quinta-feira, 31 de maio de 2012

BAGULHO NO BUMBA


Por Alexandre Figueiredo

Depois do fracasso da padronização visual dos ônibus do Rio de Janeiro que, por razões políticas, faz prevalecer a medida, forçando a barra para os passageiros cariocas, agora é Niterói que adere à camuflagem visual de seus ônibus.

É uma lógica autoritária de licitação, de certa forma ilegal, porque contraria os princípios da Lei 8666 no que diz à funcionalidade e ao interesse público (embora esse ilegalidade possa facilmente ser desmentida por desculpas falaciosas e "técnicas"), servindo mais como propaganda política das prefeituras e afirmação política dos secretários de transporte.

Essa medida, que visa os eventos esportivos de 2014 e 2016, foi implantada pela primeira vez em Curitiba, durante a ditadura militar. O ato de esconder as empresas de ônibus com uma identidade padronizada dificulta a identificação visual e permite que abusos sejam cometidos à revelia dos passageiros. E faz com que o reconhecimento exato de cada empresa seja um privilégio elitista de tecnocratas, autoridades e busólogos "profissionais".

Seu idealizador, Jaime Lerner, transformou esse modelo, tecnocrático e autoritário, de mobilidade urbana, numa franquia que ele vende para o resto do país, enquanto promove, em seu Estado de origem, seu esquema politiqueiro ao lado de José Richa e seu filho Beto Richa, este por sinal "paquerado" por Carlinhos Cachoeira.

A ilusão da novidade, no entanto, não impede que a realidade desse modelo mostrasse seu desgaste em cidades onde foi implantado há muito mais tempo, como Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte. Em Curitiba e São Paulo pesquisas sérias já apontam para a decadência e saturação desse modelo, com dificuldades assumidas pelos próprios técnicos da URBS e SPTrans, as respectivas controladoras do transporte.

Mesmo assim, no Rio de Janeiro nota-se que o sistema de ônibus piorou com a implantação desse modelo. O número de ônibus enguiçados e acidentados aumentou consideravelmente e mesmo empresas antes conceituadas, como Real, Matias, Braso Lisboa e Pégaso, já mostram ônibus com lataria amassada, coisa que já ocorreu com os Mega BRS da Translitorânea.

Até mesmo entre os defensores mais radicais da padronização visual e outras medidas de caráter tecnocrático há busólogos extremamente reacionários, que aproveitam a ocasião para humilhar quem discorda deles. A rixa entre busólogos do Rio de Janeiro já chama a atenção dos busólogos de outro país e começa a preocupar as autoridades na hipótese de terem, ao seu lado, busólogos encrenqueiros nos camarotes da Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.

FISIOLOGISMO POLÍTICO

Tais medidas para o transporte coletivo, aparentemente, parecem dignas de aplausos, mas a ficha cai quando se nota quem é que defende esse modelo de mobilidade urbana.

São políticos que só veem a Educação pelo aspecto material, na construção ou reforma de escolas para atender à agenda das empreiteiras, e que menosprezam a questão da Saúde. Verbas para esses dois setores são muitas vezes desviadas para outras prioridades, isso quando não é para os esquemas de corrupção dos políticos envolvidos.

Na ditadura militar, políticos conservadores, inclusive o próprio Lerner, estão por trás desse modelo de transporte. Ultimamente, ele está associado ao fisiologismo do grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, no Rio de Janeiro, e de Jorge Roberto Silveira, na vizinha Niterói, "cliente" de Jaime Lerner.

Jorge Roberto, filho do histórico político Roberto Silveira (morto prematuramente em 1961), no entanto andou decepcionando, e muito, na administração da cidade. Seu mais grave erro foi a negligência quanto a pareceres técnicos sobre o risco de desabamento do Morro do Bumba, publicados em 2006 pela Universidade Federal Fluminense.

A negligência fez a tragédia anunciada se cumprir em 2010, matando mais de 50 pessoas e deixando muitos desabrigados, sem casa definitiva até hoje e alguns já voltando ao local da tragédia, por não terem onde ficar.

Por sinal, "bumba" é uma gíria paulista para ônibus, e, para completar a derrubada do Morro do Bumba em 2010, derruba-se o "bumba" niteroiense dentro de uma semi-estatização que nem de longe trará de volta os bons tempos da SERVE, mas, quando muito, os piores momentos da CTC de seus últimos anos.

GILMAR MENDES NÃO É O SUPREMO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Gilmar Mendes anda desempenhando de maneira péssima como ministro do Supremo Tribunal Federal, entidade máxima do Poder Judiciário. E ainda cria uma mentira bem ao gosto dos pseudo-investigadores de Veja, revista encrencada com o esquema de Carlinhos Cachoeira. Tudo para tentar melar a CPMI e desviar as atenções ao caso do "mensalão".

Gilmar Mendes não é o Supremo

Por Mauro Santayana - Jornal do Brasil On Line - Reproduzido também no blogue Viomundo


Engana-se o senhor Gilmar Mendes, quando denuncia uma articulação conspiratória contra o Supremo Tribunal Federal, nas suspeitas correntes de que ele, Gilmar, se encontra envolvido nas penumbrosas relações do senador Demóstenes Torres com o crime organizado em Goiás.

 A articulação conspiratória contra o Supremo partiu de Fernando Henrique Cardoso, quando indicou o seu nome para o mais alto tribunal da República ao Senado Federal, e usou de todo o rolo compressor do Poder Executivo, a fim de obter a aprovação. Registre-se que houve 15 manifestações contrárias, a mais elevada rejeição em votações para o STF nos anais do Senado.

Com todo o respeito pelos títulos acadêmicos que o candidato ostentava — e não eram tão numerosos, nem tão importantes assim — o senhor Gilmar Mendes não trazia, de sua experiência de vida, recomendações maiores. Servira ao senhor Fernando Collor, na Secretaria da Presidência, e talvez não tenha tido tempo, ou interesse, de advertir o presidente das previsíveis dificuldades que viriam do comportamento de auxiliares como PC Farias.Afastado do Planalto durante o mandato de Itamar, o senhor Gilmar Mendes a ele retornou, como advogado-geral da União de Fernando Henrique Cardoso.Com a aposentadoria do ministro Néri da Silveira, Fernando Henrique o levou ao Supremo. No mesmo dia em que foi sabatinado, o jurista Dalmo Dallari advertiu que, se Gilmar chegasse ao Supremo, estariam “correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”.

Pelo que estamos vendo, Dallari tinha toda a razão.

Gilmar, como advogado-geral da União — e o fato é conhecido — recomendara aos agentes do Poder Executivo não cumprirem determinadas ordens judiciais. Como alguém que não respeita as decisões da justiça pode integrar o mais alto tribunal do país? Basta isso para concluir que Fernando Henrique, ao nomear o senhor Gilmar Mendes, demonstrou o seu desprezo pelo STF. O Supremo, pela maioria de seus membros, deveria ter o poder de veto em casos semelhantes.


Esse comportamento de desrespeito — vale lembrar — ocorreu também quando o senhor Francisco Rezek renunciou ao cargo de ministro do Supremo, a fim de se tornar ministro de Relações Exteriores, e voltou ao alto tribunal, reindicado pelo próprio Collor. O episódio, tal como a posterior indicação de Gilmar, trouxe constrangimento à República. Ressalve-se que os conhecimentos jurídicos de Rezek, na opinião dos especialistas, são muito maiores do que os de Gilmar.

Mas se Rezek não servia como chanceler, por que deveria voltar ao cargo de juiz a que renunciara? São atos como esses, praticados pelo Poder Executivo, que atentam contra a soberania da Justiça, encarnada pelo alto tribunal.

A nação deve ignorar o esperneio do senhor Gilmar Mendes. Ele busca a confusão, talvez com o propósito de desviar a atenção do país das revelações da CPI. O Congresso não se deve intimidar pela arrogância do ministro, e levar a CPMI às últimas consequências; o STF deve julgar, como se espera, o processo conhecido como Mensalão, como está previsto.

Acima dos três personagens envolvidos na conversa estranha que só o senhor Mendes confirma, lembremos o aviso latino, de que testis unus, testis nullus, está a nação, em sua perenidade. Está o povo, em seus direitos. Está a República, em suas instituições.

O senhor Gilmar Mendes não é o Supremo, ainda que dele faça parte. E se sua presença naquele tribunal for danosa à estabilidade republicana — sempre lembrando a forte advertência de Dallari — cabe ao Tribunal, em sua soberania, agir na defesa clara da Constituição, tomando todas as medidas exigidas. Para lembrar um autor alemão, Carl Schmitt, que Gilmar deve conhecer bem, soberano é aquele que pratica o ato necessário.

"FUNK CARIOCA" E AS MANCADAS DO "PANCADÃO"


Por Alexandre Figueiredo

Já dá para perceber o quanto o "funk carioca" está incomodado com a perda de seu nicho de mercado para o tecnobrega.

Os noticiários policiais, nos últimos dias, registraram a prisão, por tráfico de drogas, do funqueiro MC William do Borel, detido durante uma viagem de ônibus em Curitiba.

William é um dos nomes que transitou do chamado "funk de raiz" ao "proibidão", e existe até um vídeo dele, há quatro anos atrás, num evento promovido pela APAFUNK. O que dá a entender o "compromisso" que os funqueiros têm em relação à cidadania.

Há três anos atrás, eles pregavam a possibilidade de o "funk carioca" ser ensinado nas escolas. Faziam isso com muito alarde e arrancavam aplausos de educadores pouco avisados. Hoje os mesmos "ativistas" funqueiros dizem que o "funk carioca" nunca teve a obrigação de educar as pessoas.

Mas mesmo no "funk carioca" mais "comercial", outra notícia repercutiu, que foi o rumor de que a funqueira Renata Frisson, a Mulher Melão, teria inspirado a personagem Suelen, interpretada por Isis Valverde, na novela Avenida Brasil, da Rede Globo. A declaração teria vindo da própria funqueira, que disse ter trocado mensagens com Isis, que desmente a informação.

A funqueira também declarou que foi "maria-chuteira", ou seja, garota que sente muita atração por jogadores de futebol, o que certamente é um cartão vermelho para os homens legais - de personalidade mais pacata - que ela disse desejar. O que é um alívio, porque homens legais nunca iriam namorar funqueiras, que nunca são mulheres legais.

São apenas dois episódios, duas mancadas do "pancadão", que mostram o quanto o "funk carioca", de sonoridade repetitiva e cansativa e de uma grosseria que constrange até pessoas moralmente mais flexíveis - descontando a intelectualidade etnocêntrica, é claro, porque esta sempre se babou em defesa do gênero - , anda decadente.

A velha mídia corre em consolo, transforma os funqueiros em "figuras polêmicas", numa forma de promover sua popularidade a custa de escândalos ou controvérsias. Mas a ruindade musical e a mediocridade artística já fizeram o "funk carioca" se desgastar, e a melhor forma de romper com o preconceito não é ouvir os delírios sociológico-antropológico-modernistas de seus intelectuais militantes, mas tocando o CD.

O que prova, por A mais B, que a "riqueza artística" do "funk carioca" não passa de uma grande balela.


quarta-feira, 30 de maio de 2012

GILMAR, DEMÓSTENES E VEJA: TUDO A VER


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Ninguém é obrigado a gostar de Lula nem de concordar com a política que ele fez nos seus oito anos de governo, mas a acusação de que ele pressionou o STF para abafar o escândalo do "mensalão" foi plantada pela imprensa mais abjeta. É ela, na verdade, que quer abafar a CPI do esquema de Carlinhos Cachoeira - na qual parte da grande mídia está de algum modo envolvida, sobretudo Policarpo Jr. e Roberto Civita -  para requentar o escândalo político de 2005.

E Gilmar Mendes aparece como o grande mentiroso da situação, porque foi ele que chamou Lula para um encontro e não o contrário. Daí o apelido jocoso de "Gilmar Mentes".

Gilmar, Demóstenes e Veja: tudo a ver

Por Ricardo Kotscho - Blogue Balaio do Kotscho:

Para entender este misterioso encontro de Lula com Gilmar Mendes no apartamento de Nelson Jobim, o novo escândalo denunciado pela revista Veja com o único objetivo de atingir o ex-presidente da República e o PT, uma verdadeira obsessão do seu proprietário, é preciso recuar um pouco no tempo.

3 de setembro de 2008. A mesma revista denunciou que o mesmo Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, foi grampeado numa conversa com um senador da República pela Agência Brasileira de Inteligência, a Abin, então dirigida pelo delegado Paulo Lacerda.

E quem era o senador? Ninguém mais, ninguém menos do que Demóstenes Torres, que era do DEM de Goiás, promovido pela revista em suas "páginas amarelas" como caçador de corruptos, aquele mesmo que está depondo agora na manhã desta terça-feira na CPI do Cachoeira, o "empresário de jogos" que é seu amigo e parceiro nos negócios, como revelou a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.

Em 2008, como agora, também se criou uma enorme crise em Brasília, capaz de abalar os alicerces da República e ameaçar a independência entre os poderes. Gilmar chegou a marchar ao lado de outros ministros do STF até o Palácio do Planalto para "chamar o presidente Lula às falas".

Até hoje, o áudio do grampo não apareceu. A revista Veja nunca mais tocou no assunto. O delegado Paulo Lacerda, da Polícia Federal, que tinha comandado a prisão de PC Farias e a investigação que levou ao impeachment de Fernando Collor, foi suspenso das suas funções e depois perdeu o cargo, sendo obrigado a se exilar como adido policial da nossa embaixada em Portugal.

Lula terminou tranquilamente seu governo, após inúmeras outras crises políticas que nasceram e morreram na imprensa, com mais de 80% de aprovação popular, o maior índice já registrado por qualquer presidente da República.

Gilmar é amigo de Demóstenes, que é amigo de Carlinhos Cachoeira, o grande contraventor que é "fonte" das reportagens de Veja, a ponta de lança do Instituto Millenium, que fornece munição para os demais veículos vindos a reboque.

Podem variar os enredos e os personagens, mas o "modus-operandi" da turma é sempre o mesmo. Conhecendo como conhece Gilmar Mendes e seus amigos na imprensa, que sempre darão a versão dele sobre os fatos (ou não fatos), o que não consigo entender é como Lula entrou nesta fria aceitando um encontro secreto na casa do ex-ministro Nelson Jobim, amigo de ambos.

Só estavam os três no encontro e, até agora, não se falou em gravações de áudio ou vídeo, a especialidade da equipe de arapongas de Cachoeira comandada por Jairo Martins, cujo nome também apareceu no grampo sem áudio de 2008.

Lula e Jobim desmentiram a versão publicada pela Veja, segundo a qual Gilmar Mendes teria sido "constrangido" pelo ex-presidente a adiar o julgamento do mensalão, em troca de uma blindagem do ministro do STF na CPI do Cachoeira.

Outro fato bastante estranho nesta história é que Gilmar Mendes tenha levado um mês curtindo sua perplexidade antes de chamar os repórteres da Veja, a quem disse, depois de "decodificar" os recados: "Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula".

O ex-presidente só respondeu à reportagem da revista na noite de segunda-feira, quando o assunto já havia tomado conta de todos os noticiários desde sábado.

"Meu sentimento é de indignação", reagiu Lula, que confirmou ter participado do encontro na casa de Jobim, mas qualificou de inverídica a versão publicada pela revista Veja.

Tem certas coisas que a gente nunca vai saber como de fato aconteceram. Melhor seria, com certeza, se não tivessem acontecido.

O VENTILADOR NO ESGOTO DE DEMÓSTENES


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O senador Demóstenes Torres, hoje sem partido, fez um longo depoimento na CPMI de ontem. Ele tentou se passar por vítima e negar as evidentes relações que tem com o bicheiro goiano Carlinhos Cachoeira, mas "entregou" o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o jornalista de Veja, Policarpo Júnior, como pessoas de alguma forma associadas ao esquema "cachoeirense".

O ventilador no esgoto de Demóstenes

Por Altamiro Borges - Blog do Miro

Após um depoimento meloso e patético à Comissão de Ética do Senado, em que apelou para Deus e para a clemência de seus pares, o ex-demo Demóstenes Torres foi alvo de uma bateria de perguntas. A partir daí o ventilador no esgoto do ex-paladino da ética e assassino de reputações começou a fazer suas vítimas. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e o editor da Veja, Policarpo Junior, aparecem entre elas.

Tentando se fingir de vítima inocente, que desconhecia as atividades criminosas do amigo mafioso Carlinhos Cachoeira, ele culpou o procurador-geral por não ter investigado as denúncias da Operação Vegas da PF, que depois se desdobrou na Operação Monte Carlo. "Ele [Gurgel] prevaricou", afirmou o senador com todas as letras. "Ele não tomou nenhuma ação, o que houve foi uma inação". Será que agora o procurador-geral será finalmente chamado para se explicar na CPI?

A fonte da revista Veja

Num outro importante momento, Demóstenes Torres confirmou as estranhas relações do crime organizado com a Veja. "Sei  que o senhor Cachoeira era fonte do senhor Policarpo", editor da revista. Ele até tentou aliviar a barra da publicação, que sempre o protegeu com tanto carinho. "Agora a ética em relação a isso tem que ser verificada", afirmou Demóstenes.

Neste ponto, o ex-demo está coberto de razão. Realmente esta relação precisa ser verificada. Nada melhor do que convocar Policarpo Junior e seu patrão, Bob Civita, para depor na CPI! Será que os parlamentares brasileiros vão ter a coragem dos seus pares britânicos, que colocaram Rupert Murdoch no banco de réus para dar explicações sobre os crimes do seu império midiático? A ver!

INTELECTUAIS ETNOCÊNTRICOS: OS NOSSOS "SACERDOTES MEDIEVAIS"


Por Alexandre Figueiredo

Há uma grande analogia entre a Idade Média e a nossa "idade mídia". Um dos críticos da chamada "cultura de massa", Umberto Eco, é especializado em Idade Média e havia escrito um romance ambientado na época, O Nome da Rosa.

A Idade Média na Europa foi uma época de obscurantismo cultural, enquanto havia elites detentoras de poder político, econômico e religioso, ou até mesmo intelectual, que exerciam um domínio, que chegava ao ponto da crueldade, sobre as classes populares.

Na "idade mídia", também temos essas elites. São os tecnocratas que promovem desde a privataria das estatais até uma concepção autoritária de mobilidade urbana baseada na padronização visual dos ônibus, que veda a identidade visual das empresas para os cidadãos comuns. Puro obscurantismo sobre rodas.

Há também a velha grande imprensa, que hoje está temerosa de perder todo o controle da opinião pública, que hoje ela apela para a intelectualidade, ao menos, defender a mediocrização cultural como forma de, ao menos, domesticar a maioria das classes populares, neutralizando o poder dos ativistas o máximo possível.

São estes intelectuais os equivalentes dos antigos sacerdotes medievais. São possuidores de "segredos", se apropriando de um passado da cultura popular que as gerações mais recentes dentro do povo pobre estão privadas de saber. Estas não podem mais ter contato com a cultura de seus tataravós, mas estão submetidas ao jugo dos programadores e produtores de rádio FM e da TV aberta.

Esses "modernos sacerdotes", com suas modernas "missas" das palestras "fora do eixo" e similares, com o "confessionário moderno" dos microfones abertos para os quais só está vetada a análise crítica da realidade, prometem o milagre do Brasil atingir o Primeiro Mundo com o entretenimento fácil do brega-popularesco.

Deixem para museus, antiquários e outros ambientes privativos todo o patrimônio cultural das classes populares do passado (leia-se antes de 1967). O "patrimônio" do povo agora é o que o produtor de rádio FM decidir, o editor do jornal popularesco impuser e o executivo de televisão divulgar. E a intelectualidade medievalmente pós-moderna ainda diz que isso é a "cultura das periferias".

Aos Pedro Alexandre Sanches, Paulo César Araújo, Ronaldo Lemos e Hermano Vianna da vida, ou alguém que lhes seguir, o cidadão comum ou mesmo o cidadão de classe média ainda sub-intelectualizado não podem exercer o senso crítico. Eles que exerçam sua profissão de fé a esses sacerdotes pós-modernos.

Nessa profissão de fé, que tenhamos que aguentar todo o calvário da degradação cultural, todo o suplício da mediocrização e da cafonice dominante, tidos como pecados originais das classes populares escravizadas pelas mídias regionais.

Aguentemos tudo isso, sorridentes, até que a classe média, representada sobretudo pelos artistas pós-tropicalistas, ícones de uma MPB mais obediente com o mercado, vá em socorro solidário aos cafoninhas de plantão, permitindo a eles uma pseudo-sofisticação artística às custas de muita pompa, muito luxo e muitos covers de sucessos alheios.

Ou então são as sessões "sofisticadas" com as mulheres-frutas fantasiadas de Marilyn Monroe, Betty Boop, Audrey Hepburn. Ou são os apresentadores de noticiários brucutus transformados em animadores de programas de calouros.

Assiste-se a cafonice e acoberta-se a mediocridade cultural com todo o apoio paternal da intelectualidade "sacerdotal". E, em vez de melhorarmos o país e darmos qualidade de vida para o povo, a intelectualidade lhes oferece meras esmolas "culturais" cuja diferença se fará no futuro, quando teremos celebridades amestradas em vez de grandes artistas, grandes atores e grandes pensadores.

terça-feira, 29 de maio de 2012

ZECA BALEIRO QUER SER "MIDIAMANÍACO"


Por Alexandre Figueiredo

Entre 1990 e 1992, uma geração pós-tropicalista surgiu como uma tentativa de furar o cerco da hegemonia brega-popularesca das rádios, representada sobretudo pelos hoje "sofisticados" ídolos do "sertanejo" e do "pagode romântico'.

Puxados por Marisa Monte, que, depois de seu LP de estreia, iniciou uma carreira mais autoral, a geração teve, entre outros, os cantores Lenine, Chico César, Zeca Baleiro, Zélia Duncan, Adriana Calcanhoto e outros. Teve também a falecida Cássia Eller, e, além do mais, a cena abriu caminho, junto com as investidas MPB do Rock Brasil (através, sobretudo, de Paralamas do Sucesso, Titãs e do falecido Cazuza), para a turma do mangue beat de Pernambuco, sobretudo Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A.

Tomando como paralelos a música brasileira e o cenário político do país, enquanto nomes como Kaoma, Chitãozinho & Xororó, Só Pra Contrariar (de Alexandre Pires), Raça Negra, Latino, Chiclete Com Banana e Leandro & Leonardo simbolizavam a Era Collor, a geração 90 da MPB autêntica representava o Fora Collor, ou o Já Era Collor, podemos dizer.

Era novidade, depois da ressaca do Rock Brasil representada pelos sucessos dos Engenheiros do Havaí - última grande banda de sucesso do rock brasileiro dos anos 80 - , ver jovens com menos de 18 anos redescobrirem a Gal Costa fase 1867-1972 e Paulinho da Viola era uma grande novidade.

Nessa época, entre 1993 e 1994, ver um garotão de 21 anos cantar "Fumacê" dos Golden Boys, "Eu Quero Mocotó", de Erlon Chaves e "Mamãe Passou Açúcar Ni'Mim", de Wilson Simonal, era mais ousado do que botar língua para fora e fazer o sinal do demo com os dedos das mãos.

Mas o tempo passou e a Globo, tratando de amestrar os neo-bregas da Era Collor, os transformou numa "MPB de mentirinha" que, tendenciosamente, também bebia nas fontes da MPB de 1967-1972. E se era novidade, para a geração MTV, ouvir Wilson Simonal e Gal Costa em 1993, em 2002 já era rotineiro.

A essas alturas Ivete Sangalo já se fantasiava de Gal Costa e Alexandre Pires posava de "novo Simonal" (sem necessidade, porque Wilson Simoninha faz muito melhor esse papel, por razões óbvias). Afinal, a MTV já ensinou, em parte, um pouco de MPB para os leigos, veio a Internet com maior acervo de informações e aí os oportunistas chegam e pegam carona na causa do cometa.

E hoje, com o brega-popularesco se aproveitando da superestima exagerada da MPB imediatamente pós-tropicalista, já não há novidade em saber a historiografia da MPB a partir de 1967.

A garotada que só ouvia "rock 80" em 1987 hoje carrega consigo versões em CD do Phono 73 e da Sessão das Dez (da Sociedade da Grã-Ordem Kavernista de Raul Seixas, Miriam Batucada, Sérgio Sampaio e Edy Star). E alguns fãs de brega-popularesco já usam como gosto musical secundário a MPB pós-tropicalista dos anos 90 para cá.

O que poderia ser ruptura acabou dando em condescendência, e, por isso, vemos que um dos nomes da cena MPB de 1992, Zeca Baleiro, hoje entregou os pontos, apoiando tudo o que for brega que estiver na sua frente. Colunista de Isto É, Baleiro já havia até mesmo escrito um texto sobre Waldick Soriano que agradaria muito bem Paulo César Araújo e Patrícia Pillar.

Zeca Baleiro era um similar menos ousado de Lenine. Ambos se servem de uma salada referencial que inclui de hip hop ao cancioneiro nordestino, da Nouvelle Vague do cinema francês à literatura de cordel. Mas enquanto Lenine se fixa na defesa da MPB autêntica, Zeca entrega o ouro ao brega-popularesco, talvez estimulado por ter uma música regravada pelo breganejo Daniel.

Tendo produzido o mais disco recente de Odair José, Zeca Baleiro agora quer ser um ídolo de massa. E já começa a partir para frases de efeito, criticando, numa apresentação no último fim de semana no Festival da Mantiqueira, os polêmicos (e desafetos entre si) Lobão e Caetano Veloso, também conhecidos pelas frases de efeito. Baleiro os acusou de "midiamaníacos".

Apesar de desafetos, Lobão e Caetano Veloso se inserem dentro de um contexto midiático mais conservador, e ainda que o roqueiro e autor do sucesso "Me Chama" tenha feito críticas ao brega-popularesco bastante ácidas, foi condescendente com Amado Batista e Mr. Catra quando era editor da revista Outra Coisa. E Caetano Veloso é um histórico defensor do brega-popularesco, fato comprovado em várias situações.

E isso desde 1973, quando o mesmo Odair José do disco produzido por Zeca Baleiro foi cantar com Caetano a música "Eu Vou Tirar Você Deste Lugar", sob vaias da plateia, criando uma tendência, defendida hoje pela intelectualidade etnocêntrica - sobretudo um Pedro Alexandre Sanches que também defende Odair José e escreve igualzinho ao Caetano Veloso em O Globo - , de que aquele que for mais vaiado pela plateia e levar bronca da "crítica especializada", vira "gênio".

Zeca já se insere num segundo escalão da mídia conservadora, liderado pela Isto É/Bandeirantes, não tão reacionários como Veja e Globo, mas já preocupantes em seus surtos reacionários recentes (como no caso do Brasil Urgente da Band Bahia). Sendo assim, Zeca Baleiro mais parece uma "terceira via" dos ídolos "midiamaníacos" do que uma real ruptura a eles.

Aliás, Zeca Baleiro se recusa a romper. Ele quer entrar no mercado, quer entrar nas trilhas de novela. E, um dia, ele será mais um midiamaníaco à procura de uma polêmica fácil. Só terá, talvez, um "apoio mais popular" do que os outros dois.

BLOGUEIROS PLANEJAM GRANDE MOBILIZAÇÃO EM FAVOR DA CF


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Ocorreu no último fim de semana, em Salvador, no Hotel Sol Bahia, em Patamares - se eu morasse ainda no Costa Azul teria ido lá, tinha linha de micro-ônibus para o local (M004 Pau da Lima / Aeroclube), o III Blog Prog, para celebrar as mudanças que ocorrem na capital baiana, que aos poucos vê se encerrar um período de abusos político-midiáticos impunes. O evento também celebra a ascensão da blogosfera progressista que começa a abalar as estruturas midiáticas tradicionais.

Uma das sugestões de destaque do evento foi o lançamento de uma campanha pelo cumprimento da Constituição Federal, tão "machucada" até mesmo pela grande mídia que diz defendê-la.

Blogueiros planejam grande mobilização


Do Portal Vermelho

O segundo dia do 3º Encontro de Blogueiros começou, (26/5), com um debate empolgante em defesa da blogosfera e da liberdade de expressão.

Na mesa, Paulo Henrique Amorim, Eduardo Guimarães, Esmael Morais e Emílio Gusmão falaram do uso de ações judiciais como forma de intimidação e tentativa de censura de suas páginas. A mesma experiência foi relatada via telefone por Lúcio Flávio e por outros blogueiros de diversas partes do Brasil durante o debate que se seguiu à exposição dos palestrantes. Cansados de só reclamar, eles defenderam o início de uma grande mobilização nacional pelo cumprimento da Constituição Federal, que garante a liberdade de expressão aos brasileiros.

A ideia lançada na noite de ontem pelo jornalista e ex-ministro das Comunicações Franklin Martins foi encampada pelos participantes do encontro, que vão propor uma ampla campanha de mobilização nacional em defesa da regulamentação dos artigos da Constituição que tratam da comunicação. “Nada além da Constituição” seria o lema do movimento, que teria o seu auge no dia 5 de outubro, data em que se completa 24 anos de promulgação da Constituição de 1988, com uma grande ação em defesa da Carta Magna brasileira. “Vou pressionar o Miro (Altamiro Borges) para que a Barão de Itararé faça uma grande celebração neste dia”, afirmou Paulo Henrique Amorim, um dos principais defensores da ideia.

O autor do blog Conversa Afiada tem motivos de sobra para defender a campanha, já que responde atualmente a dezenas de processos referentes a conteúdos veiculados em sua página, 24 deles proposto apenas pelo banqueiro Daniel Dantas. Foi ele quem aconselhou os blogueiros presentes a enfrentar o uso da Justiça como forma de censura e não cumprir a decisões judiciais para a retirada de posts do ar, levando o caso para decisão no Supremo Tribunal Federal. “A Justiça não tem o poder de censura. Só tirem os posts do ar após a decisão do Supremo, porque nenhum juiz tem poder de censura no Brasil”, conclamou.

Amorim defendeu ainda que os blogueiros transcendam a batalha de judicialização da censura. “Nós fomos responsáveis por um processo político irreversível no Brasil. Antes de nós, o José Serra e o Fernando Henrique Cardoso davam três telefonemas e calavam o Brasil. Hoje isso não é mais possível”, afirmou, acrescentando que é preciso botar mais gente para participar das discussões sobre a blogosfera. “Temos que multiplicar o número de participantes dos debates por mil. O nosso debate não é de blogueiros políticos, é muito mais que isso, é o da democracia”, conclui o jornalista.

Enfrentamento

O enfrentamento também foi a solução sugerida pelo presidente do movimento dos Sem Mídia, Eduardo Guimarães em sua exposição. “Eu resolvi ir para o combate com esta gente a algum tempo. Em 2007, eu resolvi pegar um megafone e sair para protestar contra a situação e recebi o apoio de muita gente. Desde então, criamos uma ONG e fomos para o enfrentamento, entrando inclusive com ações contra o PIG”, informou, citando como exemplo do péssimo serviço da grande mídia o clima de medo gerado em torno da vacinação contra a febre amarela em 2008, em que mais pessoas morreram por vacinação indevida, do que pela doença.

Guimarães ressaltou também a mudança de posicionamento da grande mídia e de parte da sociedade em relação aos blogueiros. “Está havendo uma reação. Eles estão nos xingando e buscando formas de nos intimidar. Antes eles nos ignoravam, mas agora estão reagindo com a judicialização e a ameaças de agressão. As ações não existiam antes porque éramos ignorados. Hoje estamos incomodando e ninguém teria o trabalho de tentar nos intimidar se não estivéssemos incomodando. Por isso, precisamos avançar nesta proposta de uma associação de defesa dos blogueiros em todo o país. Precisamos avançar nisso, pois diante destas ameaças e judicialização, os que têm recursos reduzidos não poderão continuar o seu trabalho”, declarou.

O Encontro prossegue até domingo, com amplo debate sobre vários temas ligados à defesa da blogosfera, dos blogueiros e da liberdade de expressão.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

"BLOGUEIROS SUJOS DE UMA IMPRENSA LIMPA": NADA ALÉM DA CONSTITUIÇÃO!


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Rodrigo Vianna, um dos convidados do III Blog Prog, o terceiro Encontro Nacional de Blogueiros, dá seu relato sobre o evento ocorrido no último fim de semana, que mais uma vez reafirma a força da "terceira" imprensa que já incomoda, e muito, a velha grande mídia.

“Blogueiros sujos de uma imprensa limpa”: nada além da Constituição!

Por Rodrigo Vianna - Blogue Escrevinhador

O auditório ainda se agitava com as histórias sobre o trânsito infernal em Salvador, na sexta-feira à noite, quando  Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos Barão de Itararé, deu por iniciado o III Encontro Nacional de Blogueiros, chamando os primeiros convidados à mesa.

Em meio ao burburinho (e não era Stanley) que vinha dos corredores, Miro pediu que os presentes (quase 300 blogueiros de todo o Brasil) prestassem atenção à mensagem em vídeo que seria exibida no telão. O barulho, de repente, cessa - diante da voz conhecida. É Lula que surge na tela, numa saudação que ele – pessoalmente – decidira gravar. O ex-presidente lembra a participação dele no II Encontro, em Brasília, e ressalta o papel dos blogs para a construção de uma Comunicação com mais diversidade. “A Comunicação não pode estar concentrada em poucas famílias no Brasil”, diz o ex-presidente. A voz rouca ecoa pelo auditório.

Na sequência, outras vozes: Rosane Bertotti (FNDC), Marcio Pochmann (IPEA), Nelson Breve (EBC)… ”O Brasil ainda não superou completamente o subdesenvolvimento, ainda tem características de um país subdesenvolvido, e uma delas é a democracia imperfeita na área de Comunicação. Seremos uma Democracia plena quando tivermos pluralismo e liberdade nessa área”, diz Pochmann.

Nelson Breve, que hoje comanda a TV Brasil, lembra da época em que trabalhava na Secretaria de Comunicação (SECOM), sob a presidência de Lula. E conta qual foi a estratégia para furar o bloqueio da velha mídia naquela época. A SECOM passou a trabalhar com a imprensa internacional, a imprensa regional  e, segundo ele, “com uma terceira imprensa que surgia: a blogosfera”.  Breve lembra de episódios em que a blogosfera cumpriu papel decisivo. “Pra ficar num só, falemos da bolinha de papel em 2010″.

Essa “terceira” imprensa parece incomodar. A tal ponto que passou a receber ataques sucessivos nas páginas da velha mídia, aquela controlada pelas tais “famílias” a que Lula se referiu no vídeo. Incomoda tanto que a revista mais vendida do Brasil decidiu enviar um repórter (dessa vez não era Dadá, nem algum araponga a serviço de Cachoeira) para acompanhar o encontro em Salvador. “Cadê o cara da Veja?”, “merece uma saudação especial”, brincam os blogueiros pelos corredores. Renato Rovai ironiza, via twitter: “ele [o repórter da Veja] tá sendo bem tratado, ninguem invadiu o quarto de hotel dele”.

A gente brinca, mas sabe muito bem que, do outro lado, há uma turma que não brinca em serviço: ataca, tenta destruir os adversários mas, no fundo, se amedronta diante da concorrência e do contraponto que vem dos blogs.

Ainda na abertura do Encontro, o ex-ministro Franklin Martins fez uma bem-humorada saudação “aos blogueiros sujos, que fazem uma imprensa limpa”. E lembrou que a turma dos blogs tem uma qualidade importante: “a capacidade de ser insubmissa; é assim que se cria cidadania”.

Franklin defendeu, sim, a regulação da Comunicação eletrônica: “regulação que existe em todas as democracias”. E acrescentou: defender isso é defender “o que já está na Constituição”.

O mote, lançado por Franklin, parece ter ganho corpo entre os blogueiros. Ampliar o debate para além da esquerda, trazendo para o debate amplas parcelas da sociedade: essa deve ser a direção nos próximos meses/anos. Por isso, no segundo dia de debates, Paulo Henrique Amorim sugeriu um novo lema para os blogueiros que lutam por Comunicação democrática no Brasil: “Nada além da Constituição”!

Assino embaixo. Foi o que defendi num recente encontro do FNDC. A turma do outro lado quer que a sociedade acredite que, do lado de cá, há “bolcheviques querendo controlar a imprensa livre”. Nada disso. Pra fazer a comunicação democrática, não precisamos de Revolução Russa. Basta um pouquinho de Revolução Francesa.

Nada além da Constituição!

A "MARCHA DAS VADIAS" TOMOU CONTA DO PAÍS


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A "Marcha das Vadias", nome ironicamente adotado para as passeatas comandadas por mulheres pedindo o fim da violência machista, foi realizada no último sábado em várias capitais do Brasil.

O evento, certamente, contou também com o apoio de homens que também se sentem prejudicados com a violência machista - até porque, na competição amorosa,  muitas vezes os machistas, medíocres como namorados e desastrosos como maridos, são todavia exímios conquistadores - , sem falar de muitos companheiros e amigos das participantes dessas grandes passeatas, solidários pela natural identificação com a justiça social.

Protesto toma as ruas de Brasília pedindo fim da violência

Do Portal Vermelho


As "vadias" invadiram as ruas de Brasília neste sábado. Em movimento pelo fim da violência contra as mulheres, usaram cartazes, fizeram barulho e chamaram a atenção das pessoas contra o preconceito.


A organização do movimento Marcha das Vadias, que teve início no Brasil em 2011, conta com 140 mulheres em Brasília. A manifestação também ocorreu simultaneamente em São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Campinas (SP), Criciúma (SP), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Natal (RN), Salvador (BA), São Carlos (SP), São José dos Campos (SP), Porto Alegre (RS), Recife (PE) e Vitória (ES).


No ano passado, a marcha reuniu mais de 1.000 pessoas em Brasília, com o foco na legalização do aborto. Neste ano, o foco é a violência doméstica.


O grupo começou a se organizar em frente ao Conic por volta de 12h30. A Polícia Militar e o Batalhão de Trânsito da PM acompanham a marcha, com 50 policiais e 6 viaturas. Eles acompanharam todo o evento para garantir a segurança e integridade física de todos os participantes e também para evitar que haja algum tipo de depredação no patrimônio público.


Com cartazes que pedem o fim do preconceito, do racismo e do machismo, as "vadias" saíram nas ruas do DF fazendo muito barulho. O trânsito ficou lento na região do Plano Piloto, já que são cerca de 3.500 mulheres ocupando as ruas da capital federal e "marchando". Elas andaram toda a Esplanada dos Ministérios, área central de Brasília.

A CPI DO SILÊNCIO E SEUS DOIS "DOUTORES" DA PESADA


Por Alexandre Figueiredo

A CPI do caso Carlinhos Cachoeira já começa mal, quando seus convidados a prestar depoimento se recusam a dar informações necessárias sobre os bastidores do maior escândalo político da temporada.

Sabe-se que o escândalo é gravíssimo, não por incluir somente personalidades políticas, mas também pelos braços que o esquema de Cachoeira possui até entre os políticos do PT/PMDB e entre a grande imprensa.

A tão esperada convocação de Carlinhos Cachoeira ocorreu e ele apenas se limitou a dizer que "tinha o direito de permanecer calado". E ainda esperamos para que o empresário Roberto Civita, do Grupo Abril, seja chamado para explicar as ligações da revista Veja no esquema, mas o desânimo do silêncio de outros depoentes, puxado pelo próprio bicheiro goiano, é grande.

Mas outros personagens se destacam no circo da corrupção e da omissão, como os membros do judiciário Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, e Roberto Gurgel, procurador-geral da República. Ambos, portanto, figurões do Poder Judiciário, mas envolvidos em posturas não muito transparentes. A não ser que sejam transparentes feito um telhado de vidro.

Gilmar Mendes demonstra ter envolvimentos políticos que seu cargo não poderia ter, segundo a lei. Ligado ao PSDB e ao DEM, em especial ao senador Demóstenes Torres, então fundador do DEM e hoje sem partido, Gilmar tenta manobrar juridicamente para usar o escândalo do Mensalão para abafar o atual escândalo de Carlinhos Cachoeira.

A revista Veja, que defende Gilmar e é conhecida por suas posturas reacionárias e desonestas - não bastasse, claro, a "cachoeira" que jorra nas suas pautas "investigativas" - , inventou uma pressão do ex-presidente Lula sobre o STF para adiar o julgamento do mensalão e concentrar atenções na CPMI do caso Cachoeira, que Veja já definiu como a "CPI do Fracasso".

Só que fatos mostram que, na verdade, foi Gilmar que pediu um encontro com Lula, preocupado está o ministro do STF pelos efeitos que a CPMI de Cachoeira pode causar.

Já o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, em depoimento à CPMI, disse que arquivou o processo de 2005 que apurava o envolvimento de Demóstenes Torres com Carlinhos Cachoeira e o empreiteiro Fernando Cavendish (então chefão da construtora Delta) como uma "estratégia para permitir novas investigações".

O argumento é risível. Afinal, não se arquiva um processo em investigação para permitir novos inquéritos. Antes mantivesse a investigação em curso para ver que desdobramentos poderão ser descobertos. Quando muito, cria-se outras linhas de investigação, mas não se pode acobertar uma investigação para facilitar outras.

Afinal, inquéritos são inquéritos. E se questões e suspeitas não são resolvidas, elas não podem ser deixadas de lado para que outras questões e suspeitas sejam analisadas. Tudo tem que ser analisado. Podem haver contradições, até, mas a declaração de Roberto Gurgel o faz transformar numa figura tão cômica quanto seu sósia Jô Soares.

E o fracasso que parece ter a CPMI de Cachoeira não deve ser atribuído ao inquérito em si, mas àqueles que "tem o direito de permanecer em silêncio". Não fosse isso, a Comissão Parlamentar poderia se tornar uma grande devassa dos bastidores da corrupção política e midiática que ocorre em nosso país.

A GLOBO APOIA O BREGA. A FICHA AINDA NÃO CAIU?


Por Alexandre Figueiredo

Há um mito, uma visão errônea que o brega é discriminado pela grande mídia. Visão cheia de equívocos, mas, pasmem, ainda é defendida por muitos, guiados pela intelectualidade que domina os debates culturais de nosso país.

No entanto, não é difícil percebermos o quanto de equivocada tem essa visão. Já dissemos, por exemplo, que os ídolos da música brega e seus derivados não aparecem na grande mídia por uma questão de "invasão rebelde", até porque ninguém da grande mídia se sente incomodado com eles.

Salvo um Marcelo Tas ali - que ficou constrangido quando, na época em que apresentava o Vitrine na TV Cultura, anunciou a presença de Zezé di Camargo & Luciano - e um Arnaldo Jabor acolá (o cineasta-colunista que havia anunciado a "pagodização" do país), toda a grande mídia recebe os bregas de braços abertos. Até a revista Veja.

As Organizações Globo - que antes primava por uma relativa sofisticação - há muito mergulhou de cabeça na música brega. E não é de hoje. Nos anos 80, tinha Michael Sullivan como colaborador musical, quando o "injustiçado" compositor era um chefão absoluto do entretenimento brasileiro. Nos anos 90, lapidou a geração neo-brega de então, como os "sertanejos" e "pagodeiros românticos", convertendo-os numa "MPB de mentirinha" através, sobretudo, de tributos caça-níqueis a antigos nomes da MPB ou a efemérides culturais.

A Globo redesenhou o brega para que este tenha um verniz de "cultura de verdade". E muitos ainda acreditam que a grande mídia nunca esteve por trás disso. E está, de forma mais direta. A Globo, a Folha, a revista Caras, a Veja, todos atuaram numa defesa sutil do brega, de tal forma que não dá para entender por que muitos atribuem à breguice reinante a uma suposta (na verdade inexistente) rebelião popular de esquerda.

O portal G1 publica uma série sobre a "história" do brega. A Rede Globo faz divulgação do brega e do tecnobrega, além da "MPB de mentirinha" de Thiaguinhos, Leonardos, Ivetes e companhia. E a revista do Globo, na edição de ontem, veio com a tal "dança do treme" das festas tecnobregas do Pará.

De repente, o Pará ficou lindo, virou um paraíso, ou melhor, um Pará-iso. Mas, na esquina, há o odor dos cadáveres das vítimas da pistolagem do interior do Estado, que o perfume exagerado do tecnobrega nem de longe consegue esconder. E os latifundiários, como toda elite detentora de poder político e econômico, não estariam isolados da capital paraense, já que toda capital de Estado serve de vitrine política e midiática das oligarquias dominantes.

Além disso, a ideia de que o tecnobrega era discriminado pela mídia grande, a cada dia, mostra-se não mais do que uma grande mentira. Até o grupo Maiorana, do jornal e TV O Liberal (a TV é afiliada da Globo), apoiou o tecnobrega (ou o tecnomelody) desde o começo. O blogueiro progressista Lúcio Flávio Pinto é que nunca gostou de tecnobrega.

Isso é que parte da opinião pública média de esquerda não consegue entender. A Globo, como o resto da velha grande mídia, sempre apoiou o brega, sempre desejou a bregalização do país, porque ela deixa o povo mais submisso. O episódio do "funk carioca" é sintomático disso. Só que, para muitos, a ficha ainda não caiu.

O FALSO CONSENSO FORJADO PELA INTELECTUALIDADE


Por Alexandre Figueiredo

A mediocrização cultural brasileira foi fruto de um falso consenso forjado por uma intelectualidade com muita visibilidade e prestígio, mas longe de ser confiável e coerente.

Se aproveitando do discurso sofisticado, esses intelectuais, incluindo sociólogos, cineastas, artistas, atores, críticos musicais, antropólogos, historiadores e outros, desenvolveram uma retórica que transformou a degradação cultural patrocinada por rádios e TVs em uma pretensa vanguarda popular.

Criaram-se pretensos coitadinhos, que, esquecendo que fizeram grande sucesso um dia, reclamam do "não-reconhecimento artístico", acusando aqueles que não os apreciam de "preconceituosos", "invejosos" ou "intolerantes". Esses ídolos não conseguem fazer uma música que preste, ou defender valores sociais relevantes, mas querem fazer parte, de qualquer maneira e sem esforço, da vanguarda cultural brasileira, de preferência vistos também como pretensos "rebeldes revolucionários".

Muitas mentiras e verdadeiras bobagens foram lançadas por esses intelectuais, sob aplausos das plateias deslumbradas e pouco informadas. O poder persuasivo de um Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches ou Ronaldo Lemos se equiparam a verdadeiros espetáculos de hipnotismo, seduzindo as massas com suas visões nem sempre coerentes sobre cultura popular e, ultimamente, são visões até com equívocos bastante grotescos.

Afinal, a pretexto de defenderem as classes populares, eles defendem, na verdade, é o que os executivos e programadores de rádio e TV empurram para o povo consumir. Na verdade, o que está por trás desse discurso "generoso" desses intelectuais divinizados é a perigosa atitude de atribuir à responsabilidade do povo pobre aquilo que, na verdade, é feito sob responsabilidade direta ou indireta dos executivos da grande mídia.

Formou-se um falso consenso, uma suposta unanimidade, e mesmo a aparente indiferença desses intelectuais diante das críticas recebidas - que, por uma questão de protocolo, evitam repetir o tipo de reação dos jornalistas tradicionais da grande mídia - dá à opinião pública a falsa impressão de sabedoria atribuída a esses intelectuais.

Com muita malícia e uma boa conversa, eles defendem a degradação cultural brasileira como se fosse a salvação dos brasileiros, tentando inverter a situação. Para eles, os vilões acabam sendo a MPB esquerdista, os intelectuais dotados de senso crítico, ou todo aquele que lança qualquer questionamento a respeito da "cultura de massa" brasileira.

É estarrecedor por que, com tamanha urubologia, esses intelectuais ainda se acham capazes de influenciar a opinião pública de esquerda. Ainda conseguem arrancar aplausos entusiasmados da plateia em geral, mas da patota progressista a influência dessa intelectualidade festiva já começa a entrar em queda livre.

domingo, 27 de maio de 2012

SER GENTE SIMPLES NÃO EXIGE DECLARAÇÃO DE RENDA


Por Alexandre Figueiredo

Um dos grandes erros cometidos pela intelectualidade em nosso país é creditar a simplicidade pessoal a uma virtual relação com a pobreza e com os infortúnios supostamente sofridos.

Através disso, muitos ídolos bregas buscam retomar o sucesso comercial antigo se passando por "vítimas de preconceito" e promovendo uma pretensa imagem de "gente simples" que não obstante é contradita pela postura de grandes resmungões querendo se enriquecer às custas da pose de "injustiçados".

Se vemos um Leandro Lehart e um Beto Barbosa, ou mesmo um Michael Sullivan - que foi uma espécie de "poderoso chefão" do mercado do entretenimento midiático, sob a clara tutela da Rede Globo - , usam a falsa imagem de "gente simples" para resmungar o difícil retorno ao mercado, vemos artistas tidos como "aristocráticos" que surpreendem pela natural simplicidade.

O próprio Chico Buarque tem um jeito de gente simples que nenhum ídolo brega consegue ter. Se nem um José Augusto, os "esforçados" Amado Batista e Odair José ou um breganejo como Daniel conseguem ter a simplicidade do cantor de "Apesar de Você", imagine então um Zezé di Camargo que só vive se explicando, ou melhor, tentando se explicar.

Isso sem falar da experteza de Joelma e Chimbinha e sua falsa simplicidade. Ou a astúcia "simpática" de um MC Leozinho, ou a sorridente arrogância do DJ Marlboro, ou a grosseria mais arrogante ainda de uma Tati Quebra-Barraco. Todos "gente simples", "gente como a gente", como a intelectualidade etnocêntrica quer nos fazer crer com seus preconceitos "sem preconceitos".

Enquanto isso, vemos simplicidade em Tom Jobim, Elizeth Cardoso, Cartola, Pixinguinha e Luiz Gonzaga, nomes do passado que se tornaram históricos. O parceiro de Tom, Vinícius de Moraes, então, era até jovial de tão simples.

E os discípulos de Tom, todos eles, são dotados de simplicidade, como Chico Buarque, Carlinhos Lyra e Francis Hime, o caro amigo de Chico. Para desespero de Pedro Alexandre Sanches, a música de Buarque e Hime, "Meu Caro Amigo", influenciou, em parte, o nome da revista Caros Amigos. E a irmã de Chico, Miúcha, o quanto tem a ensinar para a irmã ministra...

Simplicidade não tem a ver com folha de pagamento, declaração de renda, sucesso ou fracasso de crítica nem sequer uma suposta associação com as classes pobres. Tem a ver com estado de espírito, o que nenhum salário ou mesmo a falta dele poderão medir.

Por isso, a humildade natural dos ditos "burgueses" da MPB faz a diferença em relação à falsa modéstia dos bregas que reclamam demais.

sábado, 26 de maio de 2012

O DESPERDÍCIO DA CINEMATOGRAFIA BREGA


Por Alexandre Figueiredo

Sabemos que a música brega e seus ritmos derivados, que integram a Música de Cabresto Brasileira, contam com um poderoso lobby intelectual. Até mesmo monografias de pós-graduação nas faculdades são usadas como propaganda mal-disfarçada das cafonices que dominam o mercado midiático.

É bastante conhecido que jornalistas e cientistas sociais façam todo seu proselitismo para convencer-nos de que o brega é o máximo e vai salvar a humanidade no país e no mundo. E que toda sorte de argumentos, muitos deles confusos e risíveis - ou choráveis, dependendo do caso - , são escritas em muitas páginas e arquivos "htm".

Mas no cinema esse lobby já fez com que filmes como Os Dois Filhos de Francisco, de Breno Silveira, e Sou Feia Mas Tô Na Moda, de Denise Garcia, fossem produzidos. Afinal, essa intelectualidade que defende o brega-popularesco se articula como o antigo IPES (o Instituto Millenium dos anos 60), embora seus propósitos soem como um arremedo um tanto caricato dos CPCs da UNE.

E se o IPES tinha seus documentários de cunho ideológico, a intelectualidade pró-brega também conta com seus filmes, ora biografias dramatizadas, ora documentários, também de claro cunho ideológico. O propósito de reciclar o mercadão brega-popularesco sob vernizes mais nobres é bem claro.

Só que perde-se tempo produzindo filmes de ídolos recentes, como Zezé di Camargo & Luciano, Frank Aguiar e Banda Calypso - ou, no âmbito do documentário, os ídolos do "funk carioca" e do tecnobrega - , que podem ter até um tempo de carreira, mas insuficiente para justificar a adaptação de suas carreiras em filmes. Vá lá que se produza um filme sobre Waldick Soriano, mas do jeito que a coisa está ainda teremos um longa-metragem sobre Michel Teló antes da Copa de 2014.

Por outro lado, grandes valores de nossa cultura continuam esquecidos. Nomes como a cantora Sílvia Telles, o versátil Dom Rossé Cavaca - que era humorista, jornalista esportivo, músico, ator e foi pioneiro nas "pegadinhas" da TV, num tempo em que a inteligência sobressaía a qualquer vulgaridade - ou mesmo nomes como Rodrigo de Melo Franco, o fundador do IPHAN, seu primo Afonso Arinos de Melo Franco, que criou a lei contra o racismo, ou então o geógrafo Milton Santos. Nada de biografias, ou quando há algum documentário, é muito pouco divulgado.

E o que dizer dos irmãos Cazarré, Older e Olney - este o famoso dublador brasileiro do Pica-Pau (Woody Woodpecker) e que fez o papel de torcedor de futebol na Escolinha do Professor Raimundo - , de tão grandes contribuições para o cinema e TV brasileiros? E as sumidas e belíssimas Regina Salles do Amaral, do seriado infantil Angelika (1959-1960), da TV Tupi, e Luísa Maranhão, que participou em filmes como Barravento, A Grande Feira e O Assalto ao Trem Pagador, poderiam ter uma cinebiografia.

No entanto, o cinema brasileiro sucumbe ao comercialismo fácil e se limita a ser uma extensão da mesmice midiática. É mais fácil um filme comercial norte-americano transmitir alguma visão crítica do mundo do que um filme aparentemente cult no Brasil.

Dessa forma, nossa cultura não se evolui, as gerações mais recentes continuam privadas de conhecer nossa memória cultural e quem sempre lucrou com os "sucessos populares" do rádio e TV continuam sempre faturando alto.

BARÕES DA MÍDIA NÃO GOSTAM DE RÁDIO AM


Por Alexandre Figueiredo

Ultimamente, ocorre um silencioso processo de "queima de arquivo" da historiografia radiofônica, com a decadência forçada e lenta do rádio AM, que há quase cem anos realizou sua história nem sempre com virtudes, mas que em outros tempos realizou grandes proezas e inegáveis progressos e virtudes.

Nos últimos tempos, o rádio AM se "proletarizou", enquanto todo o dinheiro se concentrava, de forma honesta ou desonesta, no rádio FM, mais barato porém com sérias limitações técnicas em relação ao AM.

Sabe-se que o rádio AM tinha um poder de irradiação enorme, que, dependendo da potência, poderia alcançar até mesmo áreas distantes. E o mito de que o rádio AM tem som ruim só se deve a emissoras com baixa potência, porque com alta potência e um bom investimento o som poderia se aproximar, tranquilamente, do rádio FM.

SEMPRE A VEJA

Em 27 de junho de 1984, a revista Veja, já na sua fase reacionária e sensacionalista, havia feito uma reportagem intitulada "Revolução das FMs", em que, através de uma entrevista com um dos chefões da mídia paulistana, pregava a extinção do rádio AM, transferindo o seu nicho de programação para a Frequência Modulada. É o que se chama de "Aemização do rádio FM".

A fórmula caça-níqueis visava favorecer a concentração de poder daqueles que poderiam tranquilamente migrar do AM para o FM, que eram poucos. E abriu caminho para que a política de concessões de rádio FM do presidente José Sarney e seu ministro Antônio Carlos Magalhães, em 1986 e 1987, ao presentear FMs para compadres políticos e empresariais, permitiu que estes, sem qualquer intimidade com o rádio, fizesse da Frequência Modulada uma caricatura grosseira das AMs populares.

Isso criou uma "febre" de "programas de locutor" e "jornadas esportivas" que prometiam "informação e prestação de serviço" mas entendiavam os ouvintes, a não ser aqueles desinformados e vulneráveis à manipulação midiática. E criou um desequilíbrio no rádio como um todo, melando com as já penosas tentativas de segmentação radiofônica, em que as FMs ficariam com a diversificação musical e as AMs com esportes, jornalismo e variedades.

SEGMENTAÇÃO EMPASTELADA

A Aemização das FMs deixou o rádio AM à margem e nivelou a Frequência Modulada por baixo. As rádios segmentadas foram primeiro empasteladas, transformadas em caricaturas. Assim, rádios tidas como "sofisticadas" trocaram, aos poucos, o antigo repertório de jazz, blues, soft rock e MPB pelo monocórdico hit-parade de sempre, o que acabou resultando no retorno daquele formato asséptico de rádios musicais com seus locutores monótonos, chamados pejorativamente de "leitores de bula".

Essas rádios, definidas "de pop adulto", já são jocosamente chamadas de "gagá contemporâneo", de tão patéticas que chegam a ser, tocando um pop qualquer nota em que qualquer nome estrangeiro que gravar uma música lenta é imediatamente tocado numa rádio do tipo, podendo ser até aquela horrenda armação empurrada pela indústria fonográfica dos EUA.

As rádios de rock, nem se fala. Aquela conduta transformadora de rádios realmente roqueiras, comandadas por radialistas realmente roqueiros, foram invadidas por locutores pop sem qualquer intimidade com o gênero, na verdade aspirantes a radialistas de FMs de sucessos populares que foram prejudicados pelo excesso de demanda.

Desse modo, o radialismo rock dos anos 80 perdia terreno pelo marketing de rádios canastronas que forçavam a barra na pose "roqueira", confundindo rebeldia com pavio-curto, ousadia com arrogância, enquanto o repertório tocado reduzia em qualidade, restrito apenas a sucessos manjados e acessíveis de rock autêntico e bandinhas de pseudo-rock domesticado (chamadas jocosamente de "popiróque") e de rock-farofa em geral (inclusive poser metal).

Isso mudou o foco do jabaculê, prática de corrupção ocorrida nos bastidores das FMs, mas tudo isso virou fichinha quando, com a Aemização das FMs, o futebol e mesmo o noticiário, tidos como "imunes" à prática jabazeira, passaram a ser envolvidos em esquemas de jabaculê piores do que aqueles que envolviam música. Com uma "vantagem": não tinha ECAD para repartir a "fatia do bolo".

O JABACULÊ MUDOU DE FOCO

A pressão da Aemização das FMs se fortaleceu desde os anos 90, mas em 2000 tornou-se mais organizada com as redes comandadas por grupos dominantes, como as Organizações Globo, o Grupo Bandeirantes, a Rede Transamérica (de propriedade de um banqueiro, Aloísio Faria) e outros.

Em 2002, um dos casos de jabaculê envolvendo futebol e rádio FM - corrupção que é pouco falada, mas que ninguém tem coragem de desmentir - foi uma grande soma financeira que Aloísio Faria recebeu do amigo Ricardo Teixeira, em gratidão à cobertura que a rádio daria pouco depois da "lamacenta" Copa do Mundo de 2002.

Na melhor das hipóteses, o jabaculê "esportivo" nas FMs resultava à prática "modesta" de subornar sindicatos de taxistas, porteiros de prédios, donos de botequins, frentistas de postos de gasolina, para sintonizá-las sobretudo durante jornadas esportivas.

Essa "audiência de aluguel" era feita quando tais FMs não conseguem grande audiência e tentam apelar até para a poluição sonora, mesmo tarde da noite, para forçar o aumento de audiência. Em certos casos, os produtores dessas FMs oferecem pagamento de contas de energia elétrica e de fornecimento de bebidas para os donos de botequins ou abatimento publicitário para estabelecimentos comerciais que sintonizassem uma tal emissora durante a transmissão de partidas de futebol.

Tudo isso faz o antigo jabaculê, aquele que envolvia só música, uma brincadeira de criança. Pior: o dinheiro envolvido chega a ser bem maior do que o jabaculê musical, chegando a servir de "caixa dois" dos dirigentes esportivos.

Uma denúncia desse porte, em Salvador, em dezembro de 2008, fez com que o ex-prefeito de Salvador e dublê de radialista Mário Kertèsz, dono da Rádio Metrópole FM, quase morresse de enfarte, uma reação que diz muito ao impacto causado pela corrupção descoberta, depois de anos confiando na impunidade.

AUDIÊNCIA REAGE, DESLIGANDO O RÁDIO

A queda de audiência das "FMs com roupagem de AM", embora não sensibilize os chefões do rádio brasileiro, é um fato que não pode ser menosprezado. Rádios que se supunha poderem ser campeãs de Ibope, com um formato "popular", não conseguem ir além da segunda metade do total de rádios mais ouvidas. Por exemplo, de um grupo de 15 FMs, uma FM "Aemizada" nunca chega acima do nono lugar. De um grupo de 32 FMs, chegar aos 16 já é uma façanha.

É sintomático, por exemplo, o caso da Band News Fluminense FM, que hoje ocupa a frequência da antiga rádio de rock Fluminense FM. A emissora, mesmo com a grife do Grupo Bandeirantes, não consegue superar um índice de audiência comparável ao que a Fluminense FM, numa fase mais decadente (1991-1994), teve, com uma humilhante média de 4 mil ouvintes por minuto, com o único pico de 15 mil ouvintes/minuto com o programa de Ricardo Boechat.

O Grupo Bandeirantes, que insiste na "Aemização" das FMs acreditando que o jornalismo está acima da sociedade (seu alarde sobre o "poder jornalístico" andou sendo abalado por episódios recentes com profissionais de suas rádios e TVs), agora aposta no Bradesco Sports FM, o antigo projeto Band Sports FM feito em parceria com o banco Bradesco.

Será mais uma rádio a viver longos anos com "traço" de audiência, de vez em quando "mascarados" pelos "ouvintes de aluguel" situados em táxis, bancas de jornais, guaritas de condomínios e, sobretudo, bares.

Tudo isso num contexto em que as pessoas têm muito o que fazer do que ficar ouvindo debates esportivos pedantes e noticiários tendenciosos. Os tempos mudam e, se o rádio AM está decadente e condenado à extinção, a decadência do rádio FM torna-se ainda mais acelerada.

A história do rádio é jogada no lixo, sem as rádios que, até os anos 80, eram referência para o país, e sem as AMs que ainda sobrevivem no vermelho. A dupla transmissão AM/FM de algumas redes não ajuda, a não ser no superfaturamento de seus donos, que com cada dupla de emissoras faturam duas vezes por um só trabalho, o que é ilegal.

Mas, para uma grande mídia que acha natural a revista Veja - que apoiou tanto a "Aemização" das FMs - negocie com bandidos as pautas de certas notícias, usar uma FM para repetir o mesmo trabalho de uma AM numa mesma região é muito, muito normal. Rupert Murdoch faz escola.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

CÓDIGO FLORESTAL: GOVERNO DIZ QUE VETOS PROTEGEM PEQUENOS PRODUTORES


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O destaque do dia de hoje foi o veto feito pela presidenta Dilma Rousseff em vários pontos do Código Florestal que amenizavam as punições aos desmatadores. A medida, além disso, atingiu também artigos que só atendiam ao interesse dos grandes proprietários rurais, em prejuízo aos pequenos produtores.

Código Florestal: governo diz que vetos protegem pequenos produtores

Por Márcia Xavier - Portal Vermelho

A proposta do governo federal para o novo Código Florestal é “recompor o texto do Senado, preservar acordos e respeitar o Congresso", anunciou a ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira, na entrevista coletiva, na tarde desta sexta-feira (25), sobre os vetos que foram feitos na matéria aprovada pelo Congresso Nacional.

"O veto é parcial em respeito ao Congresso Nacional, a democracia e ao diálogo com a sociedade, para evitar insegurança jurídica e por questões de inconstitucionalidade; não permitir a proteção aos desmatadores e nem estimular o desmatamento e nada que impeça a restauração ambiental. Para que todos possam fazer a recomposição ambiental sem que ninguém seja anistiado. São essas as razões que justificavam vetos, inclusões e reduções. O que vai ser apresentado ao Congresso Nacional”, explicou a ministra.

Ela enfatizou, assim como o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, que as decisões do governo federal ao apresentar veto parcial era de proteção aos pequenos produtores rurais. Por isso, criava regras diferenciadas para quem possui até quatro módulos rurais, que representam 90% das propriedades rurais e 24% da área plantada. Todo o resto está reservado para médias e grandes, que ocupam 76% da área de agricultura.

Para os ministros, eles usaram os critérios da área de justiça tributária, de quem ganha mais paga mais, quem tem mais área recompõe mais. Pepe Vargas disse que, com isso, se estabelece o princípio de justiça ripária (que habita a margem de um curso de água), garantindo inclusão social e produtiva.

O governo vai editar uma Medida Provisória (MP), na próxima segunda-feira (28)para regulamentar os pontos que foram vetados pela presidente Dilma Rousseff. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, o primeiro a falara, disse que “foram 12 vetos e 32 modificações, das quais 14 recuperam o texto do Senado, cinco correspondem a dispositivos novos e 13 são ajustes ou adequações de conteúdo".

Novos debates

O ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, disse que novos debates acontecerão e produziremos o documento que a sociedade espera, fazendo referência à proposta do governo que será encaminhada ao Congresso Nacional. E destacou o que foi dito ao longo dos debates: “Esse) Não é o código nem dos ambientalistas e nem dos ruralistas, é dos que tem bom senso, que sabe que o Brasil pode produzir com respeito ao meio ambiente”.

Eu sou Minsitro da Agricultura de um país que mais produz e exporta alimentos no mundo e tenho orgulho de ter a legislação ambiental que vai garantir mais segurança ao produtor, clareza de que pode produzir alimentos para o Brasil e para o mundo e produzir guardando o meio ambiente”.

A ministra tentou acalmar os jornalistas, avisando que as informações contidas nos slides apresentados seriam distribuídos. “Vocês vão receber, calma, vocês vão receber, ao final da coletiva”, disse a ministra ao anunciar, com rapidez, os dados.

TURÍBIO SANTOS E UMA AMOSTRA DO VERDADEIRO PRECONCEITO


Por Alexandre Figueiredo

Quem realmente é vítima de preconceito? É muito fácil dizer que qualquer rejeição, mesmo aquela justificada com bases de raciocínio precisas, é "preconceito" apenas porque vai contra o "estabelecido".

Mas a aceitação tem muito mais de preconceituosa, porque é feita sem qualquer verificação ou análise, e vemos que, enquanto a esperteza dos ídolos brega-popularescos usa o rótulo de "vítimas de preconceito" para expandir seu mercado, invadindo redutos mais apropriados para a MPB autêntica e de qualidade, são justamente os músicos da mais autêntica MPB, que primam pela qualidade artística, as verdadeiras vítimas de preconceito no nosso país, sobretudo dos mais jovens.

Um caso ilustrativo envolve o músico Turíbio Santos, um dos mais talentosos de nosso país, discípulo de Heitor Villa-Lobos e violonista habilidoso e inspirado. Ele tornou-se vítima de preconceito por gente que se gaba em ser "sem preconceitos".

Isso ocorreu quando eu tentei sugerir, como teste, o nome dele para ser apreciado pelos internautas que trocam mensagens no Orkut, um dos portais de redes sociais da Internet. Foi há seis anos atrás, mas serve de lição para hoje.

Uma "patricinha" se dizia solitária, dessas "encalhadas" no amor, numa mensagem lacônica dessas pessoas que escrevem pouco e em internetês. Vi no perfil dela, por curiosidade, que ela, de 19 anos na época, colocou como gosto musical gangsta rap e "funk carioca".

Aí eu disse que o gosto musical foi a razão dela estar sozinha e que, se ela curtisse música brasileira autêntica - só por provocação, eu citei um músico bem sofisticado, o violonista Turíbio Santos - ela teria mais sorte no amor.

Aí houve reações de muita ironia e hipocrisia. Os internautas, provavelmente sem conhecer uma nota sequer da música de Turíbio, o definiram como um chato. Houve até um internauta que, pela foto, parece um desses playboys com olhar de tarado, que, reagindo ao meu comentário de que "funk carioca" não é coisa de inteligente, falou algo como "não entendo porque você diz que o 'funk' não é música de gente inteligente".

E teve gente defendendo o gosto musical dela, a pretexto da "liberdade de gosto" e outras desculpas falsamente libertárias. Criou-se um clima de saia justa. Diante de tanta confusão, o moderador da comunidade fez por bem eliminar o tópico lançado pela tal patricinha funqueira.

O que foi parar uma funqueira e seus defensores numa comunidade dedicada a uma das principais capitais do Sul do país, não dá para entender. Salvo honrosas exceções, o Sul pode ter se imbecilizado - todo o país ficou assim - , mas não imaginava que chegasse a esse ponto.

"MANIFESTANTE" NA FRANÇA, "VÂNDALO" NO BRASIL: É O CONSERVADORISMO MATREIRO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Quem acompanhou a cobertura da greve dos metroviários e ferroviários da capital paulista, achou que o protesto que houve sobretudo na estação Corinthians-Itaquera era uma "desordem" devidamente reprimida pela polícia. Mas sabe-se que a política de transportes do governo paulista (Estado) e paulistano (prefeitura da capital) é um horror, baseado no modelo "curitibano" de mobilidade urbana lá dos idos da ditadura militar.  E que ainda é empurrado goela abaixo aos brasileiros como se fosse "ultramoderno"...

“Manifestante” na França, “Vândalo” no Brasil: é o conservadorismo matreiro

Por Rodrigo Vianna - Blogue Escrevinhador

Durante essa semana, ouvi os maiores absurdos sobre a greve dos metroviários e ferroviários de São Paulo. Claro que ninguém gosta de chegar à estação e encontrar os trens parados. Claro que o bom jornalismo precisa mostrar as dificuldades que uma greve desse tipo gera para os cidadãos. Tudo isso está ok.

Mas o grau de conservadorismo embutido nas coberturas da chamda grande mídia é algo assustador. Já não sei se a cobertura reflete o conservadorismo de certo público, ou se é o contrário. Na internet, li comentários absurdos: “a culpa é do molusco de nove dedos”, ou “sindicalista pra mim devia morrer”. Essas pessoas existem, não são ficção. Nas ruas, também ouvi coisas parecidas, mas sem a mesma agressividade que a internet costuma estimular…

Quase não se discutiu – na cobertura midiática – a situação lamentável dos transportes na maior metrópole sul-americana. Uma greve como essa não seria gancho para um debate sério? Seria…  Mas é esperar demais desse jornalismo trôpego…

Em parte, a cobertura midiática que criminaliza sindicalistas e grevistas (aliás, vale ressaltar que os sindicatos que comandaram a greve em São Paulo não são cutistas, não tem ligação com Lula nem o PT, por isso esse discurso de culpar “petistas” é, além de tudo, obtuso) alimenta-se de um conservadorismo tosco, que costuma enxergar ”conflito” como “desordem”. Conflito não é visto como sintoma de que algo não vai bem. Conflito não é visto como um momento de inovação criativa. Conflito é baderna. Greve é baderna.

Mas há um outro conservadorismo, mais sofisticado, a alimentar essas coberturas. E o cartaz que reproduzo acima reflete exatamente isso. Qualquer cidadão medianamente informado sabe que a História da Humanidade se fez – e ainda se faz- a partir das contradições e dos interesses conflitantes. O moderno Estado liberal, por exemplo, é filho de uma Revolução sangrenta, ocorrida na França, em 1789. Nossa imprensa, duzentos anos atrasada, talves visse Danton e Robespierre como “baderneiros” e “vândalos”…

Claro, não quero comparar grevista de transporte em São Paulo com jacobino francês… Mas não é preciso ir tão longe… 

O jornalismo conservador trata manifestantes franceses por esse nome: “manifestantes”. É só no Brasil que manifestante vira “vândalo”. Conservadorismo matreiro, que por vezes se traveste de “moderno”, se recicla, mas está sempre lá – a frear as mudanças, transformando qualquer ameaça de rompimento em reforma tênue e limitada, evitando os “arroubos”, os “exageros”, os “radicalismos”.

Dia desses, o Igor Felippe escreveu aqui um belo artigo, lembrando exatamente essa tradição brasileira – tão bem estudada por Florestan Fernandes: a cooptação que esvazia conflitos, que finge dissolver as diferenças.

Ontem mesmo, assistia eu a uma sessão da CPI do Trabalho Escravo, pela TV, quando vi dois deputados ruralistas esbravejando contra os “exageros” embutidos nessa campanha pela erradicação do trabalho escravo no Brasil. “Veja, agora querem que toda fazenda tenha pelo menos um banheiro pra 40 pessoas! Se isso for trabalho escravo, aqui na Câmara mesmo somos escravos, falta banheiro pros deputados”.

É uma cara de pau sem fim. E o sujeito (deputado do PMDB-SC) dizia isso ressaltando que “respeita muito” o Ivan Valente (PSOL-SP) – deputado que cobrava mais ações contra o trabalho escravo. Respeita, mas acha que é preciso encontrar um “equilíbrio”. Equilibrio entre escravo e dono do escravo? Esse é o Brasilsão de meu Deus…

Quem tem o desplante de não se ajeitar na grande conciliação, é tratado como “vândalo”, “radical”. E expelido, feito um caroço de jabuticaba.

É um tipo de mentalidade fortíssima na sociedade brasileira, e que tem defensores de alto a baixo. Conservadorismo matreiro. Eu poderia escrever muito mais , mas nem precisa: o cartaz lá em cima já diz tudo.

Nota: recebi a imagem reproduzida acima pelo facebook; já não lembro mais quem mandou, peço desculpas por não citar o autor da didática montagem. Se ele aparecer por aqui, darei o devido crédito…

O CIRCO DOS HORRORES DA TV BRASILEIRA

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O humorismo que aposta na ridicularização do ser humano ainda é um fenômeno na TV brasileira, mas seus excessos alertam para a gravidade das baixarias que programas desse tipo fazem, até mesmo contra atrizes experientes como a veterana Laura Cardoso.

O circo dos horrores na TV brasileira

Por Leila Cordeiro - Portal Direto da Redação

É cada vez maior o número de telespectadores, e até de profissionais de TV, abismados com tantas baixarias, desmandos e irresponsabilidades observados em alguns programas da televisão aberta que nos fazem pensar que qualquer código de ética que pudesse existir já foi para o espaço há muito tempo.

Em julho de 2010, a veterana e premiada atriz Laura Cardoso foi alvo de uma das maiores humilhações de sua vida sem nenhuma explicação. Laura saía do lançamento de um livro num shopping em São Paulo, quando uma pretensa humorista do programa Pânico a abordou pedindo uma “entrevista”.

Muito educada e simpática, a atriz aceitou conversar, mas jornalistas que estavam próximos a ela correram para avisá-la sobre as más intenções da “falsa repórter” que queria, na verdade, “arrotar” em seu rosto. Boquiaberta, Laura ficou perplexa com aquele absurdo e perguntou a uma amiga, quase sem acreditar naquilo:

-Mas o que foi que eu fiz para ela querer fazer isso comigo?

Quanta inocência da Laura, não? Ela que na época tinha 82 anos, e mais de 50 como respeitada atriz, disse depois que jamais poderia imaginar que num outro canal do mesmo veículo onde trabalhou em produções tão bem feitas e memoráveis, poderia haver algo tão repugnante no ar como essa coisa de “arrotar” sem mais nem menos no rosto das pessoas.

Diante disso, a tal “mulher arroto” acabou “aposentada” pelo próprio Pânico que, apesar da irreverência muitas vezes fora de controle, decidiu tirar a inconveniente personagem do ar. E nunca mais se soube dessa moça, que se prestou a esse papelão.

Por esses dias recebi pela internet um texto de Wagner Moura, também queixando-se de ter sido vítima de uma brincadeira de muito mau gosto do mesmo Pânico, cujos integrantes o cercaram para dar uma entrevista no meio da rua, na saída de uma premiação em São Paulo, e esfregaram gel em sua cabeça. Wagner demonstrou toda sua indignação ao escrever:

“Entrei num taxi. No caminho pra casa , eu pensava no fundo do poço em que chegamos. Meu Deus, será que alguém realmente acha que jogar meleca nos outros é engraçado? Qual será o próximo passo? Tacar cocô nas pessoas? Atingir os incautos com pedaços de pau para o deleite sorridente do telespectador? Compartilho minha indignação porque sei que ela diz respeito a muitos; pessoas públicas ou anônimas, que não compactuam com esse circo de horrores. Estamos nos bestializando, nos idiotizando. O que vai na cabeça de um sujeito que tem como profissão jogar meleca nos outros? É a espetacularização da babaquice. Amigos, a mediocridade é amiga da barbárie! E a coisa tá feia.

O caso aconteceu em 2008 e alguns críticos estão especulando que ele poderia ter voltado à tona, pelas mãos de concorrentes, para desestabilizar a audiência do Pânico que mudou da Rede TV para a Bandeirantes, alavancando seus números no domingo. E é aí que mora o problema. Como um programa desse nível consegue ganhar tantos pontos na preferência do público?

O lixo está aí, indiscutível, mas não podemos deixar de analisar que se ele está com boa audiência é que tem gente assistindo e pelo visto, muita gente. Será que é disso que o povão mais gosta, a ridicularização do ser humano, o escracho, a bobagem explícita?

Essa é uma pergunta que deixo para os sociólogos de plantão: como um programa do nível desse Pânico, fazendo o que faz há tantos anos, consegue ser aplaudido por alguns setores da mídia e atrair um certo tipo de público que acha tudo muito engraçado e criativo?

Talvez, se lá em 2008, o ator Wagner Moura, premiado pela APCA, por sua atuação como Capitão Nascimento, em Tropa de Elite, tivesse levado a ficção a sério, não teria sido vítima de falsos repórteres cujo foco não é a a informação, mas a ridicularização e o constrangimento do ser humano...

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O "JORNALISMO" SEM LEI E SUAS MATIZES


Por Alexandre Figueiredo

O jornalismo não está acima da sociedade, mas a serviço dela. Durante muito tempo, porém, as duas ideias, naturalmente opostas, eram confundidas por um discurso corporativista que, anos atrás, deslumbrava a muitos.

Era uma época em que o cidadão comum não precisava pensar, mas pautar sua vida dentro da linha editorial de seu veículo midiático preferido. Os jornalistas eram envoltos numa mística heróica que os fazia imunes a qualquer escândalo. Bastava ter visibilidade, exercer diariamente algo parecido com jornalismo e, pronto, virava o "salvador da humanidade".

Hoje, porém, os tempos mudam, e até mesmo o Grupo Bandeirantes de Comunicação, que costumava levantar a bandeira do "bom jornalismo", como se através desse ofício se realizasse a Revolução Francesa no Brasil, andou sofrendo fortíssimos abalos. O caso de Bóris Casoy contra os lixeiros, o CQC e seu então integrante Rafinha Bastos, e, agora, o caso do Brasil Urgente, mostram o quanto a mística jornalística da empresa dos Saad anda muito arranhada.

O Brasil Urgente mostrou um erro recente em que a repórter Mirella Cunha insistia numa acusação não confirmada de estupro de um jovem assaltante detido. O rapaz alegava inocência desta acusação, mas a repórter se julgou acima do poder policial e insistiu na tese. Transmitida em rede nacional, a notícia repercutiu negativamente em todo o país.

E isso ocorre em contextos variados de decadência midiática. No âmbito estadual, a Bahia viveu muitos anos de "jornalismo sem lei", sobretudo pelo populismo rasteiro de Raimundo Varela e pela canastrice pedante de Mário Kertèsz, filhote político de Antônio Carlos Magalhães.

Este, juntamente com Marcos Medrado (o político "pedetista" que vota com os latifundiários), determinavam as regras e os padrões de radialismo baiano, marcado pela politicagem extrema, pelo noticiário tendencioso e pela degradação cultural mais abjeta. E hoje vemos o começo do fim deste túnel, com a Secretaria de Comunicação da Bahia apenas começando a limpar as sujeiras deixadas pela incompetente grande mídia baiana.

No âmbito empresarial, a gafe do Brasil Urgente derruba aquela aura messiânica do jornalismo da Band, ensinando que o jornalista é um ser humano, não um herói a usar a informação como bandeira de salvação da humanidade.

Já no âmbito nacional, a referida gafe se insere num contexto em que outra famosa praticante de gafes imperdoáveis, a revista Veja, está no seu ponto de xeque, com seu jornalista Policarpo Jr. acusado de envolvimento com acordos criminosos junto à quadrilha de Carlinhos Cachoeira.

Portanto, são escândalos que levam a pensar, e muito, sobre os abusos da grande mídia brasileira. E o quanto o jornalismo não pode estar acima da sociedade, mas a serviço dela, e que toda a mitologia em torno do jornalismo só permite que abusos sejam feitos impunemente, a pretexto de que um jornalista é um "herói" e não um ser humano.

E a sociedade já perdeu muito com essa mitologia que acoberta os erros.

JORNALISTAS NA CPMI, POR QUE NÃO?


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Muito estranha a grande mídia. Ela não vê ilegalidade em um jornalista de uma revista de circulação nacional negociar pautas jornalísticas com bandidos. Mas acha ilegal que este mesmo jornalista e seu patrão maior, ou qualquer similar, sejam convocados para depor numa CPI, mesmo para prestar informações. Quem deve, teme.

Jornalistas na CPMI, por que não?

Por Venício Artur de Lima - Observatório da Imprensa

A possibilidade de convocação de jornalistas e/ou empresários de mídia para depor na CPMI do Cachoeira provocou uma unânime reação contrária da grande mídia brasileira. O argumento principal é de que jornalistas e/ou empresários de mídia não poderiam se submeter ao constrangimento de serem questionados publicamente por deputados e senadores. Afinal, políticos constituem alvo permanente do “jornalismo investigativo”. E, claro, a convocação representaria uma perigosa ameaça às liberdades de expressão e da imprensa.

Da relação inicial de pessoas convocadas a depor na CPMI, aprovada na reunião do dia 17 de maio, não constam jornalistas nem empresários de mídia.

Há relatos de que ações de bastidores foram realizadas por altos executivos dos grupos Globo e Abril junto a partidos políticos e parlamentares, inclusive com ameaças de retaliação política, caso fossem convocados os suspeitos de relações promíscuas com o esquema criminoso. Dois dos principais grupos de mídia brasileiros considerariam inaceitável a convocação de jornalistas e/ou empresários – independente das comprometedoras conversas telefônicas já conhecidas – entendida como “um precedente perigoso para o futuro” e “uma verdadeira humilhação para toda a classe” (ver aqui).

Estarão corretos os argumentos e será que os temores alegados se justificam?

Última Hora e TV Globo

Em países de tradição democrática consolidada, a convocação de jornalistas e/ou empresários de mídia para esclarecer suspeitas relativas a atividades empresariais e ao exercício profissional, em comissões no parlamento e em inquéritos policiais, não só tem sido feita como não é considerada constrangimento ou ameaça. Ao contrário, a convocação é entendida como servindo ao interesse público e à democracia e é aplaudida, inclusive, pela mídia tradicional.

O melhor exemplo disso é o que está acontecendo na Inglaterra em relação à investigação do grupo News Corporation, tanto na Câmara dos Comuns, quanto no Inquérito Levinson (ver “As diferenças entre Brasil e Inglaterra”).

Aqui mesmo na Terra de Santa Cruz, ao contrário do que alega a grande mídia, há pelo menos dois precedentes importantes: a CPI da Última Hora, em 1953 e a CPI Globo x Time-Life, em 1966.

Na CPI da Última Hora, sugerida ao presidente Getúlio Vargas pelo próprio Samuel Wainer com o objetivo de investigar as operações de crédito realizadas entre o Grupo Wainer e o Banco do Brasil, foram convocados os jornalistas Samuel Wainer e Carlos Lacerda, que prestaram dois depoimentos transformados, respectivamente, nas publicações Livro branco contra a imprensa amarela e Preto e branco (ver aqui).

Na CPI Globo x Time-Life, criada “para apurar os fatos relacionados com a organização Rádio e TV e jornal O Globo com as empresas estrangeiras dirigentes das revistas Time e Life”, foram convocados, dentre outros, Rubens Amaral, ex-diretor geral da TV Globo; Joseph Wallach, assessor técnico de grupo Time-Life junto a TV Globo; Robert Stone, correspondente do grupo Time-Life no Brasil; Walter Clark, diretor-geral da TV Globo; João Calmon, dos Diários Associados e presidente da Abert; e o diretor presidente da TV Globo, “doutor” Roberto Marinho, que além de prestar depoimento por duas horas ininterruptas, submeteu-se ainda a longuíssimo questionamento (cf. Projeto de Resolução nº 190 de 1966 [Relatório Final], publicado no Diário do Congresso Nacional I, Suplemento B, em 12/1/1967, pp. 1-79; ver ainda, neste Observatório, “Para ver a TV Globo”).

Interesse público e democracia

É verdade que lá se vão várias décadas, as circunstâncias políticas, a composição da Câmara dos Deputados, a identidade doutrinária dos partidos e as motivações eram outras. De qualquer maneira, não se justifica o argumento do “precedente” alegado pelos executivos da grande mídia: no passado, o Congresso Nacional convocou e tomou depoimentos de jornalistas e empresários de mídia em Comissões Parlamentares de Inquérito.

Quando se trata de esclarecer práticas, identificar autores e propor medidas de proteção para salvaguardar o interesse público e a democracia, os únicos critérios que devem prevalecer para a convocação ou não de qualquer cidadão para depor em uma CPI são a existência fundada de suspeitas de atividades criminosas.

A observância desses critérios é o que se espera dos membros da CPMI do Cachoeira na medida em que o trabalho avance e que, eventualmente, surjam informações complementares confirmando a necessidade de convocação de jornalistas e/ou de seus patrões. Por que não?

A CULTURA BRASILEIRA NÃO NASCEU EM 1967


Por Alexandre Figueiredo

Lendo os textos da intelectualidade divinizada, aquela que defende a "cultura de massa" como se fosse o "novo folclore multi-hiper-conectado e trans-meta-mundi-brasileiro", sabe-se que, quando ela evoca a MPB autêntica, ela dá prioridade às expressões que se deram depois de 1967.

Já mostramos que Pedro Alexandre Sanches, por exemplo, é discípulo de Francis Fukuyama. E, se Fukuyama elegeu a queda do Muro de Berlim, em 1989, como o marco para sua tese de "fim da história", Sanches elegeu o Festival da Música Popular Brasileira, de 1967, para dar o seu "fim da história" para a MPB.

O próprio Sanches fala na ruptura do "muro de Berlim" que, de acordo com sua abordagem, separa o "popular" do "culto". Mas seus fãs, ingenuamente, imaginam que, depois de cair o muro de Berlim, aparecerá o socialismo trotskista, zapatista e guevariano. Não. Até aqui há uma analogia com Fukuyama. Se, depois de cair o Muro de Berlim, veio o neoliberalismo, na "queda do muro" de Sanches veio também o neoliberalismo na forma do brega-popularesco e da MPB "obediente".

Nota-se nos textos não só de Sanches, mas de outros similares, uma preocupação em abordar a história da MPB apenas a partir de 1967. Ou seja, para esses intelectuais, tidos como "unanimidade" por seus fãs, o nosso rico patrimônio cultural não tem mais de 45 anos de existência.

E o resto? Claro, os intelectuais etnocêntricos, com seu discurso habilidoso, vão arrumar desculpas e dizer que também valorizam a cultura anterior a 1967. Vão até estufar o peito e argumentar que temos mais de 500 anos de cultura. Mas eles sempre deixam claro, de uma forma ou de outra, que a sua "história da MPB" - ou melhor, o "fim da história" - não vai antes de 1967. Vejamos por que:

1) As manifestações artísticas que servem, para esses intelectuais, como ponto de partida para a cultura moderna e presente são aquelas que surgiram no bojo do Tropicalismo ou do ocaso da Jovem Guarda, referências utilizadas por eles.

2) Os artistas ou músicas anteriores a 1967 valorizados por esses intelectuais são aqueles que, pelo menos, gravavam discos nos anos 70 ou, no caso das músicas, eram gravadas por gente surgida no pós-Tropicalismo. Um exemplo: "Brasil Pandeiro", de Assis Valente (1911-1958), original de 1940 gravada em 1972 pelos Novos Baianos.

A intelectualidade, a partir dessa limitação cronológica, estabelece uma "pré-história" da MPB, lembrando que o "fim da história" fukuyamiano reduz a História a uma segunda pré-história. Assim, a "pré-história" da MPB é anterior à indústria do disco, e a "história" fukuyama-sancheana da MPB seria aquela situada entre 1900 (ano de surgimento da indústria fonográfica brasileira, através da carioca Casa Edison) e 1967.

POR QUE A MEMÓRIA CURTA?

O que leva esses intelectuais festejados e badalados a ver a cultura brasileira dessa forma não é difícil entender. Afinal, pensar a cultura para além dos limites retroativos de 1967 significa revelar segredos que comprometam a validade de visões como as de Pedro Alexandre Sanches e Paulo César Araújo, que claramente colocam o mercado em detrimento da sociedade.

Afinal, é dentro dos limites cronológicos dos últimos 45 anos que definem também os limites artísticos tolerados pela "segura" pregação ideológica desses intelectuais. Limites que envolvem, por exemplo, a noção de que as classes populares estão submetidas hoje a uma pretensa cultura imposta pelo rádio, TV e imprensa conservadores e voltada para interesses meramente comerciais.

Dessa forma, o povo pobre deixa de estar associado a um patrimônio cultural rico,  coisa que ficava clara sobretudo no século XIX pontuado de inúmeras rebeliões populares, ou então no período de 1930 a 1964, quando a música das classes pobres - de excelente qualidade, vale frisar - expressava um projeto de país nacionalista e popular.

Com o isolamento cronológico do que havia antes de 1967, oculta-se essa fase do povo pobre, enquanto se cria uma dicotomia entre as excentricidades performáticas pós-tropicalistas e o conservadorismo coitado dos bregas. E só isso cria um elitismo que permite a relação entre a mediocrização cultural dos povos pobres e o assistencialismo paternalista dos intelectuais defensores.

Há uma classe intelectualizada e criativa, cheia de músicos dotados de muita informação cultural, mas obedientes aos mecanismos da cultura de massa, para a qual exercem uma função de reforma, mas nunca de ruptura.

Por outro lado, há uma classe meio ingênua, artisticamente medíocre, que são os bregas, tolerados pela intelectualidade e pelos artistas de classe média e formação universitária, que, condescendentes com a mediocridade dos outros, os apoiam com o intuito, um tanto aproveitador, de promover sua vaidade através do respaldo paternalista.

Usam-se como pretextos a modernidade urbana do Brasil, que "não comporta" mais abordagens "velhas" de cultura popular, ou de perspectivas nacionalistas supostamente superadas.

Falam isso como se o brega não fosse velho, não fosse antiquado nem desenvolvido dentro de uma perspectiva provinciana. Mas o brega é feito com o povo olhando para baixo, do contrário da antiga cultura popular, em que o povo olhava para a frente, de peito erguido.

Mas, com esse exemplo a mais da memória curta, o mercado e seus intelectuais que, sem querer querendo, defendem tão somente as paradas de sucesso, o povo pobre vira refém de sua própria mediocrização cultural. Que, por sua vez, cria um círculo vicioso com o apoio, condescendente e paternalista, de intelectuais e artistas melhor informados.
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