terça-feira, 30 de novembro de 2010

BLOGUEIROS PROGRESSISTAS EM DESCONTRAÇÃO





Por Alexandre Figueiredo

Jornalismo sério requer um bom senso de humor.

Senso de humor que o comediante Marcelo Madureira não tem.

O casseta se esquece, às vezes, de que é comediante, e faz comentários ranzinzas para defender seus enferrujados pontos de vista.

Daí que até o orkuteiro que fez comunidade em homenagem ao Casseta & Planeta pediu para boicotar o programa.

O que deu certo. O programa acabou e os cassetas ficarão uns seis meses na geladeira.

Se um orkuteiro que admirava os cassetas se irritou com o reacionarismo do "guerreiro bombeiro", do "coisinha de jesus" que não dança conforme a atual música brasileira, imagine quem nunca gostou dos cassetas.

O que falta no Marcelo Madureira sobra nos blogueiros progressistas.

Luís Nassif é jornalista econômico, mas não é urubólogo. Além disso, adota uma linguagem didática e tem simpatia e senso de humor.

Seus colegas seguem o mesmo caminho.

Vemos aqui o Senhor Cloaca, que com sua simpatia e descontração, chega a impressionar até mesmo um fotógrafo de O Globo.

O fotógrafo, talvez, tenha um perfil que não corresponde necessariamente à opinião do jornal. Ele apenas faz seu trabalho, é contratado pelo PiG, mas faz parte da prole.

Rodrigo Vianna, por sua vez, aparece tirando o sarro dos barões da grande mídia, mostrando o tal "chapabranquismo" ao lado de Marco Aurélio Mello (não é o do Judiciário), outro blogueiro, responsável pelo blog Doladodelá.

O "chapabranquismo" foi um fenômeno tirado da estéril imaginação dos barões do PiG, supostamente relacionado aos blogueiros que se reuniram, física ou digitalmente, com o presidente Lula, naquela histórica entrevista que envergonhou a velha grande imprensa.

Vemos também Paulo Henrique Amorim, que com simpatia e senso de humor escreveu seus artigos e reportagens sobre a ocupação do Complexo do Alemão pela polícia.

O mesmo Paulo Henrique Amorim, que sabe que o dever de informar, além da honestidade e do profissionalismo, deve constar de simpatia, que é a melhor forma de respeitar o espectador e o internauta.

E ele mesmo, no seu blog Conversa Afiada, adota tiradas humorísticas de fazer o "carnavalesco man" do Casseta & Planeta chorar copiosamente. De preferência, nos ombros de seus coleguinhas do Instituto Millenium.

Os blogueiros progressistas vivem sob as bênçãos de Apparicio Torelly, o Barão de Itararé.

Até a doçurinha da Flávia Jannuzzi, da Rede Globo, sem querer prestou tributo ao grande Apporelly, chamando o Largo do Itararé, no Complexo do Alemão, de Largo Barão de Itararé.

Barão de Itararé, padrinho do Centro de Estudos de Midia Alternativa Barão de Itararé, foi um humorista que, no fundo, praticava jornalismo sério.

Porque jornalismo sério não é aquele que veste terno e gravata e anuncia índices econômicos e só fala de cúpulas de Estado.

Jornalismo sério é aquele que respeita a sociedade.

Paulo Henrique, Cloaca, Rodrigo, Miro, Azenha, são alguns dos cavaleiros do grande exército Blogoleone - incluindo outros blogueiros do Blogoleone - que agitam a Internet e tiram o sono outrora tranquilo dos barões da grande mídia.

Hoje tem Casseta & Planeta. Mantenham as crianças fora. O Madureira vem das profundezas sombrias do PiG.

Só Ali Kamel, Merval Pereira, Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo etc e nomes como Joelma & Chimbinha (Banda Calypso), estão solidários a ele.

Mas o público que antes via os cassetas agora vai pra cama mais cedo. Ou muda de canal. Ou desliga a tevê.

A blogosfera progressista marca mais um ponto ao superar em humor os próprios cassetas.

DONOS DA MÍDIA ESTÃO NERVOSOS


COMENTÁRIO DESTE BLOG: Renato Rovai contou em palestra que a grande mídia está tão nervosa com a perda de seu poder hegemônico, devido à influência crescente dos blogueiros progressistas, que a Veja, num ensaio de "caça às bruxas" mais frouxa, numa espécie de macartismo de botequim, tentou saber dele sobre as articulações que fizeram os blogueiros progressistas marcarem uma entrevista com o presidente Lula.

Laurindo Leal: Donos da mídia estão nervosos

A Veja andou atrás do blogueiro Renato Rovai querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.

Por Laurindo Lalo Leal Filho - Agência Carta Maior - Reproduzido também no blog Viomundo

O blogueiro Renato Rovai contou durante o curso anual do Núcleo Piratininga de Comunicação, realizado semana passada no Rio, que a Veja andou atrás dele querendo saber como foi feita a articulação para que o presidente Lula concedesse uma entrevista a blogs de diferentes pontos do Brasil. Estão preocupadíssimos.

À essa informação somam-se as matérias dos jornalões e de algumas emissoras de TV sobre a coletiva, sempre distorcidas, tentando ridicularizar entrevistado e entrevistadores.

O SBT chegou a realizar uma edição cuidadosa daquele encontro destacando as questões menos relevantes da conversa para culminar com um encerramento digno de se tornar exemplo de mau jornalismo.

Ao ressaltar o problema da inexistência de leis no Brasil que garantam o direito de resposta, tratado na entrevista, o jornal do SBT fechou a matéria dizendo que qualquer um que se sinta prejudicado pela mídia tem amplos caminhos legais para contestação (em outras palavras). Com o que nem o ministro Ayres Brito, do Supremo, ídolo da grande mídia, concorda.

Jornalões e televisões ficaram nervosos ao perceberem que eles não são mais o único canal existente de contato entre os governantes e a sociedade.

Às conquistas do governo Lula soma-se mais essa, importante e pouco percebida. E é ela que permite entender melhor o apoio inédito dado ao atual governo e, também, a vitória da candidata Dilma Roussef.

Lula, como presidente da República, teve a percepção nítida de que se fosse contar apenas com a mídia tradicional para se dirigir à sociedade estaria perdido. A experiência de muitos anos de contato com esses meios, como líder sindical e depois político, deu a ele a possibilidade de entendê-los com muita clareza.

Essa percepção é que explica o contato pessoal, quase diário, do presidente com públicos das mais diferentes camadas sociais, dispensando intermediários.

Colunistas o criticavam dizendo que ele deveria viajar menos e dar mais expediente no palácio. Mas ele sabia muito bem o que estava fazendo. Se não fizesse dessa forma corria o risco de não chegar ao fim do mandato.

Mas uma coisa era o presidente ter consciência de sua alta capacidade de comunicador e outra, quase heróica, era não ter preguiça de colocá-la em prática a toda hora em qualquer canto do pais e mesmo do mundo.

Confesso que me preocupei com sua saúde em alguns momentos do mandato. Especialmente naquela semana em que ele saía do sul do país, participava de evento no Recife e de lá rumava para a Suíça. Não me surpreendi quando a pressão arterial subiu, afinal não era para menos. Mas foi essa disposição para o trabalho que virou o jogo.

Um trabalho que poderia ter sido mais ameno se houvesse uma mídia menos partidarizada e mais diversificada. Sem ela o presidente foi para o sacrifício.

Pesquisadores nas áreas de história e comunicação já tem um excelente campo de estudos daqui para frente. Comparar, por exemplo, a cobertura jornalística do governo Lula com suas realizações. O descompasso será enorme.

As inúmeras conquistas alcançadas ficariam escondidas se o presidente não fosse às ruas, às praças, às conferências setoriais de nível nacional, aos congressos e reuniões de trabalhadores para contar de viva voz e cara-a-cara o que o seu governo vinha fazendo. A NBR, televisão do governo federal, tem tudo gravado. É um excelente acervo para futuras pesquisas.

Curioso lembrar as várias teses publicadas sobre a sociedade mediatizada, onde se tenta demonstrar como os meios de comunicação estabelecem os limites do espaço público e fazem a intermediação entre governos e sociedade.

Pois não é que o governo Lula rompeu até mesmo com essas teorias. Passou por cima dos meios, transmitiu diretamente suas mensagens e deixou nervosos os empresários da comunicação e os seus fiéis funcionários, abalados com a perda do monopólio da transmissão de mensagens.

Está dada, ao final deste governo, mais uma lição. Governos populares não podem ficar sujeitos ao filtro ideológico da mídia para se relacionarem com a sociedade.

Mas também não pode depender apenas de comunicadores excepcionais como é caso do presidente Lula. Se outros surgirem ótimo. Mas uma sociedade democrática não pode ficar contando com o acaso.

Daí a importância dos blogueiros, dos jornais regionais, das emissoras comunitárias e de uma futura legislação da mídia que garanta espaços para vozes divergentes do pensamento único atual.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

CRÔNICA DE UM PAÍS DO MACHISMO ENRUSTIDO


Fabiana Scaranzi (E) se casou com um empresário. Se você não tem empresa, pode até pegar a Karol Loren. Mas aguente a trilha sonora.

Por Alexandre Figueiredo

Fabiana Scaranzi, que apresenta o Domingo Espetacular da Rede Record ao lado do jornalista-blogueiro Paulo Henrique Amorim, um dos cavaleiros digitais do Barão de Itararé, está casada.

E casada com um empresário que se veste à maneira dos granfinos dos anos 70. Bem ao gosto dos tucanos.

Mas, se você não é empresário nem profissional liberal, mas um rapaz pacato, trabalhador, modesto, em certos casos vivendo com os pais, e sente falta de um grande amor, então o melhor é ficar sozinho.

Ou então, na "melhor" das piores hipóteses, pode pegar a outra moça no arquivo acima, Karol Loren.

Bonitinha, faz faculdade, quer ser designer, tem um corpão.

Só tem um gravíssimo defeito: é dançarina do tenebroso conjunto É O Tchan (*).

Karol Loren, a moça em questão, quer ser comportada, decente, inteligente e independente.

Criou até um sítio na Internet para isso.

Mas como pode fazer isso, se a pior de todas as atitudes ela escolheu fazer, que é servir ao popularesco mais grosseiro, mais rasteiro e mais hipócrita, que é ser dançarina do abominável conjunto É O Tchan, um dos pilares do machismo brasileiro?

Mal comparando, seria como se um militante dos direitos humanos estivesse filiado a uma organização fascista.

Ela quer ser emancipada tal qual uma militante feminista, mas decide entrar para um grupo machista que não é mais do que uma armação, que como grupo de samba é ruim da cabeça e doente do pé?

No É O Tchan, o serviço dela é justamente servir para a perpetuação dos valores machistas que tratam as mulheres que nem objeto.

Karol Loren pode ser aluna aplicada na faculdade, mas nada que a torne uma nova Hermione Grangier, a charmosa mocinha de Harry Potter.

Mas, no Tchan, Karol Loren é apenas um par de glúteos sacolejantes, o papel dela é tão somente de mulher-objeto, mulher coisificada, vulgar, de péssima reputação.

Alan Touraine, que viu "perigo" no governo Dilma, acha ótimo que fulano desempenhe uma identidade progressista num lugar e uma identidade reacionária em outro.

A aspirante a designer deixa de ser o que ela quer ser, quando entra no palco com o repugnante conjunto. Que nunca deveria ter voltado, seja com que formação for.

O É O Tchan transformou o adolescentismo do Xou da Xuxa num circo de odaliscas vestidas de porno-paquitas e abriu o caminho para a pornografia piorada do "funk carioca".

Transformou a curiosidade sexual das crianças numa libertinagem sem controle, jogando os meninos para o estupro e as meninas para a prostituição, nas suas vidas adultas, e todos para a AIDS e as drogas.

O É O Tchan encontrou brechas na carência da educação familiar e na confusão de valores sociais e morais num país ainda marcado pela corrupção e pela impunidade.

A ditadura militar foi ruim e abominável, mas pelo menos, naquela época, um disco do É O Tchan sairia com o aviso de "Proibido para menores de 18 anos".

Pior, pessoas de bem são expostas a glúteos indo em close para suas caras. Como se quisessem peidar nos rostos inocentes e carentes de respeito.

E quem é homem pacato, simples, que ama uma mulher por amor, e não para mostrar a seus colegas ou subordinados da empresa, é castigado no mercado da vida amorosa.

Pois, fora as poucas mulheres com conteúdo (sem trocadilhos) que restam solteiras, a maior parte das moças que restam são as marias-coitadas e as boazudas.

As marias-coitadas, menos atrativas, dotadas de sentimentos piegas e apegadas ao brega mais romântico.

As boazudas, cuja maior missão na vida é mostrar suas "generosas" formas físicas.

Em ambos os casos, a solidão é a companheira ideal dos homens pacatos.

Os homens pacatos não são machistas.

Por isso não querem namorar mulheres que servem ao machismo.

Tais homens querem mulheres para trocar ideias, bater papo, construir um futuro para suas vidas.

Como é que vão construir algum futuro com mulheres infantilizadas ou com mulheres que se destacam apenas pela imagem de "gostosonas" sem oferecer algo além disso?

A vida vai muito além das ilusões do espetáculo brega-romântico e da ostentação corporal em noitadas, praias e ensaios de escolas de samba.

Talvez a vida nem esteja mesmo nesses espetáculos da pieguice e da vaidade extremas.

Como romper o machismo com mulheres que parecem ser educadas sob seus princípios?

Existem homens que não são machistas.

E que por isso não podem ser reféns de quem é machista.

Enquanto não surge uma nova Fabiana Scaranzi entre as solteiras, para botar moral nas calipígias pseudo-feministas, o melhor é ficar sozinho.

Deve rolar mais uma reprise dos desenhos do Pica-Pau, para os homens pacatos curtirem a solidão à base de biscoitos e bebida láctea.

É mais do mesmo, mas é mais divertido.

Melhor a diversão solitária em casa, do que o tédio nas boates mal-acompanhado.

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(*) O É O Tchan é pouco recomendado para a vovó e para o netinho, sendo um grupo abominável dos 8 aos 80. O É O Tchan é impróprio para a vovó, porque é pornográfico e pode causar problema no coração. O É O Tchan é impróprio para o netinho, porque seu erotismo exagerado e grosseiro pode criar desvios de conduta moral e controle dos desejos sexuais na idade adulta.

O É O Tchan é machista, mas suas dançarinas pensam que ser feminista é não contar com o sustento de maridos ou namorados. Dizem que não têm namorados porque está difícil arrumar homens, quando na verdade é porque está difícil arrumar horários para conhecer os homens que são pretendentes. Que, certamente, não sou eu nem você, no caso de você ser um leitor masculino. Nós queremos mulheres realmente de conteúdo, sem qualquer trocadilho pornográfico.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

VASAMENTO DE MENSAGENS CAUSA CRISE DIPLOMÁTICA GLOBAL



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Uma das mais sérias crises políticas internacionais pode estar acontecendo, com a divulgação pelo Wikileaks de dados sigilosos do Departamento de Estado dos EUA. Duas revelações, como as pressões árabes pela realização de ataques aéreos contra o Irã e as instruções que funcionários de embaixadas dos EUA receberam para espionar líderes das Nações Unidas, já mostram que as tensões internacionais continuam fortes desde os tempos da Guerra Fria de 50 anos atrás.

Vazamento de mensagens causa crise diplomática global

US embassy cables leak sparks global diplomatic crisis

28/11/2010, do jornal britânico Guardian

Tradução do coletivo da Vila Vudu, com colaboração do Viomundo

Os EUA foram lançados em uma crise diplomática mundial com o vazamento, para o jornal britânico Guardian e outros veículos internacionais, de mais de 250 mil telegramas secretos de embaixadas dos EUA, alguns dos quais enviados em fevereiro de 2010.

Na primeira matéria de uma série sobre telegramas diplomáticos diários enviados pelas embaixadas dos EUA e classificados como “secretos” o Guardian já pode informar que líderes árabes têm pressionado privadamente em defesa de ataque aéreo contra o Irã e que funcionários de embaixadas dos EUA receberam instruções para espionar líderes da ONU.

Essas duas primeiras revelações já reverberam em todo o mundo. Mas os telegramas secretos aos quais WikiLeaks teve acesso também revelam avaliações feitas por Washington sobre várias outras questões internacionais altamente sensíveis.

Entre os telegramas vazados há notícias de importante alteração nas relações entre China e República Popular Democrática da Coreia, sobre a crescente instabilidade no Paquistão e detalhes dos esforços clandestinos dos EUA para combater a al-Qaeda no Iêmen.

Dentre centenas de outras revelações que causarão furor em todo o mundo, os telegramas detalham:

• Grave temor em Washington e Londres sobre a segurança do programa nuclear do Paquistão, com autoridades alertando que enquanto o país corre o risco de colapso econômico, funcionários públicos poderiam contrabandear material nuclear suficiente para terroristas construirem a bomba;

• Suspeitas de corrupção no governo afegão, com um telegrama alegando que o vice-presidente Zia Massoud estava carregando 52 milhões de dólares em dinheiro quando foi parado durante uma visita ao Emirados Árabes Unidos. Massoud nega que tenha tirado dinheiro do Afeganistão.

• Como os ataques de hacker que forçaram o Google a abandonar a China em janeiro foram orquestrados por um membro importante do Politburo, que deu uma busca com seu nome na versão global do buscador e encontrou artigos que o criticavam pessoalmente.

• A extraordinariamente próxima relação entre Vladimir Putin, o primeiro-ministro russo, e Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro italiano, que está causando intensa suspeição nos Estados Unidos. Os telegramas detalham de supostos “presente suntuosos” a contratos lucrativos no setor de energia e o uso, por Berlusconi, de um sombrio italiano que fala russo como intermediário.

•  Alegações de que a Rússia e seus serviços de inteligência estão usando chefes da máfia para praticar operações criminosas, com um telegrama falando que a relação é tão próxima que o país se tornou “um virtual estado mafioso”.

• Críticas devastadoras das operações militares britânicas no Afeganistão por comandantes militares dos Estados Unidos, pelo presidente afegão e por autoridades locais de Helmand. Os despachos revelar desprezo particular pelo fracasso de dar segurança a Sangin — a cidade que custou mais baixas britânicas que qualquer outra no país.

• Declarações imprópria de um integrante da família real britânica sobre uma agência de segurança do Reino Unido e um país estrangeiro.

Os EUA têm contatos particularmente íntimos com a Grã-Bretanha e alguns dos telegramas saídos da embaixada de Londres em Grosvenor Square serão lidos com extremo desconforto em Whitehall e Westminster. Incluem desde sérias críticas políticas contra David Cameron até pedido para que a embaixada fornecesse informações especiais de inteligência sobre membros do Parlamento britânico.

O arquivo de telegramas inclui denúncias específicas de corrupção contra líderes estrangeiros, e duras críticas, feitas pelo pessoal diplomático de embaixadas dos EUA, aos governantes de países onde estão instaladas, desde pequenas ilhas do Caribe até a China e a Rússia.

O material inclui uma referência a Vladimir Putin como “um cão alfa”, a Hamid Karzai como doido, “homem de reações paranóicas” e a Angela Merkel, da qual os norte-americanos dizem que “evita riscos e raramente tem alguma ideia criativa”. E há telegrama em que Mahmoud Ahmadinejad é comparado a Adolf Hitler.

Os telegramas incluem nomes de países envolvidos no financiamento de terroristas e descreve “quase desastre ambiental” há cerca de um ano, com uma carga de urânio enriquecido de um “estado bandido” [ing. “rogue state”]. Há telegramas em que se expõem detalhadamente negociações secretas entre EUA e Rússia sobre um míssil nuclear em Genebra; há também um perfil do líder líbio Muammar Gaddafi, o qual, segundo diplomata dos EUA, andaria por toda parte acompanhado de uma “voluptuosa loira” enfermeira ucraniana.

Os telegramas cobrem as atividades da secretária de Estado Hillary Clinton no governo Obama, e há milhares de arquivos do governo de George Bush. A secretária Clinton comandou pessoalmente essa semana uma tentativa frenética de limitação de danos em Washington, preparando governos estrangeiros para as revelações. Contatou líderes na Alemanha, Arábia Saudita, no Golfo, na França e no Afeganistão.

Embaixadores dos EUA em outras capitais foram instruídos a informar antecipadamente seus respectivos hospedeiros sobre os vazamentos e sobre relatos pouco lisonjeiros ou relatórios cruamente francos de transações entre eles e os EUA, que foram escritos para serem mantidos sob eterno sigilo. Washington enfrenta agora a difícil tarefa de convencer contatos em todo o mundo de que, no futuro, alguma conversação será mantida sob regras confiáveis de sigilo.

“Estamos nos preparando para o que vier e condenamos WikiLeaks pela divulgação de material secreto”, disse o porta-voz do departamento de Estado PJ Crowley. “Porão sob ameaça vidas e interesses. É atitude irresponsável”.

O conselheiro jurídico do Departamento de Estado escreveu ao fundador de Wikileaks Julian Assange e a seu advogado londrino, advertindo que os telegramas foram obtidos por meios ilegais e que a divulgação geraria risco a vida de incontáveis inocentes (…) a operações militares em andamento (…) e à cooperação entre países”.

O arquivo eletrônico contendo os telegramas diplomáticos de embaixadas dos EUA em todo o mundo, ao que se sabe, foi recolhido por um soldado norte-americano no início do ano e entregue a WikiLeaks. Assange repassou o arquivo ao jornal britânico Guardian e a quatro outros jornais: o New York Times, Der Spiegel na Alemanha, Le Monde na França e El País na Espanha. Os cinco jornais planejam publicar excertos dos telegramas mais significativos, mas decidiram nem divulgar o arquivo completo nem publicar nomes que ponham em risco a vida de indivíduos inocentes. WikiLeaks diz que, ao contrário do que teme o departamento de Estado, também planeja divulgar só alguns excertos de telegramas e encobrir as identidades.

Os telegramas divulgados hoje revelam como os EUA usam suas embaixadas como parte de uma rede global de espionagem, com diplomatas encarregados de arrancar não só informações dos seus contatos, mas também detalhes pessoais, como números e detalhes de cartões de créditos, de telefones e, até, material para exames de DNA.

Instruções secretas sobre “inteligência humana” assinadas por Hillary Clinton ou sua antecessora, Condoleeza Rice, instruem os funcionários a reunir informações sobre instalações militares, detalhes de armas e veículos de líderes políticos, além de scans de íris, impressões digitais e DNA.

Os mais controversos alvos dessas ações são os líderes da ONU. Essa específica instrução exigia especificação de “sistemas de telecomunicações e de tecnologia de inteligência usados pelos mais altos funcionários da ONU e respectivas equipes e detalhes das redes VIP privadas usadas para comunicação oficial, incluindo upgrades, medidas de segurança, senhas e chaves pessoais de decodificação”.

Quando o Guardian informou Crowley sobre o conteúdo dos telegramas específicos, o porta-voz do departamento de Estado disse: “Permita-me garantir a você: nossos diplomatas são apenas isso, diplomatas. Não se envolvem em atividades de inteligência. Representam nosso país em todo o mundo, mantêm contatos abertos e transparentes com outros governos e com figuras do mundo privado e reportam ao nosso governo. É o trabalho dos diplomatas há centenas de anos.”

Os telegramas também lançam luz sobre questões diplomáticas mais antigas. Um telegrama, por exemplo, revela que Nelson Mandela ficou “furioso” quando um alto conselheiro impediu que ele se encontrasse com Margaret Thatcher para explicar por que o Conselho Nacional Africano tinha objeções à política britânica de “engajamento construtivo” com o regime do apartheid.

“Entendemos que Mandela desejasse muito encontrar-se com Thatcher, mas [o secretário Zwelakhe] Sisulu argumentou persuasivamente contra o encontro”, segundo o telegrama. E continua: “Mandela já várias vezes dissera o quanto desejava encontrar-se com Thatcher para manifestar as objeções co CNA à política britânica. Surpreendeu-nos portanto que o encontro não tenha acontecido em sua visita a Londres em meados de abril e desconfiamos que os linhas-duras do CNA intrometeram-se nos planos de Mandela”.

Os telegramas diplomáticos dos EUA levam a marca “Sipdis” – secret internet protocol distribution. Foram compilados como parte de um programa que seleciona telegramas considerados moderadamente secretos, mas que podem ser partilhados com outras agências e os descarrega automaticamente nos websites protegidos das embaixadas, e linkados com o sistema de internet Siprnet militar.

São classificados em vários níveis, até “SECRET NOFORN” [ing. no foreigners, “proibidos para estrangeiros”]. Mais de 11 mil telegramas são marcados como “secretos e cerca de 9,000 são “noforn”. As embaixadas de origem da maioria dos telegramas são Ancara, Bagdá, Amã, Kuwait e Tóquio.

Mais de 3 milhões de funcionários e soldados norte-americanos, muitos deles extremamente jovens, têm credencial que lhes dá possibilidade de acesso a esse material, apesar de os telegramas conterem nomes e identificação de informantes estrangeiros e contatos considerados sensíveis em regimes ditatoriais. Alguns dos telegramas são identificados como “protegido” ou “estritamente protegido”.

Na primavera passada, um analista de inteligência de 22 anos, Bradley Manning, foi acusado de ter vazado muitos desses telegramas, junto com um vídeo em que se via a tripulação de um helicóptero Apache matando dois repórteres da agência Reuters em Bagdá, em 2007; material que, depois, foi distribuído por WikiLeaks. Manning está preso e é provável que seja julgado por uma corte marcial. (…)

Um ex-hacker, Adrian Lamo, que denunciou Manning às autoridades norte-americanas, disse que o soldado lhe dissera, em mensagens por chat, que os telegramas diplomáticos mostravam “como o primeiro mundo explora o terceiro, em detalhes”.

Disse também, segundo Lamo, que Clinton “e vários milhares de diplomatas em todo o mundo vão ter um ataque do coração quando acordarem, um belo dia, e descobrirem que todo o arquivo de toda a política externa está acessível ao grande público, em formato que permite pesquisas” (…) “onde quer que haja um posto norte-norteamericano, ali há um escândalo diplomático que será revelado”.

Perguntado sobre por que material tão sensível circulava em rede acessível a milhares de funcionários do governo, o porta-voz do departamento de Estado disse ao Guardian: “Os ataques de 11/9 e o período imediatamente posterior revelaram falhas no sistema de distribuição de informações dentro do governo. Desde os ataquea de 11/9, o governo dos EUA tomou medidas para facilitar significativamente a partilha de informações. Esses esforços visaram a oferecer aos especialistas da diplomacia, aos militares e aos agentes de inteligência e da justiça acesso mais rápido e mais fácil a mais dados, para que pudessem fazer seu trabalho com mais eficácia”.

E acrescentou: “Temos tomado medidas agressivas nas últimas semanas e meses para aumentar a segurança de nossos sistemas e para evitar vazamento de informações”.

Quer ajudar a pesquisar o que é dito sobre o Brasil nos arquivos?

O FIM DOS CASSETAS E A "MILLITÂNCIA" DE MARCELO MADUREIRA


MARCELO MADUREIRA QUERENDO APARECER MAIS DO QUE OS CASSETAS?

Por Alexandre Figueiredo

Na semana passada, foi anunciado o fim do programa Casseta & Planeta, Urgente, que sairá do ar no próximo dia 21 de dezembro, com o encerramento da temporada anual. O motivo do fim, consequente do humor repetitivo e desgastado do grupo, teria sido as sucessivas quedas de audiência do programa, que chegou a perder 21 pontos nos últimos anos.

O grupo de humoristas anunciou que, mesmo com o fim do programa, a união continua e os seis estarão planejando um novo programa, a entrar no ar no segundo semestre do próximo ano. Enquanto isso, a parceira do grupo e ex-VJ da MTV, Maria Paula, além de ter mais tempos para cuidar dos filhos (ela está solteira), vai diversificar seus trabalhos como atriz.

A repercussão pelo anúncio, no entanto, causou em boa parte das pessoas uma reação bem diferente em comparação com o falecimento repentino do mais carismático dos cassetas, Cláudio Besserman Viana, o Bussunda - irmão do economista Sérgio Besserman Viana - , durante a Copa do Mundo de 2006.

Bussunda - que na música "Mãe é Mãe", um dos temas musicais do grupo, parodiava Tim Maia - era o mais intelectualizado do grupo. Chegou a apresentar, na TVE carioca, o programa de entrevistas Cabeça Feita. Além disso, foi colunista do extinto suplemento teen Zap!, de O Estado de São Paulo. Era, também, o que parecia ter um senso de humor menos grotesco em relação aos demais.

Naquela época, sentiu-se uma tristeza em relação à perda do comediante, que, entre outros papéis - como o de Wilson Montanha, parceiro de Carlos Massaranduba (Cláudio Manoel), do seringueiro irritado com a piada de "tirar leite do pau" (trocadilho com punheta) e de Marrentinho Carioca, jogador do Tabajara Futebol Clube - , parodiava figuras como Antônio Carlos Magalhães, Sérgio Chapelin, Zeca Camargo e Diego Maradona, Ronaldinho e o presidente Lula.

Com o falecimento de Bussunda, até alguns personagens tiveram que ser parodiados pelos remanescentes. Por exemplo, as paródias de Zeca Camargo passaram para Beto Silva. Hubert Aranha herdou outras paródias de Bussunda, como Ronaldinho e Maradona, além de ter ganho a votação de qual casseta passaria a satirizar Lula.

Hubert também tornou-se famoso pela paródia de Fernando Henrique Cardoso, além de ser responsável por parodiar Galvão Bueno e de fazer, junto com o colega dos tempos do Planeta Diário, Reinaldo Figueiredo, paródias como o Casal Telejornal (quando Hubert e Reinaldo, respectivamente, parodiam William Bonner e Fátima Bernardes) e o Cafofo do Osama (Hubert no papel de Jurema e Reinaldo no de Osama Bin Laden).

O fim do programa, do contrário do Bussunda, causou alívio em muita gente, mesmo aqueles que, independente do plano ideológico, achavam que o humorismo do grupo estava ficando chato. Havia até piadas do tipo "Casseta acabou: seus problemas acabaram", além de outras comemorações.

Até mesmo as paródias acabaram ficando frouxas, sem graça. Duas paródias de Reinaldo são o efeito disso. Em uma delas, Reinaldo criou uma caricatura do técnico Dunga bem mais ranzinza que o técnico da seleção. E, para puxar a brasa para a sardinha demotucana deles, o "Dunga" de Reinaldo falava mal da imprensa, em alusão ao episódio da briga de Dunga com a Rede Globo, ao se recusar a dar entrevistas exclusivas para os repórteres da "casa". Para o pessoal da Globo, a imprensa "global" é "a imprensa".

Noutra paródia, Reinaldo fazia o contrário que fez com Dunga. Criava um José Serra mais bobão, inofensivo, apenas preocupado com sua calvície. Era mais um irmão gêmeo do Dráuzio Careca, paródia que Reinaldo fazia do médico Dráuzio Varella, colunista do Fantástico. Certamente em respeito ao então candidato dos cassetas e de seus patrões, a paródia era tão inofensiva, tão inócua, que era muito sem graça e, tão somente, tola.

Até o próprio José Serra seria melhor comediante, com suas caretas colhidas em várias fotos da Internet, como aquela, famosa, quando Serra, olhando para a câmera, faz um sorriso cínico ao segurar uma das armas entregues à polícia de São Paulo.

BREGA-POPULARESCO - O fim do Casseta & Planeta Urgente também é o fim de uma das vitrines midiáticas da Música de Cabresto Brasileira, a pretensa "música popular" que aparece nas rádios FM e na TV aberta e que, fundamentada na domesticação social do povo pobre, é um dos pilares da manipulação social da grande mídia, realidade ainda ignorada pela maioria dos intelectuais, mesmo os de esquerda.

No momento de desespero em que toda uma linhagem de cantores e grupos de música brega e neo-brega (neste caso, a axé-music, breganejo, sambrega, "funk carioca" e outros estilos surgidos depois da onda de Sullivan & Massadas, que fizeram o brega tornar-se digerível para as classes média e alta), em avançado desgaste, apelam para todo tipo de campanha apologética, mesmo com medo de serem associados à mídia golpista que os criou e os sustenta, o espaço dos cassetas era uma propaganda eficaz, ainda que arriscada.

Afinal, um dos quadros do Casseta & Planeta Urgente mostra a cantora de axé-music Acarajette Lovve (Beto Silva), cujo assessor, Waldeck do Curuzu, é interpretado por ninguém menos do que o demotucano de carteirinha, Marcelo Madureira.

Até a Banda Calypso, que fez manobras tendenciosas para seduzir a intelectualidade de esquerda - "sucesso" através de pequena gravadora, suposta indicação ao prêmio Nobel da Paz e apadrinhamento do pseudo-vanguardista tecnobrega - , apareceu mais uma vez acolhido por Marcelo Madureira, seja ele como repórter do programa, seja como Waldeck do Curuzu.

Mas, se até Gaby Amarantos aparece nas páginas da Veja, em tratamento respeitoso e cordial, tudo pode acontecer. Aliás, o tecnobrega, tido como "sem mídia" tal como o "funk carioca" anos atrás, foi acolhido pela mesma Rede Globo que acolheu os funqueiros. Só acabou a chance de ver a Beyoncé do Pará participando do quadro da Acarajette, perto do Marcelo Madureira, para frustração da intelectualidade de futuros neocons, mas hoje tirando proveito de suas relações com militantes de esquerda.

Até mesmo o "sertanejo universitário" sempre esteve à vontade diante dos cassetas. Recentemente, eles foram acolhidos por Beto Silva e Hélio de La Peña, num evento ocorrido no interior paulista. Mesmo a tese, de cunho kafka-febeapaense, de certos intelectuais que acreditam que o "sertanejo universitário" está fora da grande mídia - é só fazer sucesso na Globo, mas também aparecer na Record, que a intelligentzia logo diz que "fulano está fora da grande mídia" - , não esconde essa satisfação dos "sertanejos" em geral (incluindo os "universitários") da gentil hospitalidade de Marcelo Madureira e companhia.

MILLITÂNCIA - Com as longas férias do Casseta & Planeta, Marcelo Madureira terá mais tempo para fazer sua militância no Instituto Millenium. Seus novos colegas de cena passarão a ser Diogo Mainardi, Reinaldo Azevedo, Otávio Frias Filho e outros.

Talvez Marcelo Madureira encomende, no Instituto Millenium, um bom prato da culinária mineira, na hipótese do professor mineiro Eugênio Arantes Raggi, figura "polêmica" nos fóruns de Internet, deixar o teatrinho pseudo-esquerdista.

O ultrareacionário Raggi não convenceu os internautas na sua postura falsamente petista, pretensamente anti-PiG e pseudo-progressista, por ela ser forçada, de comentários previsíveis e bajulatórios. Raggi é um dos mais cotados para ser neocon nos próximos anos, talvez se encoraje a pegar o avião BH-Sampa para ir ao Instituto Millenium e provar que seus comentários "contra" o referido casseta não passaram de jogo de cena, já que, no fundo, Raggi e Madureira falam a mesma língua.

Madureira, por sua vez, deve trabalhar sua campanha anti-petista normalmente. O casseta, que chamou Lula de "vagabundo" e, na "pessoa" de Agamenon Mendes Pedreira, comparou Dilma Rousseff ("Dilma Roskoff", para os cassetas) a uma droga, reserva surpresas ainda maiores, no seu reacionarismo.

Até lá, o humorismo continuará seguindo, na direita e na esquerda. O sucessor de Madureira já surgiu para animar os direitistas, outro Marcelo, o Marcelo Tas, do programa CQC da TV Bandeirantes. Da mesma geração intelectual que veio também nomes como Nando Reis, Patrícia Pillar, Sônia Francine e o "esquerdista" Pedro Alexandre Sanches, Tas andou fazendo comentários direitistas no Twitter.

Por outro lado, um outro Marcelo, o carioca Marcelo Adnet, andou parodiando os demotucanos num hilário vídeo em que o marido de Dani Calabreza faz o papel de um ricaço esnobe. Existem Marcelos e Marcelos. Que o diga meu irmão.

RETRATO DE UM INTELECTUALÓIDE



Olá, Caros Amigos!

Sou um intelectual bastante festejado por vocês, aparentemente associado às causas progressistas, ao combate contra o Partido da Imprensa Golpista, à solidariedade com as classes populares.

Posso ser um cientista social com Mestrado e Doutorado, pesquisador de muitos livros sobre Antropologia e Sociologia, portador de uma rigorosa base teórica que me garantiu não só os títulos que eu tenho, mas as relações sociais do meio acadêmico.

Ou então eu posso ser um crítico musical, escritor de pelo menos dois livros, pesquisador do passado recente da Música Popular Brasileira, colecionador ávido de discos de música brasileira dos últimos 50 anos.

Posso ser um ou outro. Ou então um e outro ao mesmo tempo. Não importa, sou qualquer um dos dois.

Vocês me tratam como um Deus, o que eu falo vocês apoiam e aplaudem sem questionar. Se eu digo que a bunda agora é a única força confiável da música brasileira, vocês ovacionam sem dar qualquer contestação. E se vier alguém que me contestar, vocês reagem contra ele com desprezo e medo.

Vocês nem acreditariam, no entanto, que eu defendesse a bunda como força motora da MPB atual, uma tese até discutível, mas muito interessante de se defender. Mas eu defendo.

Vocês nem imaginariam, mas boa parte da breguice, da cafonice que eu defendo e que finjo ignorar que aparece no Domingão do Faustão, é por causa de um complexo social que eu tenho e que vocês nem desconfiam.

Eu tenho medo que minha empregada doméstica ouça os mesmos discos que ouço.

Sabe como é, eu conheço o repertório de Wilson Simonal no auge da carreira, ouço os primeiros LPs de Gal Costa, Elis Regina no começo da carreira, conheço Zimbo Trio, Dom Salvador Trio e a trajetória de César Camargo Mariano. O Clube da Esquina, então, sei até o lado B de cór e salteado.

Mas eu tenho medo de que minha empregada venha um dia a ser fã de Sílvia Telles, eu tenho grande pavor de que tenha que discutir com o porteiro do meu prédio se o melhor era Dick Farney ou Lúcio Alves, ou se Itamar Assumpção era mais ou menos rebelde que Arrigo Barnabé no cenário musical da Lira Paulistana.

Desculpe decepcionar vocês, mas essa é a verdade.

Sei que vocês copiaram o linque do meu blog para seus blogs progressistas, que meu blog atinge um ritmo de crescimento de seguidores impressionante. Sei que até meus pecados são santificados pelos seus artigos generosos e condescendentes.

Mas a verdade é que eu inventei muita besteira sobre esses ídolos da "música popular de mercado". Vocês acreditaram e passaram a comprar os discos do É O Tchan nos sebos, achando que foram adquirir uma das preciosidades injustiçadas da história recente da MPB.

Acreditaram que um Alexandre Pires da vida seria o novo Simonal, quando o cantor mineiro da geração anos 90 não vai além de um pálido cruzamento de Lionel Richie com Julio Iglesias, de Usher com Luiz Miguel, com pandeiro e cavaquinho.

Falei muita besteira, porque os divulgadores das gravadoras me cobravam para defender seus contratados e evitar que seus discos morram em lojas de sebos de discos em falência.

Eu mesmo já chegava ao absurdo de dizer que os ídolos da dita "música sertaneja" - uma imitação malfeita de boleros e country que nada tem a ver com a música caipira tradicional - não tinham acesso à grande mídia.

E vocês, animados com minhas histórias de pescador de música brasileira, acharam que o "sertanejo" patrocinado pelos latifundiários, era a trilha sonora do MST. Minhas bobagens geravam bobagens cada vez piores.

Para vocês terem uma ideia, eu sou elitista. Sim, sou elitista.

Acho o máximo que o povo fique na sua mediocridade, enquanto eu ouço sozinho as preciosidades da MPB que ouvia desde a infância.

Enquanto o povão acredita que Chico Buarque não passa de galanteador barato, eu ouço seus CDs no meu fone de ouvido.

Enquanto o povão acredita que Belchior não passa de um maluco isolacionista, os primeiros discos dele estão na minha coleção, para meu deleite privativo.

Inventei que o espetáculo das popozudas do 'funk' e do 'pagode' era expressão do feminismo popular só para impressionar os outros. Mas até o mundo mineral - tenho que me apropriar do Mino Carta, me aproprio da mídia esquerdista a toda hora - sabe que elas tão somente estão a serviço de valores machistas, que valorizam a mulher como mero objeto sexual.

Aliás, repito: me aproprio da mídia esquerdista a toda hora. Coloco expressões como "Che Guevara" e "reforma agrária" nos meus artigos só para que meu nome esteja associado a referenciais de esquerda. Mas, prestando bem atenção, nenhum referencial esquerdista é defendido abertamente por mim. Eu me limito apenas a reprovar os abusos extremos da direita.

Até porque uma confissão bastante contundente vai decepcionar todos vocês: EU SOU DIREITISTA.

Eu fui criado pela Folha de São Paulo, pela mesma elite da USP da parte dos políticos tucanos.

Eu quero que o povo fique medíocre, com seus Waldicks, Odairs, Chitões, Tchans, Créus, Gabys, Calcinhas, Calypsos, Belos, Luans, Gretchens, Wandos, Sullivans, e que me deixe ouvir a minha MPB em paz.

Eu acabo de redescobrir o baião dos anos 40 e 50 e vou ouvir tais discos abraçado à minha empregada? Nem morto!

Redescubro o samba da safra 1955-1960 e o feirante da minha rua vai me pedir para gravar um CD do Jorge Veiga? Vá plantar batatas! Que ele vá acreditar que o "rebolation" é que é a vanguarda cultural brasileira e me deixe em paz!

E eu só estou na imprensa esquerdista porque tenho contatos no meio intelectual que me colocaram para lançar livros na editora esquerdista, para ter colunas na imprensa de esquerda, para ser elogiado por blogueiros progressistas.

Mas, obtidas minhas vantagens pessoais e, por outro lado, com o crescimento dos avanços sociais que farão as classes pobres descobrirem meus segredos da Música Popular Brasileira, prometo a todos vocês que me tornarei um convicto e dedicado neocon.

Portanto, me encontrem, daqui a uns dois anos, nos salões do Instituto Millenium.

Abraços a todos.

Intelectualóide."

domingo, 28 de novembro de 2010

RIO DE JANEIRO: O COMBATE AINDA É UNILATERAL



Por Alexandre Figueiredo

É certo que há méritos no combate que a polícia e as Forças Armadas fazem para reprimir o narcotráfico no Rio de Janeiro. De fato, aquele misto de fascismo e neoliberalismo informais existente nas favelas, se não acabar por completo, sofrerá baixas e perderá sua força hegemônica.

Mas é evidente que o combate ainda é unilateral e mesmo os chamados "chefões" do narcotráfico, vários deles presos em penitenciárias de segurança máxima, nem estão no topo da hierarquia do comércio de drogas ilícitas. Os maiores chefões estão livres, felizes passeando em cruzeiros marítimos, viajando para Nova York como quem vai para a casa do vizinho, comprando ações em Wall Street, rodando de limusines.

É muito fácil reprimir a parte "pobre" do narcotráfico, ainda que mesmo esse combate acontece de forma incompleta, diante da grande estrutura existente no crime organizado, com uma grande hierarquia existente em cada facção, que faz com que, a cada integrante morto em tiroteio, entra um sucessor no lugar, para fazer a mesma coisa.

A criminalidade cresceu pela omissão as autoridades, que não investem em Educação, Saúde, nem na Inclusão Imobiliária, um tema que será muito constante nos futuros debates da opinião pública. A exclusão das classes populares do mercado imobiliário, marginalizando até mesmo os trabalhadores da construção civil, proibidos, pelo poder econômico, foi vista como a "pimenta nos olhos dos outros" pelas elites, pelos burocratas e mesmo pelas autoridades, numa gentileza "cristã" digna de um Pôncio Pilatos.

O povo pobre cobra da sociedade a sua atenção. Não serão os espetáculos popularescos que, nas rádios FM e na TV aberta, mostram e continuarão mostrando a voz das classes pobres. O povo pobre não fala através do "créu", do "rebolation" ou do "tecnobrega", que são mais um espetáculo ventríloquo das elites coronelistas, transformando o povo apenas numa sub-voz do poder dominante.

O povo fala quando faz passeatas, quando fecha rodovias botando fogo nos pneus, pedindo o combate à impunidade, pedindo melhorias de vida, pedindo reforma agrária, pedindo moradias dignas, entre tantas e tantas coisas.

O povo colabora denunciando traficantes, telefonando anonimamente para informar sobre ações criminosas da vizinhança. São os movimentos sociais se indignando não somente com a opressão promovida pelas elites propriamente ditas, mas também pela opressão feita por elites domésticas, que são as facções criminosas que disputam o mercado de drogas ilícitas e outros comércios clandestinos envolvendo distribuição de gás e serviços de TV paga (estes apelidados jocosamente de "gatonet").

É preciso então sermos objetivos. De um lado, temos que reconhecer que a criminalidade organizada esconde, nos bastidores, verdadeiros barões do pó que vivem escondidos nos mais altos escalões de riqueza e poder no mundo inteiro.

De outro, temos que reconhecer que é necessário um policiamento nas favelas, não da forma grotesca que certos policiais truculentos desempenham, é preciso separar o joio do trigo dentro das populações pobres, porque existe muita gente boa nas classes populares e, felizmente, elas são maioria. Mas também existem alguns infelizes que não aceitam a pobreza e, em vez de lutar por dignidade, ameaçam a tranquilidade de seus próprios vizinhos através das atividades ilícitas.

Portanto, é muito delicado o problema da criminalidade. É preciso cautela para evitar injustiças da melhor maneira possível. E investir não apenas na repressão da criminalidade nas favelas e outras comunidades populares, mas em melhorias sociais que ofereçam qualidade de vida para a população, resolvendo a tristemente histórica discriminação política das autoridades às classes populares.

TUCANOS TE QUEREM FORA DA INTERNET



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Não custa lembrar que nós, blogueiros progressistas, estamos ameaçados pelo avanço do projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que na prática irá estabelecer censura na rede. Um ato arbitrário, votado na surdina, que pode reverter para o mal todos os nossos esforços de inclusão digital e democracia eletrônica, em total prejuízo à nossa sociedade e à cidadania.

Essa ameaça mostra o quanto os tucanos são capazes de fazer, já que o PSDB está cada vez mais retrógrado e golpista, querendo se vingar da derrota eleitoral recente. Vamos agir para que o projeto do sr. Azeredo não seja aprovado e fique mofando na gaveta do senador mineiro.

Tucanos te querem fora da internet

Por Sônia Correa - Blog Coisas da Soninha

Hoje quero me dirigir aos meus leitores, com um chamado muito sério e especial. Gostaria de convidá-los a, primeiramente, ficarem muito atentos e, depois, a se somarem na defesa da democracia na internet.

Muita gente não sabe do que estou falando. Vou explicar: Tramita no Congresso Nacional um Projeto de Lei (PL 84/99) do Senador Eduardo Azeredo – da turma tucana do José Serra, que propõe um verdadeiro ataque à democracia na rede, além de transformar a internet num território de rico.

Para que vocês tenham ideia, o PL ficou conhecido como o “AI-5 digital”, em alusão ao Ato Institucional nº 5, do obscuro período da Ditadura Militar, que fechou o Parlamento e acabou com a liberdade de manifestação e expressão, além de ter sido responsável pela maior repressão, torturas e desaparecimentos de lideranças populares.

Eu sei o que você fez no verão passado

O AI-5 digital de Eduardo Azeredo determina que não haja necessidade de mandado judicial para a quebra de sigilo dos internautas, o que afronta a própria Constituição do Brasil que só permite o acesso aos dados de uma pessoa, mediante autorização da justiça

O Senador tucano quer que provedores de serviços de e-mail, blog’s, serviços de busca, etc, guardem toda a navegação de cada usuário, com o IP do computador, a hora e data de acesso, durante três anos. Na prática, isso significa proibir a inclusão digital, pois algumas cidades estão implementando sistemas de redes sem fio, onde permite que várias pessoas se conectem com o mesmo IP.

E quem disse que internet é lugar de pobre?

Por exemplo, tu que és morador do Bairro Restinga, em Porto Alegre, e que já começa a utilizar este tipo de serviço, se o Projeto de Eduardo Azeredo for aprovado, tu não mais poderás usá-lo, a não ser contratando e pagando algum serviço de internet.

Argumento não falta. Azeredo diz que o objetivo é impedir a realização de fraudes pela internet, em especial, no setor bancário. Entretanto, é obrigação dos bancos garantir a segurança dos seus clientes. Para tanto, os banqueiros é que devem ser obrigados a adotar sistemas seguros para suas transações via internet e, se não o fazem é pela ganância de ganhos fáceis, ao invés de investir em tecnologias seguras.

Tucanos agem na calada do Congresso

Em outubro passado, enquanto o Brasil inteiro estava voltado para o segundo turno das eleições, os tucanos se aproveitaram de um Congresso vazio e aprovaram o PL de Eduardo Azeredo em duas comissões.

Nós que somos amantes da democracia precisamos nos mobilizar para impedir a ditadura na rede. Precisamos conversar com cada um dos novos parlamentares e com a nossa presidenta Dilma para impedir este retrocesso.

A Internet que queremos

A Internet é e precisa permanecer sendo um espaço de comunicação democrático, livre e cada vez mais acessível a todo povo brasileiro. Através da internet é possível a criação e ampla disseminação de conteúdos, metodologias científicas, tecnologias, como os softwares livres, sem que tenhamos que pedir aval para quem quer que seja.

Através da rede o acesso a informação se ampliou, contribuindo para a diversidade cultural, para a socialização de aprendizados e cooperação. É um veículo que permitiu que a comunicação deixasse de ser um privilégio de um pequeno grupo para ser propriedade social. Aí está um grande motivo para que os poderosos se voltem contra esta liberdade.

Por isso, te chamo a vir junto, a se manifestar e lutar contra o “AI-5 digital” do Senador Eduardo Azeredo. Pela inclusão digital! Por banda larga para todo povo brasileiro! Pela liberdade na rede! Em defesa da democracia!

sábado, 27 de novembro de 2010

AINDA É SÓ O COMEÇO


Por Alexandre Figueiredo

A polícia tomou conta da Vila Cruzeiro, comunidade localizada no bairro da Penha, no Rio de Janeiro.

Foi uma grande operação, que poderia ter melhor resultado.

Os traficantes que dominaram a região fugiram para o Complexo do Alemão, vizinho à localidade tomada pelas tropas.

Aliás, é um longo problema que dificulta a melhoria de vida do povo pobre.

Os políticos toleraram demais a criminalidade e ela cresceu a níveis extremos, em organizações paramilitares e violentas.

É uma organização que desafia tudo, da Constituição Federal à segurança dos cidadãos.

O narcotráfico mescla uma economia neoliberal e um regime fascista. Qualquer coisa é resolvida à bala, tal qual os grupos de tortura que o Brasil conheceu através dos tempos de chumbo da ditadura.

Gangues disputavam o poder das favelas, causando risco à vida de quem estivesse por perto.

A violência assustava as pessoas, fazia com que aqueles que pudessem ir embora assim o fizessem.

Criou-se um Estado paralelo, ilegal, que atua através do terror, que não traz vantagem alguma para a população pobre.

Mas décadas de politicagem das autoridades estaduais fez essa violência crescer, achando que era moleza dominá-la.

Agora, os governantes, de tanto se concentrarem nos interesses das elites, foram obrigados a intervir para salvar o verdadeiro interesse público.

Afinal, uma cidade não se faz com monumentos belos nem com medidas que só favorecem o conforto das elites.

Até porque, em vários episódios, a criminalidade que tanto assusta o povo pobre é a mesma que também atinge turistas e pessoas abastadas.

A violência não escolhe vítimas, vai quem estiver na frente.

Por isso, as autoridades tiveram que recorrer à tardia intervenção da polícia, numa região tratada com desprezo pelo governo fluminense e pela prefeitura carioca, mesmo em se tratando de um gigantesco complexo de favelas que vai da Penha até Manguinhos, no caminho do Aeroporto Internacional Tom Jobim ao Centro carioca.

Preferiram remediar do que prevenir o problema.

Não tinham prioridades sociais.

A prefeitura carioca só queria pintar ônibus com cores iguaizinhas em todas as empresas, além de pensar em fechar parte de uma avenida para transformá-la num parquinho para famílias riquinhas.

Parquinho que, de noite, serviria de "dormitório" para mendigos e marginais.

Mas a intervenção policial também contou com o apoio dos moradores.

É o anônimo movimento popular, cansado de tanta insegurança. E que, do contrário que se imaginava, não estava conivente com a violência. Apenas tinha que aguentá-la, sob a ameaça das armas. Mas agora começa a reagir, com as denúncias anônimas.

Em todo caso, a Vila Cruzeiro foi ocupada pelos policiais. Mas isso ainda é só o começo.

Ainda é preciso outros combates para que a criminalidade tenha seu fim definitivo.

A hora ainda não é de comemorar, mas de agir. E das autoridades passarem a investir também na desfavelização, na reurbanização dos subúrbios, através da construção de milhares e milhares de casas populares.

O interesse público não pode ser apenas pretexto de promessas, mas prioridade nas medidas governamentais.

GLOBO, SBT E A CRISE DO BRASIL CAFONA



Por Alexandre Figueiredo

A crise financeira do SBT e a crise de poder da Rede Globo, que continua dominante mas deixou de ostentar a hegemonia de tempos atrás, mostram o quanto o Brasil vive numa fase tanto de reajustamento de valores sociais e culturais, políticos e econômicos, quanto vive uma crise em que os valores hegemônicos desde o golpe de 1964 estão em crise, mesmo aqueles que utilizam-se de vários pretextos para continuarem prevalecendo, desta vez sob a roupagem "progressista".

Esse é o caso do brega-popularesco. No auge de uma pregação de uma elite de intelectuais - críticos musicais, cientistas sociais e certos blogueiros - em defesa do que eles pensam ser "a verdadeira cultura popular", essa pretensa cultura, que se ascendeu de forma vertiginosa sob o apoio da grande mídia, sobretudo nos anos 70 e 80, atingindo seu auge na década de 90, vive agora uma crise, se não de mercado, mas também de hegemonia.

Afinal, o brega-popularesco é uma ideologia baseada numa visão rasteira, provinciana e tendenciosa do pop comercial dos EUA. Se alinha com os interesses neoliberais, aplicados ao âmbito cultural. No entanto, desde os últimos anos da Era FHC, quando a tragédia da plataforma P-36 da Petrobrás (então à beira de se rebatizar como Petrobrax), do "apagão" da energia elétrica e do comentário irônico do próprio Fernando Henrique Cardoso, chamando os aposentados de "vagabundos", fez o brega-popularesco, hegemônico na maior parte das rádios FM e em quase toda a TV aberta, retrabalhar seu discurso.

Nos primórdios da Era Lula, iniciou-se uma campanha de perpetuação do brega-popularesco que, além da crise da Era FHC, foi motivada também pela crise do rádio FM, que, pelos arranjos politiqueiros, deixou a segmentação musical de lado para apostar na absorção de programas não-musicais, típicos de rádio AM, mudando o foco jabazeiro das gravadoras para os dirigentes esportivos, empreiteiros e banqueiros.

Dessa forma, ídolos que ainda faziam sucesso hegemônico no país começaram a trabalhar um discurso estranho. Mesmo sendo muito populares, esses ídolos alegavam ser "vítimas de preconceitos", na ânsia de serem levados a sérios e a penetrar em espaços mais apropriados para a MPB autêntica.

Esse discurso, altamente tendencioso, que tentava empurrar a mediocridade musical e seus valores associados para a intelectualidade - até novelas mexicanas, programas policialescos e jornais populistas eram temas de teses universitárias apologéticas, feitas tão somente para fazer propagandas desses fenômenos a públicos intelectualmente melhor qualificados - , a princípio ocorria dentro dos "pátios" da mídia conservadora, sobretudo nas Organizações Globo, mas também na Folha de São Paulo e nas revistas Contigo e Caras.

Mas, com o passar do tempo, a discurseria se ampliou para o âmbito da mídia esquerdista, apenas por uma lacuna existente no Brasil, em que a intelectualidade ainda não tinha uma posição acerca da cultura brasileira. Isso era grave, porque até nos assuntos do Oriente Médio havia uma posição de esquerda formada, solidária aos palestinos, em detrimento da política israelense apoiada pelos EUA. Mas, no âmbito da música brasileira, chegava-se ao ponto da esquerda defender os mesmos sucessos da cultura estereotipada que aparecia no Domingão do Faustão e dava até capa do caderno Ilustrada da Folha.

A ideologia brega-popularesca, baseada na destruição gradual de identidades culturais regionais, transformando-a no arremedo de si mesma, com fortes elementos da cultura estrangeira, assimilados de cima para baixo através das rádios e TVs dominadas por oligarquias nacionais e regionais, foi um mecanismo de controle social patrocinado por governos conservadores, como a ditadura militar e os governos de Sarney, Collor e Fernando Henrique. Sua hegemonia se deu nos anos 90, em consequência da distribuição politiqueira de concessões promovida pelos oligarcas José Sarney e Antônio Carlos Magalhães, quando o primeiro presidia a República e o segundo era ministro das Comunicações, nos anos 80.

Mas o discurso movido pela intelectualidade tentou reverter a situação. Tão cedo Paulo César Araújo tentou convencer, no seu livro Eu Não Sou Cachorro, Não, da falsíssima imagem de "subversivos" dos ídolos bregas. Araújo, apesar de aplaudido no seu discurso panfletário, se esqueceu que nenhum ídolo cafona esteve presente em qualquer manifestação pela redemocratização do país. Apesar disso, a lorota conseguiu enganar muita gente.

E, nesse caminho todo, o "funk carioca" tentou vender uma imagem de "esquerdista", enquanto aparecia em tudo quanto era veículo das Organizações Globo e no resto da mídia golpista. Ficava complicado fazer o mesmo com os neobregas "sofisticados", que são os cantores de axé-music, breganejo e sambrega que apareciam toda semana no Domingão do Faustão. Mas eles tinham sua campanha, pelo menos, na mídia golpista.

A mídia esquerdista só lembrava dos neobregas "sofisticados" em citações discretas, enquanto investia mais em tendências mais grosseiras, como o "funk carioca" e o tecnobrega. Que no entanto também entravam na mídia golpista pelas portas da frente.

SBT CONSOLIDOU O BREGA NO BRASIL; GLOBO O REFINOU

A ideologia brega foi formatada desde quando os latifundiários se inquietavam com as mobilizações sociais, seja pelas Ligas Camponesas, seja pelo catolicismo de esquerda, seja por iniciativas como a campanha educacional do professor Paulo Freire.

Visando reestabelecer o controle social sem investir demais na violência do campo (que se limitava a exterminar líderes e militantes), o latifúndio financiou uma campanha midiática que transformou o povo pobre numa caricatura resignada, sem identidade nacional nem regional, mergulhado ao subemprego, à prostituição, ao alcoolismo, cuja trilha sonora, a princípio, foram os arremedos de serestas desprovidos de qualquer contexto social, verdadeiras paródias dos seresteiros originais (que, estes sim, tinham sua história e valor).

Com o tempo, sobretudo através da Crise do Petróleo de 1973, que afetou a economia mundial e derrubou o "milagre brasileiro" da ditadura, a ideologia brega que era instrumento de controle social da grande mídia teve que passar por transformações.

O caráter puritano dos bregas originais ganhou um impulso "pornográfico" com piadas de duplos sentidos e mulheres de glúteos enormes. A breguice teve que forjar uma falsa diversidade regional, sobretudo no Norte e Nordeste, devido a políticas turísticas promovidas pelos governadores civis ligados ao poder ditatorial.

A ideologia brega ampliava sua formatação, de forma que viesse a soterrar a verdadeira cultura popular vigente entre os anos 40 e 60, e na década de 70 criou-se um estereótipo de povo pobre que nenhuma chanchada da Atlântida ou da Cinédia seria capaz de criar.

O SBT, no entanto, foi o símbolo maior da ideologia brega, consolidando todo um processo de estereotipação e domesticação das classes pobres. O pretexto vinha do próprio dono, o ex-camelô Señor Abravanel, conhecido pelo codinome de Sílvio Santos, um homem vindo das classes populares, mas de perfil bastante conservador.

A partir de então, a cultura popular virou refém da ideologia brega. O povo não podia mais se expressar culturalmente, tal como no começo dos anos 60. A emancipação popular pela cultura foi travada, não bastassem os transtornos como a crise econômica e a crise educacional, além do próprio cenário político corrompido pela ditadura.

Com a ascensão midiática do SBT, a Rede Globo, conservadora à sua maneira, mas longe das manobras popularescas, aderiu à ideologia brega a partir de Michael Sullivan e Paulo Massadas que, ex-músicos de Jovem Guarda, tinham uma visão de cultura equivalentes à visão do ex-ministro Roberto Campos tinha da economia. Ou seja, uma visão puramente neoliberal, mercantilista.

Juntos, SBT e Globo contribuíram para o aniquilamento da cultura popular, transformando-a numa gororoba apátrida, numa espécie de pop provinciano, esquizofrênico, caricato e confuso, que nada contribui para a emancipação social do povo, não produz conhecimento artístico nem valores sociais edificantes.

A ideologia brega não faz o povo se evoluir, apenas consiste num viciado processo de produção de sucessos e seu consequente consumo, um processo "cultural" que tem mais a ver com Economia, Administração e Publicidade do que com qualquer conceito de Arte e Cultura.

Com a crise financeira do SBT e a crise de hegemonia da Rede Globo, o brega-popularesco se encontra num grande impasse, o que faz com que a intelectualidade que defende esse processo de manipulação cultural também ficasse apreensiva, já que as contradições de seu discurso não o fazem totalmente convincente.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

PORTA-VOZES DO BREGA-POPULARESCOS EM PÂNICO: O PiG ESTÁ COM ELES



Falaram tanto que os ritmos brega-popularescos estavam fora da grande mídia que a grande mídia, entusiasticamente, deu espaço a eles.

A "cultura popular" estereotipada, que domestica o povo pobre, envergonharia Noam Chomsky mas enche de orgulho da imprensa golpista, não pode ser considerada acima ou independente da grande mídia.

A mediocridade musical, o grotesco, o sensacionalismo, o policialesco, o pitoresco, o piegas, o exageradamente pomposo, o superproduzido demais, tudo isso não pode ser considerado acima da grande mídia, nem independente, e muito menos discriminado ou opositor ao poder da grande mídia.

Os intelectuais de plantão apenas quer que empregadas domésticas não ouçam os mesmos discos que eles.

Daí que eles classificam o brega-popularesco como se fosse um "folclore pós-moderno".

Dizem que os "sucessos do povão" que aparecem todo domingo no Domingão do Faustão, toda semana em Caras e Contigo e todo mês na capa de Ilustrada da Folha de São Paulo, "não tem espaço na mídia".

Só porque eles não sintonizam o rádio FM, cada vez pior, não significa que eles possam afirmar que os "sucessos do povão" agora só acontecem no YouTube e no Twitter.

As "redes sociais" não têm ainda demanda nem visibilidade para promover, por si só, sucessos estrondosos.

Se algo vindo delas faz sucesso estrondoso, é porque a TV aberta endossou o que as redes difundiram para seu público específico.

Envergonhados e assustados, os intelectuais, vendo que suas desculpas para legitimar a mediocridade musical brasileira não conseguem convencer, se calam diante do apoio e dos sorrisos agradecidos que o Partido da Imprensa Golpista dá a essa intelectualidade.

Até a revista Veja se ajoelhou aos pés de Gaby Amarantos. Mas os intelectuais insistem que a grande mídia ignora o tecnobrega.

Também não convenceu empurrar os protegidos da Rede Globo, como Alexandre Pires, Fábio Jr., Calcinha Preta e Parangolé para a imprensa esquerdista. A "paçoca" acabou tendo o sabor azedo do jabá. Não a carne seca, mas o jabaculê.

E Marcelo Madureira foi abraçar Joelma e Chimbinha mais de uma vez.

A mídia golpista não tem medo do brega-popularesco. Pelo contrário, o brega-popularesco tranquiliza o povo, domestica as massas.

O brega-popularesco não mobiliza o povo, imobiliza-o.

Mas os intelectuais brazucas atuais ainda tem que aprender com os mais velhos. Depois de acabar a festa dos seus fãs e amigos.

CLOACA DERROTA JOSÉ SERRA. DE NOVO


SR. CLOACA RECEBE PRÊMIO DO AMIGO PAULO HENRIQUE AMORIM, NO ENCONTRO DOS BLOGUEIROS PROGRESSISTAS.

COMENTÁRIO DESTE BLOG: Senhor Cloaca é um blogueiro barbudo com jeitão de professor universitário que faz o Cloaca News - http://cloacanews.blogspot.com - que, alternando tiradas humorísticas com textos sérios, entre outras façanhas publicou páginas escaneadas de uma antiga reportagem de O Cruzeiro sobre o Comando de Caça aos Comunistas, em que aparecia Bóris Casoy em uma das fotos.

Cloaca, segundo o texto que leremos abaixo, foi citado numa reportagem de O Globo, ícone da imprensa golpista. O Globo citou, em subentendida ironia, o lema do Cloaca News: "as últimas do jornalismo de esgoto e dos coliformes fecais da imprensa golpista".

Cloaca é uma das figuras destacadas dos blogueiros progressistas e ele esteve em Brasília para entrevistar o presidente Lula. Lula gostou tanto que o Sr. Cloaca tem que tomar cuidado para não ser convidado para integrar a equipe de Dilma Rousseff, porque no Encontro dos Blogueiros Progressistas ele foi premiado e ganhou destaque. Cloaca News, até as 22 horas de ontem, estava com 1532 seguidores.

Cloaca derrota José Serra. De novo

Do blog Viomundo

Em editorial de capa, o jornal O Globo alertou: “Como já ensinaram Colômbia e Itália, quadrilhas acuadas respondem com técnicas de terror”.

O jornal levou a opinião ao pé da letra e, na mesma capa, respondeu.

Sob o título de No reino da lulosfera, escreveu: “Estava presente o blog Cloaca News, que diz publicar 'as últimas do jornalismo de esgoto e dos coliformes fecais da imprensa golpista'”.

O Cloaca, apenas para relembrá-los, foi o autor do furo de reportagem sobre Ali Kamel, o pornoator (nenhuma relação com diretor de Jornalismo de mesmo nome).

Na página 13, o Cloaca derrotou José Serra. De novo.

Manchete de ponta a ponta: Lula recebe Cloaca e outros amigos no Planalto.

Abaixo da dobra:

Serra alerta sobre ‘herança adversa’.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

ENTREVISTA DE LULA COM OS BLOGUEIROS



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Como escrevi, eu tive consulta médica (sério), marcada muito antes de saber que hoje teria chat com Lula, mas os principais blogueiros progressistas entrevistaram o presidente da República, e Rodrigo Vianna nos transmite os melhores momentos do histórico evento, disponível no Twitter. A entrevista coletiva ocorreu ontem de manhã, no Blog do Planalto, com direito a perguntas via Twitcam, quando possível.

Lula avisa: “serei blogueiro, serei tuiteiro”

Por Rodrigo Vianna - Blog Escrevinhador

A dinâmica da entrevista não foi a ideal, certamente. Mas era a única possível: só uma pergunta por entrevistado, sem possibilidade de réplica, para que os outros blogueiros pudessem perguntar também (em coletivas “convencionais”, repórteres brigam pelas perguntas, atropelam uns aos outros muitas vezes; os blogueiros combinaram de agir de outra forma).

Além disso, faltaram as mulheres (só Conceição Oliveira entrou, via twitcam). Fizeram muita falta.

Mas o importante é registrar o fato histórico: blogs sem ligação com nenhum portal da internet foram recebidos pelo Presidente da República numa coletiva hoje cedo, no Palácio do Planalto. E os portais tradicionais (quase todos) abriram janelas na capa para transmitir a entrevista – ao vivo.

Não sei se os leitores têm dimensão do que isso significa: quebrou-se o monopólio. Internautas puderam perguntar, via twitter. O mundo da comunicação se moveu. Foi simbólico o que vimos hoje.

A velha mídia vai seguir existindo. Ninguém quer acabar com ela. Mas já não fala sozinha. Ao contrário: Estadão, UOL e outros ficaram ligados na entrevista com o presidente. Entrevista feita por blogueiros que Serra, recentemente, chamou de “sujos”. Os sujinhos entraram no jogo…

Foi só o primeiro passo. Caminhamos para a diversidade. O que é muito bom.

Quanto ao conteúdo, importante registrar que Lula anunciou: quando “desencarnar” da presidência (expressão repetida várias vezes durante a coletiva), vai entrar na internet. “Serei blogueiro, serei tuiteiro”.

O presidente deixou algumas questões sem resposta. Não explicou de forma convincente dois pontos: por que Brasil não abre arquivos da ditadura? E porque Paulo Lacerda foi afastado da PF e da ABIN depois da Satiagraha? Sobre esse último ponto, Lula chegou a dizer: “Tem coisas que não posso dizer como presidente da República.“

Hum… Frustrante. O mistério ficou. Paulo Lacerda contrariou quais interesses?

Os blogueiros não perguntaram sobre Reforma Agrária. Falha grave. Nem sobre saúde. E sobre política externa ninguém falou; felizmente, Lula desembestou a falar sobre o tema (mesmo sem ser perguntado), contando um ótimo (e divertido) bastidor sobre as conversas dele com o líder iraniano.

Natural que muitas perguntas tenham se concentrado na questão das comunicações. É essa a batalha que move os blogueiros. Mas ainda bem que surgiram também outros temas, como Direitos Humanos, jornada de trabalho, fator previdenciário, Judiciário, composição do Supremo.

Numa coletiva para a velha mídia, a pauta certamente seria diferente. Haveria mais perguntas sobre a composição do ministério de Dilma, sobre guerra cambial. Mas aí seria uma coletiva da velha mídia. Papel dos blogueiros foi trazer outros temas ao debate.

Poderíamos ter feito melhor, sem dúvida. Da próxima vez, deveríamos debater melhor a composição da bancada de entrevistadores. Fiquei um pouco frustrado, também, porque havia a promessa de uma segunda rodada de perguntas. Mas não houve tempo. Parte do jogo.

Importante é que esse canal está aberto.

Tentei, durante a entrevista, resumir o que Lula ia falando. Um resumo falho em vários pontos. Mas serve como uma primeira leitura.

Hoje, ainda, o “Blog do Planalto” deve subir a entrevista na íntegra (em vídeo e áudio).

A seguir, o resumo da primeira coletiva de um presidente da República aos blogueiros progressistas no Brasil.

(Pergunta do Renato Rovai, sobre avanços nas comunicações – por que não se avançou mais no mandato de Lula) “Avanço nas comunicações depende da correlação de forças na sociedade. Esforço agora pra votar PL29, chega uma hora e pára.” Lembra que foi difícil fazer Confecom, “muita gente querendo boicotar, bocado de gente não quis participar. Deixamos preparado, costurado pra Dilma avançar mais nessa área. Precisamos ter correlação de força no Congresso para ter mais avanços.” Eu agora quero desencarnar da presidência, deixar internamente de ser presidente. Ex-presidente é que nem vaso chinês, é bonito, mas muitas vezes não tem onde guardá-lo.” Fala do projeto de Azeredo (AI-5 digital) “estupidez – querer censurar internet.”

(Pegunta de Conceição Oliveira, via twitcam, sobre preconceito contra negros na escola) Lula lembra como foi difícil aprovar cotas, muita gente contra. “Matamos essa historia com ProUni, que trouxe muitos negros pra Universidade.” Lembra que vai lançar Universidade Afro-brasielira em Redenção (CE). Mas é um processo longo pra ensinar a historia, como negros chegaram ao Brasil, ensinar isso na escola. “Trabalho com a certeza de que a atual geração que está no Ensino Fundamental quando tiver 20 anos vai estar com a cabeça mais arejada para tratar da questão da igualdade racial, com mais força. Quando sair da presidência, quero visitar quilombos pelo país, ver o que avançou, o que não avançou. Estou otimista, vamos evoluir. Mas preconceito é uma doença que está nas entranhas das pessoas. Essa campanha (eleitoral) mostrou um pouco isso. O fato de alguém dizer que era preciso afogar um nordestino mostra isso. Se fosse nordestino e negro, então…”

(Leandro fortes sobre Direitos Humanos, PNDH-3) “Enquanto cidadão, sou contra aborto. Mas como chefe de Estado reconheço que é caso de saúde publica, meninas por aí fazem aborto, chefe de Estado sabe que isso existe, e não vai permitir que madame vá a Paris fazer aborto e uma menina pobre morra. PNDH 1 e 2, feitos no governo FHC, trataram as coisas de forma muito parecida. Os meios de comunicação que estão triturando agora PNDH3 não falaram nada no primeiro e segundo. Ate questão do controle social da mídia está nos planos anteriores.” Sobre Araguaia: “Eu gostaria de ter encontrado os cadáveres. Gostaria. Por isso mandamos a comissão pro Araguaia. É justo que a historia seja contada na sua totalidade, não apenas meia historia.”

(Altino Machado, sobre derrota de Dilma no Acre) “Erro político no Acre. Não foi o povo que errou, disso tenho certeza. Até Marina lá teria dificuldade pra se eleger. Uma das causas de ela ter saído a presidente é que teria dificuldades pra ganhar pro Senado”. Lula prometeu visitar o Acre em seis meses e esclarecer melhor o que se passou por lá. Prometeu entrevista ao Altino quando for pra lá, depois de deixar presidência.

(Rodrigo Vianna , sobre a velha mídia que agora é nacionalista, quer barrar entrada de estrangeiros) “Tem que ter controle de entrada de estrangeiros, sim. Uma coisa é ser dono de banco, que lida com bolso, outra é a imprensa que lida com a cabeça das pessoas. Mas tenho problemas na relação com a mídia antiga. Sei que lutaram pra me derrotar. Sou resultado da liberdade de imprensa nesse país. Temos telespectador, ouvinte, leitor. Eles (velha mídia) acham que povo é massa de manobra. Eles se enganam. Tem que lidar com internet, algo que eles não sabem como lidar. Temos também que trabalhar para democratizar a mídia eletrônica. Sai pesquisa com 80% de aprovação, e eles ficam assustados. Povo brasileiro conseguiu conquistar espaço extraordinário. Não se deixa levar por um colunista que não tem interesse em divulgar os fatos. Antes eles não tinham que se explicar, agora, eles tem. Precisa se explicar também para os blogueiros. Quanto mais liberdade, melhor…”

(Altamiro Borges pergunta sobre 40 horas e Fator previdenciário) Lula diz que seria necessário mudar, mas não dá resposta objetiva. Depende de negociações e tal…

(Ze Augusto, sobre Lula pós mandato, se ele vai cuidar da reforma Política) “Reforma Política, sou a favor. Quero saber porque há dificuldades dos partidos de esquerda ajudarem na reforma politica.”

(Eduardo Guimarães, sobre casos de alarmismo da mídia) Lula se estende e volta a lembrar as dificuldades na relação com a velha mídia.

(Sr Cloaca, sobre demora pra convocar Confecom e relação com mídia)

(Túlio Vianna, sobre indicações de Lula ao STF, perfil conservador) “Graças a Deus o Supremo não é minha cara. Se não, voltaríamos ao tempo do Império ou do ACM na Bahia. Indiquei companheiro Brito, indicação de juristas de esquerda. Depois, Joaquim Barboza (primeiro negro). Não conhecia Carmen quando indiquei. Lewandovski eu não tinha relação pessoal. O único com quem tinha amizade era o Eros Grau. Todos com visão progressista. O Peluso eu não conhecia. O Direito pra mim foi surpresa, muita gente tinha dúvida porque eu estaria indicando um ministro de direita, mas a atuação dele foi boa. Não pode indicar pensando na próxima votação na Suprema Corte, nem nos processos contra o presidente da República. Tem que pensar na competência jurídica. Tem gente de direita, de esquerda… Eu posso indicar até o dia 17, ou deixar a Dilma indicar. O indicado agora vai ter muita responsabilidade: Ficha Limpa, Mensalão, Batisti. Quero acretar com a Dilma, saber se tem alguém que ela quer indicar ou vamos construir junto. E faria o mesmo se o Serra tivesse ganho. É o jeito de ser republicano”

Volta a falar de mídia: “Não leio jornais, revistas. A raiva deles é que na os leio. Pelo fato de não ler, não fico nervoso. Tenho muita informação, mas não preciso ler muitas coisas que eles escrevem pra ter essa informação. Ninguém pode reclamar, ganharam dinheiro. Algumas (empresas de mídia) tavam quebradas quando eu cheguei ao poder”.

Fala de política externa: Lula conta que perguntou ao Ahmanidejad se é verdade que ele nega o holocausto, porque seria o único no mundo a negar. O líder iraniano negou, disse que quis dizer que morreram milhões na Segunda Guerra, não só judeus. Nunca ninguém (líderes importantes) tinha conversado com líder iraniano. Conta logo bastidor sobre conversas com iraniano.”

(Pierre Lucena sobre Satiagraha e PF, afastamento do Paulo Lacerda) “Tenho coisas que não posso dizer como presidente da República, mas posso dizer que quanto mais combate corrupção mais aparece. Mas PF nunca trabalhou 20% do que trabalhou no meu mandato. Paulo Lacerda saiu porque tava há muito tempo na PF. Esse companheiro Luiz Fernando é grande diretor da PF. A PF como um todo só merece elogio. No meu governo, minha família foi investigada, entraram na casa do meu irmão. Não agi pra evitar. Quero que investiguem tudo, escancare. Mas primeiro provem, depois denunciem.”

(pergunta de leitora, via twitter, sobre momento mais complicado na presidência) Lula diz que foi o acidente da TAM em Congonhas. Tentaram culpar governo pelo acidente. Ficou frustrado por ver vidas humanas usadas para abater o governo.

No fim, voltou à campanha eleitoral, falou do lamentável episódio da “Boilnha de entrevista” e repetiu: Serra deve desculpas ao povo brasileiro! (antes de a entrevista começar, Lula brincou com blgueiros: “vou amassar uma folhas e jogar bolinha na cabeça de vocês”).

LULA DIZ QUE, DEPOIS DO DESCANSO, SERÁ BLOGUEIRO E TUITEIRO



COMENTÁRIO DESTE BLOG: Não pude participar do chat com o presidente Lula, porque simplesmente tive consulta médica, marcada dias antes e não usei o computador ontem de manhã (tive que colocar um artigo programado). Mas a entrevista de Lula com os blogueiros é um marco histórico, porque nunca antes na história deste país um chefe do Executivo federal teve entrevista exclusiva com membros da moderna mídia alternativa.

Lula diz que, depois do descanso, será blogueiro e tuiteiro

Luiz Carlos Azenha - Do blog Viomundo

O presidente ouve a pergunta via twitcam da blogueira Conceição Oliveira, a Maria Frô, que fumava inveteradamente um holiú sem filtro (foto do blog do Planalto)

O presidente Lula deu esta manhã, no Palácio do Planalto, uma entrevista aos blogueiros sujos.

Ela chegou a ser assistida por 7 mil pessoas no livestream.

“Tentaram inventar um objeto invisível”, ele opinou — sem citar a Globo — sobre o objeto que o perito Ricardo Molina “colocou” na cabeça de José Serra, no Jornal Nacional, no famoso episódio da bolinha de papel.

O presidente disse que, depois dos quatro meses de descanso que pretende tirar quando deixar o poder, será blogueiro e tuiteiro.

Disse também que só indicará o novo integrante do Supremo Tribunal Federal se houver tempo para a aprovação do nome ainda nesta legislatura. Se for impossível, deixará a tarefa para a sucessora.

Afirmou que o pior momento de seus dois mandatos foi no dia da queda do avião da TAM, em São Paulo, em julho de 2007, quando o governo federal foi declarado culpado pelo homicídio de 200 pessoas. Sugeriu que houve tentativa de uso político da tragédia e que ouviu “leviandades” na televisão.

Infelizmente não pude ver toda a entrevista. O que você achou?

COMO IDENTIFICAR UM "NEOCON"


QUEM IMAGINAVA QUE ESSE PITÉU APOIARIA JOSÉ SERRA?

Por Alexandre Figueiredo

O que é um "neocon"? É abreviatura de neoconservador. Um direitista de primeira viagem, um ex-esquerdista desiludido ou um direitista enrustido que deixou cair sua máscara na oportunidade mais decisiva.

No final do governo Lula, veio toda uma multidão de neocons que não imaginaríamos voar em asas tucanas há oito anos atrás. Como há 30 anos atrás, a esquerda brasileira se serviu de um contingente grande demais para todo mundo abraçar a causa socialista a vida toda.

Nos últimos meses, vemos o Partido Verde, considerado partido-irmão do PT, romper com o petismo e sinalizar uma simpatia discreta, mas convicta, ao conservadorismo "moderno" do PSDB. Vemos figuras como Marcelo Madureira, Caetano Veloso, Soninha Francine, Fernando Gabeira e Ferreira Gullar aderirem à causa direitista, sem que nós desconfiássemos plenamente anos atrás.

Eu mesmo, a princípio, estranhava quando alguém dizia que Fernando Gabeira passou para a direita. Mas logo vi que era verdade. E a Sônia Francine, a bela e deliciosa Soninha da MTV que parecia docemente inteligente e sensata, não só passou a apoiar o PSDB como colaborou na campanha presidencial de José Serra.

Certamente, faz mais sentido haver trânsito de esquerdistas para a direita do que direitistas para a esquerda. Pode parecer cruel, mas é bem mais realista. Porque, baseado no ditado popular "quando a esmola é demais, o santo desconfia", são muito, muito raros os direitistas que se convertem naturalmente para a causa esquerdista. É muito mais fácil um elefante entrar no buraco de uma agulha. Afinal, quem vai largar seus privilégios em prol da causa socialista?

A história relativamente recente do Brasil nos alerta do cuidado que temos que ter nos neocons de amanhã, hoje "solidários" com a causa esquerdista. Quem serão os neocons de amanhã? Todo mundo vai apoiar Dilma Rousseff até o fim?

Em 1964, o próprio José Serra não despertava a menor desconfiança no seu esquerdismo. Ele era presidente da UNE, ligado ao socialismo católico da Ação Popular. E olha que a UNE já passou por uma fase udenista nas mãos de Paulo Egydio Martins (depois governador paulista e hoje filiado ao DEM), na década de 1950.

Ninguém imaginava que o jovem estudante de 22 anos que estava ao lado de João Goulart, Leonel Brizola e Miguel Arraes no comício da Central do Brasil, na Guanabara, tão tardiamente se identificaria com gosto com as forças reacionárias da sociedade que, dias depois, se reuniria no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, para suplicar o golpe militar e a ditadura que durou 21 anos.

Também em 64, outro jovem de 22 anos parecia tão apaixonadamente esquerdista, chamado José Anselmo dos Santos, o "Cabo Anselmo". Líder de uma revolta de sargentos, que irritou as altas patentes das Forças Armadas, sobretudo depois da anistia que, num erro estratégico, foi dada por Jango aos revoltosos presos (a anistia foi o pretexto para o Exército mineiro iniciar o golpe militar), Anselmo parecia um socialista convicto, tinha um discurso envolvente, empolgante, convincente.

Mal se podia imaginar que Cabo Anselmo seria um direitista dos mais perigosos. Depois foi revelado que, já nessa época, Anselmo era agente da CIA, serviço de informação do governo dos EUA, interessado em derrubar Jango e instaurar a ditadura militar. Isso foi a ponto de haver até mesmo um plano de guerra contra o Brasil, chamado "Operação Brother Sam", em que as forças estadunidenses e as tropas brasileiras alinhadas à direita se prepararam para uma possível resistência das forças janguistas e brizolistas. Mas a resistência não houve e a guerra não aconteceu. E Jango renunciou pacificamente.

Para piorar, o desmascarado Cabo Anselmo havia entregado colegas de farda, amigos e uma ex-namorada - a belíssima e meiga Soledad Viedma - para a tragédia nos porões da tortura.

QUEM SERÃO OS FUTUROS NEOCONS?

Evidentemente, direitistas fantasiados de esquerdistas e esquerdistas "arrependidos" existem aos montes no Brasil. A ditadura militar influenciou toda uma sociedade ao mesmo tempo conservadora e hipócrita, que são muitos os "filhos" e "netos" do Cabo Anselmo andando pelas ruas, fumando baseado, falando gírias, sem despertar suspeita.

Eles estão no Orkut, no Facebook, no Twitter, no lazer da vida noturna, vestem roupas joviais, se dizem "esquerdistas", falam que "apoiam a Dilma", mas escondem ideias e ideais dignos dos reacionários militantes do Comando de Caça aos Comunistas. Vestem camisetas com a foto de Che Guevara, mas seu ídolo mesmo é o Cabo Anselmo.

Há também os equivalentes a José Serra, no qual as surpresas estão em pessoas como Fernando Gabeira e Soninha. Tão especializados em analisar criticamente nossa sociedade, eles dificilmente deixariam latente qualquer inclinação direitista. Caetano Veloso ainda vai, afinal era ideologicamente ambíguo, "elogiando" Carlos Marighela mesmo sendo inofensivo ao regime militar (que não entendeu a mensagem puramente lúdica dos tropicalistas, que por mais ousados não incomodaram a ditadura, como afirma José Ramos Tinhorão).

Muitos neocons já foram poetas performáticos, artistas pós-modernos, faziam poesia marginal, militaram no Partido Comunista, discutiam marxismo nos botequins, falavam em reforma agrária, mas quando as reformas sociais se tornaram concretas, eles vieram que foram longe demais e passaram a defender um neoliberalismo apenas "um pouco mais social e humano".

Prováveis neocons já mostram suas caras no âmbito da visibilidade midiática. Pessoas que, até o momento, adotam uma postura, tão aparente quanto forçada, de "esquerdismo" ou de "envolvimento com as causas progressistas" que no entanto mostram aspectos totalmente estranhos, seja de conduta, seja do próprio background midiático de onde vieram.

O mais cotado para ser o neocom da Era Dilma é o professor mineiro Eugênio Arantes Raggi. Figura polêmica em sítios e fóruns da Internet, ele já foi entrevistado pelo jornal Estado de Minas e teve carta divulgada no programa Vrum, produzido pela TV Alterosa (afiliada do SBT).

Raggi é célebre pelo seu discurso altamente reacionário, anti-socialista, que causou vários problemas com muitos internautas. Alguns, jocosamente, quando preveem alguma reação do "professor" Raggi, anunciam "Xi, lá vem o 'professor'...". Mas, nos últimos meses, havia amaciado seu discurso, forçadamente favorável a Dilma Rousseff e ao governo Lula, tendo se "irritado" quando alguém chamou os ministros de Lula de "vigaristas".

Fazendo jogo duplo na Internet, Eugênio Arantes Raggi tem perfil no GMail, Facebook e Twitter. No Twitter, estranhamente seu perfil é uma página em branco, para alguém que escreve textos nervosamente longos e reacionários, como se fosse um Diogo Mainardi pensando ser Mário de Andrade.

Raggi está inscrito no portal de Luís Nassif, apesar da defesa arrogante do brega-popularesco pelo professor mineiro destoe do gosto musical do jornalista, inclinado à mais genuína MPB. Também envia comentários no blog Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, que, como Nassif e os petistas em geral, é alvo da mais pura bajulação de Raggi.

Em contrapartida, Raggi também é inscrito num fórum do portal Globo Esporte e já havia feito elogios rasgados à CBN. Usa os portais da Globo, aparentemente, para falar de futebol. No Twitter, porém, deixou um recado suspeito quando alguém falou mal da mídia golpista. Em suma, o que ele quis dizer foi: "Não fale mal da mídia, ela é desprezível". Na verdade, a exemplo do Cabo Anselmo de outrora, ele estava defendendo a mídia golpista que tanto diz odiar no discurso.

Um reacionário como esse, de textos irritadiços e uma visão burguesa do que entende por "cultura popular", ávido para desqualificar o socialismo, os movimentos sociais, não poderia ser mesmo progressista.

Eugênio Raggi é mais cotado para ser o neocon de amanhã devido ao seu esquerdismo forçado, talvez movido porque possui protegidos trabalhando nas afiliadas do SBT e Record em Belo Horizonte ou porque seus amigos são ligados ao petismo. Mas nada impede que, dentro de cinco anos, ele esteja no Instituto Millenium abraçado feito irmão a José Serra, Marcelo Madureira e Diogo Mainardi, hoje seus "inimigos".

PAÇOCA DA IMPRENSA GOLPISTA

Outro que pode ser o neocon de amanhã é o jornalista Pedro Alexandre Sanches. Cria da Folha de São Paulo, ele reflete o perfil do crítico musical da mídia golpista. Escreveu para Ilustrada, mas também colaborou para as revistas Época, das Organizações Globo, e Bravo, da Editora Abril, fechando toda a sua formação no PiG. Mas foi só ele escrever livros sobre Tropicalismo e Roberto Carlos que virou o queridinho dos internautas.

Seu envolvimento aparente na mídia esquerdista se deu, muito provavelmente, porque ele é amigo ou protegido de algum dissidente da Folha de São Paulo que rompeu com o jornal paulista. No entanto, Pedro Sanches não parece inclinado com a causa esquerdista, como diz a metáfora, ele apenas "viaja de garoupa". Tem coluna fixa na Caros Amigos, intitulada "Paçoca", colabora na revista Fórum, colabora na Carta Capital, tem livro editado pela Boitempo. Mas nada consegue esconder o background direitista que Pedro Sanches possui e cujo aparente rompimento nunca foi provado nem provável.

Um dos textos escritos por Pedro Sanches dá uma amostra de que seu suposto esquerdismo é de fachada. Quando escreveu o texto Música que as Crianças Ouvem, para Caros Amigos, em certa passagem Pedro Sanches fala dos militantes da MPB de esquerda como se não fosse a causa dele, num distanciamento muito estranho para quem ainda quer continuar escrevendo (até quando?) para a mídia esquerdista.

A própria defesa do brega-popularesco, numa clara identificação com os "sucessos do povão" que aparecem na mídia golpista - Domingão do Faustão, Caldeirão do Huck, Mais Você e Fantástico (Rede Globo), revistas Contigo, Tititi e Caras (Editora Abril) e na própria Ilustrada (Folha de São Paulo) - , faz Pedro Alexandre Sanches fazer o jogo com a camisa adversária, dando gols contra que animam uma plateia desinformada com o lado da trave, sem saber o quanto Otávio Frias Filho está feliz com as atividades do seu ex-contratado mas sempre seu discípulo.

Sem falar que Pedro Alexandre Sanches adota um discurso pró-brega que lembra muito o que Caetano Veloso fez, pioneiramente, em outros tempos. Veja no que deu: Caetano foi para o lado dos tucanos, deixando a "esquerda festiva" (espécie de pré-vestibular dos neocons) órfã.

É SÓ AVANÇAR O PROGRESSO SOCIAL QUE OS NEOCONS APARECEM

Na Internet, eu havia previsto o direitismo latente de vários pretensos esquerdistas, em mais de um ano do blog O Kylocyclo. Até agora ninguém reagiu contestando a aqcusação de direitismo. Pelo contrário, tudo deixa subentendido que, se um dia a direita se mostrar uma opção ideológica mais atraente, eles aderem numa boa.

O estranho esquerdismo dos futuros neocons se dá porque eles se envolvem com colegas de trabalho, parentes etc que de fato se identificam com a causa esquerdistas. O pseudo-esquerdista vai junto, mas sem a mesma convicção. Mas faz seu teatrinho, num meio-termo entre o esquerdismo-depois-abandonado de José Serra e o falso esquerdismo de Cabo Anselmo.

O pseudo-esquerdista acha bonito vestir de vermelho, idolatrar Che Guevara, defender a "justiça social". Em certos casos, ele é "esquerdista" só porque acha isso bonito, mas não tem conhecimento de causa. Em outros casos, é um oportunista mesmo, se seu amigo de infância e colega de trabalho vai (este com convicção e conhecimento de causa), o pseudo-esquerdista vai por puro parasitismo. Obtidas as vantagens, ele dá o bote e volta para a direita, que o recebe como um filho pródigo do neoliberalismo.

No começo da Era Lula, era fácil posar de esquerdista. Virou moda, até a mídia golpista armou trégua. Muito jovem burguesinho neoliberal, achando que parecer surfista era o mesmo que parecer um militante socialista, bancou o esquerdista de foice oca.

A mídia grande anunciava que o governo Lula - num esforço de transição - manteria algumas medidas do antecessor governo FHC e todo mundo ficou feliz, vestindo a camiseta com foto de Che Guevara, mas lendo livros de Roberto Campos escondidos por detrás de um exemplar de Carta Capital.

Mas, na medida em que o progresso do governo Lula começou a fazer diferença, com medidas reformistas que valorizaram a economia nacional e começaram a reduzir as desigualdades sociais, a festa pseudo-esquerdista começou a se esvaziar, com a conversão dos socialistas de araque em neocons de carteirinha.

A tendência poderá aumentar, já que Dilma Rousseff não encontrará um cenário como o de FHC, mas uma economia consolidada por Lula. A expectativa é de que o governo Dilma se torne ainda mais audacioso, até pelo perfil enérgico da presidente, que pode fazer diferença até mesmo ao cordial Lula.

Tornando-se mais ousado, o governo Dilma poderá dissolver cada vez mais as hordas pseudo-esquerdistas, que, desiludidas ou malogradas, migrarão para as fileiras direitistas a princípio de forma discreta, mas depois convertidos de forma explícita para o neoliberalismo que, no fundo, sempre defenderam, mas que momentaneamente fingiram desprezar, em nome das vantagens pessoais.

Isso porque os futuros progressos sociais poderão se confrontar com os privilégios pessoais dos esquerdistas de fachada, que, ameaçados, passarão para a direita imediatamente.

É esperar para ver. A gente vai ver os futuros neocons na Internet, dando palestras para o Instituto Millenium, daqui a cinco anos.
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