sábado, 10 de novembro de 2012

A "COUVE FLOR" DE GEISY ARRUDA E A "FESTA DO CHÁ"


Por Alexandre Figueiredo

As gafes intermináveis das chamadas "musas populares" preocupam a opinião pública e tornam-se motivo de chacotas de internautas. Falsas polêmicas são criadas enquanto personalidades fúteis se aproveitam disso para expressar seu narcisismo mesmo através de suas gafes.

Nesta semana, a famosa Geisy Arruda fez mais uma de suas cirurgias plásticas - é bom deixar claro que ela só tem 23 anos - , e, num comentário "engraçadinho", apelidou os pelos de sua genitália de "couve flor". Geisy Arruda tornou-se piada na Internet por conta dessa declaração infeliz, além de se aproveitar para promover sua fama através de gafes e factoides sem necessidade.

 Enquanto isso, a ex-paniquete Nicole Bahls mandou avisar que abrirá processo contra quem a chamar de "garota de programa". A moça ficou irritada com declarações recentes associadas a ela e outras então paniquetes, quando o Pânico na TV - originário da rádio Jovem Pan 2 - ainda era transmitido pela Rede TV!, de que elas seriam "prostitutas".

Nicole ainda anunciou que vai processar a atriz Luana Piovani por ela ter feito uma declaração indireta à outra, nos seguintes termos: “Ouvi dizer que ela sempre aceita as contribuições de 6.000 quando faz amor. Singelo, né”. Nicole também quer processar a ex-colega do "riélite" A Fazenda, Viviane Araújo, por declaração semelhante, quando esta disse que a outra "gosta de vender o corpo".

A meu ver, o problema de Nicole Bahls não é se ela foi ou não "garota de programa". O problema dela, como toda musa associada à vulgaridade, é a falta de coisas importantes para dizer, a "falta de substância". Que elas vivem midiaticamente em função de seu corpo, isso é verdade. E não é só a Nicole, mas a Solange Gomes, Maíra Cardi, as "mulheres-frutas" do "funk carioca", etc etc.

Elas mesmas nada fazem para ao menos "guardar" seus dotes físicos. Vamos fazer uma comparação entre Nicole Bahls e uma jornalista de TV, Ticiana Villas-Boas, por exemplo. Ticiana é conhecida por sua beleza, formosura e sensualidade. Mas não fica mostrando o corpo a toda hora, e, quando mostra, procura ser de acordo com o contexto e com a situação.

Imagine entrevistar uma "musa popular". Ela só falará de sexo, de cuidados com o corpo, de relações amorosas. Só isso. Já Ticiana é capaz de falar sobre outras coisas, e como ela é casada ela deixa os assuntos sobre sexo para sua vida íntima, enquanto a Nicole Bahls que quer processar quem a chame de "prostituta" chega a declarar aos quatro ventos da mídia que foi traída porque não gosta de sexo anal.

Coisa indiscreta, que não representa "atitude" alguma. Afinal, essas "musas populares" nem de longe representam qualquer feminismo, nem qualquer verdadeira liberdade de expressão corporal. Mas a mídia machista, como é derivada da mídia golpista como um todo - um jornal Meia Hora não é muito diferente de uma revista Veja, por exemplo - , insiste na tal "liberdade do corpo" como os "urubólogos" que falam em "liberdade de imprensa".

É o mesmo itinerário ideológico. Não dá para fazer desvios retóricos como esses que a intelectualidade ultrabadalada faz. O "mercadão" das "popozudas" não tem qualquer oposição ideológica com o conservadorismo ideológico, porque as mesmas forças que combatem os movimentos sociais precisam defender também o "complemento" a isso, que é todo o entretenimento brega-popularesco.

Por isso, não há qualquer diferença fundamental de uma Nicole Bahls ou Solange Gomes - só para citar outra "musa" temperamental - com Sarah Palin, a política norte-americana e militante do Tea Party, o "partido do chá" ou a "festa do chá", como queiram, associada ao ultradireitismo derrotado nas urnas na última semana.

Afrinal, o machismo que reserva as mulheres independentes e batalhadoras à vida marital com homens "importantes" - como Ticiana Villas-Boas que renovou votos nupciais com seu marido, um economista-empresário - é o mesmo que, para as classes mais pobres, promove o circo das "popozudas" para distrair os homens e evitar qualquer ativismo social.

Portanto, a gente imagina Solange Gomes, Nicole Bahls, Geisy Arruda e Maíra Cardi, daqui a 20 anos, de mãos dadas com os "militantes" da Opus Dei. Não nos iludamos. Se Soninha Francine, que nunca foi "boazuda", mas tinha um discurso "tipo Marcelo Freixo" que deslumbrava as "esquerdas médias", tornou-se uma reacionária explícita, imagine então as "musas populares" que andam de mãos dadas com os barões da mídia, fazendo o que eles querem que elas façam para ludibriar o "povão".

É tudo o mesmo machismo. E não é o rótulo de "popular" que irá dizer o contrário.

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