segunda-feira, 30 de abril de 2012

BRIZOLA NETO É O NOVO MINISTRO DO TRABALHO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O titular original do blogue Tijolaço, Brizola Neto, andava ocupado em suas atividades políticas. E ontem mesmo foi confirmada a escolha dele, pela presidenta Dilma Rousseff, para o Ministério do Trabalho, em substituição ao presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, depois de reunião entre estes dois. Afastado do ministério há alguns meses, Lupi havia sido substituído interinamente por Paulo Roberto Pinto, que se prepara para deixar o cargo.

Há um bom tempo o jornalista Fernando Brito conduz o Tijolaço, e certamente continuará seguindo naturalmente.

Brizola Neto é o novo ministro do Trabalho do governo Dilma


Gustavo Gantois, Direto de Brasília - Portal Terra, reproduzido também no Blogue Viomundo

Na véspera do Dia do Trabalhador, a presidente Dilma Rousseff (PT) decidiu anunciar o nome do novo ministro do Trabalho. O deputado federal Brizola Neto (PDT-RJ) vai substituir Paulo Roberto Pinto, que ocupa o cargo há cinco meses como interino. A decisão foi tomada em reunião na manhã desta segunda-feira entre Dilma e o presidente do PDT, o ex-ministro Carlos Lupi.

O anúncio oficial deve ser feito dentro de minutos. O novo ministro, que está em Brasília, foi chamado às pressas ao Palácio do Planalto para ser comunicado da decisão. Brizola Neto disputava a indicação com outros dois nomes. O também deputado Vieira da Cunha (PDT-RS) tinha a preferência interna do partido, mas sofria forte resistência de Dilma e dos ministros palacianos, entre eles Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência. O outro nome, com menos chances, era do secretário-geral do PDT, Manoel Dias.

Dilma foi convencida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a não passar as comemorações do Dia do Trabalhador sem um nome definitivo à frente da pasta que cuida das políticas para o setor. Brizola Neto, 33 anos, é o mais novo ministro da Esplanada dos Ministérios. Filiado ao PDT desde 1997, é neto do ex-governador Leonel Brizola e foi vereador da cidade do Rio de Janeiro antes de ser eleito para o primeiro mandato como deputado federal, em 2006.

AOS 40 ANOS, CLUBE DA ESQUINA ANDA ESQUECIDO


Por Alexandre Figueiredo

Não é difícil traçar paralelos entre o Clube da Esquina e a Bossa Nova, movimentos de música brasileira que apostaram, de fato, na sofisticação artística e musical que não deve ser confundida com pompa e luxo.

Afinal, a beleza não estava na aparência, mas no estado de espírito dos dois movimentos, numa linguagem criativa e numa simplicidade que hoje poucos conseguem compreender.

A foto que ilustra esse tópico mostra o ex-presidente Juscelino Kubitschek, já afastado da vída política por imposição da ditadura militar - cujo golpe JK apoiou de boa-fé, achando que ele abriria caminho para a retomada do poder democrático e civil em 1965, o que não ocorreu - , ao lado dos músicos do Clube da Esquina, Milton Nascimento e os irmãos Márcio e Lô Borges, mais o poeta do movimento, Fernando Brant.

Daí a analogia da Bossa Nova com o Clube da Esquina. A Bossa Nova se ascendeu sob o governo Kubitschek (1956-1961) e tornou-se, meio que por acaso, o símbolo do Brasil da época. E tanto a Bossa Nova quanto o Clube da Esquina eram movimentos que, embora tenham origem na classe média, eram de uma simplicidade que nem os ídolos "humildes" da música brega ou neo-brega, muitos deles meros resmungões, conseguem sequer pensar em ter.

O Clube da Esquina, no entanto, tem um contexto bem diferente do da Bossa Nova, por razões óbvias. A Bossa Nova bebeu nas fontes do jazz e dos standards de Hollywood (aquelas músicas românticas orquestradas, cantadas sobretudo por nomes como Frank Sinatra e Bing Crosby), acrescidas numa leitura peculiar do samba carioca, e viviam numa cidade situada no litoral.

Já o Clube da Esquina vivia, em tese, longe da praia, embora o movimento tenha em parte se reunido em Piratininga, Niterói. Mas sua realidade era mesmo a de Belo Horizonte, longe do mar, numa boemia universitária. E seus valores já eram os dos anos 60: Beatles na sua fase psicodélica, rock progressivo (sobretudo Gentle Giant e Yes), o folk dos Byrds, o cancioneiro rural brasileiro.

E se a Bossa Nova tinha um quê de romântico e falava de relações amorosas, o Clube da Esquina, sem deixar de lado os temas amorosos, dava destaque a temáticas relacionadas à fraternidade e à ecologia. Mas a beleza melódica, em um e outro caso, era a prioridade na sua linguagem musical.

Foi a partir do Clube da Esquina que Milton Nascimento, que fez o país se arrepiar com sua surpreendente qualidade artística no seu primeiro LP de 1967, tornou-se mais popular e conhecido. E gravou muitos clássicos de insuperável beleza para a Música Popular Brasileira.

Outros nomes também integraram o Clube: além de Milton e dos irmãos Borges, havia Flávio Venturini (que havia deixado O Terço para formar o 14-Bis), Beto Guedes, Toninho Horta, entre outros. O movimento integrou a fase áurea da MPB dos anos 70, uma continuidade da fase impactuante lançada nos festivais da canção dos anos 60 e anterior à pasteurização imposta pelas grandes gravadoras, nos anos 80.

O Clube da Esquina teve todo seu fôlego artístico de 1972 a 1987. E conquistou o apoio de cantores fora de Minas Gerais, como a gaúcha Elis Regina. E o Clube da Esquina teve ecos até no Rio de Janeiro, com o Boca Livre (de Zé Renato e do ex-Vímana Fernando Gama) e nos primórdios do Roupa Nova (que gravaram "Pelos Bares da Vida" com Milton Nascimento). Mas até Florianópolis teve grupos influenciados pelo movimento mineiro. Floripa Belzonte, barrigas-verdes que comiam quietos.

O Clube da Esquina usou seu jogo de cintura para evitar a pasteurização musical que, de forma avassaladora, atingiu boa parte da MPB daquela década, não por culpa de seus artistas, mas por imposição de executivos e produtores.

No entanto, os conflitos que os artistas da MPB autêntica tinham com a indústria fonográfica, descontentes aqueles com as imposições de gravar sempre os mesmos discos burocráticos ano após ano, fizeram com que as gravadoras passassem a deixar esses artistas de lado, enquanto aos poucos davam prioridade a ídolos bregas, "lapidando" seus discos com a mesma mixagem de luxo da "MPB burguesa" que causava nojo e tédio aos artistas de MPB.

Com o tempo, a MPB foi marginalizada, uma vez que o poderio das grandes gravadoras deu uma rasteira nos artistas insubordináveis. E aos poucos o brega-popularesco iniciou seu império, às custas de muita ajuda financeira, muito oportunismo, muito tendenciosismo.

Invejados pelos ídolos "sertanejos" dos anos 90, os artistas do Clube da Esquina também foram condenados ao esquecimento público. Cinicamente, a cupidez triunfante dos breganejos de então os fez se apropriarem de alguns sucessos do Clube da Esquina, como "Canção da América" e "Amor de Índio", desviando até mesmo o gosto musical de muitos mineiros que, em vez de ouvir o cancioneiro do Clube da Esquina nas vozes de seus próprios artistas, preferem ouvi-lo nas vozes de breganejos goianos e paranaenses, sem metade da qualidade artística dos originais.

Numa época em que a mediocrização cultural toma todos os espaços imagináveis e inimagináveis, até mesmo Milton Nascimento beirou ao ostracismo poucos anos atrás. Isso sem falar do preconceito que muitos têm em nomes como Lô Borges - hoje visto como uma espécie de Clube da Esquina para nerds (nerds no sentido Vingança dos Nerds/Big Bang Theory do termo) - e Toninho Horta, considerado "mais difícil".

E ver que a poesia humanista do Clube da Esquina deu lugar a horrorosas letras de breganejo é de lamentar. Nem mesmo o parasitismo dos "sertanejos" da geração neo-brega dos anos 90 resolveu o problema. Até porque, para eles, pouco importa se o Clube da Esquina acabou ou não: o que os breganejos querem é levar vantagem para si mesmos.

Seria bom repensarmos o legado do admirável movimento mineiro, cujos artistas continuam aí fazendo música e tendo histórias para contar...

POLICARPO, PERILLO, MERVAL E SUAS TRAPALHADAS

Por Alexandre Figueiredo

A velha grande mídia está apreensiva, sabemos. A CPI do caso Cachoeira avança e há denúncias de envolvimento de conhecidos barões midiáticos com o esquema de Carlinhos Cachoeira. Por outro lado, há de se acrescentar também os fortes indícios de envolvimento do grupo político e a equipe do governador fluminense Sérgio Cabral Filho com o empreiteiro Fernando Cavendish, da Construtora Delta, também conhecida por suas ligações com o bicheiro goiano.

Como as denúncias diversas se tornaram muito evidentes, a mídia agora têm que optar para "livrar-se" do senador Demóstenes Torres, como alguém que, vendo que um anel que tanto gostava anda apertando demais seu dedo, decide jogá-lo fora. Pelo menos seus barões midiáticos estão tranquilos, tal qual seus porta-vozes do noticiário político: Demóstenes já não faz parte do DEM, portanto não vai mais manchar a imagem do partido, segundo o raciocínio dessas agremiações midiáticas.

Gravações divulgadas pela Polícia Federal mostram vários episódios que envolvem gente da grande mídia e do demotucanato. O governador goiano, Marconi Perillo, que acha "um absurdo" as acusações de envolvimento com Carlinhos Cachoeira, aparece, numa gravação, chamando o bicheiro de "liderança" numa mensagem de saudação pelo aniversário deste. Já o jornalista de Veja, Policarpo Júnior, foi citado como um intermediário para a campanha que o grupo de Cachoeira queria fazer contra seus adversários.

A Veja ainda não aparece nos noticiários da grande mídia, que se limita a citar apenas os políticos envolvidos. Mas, nos bastidores da velha mídia, rola um clima de medo, de muito pavor. Principalmente nas redações de Veja. E os comentaristas em geral, como Reinaldo Azevedo da Veja e Merval Pereira de O Globo, agora arrumaram como bode expiatório o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, apenas porque dois homens de seu governo, Cláudio Monteiro e Marcello Lopez, seriam acusados de envolvimento em negociações com Carlinhos Cachoeira, ainda não comprovadas pelo inquérito policial.

Nota-se, tanto nos artigos recentes de Reinaldo quanto de Merval, uma certa irritação e desespero. Afinal, são grandes as chances de convocação para depor na CPI um conhecido empresário da grande mídia, Roberto Civita, amigo dos irmãos Marinho e de Otávio Frias Filho, todos descendentes dos antigos barões midiáticos que orquestraram o golpe de 1964.

Reinaldo parte para cima de Leonardo Attuch, blogueiro do Brasil 247, que divulgou em primeira mão a informação da ligação de Veja com Carlinhos Cachoeira. E, irritado, o "calunista" de Veja ironizou as acusações da blogosfera progressista de que a grande imprensa brasileira seria "sensacionalista", nos seguintes termos: "Se a grande imprensa brasileira quisesse ser sensacionalista, seria a maior — e melhor — imprensa sensacionalista do mundo".

No entanto, Reinaldo jura que a reacionária imprensa brasileira é "generosa, tolerante e paciente". E ainda diz, no seu irritado artigo (nota-se a irritação da primeira à última linha), que a imprensa brasileira é a menos sensacionalista do mundo. E olha que não falamos só no sensacionalismo da "mídia gorda" propriamente dita. A "mídia boazinha" (Band, Record, Isto É) também é afeita a eventuais surtos sensacionalistas.

Já Merval tenta "separar" a amizade e os conchavos políticos, dizendo que as relações de Veja com Carlinhos Cachoeira e seus asseclas nada tinham de "ilícitas" e tentou defender Policarpo Júnior como se fosse um "jornalista transparente". Merval tenta ser "elegante" e "pomposo" em mais um de seus pedantes artigos, mas não deixa de exprimir o mesmo reacionarismo nervoso do irritadiço Reinaldo Azevedo.

No fim, todos mostram um ponto em comum. Sejam os políticos demotucanos, sejam os barões da mídia e seus porta-vozes na imprensa. Eles andam com medo de que encerre um ciclo em que eles detinham o poder absoluto, quando não havia Internet para neutralizar o monopólio ideológico da grande mídia, e quando a tecnocracia política detinha o monopólio decisivo.

Ainda vai rolar muita coisa na CPI do caso Cachoeira. A mídia tenta se mobilizar para evitar a convocação de Roberto Civita. Mas isso representará uma lacuna que favorecerá o poderio da velha mídia, que descansará no seu leito de fera ferida mantendo seu poderio intato. Espera-se que o Congresso Nacional não aceite tais pressões e coloque mesmo o sr. Civita para depor, nem que isso represente a derrubada da "sagrada árvore" do Grupo Abril. Ou pelo menos de sua "folhinha" mais querida, a Veja.

domingo, 29 de abril de 2012

COMO O BRASIL ESTÁ ATRASADO...


Por Alexandre Figueiredo

Parece exagero, mas não é. Para muita gente no Brasil, os anos 60 ainda não chegaram. O episódio recente da paniquete Babi Rossi, durante o programa Pânico na Band (TV Bandeirantes), foi considerado uma "humilhação" até para seus fãs.

Sim, meus amigos, estamos em 2012 e vemos esse comportamento digno do começo da década de 1950, anterior até mesmo ao famoso filme de 1957, Santa Joana, de Otto Preminger, com a saudosa Jean Seberg no papel-título.

Ver que 55 anos se passaram e, no "moderno" Brasil que se gaba estar certo de entrar no Primeiro Mundo em 2014, ainda existem reações dignas do tempo do macartismo, não bastasse a trolagem que se vê nas redes sociais da Internet, é assustador.

Como eu havia comentado quando reproduzi o texto do blogue Maria da Penha Neles, não há mal algum em uma mulher ficar careca ou de cabelo curto. Casos como o de Natalie Portman mostram isso, e existem mulheres que ficam muito charmosas com cabeça raspada ou com corte "joãozinho". Os anos 60 mostraram que isso é possível, sem obrigar as mulheres a deixarem de ser femininas com isso.

Mas o machismo que envolve paniquetes, mulheres-frutas, ex-BBBs etc é um machismo ainda arcaico, de internautas ultra-reacionários que ainda acham que um homem não gostar de mulher-fruta é "gay". E gritam "oia", jocosamente, quando outros homens os chamam de machistas. Pois é, e ainda sou ridicularizado quando digo que dados internautas ainda vivem, na melhor das hipóteses, nos tempos do golpe de 1964.

O machismo quer que as mulheres fiquem sempre de cabelos compridos. Não pensa na diversidade dos penteados, na liberdade de escolha. Os próprios homens, segundo o machismo, não podem ter direito de escolha. Se uma mulher assedia um homem e ele não está a fim dela e não vê nela a menor afinidade, ele poderia muito bem recusá-la. Mas para os machistas, isso seria "covardia" e "atestado de homossexualismo".

É gente arcaica, ainda, que até causa vexame quando ainda fala em valorizar as "boazudas" por causa da tal "liberdade do corpo". Que moral eles têm para se apropriar de um dos termos da Contracultura dos anos 60, se eles praticamente parecem viver nos primórdios do macartismo, aquela onda reacionária do senador norte-americano Joseph MacCarthy e cujos equivalentes brasileiros foram o golpe de 1964 e o AI-5.

Até porque eles seguem o velho machismo de botequim, que talvez tenha sobrevivido pela era do jornal Pasquim e seus intelectuais em boa parte com remanescentes da visão machista da mulher, em que pese a boa receptividade que tiveram com uma personalidade como a atriz Leila Diniz.

Mas nem isso os "modernos" internautas que adoram mulheres-frutas e paniquetes (que são o que há de "mais sofisticado" nas mulheres-objetos brasileiras, algo como a "Victoria's Secret" das "popozudas") têm. Eles são muito mais machistas e mais retrógrados que muito machista e retrógrado dos anos 50. Só estão protegidos pela relativa pouca idade - quando muito, têm no máximo uns 35 anos - e pelo largo uso de Internet que os faz cobras de uso prático na Informática, já tirando de letra um Windows 7.

Mas, ideologicamente, coitados, parece que nem as transformações dos anos 60 chegaram ao conhecimento deles, apesar de falarem em "liberdade do corpo" quando falam em "popozudas", sem saber direito a diferença entre as mulheres-frutas e o Living Theatre (um dos que apostavam realmente na verdadeira liberdade do corpo), só para citar um ícone da Contracultura. Até porque "nossos" internautas, coitados, tão desinformados das coisas (apesar de se gabarem por se acharem o contrário disso), nunca ouviram falar de Living Theatre, nem mesmo através dos relatos de seus pais ou avós.

É constrangedor que se veja como "humilhante" o fato de uma mulher ficar de cabeça raspada. Nos tratamentos de câncer, por exemplo, isso é muito menos humilhante do que ver a doença se agravar sem controle.

Muito desse atraso que vive boa parte da opinião pública no Brasil se deve pela influência da velha grande mídia, que apavora não apenas pelo reacionarismo político de seus comentaristas, mas pela degradação cultural que promoveu de forma intensa a partir dos anos 90. E que produziu neo-machistas que de "neo" estão apenas a condição biológica de suas gerações.

Isso porque esses "modernos" rapazes chegam a ser mais antiquados do que muito antiquado de 55 anos atrás, quando Jean Seberg pode ter passado por controvérsias maiores, mas que pelo contexto de época, eram mais compreensíveis que a desnecessária polêmica com Babi Rossi.

Que venham mais moças carecas e de cabelo curto para diversificar a beleza feminina.

OS "PARCEIROS" DE TIO SAM NAS MANOBRAS CULTURAIS NO BRASIL


Por Alexandre Figueiredo

Discretamente, o capitalismo norte-americano sempre se empenhou em fazer manobras no âmbito da cultura e do entretenimento nos países menos desenvolvidos.

Desde o New Deal do presidente Franklin Roosevelt, há cerca de 70 anos, os EUA tentam enfraquecer culturalmente o Brasil para que a dominação político e econômica do país de Tio Sam seja menos dolorosa e traumática.

Muitos veem nesta constatação uma visão paranoica de quem não entende os "tempos modernos" em que vivemos. Infelizmente, muitas pessoas enxergam a realidade concreta como se ela fosse extensão da realidade virtual, e nesta abordagem inclui sobretudo uma perspectiva "globalizante" que faz muitos aceitarem ver o Brasil se transformar num mero playground do G-7, em soberania, sem cidadania plena e apenas com mais consumismo.

É através dessa abordagem que verdadeiras armadilhas são lançadas sem que muitos despertem qualquer suspeita. E, o que é pior, elas causam deslumbramentos, que fazem com que muita gente desavisada e desprevenida aplauda seus porta-vozes sem esboçar qualquer visão crítica da coisa.

E três figuras aparentemente diferentes parecem caminhar pelo mesmo horizonte ideológico que hoje representa o projeto neoliberal de enfraquecer culturalmente nosso país. Isso enquanto os barões do entretenimento despejam suas fortunas para transformar o hype do cantor breganejo Michel Teló num "fenômeno mundial sem proporções na nossa história".

Essas figuras são o jornalista Rosenthal Calmon Alves, o músico Pablo Capilé e o advogado especializado em Tecnologia da Informação, Ronaldo Lemos. Todos, a princípio, cortejados por setores médios e mais acomodados da chamada opinião pública de esquerda mais mediana.

ROSENTHAL, CAPILÉ E RONALDO

Rosenthal é um jornalista conservador que comanda o projeto Jornalismo nas Américas do Centro Knight em parceria com a Universidade do Texas. O projeto, aparentemente, tem por fim integrar os jornalistas do continente americano e aperfeiçoar a prática profissional da imprensa de todos os seus países.

O Jornalismo nas Américas, que deslumbra a quase todos que nunca ouviram falar no New Deal de Franklin Roosevelt nem na Aliança para o Progresso de John Kennedy, aparentemente aposta numa visão "imparcial", adotada sobretudo por seu presidente. Mas Rosenthal já deixou vazar posições bastante conservadoras, condenando sutilmente o Wikileaks e elogiando entusiasmadamente a blogueira neoliberal Yoani Sanchez.

Pablo Capilé é um músico "performático" mato-grossense que fundou o Coletivo Fora do Eixo, instituição que articula produtores culturais, jornalistas, educadores e ONGs. Aparentemente, o FdE, como é conhecida a sua sigla, pretende organizar e profissionalizar a cultura alternativa no Brasil, mas sua prática deixou bem claro que o "coletivo" apenas quer realimentar o mercado de entretenimento no Brasil.

Esse propósito tornou-se explícito quando vários dos artistas associados - Capilé, Emicida, Criolo, Teatro Mágico, Felipe Cordeiro (Kitsch Pop Cult) - passaram a ser generosamente divulgados pela Folha de São Paulo e pelas Organizações Globo. Até mesmo Caras e Veja dão espaço para eles.

E tem também o guru do Fora do Eixo, o advogado e professor da Fundação Getúlio Vargas, Ronaldo Lemos. Ideólogo do chamado "negócio aberto", ele compartilha das mesmas visões de "novas mídias" de Rosenthal, o que dá aos três citados o mesmo paralelismo ideológico do processo que está por trás desse discurso generoso.

NEO-NEOLIBERALISMO

Todos os três, embora tentem tingir seus discursos com um verniz vanguardista, demonstram ser figuras de ponta de uma visão mais renovada de neoliberalismo, o neo-neoliberalismo. Seus discursos enfatizam as novidades tecnológicas, até de uma forma exagerada, como se elas não fossem as ferramentas e sim os processos por si só de transformação social da humanidade.

Juntando princípios de "integração" profissional dos jornalistas, "flexibilização" dos direitos autorais e "informatização" da cidadania, as três iniciativas - Jornalismo nas Américas, Fora do Eixo e "negócio aberto" - incluem, no entanto, um processo de controle ideológico da Comunicação, a mediocrização cultural e a desregulamentação do mercado cultural, além da concentração do poder das empresas de informática e telecomunicações.

Dá para perceber que o discurso dos três em nenhum momento assusta os barões da grande mídia, que costumam se irritar com o menor beliscão de seus opositores. Se o "maravilhoso" projeto de Rosenthal Calmon Alves, em vez de assustar, ganha a simpatia de gente como Merval Pereira, Demétrio Magnoli, Miriam Leitão e o membro da Opus Dei Carlos Alberto di Franco, é bom desconfiar do "bom cavalheiro" do Centro Knight.

Da mesma forma, Capilé e Lemos também não assustam a grande mídia. O próprio Lemos escreve para o mesmo Estadão de Carlos Alberto di Franco, compartilhando com este as mesmas visões tecnocráticas sobre "novas mídias digitais". E os "fora do eixo" estão cada vez mais dentro da mídia, aparecendo na Rede Globo e nas páginas da Folha, ou entrando até mesmo em Caras. E com direito a desmentir toda essa realidade a olhos vistos nos vários seminários do "coletivo".

SOROS-POSITIVOS

Por trás desses projetos, há a "gorjeta generosa" do especulador financeiro e empresário George Soros. Figura destacada do Fórum Econômico Mundial, que ocorre anualmente em Davos, na Suíça, Soros é um intransigente defensor dos princípios neoliberais e, em 2010, tornou-se conhecido pela sua radical defesa pela vitória do presidenciável José Serra nas eleições daquele ano.

Mas Soros, brincando de ser o "dono do mundo",  tentou cooptar para si os movimentos sociais, juntos a entidades "irmãs" como a Fundação Ford e a Fundação Rockefeller. Todos eles numa perspectiva de "poder brando" de dominar os países emergentes e pobres de forma sutil, sem mais a prática de coerção política nem o patrocínio de golpes e ditaduras, mas de evitar que transformações radicais, que abalem as estruturas de poder, sejam realizadas.

A dominação cultural, nesta perspectiva, não reprime o pensamento crítico de forma direta, mas tenta domesticar algumas iniciativas de transformação e mobilização sociais, fazendo prevalecer o discurso mais "moderado", que não incomoda os detentores do poder econômico internacionais.

Por isso, cria-se uma intelectualidade "soros-positiva", que cumpra a missão determinada pelo "generoso" investidor. Soros é, aliás, mentor original da teoria do "mercado aberto", que por trás de sua "transparente" tese de "flexibilização", esconde todo um processo de subemprego e desqualificação profissional nas áreas da cultura e do entretenimento.

Ou seja, por trás de todas essas iniciativas, teremos jornalistas a escrever bem, mas a raciocinar de forma limitada, conforme o padrão neoliberal de visão de mundo. Teremos uma cultura calcada na mediocridade, onde a vontade dos barões do entretenimento prevalece sobre os artistas (a não ser alguns mais "articulados", podendo ser um Pablo Capilé ou uma Gaby Amarantos, em que pese a mediocridade musical desta).

E tudo isso dando a impressão de uma "grandiosa revolução sócio-cultural", segundo imaginam os incautos. Mas todo esse processo visa apenas reciclar as velhas estruturas de poder, da mídia e do entretenimento, da economia e da cultura, já existentes, quando muito com novos personagens dirigentes, mas sempre com os mesmos velhos princípios agora tingidos de "novos".

sábado, 28 de abril de 2012

TVTRAÇO DA FOLHA AVANÇA NA MADRUGADA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O maçante programa da Folha de São Paulo na TV Cultura, que faz vazar denúncias de que a emissora da Fundação Padre Anchieta esteja se "privatizando", não consegue ter sequer metade do sucesso almejado pelo famigerado periódico paulista. Pelo contrário, o seu fracasso torna-se evidente, e se existe uma reprise do TV Folha na madrugada, é porque foi usado como tapa-buracos para a falta de algum programa decente para ser colocado no decadente canal outrora educativo. Sem falar que a reprise visa reduzir (desnecessariamente) os custos.

TVtraço da Folha avança na madrugada

Por Marco Antonio Araujo - Blogue O Provocador - Reproduzido também no Blog do Miro

Pelo visto, o fracasso subiu à cabeça do pessoal da Folha. Não satisfeitos com o miserável pontinho de audiência que seu programa vem amargando nas noites de domingo, às 20h, eles resolveram passar pelo duplo constrangimento de reprisar o tvfolha à meia-noite do mesmo dia.

Se existe mania de grandeza, isso deve ser complexo de pequenez. A edição da madrugada não chegou a meio ponto no Ibope - deu 0,4 na madrugada desta segunda (23), ou seja, traço. Não vão sossegar enquanto não der Ibope negativo. Será um tipo de autoflagelo, uma punição voluntária por sua histórica prepotência?

Criado com o petulante slogan “O domingo à noite enfim tratado como horário nobre”, em sete edições já é possível afirmar que a atração se trata de um retumbante (e previsível) fracasso.

Esse casamento da Folha com a TV Cultura deveria ser batizado de Projeto Tvtraço. A união da decadência com a arrogância.

Triste fim para uma TV que já foi exemplo de emissora pública. Mas um bom começo para a Folha enfim entender que audiência e bom jornalismo não se conquista com auto-propaganda.

Alguém precisa dizer para aquele pessoal que o programa é chato, se arrasta, é previsível, faz pose de moderno, mas é antigo. E desnecessário. Ao contrário do jornal, nem para embrulhar peixe serve.

CHEIAS DE CHARME: O BREGA COMO SÁTIRA OU COMO COISA SÉRIA?


Por Alexandre Figueiredo

Até que ponto profissionais da velha grande mídia podem concordar ou não com seus procedimentos ou interesses dos executivos de sua empresa, é muito complexo de se dizer.

Afinal, não se pode falar em uma tendência única, pois as situações variam de tal forma, pela sua peculiaridade, que é melhor não traçarmos um padrão de reação para não cairmos em equívocos e erros de interpretação.

Está certo que a novela Cheias de Charme, da Rede Globo de Televisão, segue oficialmente a agenda dos executivos da emissora de trabalhar uma visão estereotipada da nova classe média brasileira. Que, pela vontade do mercado - comandado não só pela grande mídia mas pelo grande empresariado, dos donos do entretenimento regionais até indústrias de bebidas, redes de supermercados e de eletrodomésticos - , precisa ser associada à pseudo-cultura "popular" do brega-popularesco.

No entanto, o que se vê na própria novela é a paródia da "cultura brega" e a divulgação desse "universo" como ele sempre deveria ser: uma piada. Nem mesmo o seriado Tapas e Beijos, que segue o mesmo caminho, chega a ridicularizar o brega dessa forma, até porque o seriado ainda mostra a breguice com um certo glamour romântico, em que pese o fator comum de seriado e novela contarem com ícones bregas do Pará como responsáveis pelos temas de abertura, respectivamente Banda Calypso e Gaby Amarantos.

A paródia passa ao largo dos interesses dos executivos da Globo e do consultor musical da novela, o antropólogo Hermano Vianna, artífice dessa "nova visão da classe média brasileira" e produtor do programa Esquenta!, da mesma emissora. E o fato de uma das atrizes-protagonistas, Leandra Leal, namorar um jornalista do Coletivo Fora do Eixo, também interessado na bregalização do país, não impede o tom da paródia.

O sonho de três empregadas domésticas sonharem em ser cantoras bregas é explorado de forma cômica, da mesma forma que o perfil do cantor Fabian, interpretado por Ricardo Tozzi, é um cantor brega estereotipado, com um nome inspirado naqueles ídolos dos anos 70, quando o brega mal dava as caras na então TV Studios (atual SBT). Claramente criado a partir do perfil do ídolo Michel Teló, Fabian é um personagem extravagante, posudo, metido.

Nota-se também a presença do empresário artístico vivido por Bruno Mazzeo (filho e discípulo do humor do saudoso Chico Anysio), humorista que não se identifica muito com o universo brega-popularesco, a não ser pelo nível da sátira. Ele mesmo fez o seriado A Diarista - do qual participava apenas como roteirista - parodiando o meio e encomendando trilha incidental de rock para contrabalançar.

Mazzeo, que no seu seriado Cilada (transmitido anos atrás no canal Multishow), havia definido as duplas breganejas como "um ser de duas cabeças", havia tido uma polêmica feroz com fãs do cantor Luan Santana (antecessor da onda de cantores que hoje inclui Michel Teló e Gusttavo Lima), cujo fanatismo fez o humorista defini-los como "talifãs", num trocadilho com a intolerância da milicia Talibã, no Oriente Médio.

Em A Diarista, mesmo as Organizações Globo receberam uma forte beliscada uma vez. Quando a rádio jornalística CBN desalojou a rádio de pop adulto Globo FM (92,5 mhz), foi feito um episódio de A Diarista em protesto contra o fim da Globo FM, mostrando uma caricata emissora FM com programação típica do mais escancarado "AeMão".

Na grande mídia, nem todo mundo compartilha dos interesses dos patrões. De repente, surge um coerente Rodrigo Vianna nas redações da Globo, para produzir artigos no blogue Escrevinhador e a militar no Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé. Não confundir essa iniciativa com a de um Pedro Alexandre Sanches que, ao migrar para a mídia de esquerda, defendeu muito mais os interesses da Folha de São Paulo do que quando estava dentro da mesma.

Daí que podemos dizer, sim, que Cheias de Charme esconde uma discreta conspiração de seus autores e atores. Sabemos que nem todo ator ou atriz que vai, aparentemente feliz da vida, para micaretas, vaquejadas e "bailes funk" gosta realmente desses eventos e seus "artistas", não raro trata-se de uma imposição contratual, que inclui papéis em novelas, comerciais de grife etc. Até porque isso é mais outro trabalho de ator, uma missão profissional, eles também trabalham um outro personagem.

Portanto, Cheias de Charme pode não abalar as estruturas "globais" pela sua discreta sátira ao "universo" brega. Como atração assumidamente humorística, a sátira tem dessa função de agredir sem causar dor. Mas, em tempos que se discute a mediocrização cultural brasileira, a gente pergunta se o brega, no futuro, continuará sendo levado muito a sério (e a sério até demais) depois dessa exploração satírica feita pela "novela das sete". É esperar e ver.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

ROBERTO CIVITA TEM QUE IR À CPI DAR EXPLICAÇÕES SOBRE POLICARPO E VEJA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A grande mídia está fazendo blindagem de seus maiores representantes e chefes, para que a CPI de Carlinhos Cachoeira não vire a tão temida (por ela) "CPI da mídia". No entanto, quem deve teme e hoje o clima, nos bastidores da velha grande mídia, é de muita apreensão. E Roberto Civita vive seus dias de Rupert Murdoch, com o sério risco de ter que depor na CPI, algo que, para o dono do Grupo Abril, é sinônimo de "humilhação".

O texto abaixo cita um comentário do ator José de Abreu (que, por sua independência, hoje está no elenco da novela "Avenida Brasil" da Rede Globo, sem abrir mão de seus princípios esquerdistas) que os propósitos de Veja são meramente políticos. Ultimamente, as associações de Veja, Civita e de Policarpo Júnior não só com Demóstenes Torres mas com o próprio Carlinhos Cachoeira vazam de forma surpreendente, o que causa preocupação nos barões da grande mídia, que veem uma revista que, para eles, é influente ser envolvida num grande escândalo político.

Roberto Civita tem que ir à CPI explicar se Policarpo é um aloprado ou se a Veja quer mesmo 'derrubar a Dilma'


Por Antônio Mello - Blog do Mello


No final do ano passado, o ator José de Abreu publicou em sua conta no Twitter a nota acima.


Agora, vazamento da Operação Monte Carlo da Polícia Federal escancara a rede de esgoto que ligava políticos, contraventores, empreiteiros, empresários, arapongas e jornalistas. Entre esses, o diretor de redação da Veja, Policarpo Junior, que teria sido flagrado em cerca de 200 conversas com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.


Diz o Cachoeira, num grampo:


    - [Nós estamos] Limpando esse Brasil, rapaz, fazendo um bem do caralho pro Brasil, essa corrupção aí. Quantos (furos de reportagem) já foram, rapaz? E tudo via Policarpo.


A Veja, especialista em vazamentos, a principal rede de esgoto por onde escorriam os grampos do grupo de Cachoeira, não reproduziu um único diálogo da dupla Policarpo e Cachoeira.


Mas a CPI vem aí e deve convocar o capo da Abril, Roberto Civita, para que ele esclareça de uma vez por todas se Policarpo Junior era apenas um aloprado querendo derrubar o governo para bajular o patrão ou se a ordem foi mesmo dele, o capo Civita, com o intuito de derrubar um governo popular para colocar em seu lugar o serrismo de resultados e encher o país de pedágios, sanguessugas, vampiros, privatizar Caixa, Petrobras e Banco do Brasil, para que enfim voltemos a ser o que já fomos, simples satélite dos Estados Unidos.

GLOBO, ABRIL E FOLHA SE UNEM CONTRA CPI DA MÍDIA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A velha grande mídia tenta convencer seu público que a CPI do caso Carlinhos Cachoeira não é com elas. Seus comentaristas tentam evitar que venha à tona o envolvimento de alguns de seus patrões com o esquema do bicheiro goiano. E mais: corre até um movimento para evitar que o dono da Abril, Roberto Civita, preste depoimentos, tudo para tentar abafar o caso e evitar que a CPI se transforme na histórica "CPI da mídia".

Globo, Abril e Folha se unem contra CPI da mídia

Principais grupos de comunicação fecham pacto de não agressão e transmitem ao Planalto a mensagem de que pretendem retaliar o governo se houver qualquer convocação de jornalistas ou de empresários do setor; porta-voz do grupo na comissão é o deputado Miro Teixeira; na Inglaterra, um país livre, o magnata Rupert Murdoch depôs ontem

Do blogue Brasil 247 - Reproduzido também no blogue Esquerdopata

247 – Há exatamente uma semana, o 247 revelou com exclusividade que o executivo Fábio Barbosa, presidente do grupo Abril e ex-presidente da Febraban, foi a Brasília com uma missão: impedir a convocação do chefe Roberto Civita pela CPI sobre as atividades de Carlos Cachoeira. Jeitoso e muito querido em Brasília, Barbosa foi bem-sucedido, até agora. Dos mais de 170 requerimentos já apresentados, não constam o nome de Civita nem do jornalista Policarpo Júnior, ponto de ligação entre a revista Veja e o contraventor Carlos Cachoeira. O silêncio do PT em relação ao tema também impressiona.

Surgem, aos poucos, novas informações sobre o engavetamento da chamada “CPI da Veja” ou “CPI da mídia”. João Roberto Marinho, da Globo, fez chegar ao Palácio do Planalto a mensagem de que o governo seria retaliado se fossem convocados jornalistas ou empresários de comunicação. Otávio Frias Filho, da Folha de S. Paulo, também aderiu ao pacto de não agressão. E este grupo já tem até um representante na CPI. Trata-se do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ).

Na edição de hoje da Folha, há até uma nota emblemática na coluna Painel, da jornalista Vera Magalhães. Chama-se “Vacina” e diz o que segue abaixo:

“O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) vai argumentar na CPI, com base no artigo 207 do Código de Processo Penal, que é vedado o depoimento de testemunha que por ofício tenha de manter sigilo, como jornalistas. O PT tenta levar parte da mídia para o foco da investigação”.

O argumento de Miro Teixeira é o de que jornalistas não poderão ser forçados a quebrar o sigilo da fonte, uma garantia constitucional. Ocorre que este sigilo já foi quebrado pelas investigações da Polícia Federal, que revelaram mais de 200 ligações entre Policarpo Júnior e Carlos Cachoeira. Além disso, vários países discutem se o sigilo da fonte pode ser usado como biombo para a proteção de crimes, como a realização de grampos ilegais.

Inglaterra, um país livre

Pessoas que acompanham o caso de perto estão convencidas de que Civita e Policarpo só serão convocados se algum veículo da mídia tradicional decidir publicar detalhes do relacionamento entre Veja e Cachoeira. Avalia-se, nos grandes veículos, que a chamada blogosfera ainda não tem força suficiente para mover a opinião pública e pressionar os parlamentares. Talvez seja verdade, mas, dias atrás, a hashtag #vejabandida se tornou o assunto mais comentado do Twitter no mundo.

Um indício do pacto de não agressão diz respeito à forma como veículos tradicionais de comunicação noticiaram nesta manhã o depoimento de Rupert Murdoch, no parlamento inglês. Sim, Murdoch foi forçado a depor numa CPI na Inglaterra – não na Venezuela – para se explicar sobre a prática de grampos ilegais publicados pelo jornal News of the World. Nenhum jornalista, nem mesmo funcionário de Murdoch, levantou argumentos de um possível cerceamento à liberdade de expressão. Afinal, como todos sabem, a Inglaterra é um país livre.

O Brasil se vê hoje diante de uma encruzilhada: ou opta pela liberdade ou se submete ao coronelismo midiático.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

OI?? A BAND, QUE AGORA EXIBE O PÂNICO, QUER DISCUTIR O TEMA HUMILHAÇÃO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Antes que alguém estranhe a inclusão da foto de Natalie Portman neste tópico, ele é uma forma de avisar que mulheres carecas podem ser também bastante atraentes. O caso de Babi Rossi, paniquete que teve o cabelo raspado, foi visto como "humilhação" logo num programa que gosta de humilhar os outros.

E Babi Rossi ainda falou que vai usar peruca. Por que não mostra a cabeça raspada? Daí o exemplo de Natalie Portman, uma das atrizes mais charmosas do mundo, que não teve vergonha de exibir sua cabeça raspada e esperou o cabelo crescer naturalmente. E permaneceu com sua admirável e deslumbrante beleza.


E o que dizer das mulheres com câncer que precisam raspar a cabeça por conta da quimioterapia? Será que ter o cabelo raspado é mais dramático do que sofrer uma grave doença, ainda sem cura definitiva?

Em tempo: os machistas que ficam cultuando as chamadas "boazudas" (como as paniquetes e as mulheres-frutas) têm um enorme preconceito contra mulheres de cabelo curto ou raspado. Quanta ignorância!!

Oi?? A Band, que agora exibe o Pânico, quer discutir o tema humilhação

Por Rosângela Basso - Blogue Maria da Penha Neles

A careca da panicat Babi Rossi (gente, como dói escrever panicat) é o assunto do momento, embora carecas em geral não despertem grandes emoções. A dela desperta, vai ver é porque ela é gostosa. A novidade é que a Band não está nada satisfeita. De acordo com o F5, rolou um climão na emissora depois do programa exibido no último domingo. Um diretor do canal disse que o alto escalão viu a brincadeira como humilhação, e isso pegou mal etc. e tal. Claro, porque todo o resto das coisas que o Pânico faz não tem nada a ver com humilhação. Aquilo tudo é a mais pura finesse, a maior expressão de amor ao próximo que a televisão brasileira já transmitiu. Pensem aí sobre esse mundo louco.

Pra você que não acompanhou a “polêmica”, o fato é que rasparam o cabelo dela ao vivo, em mais uma dessas brincadeiras hilárias feitas no programa. Babi topou “por amor à profissão e por consideração aos companheiros do Pânico“, segundo sua própria mãe, a dona Margarete Rossi. Ela também deixou claro que Babi “foi a única panicat que eles levaram da RedeTV! para a Band”. Ah, agora tá explicado. Gente! Isso tudo é medo de perder o emprego. Quem nunca? #forçanaperucababi LITERALMENTE

Mas a careca acabou sendo uma coisa boa pra Babi, que ficou mais conhecida. Ou não. Houve rumores de que ela foi oferecida pelo Pânico para posar para a Playboy  de novo, mas a revista não topou. Pode ser que ela encontre outros meios de aparecer. Dona Margarete acha, inclusive, que ela pode ajudar as pessoas que tiveram de raspar os cabelos por causa “de doença”. E nada mais inspirador para as pessoas que estão sofrendo verdadeiramente do que uma panicat que ficou careca em troca de fama e dinheiro, não é mesmo?

O PSEUDO-ESQUERDISMO TENDE A ENFRAQUECER


Por Alexandre Figueiredo

Fenômeno nos últimos anos, o pseudo-esquerdismo parece que anda enfraquecendo muito. O reacionarismo, sobretudo juvenil, pintado sob o verniz falsamente progressista, aos poucos deixa cair a máscara e, na Internet, o direitismo enrustido de muitos deles começa a se aflorar, até de forma explícita e escancarada.

É de surpreender que é justamente nas chamadas redes sociais da Internet, no Brasil, que se formaram redutos do mais puro reacionarismo digital, muitas vezes sob a prática "inocente" e "sem ideologias" da trolagem.

Na trolagem, pessoas que no futuro poderiam se equivaler a Jair Bolsonaro, Demóstenes Torres, Bóris Casoy, Eliane Cantanhede e Reinaldo Azevedo despejavam seus palavrões, seus desaforos, suas chantagens e ameaças na rede, para defender o "estabelecido" na mídia, na política e no mercado.

Às vezes se viam comentários pedantes e irritadiços de alguns "esclarecidos", em outras se viam gracejos e humilhações gratuitas de alguns não menos nervosos, mas que usam de forma cínica e violenta seu senso de humor para humilhar o discordante de plantão. Principalmente quando soltam o antipático "Huahuahuahuah". Quando desmascarados, se limitam a reagir, jocosamente, dizendo "Oia!".

Mas o pseudo-esquerdismo também envolvia intelectuais que defendiam os mecanismos mercadológicos da "cultura de massa" sob o pretexto de estarem promovendo a rebelião das classes populares. Ou políticos que adotavam medidas antipopulares sob o pretexto de "atender à população, que apenas sofrerá alguns (sic) sacrifícios".

EFEITO LULA

O que havia motivado essa adesão ao pseudo-esquerdismo de gente que, se vivesse em 1964, se posicionaria inevitavelmente a favor do golpe militar contra João Goulart, é o chamado "efeito Lula", ou seja, na carona do carisma midiático do então presidente Luís Inácio Lula da Silva.

De temperamento bonachão e cujo governo realizou proezas econômicas importantes, Lula está longe de ser o paradigma perfeito ou mesmo realista do líder esquerdista, mas era o que tinha, para o grande público brasileiro, maior visibilidade para representar a visão de esquerdismo que, por mais equivocada que seja, havia se difundido largamente naqueles idos de 2002-2006.

Quem não queria estar ao lado do ex-operário bonachão e simpático? Como pombos voando sobre o milho, o pseudo-esquerdismo teve de tudo: de professor mineiro reacionário que virou "petista" para agradar sua esposa até o jornalista cultural da mídia golpista que se infiltrou na imprensa de esquerda.

Tudo isso fora a "nação troleira" que, com seu ultra-reacionarismo digital, sempre arrumava uma desculpa, nem que seja uma frase tipo "Deixa de ser besta!", para explicar seu "esquerdismo de resultados". Um "esquerdismo", diga-se de passagem, extremamente esquizofrênico, mas defendido com unhas e dentes durante todo esse tempo em que o "efeito Lula" inspirava o pseudo-esquerdismo então vigente, que dava a falsa impressão de transformar o Brasil no "maior país socialista das Américas".

A "revoada" de pseudo-esquerdistas de repente poderia até se auto-proclamar "marxista" sem ter lido uma linha da obra de Karl Marx, e juntava sua pretensa simpatia a Che Guevara (muito fácil, pelo fato deste estar morto) à pretensa simpatia por gente como Lula e Fidel Castro. Isso quando, nas suas crenças, ainda existiam conceitos neoliberais e pragmatismos nada progressistas sobre diversos ramos da vida humana.

Até mesmo "canais" como a Rede Record (em que pese abrigar jornalistas realmente de esquerda) e o PMDB (e outros partidos satélites como PP, PRB e PR) serviam como "portas dos fundos" da "fauna" pseudo-esquerdista.

Esse pessoal, em muitos casos, até exagerava na falsa ojeriza à Rede Globo para fazer comentários hipócritas contra a emissora que, no fundo, esses pseudo-esquerdistas defendem intransigentemente. Mas que tinham que dizer que odiavam para impressionar os amigos que esse pessoal desejava conquistar na Internet ou nos círculos sociais de seu meio.

POR QUE MUDOU?

De repente, o pseudo-esquerdismo recuou, depois do auge de "todo mundo" apoiar a candidatura de Dilma Rousseff. Passada a festa eleitoral, e empossada a presidenta, seu governo logo se mostrou ainda menos acertado do que o de Lula. Além disso, Dilma não possui o mesmo carisma do antigo torneiro mecânico. Isso fez com que os reacionários e conservadores enrustidos não se preocupassem mais em se passar por "simpáticos à causa esquerdista".

Isso se deu quando, em muitas circunstâncias, intelectuais, políticos, celebridades e barões da mídia regional eram desmascarados quando contradiziam posturas aparentemente de esquerda com procedimentos dignos dos direitistas mais histéricos. De Mário Kertèsz a Jair Bolsonaro, passando por Eugênio Raggi, a queda de máscara revelou gente tão conservadora quanto qualquer articulista de Veja.

Na trolagem, os antigos pseudo-esquerdistas agora se preocupam em xingar seus discordantes de "comunistas", "petistas" ou "psolistas", conforme o caso. O direitismo, antes dissimulado e desmentido, passa a ser admitido, se não de forma explícita, mas de um modo menos envergonhado.

Além disso, com as críticas que muita gente, mesmo de esquerda, são feitas contra o governo Dilma, cuja prometida ousadia não se deu, costura-se uma "nova direita", sem os excessos e erros da turma do PSDB, DEM e PPS. Até agora não se sabe se ela dará com o PSD de Gilberto Kassab ou por alguma debandada do PMDB do grupo esquerdista, ou por qualquer fato novo que ouver no âmbito sócio-político.

Uma coisa se sabe: o teatrinho da pseudo-esquerda deixou de fazer sentido. Agora, seus personagens aguardam o sinal verde para defenderem o "novo direitismo" que tanto sonharam ter e que já está em andamento nos bastidores da política e da mídia.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

VEJA E ÉPOCA TÊM CASAMENTO ANTIGO COM DEMÓSTENES TORRES



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A coisa está feia para Veja, mas Época, franquia das Organizações Globo, também não está longe de sofrer as encrencas consequentes das posições simpáticas ao senador goiano Demóstenes Torres, que tanto era tratado pelos dois periódicos como se fosse o cavaleiro maior da luta pela ética e hoje tem seu nome fortemente ligado ao bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Veja e Época têm casamento antigo com Demóstenes Torres

Por Alexandre Haubrich - Blogue Jornalismo B

O desmoronamento do ex paladino da ética, senador Demóstenes Torres (DEM), carrega morro abaixo mais um pouco da rara credibilidade que ainda restava a alguns dos veículos de mídia que dominam a informação que circula no Brasil. Como a maioria de seus <strike>comparsas</strike> compadres, as revistas Veja e Época tem um grande histórico de ode a Demóstenes. As máscaras tardam mas não deixam de cair.

Em 2009, a Época elegeu as 100 pessoas mais influentes do país, em uma edição especial “Líderes & Reformadores”. Entre eles estava Demóstenes Torres. O texto sobre ele foi escrito por Demétrio Magnoli, geógrafo e sociólogo midiático, estrela costumaz de programas de televisão que pretendem analisar qualquer acontecimento pela direita. Escreve Magnoli que Demóstenes é uma das figuras “mais destacadas” que “atestam o caráter insubstituível do parlamento”. Vai além: “Não é preciso concordar com tudo o que ele pensa ou faz para homenageá-lo”. E completa, como uma profecia às avessas: “Demóstenes não é mais um comerciante no mercado em que se trafica influência em troca de cargos ou privilégios. Ele tem princípios e convicções”.

Em julho de 2007, uma grande (no tamanho) matéria da Veja elegeu “Os mosqueteiros da ética”, como dizia o título da malfadada reportagem. Um deles era justamente o senador denunciado por ligações as mais espúrias com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. “Eles são poucos. Mas é quase tudo com que os brasileiros podem contar no Congresso para que os interesses particulares não dominem totalmente a política”, diz a linha de apoio.

Na Veja, aliás, a primeira aparição de Demóstenes foi em 2005. Desde lá, foram 103 citações ao senador, quase sempre usado como fonte importante de matérias sobre corrupção. Vale lembrar ainda que o editor-chefe da Veja, Policarpo Jr., aparece em algumas das gravações que a Polícia Federal fez na investigação que ligou Demóstenes a Cachoeira.

É para que casos assim não passem em branco que existem espaços de análise de mídia, como o Jornalismo B, e é também por isso que pensar a mídia de forma crítica é fundamental para não sermos enganados. E agora, Demóstenes afundado, o que pensar das 103 vezes que foi consultado por Veja? O que fazer com todas aquelas matérias que se basearam em suas afirmações? Não se pode confiar em alguns veículos, dentre outros motivos, porque suas fontes são viciadas. Se as fontes não são confiáveis, se não são questionadas – algumas, como Demóstenes, são quase endeusadas – como se pode conferir credibilidade ao veículo que as entrevista? Como pode ter caráter de verdade o que nasce apoiado em fontes desonestas?

BLOGUEIRO MORTO NO MARANHÃO. E AGORA?


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O reacionarismo político anda tão paranoico que a pistolagem chega mesmo a se expor para as testemunhas visando eliminar jornalistas "perigosos" a qualquer custo. Ou então os pistoleiros contratados para eliminar o jornalista do Maranhão são pouco experientes e foram escolhidos porque cobram barato.

Mas talvez a primeira hipótese faça sentido, embora os suspeitos possam ser facilmente reconhecidos. Afinal, são mais de 30 testemunhas. Por outro lado, isso mostra o quanto existe gente retrógrada em nosso Brasil e que ainda vivemos em regime de coronelismo em várias regiões do país, inclusive capitais.

Blogueiro morto no Maranhão. E agora?

Por Renato Rovai - Blog do Rovai

Conversei há pouco com o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Maranhão, Leonardo Monteiro. Ele saía do enterro do jornalista e blogueiro Décio de Sá, assassinado covardemente na noite de ontem, às 23h30, com seis tiros no bar Estrela D´alva, na Avenida Litorânea, em São Luis.


A cena se repetiu. Um rapaz que estava na garupa de uma moto, desceu, fez de conta que ia ao banheiro e na volta, passou por Décio de Sá e descarregou sua arma. Mais uma vez. Do mesmo jeito.

Há alguns dias escrevi um texto cujo título era: “Ainda há tempo para agir contra a tomada do Estado pelo crime organizado”. Mas os governantes estão dando mole. Os que não estão no bolso dos esquemas, têm medo de mexer com eles. Essa é a sensação que se tem.

Enquanto isso, blogueiros e jornalistas, principalmente os que não têm a proteção de uma grande empresa de comunicação, vão sendo assassinados e ameaçados. “Ele mexeu com coisas que arrepiam e era um blogueiro muito acessado. Algum bandido achou que ele estava incomodando, decidiu que era hora de ele pagar com a própria vida”, afirmou Leonardo Monteiro.

Entre as coisas que arrepiam, nas palavras de Leonardo Monteiro, este ingênuo blogueiro achou o seguinte trecho de um dos seus últimos posts:

Pistoleiros pedem transferência do júri de Pedro Teles para capital alegando ‘jogo de cartas marcadas’

A defesa dos pistoleiros Moises Alexandre Pereira e Raimundo Pereira, acusados de matar no ano de 1997, em Barra do Corda, o líder comunitário e sem-teto Miguel Pereira Araújo, o Miguelzinho, a mando do empresário Pedro Teles, ajuizaram nesta segunda-feira pedido no Tribunal de Justiça do Maranhão solicitando a transferência do julgamento para São Luís.

A alegação é de que das 25 pessoas selecionadas para participar do júri popular, pelo menos 20 têm ligação com o empresário, seu pai, o prefeito Manoel Mariano de Sousa, o Nezim, e o deputado Rigo Teles (PV), irmão de Pedro (veja relação abaixo).

“Verifica-se que a lista de jurados sorteados é totalmente viciada, não havendo qualquer imparcialidade dos mesmos, nem tampouco haveria possibilidade de excluir aqueles que poderiam ser imparciais, já que dos listados com alguma ligação com a família do pronunciado Pedro Teles, só sobrariam cinco jurados, número insuficiente para compor o corpo de jurados, pois todos são amigos ou tem alguma ligação com a família do pronunciado”, diz o pedido.

A petição é assinada por Leandro Morais Sampaio Peixoto, filho do ex-prefeito Avelar Sampaio (PTB). Na época, foi Avelar quem cedeu Moisés e Raimundo para atuarem como segurança de Nenzim. O ex-prefeito deve prestar depoimento durante o julgamento.

*****

Este ingênuo blogueiro não está acusando o empresário Pedro Teles pelo assassinato de Décio de Sá, mas considera que é uma vergonha que o ministro da Justiça não se manifeste com clareza acerca da suspeita levantada por Décio de Sá nesta nota.

Quando Chico Mendes foi assassinado no Acre, um líder político que depois se tornaria presidente da República disse: “Chegou a hora de a onça beber água”. Foi muito criticado porque alguns entenderam a frase como uma incitação a uma reação dos seringueiros.

Está mais do que na hora de os blogueiros dizerem para as autoridades que “chegou a hora da onça beber água”.

O que o ministro da Justiça vai fazer em relação a este caso? Vai ficar quieto esperando que caia no esquecimento como outros? E a ministra dos Direitos Humanos, vai fazer de conta que não é com ela? E os pilantras que governam o Maranhão e são aliados do governo federal?

A blogosfera precisa reagir. Como não somos bandidos e não é possível sair atirando em quem atira contra os nossos, precisamos gritar alto contra aqueles que têm o dever de garantir o Estado de Direito. Eles tem nome.

GOVERNO DOS EUA HOMENAGEIA SUA PUPILA YOANI SANCHEZ


Por Alexandre Figueiredo

Na última segunda-feira, o sítio de Direitos Humanos do governo dos Estados Unidos prestou uma homenagem à blogueira Yoani Sanchez, do blogue Generación Y, pelos serviços prestados por ela "em prol dos direitos humanos".

A blogueira, que alega estar proibida de sair a Cuba (mas, estranhamente, viveu um tempo na Suíça), nem que seja para se divertir na Disneylândia ou tomar um chá em Nova York, é elogiada pelo artigo de capa.

Citando a declaração de Victoria Nuland, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, "Yoani Sánchez dá aos leitores através de seu blog, 'Geração Y', uma visão sem precedentes da vida em Cuba", o portal define a blogueira como "fundadora da blogosfera independente".

O portal pede ao governo de Cuba, presidido pelo irmão de Fidel Castro, Raul Castro, também responsável pela Revolução Cubana de 1959, que dê vistos para Yoani Sanchez viajar para o exterior. O que, aliás, deveria ser mesmo feito, já que permitiria a Yoani ficar ao lado dos capitalistas que ela sempre defendeu de forma "independente" e "imparcial".

A blogueira, que havia recebido o prêmio Ortega y Gasset de Jornalismo Digital de 2008 e foi elogiada pelo presidente do Centro Knight para o Jornalismo das Américas, o "insuspeito' brasileiro Rosenthal Calmon Alves, que a classificou como "farol da liberdade", no entanto, tem muitos pontos sombrios que contradizem a sua deliciosa beleza - sim, ela é linda - e sua aparente independência ideológica.

Primeiro, pelo fato de seu destaque por um portal de Direitos Humanos dos EUA não ser por acaso. Afinal, Yoani parece muito bem se identificar com os interesses estratégicos do Departamento de Estado dos EUA, como se fosse uma boa aluna na escola da defesa do imperialismo estadunidense.

Segundo, porque, por trás dessa "brilhante" trajetória, segundo revelação do jornalista francês Salim Lamrani, a blogueira esconde quase 50 mil seguidores "fantasmas". Nem o troleiro mais ambicioso, no Brasil, chegaria a criar tantos "fakes do bem" em tão pouco tempo. O governo dos EUA pode estar por trás de muitos desses "seguidores".

Segundo também divulga o próprio Lamrani, Yoani conta apenas com 32 seguidores autênticos, todos oposicionistas cubanos.

O Wikileaks já havia registrado muitos encontros "sigilosos" da blogueira com autoridades dos EUA,e Yoani foi desmascarada quando se revelou que uma suposta entrevista com o presidente Barack Obama foi na verdade feita para o chefe do Escritório de Interesses dos EUA para Cuba, Jonathan Farrar e que Yoani, do contrário que disse, nunca havia enviado um questionário sequer para o presidente cubano Raul Castro.

Yoani, além disso, é considerada "heroína" pelos veículos mais conservadores da mídia brasileira, como a Folha de São Paulo (de onde pude conferir a notícia que inspirou este texto), Veja, Globo e Estadão, que publicaram textos da "ilustre colaboradora". Ela também é considerada membro honorário do Instituto Millenium.

Yoani vive com o marido Reinaldo Escobar, frequenta hotéis de luxo, recebe remunerações de várias instituições na Europa e EUA, e nunca mostrou qualquer prova que tenha sido torturada por forças do governo cubano. E sua "independência" tem o mesmo sentido da "democracia" defendida pela mídia reacionária, mais voltada para o interesse privado. Para essa mídia, o "interesse público" é só um detalhe.

terça-feira, 24 de abril de 2012

CPI PEDE INDICIAMENTO DE CÚPULA DO ECAD E NOVA REGULAÇÃO


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O episódio em questão representa mais um capítulo para o desgaste do ECAD, que vive seus momentos de autoritarismo com seu padrão caduco de pensar os direitos autorais.

A entidade também é acusada de corrupção, enriquecimento ilícito e falta de repasse do dinheiro arrecadado para os responsáveis de suas obras. Existe uma proposta de desvincular sua regulação pelo Ministério da Cultura e submetê-lo ao Ministério da Justiça.

CPI pede indiciamento de cúpula do Ecad e nova regulação

Do Portal Terra

A Comissão Parlamentar de Inquérito do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (CPI do Ecad), no Senado, apresentou nesta terça-feira (24) o relatório final sobre as irregularidades do órgão. Segundo informações da Agência Brasil, o documento propõe 26 indiciamentos, que engloba 12 pessoas, e uma nova regulamentação para a arrecadação dos direitos autorais no Brasil. Entre as acusações feitas pelo relator Lindbergh Farias (PT-RJ) estão apropriação indébita de valores, fraude na realização de auditoria, formação de cartel e enriquecimento ilícito.

O texto da CPI do Ecad, com as novas propostas de gestão coletiva de direitos autorais, será votado na próxima quinta-feira (26), às 9h, pelo senadores da comissão. Se aprovado, segue para o plenário.

Com 400 páginas, o relatório é dividido em três partes. Além do pedido de indiciamento da cúpula do instituto privado, o documento propõe que sua regulação seja feita pelo Ministério da Justiça, que ficaria responsável pela gestão e fiscalização. Hoje, esse trabalho é de responsabilidade do Ministério da Cultura. "A melhor forma de fiscalização dura é pelo Ministério da Justiça. O Ecad é uma grande caixa preta, burocratizada, ineficiente, sem controle e sem transparência alguma", explicou o relator.

A terceira parte sugere um conjunto de medidas para dar maior transparência ao escritório, como a fixação do preço do direito autoral em consenso entre o autor e associação. Caso um acordo não seja feito, o Ministério da Justiça entra como intermediário. Atualmente, a taxa é fixada pelo Ecad e só pode ser questionada judicialmente.

"É uma grande reforma no sistema de direito autoral. Além de indiciamentos, para resolver problemas do passado, de fraudes que existiram, e existiram porque não existia nenhum tipo de regulação, estamos trabalhando para o futuro. Para criar um sistema que tenha transparência, eficiência e modernidade", disse Farias.

Ainda nesta segunda-feira, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, apresentou uma proposta de lei para criar o Instituto Brasileiro de Direito Autoral, medida que está na Casa Civil para ser enviado ao Congresso. Em uma audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado, ela tratou de denúncias de favorecimento do Ecad e disse que não iria comentar sobre a CPI.

Se aprovado, o instituto - que deverá ser ligado ao Ministério da Cultura - regularizará a remuneração da autoria de bens artísticos e fiscalizará as entidades arrecadadoras.

Posicionamento oficial do Ecad

Em comunicado oficial publicado nesta terça-feira no site do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, o órgão alegou que virou foco de atenção e interesse devido ao aumento do recolhimento nos últimos cinco anos.

De acordo com seus dados, em 2011, o Ecad distribuiu R$ 411,8 milhões a 92.650 compositores, intérpretes, músicos, editores musicais e produtores fonográficos, um crescimento de mais de 18% em relação ao ano anterior. Nos últimos cinco anos, a distribuição de direitos autorais cresceu 64,38%.

"O que difere o Ecad de qualquer outra organização, no entanto, é a exploração política que se faz. É preciso atentar que o que está em jogo neste cenário é a luta pelo direito de receber o que os criadores entendem ser justo pelo uso de suas músicas. O pano de fundo dessa questão não é moral. É meramente econômico", diz o documento.

O órgão ainda disse que atendeu todas as exigências para prestar esclarecimentos nas audiências da CPI e que convidou os membros da comissão para verificar suas atividades diárias em seus escritórios. O convite não foi aceito.

Sobre a necessidade de uma fiscalização externa, o escritório lembrou que é uma instituição privada que jamais recebeu subvenções do Estado. Porém, eles não temem qualquer tipo de supervisão, desde que seja técnica e sem viés políticos. Veja o comunicado oficial na integra no link: www.ecad.org.br/viewcontroller/publico/conteudo.aspx?codigo=1086.

BANDA CALYPSO: PRETENSIOSISMO E DESESPERO


Por Alexandre Figueiredo

No programa De Frente Com Gabi (SBT), apresentado por Marília Gabriela, o casal central da Banda Calypso, Joelma e Chimbinha, mostrou mais uma vez seu pretensiosismo e o desespero diante das críticas e do desgaste que o brega-popularesco anda sofrendo nos últimos meses.

A entrevista, sempre apostando no tal marketing da exclusão - o ídolo se passando por "coitadinho" para impressionar a opinião pública - , também foi dotada de muita presunção e pretensiosismo, sobretudo por causa da produção de um filme baseado na vida de Joelma e Chimbinha.

Ainda vamos falar desse desperdício que os produtores de cinema brasileiro de preferirem fazer filmes com ícones do brega-popularesco, quando existem personalidades mais antigas e muito mais importantes que deveriam ter filmes biográficos, sejam dramaturgia ou documentário. Mas isso é outra história.

O que estarrece na Banda Calypso, ou, pelo menos, no casal central do grupo - será que os demais integrantes são também "empregados", como ocorre na axé-music? - , é a esperteza que os dois têm para buscar o sucesso, seja através do jabaculê, do pretensiosismo e do tendenciosismo de se comparar com os Beatles e pegar carona em músicos de Rock Brasil para se promoverem.

Sim, Joelma e Chimbinha tiveram a coragem de dizer que a Banda Calypso é tão "injustiçada" quanto foram os Beatles. Mas o problema é que os Beatles sempre foram uma banda comprometida com a qualidade musical, como muitos fãs brasileiros, mais uma vez, foram conferir na apresentação de um deles, Paul McCartney.

Já a Banda Calypso, muito pelo contrário, é um dos ícones mais espertalhões e picaretas da mediocridade musical brasileira, que ainda domina o mercado. A entrevista dada a Marília Gabriela mostrou Joelma e Chimbinha dotados de muita arrogância e pretensão, ainda que com falsa pose de vítimas.

Afinal, quem realmente é bom não fica se passando por coitadinho. E nem fica fazendo falsa modéstia, querendo bancar o bom a todo custo. E ser gente simples não é algo que se associa virtualmente às classes pobres. Afinal, Chico Buarque é muito mais gente simples do que todos esses bregas que fazem pose de vítima para perpetuar no sucesso e atingir espaços que nada têm a ver com os seus.

Por isso, a Banda Calypso não sofreu o mesmo preconceito dos Beatles. Aliás, o grupo inglês nunca foi brega, diga-se de passagem. Isso foi factóide da Folha de São Paulo, por decisão de Otávio Frias Filho, um dos mecenas da breguice que domina o país e ameaça sufocar a cultura brasileira de verdade.

A Banda Calypso sofre críticas pela sua natural mediocridade, pela falta de humildade e pela mania de grandeza resultante do estrelismo de Joelma e Chimbinha. E ambos ainda comemoram quando tomam como "quase certa" a escolha de Deborah Secco para interpretar Joelma no cinema.

Pobre Deborah Secco. Estrela de TV, mulher de um jogador de futebol que chegou a trai-la, escalada para bajular o Big Brother Brasil e agora para fazer o papel da Joelma do Calypso. Tudo pela fama e para se tornar atriz de destaque numa emissora como a Rede Globo de Televisão.

Pobre Belém do Pará, que, além de sofrer a politicagem vinculada aos senhores de terra do interior paraense, ainda sucumbe à enganação do povo com o suposto paraíso (ou Pará-iso) da "cultura" brega.

Pobre cultura brasileira, que ainda precisa aguentar a arrogância e o estrelismo do pretensioso casal Joelma e Chimbinha, que ainda por cima quiseram bajular os quatro rapazes de Liverpool. John Lennon e George Harrison devem estar se virando no além.

REDE GLOBO TAMBÉM É "FORA DO EIXO"?


Por Alexandre Figueiredo

De um lado, os "cultuados" Gaby Amarantos, Emicida e a Banda Calypso. De outro, os astros "globais" Michel Teló, Alexandre Pires, Thiaguinho e Ivete Sangalo, sem falar do mais novo queridinho do Galvão Bueno, o jogador Neymar e do já convertido em "astro global" Mr. Catra.

Os primeiros são de alguma forma cortejados pela turma do Coletivo Fora do Eixo, o movimento que se autoproclama "de esquerda" e "fora da grande mídia". Gaby e Emicida aliás fazem parte do grupo, tendo feito várias palestras e aparecido em vários eventos patrocinados pelo "coletivo", inclusive o evento pretensamente nerd Campus Party.

Só que eles também andam namorando muito a grande mídia, em especial a Rede Globo de Televisão. Desejo de "ocupação"? Nem pensar. Ninguém realiza ocupação conspiratória ficando feliz da vida ao lado daqueles que diz dominar. O que está em jogo aqui é a contradição entre o discurso "libertário" evocado pelos "fora do eixo" e a conformidade com que se relacionam com os barões da grande mídia.

Esse "filme" já vimos antes e um dos "fora do eixo", o produtor Carlos Eduardo Miranda, havia feito um arremedo de "gravadora independente" sob a batuta da multinacional Warner Music. É um processo que até mesmo o escritor Lima Barreto havia descrito, mais de cem anos atrás, no livro Memórias do Escrivão Isaías Caminha, que é o da mídia se passar por "combativa" para depois participar dos banquetes dos donos do poder.

Pois é muita ingenuidade pensar que o brega-popularesco e seus simpatizantes "alternativos" - como o Emicida e o "performático" Felipe Cordeiro, que ainda não deu as caras em Caras mas chegou perto, aparecendo na Folha de São Paulo - estão utilizando a Rede Globo de Televisão por uma simples questão de obter visibilidade.

Como é que eles, nos seminários promovidos pelo Fora do Eixo, falam tanto que "não estão na grande mídia", "não fazem parte da grande mídia"? Afinal, eles compactuam serenamente com a velha grande mídia que dizem combater, não pela intenção de alguma ruptura transformadora, mas pelo simples fato de fazer parte do processo que dizem condenar.

Recentemente, vemos Emicida ao lado de Thiaguinho, protegido da "Vênus Platinada" e namorado da atriz da casa Fernanda Souza, e Deborah Secco, outra das principais atrizes da Globo, num evento de um telefone celular. Gaby Amarantos, que apareceu no clipe de Emicida, canta o tema da novela Cheias de Charme, mais uma tentativa da Globo de jogar o gosto musical brega para um público economicamente mais qualificado.

E se verificarmos bem as ramificações, nota-se que as peças se articulam. Emicida com Thiaguinho e Neymar, Thiaguinho com Neymar e Alexandre Pires, Alexandre Pires com Neymar e Mr. Catra, Mr. Catra cortejado pelos mesmos intelectuais que promovem Gaby Amarantos, Gaby Amarantos com Emicida, e aí entra Michel Teló com Neymar e Thiaguinho, e cortejado pelos mesmos intelectuais que promovem Gaby Amarantos e Mr. Catra.

E aí entra Ivete Sangalo, Xuxa Meneghel, Zezé di Camargo e como é que se pode acreditar que esse circo todo é "fora da grande mídia"? Não existe a menor coerência de sentido nisso. Também seria tolo acreditar numa "ocupação", até porque ninguém entraria feliz da vida na velha grande mídia se tivesse a intenção de fazer uma "ocupação rebelde", como é o discurso difundido pelos "fora do eixo" e seus simpatizantes.

Se for por esse raciocínio, Julian Assange teria virado galã de novela da Rede Globo e Jello Biafra ganharia uma coluna no Jornal da Globo ou Fantástico. Mas eles, ativistas sociais autênticos, não são tolos para se venderem para a mídia a torto e a direito. Eles têm uma missão transformadora, até porque causam muito incômodo, e incômodo mesmo, para o establishment político e midiático mundial.

Já o Coletivo Fora do Eixo não incomoda. O discurso deles "anti-mercado" e "anti-mídia" é conversa para boi dormir. No fundo é o mesmo "iluminismo de engenho" do século XIX, das rupturas sociais parciais feitas para não abalar as estruturas do poder.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

GHOST-WRITERS PRODUZEM COLUNAS POLÍTICAS DA GRANDE IMPRENSA


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: É verdade que os chamados "urubólogos" ou "calunistas", como são conhecidos os comentaristas políticos mais conservadores, gozam de relativa autonomia na grande imprensa, mas isso não os faz jornalisticamente mais criativos. Pelo contrário, o padrão ideológico de seus artigos é tão suspeito que as semelhanças, gritantes, fazem com que seus comentários não passem de meros releases do reacionarismo político demotucano.

Ghost-writers produzem colunas políticas da grande imprensa

Por Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania

Os institutos de defesa do consumidor de todo país deveriam se debruçar sobre uma verdadeira trapaça de que são vítimas os leitores das colunas políticas da grande imprensa, já que boa parte dos leitorados desses veículos parece acreditar que são oriundas de alguma apuração dos jornalistas que supostamente as escreveriam.
Não são. Jornais como Folha de São Paulo, Estadão, O Globo ou revistas como Veja, Época e QuantoÉ… Digo, IstoÉ, reproduzem sempre o mesmo ponto de vista, usando sempre as mesmas expressões, as mesmas analogias e chegando, invariavelmente, às mesmas conclusões.
Em relação à recém-criada CPI do Cachoeira, por exemplo, esse fato fica absolutamente claro.  Pode-se escolher qualquer um dos veículos citados para comprovar o que está sendo dito. Salvo algumas raras exceções como a do jornalista Jânio de Freitas, da Folha, todos vêm dizendo exatamente a mesma coisa: a CPI seria contra o PT e o governo Dilma ou manobra destes para esconder o julgamento do mensalão.
Muitas vezes, as duas hipóteses estão na mesma coluna. Confiando na premissa de que escrevem para descerebrados, esses colunistas caras-de-pau apresentam as duas teses conflitantes sem se preocupar com que alguém note alguma coisa.
Além da mesmíssima teoria de que Lula, apresentado como autor intelectual da CPI, é um tolinho que nem desconfiava de que seus adversários e a mídia tentariam inverter o foco da investigação, esse colunismo despreza o fato de que alguém como o ex-presidente não chegou aonde chegou sendo ingênuo ou precipitado…
Abaixo, reproduzo um artigo que contém o pacote inteiro que você, leitor, pode encontrar nas colunas políticas de todos os veículos citados e em vários outros. Não direi já o nome do autor ou em que veículo foi publicado e proponho que você, caso não tenha lido o texto, tente descobrir quem escreveu, o que só será informado ao final do post.
—–
As CPIs desempenharam um importante papel no passado recente da história brasileira. Foi a partir das investigações promovidas por uma CPI, em junho de 1992, que o ex-presidente Fernando Collor acabou sofrendo o impeachment.
Um ano depois, coube ao Congresso Nacional instalar a CPI do Orçamento, que desbaratou um esquema de desvios do dinheiro público comandado por parlamentares e funcionários do legislativo. Seis parlamentares foram cassados, oito absolvidos e quatro preferiram renunciar para fugir da punição e da inelegibilidade.
Enquanto esteve na oposição, o PT se mostrou implacável nas CPIs. Pelo menos até o governo Lula enfrentar sua primeira CPI, criada em maio de 2005 com o objetivo específico de investigar denúncias de corrupção nos Correios. 
O estompim da crise que levou à instalação desta CPI foi a divulgação de uma fita de vídeo que mostrava o ex-funcionário da estatal Maurício Marinho aceitando propina de empresários.
Apesar de toda a precaução do governo Lula, que deixou a presidência da CPI nas mãos do senador petista Delcídio Amaral (MS) e relatoria com o deputado peemedebista Osmar Serraglio (PR), o foco da investigação acabou sendo o esquema de pagamento mensal direcionado a parlamentares da base aliada em troca de votos no Congresso Nacional, que ficou conhecido como mensalão.
Isso só foi possível porque, a cada sessão da CPI dos Correios – transmitida ao vivo para todo o país –, a sociedade brasileira se mobilizava e pressionava o Legislativo, exigindo a continuidade das investigações.
De lá para cá, as CPIs perderam sua força. Isso porque, diante do estrago político promovido pela CPI dos Correios, o PT e seus aliados mudaram de estratégia.
Nos últimos sete anos, as poucas CPIs que a oposição conseguiu emplacar não produziram efeitos práticos, como a das ONGs e dos cartões corporativos, graças à obstrução patrocinada pelo governo petista.
O Congresso tem agora nas mãos uma oportunidade de resgatar a função democrática das CPIs, investigando um novo esquema de corrupção desvendado pela Polícia Federal e comandado pelo contraventor Carlos Cachoeira.
Na expectativa de tirar o foco da sociedade em relação ao julgamento do mensalão, previsto para acontecer ainda este semestre, o PT errou no cálculo ao imaginar que poderia confundir a opinião pública ao anunciar apoio
Em vídeo conclamando os movimentos populares a cobrarem a instalação da nova CPI, o presidente nacional do PT, deputado Rui Falcão, imaginou que poderia atingir a oposição. Em especial, o governador de Goiás, Marconi Perillo, que causou constrangimentos a Lula em 2005 ao declarar publicamente que o alertara para o mensalão.
Nada foi comprovado contra Perillo. A situação se complicou, de fato, para o governador do Distrito Federal, o petista Agnelo Queiroz, e uma das principais empreiteiras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a Construtora Delta.
Os indícios e provas de que Agnelo e a Delta mantinham uma estreita relação com Cachoeira evidenciam o arrependimento de setores do PT e do próprio governo na sua estratégia de desviar o foco do julgamento do mensalão.
(…)
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Vamos adivinhar. Ricardo Noblat, Merval Pereira, Eliane Cantanhêde, Fernando Rodrigues, Dora Kramer, Reinaldo Azevedo ou Augusto Nunes? Poderia ser qualquer um destes ou vários outros colunistas de Folha, Globo, Estadão, Veja etc. Mas não. Apesar de o texto dizer, ipsis-litteris, o que esses vêm dizendo sem parar, é do presidente do PSDB, Sergio Guerra, e foi publicado neste domingo na Folha de São Paulo.
Fica difícil deixar de imaginar que todos os colunistas supracitados tiveram longas conversas com o tucano antes de escreverem, todo dia, cada premissa que ele apresentou nesse artigo. Esses colunistas também têm dito, aliás, que haveria mais elementos de prova ou indícios contra Agnelo Queiroz do que contra Marconi Perillo. Exatamente como seu ghost-writer.
Mais adiante, no mesmo jornal, bem escondidinha, matéria revela que não é bem assim. Sem chamada na primeira página, incrustada lá na página A14 (sim, onze páginas mais adiante e sem chamada na primeira página), uma bomba: “Perillo é citado como ‘irmão’ por aliado de Cachoeira”.
Eis o diálogo entre Carlinhos Cachoeira e Wladimir Garcez, ex-vereador pelo PSDB de Goiânia:
—–
Garcez – A conversa, para você ter uma idéia, foi uma hora lá, nós dois juntos. (…) Foi uma covnersa boa, sabe. Falando das dificuldades que tem, de umas coisas que ele [Perillo]… Até pediu para nós olharmos uma coisa para ele depois, um trem que aconteceu aí, tal. Ele chega na quarta-feira, [e ele disse]: “Não, então marca para quinta, eu, você e ele. Nós vamos sentar, bater um papo, quero conversar com ele, quero ter mais um conceito. Mas uma conversa assim mais pessoal, questão de confiança, tal”. (…) Achei uma conversa daquela de irmão. (…)
Cachoeira – Ô, foi bom para caralho, hein.
Garcez – Foi uma coisa assim, íntima mesmo, sabe. Ele levantou, deixou [a gente] na sala, “Vou ali tomar banho”. Fiquei esperando ele. Tomou banho, pôs o terno e voltou.
Cachoeira – Ele [Perillo] quer que eu olhe para ele o quê?
Garcez – É um negócio aí, [ele falou]: “Não, pode deixar ele [Cachoeira] voltar. Ele [Perillo] quer isso, você [Cachoeira], ele não quer outra o pessoa, o Cláudio [Abreu, da Delta]. Aí ele [Perillo]falou assim: “Não, é uma coisa que eu RO conversar com ele [Cachoeira], é porque confio nele [Cachoeira], tá, e em você [Garcez]”. Aí passou para mim (…) para quinta-feira a gente [Garcez, Cachoeira e Perillo] sentar e conversar.
Cachoeira – É o que que é?
Garcez – Não… É um trem duma coisa dele, sabe?
Cachoeira – Ah, não excelente. Coisa boa (…)
Garcez – Beleza.
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É um diálogo revelador e comprometedor, mas não é o pior. Outras gravações revelam doações em dinheiro de Cachoeira para Perillo, sociedade entre eles em empresas do bicheiro e muito, muito mais. O pior ainda está por aparecer, e aparecerá na CPI.
Aí a explicação sobre por que a oposição está cada vez mais raquítica. Essa gente continua achando que pode criar um universo paralelo e fazer todos viverem nele. Será que todo o leitorado de uma Folha, por exemplo, é incapaz de perceber que o discurso dos colunistas do jornal parece ter sido escrito pelo presidente do PSDB?
Foi um erro o jornal publicar esse artigo. Quem tem cérebro e não é militante demo-tucano descobriu quem é o escritor-fantasma de uma imprensa que vai perdendo cada vez mais a conexão com a realidade e acreditando que pode ajudar seus aliados a chegarem ao poder oferecendo moralismo de quinta em lugar de propostas para o país.
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PS: garanto que eu não sabia que a pesquisa Datafolha tinha ido a campo quando disse que a popularidade de Dilma iria disparar. Ah, sim: juro, também, que não tenho bola de cristal. Uso, apenas, a lógica.

A MEGALOMANIA DE VEJA E A METÁFORA DA CAPA


Por Alexandre Figueiredo

Talvez para intimidar seus opositores, Veja, num desses assuntos "banais" sobre saúde, comportamento, tecnologia e emprego, mais uma vez soltou uma "pérola" na sua edição do dia 25, mas já no mercado desde o dia de anteontem.

Nem precisamos comentar muito as duas sub-manchetes da tarja superior, com sua ojeriza aos esforços da presidenta Cristina Kirchner de atender ao povo argentino e da citação da "CPI do Cachoeira" como se Veja não tivesse participação nisso. São coisas óbvias. Mas a "inocente" manchete de destaque é que merece uma interpretação subliminar.

Intitulada "Do alto, tudo é melhor", a "reportagem" - devemos colocar aspas nessa palavra, em se tratando do pseudo-jornalismo de Veja - trata aparentemente das vantagens de ser alto, num claro preconceito contra pessoas de baixa estatura, tentando justificar, "cientificamente", porque ser alto é o máximo e ser baixo é uma miséria.

Na verdade, isso pode ser uma metáfora para a "superioridade" do senhor Roberto Civita, o chefão do Grupo Abril, que, apesar de sofrer muito com sua revistinha encrenqueira, ainda a trata como se fosse sua filha mais querida. Que na verdade nasceu bem, nas mãos de gente séria como Mino Carta, mas depois Veja tornou-se uma junkie com chiliques de madame. Mas que ainda se arroga em se dizer "defensora" da ética.

É como se a reporcagem de capa dissesse: "Do alto do Grupo Abril, Roberto Civita é sempre o melhor". Veja, que tenta alucinar os internautas aparecendo em anúncios em tudo quanto é página na Internet - até um portal estrangeiro como Who Dated Whom? é "poluído", nas conexões brasileiras, com bâner da revista Veja, agora usando a capa de sua edição recente sobre o "mensalão" - , tenta se impor não apenas como revista "indispensável", mas também "imperdível".

Veja é megalomaníaca, prepotente, com seu padrão duvidoso de jornalismo, em que se preocupa mais em fazer os redadores escreverem sempre o mesmo tipo de texto - não estou falando dos "calunistas", que gozam de autonomia suficiente para defender, com gosto, os interesses de seu querido patrão-colega (vide a frase de Mino Carta) - , e sua fúria de desqualificar tudo que possa ser de interesse público.

Por isso, Veja parece exaltar os "grandes". Não necessariamente em estatura, afinal a reporcagem de capa da atual edição pode até parecer que os homens de maior tamanho corporal levem a melhor, mas é uma metáfora para reafirmar seu próprio poder midiático, a partir do poderio político e econômico de Roberto Civita (político, sim, pela própria influência ideológica do Grupo Abril como expressão midiática do trio PSDB-DEM-PPS).

Por isso, a revista que, entre outras coisas, acha legal a sobrecarga horária no trabalho, as demissões em massa dos trabalhadores (para Veja, uma ótima oportunidade para eles "se virarem" ante as novas regras do mercado), os cortes nos salários, a desnacionalização da economia, só pode achar que os donos do poder é que sempre levam a melhor.

Se endendermos, por exemplo, a capa da atual edição no âmbito da realidade rural, é como se Veja dissesse que só as "classes produtoras" - eufemismo que a direita define os latifundiários e "coronéis" do interior - é que merecem um lugar ao sol, enquanto os agricultores têm que "se virar" com cursos sobre uso de máquinas agrícolas, informática aplicada à agricultura e, de preferência, cursos de inglês para poder assimilar melhor as novidades do Texas, sobretudo através da "maravilhosa" música dos "sertanejos" fantoches da mídia.

Por isso, Veja, encrencada até os neurônios, apavorada com as denúncias de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, com as associações com o crime organizado até como fontes de "reportagens investigativas" e com a participação acionária de um grupo fascista "da pesada", tenta desesperadamente e, podemos dizer, paranoicamente, se manter no mercado. Nem que seja para hipnotizar os internautas com seu logotipo outrora simpático mas hoje causador de muito constrangimento para a sociedade.

A reputação de Veja é tanta que a má lembrança sobra até mesmo para as fontes gráficas usadas, a fonte Franklin para os títulos e a Times New Roman para os textos e legendas. Ninguém ousaria lançar uma revista alternativa hoje que usasse, a não ser como paródia, uma estruturação de fontes dessa maneira.

Afinal, Veja tornou-se o pesadelo em forma de revista, não dá para respirar com ela, sua linha editorial tornou-se a mais abjeta do país. Nem a Rede Globo e a Folha de São Paulo, nos seus piores e deploráveis momentos, chega aos pés de Veja. Como veículo reacionário da imprensa brasileira, Veja é insuperável.

domingo, 22 de abril de 2012

SE A CHAPA ESQUENTAR, CAPO DA VEJA TERÁ COMO FUGIR DA LEI


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O blogueiro Eduardo Guimarães, neste texto, cita o caso do risco de impunidade que quase sempre assegura os privilégios dos poderosos. Se caso a Editora Abril sofrer sérias consequências com a CPI do caso Cachoeira, da qual Veja é um dos focos de investigação, o empresário Roberto Civita, por ser de origem estrangeira, pode muito bem fugir do Brasil se a coisa ficar feia para seu lado. Será preciso que as autoridades se preparem para caso for preciso alguma habilidade diplomática para, neste caso, garantir punições ao empresário da Abril.

Se a chapa esquentar, capo da Veja terá como fugir da lei

Por Eduardo Guimarães - Blog da Cidadania

Apesar da afetação de arrogância de seus paus-mandados, o italiano Roberto Civita, dono da revista Veja, está perdendo noites de sono com a disposição de cerca de metade do Congresso Nacional de convocá-lo a dar explicações na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que terá início na semana que entra.

Durante a semana que finda, Fábio Barbosa, presidente do grupo Abril, reuniu-se em Brasília com lideranças dos partidos a fim de apresentar um pleito do patrão: não ser convocado a depor.

Há relatos de que Barbosa voltou com a pasta vazia para São Paulo, munido apenas de uma notícia para dar ao chefe: ele colecionou muitos inimigos no Legislativo e, apesar de ter amigos, eles são minoria nas duas Casas legislativas e, assim, dificilmente o capo da Veja não será convocado a explicar uma relação suspeitíssima de sua revista com o crime organizado.

Não é por outra razão que, agora, a grande imprensa escrita – que, inicialmente, tentou ignorar as relações de tenentes da Veja com o crime e a constatação de que incontáveis matérias que a revista publicou originaram-se desses contatos – já trata abertamente do assunto.

As televisões abertas ainda escondem as relações suspeitas da Veja com o crime organizado, mas será difícil que relação tão íntima da revista com os bandidos fique fora dessa mídia quando a CPMI começar a funcionar, pois, nas escutas, a quadrilha de Cachoeira cita reportagens da Veja para favorecê-la, algumas das quais acabaram de fato sendo publicadas.

Além disso, o segredo mais bem guardado sobre a Operação Monte Carlo, até o momento, é o teor amplo dos contatos entre a revista de Civita e a quadrilha. Esse teor, suspeita-se, pode ser muito mais explosivo do que estão supondo jornalistas de outros grandes veículos de comunicação que, tal qual os senadores que apoiaram Demóstenes Torres precipitadamente, nem imaginam o que a Veja andou fazendo nessa cachoeira de corrupção.

O ódio visceral que a mídia nutre por Lula impede que reconheça que ele não é um ingênuo que estimularia uma CPI achando que os adversários políticos e midiáticos não tentariam inverter o foco das investigações, jogando-o contra o governo, o PT e aliados. E que, portanto, sabe muito mais sobre o trabalho da Polícia Federal do que supõem seus inimigos.

A possibilidade de a chapa esquentar para Civita, portanto, não é desprezível. No limite, pode ser considerado membro da quadrilha de Cachoeira, se não for o cabeça. Se isso ocorrer, tal qual o italiano Salvatore Cacciola, Civita pode picar a mula para a Itália a fim de se colocar a salvo da lei brasileira.

Até porque, não haverá de faltar um juiz do Supremo Tribunal Federal para lhe conceder um habeas-corpus às duas da madrugada.

QUANDO RELATIVIZAR, NA CULTURA, PERDE O SENTIDO


Por Alexandre Figueiredo

Para a intelectualidade festejada, que apesar de ser pouco confiável é aplaudida e santificada pela opinião pública média, temos que acreditar numa "meia soberania" cultural e numa "meia criatividade" do povo.

O excesso de relativismo, condenado por antropólogos sérios como Claude Levi Strauss e Clifford Geertz, faz corromper a visão que costuma-se ter sobre cultura brasileira a níveis bastante grosseiros.

No que se diz à brasilidade, o que se vê, nesse discurso intelectual, é uma visão muito confusa do que são identidades nacionais e uma interpretação distorcida sobre a questão das influências estrangeiras.

Confundem-se alhos com bugalhos, junta-se mais o joio com o trigo, tudo por conta de um discurso pseudo-modernista e grotescamente "globalizado", uma verdadeira gororoba discursiva que mistura teorias da Informática dos anos 90, filantropia pop dos anos 80 e o que havia de menos inconformista no Tropicalismo, já na fase pré-Máfia do Dendê dos anos 70, com Tom Zé deixado de lado e Torquato Neto na pátria espiritual.

Por isso é que, quando vemos casos do "sertanejo" que se preocupa mais em imitar a country music com alguns elementos de mariachis e boleros, o intelectualóide da moda acha isso maravilhoso, porque acredita que o povo pobre do interior, teoricamente associado aos músicos "sertanejos" - embora estes já sejam vinculados ao esquema comercial dos barões da mídia e dos latifundiários - , passou a estar em "contato" com o mundo.

NÃO EXISTE "MEIA SOBERANIA"

Imagine um antropólogo ou sociólogo, que geralmente vive num condomínio de luxo, mas que se veste como hippie ou grunge para não despertar suspeitas nos seus alunos, e que acha ótimo que o povo de Goiás ou do Acre saibam das novidades tex-mex de Nashville (tex-mex é uma variação do Nashville Sound, este um country já mais pop, só que acrescido de influências mexicanas), enquanto mal conhece da realidade de seu lugar.

A "realidade" que os nossos caipiras conhecem, na visão "generosa" do festejado intelectual, não é mais do que um estereótipo asséptico do caipira brasileiro, uma visão caricata, conformista, até mesmo imbecilizada. E é de dar pena que muitos analistas de esquerda tenham saído do cinema, depois de ver Os Dois Filhos de Francisco, sem ter a menor ideia de que viram um dramalhão.

Existem conflitos de terra, o poder latifundiário se estende pela mídia, patrocinando - e patrocina, mesmo!! - todo o esquema de entretenimento que envolve os "maravilhosos" breganejos, tecnobregas e ídolos do forró-brega, mas a intelectualidade não quer saber. Ela prefere acreditar que aquilo que entendem como "cultura popular" está isolado numa bolinha de cristal, como tantos brinquedinhos de natal tão lindos de se ver.

Não dá para relativizar as coisas. Não existe "meia soberania", não existe "meia criatividade". Se o brega-popularesco representa a perda de nossas identidades culturais, não é o fato de que historicamente desenvolvemos nossa soberania cultural através da interferência estrangeira que vá justificar a validade da pseudo-cultura que hoje domina o mercado.

Até porque uma coisa é desenvolvermos nossa identidade cultural através do convívio social das comunidades, com a saudável assimilação de elementos estrangeiros que venham se somar às nossas compreensões e hábitos locais.

INTERESSES COMERCIAIS

Mas outra coisa é desenvolver uma "meia identidade" através do que o rádio, a TV e a imprensa escrita dominantes impõem e o povo consome passivamente. Em que pese parte do povo pobre ser recrutada, ano após ano, para personificar o espetáculo do entretenimento popularesco (o que a intelectualidade entende oficialmente como "cultura das periferias"), é um processo decidido de cima para baixo, pelos barões da mídia locais. E os elementos estrangeiros são assimilados de forma subordinada, o que não é difícil de se endenter.

Afinal, no entretenimento brega-popularesco, resultante de todo um sistema de valores decidido de cima para baixo pela mídia regional dominante, impõe os elementos estrangeiros não como forma de enriquecer expressões e visões culturais locais, mas de enfraquecê-las. Afinal, esse entretenimento desmantela identidades locais até para satisfazer interesses comerciais da mídia dominante.

Por isso não existe a "criatividade" através da mediocrização cultural, nem "identidades culturais" por meio de influências estrangeiras impostas pela grande mídia. Vale lembrar, e muito bem, que a influência de culturas estrangeiras imposta pela grande mídia não deve de forma alguma ser confundida com a assimilação natural espontânea de pessoas com forte auto-estima cultural.

Até quando temos que explicar e esclarecer tais diferenças, não se sabe. Afinal, a intelectualidade que está aí usa e abusa do relativismo no seu discurso. Não somente para relativizar a mediocridade cultural como uma pretensa "criatividade intuitiva do povo pobre" ou para relativizar o desmantelamento das identidades culturais como se fosse uma "transformação e adaptação aos novos tempos". Eles relativizam tudo, até demais.

PLATEIA IGUAL A DO PADRE MARCELO ROSSI

Relativizam o discurso, misturando teses e métodos científicos com persuasão publicitária, raciocínio esotérico, pregações religiosas. Tudo vira um espetáculo, a partir de "sacerdotes" como Paulo César Araújo, Roberto Albergaria, Milton Moura, Pedro Alexandre Sanches e os "cientistas" Hermano Vianna e Ronaldo Lemos. Mas, no fundo, a plateia que assiste a eles não difere muito às plateias do padre Marcelo Rossi.

Afinal, esses intelectuais não são analisados. São apreciados, numa tietagem escancarada, não raro piegas, induzida a choramingar por ídolos "coitadinhos" como Waldick Soriano e Wando, José Augusto e Amado Batista. Não há um raciocínio crítico, analítico ou coisa parecida, apenas as pessoas creem no que um Paulo César Araújo disser, a visibilidade dele o redime de qualquer bobagem.

Com esse excesso de relativização, só podemos afirmar que não seguimos um caminho. Pois ele não é mais do que um "meio caminho". O Brasil insiste em se "evoluir" pela metade, sonhando com uma "revolução sócio-cultural" dentro das estruturas de poder do entretenimento midiático vigente.

O Brasil não cresce de forma substancial, porque depende sempre de "meias mudanças", paliativos que uns se arrogam e se enganam em crer como soluções para a humanidade. E isso inclui a cultura. Se for pelo caminho que está sendo tomado, o Brasil nunca se tornará uma potência mundial, tendo de se contentar em ser um reles quintalzinho do Primeiro Mundo.
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