quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

COMO SE PÔDE IR AO MAIS BAIXO GRAU DE CREDULIDADE?



Por Alexandre Figueiredo

O exemplo da aceitação, deslumbrada e submissa, a um projeto como o Jornalismo nas Américas, mais um projeto do capitalismo norte-americano para "integração continental" da América Latina e do Caribe, mostra o quanto a opinião pública média brasileira chegou ao mais baixo grau de credulidade, de subserviência e de deslumbramento.

Sim, o pessoal que poderia ter uma visão um pouco mais racional e crítica da realidade acaba aderindo, com um sentimentalismo piegas, a qualquer proposta que pareça "inovadora" e "mais prática". Sucumbiram ao mais baixo grau da credulidade humana conhecido em nosso Brasil.

Imagine se um grupo de pessoas fora assaltado e o ladrão, em vez de dizer "Passem todo o dinheiro e seus objetos de valor!" diga "Eu sou funqueiro e preciso de tudo que vocês têm para pagar minhas contas". Os assaltados irão sorrir felizes e darão tudo que têm para o assaltante, até agradecidamente, pasmem, e ficando á própria sorte em nome de uma "causa nobre".

Sim, porque a essas alturas da mediocridade cultural dominante, ser funqueiro virou "causa nobre". Basta seus ideólogos, como todos os ideólogos da mediocridade cultural dominante, dizerem a mesma retórica que elogie o que eles entendem por "periferias" e que falem naquilo que eles concebem como "novas mídias" e, pronto, dá unanimidade na certa.

Qualquer um vira um "deus" quando fala em "novas mídias", de um lado, e "cultura das periferias", de outro. Suas ideias podem ser duvidosas, a retórica confusa, a visão elitista, e em vez de coerência, há toda uma abordagem sentimentalista, piegas, persuasiva até demais.

No entanto, o ideólogo que apostar nesses truques, tal qual um mágico de circo, um perfeito ilusionista da palavra, torna-se unanimidade da noite para o dia. Quase todo mundo vai falando bem do palestrante em questão e será preciso ter muita visibilidade para se falar mal dele e desmascarar suas ideias confusas e cheias de contradições.

O caso Jornalismo nas Américas, assim como o "funk carioca", são exemplos gritantes de como a credulidade humana pôde chegar em nossos dias. Se estivéssemos em 1961, 1964, ou mesmo no primeiro semestre de 1968, o projeto do Centro Knight da Universidade do Texas seria visto como uma campanha do imperialismo norte-americano para castrar a imprensa latino-americana.

Mas, a julgar de uma "esquerda" que condena as esquerdas em quase tudo, que fala mal das "patrulhas" ideológicas de 1968, que ataca Chico Buarque, que desqualifica o ISEB e deprecia o Centro Popular de Cultura da UNE, mas enche de louvores o direitista Waldick Soriano, ver o projeto do Centro Knight como uma campanha dos EUA para manter sua influência sobre as Américas é visto como "paranoico".

A essas alturas, nem a influência do especulador financeiro George Soros, nem as memórias de Henry Ford e Nelson Rockefeller servem para desqualificar a intelectualidade etnocêntrica que se apoia de seus projetos (nos dois últimos casos, Fundação Ford e Fundação Rockefeller). Até porque essa plateia crédula já deve estar acreditando, tolamente, que George Soros reinventou o socialismo marxista, o que é um absurdo.

E depois esse pessoal quer figurar ao lado de Emir Sader, Altamiro Borges e Luís Nassif, quer defender a "regulação da mídia" (desde que mantenha as popozudas e seus traseiros enormes em close), entre outras causas progressistas de verdade.

Até certo ponto não se sabe se é boa-fé ou má-fé, mas isso desqualifica, e muito, as esquerdas intelectuais brasileiras. Apesar da lucidez de Emir, Altamiro, Nassif, Venício A. de Lima, Fábio Konder Comparato, Laurindo Lalo Leal Filho e outros, gente com ideias coerentes e visão crítica da realidade, eles são ofuscados por uma outra intelectualidade, dotada de delírios e discursos tecnocráticos falados em tom messiânico, hipnotizando as plateias deslumbradas.

São esses intelectuais de crédito duvidoso, como Pedro Alexandre Sanches, Ronaldo Lemos, Hermano Vianna, Paulo César Araújo e companhia, que mancham a intelectualidade e corrompem o simples processo de análise crítica da realidade, através de meias-verdades ou até mentiras descritas numa confusão de citações, referências, argumentos e desculpas.

Se a opinião pública chegou ao ponto de eleger o grotesco de matizes pré-históricas do "funk carioca" ao posto de "arte superior", com toda a choradeira apologista a que tem direito, o Brasil, em sua cultura, anda num caminho bastante perdido.

O que poucos sabem é que nenhuma melhoria de ordem política e econômica será efetivada dentro de um contexto de cultura de baixa qualidade, com valores retrógrados e mediocridade artística dominando no mercado e na mídia.

Certa vez, um conhecido blogueiro disse, ao reportar as prévias do Partido Democrata no Texas, EUA, que desejaria viver lá, por ser o Estado da Universidade do Texas (de fato, uma universidade pública, que detém os documentos da investigação jornalística de Carl Bernstein e Bob Woodward no caso Watergate, mas hoje sucumbe a projetos a serviço do imperialismo), sem saber que lá existe um Geraldo Alckmin a cada metro quadrado.

Por isso mesmo, é preocupante a credulidade dessas pessoas. Pouco importa sua formação universitária, sua relativa consciência crítica, se no âmbito da cultura brasileira há uma ingenuidade gritante, uma credulidade infantil, uma falta de senso crítico em certos aspectos da realidade.

Por isso a situação é preocupante. Pelo jeito, teremos que dar uma resposta menos delicada ao já menos delicado comentário do jornalista Carlos Nascimento, do SBT: Nossos problemas ainda não foram todos resolvidos e muitas pessoas ainda se comportam como perfeitas idiotas.

A MORDOMIA DE MR. CATRA NA GLOBO



Por Alexandre Figueiredo

Claro, num país em que Merval Pereira entra na Academia Brasileira de Letras por causa de uma pálida coletânea de artigos, celebridade é aquela Luíza que voltou do Canadá, atração de TV é o Big Brother Brasil e ídolo internacional é Michel Teló, Mr. Catra tinha que vender a falsa imagem de cult na telinha da Globo.

Mr. Catra, segundo certos caros amigos, segue invisível nas corporações da grande mídia. Exceto na maior delas, as Organizações Globo. Há um bom tempo - mesmo quando a Caros Amigos imaginava que ele estava fora da mídia - os irmãos Marinho, filhos do "Dr. Roberto", estendem o tapete vermelho para o funqueiro, que é até amigo de Luciano Huck.

No último fim de semana, Mr. Catra esteve no programa Altas Horas, espécie de laboratório para nomes "difíceis" do brega-popularesco. E, diante da baixa rotatividade do Rock Brasil, eis que os antes admiráveis Titãs - talvez seja influência espiritual de Marcelo Fromer - foram tocar com o funqueiro (que por sinal anda imitando a "extravagância" do gangsta rap estadunidense).

Sim, porque hoje em dia o Rock Brasil, para se manter na mídia, precisa vender sua alma para qualquer imposição de mercado. Tudo para ver se apresenta nas vaquejadas do interior do país, para ver se atinge maior visibilidade no interior do país, monopolizado por breganejos e grupos de forró-brega.

Mas se já vimos os dois Paralamas Bi Ribeiro e João Barone, com o legionário Dado Villa-Lobos, venderem suas almas para um dueto tendencioso com Chimbinha, da Banda Calypso, tudo é possível. Mr. Catra, que cantou com ídolos sambregas, é que é o rei da mídia. Os Titãs é que têm que fazer qualquer favor para continuarem em evidência, apesar de muito mais talentosos que o funqueiro.

E Mr. Catra está tão dentro da velha grande mídia - a mesma que tem Merval Pereira e Miriam Leitão como seus "grandes jornalistas" - , e logo as Organizações Globo, que o jornal popularesco light Extra, na sua coluna Retratos da Vida, tratou o funqueiro como se fosse um "intelectual", colocando-o em alta no termômetro de sobe e desce da coluna, na edição de ontem.

Claro, um jornal como Extra tem tanta moral para dizer quem é intelectual ou não quanto Reinaldo Azevedo tem moral para falar sobre socialismo. E pelo jeito que Mr. Catra é citado no jornal, até parece que é um grande artista. Claro, vivemos em tempo de Michel Teló, em que a mediocridade cultural é tida como "genial" até para gente como Ronaldo Lemos e Pedro Alexandre Sanches.

Desse modo, não é surpresa alguma que os editores de Veja, rindo de toda a condescendência com a mediocridade cultural dominante, já escolheram qual o primeiro país dos BRICs a se tornar potência mundial: a China.

Com toda a falta de liberdade que vive o povo chinês, pelo menos lá existe educação e investimentos para tecnologia e emprego, enquanto no Brasil se brinca com a cultura brasileira como se esta fosse uma lavagem de porco.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"JORNALISMO NAS AMÉRICAS": O "NEW DEAL" DA IMPRENSA?


ROSENTAL CALMON ALVES TRAZ A RECEITA DE TIO SAM PARA AS "MÍDIAS PROGRESSISTAS".

Por Alexandre Figueiredo

Uma nova armadilha pode ter sido posta a caminho e até agora ninguém percebeu. Mais uma vez, os EUA lançam mais um projeto em que a "integração interamericana" é um pretexto para fazer prevalecer os interesses da supremacia norte-americana nas Américas, e o assunto necessita de maior discussão, ao invés do deslumbramento reinante.

Trata-se do projeto "Jornalismo nas Américas", do Centro Knight (Knight Center, no original), em parceria com várias universidades norte-americanas, atualmente a Universidade do Texas, em Austin. No Brasil, o projeto é representado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI).

Tudo indica que o projeto é uma espécie de "Aliança para o Progresso" ou "New Deal" para a imprensa internacional. Seu princípio, dentro do ponto de vista do capitalismo norte-americano, é "aprimorar a liberdade de imprensa e a democracia no hemisfério", o mesmo discurso visto nas iniciativas imperialistas de controle social na América Latina e no Caribe.

Sua unanimidade chega a ser suspeita e estarrecedora. Afinal, é bom demais para ser verdade que um projeto referente ao jornalismo seja lançado nos EUA para a "natural integração" das Américas. Sobretudo quando o foco é, mais uma vez, a América Latina e o Caribe, dentro desse "generoso" projeto cuja unanimidade no deslumbramento é preocupante.

No fundo a iniciativa soa como uma adaptação dos princípios da "Aliança para o Progresso" lançada há 50 anos por John Kennedy e do "Novo Acordo" de Franklin Roosevelt para o âmbito do jornalismo, guardadas as devidas diferenças no contexto e na época em que vivemos.

Sua figura central é o brasileiro Rosental Calmon Alves. É um senhor de boas relações no meio jornalístico brasileiro e também é ligado à ABRAJI. Tem passagens na Veja e no Jornal do Brasil (em sua fase pró-FHC), quando implantou, em 1995, o jornalismo digital que constituiria na atual e única versão do periódico (que, tempos depois, já superou essa fase pró-tucana).

Aparentemente, Rosental tem ideias pertinentes a respeito da relação entre jornalismo impresso e jornalismo digital, e defende um jornalismo mais profissionalizado. Mas o projeto do Centro Knight, embora promova a solidariedade em geral aos jornalistas do mundo inteiro e ao combate à violência e repressão sofridas pela imprensa, deve ser visto com muita cautela.

O primeiro aspecto sombrio que aparece é a contribuição financeira da Open Society Foundation, de George Soros, o magnata e especulador financeiro que agora aplica dinheiro para manter projetos e instituições sociais situadas em várias partes do mundo sob seu poder. A informação está clara no sítio da Universidade do Texas, através de uma nota publicada no portal do Centro Knight.

VELHA MÍDIA NÃO SE SENTE INTIMIDADA. ATÉ APOIA

Mais uma vez, a exemplo do que vimos no caso Ronaldo Lemos, a defesa das "novas mídias digitais", aqui especificadas para o jornalismo, do projeto "Jornalismo nas Américas", parecem causar um fascínio para as mentes progressistas de senso crítico pouco apurado, mas por outro lado parece causar um sossego insuspeito aos barões da grande mídia e seus porta-vozes.

Estes nem de longe parecem assustados com a pregação "progressista" de Rosental (que segue o mesmo raciocínio de Lemos, mas voltado ao jornalismo). Não se sentem ameaçados em um momento sequer. Pelo contrário, sentem-se muito satisfeitos com isso, o que mostra o quanto essas "novas mídias" nem de longe afetam as velhas estruturas da mídia e seus personagens.

Afinal, que mídia "transgressora" é essa que não traz insônia para os detentores do poder? Que "nova mídia" é essa que não assusta a velha mídia? Pesquisando a Internet, nota-se que Rosental Calmon Alves é defendido por gente envolvida no mais canhestro jornalismo conservador, Merval Pereira, Carlos Alberto di Franco, Miriam Leitão e William Waack.

Di Franco, o especialista em "novas mídias" ligado ao Instituto Millenium e à Opus Dei, havia feito muitos elogios a Rosental, no artigo "Jornalismo, Humildade e Qualidade". Não estaria ele, todavia, incomodado, se o Centro Knight para o Jornalismo nas Américas fosse realmente um projeto "transgressor" das velhas normas jornalísticas?

Aparentemente, o projeto "Jornalismo nas Américas" se expressa como imparcial, mas até que ponto isso assim ocorre cabe averiguar com cuidado. Afinal, a aparente "ausência" de ideologias, defendida até mesmo por di Franco no citado artigo, em que define as dicotomias "esquerda e direita" e "conservador e progressista" como "patológicas", é algo dito até pelo Instituto Millenium e em pensadores como Francis Fukuyama.

PONTOS NEBULOSOS

O aparente "equilíbrio ideológico" do projeto do Centro Knight, embora se baseie no respeito institucional às nações das três Américas, algo visto com naturalidade pelas gerações mais recentes ou por quem viu a queda do Muro de Berlim derrubar qualquer questão ideológica, pode indicar, no entanto, um neo-neoliberalismo que está em vista através da nova realidade tecnocrática em jogo.

Alguns pontos nebulosos são vistos com a declaração de Rosental sobre o caso Wikileaks. Condenando os excessos da histeria do Partido Republicano contra Julian Assange, o jornalista brasileiro cita uma frase típica do conceito norte-americano de "democracia".

Tais palavras, aparentemente, não causam estranheza: "Tomara que os mais exaltados se acalmem e que a democracia americana saiba responder aos desafios criados por esta situação, sem abrir mão de seus princípios mais fundamentais".

No entanto, o que Rosental quis dizer foi que o caso deva ser resolvido dentro da chamada "legalidade democrática" das autoridades estadunidenses, o que significa, num raciocínio bem mais profundo e crítico, que o caso Wikileaks seja resolvido de forma a proteger os sigilos políticos dos documentos confidenciais. É das leis estadunidenses o caráter confidencial desses documentos, pelo interesse estratégico de autoridades e militares de manter tais segredos.

Isso quer dizer que, para Rosental, o problema deva ser resolvido sem que os EUA abram mão de "seus princípios mais fundamentais", que aliás incluem o sigilo absoluto de documentos confidenciais de toda ordem, mesmo os caluniosos e aqueles que planejem ataques bélicos ou golpes em outros países.

Pode-se inferir que, por trás desse discurso, Rosental sugere que o "ideal" é que Assange seja preso e julgado sem qualquer violência, mas dentro da "legalidade democrática", e que o Wikileaks seja extinto, embora "reconhecido" formalmente como um "admirável fenômeno" das "novas mídias".

Sobre o caso Yoani Sanchez, blogueira cubana famosa por suas associações ao neoliberalismo político, Rosental foi categórico na defesa dela: "Yoani Sánchez é um farol de liberdade que irradia uma luz de coragem e esperança a partir de uma ilha do Caribe afetada pela crônica treva de informações e uma atrofia das liberdades individuais".

Cabe aqui questionar o estranho deslumbramento para um projeto que, mais uma vez, pode estar escondendo os interesses de supremacia dos EUA sobre os demais países do continente. Um projeto que, com todas as suas sutilezas, esconde seu mecanismo de controle social dentro de uma retórica aparentemente "progressista" que seduz a muitos.

A FORMAÇÃO CONSERVADORA DE PEDRO ALEXANDRE SANCHES


SERÁ QUE MOSCA NA SOPA TAMBÉM NÃO PASSA DE UMA "DESPREZÍVEL QUESTÃO DE GOSTO"?

Por Alexandre Figueiredo

O jornalista Pedro Alexandre Sanches, sabemos, tem uma formação bastante conservadora. E não é só pela influência da Teoria da Dependência de Fernando Henrique Cardoso e pela visão de "fim da história" de Francis Fukuyama que Sanches adapta com precisão nos seus textos culturais, mas também pela preocupação dele em evitar a discussão de questões estéticas e de gosto.

Mais uma vez ele apela para essa paranoia no texto de Caros Amigos sobre a "riqueza musical de 2012", na edição deste mês. Juntando Michel Teló e Emicida, Sanches, ao falar do cantor de "Ai Se Eu Te Pego", tentou fazer dele um "coitadinho", coisa que ele faz muito, juntando as influências de Paulo César Araújo com Hermano Vianna.

Aí o colonista-paçoca, "comovido" com a alta rejeição recebida por Teló, reforçou sua solidariedade ao ídolo breganejo citando até a versão em inglês do seu maior sucesso, como "prova" do suposto potencial mundializado do cantor.

Então, Sanches investe na tese de que temos que abandonar as questões de gosto e darmos valor a qualquer ícone da mediocridade cultural que tenha a palavra "popular" gravada na testa. E, ao desaconselhar que avaliemos as questões de gosto, o jornalista acaba mostrando seu equívoco evidente.

AFINAL, QUEM É QUE GOSTA DE BREGAS E DERIVADOS?

Recentemente, o cantor inglês Morrissey, que eu admirava desde os anos 80, como fã dos Smiths, disse a respeito da imposição da mídia ao público de consumir "bens culturais" duvidosos: "Você não tem a permissão de escolher a canção que quer escutar. Você é bombardeado na cabeça com música que outros escolhem para você ouvir. E assim ela se torna insignificante'.

Até parece que Morrissey fala sobre o Brasil. Mas a frase do sensato cantor inglês, longe da esfera de sonho dos intelectualóides mais influentes em nosso país, fala muito sobre as questões que estão por trás do "gosto popular".

Afinal, quem é que gosta hoje de alguma coisa? O brega-popularesco parece espontâneo, à primeira vita, mas na verdade essa pseudo-cultura "popular" é fruto de uma propaganda não muito diferente do que as de automóvel, por exemplo.

Afinal, ninguém realmente gosta de Alexandre Pires, Michel Teló, Tati Quebra-barraco, Valesca Popozuda, Chitãozinho & Xororó, Mr. Catra. Todos eles representam o mais rasteiro "pop comercial" brasileiro. São empurrados por rádios controladas por políticos, latifundiários, sob o patrocínio de multinacionais e coisa e tal.

Não há como botar culpa no povo pobre por isso. Afinal, "gosto" é uma questão que encontra muitos problemas no Brasil. Mas a defesa da intelectualidade etnocêntrica - na qual Pedro Alexandre Sanches faz parte, como um de seus astros maiores - investe na "ditabranda do mau gosto", como se o "mau gosto" fosse uma proposta desafiadora e corajosa do que esses intelectuais entendem como "cultura popular".

Não é. Até porque esse império do "mau gosto", tido como "revolucionário", nada fez de concreto em favor das classes populares e nem em benefício do patrimônio cultural brasileiro. Em nenhum momento qualquer melhoria foi feita neste sentido.

GOSTO ENVOLVE PRAZER, VONTADE, CONSCIÊNCIA CRÍTICA

Sanches é que vê riqueza musical em qualquer bosta. Se ele pensar em culinária tal qual pensa em música, achará que não há problema em haver mosca na sopa ou fezes em churrasco. Tudo "tem valor", "não precisamos gostar", "esqueçam as questões de saúde".

Daí que, nesse caso todo, a questão do gosto importa, sim. Porque gosto se discute, lembrou bem o professor baiano Ruy Espinheira, até porque ninguém gosta naturalmente de coisa alguma na vida.

A questão de gosto envolve questões de prazer, vontade, consciência crítica. Se ocultarmos as questões de gosto e de estética, simplesmente eliminamos boa parte do sentido comunicativo do entretenimento, para nos conformarmos com o aparente êxito de referenciais de valor duvidoso jogados aos montes para o grande público.

E essa análise é tão certa que Pedro Alexandre Sanches, o arauto da velha grande mídia que finge combatê-la, no fundo só quer salvar o mercado, as rádios FM, a TV aberta, tudo isso que ele finge falar mal e reprovar, mas aprova com gosto.

Isso porque ele deve ter aprendido com as velhas gerações conservadoras sobre o chá de losna, de um gosto muito amargo, mas que a criançada era obrigada a tomar. "Não é para gostar, é para tomar", diziam os pais dessa época. Sanches nasceu no AI-5, mas como era um contexto conservador, talvez se lembre de tais lições ainda prevalecentes no Brasil rural de 1969-1972.

Portanto, não dá para entender por que o conservadorismo ideológico de Pedro Alexandre Sanches, tingido em vernizes pseudo-modernos, são servidos ainda para plateias esquerdistas deslumbradas. Ou talvez dê para entender, sim.

Afinal, o Brasil não tem tradição esquerdista, e ao lado de uma esquerda emergente (Altamiro Borges, Emir Sader, Rodrigo Vianna), temos pseudo-esquerdistas como Pedro Sanches e Ronaldo Lemos para enganar a plateia vendendo o status quo brega-popularesco como se fosse "o novo folclore brasileiro".

Tudo sob as bênçãos do capitalismo estrangeiro, da velha mídia brasileira e seus asseclas. Não precisamos gostar dessas porcarias. Até porque ninguém gosta, mesmo. A submissão midiática das multidões pouco esclarecidas é que as faz se submeterem ao que a velha mídia impõe como se fosse a "verdadeira cultura popular".

E todo mundo consome como se estivesse "gostando", mas nisso o povo se anula como pessoas pensantes e atuantes, enquanto deixa de ter personalidade e vontade próprias.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

TRAGÉDIA EM BASE DA MARINHA FOI MOTIVADA POR BAIXOS INVESTIMENTOS


BASE DA MARINHA BRASILEIRA NA ANTÁRTIDA, EM FOTO DE 2009.

Por Alexandre Figueiredo

Os baixos investimentos em pesquisas, vício ainda não superado, mesmo no governo de Dilma Rousseff, junto a uma ojeriza às Forças Armadas que impede ampliar a aplicação de recursos financeiros, fez com que a estrutura da base da Marinha do Brasil na Antártida, velha e sem manutenção, provocasse um incêndio que deixou dois mortos e vários feridos.

A tragédia aconteceu na madrugada do último sábado, e os mortos eram o suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o sargento Roberto Lopes dos Santos, cujos corpos foram guardados na base chilena, que chegarão ao Brasil amanhã.

A base é relativamente recente, inaugurada em 1984, e se dedicava às pesquisas científicas de âmbito biológico, geológico, além de ciências espaciais e atmosféricas. O incêndio destruiu 70% das instalações. Um dos feridos sofreu queimaduras nas mãos e num dos braços. 47 pessoas trabalhavam na base, incluindo os feridos.

Agora a base receberá recursos financeiros para sua reconstrução. O ideal era que a base fosse sempre modernizada e recebesse manutenção periódica nas suas instalações. As atividades científicas foram comprometidas com o incidente, o que é lamentável.

Não se pode sentir ojeriza total às Forças Armadas. É um mito que todos os militares tenham defendido o golpe militar, a ditadura, o AI-5 e outras medidas repressivas. O mal não está nas instituições militares em si, porque há o outro lado, de pessoas íntegras e batalhadoras. Um exemplo foi o marechal Henrique Lott, do Exército brasileiro, figura sempre defensora da Constituição e da liberdade democrática.

Na base da Marinha, estavam cientistas que, independente de serem militares ou civis, realizavam atividades de pesquisa na Antártida, que poderiam ajudar muito na compreensão dos efeitos ecológicos que hoje vivemos. E que seriam de muita utilidade para a sociedade civil, pela relevância indiscutível de tais pesquisas.

Mas o Brasil prefere o espetáculo do entretenimento mais chulo, enquanto despreza nossos cientistas e pesquisadores, que não recebem investimentos de ponta. Estes, muitas vezes trabalhando discretamente, poderiam descobrir muitas coisas, desde possíveis catástrofes ambientais que podem ser prevenidas até curas de muitas doenças.

Em várias partes do Brasil e do mundo, temos cientistas de valor. Mas é preocupante o desprezo que a dita "opinião pública" tem a eles. Há dinheiro de sobra para levar Michel Teló para viajar em qualquer parte do mundo, mas "não há" dinheiro para investir em nossos cientistas.

É por isso que se dá a deixa para a direitona midiática, como a revista Veja, que, explicitamente, torce para a China como o primeiro dos BRICs a chegar ao Primeiro Mundo. O Brasilzinho medíocre que fique esperando, enquanto brinca nas folias e, depois, na Copa e nas Olimpíadas a serem realizadas no país.

QUEM ESTÁ POR TRÁS DE YOANI SANCHEZ?



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Por que a chamada "democracia liberal" só tem praticamente uma militante blogueira se destacando entre outros que, embora tenham seus blogues, não se destacam nessa atividade (e até condenam, pasmem, a blogosfera, no fundo usam apenas o "veneno" como "antídoto" contra o que entendem por "blogues sujos").

Yoani tem um discurso envolvente, mas cheio de falhas. Nunca mostrou provas de que foi torturada ou reprimida, e além disso tem um apoio suspeito da velha grande mídia mundial. O patrocínio do governo norte-americano a ela é uma suspeita provável, e aqui informações reforçam esta tese, que põe em xeque a "doce" reputação da cubana.

Quem está por trás de Yoani Sánchez? Que interesses ela representa? Quem a financia? Novas revelações

Por Antônio Mello - Blog do Mello

Nunca houve uma dissidente cubana como a blogueira Yoani Sánchez. Nunca nenhum deles recebeu tanto dinheiro do exterior quanto ela. Só em prêmios por sua atividade anticubana a blogueira recebeu um total de 250 mil euros, o que lhe garante uma vida de magnata em Cuba. Para receber esse valor um trabalhador cubano teria de trabalhar por 1488 anos, com um salário-mínimo mensal.

Yoani, além do mais, é assim unha e carne, C&B (o orifício central e seu entorno) com a diplomacia dos EUA, como provou Wikileaks ao divulgar correspondência do US Interests Section Havana, quando perguntas (e sugestões de respostas) foram enviadas desde Cuba para que fossem respondidas (e o foram, nos termos) pelo presidente Obama. Que outro dissidente conseguiria isso, senão ela?

As relações de Yoani Sánchez com o governo dos EUA são tão estreitas, que um antigo chefe da Sección de Intereses Norteamericanos (SINA) em Havana Michael Parmly manifestou sua preocupação com a divulgação de documentos pelo Wikileaks:

"Me molestaría mucho si las numerosas conversaciones que tuve con Yoani Sánchez fueran publicadas. Ella podría pagar las consecuencias toda la vida".

O que teria de tão importante nessas conversas entre o representante do governo dos EUA e a blogueira que custaria tão caro a Yoani se viessem a público?

Sobre as particularidades do blog multimilionário de Yoani muito já se falou. Mas agora o jornal mexicano La Jornada mostra que até números de seguidores de Yoani no Twitter são vitaminados:

El sitio www.followerwonk.com permite analizar el perfil de los seguidores de cualquier miembro de la comunidad Twitter. El estudio del caso Yoani Sánchez es revelador en varios aspectos. Un análisis de los datos de la cuenta Twitter de la bloguera cubana, que se realizó a través del sitio, revela a partir de 2010 una impresionante actividad de la cuenta de Yoani Sánchez. Así, a partir de junio de 2010, Sánchez se ha inscrito en más de 200 cuentas Twitter diferentes cada día, con picos que podían alcanzar 700 cuentas en 24 horas. A menos de pasar horas enteras del día y de la noche en ello –lo que parece altamente improbable– resulta imposible abonarse a tantas cuentas en tan poco tiempo. Parece entonces que ha sido generado mediante un robot informático.

Del mismo modo, se descubre que cerca de 50 mil seguidores de Sánchez son en realidad cuentas fantasmas o inactivas, que crean la ilusión de que la bloguera cubana goza de una gran popularidad en las redes socialeshttp://www.blogger.com/img/blank.gif. En efecto, de los 214 mil 63 perfiles de la cuenta @yoanisanchez, 27 mil 12 son huevos (sin foto) y 20 mil revisten las características de cuentas fantasmas con una actividad inexistente en la red (de cero a tres mensajes mandados desde la creación de la cuenta).

Entre las cuentas fantasmas que siguen a Yoani Sánchez en Twitter, 3 mil 363 no tienen a ningún seguidor y 2 mil 897 sólo siguen la cuenta de la bloguera, así como a uno o dos cuentas. Del mismo modo, algunas cuentas presentan características bastante extrañas: no tiene ningún seguidor, sólo siguen a Yoani Sánchez y han emitido más de 2 mil mensajes.

Quem vitamina a conta de Yoani Sánchez? Com que interesses?

Leia a reportagem completa de La Jornada aqui.

O BRASIL NA TV



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A supremacia das redes sediadas no Rio de Janeiro e em São Paulo há muito tempo contribuiu para a deterioração sócio-cultural no país, desvalorizando as identidades regionais em prol das redes que mostram mais a realidade de seus locais de origem. Leis foram feitas para reduzir tal supremacia, mas elas encontram resistência no Congresso Nacional.

O Brasil na TV

Por Laurindo Lalo Leal Filho (*) - Revista do Brasil - Reproduzido na Agência Carta Maior

O Brasil que se vê na TV está restrito ao Rio e à São Paulo, salvo raras exceções. Exibem-se nas novelas e nos telejornais, lindas paisagens e graves problemas urbanos dessas metrópoles para todo o país.

Fico a me perguntar o que interessa ao morador de Belém o congestionamento da Marginal do Tietê, exaustivamente mostrado pelas redes nacionais de TV? Não haveria fatos locais muito mais importantes para a vida dos telespectadores do Pará do que as mazelas da capital paulista?

No entanto, o conteúdo que vai ao ar não é determinado pelos interesses ou necessidades do telespectador e sim pela lógica comercial. Para o empresário de TV local é mais barato e mais lucrativo reproduzir o que a rede nacional de televisão transmite, inserindo alguns comerciais da região, do que contratar profissionais para produzir seus próprios programas.

Para as grandes redes trata-se de uma economia de escala: com um custo fixo de produção, o lucro cresce à medida em que os anúncios são veiculados num número crescente de cidades.

Isso ocorre porque como qualquer outra atividade comercial a lógica do capital é a da concentração, regra da qual a televisão, movida pela propaganda, não escapa. Só que a TV não é, ou não deveria ser, apenas um negócio como outro qualquer.

Por transmitir valores, idéias, concepções de mundo e de vida, ela é também um bem cultural e não uma simples mercadoria. Dai a necessidade de ser regulamentada e ter os seus serviços acompanhados de perto pela sociedade.

Como concessões públicas, as emissoras têm obrigação de prestar esses serviços de maneira satisfatória, atendendo às necessidades básicas de informação e entretenimento a que todos tem direito. Caso contrário, caberiam reclamações, processos e punições, como ocorre em quase todas as grandes democracias do mundo.

Aqui, além de não existirem órgãos reguladores capazes receber as demandas do público e dar a elas os devidos encaminhamentos, não temos uma legislação capaz de sustentar esse processo. Por aqui vale tudo.

E quem perde é a sociedade, empobrecida culturalmente por uma televisão que a trata com desprezo. Diretores de emissoras chegam a dizer, preconceituosamente, que “dão ao povo o que o povo quer”.

Um caso emblemático da falta que faz essa legislação é o da produção e veiculação de programas regionais. Se o mercado concentra a atividade televisiva no eixo Rio-São Paulo, cabe a lei desconcentrá-lo, como determina artigo 221 da Constituição, até hoje não regulamentado.

Sua tramitação é seguidamente bloqueada no Congresso por parlamentares que representam os interesses dos donos das emissoras de TV.

Em 1991 a então deputada Jandira Feghali apresentou um projeto de lei estabelecendo percentuais de exibição obrigatórios para produção regional de TV no Brasil. Doze anos depois, em 2003, após várias concessões feitas para atender aos interesses dos empresários, o texto foi aprovado na Câmara e seguiu para o Senado, onde dorme um sono esplendido até hoje.

São mais de vinte anos perdidos não apenas para o telespectador, impossibilitado de ver o que ocorre na sua cidade e região. Perdemos também a oportunidade de abrir novos mercados de trabalho para produtores, jornalistas, diretores, atores e tantos outros profissionais obrigados a deixar suas cidades em busca de oportunidades limitadas nos grandes centros.

Mas se os interesses empresariais das emissoras bloqueiam esse florescimento artístico e cultural, as novas tecnologias estão abrindo brechas nessas barreiras. O barateamento e a diminuição dos equipamentos de captação de imagens impulsionaram o vídeo popular e a internet vem sendo um canal excelente de divulgação desses trabalhos.

Combina-se a vontade e a capacidade de fazer televisão fora das emissoras tradicionais com a necessidade do público de acompanhar aquilo que acontece perto de sua casa ou de sua cidade.

O que não descarta a necessidade da existência de programação regional nas grandes emissoras, como forma de tornar o Brasil um pouco mais conhecido pelos próprios brasileiros.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A "RIQUE$A" MUSICAL DE 2012 E OS "AGRADOS" AOS TRADICIONALISTAS


INEZITA BARROSO VERSUS MICHEL TELÓ - Como é que um mesmo rótulo pode envolver nomes tão antagônicos...

Por Alexandre Figueiredo

O arauto da mediocrização cultural brasileira, Pedro Alexandre Sanches, ataca mais uma vez. Mas, em parte, com categoria. Se, na edição deste mês de Caros Amigos, ele despejou a lixeira nos corredores da Casa Amarela ao defender o ídolo "mundial" Michel Teló, na da revista Fórum ele tentou afagar os tradicionalistas, escrevendo sobre a tradicional cantora caipira Inezita Barroso.

Isso dá um bom indício de que o colonista-paçoca começa a ser duramente criticado pelos leitores da revista Fórum, sobretudo quando se divulgou que ele concordou com um elogio ao general Médici feito por um de seus entrevistados. Daí a tentativa do crítico, que havia exaltado tantos ídolos medíocres, agora falar sobre uma grande entendida da música caipira autêntica.

Mas chega a ser risível que Sanches escreva sobre Inezita na Fórum e defenda Michel Teló na Caros Amigos. Sua defesa chega a ser tão cínica que Sanches, preocupado com as críticas negativas ao cantor de "Ai Se Eu Te Pego", se consola com a sofística frase "falem mal, mas falem dele", corroborando o mito de "sucesso mundial" do cantor paranaense de família mato-grossense.

Pelo menos Sanches não foi longe demais chamando Michel Teló de "Julian Assange brasileiro" - para o colonista-paçoca, qualquer palhaçada feita aqui é "rebelião social" - nem classificou o cantor como "índio do Alto Xingu", já que Sanches andou usando alusões étnicas para defender a mediocrização do popularesco.

No entanto, o crítico tentou promover a imagem de "vítima" de Michel Teló - sempre os "coitadinhos" - e ainda por cima "justificou" o suposto sucesso internacional elogiando (?) a versão em inglês de "Ai Se Eu Te Pego", com uma tradução tão simplória e autômata que os créditos da letra em inglês deveriam ser necessariamente dados ao Google Translator.

Sanches insiste na ponte entre ídolos bregas e artistas "cultuados" ou "performáticos" - no texto em questão, ele "enfiou" Michel Teló ao lado do rapper Emicida - no texto publicado em Caros Amigos. Que é a mesma "filosofia" do Fora do Eixo, que tenta mercantilizar a cultura de vanguarda enquanto serve de guarita para a mediocrização cultural dita "emergente".

Tudo pelo mercado. Mas Sanches foi orientado profissionalmente a "matar" o mercadão neoliberal no primeiro parágrafo, no lide, para "ressuscitá-lo" de forma triunfante a partir do parágrafo seguinte. Mas como o leitor médio de Fórum e Caros Amigos ainda é um leitor apressado - vício obtido quando esses leitores eram adeptos felizes da Folha de São Paulo - eles só leem o lide e pescam algumas palavras-chave no resto do texto, sem prestar muita atenção.

Aí Pedro Alexandre Sanches, querendo promover a mediocridade cultural como se fosse "a riqueza transformadora de nossa cultura", dentro de uma retórica pomposa sobre a "cena cultural dos anos 00 e 10", intitulou o texto na Caros Amigos como "A riqueza musical de 2012".

Certo, vá dizer que Michel Teló é "riqueza musical". "Delícia, delícia, assim você me mata / Ai, se eu te pego / Ai, ai, se eu te pego / Enrosca, enrosca, assim você me mata / Ai, se eu te pego / Ai, ai, se eu te pego"... Então, tá.

Não seria "riqueza", ou "rique$a", no sentido financeiro do termo? Afinal, a única preocupação de Pedro Alexandre Sanches, que escondeu o "deus" mercado em sua casa para dizer para todo mundo que o matou, é justamente proteger o mercadão brega-popularesco.

E, como discípulo de Francis Fukuyama, Pedro tenta jogar em várias frentes, para não perder a reputação, já que ele começa a cair do pedestal na segunda página dos resultados do Google na palavra-chave do nome dele.

Afinal, se ele tenta defender a mediocrização cultural dentro de argumentos às vezes sutis, noutras desesperados, ele tem que recorrer também à defesa das tradições culturais para agradar os mais velhos.

Afinal, Pedro construiu sua reputação dando muitas entrevistas e pesquisando sobre MPB antiga. Mas práticas assim não fazem das pessoas santas. Se fosse assim, os "calunistas" e "urubólogos" da velha imprensa também seriam santificados. Afinal, uma Eliane Cantanhede, um William Waack, também fizeram muitas entrevistas e pesquisas.

Como Francis Fukuyama falando da Revolução Francesa ou de Karl Marx, "reconhecendo" seus méritos temporais, Sanches elogia a trajetória de Inezita Barroso como cantora e pesquisadora de música caipira. De fato, ela é uma mestra, mas infelizmente até os breganejos antigos, como Chitãozinho & Xororó e Daniel, andam puxando o saco da mestra violeira.

Afinal, Chitãozinho & Xororó e Daniel eram, em outros tempos, bobagens tão canhestras quando Fernando & Sorocaba e Michel Teló hoje. Mas foram adestrados pela mídia e pelo mercado para fazer algo "mais de qualidade", às custas de muitos covers e com uma ajuda de outros arranjadores e até de orquestras.

Claro, com um arranjador de plantão mais empenhado, qualquer breguinha vira "MPB" através de um "tempero" na sua medíocre música. Mas o mérito não fica nos "artistas" em si, mas no arranjador, o pobre coitado que faz praticamente tudo, mas, em certos casos, têm que repartir os créditos com os ídolos do "pagode romântico" ou do "sertanejo universitário", cuja única "participação" dos arranjos se refere ao pedido do artista de MPB a ser copiado pelo breguinha de plantão.

Sanches tentou agradar gregos e troianos. Ele pode até discordar de José Ramos Tinhorão (que ele entrevistou uma vez) tanto quanto Reinaldo Azevedo discorda de Altamiro Borges, mas evita comprar briga com seus discordantes, já que Sanches é um adversário que veste a camisa do time que quer golear.

Jornalista de centro-direita, ele sabe que, para apunhalar as esquerdas pelas costas, evita-se o "fogo amigo". Por isso, ele precisa apelar, de vez em quando, para a defesa aparente do tradicionalismo cultural, para sossegar seus críticos e tentar agradar os mais velhos.

E tudo isso até que um dia Sanches tente usar a Inezita Barroso para justificar as futuras bobagens a serem feitas por Michel Teló.

ATÉ QUANDO APRENDERÁ-SE A RELAÇÃO ENTRE BREGA E MÍDIA?



Por Alexandre Figueiredo

A influência da intelectualidade etnocêntrica anda fazendo muito mal à opinião pública média de esquerda. Sem se preocupar em desenvolver um diferencial diante da visão dominante de "cultura popular" adotada pela velha mídia, esses analistas precários preferem corroborar a visão dominante, apenas fingindo que isso nada tem a ver.

Ora, ora, por que existem bregas, neo-bregas e pós-bregas? Existem porque eles foram veiculados, com gosto, pela velha mídia. E isso não é coincidência. É só observar como eles fizeram sucesso e quem os divulgou.

Está tudo claro: os bregas e seus derivados são produtos da velha grande mídia. Claro, muitos têm medo de questionar esses ídolos, pela origem humilde dos mesmos e pelo dramalhão pessoal que mostram nas suas entrevistas.

Isso mostra o quanto tem muito intelectual sem pulso firme, sem neurônios fortes mas com o coração muito mole. Sobretudo quando ídolos bregas são falecidos, como Waldick Soriano e Wando, que toda pieguice viscosa e inundante transforma a intelectualidade média num bando de bebês chorões.

Até Waldick e Wando surgiram dentro de um contexto conservador de mídia. Isso é fato. Mas a mística que envolvem ídolos bregas e derivados fazem com que a visão de cultura popular, mesmo dentro dos analistas médios de esquerda, se perca no caminho e se distancie das visões que se tem sobre a mídia em si.

De que adianta louvarmos o tecnobrega, se ele aparece até no Jornal da Globo, sob as bênçãos do mesmo William Waack que criticamos, do mesmo Ali Kamel que abominamos? Toda a mística que transforma o "funk carioca" em algo "maravilhoso" não passa de um discurso armado pela Folha de São Paulo e pela Rede Globo de Televisão. Isso é fato.

Através desse contraste entre uma análise político-midiática de esquerda e a mitologia direitista da "cultura popular" cria até mesmo distorções para essa intelectualidade que tem "orgulho de ser contraditória".

Um exemplo é a preferência que essa intelectualidade, que se diz de esquerda, defender uma figura conservadora como Waldick Soriano, a ponto de querer ocultar seu passado direitista, e combater uma figura humanista e realmente de esquerda que é o cantor Chico Buarque.

É essa intelectualidade, que fala tanto em querer a verdade histórica da ditadura militar, que se empenha em esconder o passado conservador de um cantor brega, só porque ele virou o queridinho da vez? Que verdade histórica quer esse pessoal que aplaude quando o portal Globo Vídeos, pressionado por Patrícia Pillar, tira do ar trechos de uma entrevista em que Waldick elogiou a ditadura e reprovou o movimento feminista?

Essa disparidade terrível faz a direita comemorar em festa. Por conta da choradeira em torno de Waldick e Wando, ou mesmo em relação a nomes popularescos mais recentes, como Gaby Amarantos, deixamos que reacionários como Reinaldo Azevedo fiquem com a moral em alta para atacar as expressões progressistas que encontram na web.

Em outras palavras, muitos desses intelectuais médios, que ovacionam a centro-direita intelectual (Ronaldo Lemos, Pedro Alexandre Sanches, Paulo César Araújo), acabam fazendo papéis de perfeitos idiotas, e depois não têm moral para defender a regulação da mídia, a verdade histórica ou coisa parecida.

Para que defender a regulação da mídia, se o pessoal quer que se mantenham os glúteos das popozudas exibidos na cara do telespectador em plena hora do almoço e na frente de crianças?

Para que defender a verdade histórica, se o pessoal quer que se oculte o passado reacionário de um cantor brega, porque isso "ofende" a reputação "nobre" de seu querido cantor?

Nem o movimento punk chegou-se a tanto, pois um dos fundadores dos Ramones, o falecido guitarrista Johnny Ramone, era um perfeito reacionário, fanático por George W. Bush pouco antes de morrer, e ninguém se empenhou em esconder esse lado negativo do músico.

Diante de tamanhas incoerências, convém a intelectualidade cultural de esquerda deixar de dar ouvidos às vozes astuciosas, que se dizem "de esquerda" mas se atrelam ao mais sombrio conservadorismo ideológico de direita, sobretudo ligado à velha mídia.

Afinal, não adianta elogiar o brega-popularesco e criticar a velha mídia. É como dizer que odeia abóbora, mas adora jerimum. Não dá para ser feliz sendo contraditório. O tempo fará cobranças que essa intelectualidade média terá dificuldades de assumir.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

BÓRIS CASOY ACUSA GOVERNO LULA POR MORTE DE DONA DA DASLU



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Em comentário delirante e reacionário, Bóris Casoy tenta atribuir a morte da dona da Daslu, Eliana Tranchesi, pela pressão causada pelo governo Lula para tentar abafar o escândalo do mensalão. Um comentário grotesco, que é muito diferente do que criticar o governo do PT em si.

Corrupções à parte, seja do mensalão, seja da Daslu, o comentário do jornalista é, com certeza, de muito mau gosto, de um cinismo terrível. Não é à toa: é o mesmo jornalista que falou mal dos garis.

Boris Casoy acusa governo Lula por morte de dona da Daslu

Por Kerison Lopes - Portal Vermelho

Boris Casoy em seus anos na tevê brasileira já proferiu históricas barbaridades e sandices. Porém, nessa sexta-feira (24) passou de todos os limites. O apresentador do Jornal da Band simplesmente acusou o governo Lula por ter contribuído na morte da dona da butique de luxo Daslu, Eliana Tranchesi.

A empresária morreu na madrugada desta sexta-feira (24), em São Paulo. Faleceu em função de complicações causadas por um câncer no pulmão. Em 2009, Eliana foi condenada a 94 anos e seis meses de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos. Logo depois ela obteve o hábeas corpus e foi solta.

Inacreditável, mas na edição desta sexta-feira, o apresentador da Band, depois de relatar a prisão da empresária por contrabando, executada pela Polícia Federal, fez a seguinte acusação: “Eliana foi exposta à execração pública e humilhada, o que deve ter contribuído e muito para o câncer que a matou”.

De tão ridículas as frases pronunciadas pelo apresentador, que a cena não poderia terminar de outra forma. Casoy deu um tremendo espirro e se justificou: “É humano”. Será que nesse caso, proferir calúnias absurdas numa TV que é concessão pública é apenas um erro humano, ou precisa de uma regulamentação da comunicação para ser enquadrado como crime?


VIOLÊNCIA CONTRA MULHER É PREOCUPANTE NO PARÁ



COMENTÁRIO NESTE BLOGUE: Não é à toa que o contraste entre o Pará "feliz" do tecnobrega e a dramática realidade social que vive o Estado começam a estranhar quem tem a oportunidade de confrontar esses dois Parás. No Pará real, não há "pobreza feliz", mas muitos problemas de ordem social e política e, sim, culturais, que preocupam bastante a opinião pública.

Violência contra mulher é preocupante no Pará

Do Diário do Pará - Reproduzido no blogue Maria da Penha Neles e no Portal Geledés

Violência contra mulher para Após o combate à violência contra a mulher ganhar como forte aliada a Lei Maria da Penha (N° 11.340), aprovada em 2006, a política para as mulheres vítimas de maus-tratos dentro de suas próprias casas tem se expandido de forma muito eficiente nas capitais. Mas, ainda deixa a desejar no interior. No Pará, a situação não é diferente. Visto como um dos Estados onde a aplicação da Lei 11.340 ocorre com rigor, no Pará não há dados precisos de denúncias de violência contra a mulher em todos os municípios. Mas na capital a situação pode ser considerada como exemplo. Além da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), Belém conta com quatro promotorias de Justiça específicas e três varas judiciais de combate à violência contra a mulher. O resultado desse esforço coletivo do sistema Judiciário, Ministério Público e Polícia Civil tem sido constatado no grande número de denúncias e ações recebidas e movidas pelas vítimas contra seus agressores. Desde 2007, quando a Promotoria de Combate à Violência Doméstica contra a Mulher foi implantada pelo Ministério Público Estadual já foram recebidas quase nove mil denúncias de violência contra a mulher, que vão desde agressões verbais, como xingamentos e pressões psicológicas até homicídios.

A promotora de Justiça Lucinery Resende acredita que a maior divulgação da Lei Maria da Penha, aliada ao trabalho da polícia, MP e sistema judiciário pode ser a causa da maior procura das mulheres vitimadas. Ela afirma que em Belém a estrutura de proteção à mulher vítima de violência pode ser considerada boa, mas faltam dados para avaliar a estrutura do interior do Estado. "Sabemos que no interior ainda há muita carência da rede de proteção à mulher", ressalta a promotora, apontando que faltam delegacias especializadas e uma política mais ampla de amparo à mulher.
MAPA

Para elaborar dados precisos sobre todos os municípios do Estado do Pará, o MP vai implantar em março, durante as comemorações do Dia Internacional da Mulher, comemorado dia 8, o Núcleo de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, que vai reunir as quatro promotorias da capital sob a coordenação da Procuradoria-Geral de Justiça. O núcleo vai reunir dados de todas as promotorias de Justiça do Pará e vai elaborar uma espécie de raio-X das denúncias de mulheres agredidas, um cadastro geral com o perfil dos agressores, das vítimas, um verdadeiro mapa da violência contra a mulher no Pará.

Lucinery Resende acredita que a partir do mapa geral haverá melhores condições de fortalecimento pelo Estado e todo sistema judiciário e MP de expandir a política de proteção para as mulheres. "O trabalho será mais intenso e poderemos cobrar com mais veemência do Estado implementação de delegacias especializadas no atendimento à mulher, além da implantação da rede de proteção nos municípios. O trabalho deve ser feito em parceria com o Estado e os municípios, além das entidades da sociedade civil", acentua a promotora.

Também está prevista pelo MP a atuação em parceria com o poder Legislativo. Em dezembro de 2011, a deputada Elcione Barbalho, que exerce a função de procuradora da Mulher na Câmara Federal, se reuniu com o presidente da Assembleia Legislativa, Manoel Pioneiro, e com a bancada feminina na AL, propondo a implantação da Procuradoria da Mulher no Legislativo estadual, a fim de atuar na política de prevenção e de combate à violência contra a mulher em todo o Estado, em parceria com as câmaras municipais de vereadores. O projeto está sendo elaborado pela deputada Simone Morgado para ser implantado ainda neste semestre. "Será mais um braço de força da proteção às mulheres", define a promotora Lucinery Resende.

A promotora explica ainda, que a decisão do Supremo Tribunal Federal, determinando que a Lei Maria da Penha deve ser aplicada mesmo nos casos em que houver agressão à mulher, mas a vítima não faça a denúncia, já está sendo aplicada no Pará.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

FASCISMO BUSÓLOGO: TROLAGEM TENTA DESMORALIZAR PETIÇÃO SOBRE TRANSPORTE



AMOSTRAS DA TROLAGEM QUE ADOTA ATÉ FALSIDADE IDEOLÓGICA PARA DESMORALIZAR BUSÓLOGOS.

Por Alexandre Figueiredo

A busologia fluminense está na beira de um escândalo. Os defensores do projeto tecnocrático do secretário de transportes, Alexandre Sansão, resolveram reagir, comprovando seu nível de intolerância e de total falta de respeito humano.

Uma petição criada para reverter a padronização visual nos ônibus cariocas, que anda prejudicando muitos passageiros, através do endereço - http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N20634 - , foi invadida por mensagens ofensivas e zombeteiras por parte daqueles que querem atrapalhar as manifestações que levam em consideração o verdadeiro interesse público, aquele que não se resume a promessas de palanque ou propagandas governamentais.

As mensagens usam os nomes meu e de meu irmão, conhecidos na busologia pelo senso crítico e conhecimentos apurados sobre transporte e urbanismo, para "dizer" mensagens de baixíssimo nível. É o que se chama de falsidade ideológica.

O vandalismo teria sido comandado por um busólogo com atitudes agressivas. E isso, num ambiente em que a busologia fluminense sofre sua pior fase, com discordâncias violentas entre dois grupos, num processo de divisão cujo responsável indireto é o grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho.

Isso porque os dois "garfaram" uma parte da busologia para apoiar o projeto do secretário de Transportes de Paes, Alexandre Sansão, o que causou um "racha" entre os busólogos. Isso porque os busólogos que passaram a apoiar o lamentável projeto de padronização visual dos ônibus cariocas e sua estampa de "embalagem de remédio" viram no apoio uma ótima oportunidade de conseguir posições político-administrativas dentro da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Mas nem todos estão envolvidos nessa trolagem, e admite-se que vários desses defensores adotam posturas bastante equilibradas para justificar seus pontos de vista. O problema estaria, na verdade, num busólogo de atitudes agressivas, que já havia comprado brigas com um grupo de busólogos.

Esse busólogo, que adota um discurso "conciliador", estaria, por debaixo dos panos, arranjando internautas para, numa atitude clandestina, espalhar desordem e desmoralização, para desqualificar quem não concorda com seu ponto de vista.

A atitude, do mais violento caráter fascista e do mais puro desrespeito humano, pode botar a causa defendida pelo tal busólogo a perder. Esse reacionarismo não é novidade, e até José Serra, o ex-presidenciável do PSDB, também se armou de troleiros para provocar desordem nos fóruns de Internet.

Isso mostra o quanto o reacionarismo extremo, quando se expõe, mostra o caráter nefasto de uma causa. E o quanto a politicagem por trás da busologia pode revelar episódios sombrios como este. Convém investigar o caso, que é de extrema gravidade.

Nota: este episódio já foi comunicado para Adamo Bazani, conhecido busólogo e jornalista.

BIG BROTHER BRASIL E O LIXO DA TELEVISÃO BRASILEIRA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Este é um ponto de vista católico, que talvez não pareça agradar a todos. Mas, independente da religião de quem quer que seja, esse texto é de uma grande coerência de ideias e mostra o quanto a degradação de valores sócio-culturais é um problema que deveria ser discutido e não aplaudido, porque causa danos sociais muito graves.

O lixo Big Brother - BBB

Por Dom Henrique Soares, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Aracajú-SE - Publicado no Blog da Militância

A situação é extremamente preocupante: no Brasil, há uma televisão de altíssimo nível técnico e baixíssimo nível de programação. Sem nenhum controle ético por parte da sociedade, os chamados canais abertos (aqueles que se podem assistir gratuitamente) fazem a cabeça dos brasileiros e, com precisão satânica, vão destruindo tudo que encontram pela frente: a sacralidade da família, a fidelidade conjugal, o respeito e veneração dos filhos para com os pais, o sentido de tradição (isto é, saber valorizar e acolher os valores e as experiências das gerações passadas), as virtudes, a castidade, a indissolubilidade do matrimônio, o respeito pela religião, o temor amoroso para com Deus.

Na telinha, tudo é permitido, tudo é bonitinho, tudo é novidade, tudo é relativo! Na telinha, a vida é pra gente bonita, sarada, corpo legal… A vida é sucesso, é romance com final feliz, é amor livre, aberto desimpedido, é vida que cada um faz e constrói como bem quer e entende! Na telinha tem a Xuxa, a Xuxinha, inocente, com rostinho de anjo, que ensina às jovens o amor liberado e o sexo sem amor, somente pra fabricar um filho… Na telinha tem o Gugu, que aprendeu com a Xuxa e também fabricou um bebê… Na telinha tem os debates frívolos do Fantástico, show da vida ilusória… Na telinha tem ainda as novelas que ensinam a trair, a mentir, a explorar e a desvalorizar a família… Na telinha tem o show de baixaria do Ratinho e do programa vespertino da Bandeirantes, o cinismo cafona da Hebe, a ilusão da Fama… Enquanto na realidade que ela, a satânica telinha ajuda a criar, temos adolescentes grávidas deixando os pais loucos e a o futuro comprometido, jovens com uma visão fútil e superficial da vida, a violência urbana, em grande parte fruto da demolição das famílias e da ausência de Deus na vida das pessoas, os entorpecentes, um culto ridículo do corpo, a pobreza e a injustiça social… E a telinha destruindo valores e criando ilusão…

E quando se questiona a qualidade da programação e se pede alguma forma de controle sobre os meios de comunicação, as respostas são prontinhas: (1) assiste quem quer e quem gosta, (2) a programação é espelho da vida real, (3) controlar e informação é antidemocrático e ditatorial… Assim, com tais desculpas esfarrapadas, a bênção covarde e omissa de nossos dirigentes dos três poderes e a omissão medrosa das várias organizações da sociedade civil – incluindo a Igreja, infelizmente – vai a televisão envenenando, destruindo, invertendo valores, fazendo da futilidade e do paganismo a marca registrada da comunicação brasileira…

Um triste e último exemplo de tudo isso é o atual programa da Globo, o Big Brother (e também aquela outra porcaria, do SBT, chamada Casa dos Artistas…). Observe-se como o Pedro Bial, apresentador global, chama os personagens do programa: “Meus heróis! Meus guerreiros!” – Pobre Brasil! Que tipo de heróis, que guerreiros! E, no entanto, são essas pessoas absolutamente medíocres e vulgares que são indicadas como modelos para os nossos jovens!

Como o programa é feito por pessoas reais, como são na vida, é ainda mais triste e preocupante, porque se pode ver o nível humano tão baixo a que chegamos! Uma semana de convivência e a orgia corria solta… Os palavrões são abundantes, o prato nosso de cada dia… A grande preocupação de todos – assunto de debates, colóquios e até crises – é a forma física e, pra completar a chanchada, esse pessoal, tranqüilamente dá-se as mãos para invocar Jesus… Um jesusinho bem tolinho, invertebrado e inofensivo, que não exige nada, não tem nenhuma influência no comportamento público e privado das pessoas… Um jesusinho de encomenda, a gosto do freguês… que não tem nada a ver com o Jesus vivo e verdadeiro do Evangelho, que é todo carinho, misericórdia e compaixão, mas odeia o fingimento, a hipocrisia, a vulgaridade e a falta de compromisso com ele na vida e exige de nós conversão contínua! Um jesusinho tão bonzinho quanto falsificado… Quanta gente deve ter ficado emocionada com os “heróis” do Pedro Bial cantando “Jesus Cristo, eu estou aqui!”

Até quando a televisão vai assim? Até quando os brasileiros ficaremos calados? Pior ainda: até quando os pais deixarão correr solta a programação televisiva em suas casas sem conversarem sobre o problema com seus filhos e sem exercerem uma sábia e equilibrada censura? Isso mesmo: censura! Os pais devem ter a responsabilidade de saber a que programas de TV seus filhos assistem, que sites da internet seus filhos visitam e, assim, orientar, conversar, analisar com eles o conteúdo de toda essa parafernália de comunicação e, se preciso, censurar este ou aquele programa. Censura com amor, censura com explicação dos motivos, não é mal; é bem! Ninguém é feliz na vida fazendo tudo que quer, ninguém amadurece se não conhece limites; ninguém é verdadeiramente humano se não edifica a vida sobre valores sólidos… E ninguém terá valores sólidos se não aprende desde cedo a escolher, selecionar, buscar o que é belo e bom, evitando o que polui o coração, mancha a consciência e deturpa a razão!

Aqui não se trata de ser moralista, mas de chamar atenção para uma realidade muito grave que tem provocado danos seríssimos na sociedade. Quem dera que de um modo ou de outro, estas linha de editorial servissem para fazer pensar e discutir e modificar o comportamento e as atitudes de algumas pessoas diante dos meios de comunicação.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

TUCANA CHAMA SERRA DE "PALHAÇO"



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O inferno astral de José Serra não acaba. Depois de quase ter sido preterido pelo seu mestre Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidenciável tucano agora tem que engolir a declaração de uma correligionária que fez duras críticas a ele. O tucanato agora sucumbe ao "fogo amigo" que mais parece uma metralhadora giratória interna.

Tucana chama serra de "palhaço"

Por Altamiro Borges - Blog do Miro

As bicadas entre os tucanos estão cada vez mais sangrentas. Quem dá mais uma prova cabal da briga fratricida no interior do PSDB é o insuspeito Estadão, que na campanha presidencial de 2010 publicou editorial em apoio a José Serra. Na coluna "Radar político", postada no final da noite de ontem (22), o jornal escancara a grave crise - inclusive com direito a um vídeo:

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Em vídeo divulgado por site ligado ao PSDB, militante tucana defende prévias e critica Serra: ‘Ele está sendo palhaço’

estadão.com.br

Atualizado às 22h21

Em um vídeo divulgado pelo site Sua Metrópole, plataforma colaborativa criada pelo diretório municipal do PSDB paulistano, a militante tucana Catarina Rossi, ligada ao PSDB Mulher da capital, critica duramente o ex-governador de São Paulo, José Serra, e defende a manutenção das prévias. “Ele (Serra) está sendo palhaço. Ele está brincando com a gente.”

“Nós somos passionais. Nós lutamos com o coração. Nós brigamos por aquilo que acreditamos que é o PSDB. Ele é que está fazendo a gente de palhaço”, diz Catarina no vídeo, que foi ao ar no dia 17, após encontro do diretório de Indianópolis. “Tem quatro pessoas brigando, trabalhando dia e noite, por um espaço. Porque ele não entrou também por esse espaço? Ele tem todo o direito e, se ele entrar, ele também terá todo o direito. Agora, não é justo, no fim do caminho, ele entrar.”

A indignação da militante tem a ver com a decisão de dirigentes do partido de pressionar o vencedor das prévias eleitorais do PSDB, que será realizada no dia 4 de março, a desistir da disputa e abrir caminho para a candidatura de Serra.

A militante tucana criticou também a postura de membros da bancada tucana na Assembleia Legislativa de São Paulo, que defenderam publicamente a candidatura de Serra. Ao final do vídeo, Catarina ameniza o tom das críticas. “Ele (Serra) tem competência, ele é preparado, ele é um homem digno, mas os outros quatro também são”, concluiu.

Após a publicação desta nota, o vídeo foi retirado do site Sua Metrópole, mas segue disponível no YouTube.

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Tucanos caminham para a extinção?

O duro discurso da militante do PSDB foi feito na quinta-feira passada, na sede do diretório estadual da legenda, durante um curioso "ato contra o golpe das prévias", que reuniu cerca de 90 filiados. Nenhum dos quatro pré-candidatos - Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal, Ricardo Tripoli - participou do ato de protesto. Nos bastidores, porém, eles têm criticado as manobras da cúpula partidária e do governador Geraldo Alckmin para implodir as prévias.

Para evitar maiores traumas, o vídeo foi retirado do sítio. "A direção municipal do PSDB não permite nenhum tipo de ofensa, sobretudo ao ex-governador José Serra, que é um líder muito respeitado", justificou Fábio Lepique, tesoureiro do diretório municipal e um dos criadores da página tucana na internet. Mas ninguém mais garante a unidade no interior do PSDB. O clima é de tensão e desconfiança. Há até quem preveja que os tucanos caminham para a extinção.

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OS URUBUSÓLOGOS



Por Alexandre Figueiredo

A crise na busologia do Rio de Janeiro já foi anunciada. Alguns de seus destacados busólogos foram tomados de estrelismo e passaram a defender desde o secretário de transportes Alexandre Sansão, da equipe do prefeito carioca Eduardo Paes, até a moribunda e perigosa Transmil.

Vendo, nas redes sociais, as comunidades dedicadas ao tema "Busologia no RJ" ou "Busologia do RJ", além de mensagens deixadas em fóruns virtuais diversos, o que se nota é a agressividade e a grosseria com que agem essa minoria de busólogos, que há um bom tempo provocou um "racha" entre os busólogos do Estado do Rio de Janeiro.

De um lado, existem busólogos que continuam admiráveis que adotam uma postura independente ao sectarismo do grupo político de Eduardo Paes. Até discordam do projeto de transporte coletivo do "poderoso" Alexandre Sansão, mas fotografam os insossos ônibus com visual padronizado apenas pelo natural objetivo de informação.

De outro, no entanto, estão busólogos dotados de muita arrogância, que por sua vez se polarizam entre um conhecido grupo de "profissionais" da busologia e um busólogo que, liderando outro grupo, é conhecido por suas atitudes agressivas e até por fazer bullying contra busólogos discordantes.

Este segundo grupo e seus dois "pólos" ou "sub-grupos", um feudo a dominar as comunidades sobre busologia fluminense com sua agressividade, andam preocupando não só a busologia fluminense, como o resto da busologia brasileira e até mesmo setores não-busólogos da opinião pública, que andam perplexos com as baixarias feitas por essa "elite" de busólogos.

Do primeiro sub-grupo, articula-se um grupo no qual dois deles já são conhecidos por disparar palavrões contra quem discordasse de suas opiniões ou mesmo boatos (já havia corrido, nos círculos busólogos, um boato sobre uma lei que nunca existiu, senão na forma de um projeto de lei mal-interpretado).

Não vamos dizer nomes. Mas eles são conhecidos dentro do debate busólogo feito nas redes sociais e nos fóruns digitais. E, do outro sub-grupo, o agressivo busólogo, ligado a uma prefeitura do PP (o mesmo partido do Ministério dos Transportes e do Ministério das Cidades, de famigerada conduta "fisiológica"), já chegou a se desentender com o outro sub-grupo, irritado por ver o tal busólogo virar "estrela" num especial de um programa do canal Multishow.

Esse busólogo agressivo chega mesmo a escrever mensagens ofensivas desqualificando até o estado civil de busólogos que não concordam com ele, tão preocupado este com os comentários contra seu "herói" Alexandre Sansão. Talvez visando a carreira política, o tal busólogo tenta desmoralizar quem não concorda com ele, ficando este com o "pensamento único" na busologia fluminense.

Aliás, já corre uma piada de que tais busólogos, que defendem medidas anti-populares como a formação política de consórcios, a concentração de poder dos secretários de transportes e a padronização visual dos ônibus, vendo o sucesso do Bilhete Único, um dos típicos paliativos para esse modelo de transporte, agora reivindicam a implantação do Pensamento Único como forma de garantir a "certos busólogos" acessos à cargos políticos estratégicos ou a posições de destaque nas comitivas que receberão as autoridades políticas e esportivas na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.

A "urubusologia" - trocadilho entre busologia e "urubologia", que é como se conhece o reacionarismo dos articulistas da velha grande mídia - anda preocupando pela arrogância e pelos argumentos repetitivos expressos por essa "elite" de busólogos. São atitudes fascistas que fazem até sentido acontecerem, expressas de argumentos arrogantes e irritados até mesmo a manifestos de bullying e trolagem.

Afinal, o modelo de transporte coletivo imposto na cidade do Rio de Janeiro, feito sem consulta à população, tem a raiz autoritária de Jaime Lerner, planejado no calor do "milagre brasileiro" do governo Médici, e que é falsamente vendido como "moderno" visando enganar turistas e atrair investidores estrangeiros.

Ironicamente, esses busólogos pró-Alexandre Sansão reclamam, quase em uníssono e com as mesmas palavras, das "repetidas queixas" contra a padronização visual dos ônibus cariocas. Dizem para os discordantes "mudarem o disco", mas é o disco dos busólogos pró-padronização visual que anda riscado e pulando o tempo todo.

É claro que essa postura agressiva e intolerante dos busólogos - que mal conseguem disfarçar a aflição de que o projeto de Alexandre Sansão (na verdade, adaptação do projeto do curitibano Jaime Lerner) venha a falir a qualquer momento - tem como pano de fundo o desejo de busólogos de fazerem parte do gabinete do secretário de Transportes, numa hipótese de reeleição de Eduardo Paes.

A politicagem em torno da busologia fluminense, que cria pelegos desse porte, mostra que eles não se comprometem com o interesse público, embora tentem afirmar o contrário. No fundo só veem os ônibus de fora, enquanto aguardam o banquete a ser preparado pelo grupo político de Paes e Sérgio Cabral Filho para 2014 e 2016.

"SOPA", "PIPA", "ACTA" E EDUARDO AZEREDO IRIAM ADORAR

Um agravante adicional do reacionarismo busólogo é que alguns deles, além de defender pontos de vista contrários ao interesse público, "pedem" aos discordantes que não publiquem as fotos dos busólogos em questão. Pouco importa o respeito aos créditos originais, a "solicitação" em certos casos chega a ser feita às custas de palavrões ou comentários ofensivos.

Isso é um prato cheio para haver um grupo de apoio às campanhas reacionárias de censura na Internet (cujos projetos continuam beneficiando assinantes e detentores de poder diversos e seus adeptos), tipo SOPA, PIPA, ACTA e o projeto brasileiro do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), porque daí para esses busólogos "de elite" defenderem a censura digital é um passo.

Muita gente fala que esses busólogos-pelegos não defendem qualidade no sistema de transporte. E, com medo de serem desmascarados, fazem mil ofensas, xingações ou argumentos pouco convincentes. Dessa forma, eles se expõem negativamente nas redes sociais e nos fóruns digitais, e seu reacionarismo grosseiro cobrará a eles o preço da arrogância e do desrespeito.

Mas talvez eles estejam mais preocupados com as festas de 2014 e 2016. Mas, no final delas, virá a conta, e "pendurar" ou fazer fiado será proibido.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

É O TCHAN: PRETENSIOSISMO ATÉ EM MONOGRAFIA


MÔNICA NEVES LEME USOU DOS MESMOS ARGUMENTOS DE RONALDO LEMOS PARA DEFENDER "FENÔMENO" DO É O TCHAN

Por Alexandre Figueiredo

O pretensiosismo do É O Tchan é notório. Só o jornalista Álvaro Pereira Júnior e seus pares é que ignoram isso.

No último carnaval baiano, um dos vocalistas do grupo, Compadre Washington, disse que o grupo "está resgatando o samba-de-roda do Recôncavo", numa grande incoerência com a realidade do grupo. Afinal, o que o grupo faz é um pastiche de samba de gafieira, nada a ver com o samba-de-roda que aliás é patrimônio cultural autêntico, obtido de forma competente pelo IPHAN.

Mas o pretensiosismo vai além dos próprios limites do estrelismo de seus integrantes e do seu maior líder, o empresário Cal Adan, uma vez que o É O Tchan é um desses grupos "com dono" que gente como o intelectual etnocêntrico Milton Moura (professor da UFBA) acham natural.

A historiadora Mônica Neves Leme, em tese para a UFRJ que se transformou no livro Que Tchan é Esse?, também se identificou com o clima altamente pretensioso do grupo e criou uma obra cheia de inverdades, já comentada aqui. O pretensiosismo se nota em três momentos.

Primeiro, porque Mônica vai muito além nas comparações delirantes do som do grupo, definindo-o não apenas como "samba-de-roda", mas como lundu, um antigo ritmo derivativo do samba. Incoerência pior ainda.

Segundo. Mônica usa o falecido poeta baiano Gregório de Matos para "justificar" as baixarias feitas pelo grupo (inclusive uma letra que alude a estupro, logo o maior sucesso "Segura o Tchan"), como se os contextos de época fossem parecidos e Gregório (que era um satírico) fosse um grotesco de baixa categoria.

Mas o terceiro momento coloca Mônica em "sintonia" com os mesmos argumentos que se vê no livro de Ronaldo Lemos sobre o tecnobrega, Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música.

Da mesma forma que Ronaldo fala do cenário tecnobrega, atribuindo ao ambiente uma suposta "cultura alternativa" e um pretenso "mercado independente", Mônica vai no mesmo caminho para analisar o cenário do "pagodão" baiano.

Em ambos os casos, a incoerência é gritante, porque sabemos que esses mercados nada têm de alternativos nem independentes, tal é a mentalidade comercial que se equipara, com todo o rigor de semelhanças, com a das grandes companhias fonográficas mundiais. Apenas os empresários não se enriqueceram a ponto de montar escritórios em Los Angeles nem em Miami.

É o mesmo que dizer que lagartixa não é reptil porque não tem tamanho de jacaré. Ou dizer que lagartixa é roedor porque anda pelas paredes e cantos de uma casa. Mas para essa intelectualidade, inverdades são "verdades", porque é ela que detém o monopólio da visibilidade e do poderio acadêmico.

Por isso o comercialismo do brega-popularesco se torna bem mais pretensioso. Sabemos que o É O Tchan nada tem a ver com samba de verdade, muito menos com samba-de-roda. O som do samba-de-roda é muito diferente, as danças também, nada a ver com a bobagem cafona e de cores aberrantes do grupo de Cal Adan.

TV GLOBO DANÇOU NO CARNAVAL


PELO JEITO, O "DOMINGO MAIOR" DA GLOBO MUDOU DE HORÁRIO...

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A Rede Globo continua perdendo seu poder hegemônico. Ela ainda é mais poderosa das corporações televisivas, mas não tem mais o poderio de antes, e para uma boa parcela da sociedade nem sequer chega a ser formadora de opinião.

TV Globo dançou no Carnaval

Por Altamiro Borges - Blog do Miro

Apesar de toda a parafernália, a audiência da TV Globo despencou no Carnaval. Segundo o Ibope, a emissora registrou uma das piores quedas dos últimos anos. Na primeira noite do desfile das escolas de samba no Rio de Janeiro, no domingo (19), ela perdeu 20% da audiência, na comparação com 2011. Na média, ela marcou 8,3 pontos no Ibope da Grande São Paulo.

A queda da audiência da emissora na transmissão do Carnaval vem se acentuando a cada ano. Em 2011, ela registrou 10,4 ponto; em 2010, a média foi de 10,9; já em 2009, ela atingiu 12,5 pontos no Ibope. A decadência tem várias causas. A principal parece ser a do aumento da concorrência. O programa Domingo Espetacular, comandado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim na TV Record, marcou 15 pontos no Ibope das 21h às 23h32 do dia 19.

Outra explicação é a da perda de criatividade da TV Globo. Todo ano é a mesma batida, numa mesmice que incomoda os telespectadores. Há também o fator internet, com milhões de pessoas fugindo da chatice da televisão. Lógico que nada disse deve incomodar muito o império global. Afinal, ele continua ganhando fortunas com a publicidade aberta e o merchandising enrustido nos desfiles. Mas um dia a casa pode cair!

ROSANE BERTOTTI: GOVERNO DILMA ASSUME "RECEITUÁRIO FRACASSADO"



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Infelizmente, o governo Dilma Rousseff, hesitante diante de grandes projetos sociais, se submete imediatamente a medidas contrárias ao interesse público, em nome de interesses econômicos estratégicos, resultante da tradicional falta de pulso firme e de consciência autocrítica do PT para resistir às tentações do fisiologismo das alianças políticas espúrias.

Rosane Bertotti: Governo Dilma assume “receituário fracassado”

Por Leonardo Wexell Severo - Portal da CUT

CMS rechaça cortes de R$ 55 bilhões no Orçamento para engordar especuladores com superávit primário

“Compromissos de campanha, saúde, educação e desenvolvimento agrário foram guilhotinados”

Reunida na tarde desta quinta-feira (16) em São Paulo, a direção operativa da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) rechaçou os cortes de R$ 55 bilhões anunciados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, no Orçamento Federal para “engordar os especuladores com um superávit primário de R$ 140 bilhões”.

“Compromissos de campanha, setores estratégicos e altamente sensíveis como saúde, educação e desenvolvimento agrário foram guilhotinados para alimentar a agiotagem, num claro desserviço ao país e ao povo brasileiro”, denuncia a CMS, defendendo a importância do investimento público para fomentar o crescimento econômico e social do país.

Infelizmente, dos R$ 55 bilhões desviados do Orçamento para os bancos, R$ 25,567 bilhões – em torno de 46,5% do total, são cortes nos investimentos do governo federal que irão inevitavelmente ter reflexos negativos no dia-a-dia da população.

Na avaliação de todos os presentes, a profundidade e a irracionalidade do montante retirado do Orçamento vão na contramão dos compromissos assumidos pela presidenta Dilma nas últimas eleições e contradizem o discurso realizado recentemente no Fórum Social de Porto Alegre, onde se contrapôs à lógica da subserviência aos ditames do capital financeiro internacional.

Conforme a Coordenação dos Movimentos Sociais, “em vez de o governo fortalecer o papel do Estado como força protagonista do desenvolvimento e da justiça social, está limitando a sua capacidade de fomentar o crescimento, tornando o país mais vulnerável aos impactos da crise internacional.

Em vez de estimular a produção nacional e reduzir os juros, estão colocando o Orçamento nacional na bandeja para servir a ganância sem fim do sistema financeiro”. “Vale lembrar que é nesta toada que bancos como o espanhol Santander registraram 28% do seu lucro mundial no Brasil. Não podemos permitir que o dinheiro do povo brasileiro continue sendo sangrado para sanar o caixa de banqueiros estrangeiros, enquanto o nosso mercado é estrangulado, pois isso representa menos emprego e mais arrocho e precarização”, acrescenta a CMS.

Os cortes abrangem R$ 5,473 bilhões da Saúde; R$ 3,322 bilhões do Ministério das Cidades, R$ 3,319 bilhões da Defesa; R$ 2,193 bilhões da Integração Nacional; R$ 1,976 bilhão dos Transportes; R$ 1,958 bilhão da Agricultura; R$ 1,938 bilhão da Educação; R$ 1.194 bilhão do Desenvolvimento Agrário; R$ 493 milhões da Previdência Social – além de R$ 7,7 bilhões em benefícios previdenciários; R$ 1,543 bilhões da Assistência Social, toda a verba do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia e do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, todo o complemento do governo federal ao FGTS (R$ 2,957 bilhões), e mais R$ 5,158 bilhões (isto é, 50%) dos subsídios do governo federal.

“Os movimentos sociais brasileiros não aceitam estes cortes, que fazem parte de um receituário fracassado que está convulsionando a Europa e os Estados Unidos para atender 1% da população. Nós fazemos parte dos 99% e não aceitamos este retrocesso”, declarou Rosane Bertotti, da executiva da Coordenação dos Movimentos Sociais e secretária nacional de Comunicação da CUT.

Para Carlos Rogério, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), “os cortes são inaceitáveis e dialogam com a pauta dos derrotados nas últimas eleições, com medidas contrárias ao interesse nacional e popular”.

Entre outros, participaram da reunião os dirigentes Maria José, da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam); Edson França, da Unegro; Rubens Diniz, do Cebrapaz, e Benedito Barbosa, da Central de Movimentos Populares (CMP).

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

"FUNK CARIOCA" NÃO TEM FUTURO



Por Alexandre Figueiredo

O "funk carioca" foi mais um fenômeno de retórica do que de arte ou cultura. Musicalmente, o ritmo conta com falhas sérias, e seu sucesso se deveu muito mais a uma engenhosa e sutil campanha intelectual e midiática, que vendia bosta como se fosse carne de primeira.

A retórica pró-funqueira, defendida sobretudo por Hermano Vianna, Fernanda Abreu e Pedro Alexandre Sanches, mas corroborada com gosto por gente "insuspeita" como Ali Kamel, Gilberto Dimenstein e Nelson Motta (na sua fase "Instituto Millenium"), foi apenas um desperdício de argumentos, muitos deles risíveis, só para manter um ritmo no seu sucesso comercial, através de um lobby que envolve muita grana por trás.

Mas o "funk carioca", que tenta atribuir seu futuro às mesmas justiças recebidas pelo samba e pelo jazz no passado, mostra, nos seus CDs e nas suas "canções", que seu futuro é simplesmente o fim. Repetitivo e chato, o ritmo abusa no seu pretensiosismo, na sua demagogia, tudo para enriquecer seus maiores interessados, os empresários-DJs, cada vez mais ricos.

Não, a história da humanidade nem sempre se repete. Não temos os mesmos chiliques moralistas de 1910, quando até uma inocente exibição de um pezinho feminino causava horror nas famílias. Isso é muito diferente do que nos horrorizarmos com traseiros enormes siliconados que aparecem em close nas televisões, até na hora do almoço.

No tempo de nossos bisavós ou trisavós, o moralismo era realmente rígido demais. Mas não nos iludamos que o "funk carioca" seja beneficiado por uma flexibilidade moral maior. Não. Até porque, do contrário do samba e do jazz, o "funk" aposta em valores retóricos, que tratam o ser humano como se ainda fosse um hominídeo pré-histórico, tamanho o rol de grosserias e baixarias que nenhuma "melhoria" do gênero pode superar.

Musicalmente, então, o que poderíamos esperar no "funk" uma evolução simplesmente não houve, e nem haverá. Primeiro, pelas suas caraterísticas inerentes, um DJ que é o chefão de todo o negócio, e uns MCs falando letras grotescas ou pseudo-contestatórias. Segundo, porque o ritmo não vai muito além de suas cinco "variações", todas elas apenas pequenas variações conforme o segmento de mercado.

Dessa forma, nós temos apenas cinco "variações" de uma só mesmice:

1) O dito "funk de raiz", destinado a ludibriar ativistas sociais e intelectuais.

2) O tal "funk comercial", reforçado sobretudo pelas musas "popozudas".

3) O "proibidão", considerado tematicamente mais "picante".

4) O "funk melody", destinado "para toda a família".

5) O "funk exportação", feito através dos delírios mixados pelos empresários-DJs de nome, tudo para turista estrangeiro ver.

Mas, fora essas "mudanças de embalagem", não há muita variação musical. Se existe "riqueza" no "funk carioca", só a dos empresários-DJs, podres de ricos, que há até rumores de que alguns deles tornaram-se latifundiários, a exemplo do que ocorre na axé-music, no "sertanejo" e no tecnobrega, por exemplo.

Não há uma formação musical, nem informação musical, e os referenciais sócio-culturais são lamentáveis. Isso é preconceito? Não, até porque tal constatação provém de uma análise cuidadosa.

Até porque nós, que contestamos o "funk carioca", somos obrigados a ouvi-lo e conhecer o ritmo e seus ídolos, porque nas ruas alguém toca esse tipo de som e seus ídolos e musas aparecem nas páginas dos jornais popularescos. E nós sabemos também que o ritmo serve de pano de fundo para a transmissão dos mais baixos valores morais às classes populares.

O pior é que a intelectualidade, no seu "relativismo" ideológico, tenta dizer que os baixos valores morais só são "baixos" para nós, mas para o povo pobre "não". Esses intelectuais tiram sarro da burrice do povo pobre, legitimando a miséria que, sabemos, não é culpa dos pobres.

APOLOGIA INTELECTUAL DA POBREZA

Mas eles têm que manter os valores e os símbolos desse estilo de vida, através da apologia da pobreza do discurso intelectual pró-funqueiro. Sob o pretexto de defender o "outro", na verdade o isola num contexto de inferioridade social que só é "inferior" para nós.

Um discurso muito perverso, apesar das palavras "bondosas". Afinal, o povo é entregue à ignorância, à miséria e à baixa qualidade de vida e seus valores mais baixos, e, em vez da intelectualidade defender sua melhoria de vida, transforma essa pobreza em algo "glamourizado", num "espetáculo" para o deleite esnobe desses mesmos intelectuais, ao lado de socialites, promotores de eventos e - sim, isso mesmo - barões da velha grande mídia.

Os mais baixos valores sociais são expressos "numa boa" pelo "funk", sob os aplausos até de educadores desprevenidos. O machismo, o banditismo, o vandalismo, o estímulo ao ódio conjugal, a pedofilia, o ódio cego à qualquer polícia, o sexo selvagem, tudo isso é visto como "valores modernos" quando eles se relacionam às favelas. Associado ao "funk", até os piores umbrais são vistos como "paraísos" pela intelectualidade caolha e paternalista.

Em outras palavras, esses valores só são reconhecidamente ruins quando é do lado da sociedade "civilizada", que cobra compostura para uma Gisele Bündchen. Mas quando é do lado da favela, esses valores são "positivos", e muitas mulheres-frutas, muitas popozudas fizeram coisas piores do que fez a senhora Tom Brady e até cientistas sociais acham isso, pasmem, expressão "natural" de um "moderno feminismo popular".

Por isso, o "funk carioca" não tem futuro. A adoção do "funk" pelas elites, um caminho tido como seu "possível" futuro, apenas é uma ampliação de mercado, mas não trará qualquer evolução artística. Tanto faz um grupo de MPB performática adotar o "funk", uma cantora de MPB eclética cantar o "Rap da Felicidade" em arranjo bossa-novista que dará no mesmo. Os funqueiros, de sua parte, continuarão fazendo o que sempre fizeram.

E o que se vê nos mais recentes sucessos funqueiros é sempre o mesmo som: um amontoado de sons sampleados de buzinas mesclados a um scratch (movimento de um disco de vinil com as mãos sobre uma vitrola) que imita som de galope, um MC e uma MC falando baixarias e um outro MC balbuciando (tipo "tchuscudá, tchuscudu-tchuscudá").

Pode variar o MC ou a MC, é sempre o mesmo som. A inserção do "tamborzão" como meio emergencial para fazer o "funk carioca" digerível para turistas, já que de resto o hoje chamado "funk de raiz" não era mais do que uma reles imitação do miami bass, já é uma coisa datada, e o ritmo tem sérias limitações artísticas, que já o fazem se desgastar rapidamente.

Talvez o caminho seja o resgate do hoje conhecido "funk autêntico", de Tim Maia, Cassiano, Hyldon, Gerson Kombo e Banda Black Rio, ou as fusões de samba e soul do sambalanço de 1959-1961 e do samba eletrificado de Jorge Ben Jor a partir de 1963. Isso, sim, tem futuro, porque são expressões musicais ricas, com seus bons cantores, instrumentistas e sua dignidade, mesmo com alguma malícia.

Mas não se engane em ver o futuro dessas expressões autênticas nas mãos de outros oportunistas, como o "sambão-jóia" dos cafonas "abrasileirados" de 1968-1972 ou de seu filho direto, o "pagode romântico" ou sambrega dos anos 90 até agora. Esses são tão oportunistas e medíocres como os funqueiros, e também não terão futuro, até porque seus ídolos veteranos já perdem fôlego em criar coisas novas, se perdendo em músicas de trabalho burocráticas ou na preguiça dos sucessivos CDs e DVDs ao vivo, lançados um atrás do outro.

Simplesmente a mediocridade cultural não tem futuro. Não adianta a intelectualidade reclamar de "preconceito". Até porque os verdadeiros preconceituosos são aqueles que defendem a mediocrização cultural a pretexto da "legítima expressão das periferias".

O povo pobre precisa de respeito.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

JORNALISTA MORTA NA LÍBIA. CADÊ A MÍDIA?



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A OTAN só queria sangue. Por isso matou Kadafi, em vez de prendê-lo para julgamentos futuros, e recentemente matou a jornalista e apresentadora Hala Misrati. Podia-se discordar dela por apoiar o ditador líbio, mas assassiná-la depois de tempos sendo ela torturada e estuprada, mostra o quanto a tal "democracia" viola seriamente os direitos humanos.

E a grande mídia, pelo jeito, está indiferente a tudo isso.

Jornalista morta na Líbia. Cadê a mídia?

Por Altamiro Borges - Blog do Miro

Na sexta-feira (17), a apresentadora de tevê Hala Misrati, famosa por sua defesa do ex-presidente Muammar Kadafi, foi assassinada numa prisão da Líbia. Segundo relatos, a jornalista de 31 anos foi vítima de torturas e de estupros. O governo fantoche da Líbia, bancado pelos EUA e Europa, confirmou a morte, mas não deu detalhes sobre a tragédia.

O assassinato ocorreu no mesmo dia das “comemorações” do primeiro aniversário da vitória das milícias “rebeldes”, armadas pelas nações imperialistas e auxiliadas pelos mísseis da Otan. Neste um ano, os mercenários têm promovido inúmeros atos de crueldade contra os simpatizantes de Kadafi. Cerca de 8 mil pessoas vegetam nas prisões e sofrem torturas constantes, segundo relatos da própria ONU, da Anistia Internacional e da ONG Médicos Sem Fronteira.

Hala Misrati, símbolo da resistência

Hala Misrati é um dos símbolos da resistência à agressão imperialista no país. Em agosto passado, quando as milícias “rebeldes” já combatiam em Trípoli, a apresentadora de televisão protestou ao vivo diante das câmeras. De revólver em punho, ela afirmou que “com esta arma morrerei ou matarei”. Ela garantiu que não aceitaria entregar a emissora para o controle dos mercenários e concluiu: “Protegerei meus companheiros e nos converteremos em mártires”.

Com a derrubada e o assassinado de Kadafi, ela foi presa e exibida como um “troféu” pelos mercenários. Sua última aparição diante das câmeras se deu em 30 de dezembro passado. Ela apareceu em silêncio, segurando uma folha com a data da gravação, e com o rosto cheio de hematomas. O boato que circulou no país é que tinham cortado sua língua. Depois disso, mais ninguém soube do paradeiro de Misrati.

O silêncio da mídia mercenária

O tirânico Conselho Nacional de Transição (CNT), que já acertou os detalhes da entrega do petróleo para as nações imperialista, evita se pronunciar sobre os atentados aos direitos humanos na Líbia. Além de não garantir julgamento justo aos presos políticos, ele incentiva as crueldades patrocinadas pelas milícias. Segundo a Anistia Internacional, a violência está totalmente “fora do controle” neste sofrido país – alvo da cobiça dos EUA e da Europa.

A mídia hegemônica também é cúmplice desta barbárie. Ela difundiu a imagem de que os “rebeldes” promoveriam a “democracia ocidental” e os direitos humanos na Líbia – e, infelizmente, muita gente se iludiu com essa propaganda mentirosa, sendo pautada pela imprensa. Atacaram Kadafi não pelos seus erros, que foram muitos, mas sim para defender os interesses das potências capitalistas.

Agora, a mesma mídia evita dar destaque às torturas e assassinados patrocinados pela “sua” milícia de mercenários. Cadê as matérias sensacionalistas da TV Globo sobre a Líbia? Cadê os “calunistas” de plantão da mídia colonizada? Cadê a gritaria em defesa dos direitos humanos das associações patronais?
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