segunda-feira, 31 de outubro de 2011

FESTA PARA EVITAR OUTRAS "OCUPAÇÕES"



Por Alexandre Figueiredo

Só mesmo o Brasil para modismos comerciais venderem a imagem de pretenso engajamento sócio-cultural. Só mesmo no Brasil ídolos do establishment do entretenimento, em vez de se orgulharem com o sucesso, ficam reclamando de "falta de espaço" na mídia. E, o que é mais absurdo, reclamam da falta de espaço da mesma mídia que lhes dá o maior espaço, e, não raro, reclamam da falta de espaço na mídia no mesmo espaço que a mídia dá para eles.

Ontem houve o "baile funk" do Largo da Carioca, intitulado Rio Parada Funk. Patrocinado por autoridades cariocas e pelos barões da grande mídia, o evento, que mais uma vez celebra o pretensiosismo "engajado" do "funk carioca", é uma forma de tapear as coisas, um "movimento social" que tenta desviar a atenção de outros movimentos sociais.

Pois é uma festa apenas, feita para evitar outras "ocupações". A tese de que o "funk carioca" é um "movimento social" se baseia no mito de que o Brasil é um "paraíso tropical", sem tensões sociais, o mesmo paraíso difundido por Ali Kamel, Luciano Huck, Fausto Silva e pelos jornalistas que, na Ilustrada, servem a propósitos culturais de Otávio Frias Filho.

O grande problema é que o pessoal que acredita nesses valores tenta mostrar o contrário, seguindo Emir Sader no Twitter e batendo palmas em tudo o que Venício A. de Lima, Fábio Konder Comparato e Laurindo Lalo Leal Filho falam sobre regulação da mídia. Sem ter ideia dos efeitos que a regulação da mídia trará.

Ninguém percebe que o "funk carioca" é composto por valores e expressões claramente herdados da velha grande mídia. O ritmo não é mais do que um pop dançante medíocre, que distorceu ao máximo do grotesco tendências interessantes do verdadeiro funk eletrônico difundidas nos anos 80, como o eletrofunk de Afrika Bambataa e o freestyle.

Mas o "funk carioca" tenta se impor como algo que não é, por conta de uma campanha ideológica engenhosa, dotada de argumentos confusos, desesperados, com falsos referenciais de comparação, uma retórica que não condiz com o ritmo a que defende no seu discurso. Porque é um discurso que morre quando se toca um CD de "funk".

Pois quando se vê textos sobre a música de Bob Dylan, por exemplo, e faz-se uma comparação tocando seus CDs, dá para perceber que as citações do movimento beat, da Contracultura dos anos 60 e do movimento folk estão realmente relacionados com a música do cantor. Se alguém tocar um CD de Bossa Nova, depois de ler um texto relacionando-a com a intelectualidade da geração pós-modernista (Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector), verá que a relação tem tudo a ver.

Mas se alguém tocar um CD de "funk carioca", não vai ver qualquer relação com as referências tendenciosamente "atribuídas" ao gênero, como a Semana de Arte Moderna, o Tropicalismo, a Revolta de Canudos, a pop art. Nem mesmo o punk rock, até porque o "funk carioca" sempre foi pró-sistema, por mais que diga o contrário.

O que se vê é um ritmo sem melodias, artisticamente repetitivo, ruim nas letras e pior nos valores sócio-culturais difundidos. Mesmo o "funk de raiz" parece tão cômico quanto quadros musicais de programas humorísticos. O "protesto" não existe. Por outro lado, os próprios funqueiros glamourizam a própria pobreza, transformando-a num espetáculo.

O maior problema é que a intelectualidade dominante no Brasil, com críticos musicais educados pela mesma velha mídia televisiva da qual dizem ter rompido (mas seguem suas ideias obedientemente) e cientistas sociais educados na burocratização educacional herdada dos anos de chumbo, não quer que se estabeleça o senso crítico no país.

Por isso, quer essa intelectualidade que encaremos o espetáculo da mass media sem os olhos críticos que marcaram pensadores como Pierre Bourdieu, Guy Debord e Jean Baudrillard, e que até hoje nomes conhecidos como Noam Chomsky e Umberto Eco fazem. Isso apesar dos esforços brasileiros de um Muniz Sodré e, até um passado recente, o geógrafo Milton Santos.

Quer a intelectualidade dominante de hoje - que não se acha dominante, pasmem - que encaremos a espetacularização da miséria pela grande mídia com a condescendência que os credita como "inocentes fenômenos pós-modernos".

Na carência de grandes movimentos sócio-culturais, tomamos o patético "funk carioca", uma das últimas e desesperadas heranças da mesma velha mídia de urubólogos e calunistas, como se fosse "o maior movimento sócio-cultural do país". Foi essa lorota que fez o forró-brega virar um império monocultural no Ceará, e que encheu os bolsos dos mega-empresários da axé-music, anos atrás.

Pois, ideologicamente, não existe a menor diferença entre Mr. Catra e William Waack, Valesca Popozuda e Eliane Cantanhede, MC Leonardo e Ali Kamel. O "funk carioca" sempre andou de mãos dadas com a velha mídia, desde os tempos em que era apenas um ritmo brega-popularesco local, apoiado há muito tempo e com entusiasmo pela rádio 98 FM (hoje Beat 98), um dos patrimônios da famiglia Marinho.

Agora, se o pessoal insiste em fazer confusão entre os "bailes funk" de rua com movimentos sérios como Ocupar Wall Street, é bom esse pessoal verificar se andou bebendo demais ou se andou vendo "coisas".

BLOGUEIROS E WIKILEAKS UNIDOS



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O texto abaixo se refere ao debate do 1º Encontro Mundial de Blogueiros, quando se constata que a velha grande imprensa não detém mais a hegemonia da informação e que dados difundidos pela blogosfera e por portais como Wikileaks representam uma ruptura aos padrões informativos antes dominantes.

Blogueiros e Wikileaks unidos

Por Mariana Serafini - Portal Vermelho

O primeiro dia do 1º Encontro Mundial de Blogueiros começa com dois dos palestrantes internacionais mais esperados. Na mesa estavam o porta-voz do Wikileaks, Kristinn Hrafnsson, o jornalista do Le Monde Diplomatique, Ignácio Ramonet, o jornalista brasileiro Luiz Nassif, a fundadora da Agência Pública de Jornalismo Investigativo, Natália Viana, e a blogueira gaúcha Tatiane Pires. O jornalista Dênis de Moraes não conseguiu chegar a tempo para participar da atividade.

Hrafnsson contou a história do Wikileaks, falou sobre a “lacuna” que se formou no jornalismo nos últimos dez anos, da facilidade de manipulação da informação e a importância do Wikileaks para preencher essa lacuna com informações transparentes. Comentou o risco que a organização correu por trabalhar em conjunto com grandes veículos da mídia tradicional como New York Times e The Guardian e que, se pudessem começar novamente, teriam feito os acordos diretamente com jornalistas e não com as empresas de comunicação.

Em seguida, Hrafnsson alertou para a importância dos veículos de comunicação alternativos. “Eles normalmente não estão atrelados a nenhum tipo de governo e não estão ligados financeiramente a grandes corporações, geralmente são mais críticos e comprometidos com a qualidade da informação”, disse.

Finalizou dizendo que os blogueiros são parte fundamental neste novo processo da comunicação. E afirmou ainda que, futuramente, eles poderão ser colaboradores do Wikileaks. “Vocês blogueiros e nós do Wikileaks estamos de mãos dadas, em poucos anos o futuro será definido e nós precisamos fazê-lo com transparência”.

“A explosão das novas mídias foi uma das coisas mais importantes já acontecidas na comunicação”, afirmou Ignácio Ramonet. De acordo com ele, as novas mídias estão colocando a profissão de jornalista em crise de identidade. “O jornalista já não sabe mais para quê ele trabalha, as mídias tradicionais perderam seu monopólio da informação para os blogueiros”. Mas destacou: “Muitos blogueiros não estão contra o conservadorismo, pelo contrário, há muitos blogueiros reacionários e conservadores”.

Ramonet alertou ainda sobre o fato de estarmos passando por um período de transformação na comunicação. “Se este debate estivesse acontecendo há cinco anos, nós estaríamos falando do MySpace, hoje estamos falando do fenômeno Twiiter, que provavelmente daqui há 5 anos já terá sido superado por algo mais interessante”.

O comunicólogo falou sobre a rapidez da informação e o quanto é importante estar atento a este novo processo. “As mídias tradicionais existem há mais de um século e meio, e as redes sociais, com certeza, foram a primeira coisa a desestabilizar este monopólio. Estamos em um sistema efêmero que não tem vocação para estar estabilizado como os velhos meios estavam”.

Para fechar a mesa, o jornalista Luiz Nassif ressaltou o papel das novas mídias no Brasil: “A velha mídia espalha a intolerância. A construção do conhecimento pressupõe você abrir mão da propriedade da informação”, afirmou. Alertou ainda sobre o posicionamento da mídia tradicional brasileira, que não tem uma identidade própria e tenta seguir o modelo da mídia estadunidense.

domingo, 30 de outubro de 2011

DIREITOS DAS MULHERES: UMA FARSA PARA SAUDITA VER



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: No "incendiário" Oriente Médio, ainda há muitos problemas a resolver. Mas não será uma aparente concessão política de voto às mulheres, dada mais para legitimar o poder de um ditador do que para realmente efetivar conquistas sociais, que resolverá a situação, cada vez mais complexa. Sobretudo em relação à Arábia Saudita, cuja ditadura é protegida pelos EUA.

Direitos das mulheres: Uma farsa para Saudita ver

Por Raphael Tsavkko Garcia - Blog do Tsavkko - The Angry Brazilian

Recentemente, o ditador Abdullah da Arábia Saudita (que para a mídia tradicional permanece como um democrático e correto rei) concedeu de forma absolutamente benevolente o direito de votar e ser votada para as mulheres de seu país.

O tratamento dado a Abdullah combina com a simpatia demonstrada pela mídia ao ditador – ou “presidente” – do Iêmen, Ali Saleh, que ainda não caiu em desgraça com os EUA, o parâmetro para simpatias ou antipatias midiáticas. Tratamento que diverge do dado a Bashar al Assad e Kadafi, que rapidamente viraram ditadores sanguinários.

Palmas e comemorações de parte da imprensa, elogios vindos de aliados e, claro, efusivas congratulações por parte dos EUA, que insistem em levar democracia aos inimigos, mas nunca aos amigos.

Há, de fato, alguma diferença no tratamento dado pela Arábia Saudita às mulheres? Mudou ou mudará alguma coisa em... 2015, quando chegarem as eleições? Aliás, que eleições?

O país é uma ditadura onde quem manda é o "Rei", simples assim. As eleições municipais ocorrem logo mais, mas claro que esta benevolência real não valerá agora, antes o povo precisa "se acostumar" com a novidade. Leia-se: é preciso arrefecer o entusiasmo e mascarar a ineficiência ou impossibilidade de se aplicar a decisão de forma ampla.

Além de se apresentar nas eleições municipais (cujos membros são metade eleitos e metade indicados, mas no fim não têm quase poder algum), as mulheres também poderão fazer parte da Shura, algo como o parlamento nacional. Mas este nem chega perto de voto popular, é totalmente nomeado pelo "rei". Ou seja, só entra mulher se o rei quiser! Tem que ser amiga do rei, da mulher do rei...

Será interessante, em um país controlado por leis ditadas por mulás que não permitem às mulheres sequer dirigir (que o diga serem consideradas cidadãos completas), mulheres governando, mesmo que de forma apenas aparente, sem poderes efetivos.

Parece um contra-senso. Vê-se o quão cosmética é a permissão benevolente rei Abdullah. As mulheres podem concorrer, mas concorrer para o quê? E para quê?

A questão ainda vai além. O rei não é estúpido, não se mantém no poder há décadas sem ter um mínimo de inteligência (petróleo, riquezas e bons amigos ianques ajudam, claro). A idéia é dar às mulheres um falso poder. Dar a elas algo que, no fim, não faz nenhuma diferença fora do papel.

Oras, as mulheres agora podem votar ou ser votadas para conselhos que nada representam ou que nem sequer são formados com o voto popular. E mesmo assim ainda precisam de permissão dos maridos para sair de casa e votar. Precisam de permissão dos maridos para se candidatar!

Se as mulheres não podem sequer sair de casa desacompanhadas, como e por que raios irão concorrer a algum cargo político ou mesmo votar? Só com permissão dos maridos (ou pais, irmãos, algum homem "responsável"). Algo que para a franca maioria será o mesmo que nada. Continuarão enclausuradas e nulas (no sentido de anuladas, ok?).

Na Arábia Saudita - país dos mais antidemocráticos e ditatoriais do mundo, mas bom amigo dos EUA - as mulheres têm a mesma relevância que uma coca-cola: existem apenas para dar prazer, serem consumidas enquanto tiverem algum gás e não podem sair do lugar sozinhas.

Sim, a comparação é péssima, mas acho que me fiz entender. Mas bem, como alguém espera que mulheres se candidatem e sejam eleitas se não podem sair de casa? Se não podem dirigir um carro, se não têm direito a NADA enquanto seres humanos?

Imaginem se, por algum milagre, o rei indica uma mulher para a Shura. Esta irá legislar sobre seu marido, sobre outros homens, mas até para ir ao parlamento precisará de permissão destes mesmos homens. Para simplesmente sair de casa e realizar o percurso! Se a mulher não morar em Riad, a capital, precisará de permissão para viajar!

Abdullah deu às mulheres um direito que estas dificilmente poderão usufruir, mas ainda assim conseguiu enganar metade do mundo (ao menos a metade que sente prazer em ser enganada).

Comemorar esta "vitória" é o mesmo que comemorar a "vitória" dos valorosos rebeldes líbios, ou seja, hipocrisia. Uma “vitória” em que o lado vencedor não terá condições de usufruir do prêmio, dado que precisa de autorização dos homens para fazê-lo e carece até de um sistema político capaz de possibilitar que o esforço seja válido, que qualquer mudança faça a diferença.

sábado, 29 de outubro de 2011

COMO SERIA UM BRASIL SEM LULA?



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O ex-presidente Lula inicia esta semana tratamento contra um câncer na laringe. A mídia exagerou, e a urubologia de plantão talvez esteja esboçando um obituário dele. Os médicos afirmam que Lula aparentemente está ótimo, mas não informaram quantas quimioterapias ele vai enfrentar. A primeira, no entanto, está confirmada para semana que vem no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Saúde, Lula!

O texto a seguir, preocupado com as pressões da velha mídia, foi escrito por Luís Nassif diante de uma suposição de como seria o país sem os dois mandatos de Lula, que, mesmo numa linha progressista, realizou progressos sociais no país.

Como seria um Brasil sem Lula?

Por Luís Nassif - Brasilianas.Org

Agora que as notícias dão conta da boa perspectiva de restabelecimento do Lula, é curioso debruçar sobre as análises apressadas sobre uma era pós-Lula.

Aliás, chocante a maneira como algumas comentaristas celebraram a doença de Lula. Até nos ambientes mais selvagens - das guerras, por exemplo - há a ética do guerreiro, de embainhar as armas quando vê o inimigo caído, por doença, tragédia ou mesmo na derrota. Por aqui, não: é selvageria em estado puro.

A analista-torcedora supos que, com a doença de Lula, haveria uma mudança radical no quadro político. Sem voz, Lula seria como um Sansão sem cabelos. Sem Lula, não haveria Fernando Haddad. Sem contar os diagnósticos médico-políticos, de que Lula foi castigado por sua vida desregrada. Zerado o jogo político, concluiu triunfante.

Num de seus discursos mais conhecidos, Lula bradava para a multidão: "Se cortarem um braço meu, vocês serão meu braço; se calarem a minha voz, vocês serão minha voz...".
Qualquer tragédia com Lula o alçaria à condição de semideus, como foi com Vargas. O suicídio de Vargas pavimentou por dez anos as eleições de seus seguidores. É só imaginar o que seriam os comícios com a reprodução dos discursos de Lula. Haveria comoção geral.

A falta de Lula seria visível em outra ponta: é ele quem segura a peteca da radicalização. Quem seguraria suas hostes, em caso da sua falta? Seu grande feito político foi promover um pacto que envolveu os mais diversos setores do país, dos movimentos sociais e sindicais aos grandes grupos empresariais. E em nenhum momento ter cedido a esbirros autoritários, a represálias contra seus adversários - a não ser no campo do voto -, mesmo sofrendo ataques implacáveis.

Ouvindo os analistas radicais, lembrando-se da campanha passada, como seria o país caso Serra tivesse sido eleito? É um bom exercício. Não sobraria inteiro um adversário. Na fase Lula, há dois poderes se contrapondo: o do Estado e o da mídia e um presidente que nunca exorbitou de suas funções. No caso de Serra, haveria a junção desses dois poderes, em mãos absolutamente raivosas, vingativas.

Ao fechar todos os canais de participação, Serra sentaria em cima de uma panela de pressão. Sem canais de expressão, muitos dos adversários ganhariam as ruas. Sem a mediação de Lula, não haveria como não resultar em confrontos. Seria uma longa noite de São Bartolomeu.

Essa teria sido a grande tragédia nacional, que provavelmente comprometeria 27 anos de luta pela consolidação democrática.

JABOR DESTILA RACISMO CONTRA ORLANDO E É RECHAÇADO NO TWITTER



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O cineasta e comentarista das Organizações Globo, Arnaldo Jabor, há um bom tempo tornou-se um reacionário ranzinza. Ex-cepecista, até tinha alguma lucidez nas suas críticas contra a "pagodização" do país. Mas hoje o ex-esquerdista foi longe demais, disparando ódio gratuito contra o PC do B e fazendo comentários racistas contra o ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva.

Jabor destila racismo contra Orlando e é rechaçado no Twitter

Do Portal Vermelho

Em comentário na Rádio CBN, na última quinta (27), o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor destilou todo o seu preconceito e anticomunismo ao comemorar a saída de Orlando Silva do Ministério do Esporte. "Finalmente, o Orlando Silva caiu do galho”, disse Jabor, ao iniciar sua fala na rádio. Além de associar, indiretamente, o ex-ministro a um “macaco”, o que se segue é uma saraivada de xingamentos gratuitos e raivosos contra Orlando, o PCdoB e a UNE. As declarações geraram reação nas mídias sociais.

Utilizando-se de toda a teatralidade de que é capaz, o comentarista da ultradireita esculhamba não só com a sigla comunista, mas joga todos os partidos na vala comum da corrupção, discurso muito comum entres os que tentam desacreditar a política e os políticos.

Mas é contra o PCdoB que ele centra fogo. Jabor não só reforça o coro da mídia como um todo - que tem alimentado o noticiário com denúncias a respeito das quais não há nenhuma prova sequer - como toma como verdade as acusações que nem chegaram a ser investigadas. E passa dos limites, ao agredir até o falecido líder comunista João Amazonas, classificando-lhe como um "delirante maoista".

Com sua metralhadora de adjetivos desabonadores, dispara também contra a UNE. Numa demonstração de completa neurastenia, ele chama jovens de "malandros" e "oportuinistas", depois os acusa de desviariam dinheiro.

O comentário provocou reação. Nas redes sociais, até a noite desta sexta (28), crescia o movimento em repúdio ao jornalista, que desrespeita as principais regras da profissão. Com a hastag #ArnaldoJaborRacista, os internautas defenderam o PCdoB e cobravam um processo contra Jabor por racismo.

"Espero uma atitude imediata da justiça pq no Brasil Racismo é crime inafiançável #ArnaldoJaborRacista", postou a tuiteira @Marianna_UFRN . O presidente da Ubes, Yann Evanovick, também rebateu, em sua conta no twitter @YannUbes: "Jabor no Brasil de hoje representa o que tem de pior na sociedade. Isso é para os que acreditam que no Brasil não tem mais racismo. #vergonha".

Até a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Maria do Rosário, criticou o comentarista no microblog. "Quero repudiar veementemente a declaração racista do Arnaldo Jabor sobre o ex-ministro Orlando Silva. Isso é inaceitável!", escreveu.

A entidade do movimento negro Unegro anunciou que lançará manifesto de repúdio às declarações de Arnaldo Jabor e exigindo sua imediata demissão, além de uma investigação do Ministério Público por crime de racismo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

BLOGOSFERA ENFRENTA DESAFIO DE NÃO REPETIR VÍCIOS DA GRANDE MÍDIA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O jornalista francês Ignacio Ramonet, do Le Monde Diplomatique, fez um comentário sobre a influência da blogosfera de oferecer uma visão de mundo diferente daquela difundida pela decadente grande imprensa. E ele explicará isso no primeiro Encontro Mundial de Blogueiros, que acontece até amanhã em Foz do Iguaçu (PR).

Blogosfera enfrenta desafio de não repetir vícios da grande mídia

Por Marcel Gomes - Agência Carta Maior

Foz do Iguaçu - Apesar de os novos meios de comunicação terem democratizado o acesso à informação no mundo, problemas como a "dispersão e a ausência de sentido mais amplo" dos conteúdos padecem como desafios a serem vencidos pelos comunicadores. A opinião é do jornalista e sociólogo espanhol Ignácio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique, que participa nesta sexta-feira (28) do 1º Encontro Mundial de Blogueiros, em Foz do Iguaçu (PR). O evento acontece até sábado (29).

"Hoje a informação é superabundante e, por isso, não tem mais valor em si, é gratuita", disse ele. "Por isso, há qualidades do jornalismo tradicional, no tratamento da informação, que não podem ser eliminadas e contribuem para qualificar o uso das novas tecnologias".

Esse seria um papel que os jornalistas poderiam cumprir, já que atualmente "não sabem mais qual a sua função". "Há uma crise de identidade nos meios tradicionais, que perderam o monopólio, e nos próprios jornalistas", analisou o espanhol.

Ramonet destacou o papel das novas tecnologias ao dificultar que governos controlem a informação, "como na Tunísia e no Egito", e colaborar para a democracia. No entanto, ressaltou que todos devem se preparar para o futuro, pois "tudo é transitório e, daqui a cinco anos, twiter, facebook e ipad talvez sejam substituídos por outras tecnologias".

"Os antigos meios de comunicação viveram uma estabilidade por décadas. Isso não ocorre hoje. Se este evento dos blogueiros tivesse acontecido há cinco anos, estaríamos falando aqui do My Space", disse.

Experiência brasileira
Em sua exposição, o jornalista brasileiro Luis Nassif afirmou que a blogosfera já é utilizada pelas mais diversas camadas da sociedade, da esquerda à direita. "Eu vivo uma guerra com a revista Veja, que diariamente me caluniava através de um de seus colunistas na intenet", afirmou.

Em linha com Ignácio Ramonet, ele disse que "a questão mais importante não é a tecnologia em si, que está em constante transfomação, mas os valores por trás dela". Nassif ainda rememorou o papel da mídia tradicional na legitimação da política econômica em diversos períodos da história brasileira.

"Na era do café, a imprensa defendia a política que beneficiava esse setor. Quem propusesse algo em outra linha, era criticado", afirmou. Ele lembrou que o nascimento do rádio e da indústria fonográfica nas primeiras décadas do século 20 abalou o poder dominante, pois "ajudava a criar a autoestima nacional, quando a elite ainda falava francês".

Na década de noventa, Nassif disse que novamente a política econômica foi determinada pela mídia, que se aproveita de que "a política é conduzida pelas pressões imediatas". "É com a mídia que se consegue chegar à opinião pública", analisou.

Segundo o jornalista, apesar do poderio ainda exercido pelos meios tradicionais, já há casos em que a blogosfera fez diferença, como quando ajudou a desmontar a operação midiática para desqualificar a operação Satiagraha da Polícia Federal, que atingiu em 2004 o banqueiro Daniel Dantas.

1° ENCONTRO MUNDIAL DE BLOGUEIROS COMEÇA COM COBRANÇAS POR BANDA LARGA E REGULAÇÃO DA MÍDIA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O primeiro Encontro Mundial de Blogueiros foi iniciado ontem com cerimônia de abertura e hoje começam os debates e seminários propriamente ditos. É o grande encontro da blogosfera progressista, fenômeno que anda assustando, até de forma traumática, a velha grande mídia que se julgava eternamente a dona da opinião pública.

O evento ocorre também num contexto de mudanças sociais profundas em várias partes do mundo.

1º Encontro Mundial de Blogueiros começa em Foz com cobranças por banda larga e marco regulatório da mídia

Por Marcel Gomes - Agência Carta Maior

Foz do Iguaçu - O 1º Encontro Mundial de Blogueiros começou na noite de quinta-feira (27), em Foz do Iguaçu (PR), com um ato de abertura marcado por mensagens em favor da democratização da comunicação, críticas à grande mídia, pedidos por internet banda larga gratuita e mais políticas públicas para o setor. O evento ocorreu em um belo mirante em frente à usina de Itaipu, que é uma das patrocinadoras do encontro.

Além da música caipira de um grupo regional, a abertura foi marcada pela tradicional cerimônia de iluminação da barragem, acompanhada de queima de fogos. Os blogueiros presentes puderam replicar na internet o que acontecia no local, através de uma conexão sem fio oferecida gratuitamente pelos organizadores. O encontro continua nesta sexta (28) e sábado (29) e conta com representantes de 32 países e de 16 Estados brasileiros (veja programação abaixo).

Para o jornalista Renato Rovai, presidente da Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação (Altercom), o encontro dos blogueiros é uma oportunidade para "ampliar as possiblidades humanas dentro das novas tecnologias". "Estamos conseguindo construir a democratização da comunicação aproveitando o que a tecnologia e a inteligência humana nos colocaram a disposição. Isso é importante porque não dependemos mais de concessões e de empresas", disse.

Editor da revista Fórum, Rovai lembrou que os blogueiros precisam aproveitar a "oportunidade" por o evento ocorrer em Foz, cidade onde está a tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. "Muitas vezes nós, brasileiros, temos mais conexões com europeus e norte-americanos. Mas o fato de esse evento acontecer aqui ajuda a nos aproximar da América Latina, a construir um espaço que permita a construção de ações políticas reais", afirmou.

Ao lembrar que o encontro ocorria na usina de Itaipu, "um espaço estatal", Rosane Bertotti, secretária nacional de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), defendeu que o Estado tem obrigação de "fazer com que a comunicação seja um direito e de garanti-lo junto a sociedade". "Esse encontro também precisa ser um espaço para discutir gestão pública e como ela pode garantir a democratização do direito à comunicação", pontuou ela, que integra o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

Ainda sobre o papel do Estado no setor, Altamiro Borges, do Instituto de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, defendeu a luta por um marco regulatório para a comunicação no país e por uma banda larga de qualidade. "São bandeiras que nos unificam e que nos ajudam a enfrentar os impérios midiáticos deformadores de comportamentos e manipuladores da informação", disse o jornalista. Por sinal, o mote central do encontro é “O papel da blogosfera na construção da democracia”, a partir da constatação de que as novas mídias absorveram grande parte da audiência da imprensa tradicional.

Também saudaram a abertura do evento o superintendente de Comunicação Social de Itaipu, Gilmar Piolla ("a nova missão institucional de Itaipu abriu a empresa para a comunidade e o debate sobre novas mídias é fundamental, porque transformou o relacionamento humano"), o secretário de Comunicação do governo Beto Richa (PSDB), Marcelo Catani ("será um evento com total garantia de pluralidade"), e o deputado federal e secretário nacional de Comunicação do PT, André Vargas ("como tuiteiro, sou um militante da causa, e o próprio Congresso do PT determinou a construção de um marco regulatório da mídia").

Ao longo dos próximos dois dias, participarão de debates em Foz do Iguaçu personalidades como Ignácio Ramonet, criador do Le Monde Diplomatique; Kristinn Hrafnsson, porta-voz do WikiLeaks; Luis Nassif, jornalista e blogueiro; Jesse Chacón, ex-ministro das Comunicações da Venezuela; e Pascual Serrano, fundador de um dos maiores sites de esquerda da Europa, o Rebelión. A mediação será feita por jornalistas e blogueiros vindos de diversos Estados brasileiros. O evento é promovido pelo Instituto Barão de Itararé e a Altercom, com patrocínio da Itaipu Binacional e da Sanepar.


Programação

27 de outubro – quinta-feira, 20 horas (ocorrido ontem)

19 horas – abertura oficial do evento no Centro de Recepção de Visitantes (CRV) de Itaipu

- Coquetel e iluminação da barragem de Itaipu

28 de outubro – sexta-feira

9 horas – Debate: “O papel das novas mídias”
- Ignácio Ramonet – criador do Le Monde Diplomatique e autor do livro “A explosão do jornalismo”;
- Kristinn Hrafnsson – porta-voz do WikiLeaks;
- Dênis de Moraes – autor do livro “Mutações do visível: da comunicação de massa à comunicação em rede”;
- Luis Nassif – jornalista e blogueiro;
* Mesa dirigida por Natalia Vianna (Agência Pública) e Tatiane Pires (blogueira do RS)

14 horas – Painel: “Experiências nos EUA e Europa”
- Pascual Serrano – blogueiro e fundador do sítio Rebelión (Espanha);
- Andrés Thomas Conteris - fundador do Democracy Now em Espanhol (EUA);
- Henrique Palma – criador do blog “A perdre La raison” (França) ;
- Jillian York – blogueira, colunista do Huffington Post, Guardian e da TV Al Jazeera (EUA);
* Mesa dirigida por Renata Mielli (Barão de Itararé) e Altino Machado (blogueiro do Acre);

16 horas – Painel: “Experiências na Ásia e África”.
- Ahmed Bahgat – blogueiro e ativista digital na “revolta do mundo árabe” (Egito);
- Atanu Dey – blogueira da Índia e especialista em Tecnologia da Informação (Índia);
- Pepe Escobar – jornalista e colunista do sítio Ásia Times Online (Japão);
- Mar-Jordan Degadjor – blogueiro e diretor da ONG África para o Futuro (Gana);
* Mesa dirigida por Renato Rovai (Altercom) e Sérgio Telles (blogueiro do Rio de Janeiro);

Dia 29 de outubro – sábado

9 horas – Painel: “Experiências na América Latina”.
- Iroel Sánchez – blogueiro da página La Pupila Insomne e do sítio CubaDebate (Cuba);
- Osvaldo Leon – editor sítio da Agência Latinoamericana de Informação – Alai (Equador);
- Martin Becerra – professor universitário e blogueiro (Argentina);
- Jesse Freeston – blogueiro e ativista dos direitos humanos (Honduras);
- Luis Navarro (Editor do jornal La Jornada – México)
- Martin Granovsky (Editor Especial do jornal Página 12 – Argentina)
* Mesa dirigida por Sérgio Bertoni (blogueiro do Paraná) e Cido Araújo (blogueiro de São Paulo);

14 horas – Painel: “As experiências no Brasil”
- Leandro Fortes – jornalista da revista CartaCapital, blogueiro e da comissão nacional do BlogProg;
- Esmael Moraes – criador do blog do Esmael.
- Conceição Oliveira – criadora do blog Maria Frô e tuiteira.
- Bob Fernandes – editor do sitio Terra Magazine [*];
* Mesa dirigida por Maria Inês Nassif (Carta Maior) e Daniel Bezerra (blogueiro do Ceará);

16 horas – Debate: A luta pela liberdade de expressão e pela democratização da comunicação.
– Paulo Bernardo – ministro das Comunicações do Brasil [*];
- Jesse Chacón – ex-ministro das Comunicações da Venezuela;
- Damian Loreti – integrante da comissão que elaborou a Ley de Medios na Argentina;
- Blanca Josales – ministra das Comunicações do Peru;
* Mesa dirigida por Julieta Palmeira (associação de novas mídias da Bahia) e Tica Moreno (blogueiras feministas);

18 horas – Ato de encerramento.
- Aprovação da Carta de Foz do Iguaçu (propostas e organização).

WIKILEAKS: WILLIAM WAACK, DA GLOBO, É CITADO TRÊS VEZES COMO INFORMANTE DOS EUA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: É muito grave que um jornalista que se suponha "de credibilidade" seja suspeito de colaborar com o governo dos EUA. Mas, em se tratando da velha grande mídia, isso é possível, porque ela mesma é afinada com os interesses dos EUA e está pouco se lixando com a soberania nacional.

Wikileaks: William Waack, da Globo, é citado três vezes como informante dos EUA

Por Jorge Lourenço - Informe JB

O jornalista William Waack, da Rede Globo, se tornou um dos assuntos mais discutidos no Twitter nesta quinta-feira graças a supostos documentos da Wikileaks que o apontariam como informante do governo americano. Apesar de vagas e desencontradas, algumas informações são verdadeiras. O Informe JB entrou em contato com a jornalista Natalia Viana, responsável pela Wikileaks no Brasil, que confirmou a história. Waack é citado não apenas uma, mas três vezes como informante da Casa Branca. Dois dos documentos que o citam são considerados "confidenciais".



Consulta sobre as eleições

Um dos arquivos é sobre a visita de um porta-aviões dos Estados Unidos em maio de 2008. Na ocasião, a Embaixada Americana classificou como positiva a repercussão na mídia do evento, citando William Waack diretamente por ter ajudado a mostrar o lado positivo das relações do Brasil com os Estados Unidos em reportagens para o jornal "O Globo". Os outros dois documentos são sobre informações repassadas por Waack a representantes americanos sobre as eleições presidenciais do ano passado.
Documento relata reunião na qual Waack dá detalhes sobre os presidenciáveis em fevereiroDocumento relata reunião na qual Waack dá detalhes sobre os presidenciáveis em fevereiro

Dilma incoerente

O jornalista da Rede Globo reportou aos americanos em fevereiro de 2010 que um fórum econômico em São Paulo deixou as seguintes impressões sobre os possíveis candidatos à presidência: Ciro Gomes era o mais preparado, Serra era "claramente competente" e Dilma era... incoerente.
William Waack errou previsão sobre união de Aécio Neves com José SerraWilliam Waack errou previsão sobre união de Aécio Neves com José Serra

Bola fora

Em agosto de 2009, novamente Waack manteve contatos com funcionários americanos, mas passou uma informação errada. Ele apontou que Serra e Aécio Neves já haviam selado a paz para uma candidatura a presidente e vice, respectivamente, no ano seguinte. A profecia, como todos sabem, não se confirmou. Aécio tentou encabeçar a candidatura tucana à presidência, mas acabou tentando o Senado por Minas Gerais.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

ENCONTRO MUNDIAL DE BLOGUEIROS SERÁ TRANSMITIDO AO VIVO PELA INTERNET



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O primeiro encontro mundial de blogueiros reunirá as principais figuras atuantes na blogosfera mundial, incluindo brasileiros como Altamiro Borges, Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif, Esmael Moraes e a jornalista Hildegarde Angel. É esperada a presença de Julian Assange, do portal Wikileaks, e entre os estrangeiros estarão no evento a jornalista Amy Goodman, do portal Democracy Now, o blogueiro cubano Iroel Sanchez e o jornalista francês Ignacio Ramonet, do Le Monde Diplomatique.

Encontro Mundial de Blogueiros será transmitido ao vivo pela internet

Do Click Foz de Iguaçu - Reproduzido no sítio Blogueiros do Mundo

Começa na quinta-feira (27) e terá transmissão ao vivo de todas as mesas de debate

O 1º Encontro Mundial de Blogueiros começa quinta-feira (27) e vai até sábado (29) em Foz do Iguaçu. O objetivo é debater o papel da blogosfera na democratização da comunicação, e já colocando em prática esta ação, o encontro será transmitido em tempo real pela internet através do site oficial no endereço www.blogueirosdomundo.com.br/ao-vivo.

Internautas do mundo todo que não conseguiram estar presentes no encontro poderão acompanhar a programação e interagir com os participantes através do Twitter e do Facebook. No primeiro a forma de manter contato é através da hashtag #blogmundofoz e pelo Facebook basta curtir a página oficial e se manter atualizado.

Esta integração já é marca registrada do encontro de blogueiros. O 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas que aconteceu em março deste ano mobilizou mais de 30 mil internautas em todo o mundo durante os três dias de transmissão. A hashtag do evento ficou em primeiro lugar no Tranding Topics Brasil do Twitter por dois dias e até o presidente do Peru, Ollanta Humala, enviou uma saudação aos blogueiros através de seu perfil pessoal no Twitter.

Youtube – Os principais palestrantes serão entrevistados em coletiva, as entrevistas serão gravadas e disponibilizadas no canal do Clickfoz no Youtube. Entre os nomes em destaque estarão o jornalista Ignácio Ramonet, e o porta-voz do Wikileaks, Kristinn Hrafnsson. Este último é um dos mais esperados do evento em função das polêmicas que permeiam o site de abertura de documentos.

Recentemente o fundador do Wikileaks, Julian Assange, anunciou a suspensão das atividades do site por motivos de crise financeira. A única maneira de o portal se manter é através de doações feitas pelos admiradores do espaço, porém as empresas Visa, MasterCard e Payal bloquearam o repasse de dinheiro. Com certeza o futuro do site é uma dúvida que intriga os participantes do encontro, e por isso a expectativa em ouvir o porta-voz Hrafnsson.

Livro – o resultado dos dois dias de intenso debate será transformado em uma carta com as resoluções e também em um livro, patrocinado pela Petrobrás, apoiadora do evento ao lado de Itaipu Binacional e Sanepar.

O PSD DOS RICOS NÃO TEM KUBITSCHEK. MAS TEM WAGNER MONTES



Por Alexandre Figueiredo

O Partido Social Democrático foi lançado oficialmente esta semana e, embora venda sua imagem de "novo partido", sabemos que é o relançamento, num outro contexto, do antigo PSD que foi extinto em 1964.

Como o PSD antigo, torna-se um partido expressão do empresariado mais conservador do país, além de boa parte dos grandes proprietários de terras que ocupam inutilmente o solo de nosso país.

Mas, em outros tempos, o PSD pôde, ao menos, apresentar figuras ímpares de nossa política como Juscelino Kubitschek, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Benedito Valadares e Ernani do Amaral Peixoto. Sem falar que o udenista Afonso Arinos de Melo Franco era quase que um pessedista clássico na UDN.

O PSD de hoje conta com Gilberto Kassab, com o usineiro João Lyra (o mais rico parlamentar do país e acusado de promover um regime escravo em suas propriedades), a agromusa Kátia Abreu, o deputado Paulo Magalhães (do famoso clã de ACM) e o matogrossense Roberto Dorner, ambos também muitíssimo ricos.

Kátia Abreu não conseguiu levar o amiguinho Ronaldo Caiado para o PSD, porque este saiu desconfiado. Caiado preferiu ser fiel ao DEM que é a última encarnação da antiga UDN de seu tio, o poderoso fazendeiro Emival Caiado.

Mas o príncipe do circo do "funk carioca", Wagner Montes, ícone da imprensa jagunça que todo mundo acreditava que era "esquerdista até morrer", deixou o PDT e foi tranquilo para o PSD para iniciar sua corrida futura para o governo do Rio de Janeiro.

Wagner Montes, coleguinha de Roberto Jefferson (petebista de QI tucano) na "escola jornalística" do Povo na TV (SBT), há trinta anos atrás, é um dos maiores propagandistas do ritmo carioca que anda fazendo jogo duplo com a mídia, ludibriando os caros amigos que tentam fazer um fórum midiático de esquerda.

No discurso, o PSD diz não ser de esquerda, nem de direita e nem sequer de centro. Quer dizer, o partido quer que acreditemos que sua linha é "sem ideologias". O próprio Instituto Millenium também veio com esse papo. Na prática, porém, o PSD se lança como uma centro-direita mais enxuta, na medida em que a dupla PSDB/DEM migrou para a extrema-direita, com o "socialista" PPS a tiracolo.

Talvez o PSD venha a ser uma força sutil de oposição ao governo Dilma. Um partido que "apoiará" o governo na "medida do possível". Mas que traçará seu traiçoeiro jogo político para 2014.

É possível, também, que o PSD atraia para si vários pseudo-esquerdistas que, mesmo com QI tucano, acham que são "marxistas até morrer". Talvez o professor Eugênio Raggi - ou Eugênio Arantes Raggi, para diversificar a consulta no Google - possa enfim tomar coragem e assumir seu direitismo de vez, na medida em que o PT de Minas Gerais vive uma crise interna e o PSDB de Aécio Neves anda muito "queimado".

A não ser que o professor Raggi continue brincando de ser esquerda só para agradar sua esposa, a sugerida adesão ao PSD é uma boa possibilidade para ele mostrar sua verdadeira vocação ideológica.

De qualquer forma, o "novo" PSD mantém o velho caráter de partido oligárquico do antigo partido, mas bem menos humanista e ético.

OCUPAI UOL ESTRITE



Por Alexandre Figueiredo

Está no Cloaca News. O Sr. Cloaca, que tem a paciência de pesquisar as gafes da grande imprensa - principalmente a gaúcha, já que ele é de lá - , nos dá um brilhante serviço de utilidade pública ao nos chamar a atenção do serviço de inutilidade pública da velha mídia.

E, desta vez, é a Folha de São Paulo que nos mostra uma gafe imperdoável.

Sim, é o mesmo jornal que exige que seus jornalistas entendam fluentemente o inglês. E, por achar que o português é nosso idioma, pouco fala da exigência de entender corretamente a nossa língua.

Pois é justamente uma nota sobre protestos de rua na Síria que o jornal de Otávio Frias Filho jogou um carro bomba na gramática brasileira, num verdadeiro atentado à concordância, o que em si já é uma desinformação.

Pois vemos a pérola "Governo sírio DETEU 30 mil em protestos", uma coisa de jerico. Pois todo mundo que entende português, mas mesmo muita gente que entende mal, que fala "tauba" em vez de "tábua", "rezistro" em vez de "registro" e ainda não coloca o plural "nas coisa" sabe que DETER se conjuga como o verbo TER e que o governo sírio, em português claro, só DETEVE os protestos dos 30 mil, e não DETEU.

E é o mesmo jornal cujo dono, o mesmo Tavinho supracitado, correu da raia diante do julgamento do incidente da Folha de São Paulo versus a equipe do Desculpe a Nossa Falha, os irmãos Bocchini, processados pelo tirânico periódico paulista.

Sim, Otávio Frias Filho, "grande" intelectual, namorador de belas mulheres, mestre e mentor ideológico de "gente tarimbada" como Pedro Alexandre Sanches (Tavinho ensinou o colonista-paçoca a defender a Música de Cabresto Brasileira lá), o grão-senhor do Projeto Folha permite que um erro de português que até muitos analfabetos não cometeriam seja praticado no seu "conceituado" jornal.

A ROTINA GOLPISTA DE UMA IMPRENSA VORAZ



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Este texto é uma síntese dos desmandos que a velha grande mídia faz na atualidade. Vai das trapalhadas de Veja à ganância da Fifa.

A ROTINA GOLPISTA DE UMA IMPRENSA VORAZ

Por Roni Chira - Blogue O que será que me dá? - Também reproduzido no Cloaca News

Difícil calcular a profundidade e os interesses financeiros ocultos neste iceberg da Copa do Mundo do qual só vemos a ponta. É coisa de bilhões (se não tri) de dólares.
Joâo Havelange e seu genro-herdeiro Ricardo Teixeira colocam os interesses da “famiglia Fifa” ACIMA dos interesses do Brasil. Querem vender bebida alcoólica dentro dos estádios – o que é proibido por lei. Não aceitam a meia-entrada para estudantes e idosos – o que é lei. Exigem que as autoridades brasileiras endureçam com os “falsificadores” de bandeiras, chapéu, chaveiro, adesivo, camiseta, boné etc, que contenham símbolos da Copa (tarefa tão impossível quanto acabar com os CDs piratas vendidos em qualquer esquina da país). Confesso que eu não sabia que TUDO que se relaciona à Copa paga royalties à Fifa pelo uso da marca (?!) “Copa do Mundo de Futebol” ou “Fifa WorldCup”.

Dilma disse não à ingerência em nossa soberania por parte da entidade dona do futebol mundial (que tem como sócia a Globo – dona do futebol brasileiro). Também mudou as regras das licitações do chamado PAC da Copa - o que acaba com a festa das empreiteiras – acostumadas a sobrefaturar e formar lobby.

Precisa dizer que a presidenta somou mais um punhado de inimigos ferrenhos aos tradicionais que o PT coleciona desde sua fundação?

Na mais rosada das hipóteses, querem enfraquecer a presidenta para que ceda e mude as leis brasileiras que mexem com sua contabilidade. Confesso também que não tinha ideia que a cada Copa, o país sede deve promulgar um conjunto de leis específicas para o evento.

A fatia brasileira das elites brancas – que passaram a ser chamadas mundialmente de “1%” (veja aqui) têm aquele velho rancor do PT pelas últimas 3 eleições perdidas. E como a sardinha da oposição está longe da brasa das grandes realizações há um bom tempo, conspiram para retirar Copa e Olimpíadas do país buscando desmoralizar o governo Dilma. Dane-se o Brasil que eles NÃO governam! “Passariam como um trator por cima da própria mãe” para conseguir que o PT não some mais estes trunfos às suas gestões. Mais uma vez seu braço direito – o PiG – faz o trabalho sujo de destruir reputações. O bombardeio acerta ministro mirando a presidenta. (Se até o ano da Copa, conseguirem o impedimento de Dilma, vão pagar promessa de joelhos pro resto da vida…).

Como não há leis que garantam o direito de resposta de suas vítimas, tornou-se hábito da Globo, Veja, Folha e Estadão atirar primeiro e perguntar depois. Em sua lógica invertida, todos que compõem o Governo Federal são e sempre serão culpados até provarem sua inocência. Por isso não é nenhuma novidade o que revelaram o ator José de Abreu e o jornalista Paulo Henrique Amorim sobre o ítalo-argentino Roberto Civita – presidente do grupo Abril – ter avisado o PT que vai derrubar Dilma. Desde 2003, a Abril e rede Globo viram sua fatia das verbas de publicidade institucional do Governo Federal minguarem acentuadamente. (Até FHC, o PiG e sua patota chafurdavam sozinhos nessa grana. Lula mandou distribuir a veiculação em 8 mil veículos de comunicação Brasil afora).

Com o andar desta carruagem, já tem gente comparando o clima atual com aquele que precedeu o golpe de estado de 64. Verdade seja dita, existem cidadãos que desejam ardentemente que o exército tome o poder e expulse o governo eleito democraticamente. Não fazem ideia do que é viver sob uma ditadura. Mesmo que acontecimentos como a Primavera Árabe berrem aos seus olhos e ouvidos. Já testemunhei essa gente conspirando em 2006, quando Lula liderava com folga nas pesquisas do segundo turno. O mesmo aconteceu em 2010. Cheguei a receber e-mail convocando para assinar petição a ser encaminhada ao exército na qual se exigia o golpe. (Isso me lembra um filme chamado “A Casa dos Espíritos” – baseado no livro homônimo de Isabel Allende. Recomendo demais. Principalmente aos mais desavisados – que nem eram nascidos nas décadas de 60/70.)

Tempos modernos, país continental, finalmente respeitado pela comunidade internacional – não há espaço para golpe de estado no Brasil. Nas décadas de 60 e 70 não existiam os mecanismos de impeachment que temos hoje. Derrubavam-se governos na base da botina esmagando quem estivesse no caminho. Hoje, é possível dar um golpe de estado sem disparar um único tiro. O campo de batalha é a mídia. Por isso o PiG é o Partido da imprensa Golpista. Eles treinam este golpe há 10 anos. Mas o grande obstáculo é a ampla aprovação que Lula, e agora Dilma, receberam do povo. (Segundo o Ibope, Dilma tem aprovação de 71%). Enquanto sua popularidade não despencar, nada feito.

O circo armado contra o ministro dos esportes pode até derrubar. (Saberemos hoje – ou, mais tardar – depois que a Abril defecar sua revista nas bancas de jornal no próximo sábado.) Mas é preciso salientar que, neste caso, o objeti­vo principal foi desviar outro foco, infinitamente mais grave. Um fato que vai revelar a verdadeira face do governo paulista e colocar em risco suas pretensões para 2012: a denúncia do próprio colega da base de apoio de Alckmin, Roque Barbieri, sobre o mensalão que deve correr solto há 4 mandatos na Assembleia Legislativa de São Paulo. Matéria mil vezes mais explosiva. Envolve 30% dos parlamentares em torno do maior orçamento da união. Entre eles, Bruno Covas, neto do Mário, fundador do PSDB. Sonho de cobertura investigativa de qualquer jornalista do planeta. Menos destes, que trabalham no esgoto das redações do PiG.

Mineira da gema que é, Dilma deve cozinhar a Fifa e impor a nossa soberania. Ou seja, quebrar a patente, “abrasileirar” a Copa. Proteger os direitos do cidadão, assegurados por lei, e o Estado de Direito, assegurado pela Constituição.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

ORLANDO CAI. QUEM SERÁ O (A) PRÓXIMO (A)?



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Oficialmente, o agora ex-ministro dos Esportes, Orlando Silva, é acusado de chefiar um esquema de corrupção. Mas há indícios que ele seria chamado para um esquema de corrupção envolvendo dirigentes esportivos e o ministro não recusou. Aí um ex-policial foi usado para "denunciar" e as pressões caíram para cima de Orlando, que não resistiu e decidiu sair do cargo. A velha mídia comemorou.

Orlando cai. Quem será o(a) próximo(a)?

Por Altamiro Borges - Blog do Miro

Depois de quase duas semanas de criminoso linchamento midiático, agora é oficial. Orlando Silva não é mais ministro do Esporte. “Eu pedi afastamento para defender a minha honra e o próprio governo... Em poucos dias, poucas semanas, a verdade aparecerá. Estou indignado”, afirmou o ex-ministro. O clima no Palácio de Planalto é de desolamento diante do desastroso desfecho do caso.

Já nos portais dos impérios midiáticos o clima é de euforia. A chamada grande imprensa se considera a principal vitoriosa em mais esta batalha da luta de classes. Ele se acha dona do país, capaz de pautar a política e derrubar ministros. A decadente oposição demotucana, composta por muitos políticos mais sujos do que pau de galinheiro, também comemora a vitória da “ética”. Puro cinismo!

A mídia não recua na sua artilharia

A mídia murdochiana tem, de fato, motivos para festejar. Mais uma vez ela conseguiu pautar o governo Dilma. O primeiro tiro foi dado pela revista Veja, há duas semanas, quando abriu espaço privilegiado a um policial bandido, acusado e preso por corrupção, para difamar o ex-ministro, sem qualquer prova. Logo na sequência, o Fantástico, da TV Globo, amplificou a campanha de calúnias.

Seguindo os padrões de manipulação da mídia, tão bem descrito no obrigatório livro de Perseu Abramo, os jornalões e telejornais mantiveram a queimação por quase dez dias. Até por questão de honra – honra mafiosa – era evidente que a mídia não recuaria na sua artilharia pesada. O ministro demonstrou altivez e coragem para resistir aos ataques criminosos nestes dias infernais.

"Dilma a reboque da mídia"

O desfecho do episódio dá razão ao colunista da Folha, Fernando Rodrigues, que se jactou do poder da imprensa para derrubar ministros. Para ele, a presidenta só demorou na decisão porque “não quer consolidar a imagem que existe – e é verdadeira – de que ela foi sempre a reboque da mídia nas demissões de todos os seus ministros”. Haja arrogância! O triste é que a cedência é verdadeira!

Diante da demissão de Orlando Silva, fica a pergunta: quem será o próximo ou a próxima a cair no governo Dilma? Em apenas dez meses de gestão, seis ministros já foram defenestrados – um recorde desde a redemocratização do país, em 1985. Na prática, a mídia demotucana pauta o governo. Ela “investiga”, julga, condena e fuzila... e o Palácio do Planalto cede!

Lista macabra dos jagunços midiáticos

Lembrando as macabras listas de assassinatos no campo, os jagunços midiáticos já anunciam as futuras vítimas. O UOL já fez uma ficha dos “ministros sob suspeita” – que inclui, até, o pragmático ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. O Estadão afirma que o próximo alvo é o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. E alguns portais miram no ministro da Educação, Fernando Haddad, pré-candidato do PT em São Paulo.

De ministro em ministro, a mídia demotucana visa sangrar é a própria Dilma Rousseff. Mas, sabe-se lá por que razão - talvez algum marqueteiro preocupado com a chamada "classe média" ou algum pragmático que prega moderação -, a presidenta mantém-se impávida. Até convida FHC para jantar no Palácio do Planalto. Quando chegar a sua vez, talvez seja tarde para resistir!

O PENSAMENTO ÚNICO SOBRE RODAS


AV. PRES. VARGAS, NO RIO DE JANEIRO, EM DOIS GOLPES - Um foi o golpe militar de 1964, outro da padronização visual dos ônibus cariocas. As alegações são as mesmas de um e outro.

Por Alexandre Figueiredo

A curitibanização dos ônibus no Brasil, projeto mastodôntico e megalomaníaco que visa mostrar ônibus fardados para turistas estrangeiros, sob clara propaganda de suas respectivas prefeituras ou governos estaduais, decai na proporção simétrica à sua persistência, depois que os noticiários mostraram os desastres desse sistema de ônibus sensacionalista e tecnocrático.

Sensacionalista, porque tenta compensar a monotonia da padronização visual que oculta empresas de ônibus e confunde os passageiros comuns - afinal, nem todo mundo é especializado em busologia - com compras periódicas de ônibus novos, sobretudo articulados ou com piso baixo e com chassis de marcas suecas.

Parece bem-intencionado, mas a "facilidade" com que se renovam frotas com ônibus desses portes nesse sistema de visual padronizado e poder concentrado nas Secretarias de Transportes, só nos faz lembrar do famoso ditado popular: "Quando a esmola é demais, o santo desconfia". E a renovação aconteceu logo após anunciarem que o transporte coletivo de Curitiba estava à beira de um colapso.

Devido ao "surto" tendencioso de renovação de frota dos ônibus de Curitiba, já surge até uma piada de que a renovação de frota iria resolver qualquer problema na capital paranaense. Se existe problema de saneamento básico, resolve-se comprando centenas de ônibus Volvo biarticulados.

Se existe problema de segurança, resolve-se comprando outras centenas. Se o salário dos professores curitibanos é baixo, então compra-se mais novos ônibus e o problema está resolvido. E assim vai.

DIREITISMO POLÍTICO

A começar pelo seu precursor, o urbanista e ex-político Jaime Lerner, pode-se garantir que nenhum político que se comprometeu com a padronização visual dos ônibus do Brasil está relacionado com políticas progressistas.

Costuma-se acusar a então prefeita Luíza Erundina, então do PT e hoje do PSB, de ter promovido a padronização visual dos ônibus de São Paulo. Trata-se de um grande erro. Quem realizou a iniciativa foi o falecido banqueiro do Itaú, Olavo Setúbal, quando era prefeito da capital paulista, bem antes que Erundina.

Setúbal era ligado a Paulo Egydio Martins, ex-prefeito paulistano e ex-governador paulista, que havia sido líder estudantil pela UDN, num breve período direitista da UNE. Egydio, ainda vivo, é filiado ao PSDB. Já Setúbal foi da ARENA e no final da vida estava ligado ao DEM.

Quanto a Jaime Lerner, ele era um dos alunos-modelo da UFPR comandada pelo reitor Flávio Suplicy de Lacerda, que como ministro da Educação do general Castello Branco fez o acordo MEC-USAID dentro de um pacote de medidas que revoltou os estudantes brasileiros, pois previa até mesmo a substituição da então clandestina UNE por uma entidade estudantil subordinada à ditadura militar.

Lerner, quando lançou seu "moderno" modelo de transporte coletivo - que, agonizante, ainda tem que prevalecer até, pelo menos, 2016, sob a paciência de milhares de passageiros - , era prefeito de Curitiba ligado à ARENA e o Brasil vivia ainda o auge do período ditatorial. E seu compromisso com as forças armadas é tal que Lerner se inspirou nos ônibus da Marinha e do Exército para esboçar o visual dos ônibus curitibanos.

PENSAMENTO ÚNICO

O pretexto é o mesmo da ditadura militar. Disciplina, organização, desenvolvimento. O Secretário de Transportes transforma-se num dublê de empresário de ônibus, num suposto xerife que "disciplina" o transporte coletivo.

A padronização visual visa "amarrar" as empresas dentro de outros critérios, como tipo de serviço de ônibus e tipo de ônibus utilizados. As empresas "desaparecem" dentro de um padrão de cores que é feito para confundir os passageiros. Essa visão tecnocrática, defendida por uma classe média conservadora e por gente que se disponha a se iludir com tais embustes, mostra o quanto isso representa o pensamento único sobre rodas.

A ditadura militar também quis "padronizar" os corações e mentes dos brasileiros, alegando "melhor disciplina" para afastar "aventureiros" e "agitadores". Alegava que a diversidade de pontos de vista causava desordem e caos, por isso todos os esforços de se fazer prevalecer o pensamento oficial da direita civil-militar brasileira.

Mesmo os alegres implantadores da padronização visual, o prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes e seu secretário "todo-poderoso" Alexandre Sansão, se encontram dentro de um grupo político que, no conjunto da obra, acumula mil desastres.

Da prisão de bombeiros grevistas ao descaso que fez explodir botijões de gás num restaurante defronte à Praça Tiradentes, passando pela lenta carnificina de pacientes mortos na espera e nos deslocamentos dos hospitais, o grupo político de Eduardo Paes e do governador Sérgio Cabral comprova seu completo desprezo pelo interesse público. Parecem governar apenas para executivos de Madri e Nova York.

TIRANDO O CORPO FORA

Depois que este blogue denunciou os desentendimentos entre busólogos cariocas, quando parte deles passou a defender os interesses de Eduardo Paes e companhia, a arrogância destes busólogos "chapa-brancas" repercutiu de forma que eles passaram a ser duramente criticados por colegas de hobby mais lúcidos.

Com isso, a postura dessa minoria chapa-branca tornou-se enrustida. Uns tentam agora dizer que a padronização visual dos ônibus cariocas não é decisão da Prefeitura do RJ, tentando desmentir fatos óbvios. Outros dizem que não é armação política. Outros dizem apenas que "não há outro jeito, a padronização visual veio para ficar", entre outras posturas que hesitam entre o conformismo e a acomodação e o claro desprezo ao sofrimento dos passageiros.

Pois pegar um ônibus no Rio de Janeiro pareceu algo tão complicado quanto prova de concurso público. Fala-se até para os candidatos de concurso público pegarem táxi em vez de ônibus para não "queimarem" as cabeças no momento das provas.

A coisa está tão feia que nota-se mesmo nas pessoas uma aflição maior. Cariocas tentando ver se o ônibus do consórcio Santa Cruz que chega à Estação Cidade Nova é o Pégaso da linha 398 ou o Campo Grande da linha 397, cada um destinado a um percurso diferente para um lado do bairro do Campo Grande, que é dividido pela linha ferroviária.

E, da mesma forma do colapso dos ônibus de Curitiba e dos acidentes constantes dos ônibus de São Paulo - agora chamados de "mata-cariocas" - , mostra-se a decadência desse "moderno" modelo de sistema de ônibus, que só mesmo medidas autoritárias podem fazer prevalecer e permanecer por muito tempo.

Especialistas e busólogos independentes começam mesmo a pôr em dúvida se o projeto de transporte coletivo implantado no Rio de Janeiro em 2010 vá mesmo durar os 20 anos previstos no contrato.

A padronização visual só confundiu o povo, e a concentração de poder do "poderoso" Sansão só desnorteou as empresas de ônibus, fazendo declinar o serviço e aumentando drasticamente os ônibus enguiçados e sucateados que rodam nas linhas cariocas. Mesmo empresas conceituadas como Real e Matias já demonstram uma queda drástica nos seus serviços, com seus carros semi-novos sucateados, fazendo barulho de caminhões de entulhos.

Não é à toa que a padronização visual dos ônibus e a lógica da Secretaria de Transportes concentrar seus poderes no sistema de ônibus, através da formação política de consórcios, têm o claro apoio de gente como José Serra e José Roberto Arruda, célebres figuras do esgoto político nacional.

A julgar pelos seus defensores, mais solidários a Paes, Cabral, Ricardo Teixeira e Joseph Blatter do que ao povo carioca - reduzido a uma mera massa que deve obedecer e aceitar os "sábios" desmandos das autoridades e tecnotratas - , o sistema de ônibus brasileiro passa por uma decadência que ainda renderá muitos alertas. Pelo menos para prevenir os prováveis desastres que esse sistema tecnocrático e politicamente prepotente pode causar dentro de pouco tempo.

"FUNK CARIOCA": ESQUEMA "MAFIOSO" E PRÓ-IMPERIALISTA



Por Alexandre Figueiredo

Enquanto a burguesia "cabeça" - que se diz "esquerdista" e "sem preconceitos", mas é neoliberal e preconceituosa - cai de amores com o "funk carioca", o ritmo que é uma das mais últimas heranças da velha grande mídia não consegue disfarçar suas contradições e omissões.

Posando de "vitorioso" na velha grande mídia e de "injustiçado" na mídia esquerdista - que boboalegremente dá ouvidos ao todo-sempre pupilo da famiglia Frias, Pedro Alexandre Sanches - , o "funk carioca" não pode assumir para si bandeiras da mídia progressista, porque elas vão claramente contra seus interesses expansionistas.

O "funk carioca", explicitamente inspirado no esquemão mafioso do miami bass e, em parte, no gangsta rap (do qual reproduz claramente seu marketing), não poderia ser outra coisa senão uma indústria em que os DJs-empresários mandam e todos têm que obedecer. Um esquemão que reabilita com facilidade até "proibidões" e negocia contratos de popozudas com escolas de samba diretamente nas mesas dos contraventores.

É um esquemão que poderá se mostrar tão imperialista e perigoso quanto o do forró-brega que, alimentado pelo latifúndio, já exibe o poderio férreo de empresas como Som Zoom Sat, ainda vista como "mídia nanica" pela intelectualidade etnocêntrica influente.

Não há como o "funk carioca" defender a regulação da mídia nem o combate ao imperialismo. Ocupar Wall Street não é um tema que interesse aos funqueiros. Ser anti-mídia, para eles, é suicídio. Até porque o "funk carioca" foi criado e cresceu em função da mesma velha grande mídia. Os abraços de Luciano Huck ao Mr. Catra não nos deixam mentir.

Não é por acaso que toda essa campanha em defesa do "funk carioca", cheia de contradições e inverdades, se intensificou logo depois de um jornalista que, embora trabalhasse na TV Globo, atuava de forma independente à sua linha ideológica, o saudoso Tim Lopes, foi assassinado quando foi investigar um "baile funk" num subúrbio carioca.

Se vivo estivesse, certamente Tim Lopes teria saído da Rede Globo e adotado uma postura progressista semelhante a que vemos em Rodrigo Vianna, Luiz Carlos Azenha e Paulo Henrique Amorim.

E a campanha se intensificou também depois que Bia Abramo, a filha de Perseu Abramo que traiu a missão progressista do pai por conta das lições do então patrão Otávio Frias Filho, chegou perto da urubologia preferindo apoiar mulheres-frutas do que mulheres trabalhadoras.

O "funk carioca", independente de discutirmos aqui se devemos assimilar ou não os valores dos EUA, é claramente influenciado pelo som de Miami. Se alimenta da indústria cultural para a qual não deve combater nem se considerar dissociado.

O "funk" sempre foi a favor do "sistema" e está pouco se lixando com a repercussão que pode causar com um funqueiro abraçado a Luciano Huck ou Marcelo Madureira, ou acariciado por Otávio Frias Filho e Nelson Motta.

E o "funk" ainda vai deixar de fazer jogo duplo com a mídia de direita e de esquerda. Vai preferir o lado que lhe é mais vantajoso. Não vai querer levar vantagem passando fome sob afagos de jornalistas de esquerda. E a velha grande mídia oferece aos funqueiros dinheiro, sucesso e visibilidade. Elogios da "esquerda" boboalegre não enchem barriga de pessoa alguma.

FALHA DETONA A COVARDIA DA FOLHA



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Com muito medo, Otávio Frias Filho foge de qualquer julgamento que poderia incriminá-lo e desmoralizá-lo frente a opinião pública. Mas não pense que o grão-barão midiático deixa de dar seu ataque, desqualificando o blogue satírico Falha de São Paulo de "não independente". Como se ser "independente" fosse ter poder econômico.

Falha detona a covardia da Folha

Por Liro e Mário Bocchini - Blogue Desculpe a Nossa Falha

O dono da Folha, Otávio Frias Filho, acaba de soltar uma nota assinada por ele, pelo editor-executivo Sérgio Dávila e pelo secretário de redação Vinicius Mota desqualificando a audiência pública de quarta-feira sobre a censura que ele está promovendo, dizendo que o assunto é “superado”, chamando o deputado federal que propôs a audiência de “desinformado” e afirmando que nosso antigo blog, censurado pela Folha, “não é independente” e estaria a serviço do Partido dos Trabalhadores.


Para sustentar seu argumento, Otávio lembra que trabalhei para a Prefeitura de São Paulo durante a gestão Marta Suplicy (2001-2004). No pé desse post, reproduzo a nota enviada pelo dono do jornal à Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados. E abaixo respondemos aos ataques do “Jornal do Futuro” e corrigimos algumas inverdades:

- Diferentemente do que a Folha afirma, o assunto não é “matéria superada”. A decisão a que Otavio Frias se refere é em primeira instância. Conforme o próprio jornal noticiou, cabe recurso em 2ª instância e, posteriormente, aos tribunais superiores de Brasília;

- Sobre a afirmação do jornal de que a Falha não se tratava de paródia, do blog ser “parasitário” e do endereço ser “virtualmente idêntico”, vamos fazer como os executivos da Folha e evocar a sentença proferida pelo juiz Gustavo Coube de Carvalho, da 29ª Vara Cível:


TRECHO 1) “O discurso do réu circunscreve-se nos limites da paródia, estando o conteúdo crítico do website, inclusive a utilização de imagens, logomarcas e excertos do jornal da autora, abrigado pelo direito de livre manifestação do pensamento, criação, expressão e informação, previsto nos arts. 5º, IV, e 220, caput, da Constituição Federal”.

TRECHO 2) “No presente caso, a possibilidade de confusão não existe, pois a paródia é revelada, inteiramente, já pelo nome de domínio. O trocadilho anuncia, ao mesmo tempo, que se trata de uma sátira, e quem é objeto dela. Nem mesmo um ´tolo apressado´ seria levado a crer tratar-se de página de qualquer forma vinculada oficialmente ao jornal da autora, pois a paródia, anunciada pelo nome de domínio, é reiterada pelo conteúdo do website”.

TRECHO 3) “dadas as posições das letras “A” e “O” no teclado QWERTY, tradicionalmente utilizado nos computadores pessoais e demais eletrônicos por meio dos quais a internet é acessada, fica afastada qualquer possibilidade de typosquatting, modalidade de cybersquatting em que o usuário, por simples erro de digitação, acaba por acessar website diverso do pretendido. Pelo nome de domínio registrado pelo autor e conteúdo crítico do website correspondente, portanto, não há que se falar em violação dos direitos de marca da autora”.

TRECHO 4) “Descabida, ainda, a imposição, ao réu, do dever genérico e permanente de se abster de utilizar de imagens, logomarcas e excertos do jornal da autora, o que equivaleria a proibi-lo de parodiar o jornal, caracterizando indevida limitação ao direito de livre manifestação do pensamento, criação, expressão e informação previsto nos arts. 5º, IV, e 220, caput, da Constituição Federal”


- Enfim, o juiz recusou todos os argumentos da Folha e só manteve o site fora do ar por causa de um link e uma oferta de assinaturas da Carta Capital, o que configuraria uma ameaça comercial ao jornal. Sobre isso, a revista divulgou uma nota esclarecedora que pode ser lida aqui.

- Sobre a recusa em participar da audiência pública no Congresso e a certeza que o jornal tem de sua posição, cabe perguntar: por que então nenhum representante veio a público defender essa posição? E por que o jornal não manda um representante a Brasília para esclarecer a questão de uma vez por todas? Como diz o ditado, quem não deve, não teme.

- Não é verdade que o jornal era satirizado apenas quando falava de administrações petistas, e temos diversos exemplos à disposição da Folha ou de quem se interessar.

- De fato trabalhei na Secretaria de Governo da gestão Marta Suplicy, entre meados de 2001 e 2004. Tenho quase 17 anos de carreira, e por 3 anos e meio, trabalhei com a gestão municipal capitaneada pelo PT. Todos os outros 14 anos de minha vida profissional estive no mercado (Abril, Trip e Grupo Folha, entre outros). É o suficiente para o jornal utilizar-se de sua conhecida tática de desqualificação do interlocutor, acusando-o de estar “a serviço” de algum partido –friso ainda que não sou nem nunca fui filiado a partido algum.

- Sobre a afirmação final de que não é sátira, o juiz discorda. Nós também. Toda blogosfera brasileira também (desafiamos o jornal a achar um único blog a seu favor). A Organização Repórteres sem Fronteiras tampouco concorda. Os humoristas Claudio Manoel e Marcelo Tas (ambos notoriamente grandes críticos do PT) também não concordam com a Folha, como demonstram em vídeos no nosso site. Gilberto Gil também não concorda com Frias, nem Julian Assange ou os órgãos internacionais que noticiaram o caso (Financial Times e Wired, entre outros).

- Sobre sermos ou não independentes, reafirmo e desafio publicamente o jornal a provar o contrário: eu e meu irmão vivemos do nosso salário. Desde sempre. Não temos departamento jurídico, assessoria de imprensa, nada. Criamos o site por acreditar que a Folha merecia ser criticada porque não diz a verdade quando afirma ser imparcial e apartidária. E agora sabemos que também não é sincera quando afirma defender liberdade de expressão total e irrestrita.

Respeitosamente, Mário e Lino Bocchini

terça-feira, 25 de outubro de 2011

FURO! NORTE-AMERICANA SUGERE RUMO AO PSDB



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O PSDB no Brasil se alinha ao pensamento conservador, ainda que não se assuma direitista. Mas, no exterior, o partido quer vender uma imagem de "centro-esquerda" para enganar as plateias. No entanto, a cientista política Frances Hagopian, do Centro de Estudos David Rockefeller, nos EUA, cobra do partido tucano assumir essa postura adotada pelo seu projeto neoliberal nos anos 90.

Furo! Norte-americana sugere rumo ao PSDB

‘PSDB precisa assumir-se como partido de centro-direita’, diz pesquisadora de Harvard

Frances Hagopian, do Centro de Estudos David Rockefeller, diz que a própria legenda fez essa escolha nos anos 90 e que retomá-la seria um bem ao debate político

01 de outubro de 2011 | 19h 26

Gabriel Manzano e Roldão Arruda / SÃO PAULO – O Estado de S.Paulo

No momento em que o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) expõe publicamente, via Twitter, a carência de um rumo claro para o seu PSDB, a professora americana Frances Hagopian, uma estudiosa dos partidos brasileiros, se arrisca a oferecer um norte aos tucanos: ocupar o espaço da centro-direita no espectro ideológico.

Hagopian não está sozinha. “Ela disse a verdade”, endossou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao ser informado pelo Estado da entrevista concedida pela americana.

“Acredito que eles (os tucanos) podem se destacar nesse espaço de centro-direita, se tiverem coragem para fazer isso”, afirma a professora da Universidade Harvard. “Precisam mostrar o que fizeram, ser fiéis a si mesmos”, completa ela, referindo-se às transformações capitaneadas pela PSDB na gestão FHC (1995-2002)

A receita, no entanto, não é nova, avisa ela. “Na Inglaterra, Tony Blair levou os trabalhistas para o centro e deixou os conservadores sem chão. No Chile, a Concertación criou uma ampla agenda que confundiu os partidos.”

Em São Paulo, onde participou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de um debate no Centro Ruth Cardoso, ela falou ao Estado semana passada: “Por toda parte há muita insatisfação com a política, mas isso é parte do jogo. As coisas ficaram assim por causa da rapidez da globalização. Não temos um governo mundial, mas temos uma economia mundial, em que as soluções nacionais são lentas e ineficazes”.

Há uma grande insatisfação, no Brasil, com os partidos e os políticos. O governo tem uma aliança de 14 partidos, manda demais, domina o Legislativo…

É a mesma queixa que se faz no Chile, em países da Europa, até nos Estados Unidos. Lá a Casa Branca envia uma reforma da saúde, ou leis para o meio ambiente, e elas ficam 18 meses, até mais, encalhadas. Isso de fato complica a democracia, pois os governos acabam não dando respostas a questões urgentes da sociedade. Mas acho que, no geral, a democracia amadureceu por aqui, está melhor do que há 20 anos. Os partidos, pelo menos os grandes, se fortaleceram. Refiro-me a dois ou três, os âncoras, com grandes bancadas e com presidenciáveis.

Um desses âncoras, o PSDB, vive um momento difícil. O PT incorporou as bandeiras da social-democracia e ele perdeu espaço, votos e o discurso. De que modo deveria reagir?

Nos anos 90, na Inglaterra, ocorreu o mesmo. Tony Blair levou o Partido Trabalhista para o centro e os conservadores ficaram sem chão – e isso durou 15 anos. Também no Chile se fez a Concertación e foi a mesma coisa. Isso é parte do jogo.

Mas aqui o PSDB precisa encontrar um rumo. De que modo?

O que a democracia social viveu aqui foi interessante. Por razões ideológicas, que eu entendi, o partido deu um primeiro passo à direita, para reformar o Estado. Perceberam que não dava para avançar em saúde ou educação com um Estado desestruturado, na bancarrota. Precisavam recuperar a solvência fiscal, vender as empresas de aço, depois outras, fazer uma reforma administrativa, a previdenciária. E veja, foi o PSDB que deu essa guinada para a centro-direita. Pois agora devia assumir o que fez, valorizar metas como os investimentos na infraestrutura, sanear o sistema fiscal. Acredito que eles podem destacar-se nesse espaço, de centro-direita, se tiverem coragem para fazer isso.

Mas uma guinada para a direita, por menor que seja, é política e eleitoralmente arriscada. No Brasil ‘é proibido’ ser de direita…

Não estou dizendo que um partido da social-democracia deva “se reinventar” como partido de direita. A coragem de que falo é para debater metas concretas, ousadas. Seria um bem para o País. O debate político aqui tem áreas de consenso, como melhorar a educação, que é tarefa urgente para se chegar à justiça social. Mas você pode ter um grande projeto, que inclua novas reformas, modernizar portos, atacar de fato toda a infraestrutura. Isso pode ser feito de diferentes maneiras, e uma delas é diminuindo o tamanho do Estado, para recuperar recursos e destiná-los, aí sim, às urgências sociais. Como se vê, estas são causas da social-democracia. Sei que isso nos leva a outra questão, que é a de definir o que é uma social-democracia em 2012. É um bom debate. Sabemos que ela é certamente diferente dos anos 90 ou dos anos 70. O País teria muito a ganhar abrindo essa discussão.

Como fica o PT nesse cenário?

O problema das esquerdas, como já se viu na Europa, sempre foi descobrir como se manter fiel às suas bases e moderar o discurso para ganhar eleições. O PT fez isso em 2002. No longo prazo, esse movimento para o centro pode matar sua identidade como partido de esquerda. Se isso se agravar, aparece outro partido de esquerda e lhe toma o lugar. A propósito, lembro-me de um artigo do Thomas Friedman, que veio ao Brasil e escreveu que Lula e FHC faziam uma dança do tipo nado sincronizado. E atribuiu essa dança à globalização.

Marina Silva tentou criar uma alternativa, em 2010, e chegou aos 20% do eleitorado. Há os indignados na Espanha e protestos de jovens por toda parte. Para a sra., o que isso representa?

Não acho que a crise seja no modelo político. Eu não ligaria os votos de Marina aos indignados da Espanha. Se há uma crise, é econômica, uma crise de globalização. Não temos um governo mundial, mas sim uma economia mundial. A economia muda mais rápido do que os governos conseguem regular. Pactos vão caindo e as pessoas se sentem inseguras. Mas não vejo como superar isso com políticas nacionais ou de partidos.

Enfim, a sra. acha que a insatisfação política no Brasil é apenas parte de uma crise maior?

Eu não acho que o Brasil esteja vivendo uma crise. Há diferenças de opinião, dentro da normalidade. E olhe que, hoje, a normalidade não é pouca coisa.

PS do Viomundo: Não é uma ironia que uma pesquisadora norte-americana sugira rumos para o PSDB?

TRAGÉDIAS NA HORA DO ALMOÇO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A ditadura midiática não pode ser vista tão somente no âmbito do noticiário econômico. O grosso da manipulação midiática nem está na Veja, Globo e Folha e seus calunistas/urubólogos, mas na exploração da imagem da pobreza, na sua forma caricata e estereotipada. Explora-se a miséria e os instintos "selvagens" atribuídos ao povo pobre, portanto, se alguém acha que a mídia policialesca é "divertida", é porque esse alguém é insensível à miséria alheia e à situação de violência e falta de referenciais que vivem os pobres de nosso país.

Tragédias na hora do almoço

Por Laurindo Lalo Leal Filho - Revista do Brasil - Reproduzido também no portal Agência Carta Maior

Muita gente ainda almoça em casa no Brasil, embora o hábito venha diminuindo nos últimos anos por conta das dificuldades cada vez maiores de deslocamento em quase todas as cidades.

Mas além dos que trabalham fora e ainda têm essa possibilidade há crianças, jovens, idosos, donas de casa e pessoas com outros tipos de afazeres que seguem almoçando em casa todos os dias.

Sem dúvida, um privilégio. Salvo por um pequeno senão: a TV ligada nesse horário. Na tela, muitas cenas são incompatíveis com uma refeição saudável.

Por exemplo: justiceiros arrastando um homem para a morte, com o som dos seus apelos desesperados pela vida, das ordens de atirar (e em que parte específica do corpo), dos tiros, das recomendações para crianças saírem de perto e finalmente as chamas consumindo a vítima.

Pode haver algo mais escabroso para ser mostrado em qualquer horário? Essas cenas foram exibidas perto do meio-dia no programa “Cardinot Aqui na Clube”, da TV Clube, afiliada da Bandeirantes em Recife. É apresentado por Josley Cardinot que tem contra ele uma ação na justiça por mostrar, anteriormente, conteúdos semelhantes no programa “Bronca Pesada”, então transmitido pelo canal local do SBT.

E não adianta mudar de estação. As diferenças entre os programas são muito pequenas. Um copia o outro. No caso de Pernambuco, na hora do almoço a TV Jornal (SBT) apresenta agora o “Plantão 190” e a TV Tribuna (Record) o “Ronda Geral”, também policialescos.

Como se vê a frase "o melhor controle é o controle remoto" é um simples jogo de palavras para eximir os concessionários de canais de TV de suas responsabilidades éticas e sociais. Dá-se a eles uma liberdade absoluta, inexistente em qualquer outra atividade profissional.

Não se trata de censurar a informação sobre um grave fato policial mas de ressaltar a possibilidade de uma notícia como essa ser transmitida de forma menos agressiva. O telespectador tem o direito de ser informado sobre a execução cometida por justiceiros sem, no entanto, se submeter à violência das cenas exibidas. Ainda mais diante da constatação de que quando se liga a TV, nunca se sabe o que vem pela frente. E, para muitos, o susto é enorme. A TV não é como o jornal, cuja noção do que publica se sabe antes de comprá-lo. A TV entra em nossas casas sem pedir licença, basta apertar o botão. Dai a necessidade de um controle público mais rigoroso.

As respostas da sociedade a esse tipo de programa ainda são tímidas. No Recife, uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público, a pedido de várias organizações de defesa dos direitos humanos contra o programa “Bronca Pesada”, arrasta-se há anos sem solução.

Agora, diante das imagens da execução de um homem, mostradas pela TV Clube, novas ações devem ser propostas. O Centro de Cultura Luiz Freire gravou as cenas e as exibiu para os deputados que integram a Frente Parlamentar da Comunicação do Estado, tentando sensibilizá-los para o problema.

Sem uma lei moderna que coíba esse tipo de abuso e de um órgão regulador com poderes para aplicá-la, como ocorre na Europa, restam poucas alternativas de resposta dos cidadãos às emissoras.

Até hoje apenas uma atingiu os efeitos desejados. A decisão judicial que tirou do ar, por 30 dias, o programa João Kleber, apresentado pela Rede TV. Em lugar das humilhações impostas principalmente a homossexuais, a emissora foi obrigada a transmitir no mesmo horário produções realizadas por entidades defensoras dos direitos humanos. A audiência, é bom frisar, não caiu, desmentido a afirmação repetida à exaustão de que o público gosta de baixarias.

Mas esse é um exemplo único. Muito pouco diante da quantidade de programas que, diariamente, em todo o país seguem contribuindo para a banalização da violência e a expansão da incivilidade.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial). Twitter: @lalolealfilho.

"PAÇOCA" DO SEGUNDO IMPÉRIO



Suponhamos que a abordagem da direita cultural fantasiada de esquerdista seja adaptada para o contexto do Segundo Império. Em lugar dos "socialistas de mercado" que defendem, sobretudo, o "funk carioca", teremos um "iluminismo de engenho", que defende uma "Revolução Francesa" à brasileira, sempre mantendo o regime escravista.

Mesmo os malabarismos teóricos que vemos num Pedro Alexandre Sanches, sempre investindo numa gororoba de citações e pretextos, seriam outros, numa verborragia rebuscada. Até um típico nome colocamos como um suposto intelectual da época, por volta de 1865.

O texto seria do tipo que leremos a seguir, e que nos põe a pensar como certas pretensas vanguardas intelectuais, na verdade, ainda estão comprometidas com a retaguarda ideológica.

ELDORADO DA NOVA AMÉRICA

João de Santa Maria Nepomuceno

Brasil, o Eldorado da Nov'América, regojizai do grande destino que lhe ilumina. Gozai vós, ó brasileiros cidadãos, povo predestinado do futuro glorioso que tempera nossos corações em deslumbre, diante do raio de Sol da terra tropical de verdes florestas, bosques e relvas.

Herdamos gloriosamente a ilustrada filosofia dos grandes pensadores franceses, da filosofia de Rousseau, Voltaire, Hume, Locke, Montesquieu e outros, cujos princípios de superação do fardo feudal nos inspirou na superação da antiga situação de colônia portuguesa que tínhamos.

Ó Liberdade, nobre deusa cuja chama nunca se apaga no coração dos homens de bem! A nossa livre iniciativa, a nossa livre propriedade, abençoada pelo poder de Deus e coroada pela Lei e pela Democracia! Orienta-nos e proteja nossas maçonarias, nossas escolas, nosso comércio, nossos casarões e engenhos! Que a desordem, a subversão e a tirania não ameace o nosso direito à vida, à segurança e ao gozo da Justiça e da Liberdade.

Devemos por isso manter nossos escravos sob o controle seguro dos engenhos, para que a semente da desordem e da revolta, se caso exista, não se transforme numa erva daninha da sociedade do nosso Brasil! Que o controle social se faça necessário para que a disciplina permita a todos o cumprimento de seus respectivos papéis.

Quiçá um dia a suposta cultura dessa barbárie, com seus batuques que parecem provenientes das zonas trevosas do inferno, sejam lapidadas pela boa sociedade, com o bom controle de nossos proprietários de escravos, transformados também em proprietários de sua cultura, a extinguir completa selvageria com as boas normas.

Tudo isso para que a ordem e a paz reine na boa sociedade de nosso Brasil. Para que assim possamos construir a nação iluminada dos futuros tempos. Que possamos fazer nossa Revolução de forma gradual, dentro das peculiaridades de nossa pátria maior da Sul América.

WIKILEAKS PODE FECHAR POR PROBLEMAS FINANCEIROS ATÉ O FIM DO ANO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A pressão do poder econômico pode favorecer as grandes elites políticas, na medida em que dificulta as atividades do Wikileaks de desvendar segredos dos bastidores da política internacional.

WikiLeaks pode fechar por problemas financeiros até o fim do ano

Site de vazamento anuncia suspensão temporária de atividades com objetivo de concentrar-se em arrecadação de recursos

Do Último Segundo - IG*

O fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange, de 41 anos, disse nesta segunda-feira que problemas financeiros podem levar ao fechamento do notório site de vazamentos até fim deste ano.

"Se o WikiLeaks não encontrar uma forma de remover o bloqueio, simplesmente não seremos capazes de continuar no próximo ano", disse Julian Assange, referindo-se ao bloqueio de seus recursos por operadoras de cartões de crédito e outras empresas desde o ano passado.

"Se não pusermos fim ao bloqueio, simplesmente não poderemos prosseguir", disse, lembrando ter entrado com uma queixa em julho junto à comissão europeia de violação das regras da concorrência. "Um grupo de empresas financeiras americanas não pode ser autorizado a decidir sobre a maneira de o mundo inteiro aplicar seu dinheiro", afirmou.

As declarações foram feitas por Assange no Reino Unido, onde está está retido à espera da conclusão de um julgamento de extradição para a Suécia sob a acusação de supostos abusos sexuais.

Em um comunicado, o site de vazamentos, que publicou milhares de documentos comprometedores de governos de todo o mundo, anunciou a suspensão temporária da divulgação de segredos e sigilos para concentrar-se na arrecadação de fundos que permitam garantir a futura sobrevivência.

O WikiLeaks destacou que suspende a divulgação de documentos secretos oficiais perante "o bloqueio arbitrário e ilegal" imposto desde dezembro de 2010 por empresas americanas como Bank of America, Visa, MasterCard, PayPal e Western Union, que, segundo Assange, "destruiu 95% de nossos rendimentos".

O site criado por Assange afirma em um comunicado que se vê forçado a "arrecadar fundos agressivamente para contra-atacar", após o bloqueio que dificulta o acesso a fontes de financiamento.

Assange acusou os EUA de estar por trás da iniciativa dos ataques bancários, que privaram a organização de "dezenas de milhões de dólares em donativos" nos últimos 11 meses. O porta-voz do site, Kristinn Hrafnsson, disse que os donativos ao WikiLeaks foram de "mais de US$ 100 mil por mês" (antes da decisão do Visa e do Mastercard) para "US$ 6 mil ou US$ 7 mil" atualmente.

As companhias financeiras com base nos EUA cancelaram o envio de fundos ao WikiLeaks depois de o site começar a publicar cerca de 250 mil documentos confidenciais do Departamento de Estado americano.

Contradições

Os anúncios desta segunda-feira contradizem declarações de Assange na semana passada durante uma videoconferência com Lima, quando afirmou que seu site estava numa forte "situação financeira" e tinha, ainda, "milhares de revelações" a fazer.

O WikiLeaks, lançado em 2006, esteve na primeira página mundial pelas informações divulgadas, em especial os abusos do Exército americano em Bagdá, publicando também relatórios confidenciais do Exércio americano sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque, o que irritou profundamente Washington.

Mas foi a divulgação, a partir do final de novembro de 2010, de milhares de telegramas diplomáticos americanos que fez de Assange uma figura não desejável dos EUA.

*Com EFE, AFP e AP

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A FORÇA DE CRISTINA KIRCHNER



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A vitória do governo de centro-esquerda de Cristina Kirchner é considerada uma das maiores em eleições presidenciais da Argentina. E sua vitória representou também a derrota de favoritos na disputa pelo segundo lugar como o filho do falecido presidente Raul Alfonsin, Ricardo Alfonsin, e o ex-peronista Eduardo Duhalde, que não chegaram a tanto.

A força de Cristina Kirchner

Por Eric Nepomuceno - Agência Carta Maior

Não houve nenhuma surpresa, e a grande curiosidade, até tarde da noite do domingo, 23 de outubro, era saber qual a porcentagem de votos que daria a Cristina Fernández de Kirchner uma das mais estrondosas vitórias da história da Argentina. Havia, é verdade, outra curiosidade: quanto por cento do eleitorado faria a glória do médico Hermes Binner, que até maio ou junho mal roçava a casa dos 3% nas pesquisas e se consolidou como segundo mais votado, deixando para trás, desnorteadas, as figuras um tanto anêmicas de Ricardo Alfonsín, da União Cívica Radical, e Eduardo Duhalde, da dissidência direitista do peronismo?

As primeiras projeções davam a ela 53% dos votos. É mais do que o falecido presidente Raúl Alfonsín teve em 1983, nas primeiras eleições da Argentina depois de sete anos da mais bárbara de suas muitas ditaduras militares (51,7%). Mais do que o dentista Hector Cámpora, designado por Perón, teve em março de 1973, pondo fim a outra ditadura militar (49,53%). É quase a mesma coisa que Juan Domingo Perón teve em 1946 (56%), dando início a uma mudança radical na Argentina e criando um movimento político que esteve presente, de uma forma ou de outra, em tudo que aconteceu no país até hoje. Perde longe, é verdade, para a vitória do mesmo Perón em setembro de 1973, quando levou 60% dos votos e massacrou o líder da União Cívica Radical, Ricardo Balbín, que mal e mal chegou a 24%. Conseguiu, porém, a mesma e impactante diferença (36 pontos) sobre o segundo colocado.

Passado o vendaval, o que será da oposição tradicional, que, nocauteada pelas urnas, sai do embate completamente sem rumo?

Tanto Ricardo Alfonsín como os dissidentes da direita peronista, o ex-presidente Eduardo Duhalde e Alberto Rodríguez Saá, enterraram definitivamente suas pálidas lideranças. Nenhum deles foi, em momento algum, alternativa viável à permanência de Cristina Kirchner na Casa Rosada. A grande figura da direita argentina, o atual intendente da cidade de Buenos Aires, Maurício Macri, preferiu não correr riscos. Ladino, não deu apoio ostensivo a nenhum dos candidatos da direita: deixou que naufragassem estrepitosamente na mais gelada solidão. Está de olho nas eleições presidenciais de 2015. Até lá, o kirchnerismo tratará de construir um novo herdeiro. Se mantiver o rumo trilhado até agora, não parece tão difícil assim.

O fato de Cristina Kirchner e Hermes Binner terem somado 70% dos votos argentinos é um sinal bastante claro da consolidação da centro-esquerda no cenário sul-americano. Uma espécie de rotunda e rigorosa pá de cal nos tempos do neoliberalismo desenfreado que levou a Argentina ao precipício e quase afundou de vez outros países do continente. A coincidência de governos de esquerda e centro-esquerda no Uruguai, no Peru, na Argentina, no Paraguai e no Brasil, somada aos governos de uma esquerda mais dura no Equador, na Bolívia e na Venezuela, isola ainda mais os remanescentes da direita, encastelados na Colômbia e no Chile.

Em tempos de feia crise global, não deixa de ser um alento saber que há uma vereda compartilhada por estas comarcas com tantos séculos de sacrifício nas costas. O avassalador triunfo de Cristina Kirchner reafirma essa tendência. Pela primeira vez em sabe-se lá quanto tempo, há uma nítida maioria da esquerda e da centro-esquerda governando os países sul-americanos.

Para quem, enfim, ainda se pergunta pelas razões da vitória de Cristina Kirchner, um pouco de números talvez ajude a encontrar a resposta. Para começo de conversa, a economia cresce ao ritmo de mais de 6% ao ano. O desemprego é baixo, a maior parte dos trabalhadores chegou a acordos que asseguraram ganhos salariais reais, os programas sociais do governo atendem a milhares de famílias. Um dos muitos subsídios atende a três milhões e meio de menores de 18 anos de idade, com a única condição de que freqüentem a escola e façam as vacinações obrigatórias. Em quatro anos – entre 2007 e 2010 – a pobreza baixou de 26% a 21,5% da população.

A oposição feroz dos grandes conglomerados dos meios de comunicação, a resistência desrespeitosa dos grandes magnatas do campo, as chantagens dos grandes barões da indústria, a virulenta má vontade das classes mais favorecidas, tudo isso somado não foi capaz de abalar o prestígio da presidente. Ela conquistou apoio de amplas faixas do eleitorado mais jovem, abriu espaço junto aos profissionais liberais, recebeu o voto massivo dos pobres.

É com essa força que agora se lança a um segundo mandato que certamente enfrentará mais dificuldades que o primeiro. A crise global não cede terreno, as economias periféricas correm risco de contaminação, ajustes duros terão de ser feito na política econômica do país. O amparo para esses novos tempos é uma formidável avalanche de votos. Essa a força que a moverá.
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