quinta-feira, 30 de junho de 2011

ESCÂNDALO DO FORRÓ-BREGA PODE REPETIR NO "FUNK" E NA AXÉ-MUSIC


PEQUENAS MÍDIAS, DESDE QUANDO? - A Rede Som Zoom Sat mostra que aquele papo de "pequenas mídias das periferias" não passa de mera lorota.

Por Alexandre Figueiredo

O brega-popularesco sofre tanto desgaste no Brasil que até mesmo as musas envolvidas com algum de seus ídolos, como ex-mulheres de cantores brega-popularescos ou ex-dançarinas e ex-cantoras de apoio, mesmo descasadas ficam em baixa no mercado da vida amorosa.

O desgaste, como era de se imaginar, começa a ocorrer nas regiões onde se originaram os ídolos cafonas que mais tarde simbolizariam a Teoria da Dependência de FHC aplicada à "cultura popular" e defendida por ideólogos como Paulo César Araújo e Hermano Vianna.

No Ceará, na Bahia e no Pará - onde o cenário sangrento do conflito de terras contrasta com a imagem fictícia do pará-iso tecnobrega - , o forró-brega torna-se um dos primeiros estilos a sofrer rejeição da intelectualidade, causando um processo inverso de multiplicação de vozes críticas, e não apologéticas.

O caso da empresa Som Zoom, que inclui agência de talentos, rede de rádios e gravadora, mostra de forma explícita o quanto o discurso de "pequenas mídias das periferias" não passa de lorota, ainda que o tão alardeado discurso ainda continue valendo oficialmente, transformando os ideólogos do "sul maravilha" (Sul e Sudeste) em semi-divindades praticamente irretocáveis.

Mas a rejeição vivida pelo forró-brega e sua hegemonia cancerígena está muito longe de representar aquilo que os "semideuses" da antropologia, sociologia e crítica musical definem como "moralismo" ou "preconceito". Nomes como o músico Dihelson Mendonça e a jornalista Rachel Sheherazade começam a se tornar respeitáveis com suas críticas que nada têm de moralistas ou preconceituosas.

O escândalo do forró-brega, a partir de denúncias difundidas com mais frequência pela blogosfera e até por jornais e monografias universitárias, revela uma concentração de poder dos empresários do entretenimento - como o Som Zoom - , além de um cenário marcado pelas chamadas "bandas com donos" (lideradas por seus empresários), que gravam um repertório quase sempre de covers de música estrangeira ou composições de gosto duvidoso feitas por forrozeiros de terceiro escalão.

Além dessas músicas não representarem qualquer expressão de regionalidade, os valores sócio-culturais transmitidos por seus ídolos é chocante até mesmo diante de critérios morais mais flexíveis, pois defendem da infidelidade conjugal ao alcoolismo. Não bastasse isso, muitos cantores, músicos e dançarinos são explorados de forma cruel pelos seus empresários, tendo que obedecer a uma sobrecarregada agenda de apresentações.

O mercado tornou-se tão poderoso que os empresários são capazes até mesmo de investir na penetração do forró-brega em cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis. Todo o seu poderio econômico é de certa forma escancarado que as alegações de Hermano Vianna, Pedro Alexandre Sanches e companhia de que o "neo-forró" é expressão de "pequenas mídias do povo das periferias" tornam-se desprovidas de sentido e lógica.

Só que os escândalos do forró-brega podem revelar bastidores igualmente cruéis em estilos como o "funk carioca" e a axé-music, com estrutura empresarial similar, além do tecnobrega, que na prática é um subproduto do forró-brega (também chamado de "neo-forró", "forró eletrônico" e oxente-music).

O breganejo, que opera com uma estrutura mais conservadora, tem outros escândalos e manobras. Sabe-se, contudo, que a dita "música sertaneja" possui apoio explícito dos grandes proprietários de terras concentrados sobretudo no Norte, Centro-Oeste, e no interior de Minas Gerais, São Paulo e Paraná. E que mantém associações com o chamado "pagode romântico", estilo diluidor do samba cujo sucesso predomina na região Sudeste.

Já a axé-music - incluindo seus subprodutos como o "pagodão" e o arrocha - e o "funk carioca" podem mostrar o mesmo quadro de exploração e poderio empresarial que hoje tornam-se conhecidos através do forró-brega. E que podem, nos próximos instantes, mostrar aspectos espantosos na dita "cultura popular" veiculada pela grande mídia.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O DRAMA DE UM BRASIL ENRUSTIDO



Por Alexandre Figueiredo

Um dos dramas recentes vivido pelo nosso cotidiano é a onda de pretensiosismo que atinge muitas pessoas dotadas de valores conservadores ou mesmo retrógrados que tentam se passar por algum rótulo "mais nobre" para obterem vantagens pessoais ou não ficarem deslocadas diante dos amigos.

Há casos até mesmo de gente mentindo para si mesma, jovens disfarçando seu reacionarismo direitista com falsas adorações à esquerda, gente fingindo tanto que acaba acreditando na sua própria mentira. O que é muito diferente, por exemplo, de mudar de postura.

Afinal, são pessoas de direita que querem a todo custo se acharem "de esquerda". Porque para elas "é mais bonito" ou "é bem legal". Eu cheguei a vivenciar um episódio, digno de um Febeapá (o Festival de Besteiras que Assola o País que Stanislaw Ponte Preta criou e que continua atualíssimo).

Pois eu estava conversando com meu irmão Marcelo em Salvador e reclamamos que muitos jovens alienados pensam que a axé-music irá trazer a "revolução socialista" para os baianos. Um desses playboys enrustidos que andava pelo local ouviu o nosso comentário e fez cara de ironia, como se ele fosse o "esquerdista".

É até um absurdo que tenha havido uma comunidade do Orkut chamada "Chicleteiros de Esquerda", se percebermos que o cantor do Chiclete Com Banana, Bell Marques, é um dos homens mais ricos da Bahia e o grupo é um dos maiores símbolos de capitalismo selvagem relacionado a um conjunto musical, no caso da axé-music, que em si já é um ritmo bastante capitalista.

Mas o enrustimento que toma conta do país não envolve apenas o rótulo "esquerdista", mas tantos outros rótulos que tentam travestir os adeptos do atraso com algum rótulo ou pretexto mais "avançado". É o "travestismo ideológico" que certa vez escreveu o historiador Nelson Werneck Sodré.

Não deixa de ser uma certa falsidade ideológica por parte de muita gente que assume falsas posturas sem saber realmente do que se trata. Esses pretensiosos apenas são dotados de uma capacidade de argumentação relativamente eficaz, ainda que duvidosa e falha em alguns momentos.

Há pessoas que são apegadas ao hit-parade mas que se dizem "alternativas". Pessoas que se dizem "diferentes" querendo ser sempre iguais. Pessoas que se acham de "vanguarda" mas estão na "retaguarda". Pessoas que julgam seu egoísmo com pretextos "humanitários" e "altruístas".

Não seria mais simples que um adepto da música brega-popularesca, por exemplo, em vez de fazer alegações delirantes sobre "cultura popular", dizer apenas que seus ídolos estão perdendo dinheiro com a campanha feita contra eles?

E o que dizer de um machismo enrustido que, no ramo do entretenimento, quer promover as chamadas "boazudas" sob a pretensa imagem de "feministas", procurando dissociá-las o máximo de qualquer presença marital?

Por outro lado, o reacionarismo torna-se latente quando seus defensores, vendo suas "musas" criticadas por alguém, tentam dizer que este está desfazendo a imagem da "mulher brasileira". Afinal, a alegação politicamente correta esconde o dado incômodo de que certos homens só valorizam as mulheres pelo corpo "vitaminado", ainda que usem desculpas "nobres" para defender essas mulheres-objeto, mesmo um simples "vocês não conhecem elas pessoalmente".

Nos últimos tempos, até o termo nerd foi mais uma vítima do "Brasil enrustido". Homens que se enquadrariam mais no perfil de inimigos dos nerds se apropriaram do rótulo e, o que é pior, ainda não gostam quando seu rótulo pseudo-nerd é contestado. Tentam ser preciosistas, achando que "não existe regras para ser um nerd", quando na verdade eles estão forçando muito a barra com sua pretensão.

O pretensiosismo que existe, feito epidemia, no Brasil, faz com que nosso atraso seja camuflado com uma pretensa modernidade. Isso afeta seriamente o nosso entretenimento. O Brasil ainda não superou seu complexo de vira-lata, até o agravou, mesmo com Internet e tudo. Até o Orkut, uma rede social de origem estrangeira mas que estranhamente virou reduto de brasileiros, tornou-se algo brega, cafona, mofado.

Imagine um DJ brasileiro, desses que acham que descobriram o ouro inventando grupelhos de dance music que imitam os genéricos de fora, aparecer num evento estrangeiro de ponta. Certamente vão ver esse DJ como um "jeca" metido a besta.

Por isso o Brasil não vai para a frente. Os enrustidos são muitos e atrapalham nosso caminho, mesmo dizendo-se nosso aliados em qualquer causa mais nobre. Estão mais para puxar o tapete e para brecar nossos avanços. São como que extensões do fisiologismo político no ramo da arte, do comportamento, do engajamento político, da mobilização ideológica.

Pelo menos, em 1964, o enrustimento não era tanto assim. Os enrustidos daquele tempo só falavam em "liberdade" e "democracia" para defender seus valores retrógrados. Mas os golpistas de hoje vão além. Hoje eles são "esquerdistas", "alternativos", "engajados", "diferenciados", "humanistas" e até "nerds".

É bom tomar muito cuidado com pessoas assim. Ovos de serpentes não geram minhocas.

terça-feira, 28 de junho de 2011

PEDRO A. SANCHES E A "POPULARIDADE" DO REGIME MILITAR


PEDRO ALEXANDRE SANCHES NO INSTITUTO MILLENIUM - Foto montagem ou premonição?

Por Alexandre Figueiredo

Quando folheei a revista Fórum, semanas atrás, li a entrevista do "colaborador" Pedro Alexandre Sanches com o historiador Gustavo Alonso, autor do livro Quem Não Tem Swing Morre Com a Boca Cheia de Formiga, da Editora Record.

Sabemos que Record, Alonso e Sanches, juntos, parecem com vontade de derrubar a reputação dos Buarque, já que a Record perdeu um prêmio literário por causa de um livro de Chico Buarque, Alonso investiu numa desnecessária oposição entre Wilson Simonal e Chico Buarque e Sanches queria ver cair a "MPB biscoito fino" simbolizada não só por Chico, mas por sua irmã ministra e também cantora Ana de Hollanda.

E sabemos também que a campanha de Sanches contra essa facção da MPB no fundo não é mais do que um desejo de substituir alhos com bugalhos. Será que um MinC hipotético com Frank Aguiar no lugar de Ana de Hollanda e com a turma do Som Zoom Sat no lugar do ECAD faria a música brasileira mais "humana"?

Definitivamente, não. Ficaria pior. A MPB "biscoito fino", com todo o elitismo a que se atribui a esse grupo, pelo menos se compromete com a qualidade musical e com o zelo de nossa cultura, a despeito de seus membros serem de classes mais abastadas. Já a "cultura popular" de joelmas, chimbinhas, reginhos, marlboros, catras, belos, chitões, chicletões etc não é mais que um arremedo da cultura brasileira submetido aos padrões ianques do "deus mercado", aqui vigentes pela vontade da grande mídia nacional e regional.

Mas o que estranha na atitude de um jornalista que tenta se autopromover às custas da imprensa esquerdista, além de lançar em suas páginas e arquivos htm conceitos direitistas sobre "cultura popular", é o consentimento que o colonista-paçoca teve quando Alonso afirmou que a ditadura militar era "bastante popular".

Alonso chega mesmo a comparar o general Emilio Garrastazu Médici a Lula, como se quisesse, numa troca tendenciosa, "emprestar" o carisma lulista ao general dos primórdios do AI-5 e, por outro lado, dar a Lula uma suposta continuidade do "milagre brasileiro" que existiu há 40 anos.

DESQUALIFICAR AS ESQUERDAS

Na entrevista de Sanches com Alonso, fica subentendida uma vontade de desqualificar as esquerdas de nosso país. Sob o pretexto de criticar o "sectarismo" e a "patrulha" esquerdista, o jornalista e o historiador, ainda que se digam "esquerdistas" - mas essa "postura" até Fernando Henrique Cardoso diz ter - , parecem dispostos a promover uma imagem negativa dos movimentos esquerdistas, tidos como "radicais".

Afinal, não se trata de desqualificar os equívocos naturais de grupos como a Vanguarda Popular Revolucionária, por exemplo. Trata-se também de tentar uma associação hipotética de Chico Buarque com o regime militar, ainda que de uma maneira menos radical que Paulo César Araújo, o sinistro historiador que tentou promover os ídolos cafonas como "cantores de protesto".

O que está em jogo nisso tudo é que, ao redor de Chico Buarque, há outros referenciais autênticos que seriam desqualificados e desmoralizados junto a ele. Seu pai foi Sérgio Buarque de Hollanda, integrante de uma maravilhosa e prestigiada geração de intelectuais herdeira das lições do Modernismo de 1922, que se destacou sobretudo nos anos 40 e 50. Essa geração teve seu auge no respaldo ao ISEB, o corajoso Instituto Superior de Estudos Brasileiros que estudava um projeto de desenvolvimento autônomo para o Brasil.

Chico, seja por ele mesmo, seja por seu pai, também traz ramificações com os Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes, cujo legado hoje tornou-se injustiçado. Afinal, os CPC's da UNE também tinham ligações com o ISEB, mas se vinculavam com a modernidade cultural do início dos anos 60, como Edu Lobo, Carlinhos Lyra, Sérgio Ricardo e Nara Leão, que, fundindo-se com a sofisticação bossanovista, desenvolveu-se a admirável geração da MPB dos anos 60, paradigma hoje da geração "biscoito fino" tão reprovada pelo discípulo de Tavinho Frias.

Voltando à "popularidade" do regime militar, não existe um questionamento a respeito das condições de persuasão que as elites fizeram para conquistar a opinião pública. Além do mais, foi ignorada a ideia de que João Goulart, o "insuportável" político do Brasil progressista de 1961-1964, tinha sido muito popular em suas votações como vice-presidente brasileiro. Vale lembrar que se votava em separado para vice-presidente, conforme a Constituição de 1946 determinou.

E olha que Jango apavorou as elites brasileiras praticamente pelo mesmo projeto político e econômico que Lula desempenhou nos oito anos de seu mandato.

O pior de tudo é que Pedro Alexandre Sanches quer se impor como "o crítico musical de esquerda". Não é como Delfim Netto, o ministro do regime militar e artífice do "milagre brasileiro", cuja coluna na Carta Capital é um cantinho à parte que não se mistura à mídia esquerdista.

Ninguém diz que Delfim Netto é intelectual de esquerda. Mas Sanches, cuja teoria sobre cultura popular é "encharcada" de conceitos lançados por Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto na Teoria da Dependência da linha weberiana e por Francis Fukuyama nos seus estudos sobre o "Fim da História" (Sanches demonstra defender o "Fim da História" para a MPB), quer estar associado à intelectualidade de esquerda, escrevendo para os três principais periódicos da imprensa esquerdista e tendo lançado dois livros pela Editora Boitempo, para defender dois cantores alinhados à direita ideológica, ainda que bastante talentosos e carismáticos.

Francamente, com essas e outras, estamos esperando o dia em que Pedro Alexandre Sanches, tendo conseguido o que queria, voltará como filho pródigo para a Folha e baterá ponto no Instituto Millenium.

PEQUENA BIOGRAFIA POLÍTICA DE SÉRGIO CABRAL FILHO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Recentemente, reacionários travestidos de "corretos" desqualificaram os "insuspeitos blogues progressistas" que contestam certas verdades por trás da farra politiqueira da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. Gente que se julga acima das ideologias, mas no fundo apoia todos esses conchavos a pretexto da "cidadania" e do "progresso".

Mas, no fundo, pessoas assim estão nervosas, diante de episódios recentes envolvendo o grupo político de Cabral Filho e Paes: repressão aos bombeiros em greve, morte de amigos em acidente aéreo (durante uma visita de Cabral Filho a empreiteiros), acidente com turista fotografando um bonde, explosão de bueiros em Copacabana.

Pequena biografia política de Sérgio Cabral Filho

Dize-me com quem andas, Sérgio Cabral, e todos saberão que tipo de governante você se tornou.

Carlos Newton, da Tribuna da Imprensa

Sérgio Cabral Filho
Por muito menos, pediram o impeachment de Fernando Collor. Não há comparação entre as trajetórias do então presidente e a do atual governador do Rio de Janeiro. Os “empresários” Marcelo Mattoso de Almeida, que morreu pilotando o helicóptero na Bahia, Fernando Cavendish, Sérgio Luiz Côrtes da Silveira e Arthur Cesar Soares de Menezes Filho – são estes os principais parceiros de Sérgio Cabral Filho, um jovem suburbano que abraçou a política e daí passou a flertar com a elite e frequentar o eixo Leblon-Angra dos Reis-Miami-Paris.

Parceiro 1 – Marcelo Mattoso de Almeida era um ex-doleiro, que se autoexilou em Miami, fugido de uma operação da Polícia Federal, onde abriu uma revendedora de carros de luxo (por coincidência, o nome da agência era First Class, o mesmo do empreendimento na Bahia). Voltando ao Rio de Janeiro, passou a frequentar a casa do governador, tornando-se assíduo no Palácio Laranjeiras. Por coincidência, na semana passada voltou de Paris fazendo escala em Miami.

Parceiro 2 – Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, era um empreiteiro de terceiro time e rapidamente se tornou um dos mais ricos do país, depois que se aproximou do governador Sérgio Cabral Filho, ganhando as mais importantes licitações do Estado do Rio de Janeiro, inclusive a reforma do Maracanã e a construção das novas lâminas do Tribunal de Justiça.

Parceiro 3 – Arthur Cesar Soares de Menezes, o “Rei Arthur”, assim chamado porque é o grande artífice e planejador das terceirizações e licitações no governo Sérgio Cabral. Em 2008, recebeu 23,5% (R$ 357,2 milhões) de tudo o que o governo estadual pagou. Na verdade, o reinado de Arthur César, do grupo Facility, se iniciou na gestão de Anthony Garotinho e desde então jamais foi destronado. Mas nem Garotinho ousou pagar tanto, em 2003, por exemplo, Arthur César só levou R$ 58,5 milhões.

Parceiro 4 – Sérgio Luiz Cortes da Silveira é o homem de Cabral na área da saúde. O governador tentou emplacá-lo como ministro do governo Dilma Rousseff, que declinou quando viu a lista dos processos que o secretário responde por improbidade administrativa. A corrupção de Côrtes virou manchete dos jornais e ele jamais explicou como comprou o luxuoso apartamento de cobertura na Lagoa, que seu salário de Secretário de Saúde não poderia pagar. A atuação de Cortes rendeu ao governador uma interpelação judicial no STJ (IJ nº 2008/0264179-0), promovida pelo Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro e pela Federação Nacional dos Médicos.

Além dos quatro parceiros, o governador tem forte apoio da própria mulher, Adriana Ancelmo Cabral, que se tornou o maior fenômeno da advocacia nacional. Saiu da função de advogada assistente na Alerj (2001 e 2003) para catapultar sua carreira e fundar, em 2004, o Escritório Coelho, Ancelmo & Dourado Advogados Associados, sociedade que mantém o maior número de causas milionárias em que o Estado do Rio de Janeiro, suas autarquias e fundações funcionam como parte ou contraparte.

***

O ENRIQUECIMENTO DE CABRAL

Sérgio Cabral Filho vem de uma família de classe média baixa, nasceu no Engenho Novo e foi criado no bairro de Cavalcanti, subúrbio do Rio. O pai, conhecido jornalista e crítico musical, se candidatou a vereador e foi eleito em 1982 e reeleito em 1988 e 1992. Cabral Filho se integrou à equipe do pai acabou nomeado diretor da TurisRio, no governo Moreira Franco.

Em 1990, pegou carona no nome do pai e foi eleito deputado estadual, tornando-se uma espécie de político-modelo. Recusou as mordomias da Alerj, não usava o carro oficial, dirigindo seu modesto Voyage. Defendia duas classes sociais: os jovens e os idosos, organizando os famosos bailes da Terceira Idade, primeiro no Clube Boqueirão do Passeio, depois no Canecão. Fazia uma carreira impecável, trocou o PMDB pelo PSDB e tinha tudo para dar certo na política.

Até que se candidatou a prefeito do Rio, em 1992, e descobriu as famosas “sobras de campanha”. Foi quando começou a enriquecer. Reeleito deputado estadual em 1994, ligou-se a Jorge Picciani, que durante 6 anos foi primeiro-secretário da Alerj, no período em que Cabral presidiu a casa (1995-2007). Em 1996, foi novamente candidato a prefeito, amealhando “mais sobras de campanha”.

Em 1998, tinha declarado um patrimônio de R$ 827,8 mil, mas já dava demonstrações explícitas de enriquecimento ilícito. Ainda estava no PSDB, mas rompeu com o então governador Marcello Alencar, que o denunciou ao Ministério Público Estadual por improbidade administrativa (adquirir bens, no exercício do mandato, incompatíveis com o patrimônio ou a renda de agente público), pela compra de uma mansão no condomínio Portobello em Mangaratiba, e de também de um luxuoso apartamento no Leblon.

Mas essa investigação foi arquivada pelo subprocurador-geral de Justiça Elio Fischberg, em 1999, porque Cabral alegou que fazia “consultoria política” para a agência do publicitário Rogério Monteiro, que lhe pagaria R$ 9 mil por mês, quantia insuficiente para justificar os elevados gastos de Cabral, mas o subprocurador parece que não eram bom em aritmética.

Em 1999, Cabral volta para o PMDB, e ainda como presidente da Alerj, se aproxima do então governador do estado, Anthony Garotinho, que o ajuda a se eleger senador em 2002, e depois o apóia na campanha para governador em 2006, com mais “sobras de campanha”.

Como governador, estrategicamente Cabral logo rompeu com seu protetor Garotinho, mas manteve o “reinado” de Arthur César Soares de Menezes Filho. E se ligou aos outros três mosqueteiros: Marcelo Mattoso de Almeida, o ex-doleiro que morreu sexta-feira pilotando o helicóptero na Bahia, o empreiteiro Fernando Cavendish, e o secretário Sérgio Luiz Côrtes da Silveira. Com isso, foi aumentando desmesuradamente a fortuna, que já não dependia dos serviços de “consultoria” à agência do amigo Rogério Monteiro.

Hoje, o deslumbramento e o exibicionismo novo rico da família Cabral chega a tal ponto que uma foto publicada por O Globo esta terça-feira diz tudo.

O filho de Cabral, Marco Antonio, aparece usando um relógio Rolex Oyster Perpetual Daytona de Ouro Branco, que custa nas melhores lojas do país a bagatela de R$ 50 mil. Não é preciso dizer mais nada.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A ESTRUTURA DO "FORRÓ DE PLÁSTICO"


AVIÕES DO FORRÓ, NO TEMPO DO ENTRETENIMENTO DA MÍDIA GOLPISTA - Um dos grupos que dominam no mercadão do forró-brega.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Enquanto os ideólogos do brega-popularesco - beneficiados por sua grande visibilidade - falam mil maravilhas sobre esses ritmos da música de gosto duvidoso, se achando no direito até de recusar qualquer discussão estética, há pessoas que não temem ser chamadas de "preconceituosas" e "invejosas" e dizem a verdade que está por trás do milionário mercado dos ritmos regionais popularescos.

Como neste texto do músico e blogueiro Dihelson Mendonça, que esclarece o esquema que está por trás do forró-brega, conhecido como "forró eletrônico", "neo-forró" ou "oxente-music", mas que não passa de um engodo que inclui pseudo-baiões cafajestes, isso quando não se limita a misturar disco music, country e ritmos caribenhos.

De forma oportuna, Dihelson chama o forró-brega de "forró de plástico".

A ESTRUTURA DO SISTEMA

Por Dihelson Mendonça - Blog de Dihelson Mendonça

Ao contrário do que muitos pensam, o monopólio do forró de plástico na mídia não é um elemento passivo. Não caiu no gosto do povo por mero acaso. É fruto de uma estrutura cuidadosamente planejada nos anos 90 por um grupo de empresários visando o ganho de dinheiro fácil dos incautos pela exploração e pela massificação. O objetivo primordial deles é manter o forró de plástico ativo 24Hs no Rádio, impedindo outros estilos musicias e garantindo público nos eventos:

O sistema é formado basicamente por 3 elementos que trabalham de forma organizada e sincronizada:

01 - Proprietários de bandas de forró de plástico ( gravadoras ) - A coisa toda é feita visando a exploração da baixaria, da vulgaridade, do estímulo ao alcoolismo e da prostituição, com letras pobres que apelam para os instintos primitivos enquanto se investe no visual, tornando a música um fator secundário. Arte não existe. Abusa-se do mau-gosto, e garantem-se espaços nas estações de rádio com uma estrutura paga, via satélite. Como uma droga de efeito imediato e que não se mantém, é que nem mesmo aqueles que gostam desse estilo aguentam ouvir a mesma música por muito tempo. O sucesso é passageiro, como o efeito de qualquer outra droga. O lucro não é obtido na venda de CDs, que são vendidos nas lojas por um valor simbólico e são muitas vezes doados em esquinas como promoção para arrebanhar público para os shows. Usam as gravadoras apenas como elemento de produção, sendo que o lucro real vem da venda de ingressos nos shows. A tática é oposta ao modelo vigente nas grandes gravadoras do país, onde lança-se o artista para vender o produto. Aqui, a gravadora serve apenas para reforçar e amparar o sucesso. A música pode até ser gravada ao vivo, no próprio show, pois descobriu-se que o público alvo não tem intelecto suficiente para distinguir a qualidade da gravação. O objetivo é promover a participação do público, sobretudo gritando nomes de determinadas pessoas nos shows, que levarão os CDs para tocar para os amigos. Na maioria dos casos, uma mesma música é gravada por várias bandas ao mesmo tempo.

02 - Estações de Rádio - Em conluio $$$$$ com as bandas de forró de plástico para massificar a população, elas é quem preparam o GADO ( público ) para as vendas dos ingressos nos eventos garantindo a publicidade antecipada, a fim de levar a massa como gado ao matadouro ( shows ) como se fossem Zumbis. A música, segundo eles, não deve ser artigo para pensar. Pensar, Dói ! - Música seria como qualquer droga, como CRACK e COCAÍNA: Apenas para a diversão fugaz, de fácil apelo, e em associação ao movimento corporal e à sensualidade. O Rádio une-se às bandas de forró para divulgar somente o material fornecido pelos proprietários, minimizando ou vetando quaisquer outras formas musicais, garantindo assim o monopólio e a massificação e preparando o povo para o principal: a venda de ingressos em shows.

03 - Proprietários de Casas de Shows - Aqui é onde realmente desemboca o grande filão do dinheiro. Visando lucro fácil, entram na jogada, abrindo os espaços para o material que já foi divulgado e massificado por meses nas estações de Rádio e em acordo com as bandas de forró. Em época de eventos, as bandas que irão participar se intensificam nas estações de rádio, tocando principalmente as que participarão, e retirando as que não irão participar, tudo preparado cuidadosamente com meses de antecedência e garantindo a participação da massa, que estará preparada a tempo para o dia do shows. Todos lucram no negócio milionário.

RECLAMAR ADIANTA ?

01 - Desde que o forró de plástico ( como é conhecido atualmente o chamdo "forró putaria", desde a intervenção do músico Chico Cesar ) nossa tática de reclamar não tem sequer arranhado a estrutura dos organizadores de eventos, e muito menos sensibilizado qualquer dos 3 pilares do cartel da mídia, que estão agarrados ao OSSO, mas estas reclamações, por outro lado, tem feito surgir muitas bocas indignadas no seio da sociedade ( inclusive crônicas famosas, como a do Ariano Suassuna ). As inúmeras reclamações trouxeram de volta pessoas que gostam da boa música e estavam esquecidas, impotentes frente ao descaso, e foi por essas reclamações que descobrimos outros que pensam iguais a nós, que estão vendo a arte e a cultura irem para o ralo. Portanto, reclamar é bom, sempre foi bom e sempre será uma grande arma nesse movimento.

02 - A nossa estratégia de começar a ganhar os meios de comunicação tem dado certo. Diversos artistas do nordeste, e principalmente do interior do Ceará, além de formadores de opinião se reuniram e foram às estações de rádio tocar aquilo que já não mais se ouvia. Apesar do curto espaço de tempo, estamos reunindo, congregando as pessoas que gostam de outros estilos musicais, e posso dizer pelo que vejo e tenho ouvido, que a quantidade de pessoas que gostam de boa música é maior do que os que gostam de porcaria, só que eles não se manifestam tanto quanto aqueles. Os shows dos bons artistas estão gradualmente retornando, e tem tido casa lotada, prova do retorno da boa música e do funcionamento do Marketing.

03 - Mesmo em Fortaleza, o reduto do Forró de Plástico, é unanimidade que lá esse forró decadente já diminuiu e alguns apostam até que está morrendo. Ainda bem!

domingo, 26 de junho de 2011

TERRAS MAIS CONCENTRADAS E IMPRODUTIVAS



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A concentração de terras no país é um processo que existe desde os tempos do Brasil colonial, e desde o século XIX gerou um fenômeno que chamamos de "coronelismo", que é o processo de mandonismo dos grandes donos das terras, que controlam a política, a economia e até mesmo o entretenimento nas suas regiões. E, infelizmente, conseguem aumentar seu patrimônio territorial, na medida em que também investem menos na produtividade de suas propriedades.

Terras mais concentradas e improdutivas

Por Igor Felippe Santos - Portal do MST:

Dados do cadastro de imóveis do Incra, levantados a partir da auto-declaração dos proprietários de terras, apontam que aumentou a concentração da terra e a improdutividade entre 2003 e 2010.

Atualmente, 130 mil proprietários de terras concentram 318 milhões de hectares. Em 2003, eram 112 mil proprietários com 215 milhões de hectares. Mais de 100 milhões de hectares passaram para o controle de latifundiários, que controlam em média mais de 2.400 hectares.

Os dados demonstram também que o registro de áreas improdutivas cresceu mais do que das áreas produtivas, o que aponta para a ampliação das áreas que descumprem a função social. O aumento do número de imóveis e de hectares são sinais de que mais proprietários entraram no cadastro no Incra.

Em 2003, eram 58 mil proprietário que controlavam 133 milhões de hectares improdutivos. Em 2010, são 69 mil proprietários com 228 milhões de hectares abaixo da produtividade média.

“Essas áreas podem ser desapropriadas e destinadas à Reforma Agrária”, afirma José Batista de Oliveira, da Coordenação Nacional do MST.

Os critérios para classificar a improdutividade dessas áreas estão na tabela vigente dos índices de produtividade, que tem como base o censo agropecuário de 1975.

O número de propriedades improdutivas aumentaria se fosse utilizado como parâmetro o censo agropecuário de 2006, que leva em consideração as novas técnicas de produção agrícola que possibilitam o aumento da produtividade.

“Há um amplo território em todas as regiões do país para a execução da reforma agrária com obtenção via desapropriação, sem ameaçar a ‘eficiência’ da grande exploração do agronegócio”, afirma Gerson Teixeira, ex-presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra) e integrante do núcleo agrário do PT.

sábado, 25 de junho de 2011

PIRATARIA FAVORECEU CRESCIMENTO DE MÚSICA POPULARESCA



Por Alexandre Figueiredo

O crescimento do comércio de discos piratas nos últimos 15 anos foi um dos fatores decisivos para o crescimento da Música de Cabresto Brasileira, a suposta "música popular" que rola nas rádios controladas pelo poder oligárquico nacional e regional, mas que seus ideólogos atribuem às "pequenas mídias das periferias".

Isso soa muito estranho, na medida em que, durante algum tempo, os próprios ídolos brega-popularescos tenham ido à Brasília, com Fernando Henrique Cardoso no poder, para reclamar contra o comércio pirata de CDs. Reunião de protesto ou encontro de amigos?

É certo que o comércio pirata não traz dinheiro para artista algum, nem mesmo para os ídolos brega-popularescos. Mas o mercado de CDs, marcado por produtos caríssimos vinculados à música de qualidade - um preço alto muitas vezes injustificado - , fez os consumidores de classe média correrem atrás dos supostos "genéricos" da música brasileira que, no âmbito da MPB autêntica, possui CDs difíceis de serem comprados pelo cidadão comum.

Com o pedantismo popularesco que marcou os ídolos de "sertanejo" e "pagode romântico" de 1990, e da axé-music e forró-brega de 1997, todos eles seguindo as mesmas regras da "MPB burguesa", na medida em que os artistas da MPB autêntica ensaiavam seu êxodo fonográfico para gravadoras como Trama e Biscoito Fino, o comércio pirata - que, na prática, mistura CDs de fabricação original com suas cópias piratas, já que se comportam também como "sebos" - tornou-se um canal para a projeção da mediocridade cultural da Música de Cabresto Brasileira.

Isso fez com que a chamada classe média baixa, cansada de juntar dinheiro para comprar o novo disco do medalhão da MPB, fosse então adquirir a "MPB transgênica" representada pelos ídolos neo-bregas veteranos, que passaram até a gravar covers da MPB tradicional supostamente associados a seus estilos.

Dessa maneira, os ídolos do "pagode romântico" passaram a gravar sambas autênticos e músicos ecléticos como Djavan, e os "sertanejos" foram gravar clássicos da música caipira e canções poéticas como as do Clube da Esquina.

Era um processo tendencioso, dentro das normas luxuosas e cheias de pompa da "MPB burguesa", mas conseguiu desviar a atenção das classes mais baixas à MPB autêntica que, tempos atrás, ainda disputava com os ídolos bregas e neo-bregas algum lugar ao sol no cardápio apertado das FMs mais populares.

Com o sucesso comercial dessa manobra, vieram ídolos brega-popularescos de linha mais camp (grotesco explícito), como o forró-brega e o "funk carioca", passaram a explorar o comércio de camelôs para driblar o rigor excessivo da indústria fonográfica multinacional instalada no Brasil.

O que não quer dizer que seja um mercado alternativo de gravadoras independentes. Até porque a lógica desses "pequenos selos" que surgem regionalmente - muitas vezes financiados pela grande mídia local, pelas redes regionais de atacado e varejo ou pelo latifúndio - é a mesma das grandes gravadoras, com sua fome e apetite de lucro tão vorazes quanto os de qualquer executivo de uma major com seu escritório em Los Angeles ou Nova York.

Mas é através desses "pequenos selos" - como o Som Zoom, empresa de entretenimento com braços radiofônicos e agenciais cujo poderio derruba de vez o mito de "pequenas mídias das periferias" - que se propagaram e se multiplicaram os ídolos da música brega-popularesca.

Esse crescimento mercadológico chega ao ponto de sufocar completamente as tendências folclóricas - que eram a verdadeira cultura popular no que diz às manifestações geradas até 1964, longe da escravidão do mercado - e a banir o acesso das classes populares ao cancioneiro da MPB pós-CPC (como a geração universitária dos anos 60 e 70).

Mas o crescimento do brega-popularesco, num processo "cancerígeno", chega mesmo a sufocar até outras tendências brega-popularescas. No Norte-Nordeste, a hegemonia do forró-brega chega a ameaçar até mesmo a penetração da axé-music e do "sertanejo". Em certos lugares, o forró-brega e a axé-music tornam-se até mesmo rivais.

Um exemplo ilustrativo disso ocorreu no Carnaval da Bahia de 2008, quando ídolos da dita "música sertaneja" evitavam aparecer nos trios dos grandes nomes da axé-music, preferindo ir a trios de música afro-baiana apadrinhados por Caetano Veloso.

Com o comércio de CDs piratas servindo não apenas de "sebos", mas de divulgação para CDs supostamente rejeitáveis pelas grandes lojas - mas que servem apenas como mercado alimentador dessas redes - , a indústria cultural do interior do país estabeleceu seu crescimento que já a configura como uma grande mídia local.

Essa indústria só parece "mídia pequena" para os olhos de jornalistas e cientistas sociais que vivem trancados em seus condomínios de luxo nas capitais do Sudeste. Quem não pensa longe, pensa tudo pequeno.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

LIVRO SOBRE SIMONAL E A CRISE DA MPB



Por Alexandre Figueiredo

Está em lançamento um livro que acirrará as discussões sobre a crise da MPB, mas que redundará no mesmo maniqueísmo cafonice/sofisticação que tempera os parcos debates da turma da visibilidade plena.

Pedro Alexandre Sanches, desta vez, "rachou" um mesmo tema para a revista Fórum e a Caros Amigos. Na primeira, publicou uma entrevista, na segunda uma resenha, sobre o mesmo livro, Simonal - Quem Não Tem Swing Morre com a Boca Cheia de Formiga, que Gustavo Alonso lança pela Editora Record.

Sanches, na reportagem-entrevista da Fórum, puxou a brasa para sua sardinha cafona, em tempos de 80 anos de FHC, citou Paulo César Araújo, que no ano do apagão de 2001 fez um livro que se tornou obra básica para entender a aplicação da Teoria da Dependência de FHC e Enzo Faletto aplicada à música brasileira: Eu Não Sou Cachorro, Não, também pela Record.

No seu projeto ideológico, o pupilo de Otávio Frias Filho, em suas entrevistas, às vezes escreve ou comenta sobre a (suposta) injustiça vivida pelos brega-popularescos. Suposta, porque eles são o establishment, embora oficialmente não se reconheça isso. Mas aqui a missão se aproxima mais de uma iconoclastia à chamada elite da MPB, que é aquele lado ABL da música brasileira.

O livro de Gustavo Alonso, a princípio, só coincide com o livro de PC Araújo, supracitado, no esforço de combater as chamadas "vacas sagradas" da MPB. O alvo é sobretudo Chico Buarque, cujo perfil combativo durante o regime militar, certamente, é superestimado. Mas há uma ânsia incrível em desmitificá-lo, como quem desejasse derrubar uma estátua pelo simples prazer de derrubá-la.

Para quem desejaria ver como "heróis" Chimbinha, Gaby Amarantos e Tati Quebra-Barraco, como o colonista-paçoca, faz sentido uma ânsia, por mais respeitosa que seja, de ver Chico Buarque como um oportunista que se enriqueceu durante o regime miltar com seu "suposto" engajamento.

Gustavo Alonso até não pega tão pesado quanto PC Araújo - que tentou promover os ídolos cafonas como se fossem "cantores de protesto" e achava que quem fazia a trilha sonora dos anos de chumbo era o compositor de "A Banda" e "Vai Passar" - , mas contribuiu para a lavagem de roupa suja da Editora Record, que não gostou de ver o compositor e escritor ganhar um prêmio literário, em detrimento de um romance de Edney Silvestre, jornalista da Globo, publicado pela editora.

Também a reportagem, da parte de Pedro Sanches, também é outra revanche de querer "derrubar" um mito cuja irmã é a ministra da Cultura Ana de Hollanda que, como cantora, é ligada à ala "biscoito fino" da MPB, antipatizada pelo colonista-paçoca.

Mas o que surpreende na obra é a mea culpa que Gustavo parece atribuir ao povo brasileiro quando o assunto é regime militar, sobretudo durante o período do "milagre brasileiro". É certo que uma tradição conservadora de anos fez o povo defender o golpe militar e o "milagre brasileiro", mas aqui mostra-se uma ânsia de desqualificar as esquerdas no país, ainda que o autor do livro se diga "de esquerda".

O que aliás é uma mancha que tira de Pedro Sanches qualquer mérito dele ser reconhecido como imprensa de esquerda. Até porque parecia que era ontem que ele servia a outros senhores: Frias, Civita e Marinho.

Evidentemente a desqualificação de Chico Buarque segue a mesma lógica da desqualificação dos CPC's da UNE e do ISEB, feita por uma intelectualidade amestrada desde os anos 80 pelo pré-tucanato da USP. E que gerou as bases teóricas para a defesa do brega-popularesco no fim da Era FHC, por PC Araújo, Hermano Vianna, Pedro Sanches e outros.

É uma lógica de desqualificar projetos progressistas de cultura popular, e, em oposição aos mesmos, criar um outro paradigma de "cultura popular" associado a regras mercadológicas do neoliberalismo, e bem ao gosto dos barões da mídia, do entretenimento e do atacado & varejo.

SIMONAL - Quando li o livro de Ricardo Alexandre sobre Wilson Simonal, Nem Vem Que Não Tem - A Vida e o Veneno de Wilson Simonal (Editora Globo), constatei, refletindo, que o episódio que classificou o cantor de "dedo duro" foi, na verdade, fruto de um desentendimento entre o cantor e dois seguranças, que resolveram se vingar e espalhar a versão de que "Simona" torturou e sequestrou um sócio e que iria denunciar, feito um macartista brasileiro, artistas que estivessem engajados em combater o regime militar.

Wilson Simonal, como disse Gustavo Alonso, certamente não era ingênuo. Mas seu sucesso estrondoso foi algo que lhe escapou ao controle. Simonal criou uma empresa para cuidar de sua carreira, o que talvez fosse demais para um sucesso tão meteórico. E, com os problemas trabalhistas, veio o desentendimento com um sócio. E depois uma discussão com seus seguranças. E aí estes resolveram destruir a carreira do cantor, com a boataria.

Simonal não era de esquerda nem de direita. E era um artista ímpar, que traduziu a influência da soul music com elementos de samba e Bossa Nova sem qualquer pedantismo e uma criatividade que misturava senso de humor e refinamento. Era um artista que ficava a meio caminho entre a sofisticação de Agostinho dos Santos e a jovialidade de Jair Rodrigues. E, curiosamente, Simonal imitou um e outro num de seus programas de TV.

O ponto positivo dos últimos anos é que a revisão de Wilson Simonal irá esclarecer o caso que abalou sua carreira, ainda que ele não esteja mais entre nós. Mas sua herança artística é devidamente seguida pelo herdeiro musical e biológico, Wilson Simoninha, que, se não fosse a mediocridade musical dominante em nossos dias, seria o cantor mais popular do país, no lugar dos sofríveis ídolos do esquecível "pagode romântico".

JUSTIÇA DERRUBA CENSURA AO BLOG DO ESMAEL



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Se temos que enfrentar a trolagem de internautas que se acham "donos" de nossos blogues, pedindo para que escrevêssemos só o que lhes agradasse e deixarmos de contestar aquilo que os incomoda, há também blogueiros que enfrentam ações na Justiça, como o paranaense Esmael Morais, que teve seu Blog do Esmael censurado por ação judicial movida pelo demotucano Beto Richa. O Superior Tribunal Federal julgou inconstitucional o processo movido pelo político paranaense.

Justiça derruba censura ao Blog do Esmael

Por Altamiro Borges - Blog do Miro, reproduzido também no blogue Viomundo

O Blog do Esmael (http://esmaelmorais.com.br) publicou há pouco um post inaugurando o fim de uma censura, promovida pelo governador Beto Richa (PSDB), que durou 75 dias. Era o único caso de censura no país em que o blog foi retirado do ar, contrariando a Constituição Federal e as recentes decisões do Superior Tribunal Federal.

A seguir o post:

"Em consonância com despacho da justiça do Paraná, este blog volta à normalidade depois de 75 dias fora do ar. Quero agradecer a solidariedade de blogueiros, advogados, lideranças dos movimentos sociais e da frente política.

Para evitar constrangimentos de parte a parte, este blog cumprirá a decisão da Justiça na íntegra – como já vinha cumprindo – até a resolução final, pelos meus advogados, do imbróglio resultante das eleições de 2010.

Este blogueiro reafirma o compromisso de apenas discutir políticas públicas, como sempre fez, e o desinteresse pelas questões pessoais de quem quer que seja.

Portanto, voltemos à lida!"

quinta-feira, 23 de junho de 2011

PAULO HENRIQUE AMORIM: A GLOBO EM BUSCA DO POVÃO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Num relato bem humorado, Paulo Henrique Amorim dá suas sugestões para a Rede Globo efetivar suas mudanças no departamento jornalístico, complementando o relato de Marco Aurélio Mello sobre as alterações a serem feitas pela chamada "Vênus Platinada".

A Globo em busca do povão

Por Paulo Henrique Amorim - Blogue Conversa Afiada

Este Conversa Afiada tem algumas sugestões a fazer ao Schroeder.

Primeiro, ampliar o espaço da urubóloga.

Nada mais povão do que ela.

A sugestão seria dar uma colona (*) diária para a urubóloga no jornal nacional.

Bem antes de entregar para o Insensato Coração.

Uns 15 minutos para ela analisar a elevação (que, na verdade, foi uma reprovação) da nota do Brasil numa agência de risco.

O pessoal lá em Marechal vai ouvir … agência de risco, risco, vai achar que é sexo grupal, sexo sem camisinha.

Outra sugestão definitivamente consagradora seria levar o William Waack para o Fantástico.

Um quadro permanente.

Ele e mais três entrevistados.

Outros 15 minutos, na hora em que o Fantástico recebe do Faustão e precisa anabolizar a audiência.

Waack, com aquela expressão patibular, tão simpática, analisaria com seus ignotos convidados o caráter eminentemente terrorista das ações da presidenta Dilma Rousseff.

Waack, como se sabe, se tornou um especialista em comunismo internacional.

Outra sugestão preciosa.

Levar o Ali Kamel, em pessoa, para substituir a urubóloga no Bom (?) Dia Brasil.

Ali Kamel faria boletins diários dirigidos especialmente ao pessoal das favelas do Rio e de Salvador.

Kamel explicaria, por “a” mais “b”, que não, não somos racistas.

Uma coisa assim, bem didática, na hora de passar a bola para a Ana Maria Braga.

Quinze minutos para o Kamel dizer ao pessoal da Mangueira que no Brasil não tem negro, mas pardo.

E que pardo não merece ter cota para entrar na universidade.

O pardo, meu querido, o pardo … – poderia ser o bordão dele, quando devolvesse à Renata Vasconcelos.

Este ansioso blogueiro corre sério risco.

Dar essas dicas ao concorrente.

A Record pode não gostar.

ALI KAMEL E A DANÇA DAS CADEIRAS NA GLOBO



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Mudanças no telejornalismo das Organizações Globo. Renato Machado deixa o Bom Dia Brasil e entra Chico Pinheiro, que corre o risco de interagir com a ex-mulher Carla Vilhena, a não ser que ela também arrume outro lugar num telejornal. Enfim, as mudanças, que envolvem também a Globo News, têm como objetivo tornar o jornalismo das OG mais "populares".

Ali Kamel e a dança das cadeiras na Globo

Por Marco Aurélio Mello - Blogue DoLaDoDeLá

Alertado por Paulo Henrique Amorim fui checar a informação de quem é o primeiro e o segundo na hierarquia da TV Globo: No início do mês de julho de 2009, Ali Kamel foi promovido ao cargo de diretor da Central Globo de Jornalismo (CGJ), que era ocupado antes por Carlos Henrique Schroder.

Na ocasião, Schroeder passou para a Direção Geral de Jornalismo e Esporte (DGJE), ou seja, caiu para cima. Neste caso, sustento o primeiro e segundo lugares com o argumento de que nem sempre quem tem poder de fato o tem de direito. Mas numa coisa o PHA tem razão: no papel o Ali é segundo.

Chama atenção a dança das cadeiras na TV Globo por várias razões. Primeiro, quem fez o anúncio foi Carlos Henrique Schroder, o número dois, e não Ali Kamel, o número um. Corre pelos corredores da emissora a notícia de que Ali atualmente não apita mais tanto quanto antes. Contribuiram para sua derrocada o tipo de jornalismo que ele empreendeu, desde que assumiu, centralizando as decisões e condicionando a cobertura à sua vontade (ou seria à vontade expressa do patrão?). Outro episódio definitivo para a queda teria sido o "bolinhagate", a tentativa de comprovar que o então candidato à presidência José Serra tinha sofrido um traumatismo craniano, depois de atingido por uma bolinha de papel.

Até o perito Ricardo Molina foi convocado às pressas para dar legitimidade ao caso, que atingiu em cheio a credibilidade da emissora. Sabe-se que naquela noite o Jornal Nacional foi vaiado pelos próprios jornalistas e que, em Brasília, a exemplo do que aconteceu em São Paulo em 2006, a diretora de jornalismo Silvia Faria teria dito o mesmo que Mariano Boni em São Paulo, anos antes: "quem não estiver satisfeito procure a Record".

Quem frequenta a emissora conta que, agora, raramente Ali desce do quarto andar onde se refugiou para escrever seus artigos, comprar suas polêmicas e processar seus "detratores". Agora há dois subalternos que fazem o serviço para ele no Jornal Nacional: Renato Ribeiro (ex-editor chefe do Jornal Nacional) e Luis Claudio Latgé (ex-diretor de jornalismo de São Paulo). Ali só é consultado quando o assunto é muito cabeludo.

O sinal já havia sido dado no começo do ano, quando o diretor superintendente Octávio Florisbal anunciou em alto e bom som que o jornalismo da emissora ía mudar. Recente pesquisa mostra preocupação com os índices de audiência do jornalismo, sobretudo no periodo matutino onde, não raro, a emissora amarga o segundo lugar durante toda a manhã.

Não por acaso a dança das cadeiras começou por Renato Machado, que será uma espécie de embaixador em Londres. Para quem gosta de vinho e música clássica, como ele, é um prêmio e tanto para quem se dedicou 15 anos ao Bom Dia Brasil, acordando às 4 horas da manhã. Renato estará a um passo de Paris, Geneve, Roma e Frankfurt. É tudo o que ele sempre pediu a Dionísio.

Para o seu lugar assume Chico Pinheiro. O veterano jornalista e apresentador vai tentar popularizar o jornal. Está sendo reabilitado depois de amargar uma geladeira no SPTV. É sinal também de que a emissora está disposta a atrair os extratos mais à esquerda do espectro político de seu público. Chico - como antítese de Renato - é a MPB e a caipirinha no poder.

Outra veterana da apresentação, Mariana Godoy, segue agora para o Jornal das 10 da Globo News, reflexo do incômodo causado pela chegada de Heródoto Barbeiro à Record News. Para o seu lugar vai César Tralli, que realiza um sonho antigo, que é ocupar uma bancada de telejornal. Na reportagem ele se consagrou, mas pagou um preço muito alto: os colegas detestam seu estilo e seus modos, considerados por muitos bastante pragmáticos, se é que podemos dizer assim.

Se a volta de Schroder pode aplacar os ânimos? Só o tempo dirá. Minha aposta é que sim. Ele tem o apoio da família Marinho e uma capacidade de sobrevivência invejável. Ele pode ser reabilitado e quem sabe a emissora faça as pazes com a notícia. Talento dos colegas e recursos técnicos não faltam. Mas como na Globo tudo demora um pouco, as mudanças só virão quando entrar setembro. Portanto, o inverno tem tudo para ser quente.

CARTA DA AGÊNCIA PÚBLICA AOS BLOGUEIROS


ESSA GRACINHA É NATÁLIA VIANA, DA AGÊNCIA PÚBLICA.

COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A agência Pública surgiu depois que Natália Viana cumpriu sua parceria com a Carta Capital na divulgação de notícias relacionadas ao portal Wikileaks, de Julian Assange, que inclusive até estabeleceu vários contatos com a jornalista. E, diante dessa nova fase em que uma mídia mais humanista e democrática vem a surgir, as jornalistas da Pública escreveram uma carta saudando os blogueiros progressistas no seu

Carta da agência Pública aos Blogueiros Progressistas

Por Marina Amaral, Natalia Viana e Tatiana Merlino - Agência Pública

Caras e caros blogueiros,

É com muito prazer que escrevemos para vocês depois de dois meses de trabalho duro para construir um modelo viável de fazer jornalismo investigativo no Brasil.

A Pública, uma organização sem fins lucrativos, está apresentando suas primeiras matérias especiais.

Muito de vocês já conhecem o nosso site (www.apublica.org), e têm reproduzido as nossas reportagens nacionais e internacionais, o que nos faz acreditar ainda mais. Aos que não nos conhecem, convidamos a entrar na rede.

A Pública, agência de reportagem e jornalismo investigativo, foi fundada em março deste ano pelas jornalistas Marina Amaral, Natalia Viana e Tatiana Merlino para produzir e difundir investigações de interesse público que nem sempre têm espaço na imprensa tradicional.

Todas as nossas reportagens são de livre reprodução, desde que citada a fonte. Nas próximas semanas teremos mais conteúdo inédito. Usem-no à vontade. Devemos espalhar o que diz respeito a todos nós…

Quem, como nós, cobre temas como direitos humanos, questões sociais e justiça, sabe que estes são temas que não tem partido ou facção política; são essenciais para qualificar o debate que constrói a democracia brasileira.

É por isso que seguiremos fazendo jornalismo investigativo.

A Pública acredita na função social do jornalismo.

A Pública quer o fortalecimento do direito à informação.

A Pública acredita na transparência, como base da democracia.

A Pública é contra o segredo eterno de documentos públicos.

A Pública é contra o sigilo nos contratos da Copa.

Um abraço e até breve.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

TRAGÉDIA NA BAHIA EXPÕE RELAÇÕES DE CABRAL COM EMPRESÁRIO QUE JÁ RECEBEU R$ 1 BI DO RJ



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: A cada dia o grupo político de Sérgio Cabral Filho e Eduardo Paes mostra-se distante do interesse público e cada vez mais comprometido com os interesses privados. Repressão aos bombeiros, repressão ao comércio ambulante, desalojamento de famílias das favelas sem oferecer moradias realmente dignas, ameaça de demolição do Estádio Caio Martins, sistema de ônibus confuso já a partir da padronização visual... Agora esse envolvimento de Cabral com empreiteiros e até com o giga-empresário Eike Batista.

E ainda tem gente querendo que a gente aplauda esses governantes e sinta nojo de qualquer texto escrito contra eles. Em que planeta vive essa gente? Planeta Mico?

Tragédia na Bahia expõe relações de Cabral com empresário que já recebeu R$ 1 bi do RJ

Do Blogue Implicante - Reproduzido também no blogue Shogunidades


A tragédia em Porto Seguro (BA) na última sexta (18), onde morreram 7 pessoas, expôs uma relação bastante peculiar entre o dono de uma das maiores prestadoras de serviço do estado do Rio de Janeiro e o governador fluminense, Sérgio Cabral.

O “Principe do PAC”

Cabral se dirigia ao sul da Bahia num jatinho do empresário Eike Batista em companhia de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. Cavendish é conhecido como “Príncipe do PAC”, por abocanhar a maior parte dos contratos com os governos federal, estadual e municipal .

A assessoria do governador informou que Sérgio Cabral participaria da festa de aniversário de Cavendish, e ficaria hospedado no luxuoso resort do piloto Marcelo Mattoso de Almeida. Um ex-doleiro acusado por fraude cambial e crime ambiental.

Leiam abaixo trechos da reportagem de O Globo. Voltamos nos comentários.

RIO – Três dias depois do acidente de helicóptero que caiu em Porto Seguro, matando seis pessoas – uma vítima ainda está desaparecida -, o estado quebrou o silêncio e informou na segunda-feira que o governador Sérgio Cabral viajou para o Sul da Bahia num jatinho do empresário Eike Batista, em companhia de Fernando Cavendish, dono da Delta Construções. A empresa é uma das maiores prestadoras de serviço do estado e recebeu, desde 2007, contratos que chegam a R$ 1 bilhão. Além disso, também foi informado que Cabral se dirigia com o grupo para o aniversário de Cavendish num resort, onde ficaria hospedado, mas o acidente com a aeronave interrompeu os planos. Na segunda-feira, o governador se licenciou do cargo, alegando razões particulares.

(…)


Eike doou R$ 750 mil para campanha

Afinidade: os dois também tiveram problemas com bombeiros

Além de Cavendish, Eike mantém estreitas relações com o estado e com o governador. O megaempresário doou R$ 750 mil para a campanha de Cabral em 2010. Eike se comprometeu ainda a investir R$ 40 milhões no projeto das UPPs, a menina dos olhos da segurança do Rio.

Desta vez, a participação de Eike, ao oferecer o passeio até Porto Seguro, não tinha relação com projetos públicos. O motivo da viagem era o aniversário de Cavendish, comemorado sexta-feira. Os laços do empresário e da Delta com o estado foram se estreitando nos últimos anos. Se é o “príncipe do PAC” por conta do expressivo número de obras do programa federal que estão na carteira de sua empresa, Cavendish é o rei do Rio, se for considerada a generosa fatia do bolo de recursos do estado que recebeu nos últimos anos ou está prestes a abocanhar, por obras como a reforma do Maracanã ou do Arco Rodoviário, ambas estimadas em R$ 1 bilhão cada. Em 2007, no primeiro ano do governo Cabral, a Delta teve empenhos (recursos reservados para pagamento) no valor total de R$ 67,2 milhões. No ano passado, o número deu um salto de 655%, para R$ 506 milhões.

Quando se consideram os valores efetivamente pagos, a posição de vantagem da Delta não muda. No ano passado, somente a Secretaria de Obras pagou R$ 91 milhões à empresa, que ficou em terceiro lugar na lista das que mais receberam da pasta, que tinha orçamento de R$ 1,1 bilhão para obras e reparos. Em primeiro lugar, com 25%, ficou o Consórcio Rio Melhor (PAC nas favelas), com R$ 269 milhões. Detalhe: a Delta faz parte do consórcio com Odebrecht e OAS. Outro exemplo do longo braço da Delta é o DER. Em 2010, na rubrica obras, o órgão tinha R$ 283 milhões e pagou 30%, ou R$ 81 milhões, à Delta, que ficou com o maior pedaço do bolo.

Em maio, após romper com Cavendish, o dono de uma outra empresa da área de construção, Romênio Marcelino Machado, afirmou à “Veja” que a Delta havia contratado José Dirceu para tráfico de influência junto a líderes petistas. Segundo a revista, Cavendish, em reunião com sócios em 2009, teria dito que, “com alguns milhões, era possível comprar um senador”.

PARTIDOS, JUVENTUDE E OS MOVIMENTOS SOCIAIS DA INTERNET



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: As transformações sociais na Internet ocorrem, pode ser apenas o começo de um processo, mas é uma realidade que não pode mais ser ignorada, e que por isso está tirando o sono de muitos executivos da grande mídia que veem a sociedade lhes escapar do controle.

Partidos, juventude e os movimentos sociais da internet

Jovens estão exigindo muito mais participação e democracia do que os partidos políticos e a democracia representativa os oferecem. Eles querem mais participação. Estão errados?

Por Marcelo D'Elia Branco - Blogue Software Livre Brasil - Reproduzido também no sítio da Revista Fórum

Os jovens nativos digitais da sociedade em rede têm orgulho de ser brasileir@s, acreditam que o Brasil é o país do presente e concordam que têm um papel de transformar a sociedade. Se conectam mais com discursos coletivos do que individualistas e querem menos consumismo. Apenas 5% tem como objetivo ficar rico e sabem que podem trabalhar por uma causa coletiva e buscar seus sonhos pessoais ao mesmo tempo. Estes mesmos jovens, cada vez mais, vêem a internet como ferramenta de mobilização e engajamento político e menos os partidos. [1]

"Quantos jovens não votaram no Chile, na Espanha? Não achem que estes jovens não acreditam na democracia. Eles não crêem na democracia que oferecem a eles (…)." Eduardo Galeano na Praça Catalunya[2]


Quando eu divulguei esta pesquisa na rede, surgiram muitos questionamentos e diálogos vindos, principalmente, de militantes partidários: isso é positivo ou negativo? Acho isso tremendamente positivo e tentarei sucintamente colocar a minha opinião, já tuitada de forma pulverizada.

Acontece que os jovens estão exigindo muito mais participação e democracia do que os partidos políticos e a democracia representativa os oferecem. Eles querem mais participação. Estão errados?

Os partidos e os sindicatos são organizações construídas com base na revolução tecnológica industrial. Foram, por longos anos, a única e a melhor forma de catalizar de forma coletiva os pensamentos e ideologias para uma ação política efetiva. Sozinho, ninguém chega a lugar algum, e isso continua valendo. Estas organizações mediam e intermediam a relação entre os diversos interesses individuais e coletivos, através do “programa”, e representam estes interesses junto à sociedade.

Os movimentos sociais em rede, pós-internet, são formados por indivíduos conectados que manifestam suas opiniões e movem suas ações na perspectiva do engajamento coletivo, sem a intermediação de qualquer organização. Aliás, a Internet veio para questionar o papel de todas as organizações intermediárias. A indústria fonográfica que o diga.

Acredito que as formas de organizações da era industrial e as organizações de indivíduos conectados em rede, típicas da sociedade em rede, conviverão. Uma não substitui a outra.

Mas é #fato que nos últimos anos, em todo mundo, os partidos políticos e os sindicatos têm tido menos capacidade de mobilização coletiva do que os movimentos sociais em rede. E isso não é somente porque os programas dessas organizações estão defasados ou que não contemplam os interesses dos coletivos. Atualizar os programas dos partidos é importante, mas não será o suficiente para engajar a geração atual na forma de organização hierárquica dos partidos. Estes jovens estão, cada vez mais, experimentando novas formas para organizar suas ações políticas coletivas, utilizando a plataforma da Internet como base. E isso tem dado resultado.

Há quase 12 anos, na manifestação chamada de N30, mais conhecida como a “batalha de Seattle” [3], através da Direct Action Network (ação direta em rede) possivelmente tenhamos inaugurado a era das mobilizaçoẽs 2.0.

Desde Seattle, passando pelas mobilizações do Fórum Social Mundial aqui em Porto Alegre, nas marchas contra as guerras do Bush-pai, nas manifestações anti-globalização neoliberal, com destaque para Gênova e Barcelona, até as recentes revoltas árabes e agora a #globalrevolution partindo da Espanha para toda Europa [4], comprovam a força das redes da internet para organização de grandes ações coletivas.

Não acredito que os partidos ou sindicatos estão descartados como forma de organização política. Acontece que agora existem NOVAS formas de organização política. As novas formas de organização social (indivíduos conectados em rede) e as velhas (partidos e sindicatos) vão conviver, mas como organizações distintas.

As velhas organizações não podem ter a pretensão de englobar ou cooptar as novas. Terão que conviver, lado a lado, mas cada uma com a sua dinâmica própria. As dinâmicas das redes são distintas das dinâmicas partidárias. Não há como enquadrar as dinâmicas em rede nas hierarquias partidárias. Nem é possível que um partido funcione com as dinâmicas horizontais e sem hierarquias como nas redes.

O sucesso das organizações da era industrial (partidos e sindicatos) foi justamente o de organizar as pautas e as lutas de forma hierárquica e aprovadas por maioria.

Nas dinâmicas em redes, raramente há votações para hierarquizar as ações. Funciona por adesão voluntária. A proposta com maior adesão avança na prática e mobiliza. Assim tem sido as experiências da última década.

No entanto, as dinâmicas dos movimentos em rede ainda tem sido incapazes de estabelecer uma nova ordem. Pelo menos por enquanto. Os partidos sim, estabelecem uma nova ordem, assumem o poder e governam. Creio que no futuro teremos experiências de uma nova ordem a partir de dinâmicas sociais em rede.

Vivemos uma transição da era industrial para a era das sociedades em redes. As velhas formas e as novas conviverão, mas são distintas formas de organizações. Aliadas? Antagônicas? Complementares?

O certo é que existe, neste momento, uma tendência e um potencial global democratizante, que questiona os limites da democracia representativa e que aponta para uma nova democracia participativa, tendo a internet como plataforma de mobilização e viabilização desta nova relação direta dos cidadãos com a democracia.

Acredito que a recente pesquisa, “o sonho brasileiro”, realizada entre jovens de 18 a 24 anos e que ouviu mais de três mil pessoas de 173 cidades do país, aponta dados extremamente positivos na perspectiva de transformação social.

Fontes:

[1]- Pesquisa “O sonho brasileiro”
Box1824 (agência especializada em mapear tendências de comportamento), e Instituto Datafolha.

- Quase 90% dos jovens têm orgulho de ser brasileiros, revela pesquisa
Geração “sonhadora” quer “oportunidade para todos” e menos consumismo
By Marina Novaes, do R7

- Jovens sonham e acreditam no Brasil
By Ricardo Kotscho, do R7

- Pesquisa mostra que enquanto 59% dos jovens não têm preferência partidária, 71% consideram a internet uma ferramenta política
By Naira Alves IG

[2] - Eduardo Galeano no acampamento de Barcelona

[3]- Seattle: uma década de ativismo 2.0
By #comunidadedigital das turmas e ex-alunos de comunicação digital da ESPM-RJ Turma 7A - 2009.2

[4]-Da #democraciarealya à #WorldRevolution
By Marcelo Branco

terça-feira, 21 de junho de 2011

UM BALANÇO INICIAL DO II BLOGPROG



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: O ano de 2011 foi movimentado com muitos encontros regionais de blogueiros progressistas e o segundo encontro nacional que aconteceu celebrando essa nova realidade que a grande mídia é obrigada a engolir. A ênfase agora é na mobilização pela lei regulatória dos meios de comunicação e por políticas democráticas de banda larga na Internet.

Um balanço inicial do II BlogProg

Por Altamiro Borges - Blog do Miro - Reproduzido também no blogue Viomundo

O II Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas (BlogProg), realizado neste final de semana em Brasília, foi um baita sucesso. Após três dias de intensos debates e muitas votações, os participantes concluíram a plenária final, no domingo à tarde, em clima de êxtase, de missão cumprida. Muitos choraram no encerramento do evento. As despedidas de muitos que só se conheciam no mundo virtual foram emocionantes, carregadas de generosidade e espírito construtivo.

Num balanço ainda inicial do II BlogProg, destaco cinco razões do enorme sucesso. Em primeiro lugar, o encontro foi altamente representativo, confirmando o crescente fortalecimento da blogosfera progressista. 369 ativistas digitais de 21 estados (apenas Roraima, Rondônia, Amapá, Mato Grosso de Sul, Tocantins e Alagoas não estiveram representados) participaram do evento na excelente sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio. E isto após a realização de 14 encontros estaduais e dois regionais que reuniram 2.110 internautas e que garantiram o maior enraizamento e descentralização deste movimento.

Democracia e alto nível político

Em segundo lugar, o evento foi altamente democrático, com total respeito à pluralidade de opiniões existente na rede. As polêmicas foram quentes – principalmente sobre a relação da blogosfera com o governo e sobre a continuidade do movimento. Mas a palavra foi garantida a todos e as inúmeras votações definiram os próximos passos. Ao final, predominou o esforço da construção da unidade na diversidade – sem sectarismo ou visões aparelhistas.

Em terceiro lugar, o II BlogProg propiciou um debate político de alto nível. Além das exposições iniciais do presidente Lula, do ministro Paulo Bernardo e das excelentes contribuições do professor Venício Lima, do jurista Fabio Konder Comparato e da deputada Luiza Erundina, ocorreram 10 oficinas para tratar de variados temas, reuniões de grupo e a plenária final. Esta overdose de debates municiou os blogueiros e ativistas das redes sociais para as futuras batalhas.

Autonomia e legitimidade

Em quarto lugar, o encontro aprovou um plano de ação que permite o fortalecimento do movimento. Ele está centrado na luta pela democratização dos meios de comunicação no Brasil – na luta por um novo marco regulatório do setor, pela implantação do Plano Nacional de Banda Larga e contra qualquer tipo de censura na rede. Ele garante a autonomia da blogosfera, que faz o combate às manipulações da mídia golpista, mas que também critica e pressiona o governo – não tem nada de chapa-branca.

Por último, o II Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas representou um salto na legitimidade deste jovem movimento, que nasceu em agosto de 2010. As presenças de Lula, do ministro Paulo Bernardo, do governador Agnelo Queiroz e de vários parlamentares e lideranças dos movimentos sindical e popular confirmam que a blogosfera se tornou um ator importante no cenário político brasileiro. A “velha mídia” pode choramingar, mas a blogosfera mostrou a sua força. Parabéns a todas e todos!

A NOVA MPB É A QUE ROMPE COM O POPULARESCO


JACKSON DO PANDEIRO - As classes populares sabem fazer música de qualidade, sim.
Por Alexandre Figueiredo

Até agora, o que se viu foi o maniqueísmo mercadológico de duas correntes extremas que se conhece oficialmente como música brasileira.

De um lado, a MPB burguesa que corteja e acolhe o legado produzido ou apreciado pela geração pós-Bossa Nova dos anos 50-60.

De outro, a linhagem brega-popularesca que começou com os primeiros ídolos cafonas da safra 1958-1964 de Waldick Soriano e Orlando Dias (este apadrinhado por Abraão Medina, pai de Roberto "Rock In Rio" Medina) e que, com o tempo, se desdobrou em funqueiros, forrozeiros-bregas, sambregas, breganejos etc.

Enquanto os primeiros são de apreciação quase privativa por parte das elites de classe média alta e nível universitário, os segundos se tornam a força dominante de consumo pelas classes populares ou pela classe média baixa.

Junto a isso, criam-se duas correntes ideológicas que pouco contribuem para a efetivação da cultura brasileira.

Uma é o extremo purismo emepebista, que rejeita a música das classes populares, autêntica ou falsa, sem separar o joio do trigo. Esta corrente quer transformar a MPB numa espécie de Academia Brasileira de Letras musical, onde o que vale é o elitismo pós-Bossa Nova de seguidores de terceira ordem de Tom Jobim.

Outra é a apologia ao brega-popularesco, tido como "a verdadeira MPB" porque lota plateias e estabelece êxitos de ordem econômica ao grande público. São os ditos "sucessos do povão" das FMs dominantes no país e das redes de TV aberta. Essa corrente, que acusa a supracitada de "elitista", acredita que o brega-popularesco é a "salvação" da MPB, transformando a Música Popular Brasileira numa "casa da sogra", onde cabe qualquer um.

É um maniqueísmo que só interessa ao mercado e que nada contribui para a efetivação da verdadeira cultura popular. Mas também tentar juntar o "injustiçado" joio ao trigo das elites até agora também só representou o convívio mercadológico entre as duas forças, mais num processo "fisiológico" do que de uma verdadeira solidariedade sócio-cultural.

"CONFRATERNIZAÇÃO" SEM EFEITO

O convívio "solidário" entre a chamada elite da MPB e os ídolos do brega-popularesco, seja em duetos, covers, tributos ou eventos produzidos por emissoras de rádio e TV, parece à primeira vista algo bonito, conciliador, democrático e libertário.

Mas, além de não deixar marca alguma na nossa música - e, cá para nós, tudo é bonito, mas o resultado é difícil de ouvir (a questão de gosto volta à tona sempre na hora H) - , nada contribui para a renovação da música popular, fora apenas a garantia de mais lucro para o ECAD.

Primeiro, o grande público não vai ouvir o artista da "MPBzona" porque seu ídolo neo-brega regravou sua música ou duetou com o artista. Até porque não terá a necessidade disso, a gravação do ídolo popularesco lhe basta.

Segundo, porque depois da "confraternização" entre MPB e brega-popularesco, tudo cai no esquecimento, até porque a questão do gosto e da estética, tabus entre a intelectualidade, sempre retornam, como fantasmas não-exorcizados, diante do botão de play do toca-CD.

NÃO ADIANTA PROGRAMA TRAINÉE

Assim como não adianta fingirmos crer que a música medíocre dos ídolos brega-popularescos tem sua "boa qualidade que não podemos (sic) compreender", também não adianta adestrar os ídolos das ondas popularescas de pouco tempo atrás para parecerem "MPB de verdade".

Isso foi sintomático quando se trabalhou, já no final dos anos 90, na lapidação de imagem dos ídolos neo-bregas surgidos entre 1990 e 1997. Banhos de loja, de tecnologia, de técnica, de publicidade, tudo isso fez esses ídolos não artistas de verdade, ainda que muitos insistam em tal ideia, mas em tão somente crooners e entertainers profissionais.

Afinal, o repertório desses "artistas" não melhorou em qualidade, com toda a técnica e tecnologia feitas. Pelo contrário, em certos casos há duplas "sertanejas" que passaram a se perderem num ecletismo "urbano" e "juvenil", quando, antes, elas eram apenas bregas e medíocres, mas pelo menos mais sinceras.

Uma coisa é ser entertainer, outra é ser artista. O entertainer pode adotar um espetáculo cênico de primeira, mas sua música pode ser de milésima categoria. Porque, neste caso, o que valem são os efeitos especiais, as luzes, a coreografia e até mesmo o caráter animador do cantor, que pode não fazer música que preste, mas sabe animar a plateia e até contar piadas.

Por isso, por mais que se invista na popularidade desses ídolos, o que se viu com esse programa trainée dos medalhões do brega-popularesco foi apenas torná-los astros profissionais, mas musicalmente continuam não deixando marca alguma no cancioneiro popular brasileiro, por mais que rádios e TVs insistam.

O VERDADEIRO ARTISTA POPULAR

O verdadeiro artista popular fazia música de qualidade. Por isso os nomes do cancioneiro popular brasileiro produzido até 1964 eram de arrepiar. Os nomes são muito conhecidos, e perduram porque deixaram marca nas suas obras.

Não eram artistas que, mesmo autênticos, dependiam da chancela da burguesia para terem reconhecimento. E nem eram artistas que valiam pelo esporte de lotar plateias com rapidez. Mas eram artistas que tinham o compromisso social de produzir conhecimento e valores culturais.

Isso é o que as gerações mais recentes ou mesmo muita gente crescida não consegue entender. Educados pela hipnose da TV aberta, estão tomados com o mundo do espetáculo mercantilista e veem a realidade através dessa ótica televisiva.

NOVA MÍDIA, NOVA CULTURA

Por isso, numa época em que questionamos os desmandos da grande mídia golpista, por que temos que deixar de contestar a "cultura popular" resultante dessa mesma forma de fazer televisão, rádio e jornais?

Seria muito patético se quiséssemos uma nova mídia, mais cidadã e mais plural, e manter a continuidade do projeto brega-popularesco, que não é a cultura popular por excelência, mas uma pseudo-cultura desenvolvida pelo mercado e que, por uma questão de circunstâncias, é consumida e apreciada pelo povo pobre, sem algo melhor que lhe apresente.

Isso colocaria o projeto midiático que queremos na lata do lixo, porque serão os mesmos valores, ídolos, musas, conceitos, métodos da velha mídia que continuarão prevalecendo.

Nada de mentir e dizer que os "sucessos do povão" das FMs de vinte anos atrás só se tornaram sucesso por causa do Twitter ou do YouTube. Eles vieram da mesma grande mídia que condena os movimentos sociais.

Não é coincidência que uma mídia que chama os agricultores do MST de "criminosos" se rende gratuitamente ao tecnobrega. É sinal que o tecnobrega atende a interesses da grande mídia, sim. Como o "funk carioca" atendeu, até explicitamente.

A nova MPB, a nova cultura popular, é aquela que rompe com o popularesco. Não serão os performáticos paulistas prestando tributo ao brega, nem os brega-popularescos "descobrindo" a MPB depois de décadas de carreira medíocre que recolocarão a cultura popular verdadeira nos eixos.

Terão que ser novos rostos, novas ideias, e melodias, ritmos, acordes fortes e mais expressivos. Gente com muito a fazer e muito a dizer, sem depender do marketing, de falsa modéstia, nem da pose de coitadinho justificando o "sucesso" porque é "vítima de preconceito". De gente coitadinha o mercado da publicidade está cheio, cheio.

É isso que a intelectualidade comprada pela indústria cultural tem medo. De haver uma nova geração de músicos que retome o curso da MPB pré-1964 e levar adiante, sem cafonice alguma, ainda que travestida de delírios modernosos ou pseudo-sofisticados.

Mas esses intelectuais terão que enfrentar essa nova realidade, que é a recuperação integral, e não caricata, de nosso patrimônio cultural de mais de 500 anos. E que nunca deveria ter sido empastelado nem diluído a bel prazer pelo mercado.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

CARTÉIS DA MÍDIA E ENTRETENIMENTO: POR QUE NINGUÉM VIU CAIR A FICHA?


MARCELO MADUREIRA E HÉLIO DE LA PEÑA, DIANTE DO ÔNIBUS DA "SUBVERSIVA" BANDA CALYPSO.

Por Alexandre Figueiredo

Até quando vamos ver uma parte da intelectualidade tentando vender, na mídia esquerdista, uma visão de "cultura popular" tipicamente de direita? Mesmo o papo "tecnológico", supostamente atribuído às "pequenas mídias", não é mais do que a aplicação do discurso neoliberal relacionado à informática e à globalização.

Num país com pouco hábito de leitura, cria-se um sutil contraste entre a realidade sócio-política do Pará, marcada por intenso conflito de terras, e a realidade sócio-cultural no mesmo Estado, que mais parece uma tradução tosca do Paraíso bíblico.

E ninguém percebe, feliz por ver que as revoltas sociais ocorrem lá longe, pelo Oriente Médio, enquanto aqui reina-se na santa paz do "créu", do "rebolation", do "tecnobrega". O povo pobre, reduzido a bobos da corte do cartel midiático, parece "mais feliz". A classe média "ilustrada" dorme tranquila, certa de que tais "bobos da corte" não vão lhe assaltar nas ruas nem irão promover saques em supermercados.

Como as recentes lutas pela democratização das Comunicações irão fazer para superar a mesmice sócio-cultural promovida pelo cartel midiático, se ela é corroborada por uma intelectualidade ainda influente, dotada de grande visibilidade, é um problema que poucos têm coragem para resolver.

Afinal, não é coincidência alguma que a grande mídia caiu de amores aos supostamente incômodos "funk carioca" e tecnobrega. Praticamente toda a mídia golpista, a mesma que condena os movimentos sociais e envenena seu jornalismo com preconceitos reacionários, aderiu comodamente a esses dois ritmos, como aderiu de peito aberto a qualquer tendência brega-popularesca.

Só que a visão oficial é que essa suposta "cultura popular", por mais que esteja entre as mais tocadas nas maiores FMs nacionais e regionais do país, por mais que seja figurinha fácil nas redes de televisão e apareça nas primeiras páginas dos jornais dominantes em várias partes do Brasil, tem seu sucesso atribuído às "pequenas mídias".

A partir dessa visão, cria-se uma ideia falsa de que a intervenção da grande mídia é "acidental" ou "oportunista", ou que os ídolos popularescos é que "invadiram" a grande mídia numa suposta conspiração.

Na primeira hipótese, a grande mídia é reduzida a mera e inocente divulgadora dos ídolos popularescos. Como se a mediocridade artístico-cultural não tivesse tido o interesse midiático que se via há décadas.

Na segunda hipótese, os ídolos popularescos, normalmente ingênuos e submissos ao mercado, são "promovidos" a supostos "rebeldes" a ameaçar os interesses dos executivos midiáticos. Mas neste caso a hipótese é ainda mais delirante, porque não há como imaginar uma subversão diante de tantos rostos felizes nos programas de auditório da grande mídia.

CARNEVALE: "INVERSÃO" PROVISÓRIA DE VALORES COMPORTAMENTAIS

A ideologia brega-popularesca transforma a ideia de cultura popular num processo de manipulação de valores, costumes e hábitos. Estes são submetidos a uma lógica de mercado, como um processo feito propositalmente pelos barões da grande mídia para neutralizar o repúdio que ela recebe quando propaga seus valores conservadores e seus métodos reacionários.

Como no raciocínio do carnevale da Idade Média, a "cultura popular" trabalhada pela grande mídia goza de uma "liberdade" e de um caráter "jocoso", numa libertação de instintos comportamentais, invertendo relativa e provisoriamente os padrões rígidos de moral conservadora, apenas para fazer liberar a catarse coletiva.

Por isso o brega-popularesco não assusta a grande mídia. Cria-se um "espaço" de "liberação" dos instintos, mercadologicamente calculada através de um processo ideológico trabalhado pela grande mídia e pelas oligarquias do entretenimento que controlam as ditas "pequenas mídias" (eufemismo para mídias regionais): até canais do YouTube e serviços de auto-falantes são controlados por essas oligarquias, ou, quando menos, por seus capatazes.

GOSTAR É O DE MENOS. ALIÁS, QUEM É QUE REALMENTE GOSTA?

A questão de gostar ou não de brega-popularesco é o aspecto que menos importa. É muito fácil dizer: "você não gosta de fulano, mas tem que aceitá-lo". Mas na verdade, o que se quer dizer com isso é "você não gosta de fulano, mas ele é uma máquina de fazer dinheiro".

Afinal, quem é que realmente gosta de um grupo com o nome de Calcinha Preta? Ou quem é que gosta de cantores ou grupos de "pagode romântico" que só tentam fazer algo parecido com samba sério depois de 20 anos de carreira? Ou de ídolos "sertanejos" que na última hora "descobrem" a poesia do Clube da Esquina?

O próprio gosto foi condicionado pela grande mídia. Desde as rádios do interior controladas pelo latifúndio e por "caciques" políticos locais até as grandes emissoras de TV, e durante cenários políticos conservadores que variavam do regime militar à Era FHC. E que se intensificou nos anos 90 através dos efeitos das concessões de rádio de Sarney e ACM, cujo desenho midiático se fez durante a Era Collor?

É a partir desse quadro que se condicionou o dito "gosto popular" que muitos dizem ser "espontâneo" e "autossuficiente". Mas que mostra um padrão de classes populares domesticado, caricato e estereotipado, além de culturalmente "colonizado".

Quando esse povo é induzido a "produzir" bens e valores culturais, é dentro de uma lógica fordista da "linha de montagem". Cria-se um "forró eletrônico" através de "pedaços" de ritmos estrangeiros assimilados de forma submissa. Como na indústria automobilística, monta-se um produto "nacional" a partir de peças vindas do estrangeiro.

Mas não há valores sociais transformadores, nem transmissão de conhecimento, como víamos na cultura das classes pobres do pré-1964. O que há é tão somente a produção de bens de consumo musicais ou comportamentais - como a imprensa "popular" e as musas calipígias - que movimentam uma indústria que nada tem de pequena.

E que se trata de uma indústria que se associa, com gosto, aos cartéis da grande mídia. A mesma que bate pesado nos movimentos sociais. Por que então ninguém ainda viu cair a ficha dessas manobras da indústria cultural brasileira?

domingo, 19 de junho de 2011

PATRIMÔNIO MATERIAL E IMATERIAL DE BARRETOS EM DEBATE



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Manifestações culturais da cidade de Barretos, no interior de São Paulo, tradicionais há séculos, estão ameaçados de serem extintos. O município carece de uma política cultural autêntica. Por outro lado, prefere explorar a estética country das vaquejadas - apoiadas pelo latifúndio paulista - , como se fosse "nossa tradição cultural". Não é. É só mercado.

Patrimônio material e imaterial de Barretos em debate

Dança do Vilão e de São Gonçalo, do foclore regional, estão ameaçadas de extinção

Do Jornal Brasil Atual

“Barretos tem um potencial gigantesco de economia da cultura. Mas o que falta é a produção cultural” – diz José Geraldo Resende, 50 anos, bacharel em interpretação de teatro e presidente do Conselho Municipal de Cultura. “É preciso pensar uma política cultural para o município, que é diferente de um plano de eventos.” – completa ele.

A Lei que dispõe sobre o Sistema Municipal de Cultura está em vigor desde novembro de 2009. Porém, os artistas e agentes culturais esperam que até julho a Prefeitura assine o protocolo do Sistema com o Governo Federal. Tal fato dá condições ao município para receber recursos. Entretanto, é preciso definir o custo do Plano Municipal.

De acordo com José Geraldo, que representa também o Instituto João Falcão, é necessária a montagem da “governança” na área. Ele defende a volta da Secretaria Municipal de Cultura, atualmente, um departamento da Secretaria de Assistência Social e Desenvolvimento Humano. Os dirigentes só pensam na área de “fruição”, mas como o povo pode ter acesso a sua cultura se ele não se vê – argumenta. E lembra a necessidade da realização de fóruns das várias áreas para debater a questão.

José Geraldo Resende alerta para a morte do folclore na cidade, como a congada, dança do Vilão, dança de São Gonçalo, entre outras manifestações. “Precisamos recuperar e fortalecer os elementos da sociedade que desenvolvem essas manifestações, dando-lhes condições de trabalho”. A cidade carece de espaços culturais – sustenta José Geraldo Resende. A utilização do Prédio do Antigo Fórum, na esquina da Avenida 15 com a Rua 18, para abrigar a Biblioteca Municipal no térreo e criar o Arquivo Municipal Histórico no andar superior é uma das ideias propostas. “O arquivo morto do Judiciário de Barretos está em Jundiaí, não se sabe em que condições” – revela.

Artistas e agentes são convidados para debater os problemas culturais nas reuniões do Conselho Municipal, realizadas nas primeiras segundas-feiras de cada mês, às 16 horas, na Casa dos Conselhos, na Avenida 23, número 1135, entre as Ruas 26 e 28. O Plano Municipal de Cultura deverá ser revisado no início de 2012, segundo deliberação do Conselho atual.

A COPA DE 2014 E A LIMPEZA IMOBILIÁRIA DOS QUE ATRAVANCAM OS NEGÓCIOS



COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: E ainda tem gente que quer canonizar Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho. Tudo para aparecer em fotos ao lado de Pelé, Bernardinho, Carlos Arthur Nuzman, quiçá João Havelange... Para esse pessoal, bombeiro tem mesmo é que ganhar só R$ 950 e se virar. Eles não fazem parte do "espetáculo" politiqueiro de 2014 e 2016, apesar do serviço valioso que desempenham na sociedade...

A Copa de 2014 e a limpeza imobiliária dos que atravancam os negócios

Por Carla Hirt, professora universitária

"Aqui no Rio de Janeiro estamos passando por um processo crítico de total desrespeito à legislação urbana, em função das obras para a Copa e Olimpíada. Coisas muito semelhantes estão acontecendo ai em Porto Alegre, como remoções de pessoas (exclusivamente de baixo poder aquisitivo), mandando-as para os confins mais afastados da cidade para deixar a paisagem das áreas centrais "limpas".

A pobreza está deixando de ser tratada como problema social e se tornando só uma questão paisagística a ser resolvida com remoções. Isso está documentado em consultorias que a prefeitura do Rio encomendou de planejadores urbanos de Barcelona (ou seja, é legitimado pelo Estado), e está acontecendo também em várias cidades por onde ocorrerão os megaeventos.

Segue anexa uma fotografia que uma aluna minha tirou, no Rio de Janeiro (da localidade de Campinho, entre Madureira e Cascadura), que ilustra um pouco dos conflitos urbanos que estão acontecendo em função do território de exceção que se instaurou por aqui.

Os movimentos organizados aqui no Rio (e aí em Porto Alegre também) estão preocupados e esperançosos em função da quase inexistente repercussão que estão tendo os despejos e os conflitos que estão acontecendo (pois são abafados pelo furor em função dos jogos e pela expectativa de investimentos que as cidades vão receber - esquecendo das dívidas que estas cidades estão contraindo com infraestrutura que só vai servir para os grandes investidores, à custa do erário público)".
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