dissolvam precocemente e com muita facilidade relações amorosas mal começadas.

O problema maior é que essas musas "populares" é que não ajudam para afastar tais acusações. Cometem gafes com naturalidade, algumas até mostrando os vasos sanitários dos banheiros onde estão. E não têm o menor interesse em aparecer vestindo discretamente quando a situação recomenda. Pelo contrário, por sua vontade, elas aparecem de biquíni até no Polo Norte, até contrair uma pneumonia fatal.

MUSAS "ANTIQUADAS"

As musas "populares", além de muito vulgares, são muito antiquadas. Elas equivalem àquelas musas que os jornais "populares" de terceira categoria mostram todo dia, "boazudas" que aparecem e somem sem deixar rastro.

Para piorar, além de tantas paniquetes, dançarinas de "pagodão", "mulheres-frutas", musas do MMA, musas do futebol, misses Bumbum, ex-BBBs e até "titias" que haviam se destacado na Banheira do Gugu, agora surgem as "peladonas" para tornar ainda mais farto o "mercado" das "boazudas", e deixar a paciência masculina ainda mais farta delas.

Isso porque elas valem pela punheta do dia, de adolescentes de baixa autoestima que ficam fazendo trolagem quando veem que suas "ídalas" são mal faladas na Internet. Não aguentam sequer quando algum internauta fala que nunca namoraria uma "mulher-fruta" e ainda cometem o cinismo de dizer que esse internauta deveria namorar uma mulher desse tipo, sim.

Reacionários "dente de leite", machistas "uia" sem qualquer coisa importante a fazer, senão viver de seus imaturos, imprudentes e arrogantes impulsos psicológicos. Espécie de equivalentes teen, por sinal cheias de espinhas na cara, de Reinaldo Azevedo e Merval Pereira.

Se as musas "populares" possuem fãs antiquados, que parecem ainda viver num machismo cafajeste de 50 anos atrás, elas também se tornam antiquadas, não apenas pelo que elas contribuem para a mídia machista, mas pelo que elas deixam de fazer diante das novas exigências da sociedade atual.

GEISY VERSUS OLIVIA

A celebridade Geisy Arruda, famosa pelos factoides na Universidade Bandeirantes, há três anos atrás, realizou recentemente uma série de cirurgias plásticas, mesmo tendo apenas 23 anos de idade. Pouco antes, ela havia dado declarações "polêmicas" que alimentaram o sensacionalismo midiático.

Até agora Geisy, que se autoproclama "inteligente" e "invulgar", até agora não deu uma entrevista substancial que possa equipará-la a uma atriz de televisão de primeira linha, por exemplo. Pelo contrário, Geisy, arrogante, ainda havia esnobado sob as acusações de "periguete", perguntando a seus fãs se ela poderia ir a uma festa vestida de "periguete" ou usar roupas comportadas.

Compare ela, por exemplo, a uma atriz como a norte-americana Olivia Wilde, nome artístico de Olivia Jane Cockburn, e que havia adotado o sobrenome em homenagem ao escritor Oscar Wilde, de quem ela é fã assumida.

Olivia Wilde já apareceu de biquíni e em poses sensuais, mas na maior parte do tempo ela usa roupas discretas. A atriz também é garota-propaganda de uma grife de moda, o que mostra seu empenho pelo charme feminino. É capaz de dar boas entrevistas, falando sobre seu trabalho e outras coisas interessantes.

Se Geisy Arruda é considerada "a mais moderna" das "boazudas", ao lado das paniquetes e outras "saradas", com esse comportamento antiquado de falsas polêmicas para alimentar apenas o sensacionalismo midiático, imagine então musas ainda mais vulgares, que de tão temperamentais ficam trocando farpas umas contra as outras.

Os homens acabam fugindo delas. Elas se tornam insuportáveis, como personalidades e mesmo como celebridades. A mídia sensacionalista é decadente, uma Rede TV! da vida é tão retrógrada quanto Veja, um Pânico na Band não é menos antiquado que Merval Pereira. Solange Gomes não é menos "urubóloga", mesmo à sua maneira, do que Eliane Cantanhede.

NOVAS EXIGÊNCIAS

A nova musa sexy não mostra seu corpo o tempo todo. Mostra quando for necessário. A verdadeira musa pode ser sensual e usar roupas sexy, mas pode também usar roupas discretas. Pode falar de sexo e vidas amorosas, mas é capaz de falar sobre política, história, cultura, de forma relevante e interessante.

Se até no mercado de trabalho as exigências indicam que uma pessoa tenha que adquirir novas habilidades e amplos conhecimentos, por que as nossas "musas" têm que ser tão estúpidas e alienadas? Nem o fato de várias delas fazerem faculdade resolve o problema, porque elas estão lá apenas para pegar notas e não para obter conhecimentos. E acabam se passando por "dondocas" e "metidas" entre seus colegas de classes.

Não fosse a blindagem que a mídia machista - portal R7, portal Ego, revistas de fofocas, revista Sexy, Pânico na Band, Furacão 2000 etc - fazem por essas "musas", elas estariam muito mais em baixa do que já estão, incapazes de se adaptar à nova realidade da mulher no Brasil.

A mídia machista tenta capitalizar "positivamente" as gafes e as confusões que essas mulheres fazem. E dá-lhe mais fotos delas "mostrando demais". Isso está ficando repetitivo e cansativo, e temos que ser repetitivos e cansativos ao dizer isso, porque nossa queixa é o reflexo da situação denunciada.

A nova mulher sexy lê livros, mas não os de auto-ajuda. Vai a eventos culturais, que não sejam os popularescos. Diz opiniões próprias, desde que não sejam estúpidas. Podem ser discretas quando possível, e deixar de exibir a forma física quando a situação exigir.

A nova mulher sexy está muito mais para Olivia Wilde, Natalie Portman do que para Gretchen e Carla Perez. Isso a grande mídia e suas "musas" não conseguem perceber. E o Brasil, atrelado a essa ditadura midiática, ainda é capaz de endeusar Nana Gouvea em suas gafes em Nova York, ou uma Geisy Arruda falando bobagens. E nosso país ainda pensa em ser potência mundial com tudo isso. Vá entender...

A INDÚSTRIA DE CERVEJA E O BREGA-POPULARESCO


Por Alexandre Figueiredo

A institucionalização do jabaculê musical como o "novo folclore brasileiro" não conta somente com um poderoso lobby de barões da grande mídia e de intelectuais associados. Ela conta também com um poderoso rol de patrocinadores, e aqui podemos destacar a indústria de bebidas alcoólicas, sobretudo cerveja, que se beneficia com várias tendências musicais "populares".

Desde os primeiros ídolos cafonas, a propaganda subliminar do alcoolismo era feita, para favorecer os lucros exorbitantes que a bebedeira traz para os fabricantes. A "cena" brega, já nos anos 60 e 70, evocava, nos subúrbios e cidades do interior em todo o Brasil, ambientes de grande consumo de bebidas alcoólicas.

A propaganda recente sobre o brega também exalta esses ambientes que, pasmem, são definidos como "progresso social" ou como "o prazeroso lazer das classes populares". Evidentemente, intelectuais não são santos e sabemos que há muito intelectual de nome que "enche a cara" e "consome pó".

A maior parte dos estilos brega-popularescos vai nesse caminho. Do brega original dos anos 60-70 - que chamamos de brega setentista, por causa da época de seu maior sucesso comercial - ao "sertanejo universitário", passando pelo "funk carioca" e pela axé-music, a ênfase da cerveja ou mesmo da bebedeira em geral é muito grande.

A ideologia brega original já definia o alcoolismo como o "lazer definitivo" de homens pobres de meia-idade e sobretudo idosos, "confortavelmente" acomodados nas mesas de bar ao som da mais escancarada breguice musical. A desculpa dos intelectuais é que isso é uma "tradução moderna" das antigas boemias populares do Brasil do século XIX ou da Europa de tempos ainda mais antigos.

Nos últimos tempos, o que se via, em todos os estilos brega-popularescos, em várias regiões do país, era a associação dessas músicas com eventos que se destacavam pelo estímulo ao alto consumo de cerveja, que além de transformarem suas próprias empresas em impérios industriais, também enriqueciam os "humildes" empresários do entretenimento brega-popularesco.

Vários ritmos como "sertanejo universitário" e "forró eletrônico" apresentam músicas que exaltam a bebedeira, com títulos ou frases tipo "eu bebo mesmo" e "vou beber e vou zuar". Mas mesmo a "sofisticada" dupla Leandro & Leonardo, da qual sobrou este último (prestes a se aposentar), também cantou uma música, em arranjo brega "country", intitulada "Cerveja".

A axé-music tem um bloco chamado Cerveja & Cia.. Os eventos "populares" de "pagodão", tecnobrega, "forró eletrônico", chegam mesmo a promover rodízio de cerveja ou generosos descontos, tudo feito para atrair a já alta demanda para essa bebida.

A bebedeira é, para os executivos envolvidos, um meio ótimo, porque entorpece os sentidos, diminui o senso de discernimento e faz com que músicas completamente medíocres sejam assimiladas com maior facilidade.

A bebedeira e a associação publicitária dos sucessos brega-popularescos com festa e reunião de jovens considerados atraentes faz com que a popularização se torne certa, mandando qualquer "abominável" avaliação estética às favas, porque a música ruim acaba parecendo "boa" depois de um pileque.

Isso garante tanto os lucros exorbitantes dos fabricantes de cerveja quanto o enriquecimento financeiro dos empresários da música brega-popularesca. O mercado se alimenta pela bebedeira reinante, prolonga modismos, fortalece um mercado onde o povo não é o maior beneficiado e, não raramente, é prejudicado porque a bebedeira traz sérias doenças no futuro.

E os intelectuais ainda insistem que os empresários da música brega-popularesca são "pobrezinhos" e que o mercado que a alimenta é "muito modesto". Vá entender...

domingo, 25 de novembro de 2012

"CULTURA DE MASSA", DIVERSIDADE CULTURAL E PRECONCEITO


Por Alexandre Figueiredo

Estava lendo o anexo do Plano Nacional de Cultura (Lei 12.343, de 02 de dezembro de 2010), e observei no item que se refere à competência do Estado, nos seguintes termos:

PROTEGER E PROMOVER A DIVERSIDADE CULTURAL, reconhecendo a complexidade e abrangência das atividades e valores culturais em todos os territórios, ambientes e contextos populacionais, buscando dissolver a hierarquização entre alta e baixa cultura, cultura erudita, popular ou de massa, primitiva e civilizada, e demais discriminações ou preconceitos.

Notei que este é um texto bastante controverso, que aparentemente vai a favor do que a intelectualidade etnocêntrica está fazendo, sob o aplauso condescendente das esquerdas médias mas com a mais evidente satisfação dos barões da grande mídia.

Afinal, o texto, aparentemente, assina embaixo em relação à "ditabranda do mau gosto", supostamente considerando-a válida no contexto da diversidade cultural, já que aparentemente o brega-popularesco em seus valores, ícones, ídolos e músicas, é classificado, à primeira vista, como "baixa cultura", "cultura de massa" ou "cultura primitiva".

O texto, interpretado neste sentido, sugere que tenhamos que aceitar a hegemonia do brega-popularesco e a invasão de seus ídolos em todo tipo de espaço, mesmo sob o prejuízo de outras expressões culturais, e que qualquer choradeira intelectual em prol dos bregas valeu a pena.

Não é bem assim. O que vemos, hoje em dia, na cultura brasileira é que, em nome da diversidade cultural, a verdadeira diversidade cultural está sendo sacrificada e ameaçada diante da hegemonia crescente e quase totalitária de um tipo de "cultura popular" trabalhado pela velha grande mídia.

É muito delicado escrever isso, e não é fácil. Primeiro, pela ideia que muitos têm da palavra "preconceito" como necessariamente de "rejeição", e não de falta de compreensão. Mas não é preciso pensar muito para ver que, por exemplo, no caso do "funk carioca", o preconceito não está do lado de quem o rejeita, que conhece muito bem o ritmo, mas de quem o aceita e só ouve as propagandas em torno do ritmo.

Eu nunca tive preconceito com o brega. Mas eu nunca gostei de seu universo. Conheci os ídolos bregas desde que eu via televisão e ouvia o rádio na infância. Com três anos, achei "Eu Não Sou Cachorro, Não", de Waldick Soriano, bastante risível. Também achava patético o "Farofa-fá" e "Bilu Teteia" de Mauro Celso, na melhor das hipóteses meros "chicletes" radiofônicos com sabor pós-Jovem Guarda.

Quando morei em Salvador, vizinhos tocavam Chitãozinho & Xororó, Só Pra Contrariar (então com Alexandre Pires) e É O Tchan. Eu andava pelas ruas, ia pelo comércio, tocava tudo de brega-popularesco. Não havia como ser preconceituoso dentro de um "curso intensivo" desses.

No entanto, meu gosto musical é bastante oposto disso. Curto rock alternativo, gosto de chorinho, de Clube da Esquina, de Bossa Nova. Também curto rock instrumental dos anos 50 e 60. Smiths, Gentle Giant, Police, Ride, Fellini, Mutantes, Ventures, Syd Barrett, Beatles, Rolling Stones, Who, Clash, Legião Urbana, João Gilberto, Lô Borges, Laura Nyro e Voluntários da Pátria são alguns nomes que aprecio muito.

O brega nunca me incomodou muito, mas a hegemonia do brega-popularesco passou a se tornar um problema em diversos aspectos. Influía no gosto musical da maioria das pessoas, e a diversidade cultural deu lugar ao que os críticos chamavam de "monocultura": "monocultura do axé", "monocultura do funk", "monocultura do forró", "monocultura do sertanejo" etc.

Eram várias "monoculturas" dos anos 90 que, a partir de 2002, se "juntaram" e passaram a sofrer a blindagem de intelectuais associados, como cientistas sociais e críticos musicais bastante badalados, que passaram a defender tudo isso a pretexto de uma "diversidade cultural".

Pois a diversidade cultural que serve de pretexto para legitimar a hegemonia brega-popularesca - que naquele 2002 já deu o que tinha que dar, o que veio depois é apenas uma "recicliagem" do que já existia nos anos 90, vide Michel Teló, Mr. Catra e Gaby Amarantos - , na verdade, acaba sendo ameaçada por essa mesma hegemonia.

Afinal, dos anos 90 para cá, a MPB autêntica acabou perdendo seus espaços drasticamente. As tradições culturais das classes populares perderam seu vínculo com as novas gerações, que praticamente perderam a herança de seus antepassados. Nosso patrimônio cultural passou a ser "peça de museu" ou, quando muito, apreciado tão somente por elites de especialistas e pesquisadores.

O grande problema nesse caso é quanto ao que o texto condena como "discriminação e preconceito" e "hierarquização" da nossa cultura. Isso porque as críticas contra o brega-popularesco nem de longe podem ser vistas como tais injustiças, pelos seguintes motivos.

Primeiro, porque o brega-popularesco surgiu sob um contexto de dominação midiática e manipulação ideológica do povo pobre, desde quando os primeiros ídolos cafonas eram tocados, desde 1958 mas sobretudo a partir de 1964, por rádios que defendiam interesses coronelistas.

Eram expressões caricatas, estereotipadas e tardias de boleros, Jovem Guarda, country, disco music e ritmos caribenhos, ou mesmo "releituras" piegas de sambalanços e modinhas, que o jabaculê radiofônico fez tornarem-se não só "sucessos populares", mas hoje processos hegemônicos de dominação cultural.

O FUTURO DO NOSSO FOLCLORE ESTÁ NO JABACULÊ?

Dizer que o jabaculê hoje decide o futuro de nosso folclore não é discriminar nem hierarquizar nossa cultura. Hoje nossa cultura é submetida ao poder midiático, rádios e TVs não são mais inocentes difusores de nossa cultura, mas manipuladores do que seus donos entendem o que deve ser a "cultura popular".

Ou seja, não se pode dizer que é hierarquizar a cultura querer que as gerações mais novas do povo pobre ouçam baiões, modinhas, sambas de verdade. Hierarquizar, sim, é impor o reconhecimento do "mau gosto"como "expressão das classes populares", porque embora seja um argumento tido como generoso, classifica o povo pelo que ele é de ruim.

Isso cria uma manipulação discursiva muito traiçoeira. Porque a intelectualidade, com seu discurso "objetivo" e positivista (no sentido de Auguste Comte), julga que o povo é "melhor" pelo que ele tem de ruim, que seria, nesse discurso, uma forma "diferente" de ser "bom".

Isso é pura malandragem, pois o que o povo pobre acaba tendo de baixarias e carências resultantes da miséria e da baixa ou nula escolaridade, a intelectualidade associada entende como "prosperidade". Essa forma corrompida de "aceitar o outro" gera distorções na análise sociológica que transforma problemas sociais em supostas "soluções".

Se for nesse sentido, Hermano Vianna e Pedro Alexandre Sanches condenariam, por exemplo, o projeto educacional de Paulo Freire, que havia encabeçado o Movimento de Cultura Popular, porque o fato de alfabetizar as pessoas seria uma forma de "higienização social" que afetaria seriamente a "pureza da pobreza" tão exaltada pela intelectualidade dominada de hoje.

Portanto, não é hierarquizar a cultura falar que existe mediocridade social e que a intelectualidade de hoje prefere glamourizar a pobreza do que defender melhorias reais para o povo pobre. Além do mais, a própria lei acima citada estimula a crítica cultural, no inciso V do artigo 1º, na medida que problemas existem para serem contestados, e não exaltados a pretexto de serem "uma forma diferente de solução".

A QUESTÃO DA "CULTURA DE MASSA"

É o que fazemos: crítica cultural, convite à verdadeira reflexão. Não é um simulacro de "reflexão crítica" que não passa de propaganda do que "está aí" e que, no final das contas, dispara farpas contra quem realmente tem valor, seja Chico Buarque, Edu Lobo, Rita Lee, Beth Carvalho e os "velhos de ultrapassados" músicos do povo (Luiz Gonzaga, Zé Kéti, Jackson do Pandeiro etc).

A reflexão crítica se dá, sobretudo, acerca dos problemas da "cultura de massa" de hoje, hegemônica e totalitária, praticamente "dona" da cultura brasileira em geral e da MPB em particular, subordinando as demais expressões culturais em torno da breguice dominante sobretudo no rádio e televisão.

A "cultura de massa" não é ruim, em si. Tivemos uma boa "cultura de massa", como na televisão dos anos 60, mas hoje, com a glamourização da cafonice cultural reinante em nosso país, virou tabu fazer qualquer tipo de restrição na avaliação de certos nomes associados.

Moacyr Franco, por exemplo. Ele é o que chamamos de entertainer brasileiro, sendo um grande ator e apresentador de TV. Como compositor e cantor, Moacyr, assim como Fábio Jr., não surgiu brega, mas se bregalizou depois. Só que hoje temos que nivelar o Moacyr Franco compositor a um patamar igual ou superior a Tom Jobim, senão seríamos vistos como "preconceituosos".

O próprio Cassino do Chacrinha era um ícone admirável da chamada "cultura de massa" brasileira. Virou ícone cultuado pelos tropicalistas em 1967, quando o Tropicalismo pelo menos era revolucionário na atitude comportamental, trazendo esse lado da Contracultura para o Brasil, com direito a psicodelia e guitarras elétricas.

E isso era muito antes do programa virar um jabaculódromo como foi nos anos 80, quando o apresentador Abelardo Barbosa era marcado pelo seu senso de humor e pela desenvoltura admiráveis. As gerações recentes superestimam a fase anos 80, da Rede Globo, mas esta é uma fase menor, e o próprio Chacrinha era reduzido a um anunciador de atrações e um mediador do júri de calouros.

O problema hoje é que a "cultura de massa" que se veicula hoje surgiu num contexto da ditadura midiática de hoje em dia, cada vez mais ideologizada, pior do que havia em 1964, quando, pelo menos, o poder midiático não afetava nossa cultura, e permitiu, até 1976, que seguidores da sofisticação bossanovista e do engajamento cepecista dos anos 60 fossem amplamente divulgados, constituindo dos nomes hoje consagrados da moderna MPB dos nossos dias.

Hoje a "cultura de massa" é hegemônica, fruto do poder das oligarquias empresariais e políticas estimuladas sobretudo pelas concessões de rádio e TV do então presidente da República, José Sarney, e seu ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, estes dois então líderes de oligarquias regionais. E essa fase foi coroada pela comemoração da vitória eleitoral de Fernando Collor com ídolos "sertanejos".

Foi a partir da Era Collor que a mediocrização cultural se tornou hegemônica e rumo ao poder totalitário. Portanto, ela não é a "boa 'baixa cultura'" nem a "cultura de massa moderna", nem a "verdadeira cultura popular". Ela serve a princípios ideológicos de manipulação das classes pobres e atende aos interesses dos barões da grande mídia, por mais que os intelectuais associados digam que isso "nada tem a ver".

O que se vê é que a diversidade cultural, em vez de legitimada, é ameaçada pela hegemonia do brega-popularesco. A MPB autêntica é que sofre a mais cruel discriminação, sobretudo de intelectuais que, pasmem, são "contra a discriminação cultural". Os ataques a Chico Buarque são exemplo disso.

Além disso, o grande público é afastado, pelo poder midiático, de suas próprias raízes culturais. A maioria das rádios só toca brega-popularesco. Valores sociais retrógrados, quando associados às classes populares, são tidos como "positivos e modernos" pelos intelectuais mais badalados. O nosso rico patrimônio cultural ameaça virar peça de museu ou privilégio de usufruto pelas elites especializadas.

Denunciar essa realidade nada tem de discriminador, preconceituoso e hierarquizador, mas simplesmente tem tudo de realista e coerente na apresentação de problemas culturais vividos em nosso país.

AS MUSAS "POPULARES" E SEU "CELIBATO" NUM PAÍS DE MULHERES COMPROMETIDAS


Por Alexandre Figueiredo

Num país onde as mulheres com alguma personalidade mais expressiva se comprometem com maior facilidade, é estranho o aparente celibato das musas "populares" e as relações que parecem se dissolver com maior facilidade.

É como se, àquelas mulheres cultuadas pelo "povão" - ou pelo menos este é o interesse da mídia mais popularesca - , houvesse a proibição de se casarem, ou, quando muito, se permitem aberrações como namoros de três semanas ou casamentos de três meses. Ou então relações-relâmpago com pretendentes que tais mulheres acham "tudo de bom", mas mesmo assim acabam lhes dando o fora.

Isso repercute mal e, quando alguém tenta acusá-las de "garotas de programa", elas se irritam e ameaçam fazer processos judiciais. Mas o "mercado" das chamadas "boazudas", alimentadas pela mídia machista, se alimentam dessas situações constrangedoras.

Elas cometem gafes intermináveis. Só vivem para mostrar seus corpos na mídia. Jogam fora oportunidades de relações amorosas estáveis. Só dão entrevistas para falar de sexo, vida amorosa e culto ao corpo, isso quando não dizem bobagens. E, tidas como "as mais desejadas do país", parecem demonstrar o contrário disso tudo.

Isso poderia ser normal, se não fosse um detalhe: a maioria esmagadora de atrizes, modelos e jornalistas consideradas atraentes e com uma personalidade minimamente interessante, são quase sempre comprometidas e boa parte delas é muito bem casada.

São mulheres que se destacam no mundo das celebridades, como Juliana Paes, Deborah Secco, Ticiana Villas-Boas, Mariana Ximenes, Luana Piovani, Alessandra Ambrósio, Patrícia Poeta, entre outras. Todas marcadas pela beleza e charme, sem sucumbir à vulgaridade.

Elas são comprometidas, mas, em contrapartida, as musas "populares" tipo Geisy Arruda, Maíra Cardi, Nicole Bahls e outras, ou sofrem "carências amorosas", ou engatam relações-relâmpago que no máximo não vão além de uns poucos meses de casamento. Para não dizer as paquerinhas de duas horas feitas para "plantar" notícias.

A mídia jura que estas mulheres são "as mais desejadas do país", mas elas, estranhamente, passam uma imagem de "encalhadas", mas quando se envolvem com possíveis pretendentes, há sempre aquela conversa dada por cada uma: "Ele é muito legal, ele é tudo de bom, mas decidimos que só somos grandes amigos".

O CASO VIVIANE VICTORETTE E O DAS FALSAS SOLTEIRAS DO "FUNK"

A atriz Viviane Victorette é uma dessas musas que havia sumido da mídia por causa do casamento com um jovem empresário. Embora ela não fosse tão famosa quanto Deborah Secco, por exemplo, ela se enquadra no perfil dessas musas de verdade que facilmente se estabelecem em relações amorosas.

Pois ela havia se retirado dos holofotes por duas razões. Uma, para ficar próxima à filha e, outra, por ciúmes do marido, que não a queria ver contracenando com outros homens. Recentemente, ela teve que negociar com ele a volta à televisão, para a nova novela das seis da Rede Globo.

Esse caso ocorre poucos dias após um outro, quando uma conhecida dançarina do "funk carioca", uma dessas "mulheres-frutas" que tinha "nome de carne", havia anunciado que "estava solteira". Famosa por ter um marido encrenqueiro, a funqueira, na sua reformulação da carreira, aparentemente teve que se separar dele, para não comprometer sua carreira profissional e evitar a frustração de seus fãs.

Só que, no "funk carioca", onde há muita farsa, muita fraude e muito jabaculê, suas musas adotam essa "separação" como um golpe publicitário. Na verdade, elas continuam tão comprometidas quanto uma Ticiana Villas-Boas, mas o contrato estabelece uma distância entre elas e seus namorados e maridos que, pelo porte físico "durão", são ameaça potencial ao sucesso que elas têm entre seus fãs.

Até mesmo a expressão "está solteiríssima" não é mais do que uma maneira de dizer. Primeiro, porque a suposta solteirice não é dita por convicção, mas com arrogância e um estranho alarde que mais parece um ato de forçar a barra. Segundo, porque é um eufemismo para dizer que a funqueira geralmente "brigou" com seu cônjuge e foi aparecer desacompanhada no dia seguinte.

Para entender a situação, vamos fazer uma comparação. Digamos que o marido de Patrícia Poeta, o jornalista Amaury Soares, tenha que passar um ano inteiro nos Estados Unidos. Ele não chegou a esse tempo, mas já ficou longe da esposa por seu trabalho como executivo da Globo Internacional. Mas digamos que ele passe um ano comprometido com esses negócios.

Aí, de repente, a mídia diz que Patrícia Poeta "está soltinha" ou coisa parecida, só porque o marido passa uns dias distante dela. E a jornalista e co-apresentadora do Jornal Nacional da Rede Globo é fotografada desacompanhada de outro homem adulto, apenas acompanhando, de vez em quando, seu filho.

É isso que acontece com pelo menos duas funqueiras, essa que havia anunciado que "está soltinha, soltinha" e outra que havia recebido uma moto importada depois de ter beijado um fã. E que os espertos empresários do "funk carioca" fazem para evitar que os maridos dessas duas tenham algum ciúme doentio, e isso depois que um ex-namorado de uma dançarina do MC Créu havia assassinado, por ciúmes, outro namorado dela.

Esse celibato contratual é uma coisa muito estranha e sem motivo, mas que rende um bom dinheiro para os homens que controlam a mídia machista e precisam "vender" suas "musas" para o grande público, às custas sobretudo de "generosas" notas publicadas diariamente em portais como Ego, das Organizações Globo, e R7, da Rede Record.

DESIGUALDADES SOCIAIS

Esse mercado, que ainda tem o cinismo de forjar um falso feminismo para suas "musas" - principalmente pela imagem forçada de "solteiríssimas" que elas têm que apresentar para o público, que entende isso como sinal de "independência" - , é alimentado pelo mais absoluto sensacionalismo, pela vulgaridade explícita e pela falta de escrúpulos em produzir factoides e criar falsas polêmicas com as inúmeras gafes cometidas.

Além de avacalhar com a imagem da mulher solteira no Brasil, explorada pela mídia "popular" como se fosse uma vadia ou como uma mulher que "valoriza o seu corpo", mas se torna uma completa inútil em outros aspectos, a mídia machista contribui para o aumento das desigualdades até mesmo no universo das mulheres famosas.

Isso porque a grande mídia acaba criando um contraste que desequilibra as conquistas feministas. Ela define a mulher de personalidade, independente e inteligente, como aquela que precisa necessariamente viver uma relação estável com algum marido, geralmente de poder aquisitivo e decisivo maior. Neutraliza a figura da mulher independente do feminismo com a adesão a uma estrutura conjugal típica do machismo.

Em compensação, a mídia empurra as "mulheres-objeto" a uma imagem associada a uma solteirice fácil, ainda que seja uma falsa imagem, para contrabalançar a submissão delas a uma ideologia lúdica machista com uma falsa independência sócio-afetiva, trabalhada até mesmo por cientistas sociais "de nome" como se fosse uma independência sócio-econômica.

Essas desigualdades sociais acabam travando o avanço das conquistas femininas, na medida em que, por dois caminhos, prolonga também as condições machistas, já que, por um lado, submete a imagem da mulher emancipada ao controle "racional" dos homens "poderosos", e, por outro, "libera" as mulheres comprometidas com o lazer machista de viverem diretamente sob a sombra dos homens.

sábado, 24 de novembro de 2012

QUEM SÃO OS JORNALISTAS CITADOS NO RELATÓRIO DA CPMI DO CACHOEIRA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Esta lista de jornalistas suspeitos de participação do esquema de corrupção do bicheiro Carlinhos Cachoeira, entre os que devem ser indiciados e os que ainda precisam ser investigados, parece modesta, com exceção de figuras conhecidas, como Policarpo Júnior, da Veja, e Jorge Kajuru, que apesar de ser desafeto do governador goiano Marconi Perillo (pelo menos o era em 2000), teria recebido patrocínios da Vitapan (empresa farmacêutica de Cachoeira). Kajuru havia sido um "queridinho" das esquerdas medianas há cerca de dez anos atrás.

Quem são os jornalistas citados no relatório da CPMI do Cachoeira

Da Agência Carta Maior - Reproduzida também no portal Vermelho

Desde que o relator da CPMI do Cachoeira, deputado Odair Costa (PT-MG), confirmou, nesta quarta (21), que irá pedir o indiciamento de cinco jornalistas no seu relatório final, imprensa e oposição passaram a atacar a medida, em uníssono, alegando ora afronto à liberdade de expressão, ora o desejo de vingança do PT contra seus algozes no “mensalão”.

Uma leitura do relatório revela uma outra realidade. E uma realidade estarrecedora sobre os meandros da imprensa brasileira. Os documentos falam de jornalistas vendendo sua força de trabalho ou o espaço dos veículos em que trabalham para beneficiarem uma reconhecida organização criminosa na prática de crimes. Ou então, associando-se a ela para destruir desafetos comuns dos criminosos e dos seus veículos. O diretor da sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Junior, é a face mais conhecida deste time. Mas o grupo é muito maior. O relatório da CPMI cita nominalmente doze jornalistas que teriam contribuído periodicamente com o esquema criminoso, e acabaram flagrados em atitudes, no mínimo, suspeitas, por meio das quebras de sigilos telefônicos, ficais e bancários dos membros da quadrilha e das empresas, de fachada ou não, que operavam em nome dela. Desses doze, pede o indiciamento de cinco, contra os quais as provas são robustas. Sugere ao Ministério Público Federal (MPF) o prosseguimento das investigações contra os outros sete, com base nos indícios já levantados pela Comissão.

Saiba quem são os jornalistas que, no entendimento da CPMI, devem ser indiciados:

1 - Wagner Relâmpago
Repórter policial do DF Alerta, da TV Brasília/Rede TV, e do programa Na Polícia e nas Ruas – Rádio Clube 105,5 FM - DF . Segundo a CPMI, ele utilizou seu espaço na TV e no rádio para “bater” nos inimigos da quadrilha ou personalidades públicas que atrapalhavam suas atividades criminosas. Em 2011, foram creditados pelo menos três repasses da quadrilha para sua conta pessoal de, aproximadamente, de R$ 300 mil cada. As relações de Relâmpago com Cachoeira foram reveladas por Carta Maior em 30/3, na reportagemQuadrilha de Cachoeira mantinha relações com a mídia. Para a CPMI, Relâmpago incorreu no artigo 288 do Código Penal, o que justifica seu indicamento pelo crime de formação de quadrilha.

2 - Patrícia Moraes
É sócia-administradora e editora de política do jornal Opção, de Goiás. Mantinha interlocução constante com Cachoeira e outros membros da quadrilha. Também recebia pagamentos períodicos do bando, na sua conta pessoal e na do jornal, para “divulgar as matérias de interesse da organização criminosa e fazer oposição e a desconstrução midiática de adversários”, conforme o relatório da CPMI. O documento sugere, inclusive, suspeitas de que o periódico possa pertencer à quadrilha de Cachoeira. Os recursos recebidos pela jornalista somam R$ 155 mil. A CPMI pediu seu indiciamento por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

3 - João Unes
Jornalista e advogado, trabalhou em O Estado de S.Paulo, O Popular, TV Anhanguera e TV Record. Segundo a CPMI, foi um dos jornalistas que receberam as mais vultosas quantias da quadrilha. Foi o idealizador e diretor do jornal online A Redação que, segundo a CPMI, foi adquirido posteriormente pela máfia. A soma dos valores transferidos para ele, conforme diálogos interceptados, chega a R$ 1, 85 milhão. Nem todos os valores mencionados nos diálogos foram comprovados na quebra dos sigilos do jornalista e das empresas fantasmas do bando. A CPMI pede seu indiciamento por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

4 - Carlos Antônio Nogueira, o Botina
Segundo o relatório, ele se apresenta como proprietário do jornal O Estado de Goiás, mas na verdade é sócio minoritário de Carlinhos Cachoeira no empreendimento que, conforme diálogos interceptados, também tem ou teve como sócio o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Botina também é proprietário da empresa WCR Comunicação e Produção e do Canal 5. Sob ordens de Cachoeira, utilizava o jornal para criar fatos políticos, fabricar notícias que pudessem prejudicar adversários ou constranger autoridades, enfim, que beneficiem as atividades da organização. Movimentou vultosas quantias. As maiores delas foram por meio da WCR Produção e Comunicação, que recebeu recursos das laranjas de Cachoeira da ordem de R$ 460 mil, R$ 1,42 milhão e R$ 584 mil, entre outros. A CPMI pede seu indiciamento por formação de quadrilha e lavagem de recursos.

5 - Policarpo Junior
É diretor da sucursal da Veja em Brasília. Segundo o relatório da CPMI, colaborou com os interesses da organização criminosa promovendo suas atividades ilícitas, eliminando ou inviabilizando a concorrência e desconstruindo imagens e biografias de adversários comuns da máfia e da publicação. O relacionamento entre Cachoeira e Policarpo começou em 2004. Apesar de atualmente mídia e oposição considerarem um acinte à liberdade de imprensa sua convocação para prestar esclareimentos na CPMI do Cachoeira, ele depôs na CPI dos Bingos, em 2005, para defender o contraventor, como Carta Maior revelou na reportagemJornalista da Veja favoreceu Cachoeira em depoimento de 2005, em 28/5. Suas relações com Cachoeira foram fartamente documentadas, como mostram, por exemplo, as reportagens Os encontros entre Policarpo, da Veja, e os homens de Cachoeira, de 10/5, e Cachoeira: “O Policarpo, ele confia muito em mim, viu?”, de 15/5. A CPMI pediu seu indiciamento por formação de quadrilha.

Confira também quem são os jornalistas que a CPMI pede que sejam alvos de mais investigações pelo MPF:

1 - Luiz Costa Pinto, o Lulinha
É o proprietário da empresa Ideias, Fatos e Textos (IFT), que prestou serviços para a Câmara durante a gestão de João Paulo Cunha (PT-SP), fato que acabou rendendo à ambos denúncias por crime de peculato no escândalo do “mensalão”. Cunha foi absolvido por este crime na ação penal 470, que tramita no STF. O processo contra Lulinha tramita na justiça comum. Conforme o relatório da CPMI, O jornalista foi contratado pela organização criminosa de Cachoeira para emplacar matérias favoráveis ao grupo nos meios jornalísticos. Entre fevereiro de 2011 e maio de 2012, recebeu o total de R$ 425 mil da Delta, por meio de transferências creditadas na conta da IFT.

2 - Cláudio Humberto
Citado em diversas gravações interceptadas pela Polícia Federal como uma espécie de assessor de comunicação, ele também foi contratado via Delta, a pedido do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Entre 2011 e 2012, recebeu R$ 187,7 mil, depositados pela Delta na conta da CT Pontocom Ltda, empresa na qual é sócio-administrador desde maior de 2001.

3 - Jorge Kajuru
É apresentador da TV Esporte Interativo. Também recebeu recursos da organização de Cachoeira que, segundo ele, se referiam à patrocínio feito pela Vitapan, empresa farmacêutica ligada ao esquema criminoso. Ele teria recebido do grupo R$ 20 mil, entre 2011 e 2012, em contas das suas empresas e na sua conta pessoal. A CPMI, porém, o isenta de responsabilidades por conduta criminosa.

4 - Magno José, o Maguinho
De acordo com a CPMI, o blogueiro Magno José, o Maguinho, também recebeu recursos da organização criminosa para prestar serviços à quadrilha. Ele é editor do blog Boletim de Novidades Lotéricas, que prega a legalização dos jogos no país. Entretanto, os repasses dos recursos ao jornalista não foram comprovado. Os indícios decorrem do material publicado pelo blog e das conversas dos membros da quadrilha interceptadas pela PF. Portanto, a CPMI optou por não propor seu indicamento.

5 - Mino Pedrosa
Já trabalhou no Jornal de Brasília, em O Estado de S.Paulo, em O Globo, na revista IstoÉ e hoje é editor-chefe do blog QuidNovi. É apontado como o responsável pela deflagração do Caso Loterj, que resultou na queda do assessor da Casa Civil do governo Lula, Waldomiro Diniz. De acordo com conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) entre membros da quadrilha de Cachoeira, ele teria recebido um apartamento e um carro para depôr em favor do contraventor, envolvido no esquema. É responsabilizado também como o autor de denúncias sobre o governo do Distrito Federal, com base em grampos ilegais feitos por Idalberto Matias, o Dadá, membro da quadrilha. E, também, como a pessoa que “vazou” para Cachoeira que a PF preparava a Operação Monte Carlo. A CPMI reconhece, porém, que não obteve provas suficientes para pedir o indiciamento do jornalista.

6 - Renato Alves
É jornalista do Correio Braziliense e editor do blog Última Parada. Segundo o relatório, as interceptações telefônicas revelaram que ele também mantinha interlocução frequente com a organização criminosa. Foi, inclusive, o autor de uma das matérias mais comemoradas pelos integrantes da quadrilha em 2011, que promovia os jogos eletrônicos do grupo pela internet no exterior. Em troca dos serviçcos prestados, Alves recebia presentes e vantagens, como ele mesmo atesta em ligação itnerceptada pela PF. Mas a CPMI afirma que não conseguiu colher provas suficientes de que ele tenha contribuído para a prática de crimes e pede novas investigações.

7 - Eumano Silva, o Doni
É ex-Diretor da Revista Época em Brasília. Também teria prestado importantes serviços à quadrilha de Cachoeira, por meio de reportagens que a beneficiava. A CPMI, porém não encontrou provas conclusivas sobre sua participação no crime e, por isso, sugeriu ao MPF mais investigações.

INGLATERRA INVESTIGA CRIMES DE IMPRENSA; NO BRASIL, NÃO PODE: SERIA "REVANCHISMO"!


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A Inglaterra assiste a várias denúncias de escândalos midiáticos. As escutas telefônicas do News Of The World, os escândalos sexuais de um falecido astro da BBC, só para citar alguns. A mídia passa por uma devassa mediante seus vários abusos. No entanto, se algo semelhante for feito no Brasil, seus "calunistas" ainda se acham na moral de reclamarem.

Inglaterra investiga crimes de imprensa; no Brasil, não pode: seria “revanchismo”!

Por Rodrigo Vianna - Blogue Escrevinhador

O escândalo percorre as páginas de jornais, revistas e sites ligados à velha mídia brasileira: o relator (um deputado petista) da CPI do Cachoeira teve o desplante de pedir indiciamento de jornalistas que teriam ligação com o bicheiro; entre eles, Policarpo Jr, da revista “Veja”.

O país, as liberdades, a democracia estão em risco!  Isso é coisa dos “radicais” do PT (e, por acaso, ainda os há?), inimigos da imprensa “independente”.

Sim, sim… É preciso explicar melhor a público tão dileto: colunistas, editorialistas, comentaristas de rádio e TV dizem que se trata de “revanchismo” do PT.

Hoje mesmo, pela manhã, ouvi numa rádio paulistana um veterano jornalista estrebuchando de raiva: “nesses partidos de esquerda há muita gente revanchista”. Ele não quer um colega investigado… Aliás, no mesmo comentário apoplético, berrava também o veterano contra “esse blá-blá-blá” de lembrar a superação do racismo no Brasil, toda vez que se fala em Joaquim Barbosa. Menos mal que tenha sido prontamente apartado por outro comentarista, bem mais jovem: “há racismo, sim, basta olhar em volta, existem quantos negros trabalhando com você?”; e disse, ainda, o jovem comentarista - ”tem muito revanchista de direita também”.

Hum… Onde estão os revanchistas? Aqueles que perderam 3 eleições presidenciais, perderam a batalha das quotas raciais, e não conseguiram convencer o país que Bolsa-Família era “bolsa esmola”? Esses seriam os revanchistas? Usam a velha mídia e a tribuna do Judiciário para a revanche?  É o que lhes resta, diria dona Judith Brito (dirigente da ANJ, Associação Nacional de Jornais), ao lembrar já em 2010 que, dada a fragilidade dos partidos de oposição, a imprensa se transformava oficialmente em oposição (esquecendo-se, ela, do papel que o Judiciário também poderia gostosamente encenar, como vemos agora).

Curiosa guerra de palavras.  Não tínhamos ingressado numa “nova fase” do país, depois do julgamento do “Mensalão”? Agora, não haveria mais lugar para proteger poderosos! Agora, as instituições mostravam força para punir “poderosos”! Certo?

Mais ou menos. Jornalistas não podem ser, sequer, investigados. Banqueiros não podem ser algemados (lembram? era “Estado policial”?), e tucano não deve ser investigado de forma muito enfática (seria de mau gosto…). O Procurador-geral que sentou em cima da investigação do caso Cachoeira também não pode ser fustigado. Não! Tudo isso seria  ”revanchismo”, bradam os colunistas e comentaristas.

Vamos combinar, então, as regras nesse novo país, refundado após o “Mensalão”:

- investigar e punir petistas, sindicalistas, partidos de esquerda em geral = Combate à impunidade

- investigar e punir  tucanos, jornalistas e procuradores/juízes = Revanchismo.

Quanto a empresários e banqueiros, analisemos caso a caso. Dependendo de quem estiver ao lado deles em ações judiciais ou investigações, pode se tratar de “Revanchismo” ou “Combate à impunidade”. Separemos o joio do trigo. Com rigor.

Só assim, conseguiremos fazer do velho Brasil um novo país!

Na caquética Inglaterra (como se sabe, um país dominado por bolivarianos revanchistas), jornalista e imprensa podem – sim!!!! – ser investigados. Mais que isso, na Inglaterra (país dominado por petistas mensaleiros e inimigos da imprensa livre), ninguém acha estranho que a imprensa seja regulamentada. Sim. É  o que se discute, lá, depois do escândalo estrelado por Robert Murdoch. Leia aqui, no texto do Portal Imprensa.

O título da matéria: “Após escândalo das escutas, primeiro-ministro terá de decidir destino da imprensa britânica”.  Chavez e Cristina Kirchner chegaram a Londres? Não. É apenas o óbvio. A Inglaterra sabe que a mídia é poderosa demais para ser mantida como “poder autônomo” – sem nenhum tipo de regulação.

Aqui no Brasil, nossos Roberts, Marinhos, Mervais e outros que tais acham-se acima da lei. Berram, esperneiam, seguem a agir como velhos patronos da Casa Grande midiática.

O “novo Brasil” pós “Mensalão” cheira a naftalina.
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